Jornalista não tem empresa na casa da mãe

 

adotePode parecer curiosa a chamada acima, mas é real e uma resposta a referência feita pelo vereador Carlos Bezerra (PSDB), no CBN São Paulo, ao tentar explicar por que contratou uma consultoria que declara ter sede em endereço onde jamais funcionou. O parlamentar usou como exemplo o caso dos repórteres do jornal O Estado de São Paulo que identificaram supostas falhas na prestação de contas dos vereadores da Câmara Municipal e disse que eles não eram contratados como pessoas físicas – não tinham carteira assinada – , portanto teriam sido levados a abrir uma empresa: “se você ligar para a sede da empresa provavelmente a mãe deles vão atender, ou a esposa”. A tese do vereador é que profissionais como eles não precisam ter sede própria pois fornecem “propriedade intelectual”.

Exemplo errado, vereador.

Diego Zanchetta esclarece: “Gostaríamos de deixar bem claro que tanto eu como o Bruno (Tavares) e todos os repórteres que trabalham conosco aqui em Metrópole, ninguém é pessoa jurídica. Aqui, todos somos contratados pela CLT e ninguém possui empresa aberta que funciona na casa da mãe ou qualquer coisa parecida”.

Portanto, os jornalistas citados não tem empresa na casa da mãe. Talvez os contratados pela Câmara, sim. A averiguar.

Brasília, 50 anos: moderna, não para os ônibus

 

Na planejada Capital Federal o sistema de transporte de passageiros nasceu de forma improvisada. E devido a carência da população que vive em seu entorno, o poder público teve de intervir e operar as linhas.

Ônibus da empresa pública de transporte, em 1964

Por Adamo Bazani

Moderna, com projeto de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, Brasília nasceu há 50 anos com o vício das grandes cidades brasileiras: priorizar o transporte individual em detrimento ao público.

As vias arrojadas, os traçados retos, os trevos e viadutos que evitam cruzamento fizeram parte do projeto urbanístico. No entanto, nenhum espaço exclusivo para o transporte de passageiros foi pensado. A implantação de um sistema que atendesse às necessidades da população foi feita quase no improviso, mais remediando os problemas crescentes que planejando soluções em médio e longo prazos.

Com a construção do Distrito Federal, a população da região e do entorno crescia numa proporção três vezes maior do que em anos anteriores ao empreendimento realizado no Governo de Juscelino Kubitscheck. Eram milhares de pessoas que buscavam empregos de todos os níveis, desde serviços e construção civil até altos cargos no setor público. Havia poucas linhas de ônibus, que apesar de servirem a Capital da Modernidade, ainda enfrentavam ruas de terra e muita poeira.

Em 1960, ano da fundação, a Câmara dos Deputados compra dois ônibus FNM para servir aos funcionários. No dia 25 de maio, os parlamentares, decidem que os ônibus devem operar em três linhas, sempre com destino à Câmara. Enquanto isso, outras empresas de ônibus ligavam o Planalto Central às cidades satélites, mas de forma precária e insuficiente frente à demanda crescente. Um estudo inicial propôs a criação de uma empresa de ônibus a ser explorada pelas montadoras de veículos, beneficiadas por JK, mas a indústria sequer respondeu a proposta.

Também foi pensada a instalação de um monotrilho ligando todo o planalto, isso ainda nos anos de 1960. Mas os custos de implantação e as obras necessárias fizeram com que o projeto não fosse considerado viável.

As empresas de ônibus só se modernizavam quando o poder público dava estrutura de operação. Em 1960, a empresa Planeta comprou ônibus de São Paulo para servir as ligações entre o Plano Piloto e as cidades satélites. Apenas após as obras de pavimentação de Brasília e do entorno é que outros empresários do setor renovariam suas frotas. Em agosto, entra em circulação a primeira linha interna de Brasília, ligando os setores residenciais Sul e Norte. Em 12 de setembro, é inaugurada a Plataforma central da Rodoviária do Plano Piloto, cujo local já recebia ônibus de forma precária.

O início das operações da rodoviária foi gradual. Mesmo após sua inauguração oficial, as linhas de ônibus interestaduais faziam paradas no Núcleo dos Bandeirantes. Em 22 de outubro, Brasília tinha 75 ônibus, distribuídos em 14 linhas com oito empresas, que ainda operavam em regime de permissão da época da construção da Capital. Neste ano, a Expresso Brasil assume linhas circulares do Plano Piloto, mas desrespeita o contrato transferindo sem autorização veículos destas linhas para as das cidades satélites que eram mais lucrativas. Antes mesmo da criação da empresa publica, o poder distrital teve de operar ônibus, inicialmente comprando em 28 de dezembro, monoblocos Mercedes Benz O 321.

A Sociedade de Transporte Coletivo de Brasília, TBC, nascia oficialmente em 8 de maio de 1961. A empresa chegou a contar com mais de 150 veículos, mas depois da estrutura viária e da definição da demanda, as empresas particulares pressionaram para participar do sistema, o que fez com que a TCB fosse perdendo espaço. Tais empresas queriam o que outrora haviam desprezado, na época em que a região ainda não estava totalmente estruturada e que operar transportes representaria um custo muito alto.

A TCB foi uma das primeiras empresas no País a usar transmissão automática em ônibus urbano e nos anos de 1970 foi considerada empresa modelo para a América Latina. Atualmente, opera poucas linhas, com cerca de 40 carros.

As queixas hoje em dia da população de Brasília e região sobre os transportes ainda são grandes. Alguns veículos mal conservados, com motoristas nem sempre desempenhando o melhor de sua função e ônibus lotados rodam bem aos olhos do centro do poder político nacional.

Nota-se que nem sempre cidades bonitas, com largas vias e boa pavimentação são democráticas quando o tema é a divisão do espaço público e a prioridade ao transporte de passageiros.

Adamo Bazani é repórter da CBN, busólogo e não havia nascido quando Brasília foi inaugurada. Às terças ou a qualquer momento em edição extraordinária, escreve no Blog do Mílton Jung

Corrupção se combate com cidadão, diz Transparência

 

adote“Acabar com a corrupção não tem jeito, mas se pode controlar e isto só é possível com a participação do cidadão”, alertou o diretor de projetos da ONG Transparência Brasil, Fabiano Angélico. O comentário dele chama atenção para a necessidade da sociedade participar da vida legislativa impedindo que o dinheiro público seja usado de forma irresponsável ou irregular. Angélico foi entrevistado no CBN SP devido a denúncia de que vereadores de São Paulo mantém contratos suspeitos com empresas e prestadores de serviços.

A supostas irregularidades foram identificadas pelo Estadão após analisar cerca de 5 mil notas fiscais usadas para justificar o ressarcimento da verba indenizatória que é de R$ 14,8 mil mensais para cada um dos 55 vereadores.

Acompanhe a entrevista com Fabiano Angélico da Transparência Brasil

Agora o outro lado

O vereador Carlos Alberto Bezerra Junior, líder do PSDB na Câmara Municipal, não vê nenhuma irregularidade na contratação de uma consultoria para a CPI da Pedofilia, apesar de a instituição jamais ter funcionado no endereço em que está registrada. O parlamentar disse que isto ocorre porque muitos prestadores de serviço não precisam de um escritório para trabalhar, pois vendem sua propriedade intelectual.

Ouça o que disse o vereador Carlos Bezerra, do PSDB

Pauta #cbnsp 26.04.2010

 

260420103126

Sem-teto – Integrante da Frente de Luta por Moradia esperam ser recebidos pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), e se concentraram diante da sede da prefeitura. A repórter Cátia Toffoletto acompanhou a manifestação. Atualize as informações visitando a página da CBN, na internet.

Cidade Limpa – O projeto que tirou os outdoors das ruas de São Paulo e restringiu a fachada do comércio está entre os destaques da Exposição Mundial que começa dia 1º de maio, em Xangai, China. Regina Monteiro, diretora da Emurb, que representará a cidade no encontro disse que o próximo passo no programa é o Plano Diretor da Paisagem Urbana que irá privilegiar a questão da iluminação na cidade. Acompanhe aqui a entrevista com Regina Monteiro.

Esquina do Esporte – A decisão do Campeonato Paulista foi pautada pela forma como o Santos jogou ou deixou de jogar na primeira partida da final, mas o Santo André mostrou qualidade na formação de seu time. Deva Pascovicci e Victor Birner analisaram a vitória santista por 3 a 2.

Época SP na CBN – O Rodrigo Pereira começou a semana com ótimas dicas musicais, tendo rara apresentação de Altamiro Carrilho como destaque. Ouça aqui.

O discurso do TSE e a eleição com Ficha Limpa

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

O discurso de posse do Ministro Ricardo Lewandowski na Presidência do Tribunal Superior Eleitoral, nesta semana que passou, exprime diversos movimentos daquela Corte. Foi uma manifestação erudita e direta que uma vez decodificada, permitirá ao (e)leitor verificar algumas filigranas e o próprio tom do processo eleitoral deste ano.

Neste contexto, é importante lembrar que embora estejamos em abril e a eleição ocorrerá somente em outubro, os pré-candidatos, todos eles, para qualquer cargo em disputa, já estão submetidos à legislação eleitoral, seus limites e penalidades. Pesquisa eleitoral, por exemplo, só pode ser divulgada e referida, em qualquer veículo de comunicação, se estiver registrada com 5 dias de antecedência na Justiça Eleitoral. Caso contrário, pode ocorrer infração, crime, multa e proibição. No horário da propaganda partidária, aquele onde não se pede voto mas onde são apresentadas as lideranças e prováveis candidatos, dependendo da infração, há multa e os programas são retirados do ar. Muitos pré-candidatos – a maioria – já se desincompatibilizou. Traduzindo: deixou o exercício dos cargos públicos. Vale dizer: deixou o poder.

Retornando ao discurso de posse do Presidente do TSE, na passagem onde refere que “A legitimidade dos representantes do povo radica em eleições, cuja base é o sufrágio geral, igual, direto e secreto, que não pode sofrer qualquer restrição em termos de sexo, raça, rendimento, instrução ou ideologia”, o Ministro ressalta duas questões. A primeira, que votar é a maneira pela qual o cidadão pode, de alguma forma, alterar a situação vigente. A outra está na priorização, pela Justiça Eleitoral, do direito de voto pelos presos provisórios. O tema é delicado porque os locais de votação – presídios – são obviamente inseguros. Além disso, não se vislumbra praticidade na medida que, embora discutível, é de índole constitucional (direito de voto por aquele que não tem uma decisão condenatória definitiva pelo Judiciário).

Já a referência de que “O voto há ter também imediatidade, isto é, deve defluir diretamente da vontade do eleitor, sem intermediação de quem quer que seja, e mostrar-se livre de pressões de qualquer espécie”, reforça a tendência de que os processos movidos por compra de voto podem resultar na cassação do acusado quando ficar provado que o mesmo, embora não tenha agido pessoalmente (o que, convenhamos, seria difícil de ocorrer e muito mais de provar), concordou que alguém – assessor, colaborador, militante – comprasse votos em seu benefício eleitoral. Caso recente do TSE cassou um deputado que comprava voto mediante a troca de frete de mudanças mas em juízo alegou desconhecer que da frente do seu comitê partia um caminhão. O relator foi … o Ministro Lewandowski.

Adiante, quando manifesta, quanto ao voto, a “pessoalidade de seu exercício, como também a ausência de qualquer possibilidade de identificação do eleitor” e também que se faz necessária “assegurar a alternância dos representantes no poder”, o novo Presidente do TSE dá coro a duas realidades: a implementação definitiva do sistema biométrico de inscrição eleitoral e às diversas e freqüentes manifestações do Tribunal posicionando-se contrário à reeleição para cargos do Poder Executivo. O TSE sempre, desde o início, expressou contrariedade à reeleição, sendo que diversos foram os seus Ministros que a criticaram e mesmo repudiaram.

Ou seja: os candidatos que partem para a reeleição (especialmente governadores e vices) devem ter cuidados dobrados em suas condutas simultâneas enquanto pretendes a um novo mandato e gestores públicos. Esta tarefa é difícil e vigiada pelo preconceito.

Quando enfatiza que “A missão fundamental que a nossa Constituição comete à Justiça Eleitoral é a de garantir que a vontade popular possa expressar-se da forma mais livre possível. Para isso ela conta com sofisticados mecanismos de coleta e apuração dos votos, a exemplo da urna eletrônica e da identificação biométrica dos eleitores, que dentro em breve será estendida a todos os votantes”, sua Excelência manifesta a autoridade da Justiça Eleitoral nos processos e eventuais cassações bem como a de expectativa de banimento das práticas de eleitores votarem uns pelos outros, sobretudo naqueles colégios eleitorais mais afastados dos centros urbanos, onde predomina o analfabetismo e a troca de favores pelos votos.

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Foto-ouvinte: Vale a pena fazer esta Cãominhada

 

Uma caminhada ao lado do seu cachorro de estimação foi o programa, na manhã de domingo, de muitos paulistanos, na Avenida Politécnica, ao lado da USP, zona oeste. Cenas interessantíssimas foram registradas pelo colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo: “Impressionante, o carinho e o amor devotados a esses bichinhos de estimação”, escreveu o autor das imagens que nos passam exatamente estes sentimentos. Bom caminhada.

Cidadão pode controlar gastos dos vereadores, também

 

adoteA denúncia de que vereadores de São Paulo contratam empresas que não tem sede nem nunca prestaram outros serviços demonstra desorganização, despreparo e falta de respeito com o dinheiro público, no mínimo. Não vou sequer entrar no campo da corrupção e desvio pois não tenho subsídio para tanto e seria leviano de minha parte. Prefiro ouvir, nesta segunda-feira, no CBN São Paulo, autoridades que esclareçam em que nível se encontram as irregularidades apontadas pelo Estadão.

Quero, porém, aproveitar para falar com você sobre o levantamento feito pelos repórteres Bruno Tavares, Diego Zanchetta e Rodrigo Burgarelli. Eles foram ao site da Câmara Municipal de São Paulo e identificaram 5 mil registros de pagamentos feitos pelos vereadores com a verba de gabinete. Cada um dos 55 parlamentares pode gastar até R$ 14,8 mil por mês para serviços de consultoria, publicação de material gráfico, desenvolvimento de site e combustível, entre outros.

Com os dados em mãos eles fizeram buscas na própria internet atrás das empresas e prestadores de serviços, tentaram fazer contato por telefone e visitaram alguns endereços. Logo descobriram que, apesar de estarem no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica, algumas delas não funcionam no local registrado. Há casos, também, de empresas que teriam sido contratadas para trabalhos que não foram executados.

Este levantamento somente foi possível porque a Câmara Municipal de São Paulo, pressionada pela opinião pública, se viu obrigada a divulgar no seu site as notas fiscais usadas para comprovar os gastos de gabinete. E o olhar que os repórteres tiveram pode ser exercido por qualquer cidadão.

Evidentemente, seria impraticável que uma pessoa fizesse esta investigação nas declarações de todos os vereadores. Mas por que não controlar contas de ao menos um deles ? Esta é a ideia que move o Adote um Vereador, lançado logo após a eleição municipal de 2008. Fazer com que o eleitor se transforme em fiscalizador.

Aproveito para deixar um desafio aos que se propuseram a adotar um vereador, em São Paulo e demais cidades brasileiras: entre no site da Câmara, olhe a última prestação de contas do parlamentar, faça uma busca na internet, tente identificar o prestador de serviço, despenda um pouco do seu tempo para saber quem são estas empresas. Se houver dúvida, ligue para o gabinete do vereador e peça explicações. É um direito que o cidadão tem, afinal o dinheiro gasto é público. Ou seja, é nosso.

Conte Sua História: A boiada na Vila Olímpia

 

Conte Sua Historia William EbenauPreso no congestionamento da Vila Olímpia em meio a enorme quantidade de prédios, jamais você imaginaria que por ali passava boi, passava uma boiada. Nem sequer deve ter se dado conta que sob as rodas de seu carro um córrego corre em direção ao rio Pinheiros. Mesmo paulistanos que viveram aquela época, nem tão distante assim, muitas vezes esquecem desta transformação pela passou São Paulo.

No depoimento do ouvinte-internauta Wilson Guilherme Ebenau, você terá a oportunidade de enxergar estas cenas da nossa cidade. Ele começa sua trajetória na zona Norte, andando no trem da Cantareira e mirando o rio Tamanduateí até chegar ao Itaim, onde nadou em piscina artificial ao lado do Pinheiros e teve de se equilibrar para atravessar pinguelas que uniam os dois lados do bairro.

Ouça o depomento de Wilson Guilherme Ebenau ao Conte Sua História de São Paulo, sonorizado por Cláudio Antônio

A história contada por Wilson Guilherme Ebenau marca o início da série de depoimentos gravados na sede do Museu da Pessoa, no bairro da Vila Madalena, em conversa com os entrevistadores da instituição que atua como parceira da rádio CBN neste projeto. Até o sábado anterior, foram reproduzidas – e você pode conferir aqui mesmo no Blog – histórias relatadas por ouvintes-internautas que estiveram no Pátio do Colégio, na festa de aniversário da cidade, dia 25 de janeiro deste ano, promovida pelo CBN SP.

Para conhecer melhor o projeto do Conte Sua História de São Paulo com o Museu da Pessoa, acompanhe a entrevista com o coordenador de comunicação e mobilização de recursos da instituição Erick Krulikowski. Aproveite e agende a sua entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Avalanche Tricolor: Toninho, o guri de coragem no Gre-Nal

 

Inter 0 x 2 Grêmio
Gaúcho – Beira Rio

Twitter Milton Jung

Com esta mensagem acordei no Twitter esta manhã e refletia sentimento que não se baseava apenas na luz que vazava a janela de casa, aqui em São Paulo. Havia um azul no céu que teimava em aparecer, apesar das nuvens que se esforçavam pra estragar o cenário. A confiança estava nos sinais que chegavam, nas coisas pequenas que surgiam daqui e dali.

No rodapé do caderno de esporte, uma foto do goleiro Vitor ilustrava a chamada para o Gre-Nal que decidiria o Campeonato Gaúcho. Não era nenhum atacante que estava ali, o driblador de plantão ou o goleador do momento. Nem um destaque especial para os jogadores daqueles que “se acham” vencedores de tudo. Era o nosso goleiro, o maior do Brasil , que em campo à tarde justificaria a demonstração de respeito dos jornalistas esportivos de São Paulo.

Estadão Vítor

Os sinais não paravam por aí.

Na primeira página do Estadão, uma camisa do Grêmio estava no alto. Vestida por um menino de 8 anos, Antonio Lazarotto Campanelli, que a convite de reportagem sobre a nova “opinião pública” escreveu em um cartaz a mensagem que gostaria de enviar para o mundo:

Estadão Grêmio

Parabéns, Toninho ! Você é guri corajoso. Não esperou o Gre-Nal deste domingo para gritar à caneta o que seu coração já lhe dizia. Em poucas palavras encarou aqueles que ainda duvidavam do potencial deste time. O Grêmio de Silas é uma equipe constantemente desafiada pelos críticos e por seus próprios torcedores, sempre aguardando um aceno, um lance, uma conquista a mais.

Ganhou a primeira fase do campeonato gaúcho, fez a melhor campanha entre todos, mas não era o suficiente. Superou um, dois, três adversários na Copa do Brasil, chegou às quartas-de-final, mas … Sempre aparecia um mas a duvidar da gente. E a nos dar dúvidas, também.

Para Toninho, não. Para este menino nascido em Porto Alegre, o Grêmio não precisava provar nada, pois mesmo jovem conhece a saga do Imortal Tricolor. E sabe que coragem é nossa marca, confiança é o que nos leva a vitória.

Foi você jovem gremista, mais do que o céu e o Vítor, quem me contaminou e me fez crer que algo de bom estava reservado para este domingo. E como estava.

Twitter Neuton

Foi, aliás, um outro jovem, Neuton, 20 anos, que dentro de campo só fez aumentar minha certeza. Com um carrinho sem medo da falta que seria marcada, logo no início da partida, fez sua estreia no time profissional. Dali pra frente, encarou os marcadores em arrancadas pela esquerda, driblou dentro da área, deu chutão para lateral e comemorou cada roubada de bola como somente os gremistas são capazes de comemorar, sem nenhuma vergonha na cara. Passou no teste.

Houve outros corajosos em campo nem tão jovens como o ala Neuton ou o torcedor Toninho. Mas vou citar apenas mais um e que seja uma homenagem a todos que começam a entender o compromisso que assumiram ao vestir o manto tricolor: Rodrigo.

Nosso zagueiro encarou o adversário que teve o atrevimento de lhe agredir na entrada do gol que defende, não teve medo da punição do árbitro pois sabia que ali era momento de mostrar quem manda dentro da área. Mancou parte do jogo, sem nunca tirar o pé. E foi decisivo ao “chutar” a bola de cabeça e marcar o primeiro gol do Grêmio. Rodrigo, o Patrão da Área, foi, hoje, o das duas áreas.

Os sinais deste domingo se completaram com o gol de Borges que nos ofereceu uma vantagem considerável para a partida final no Olímpico Monumental. Sua comemoração com cambalhotas e piruetas me fez lembrar André Catimba, e a final de 1977, quando assisti ao primeiro título gaúcho do Grêmio.

O de 2010 ainda não vencemos, mas teimo em acreditar na mensagem que recebi ao fim de uma boa conversa durante todo o jogo pelo Twitter

Twitter Marcia Pilar

De dor II

 


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De dor II” falado, gravado e sonorizado pela autora

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Gememos, sofremos, reclamamos.

De quê?
Rejeição, dor, injustiça.

Difícil aceitarmos que alguém não nos ame como queremos ser amados.
Difícil passarmos desapercebidos quando pensamos ter os sentidos alertas e acreditamos perceber tudo e todos.

Na verdade, nossos sentidos têm olhos semicerrados e só percebem vagamente as sombras da ilusão.
Na verdade, somos tão voltados para nós mesmos, para o nosso umbigo, para a imensa muralha que é o nosso ego, que somos, na verdade, absolutamente cegos.

Todos.

Vivemos rotulando: isto é justo, isto não é; isso está certo, aquilo não.
Chove; que droga! Não chove; que secura!
O mundo lá fora não me revenrencia; não é justo!
O outro tropica; justo!

Nossa bússola anda bêbada; louca.
Deixou de ser bússola; virou biruta.

Pois foi numa fase dessas, de bússola-biruta, que chegou a mim uma mensagem da Cabala e me fez ver um raiozinho de luz nas sombras da ilusão em que me encontro.
Trouxe alívio para a dor que me aflige.

A mensagem diz que rejeições, acontecimentos que não consideramos justos, coisas que não vão ou não vêm na direção que queremos, são a chance que temos de não alimentarmos nosso ego. São a chance de libertarmos o nosso verdadeiro Ser.

A mesagem nos convida a apreciar a rejeição; a dar-lhe as boas-vindas. Diz que a dor que sentimos, a dor que quase não suportamos, é o desacorrentar de nossa alma.

Para mim chegou na hora certa; e para você?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e organiza curso de comunicação e expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung com dor e paixão