Buracos da Cidade: São Paulo afunda

 

Buraco na Pacaembu

O passeio dominical pela avenida Pacaembu ganhou um visual diferente nesta manhã: uma cratera surgiu no meio do caminho revelando parte do “riacho” que passa sob os pés – ou rodas – do paulistano. Dois motoristas não ficaram nada felizes com o que viram, pois caíram no buraco por volta das cinco da manhã. Resultado: um deles teve a roda quebrada; o outro, a suspensão. Os dois fizeram boletim de ocorrência, mas esperam que a Sabesp – responsável pela cratera – pague os prejuízos antes que o caso chegue na Justiça, contou a repórter Alessandra Dias, da CBN, que esteve por lá, e fotografou a cena.

A versão da Sabesp é que uma galeria pluvial estourou devido a chuva do fim de semana, fazendo com que o piso cedesse durante a madrugada. Há outro motivo bastante claro: a rede de água de São Paulo é antiga e carece de manutenção. Em alguns pontos são feitas “gambiarras” em lugar de a troca total do equipamento, pois seria necessário colocar São Paulo de cabeça pra baixo para esta reforma.

A cidade está afundando.

Conte Sua História de São Paulo: Minha primeira escola

 

Por Dalila Suannes
Ouvinte-internauta do CBN SP

Ouça o texto “Minha Primeira Escola” sonorizado por Cláudio Antônio

 


Assim que o sol nasceu em um dia qualquer do 1946, seu pai a pegou pela mão e foram caminhando até o colégio alemão próximo de sua casa.

Lá, o pai foi recebido com o respeito que seu fardamento impunha, e encaminhados para uma sala de aulas, aos cuidados de Dona Helga.

Ao se ver sozinha no meio de crianças estranhas, louras, se pôs a chorar, lavando, literalmente a carteira.

Tinha a sensação de que nunca mais veria sua mãe, seus irmãos, ou os amiguinhos de pega-pega, de mocinho e bandido.

Sua vida mudara.

Todos os dias, lá ia ela com a lancheira, livros e cadernos. Era a mais nova estudante da região.

Aos poucos foi se integrando, e, como era muito expansiva, alegre, tagarela, não negando a origem italiana de sua mãe, conquistou seu lugar entre os pares.

Àquela época, foi lançada uma coleção de figurinhas com foto de artistas, e, nasceria daí sua paixão pelo cinema.

Sentia-se superior às demais colecionadoras da classe, de origem germânica, por não conseguirem pronunciar o nome da diva da época, Ana Magnani.

Sentia respeito e admiração pelo diretor da escola e se encantava quando havia passeio ao Horto Florestal, no lugar das aulas.

Era o tipo de educação européia, baseada no conhecimento vivo da natureza.

Nesta ocasião saboreou, pela primeira vez, uma bebida com gosto estranho, que mais tarde soube chamar-se Coca-Cola.

Fez seu “debut” em festas infantis ao comparecer ao aniversário de uma holandesa, de sua idade, que costumava usar tranças muito loiras.

Ficou maravilhada e muito feliz ao receber uma lembrancinha da data, já que a família estava retornando para sua terra natal.

Nunca tinha visto nada igual já que para ela o grande acontecimento de reunião entre amigas era “batizado das bonecas”.

Outra colega que lá estudava, havia nascido, juntamente com seus familiares, na antiga Tchecoslováquia.

Nas festas de seu aniversário, os adultos jantavam em uma extensa mesa da sala de jantar, observado por nós, através de um janelão de vidro, já que ficávamos confinados ao quintal e de lá não poderíamos passar.

Relembrou esta cena, ao assistir o filme Amarcord.

Estas experiências marcaram sua vida.

Uma, porém, mais forte que todas.

Entre os estudantes, havia um grupo de meninos e meninas, que se vestia mais singelamente e traziam suas merendas, de pão com banha, em um saquinho de pano.

Chegavam e partiam juntos por morarem todos em uma (única) casa longe de nossa escola.

Eles eram originários dos países dos demais alunos do colégio, porem, ao contrário destes, tinham perdido tudo o que um ser humano precisa para viver, simplesmente por serem judeus.

Ela ficava mortificada com esta situação, e tinha-lhes um carinho especial, principalmente por uma garota alta, chamada Josefa.

Um dia, quando todos os alunos se enfileiravam para adentrar o prédio, e cantavam o Hino Nacional Brasileiro, não se sabe o que fez um dos meninos deste grupo, Schultz.

O fato é que Dona Helga deu-lhe uma bofetada no rosto tão forte, que ela a sentiu em sua face.

Foi para casa chorando e contou o sucedido para sua mãe que ficou muito nervosa, mas nada explicou. Talvez ela mesma não soubesse o que dizer.

A pequena teve por várias noites dificuldade em dormir.

A cena a fez acordar para a vida e entender que as pessoas não são consideradas iguais, e que no mundo existe intolerância, violência, incompreensão.

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Você pode participar enviando seu texto ou arquivo de áudio para contesuahistoria@cbn.com.br

Arruda, o mentiroso do Senado, não aprendeu a lição

 

José Roberto ArrudaApontado como o chefe de um esquema de corrupção no Governo do Distrito Federal, o governador José Roberto Arruda (DEM) já foi protagonista de uma das cenas mais constrangedoras no Senado. Em 2001, líder do governo FHC, esteve envolvido na fraude do painel eletrônico durante a votação que cassou o então senador Luiz Estevão, e teve de renunciar ao cargo, assim como seu parceiro de falcatrua, o falecido senador Antônio Carlos Magalhães, na época no PFL.

A votação era secreta, mas uma lista com o voto dos senadores estava em poder de ACM que a usava para constranger seus pares. Arruda acusado de ter participado da violação do painel foi a tribuna negar que tivesse visto a lista, mas no dia seguinte uma funcionária da casa, Regina Borges, ex-diretora da Secretaria Especial de Informática do Senado, confirmou o esquema.

Para relembrar os históricos discursos de Arruda no caso da violação do painel eletrônico publico aqui edição do áudio com a voz do então senador na tribuna. Na primeira parte ele nega a informação da funcionária de que havia visto a lista, na segunda, pego na mentira, volta atrás.

Relembre os discursos de José Roberto Arruda, em 2001, nesta edição e sonorização de Paschoal Júnior

Desde aquela época, Arruda tenta reconstruir sua carreira. Retornou ao Congresso Nacional como deputado federal, em 2002, para quatro anos depois se eleger governador do Distrito Federal. Do seu governo, se tenta passar imagem do político moderno; ele vinha sendo apontado pelos colegas de DEM como a nova cara do partido.

No início deste mês, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, da Folha de São Paulo, no programa É Notícia, da Rede TV!, José Roberto Arruda falou sobre o episódio e explicou que o que o fez mentir foi “ser igual a todos os políticos brasileiro”.

Não aprendeu a lição.

Foto-ouvinte 1: Arte no tapume

 

Os tapumes falam nas ruas de São Paulo. Alguns parecem gritar em desespero. Outros debocham da nossa cara. A maioria nos ajuda a entender que o espaço aberto para a arte dos grafiteiro, os torna peças admiráveis em vez de meros muros improvisados com data de validade. O ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias, bom de olho, preparou uma “exposição” para o Blog do Mílton Jung com as imagens que registrou na região central de São Paulo.

A mostra de arte no tapume da obra é aberta, assim se você quiser compartilhar com a gente suas imagens sobre o tema envie para milton@cbn.com.br.

Um sonho realizado

Por Abigail Costa
De Roma

Conheci Eros Ramazzzotti no começo de 2.000. Quem fez o meio de campo foi minha irmã. Passávamos férias em família e ela me presenteou com um CD do Eros. Ouvi as músicas várias vezes. Me encantei com aquela voz anasalada e romântica.

Comecei a me interessar pelas palavras. As letras das músicas dele tem palavras mais modernas, incluíam gírias, dialetos italianos. Fui parar numa scuola italiana.

Já na primeira aula fiquei encantada. Na hora de me apresentar, dizer por que o interesse pela língua, falei tudo em italiano – engraçado como pegava uma palavra de uma letra daqui outra dali, e falei … O resultado foi surpreendente para mim, ninguém acreditava que estava tendo a minha primeira aula. Falaram que o meu acento italiano tem um “Q” de romano.

Romano ? Eros Ramazzotti nasceu em Roma, sei disso, já tinha lido na autobiografia “Eros Lo Giuro” (Armando Mondadori Editore). Aliás, pobre de escrita e conteúdo. Ma vá bene, nessuno é perfetto !

Se lançava um CD, corria a comprar. Numa dessas viagens a Roma, fiz a limpa na seção da letra E. Achei CDs, DVDs antigos, e me coloquei a ouvir.

Qualquer pessoa que entrasse no meu carro, logo eu perguntava:

– Conhece Eros ?

A maioria, não !

– Quer ouvir ?

Nem sempre o interesse era o mesmo que eu tinha e tenho. Tudo bem, pensava, também não gosto do Sting !

Em casa compramos dois cachorros para as crianças. O labrador cor de mel tem pinta de Deus Grego, então cabe à ele o nome EROS. Para o menorzinho, o shitsu com pelo achocolatado, sobrou RAMAZZOTTI, com direito a apelido: Rama!

Pois bem, cachorro em casa, DVDs em casa, CDs por todo canto, faltava o show. Não que Eros – o cantor – não tivesse aparecido por aqui. Deve ter vindo umas três vezes depois que fiquei sabendo da existência dele. A verdade é: nem fiquei sabendo da apresentação, em São Paulo!

Que espécie de fã você é ? – perguntavam os outros. Até que … de novo minha irmã me alertou: – O cara vai cantar aqui em Roma!

Convite feito, convite aceito. Foi uma das melhores experiências da minha vida. Não era só pelo lugar. Não era só pela voz ou pela música. Não era só porque Eros Ramazzotti estava ali. Claro que vê-lo há poucos metros foi demais !

Era por mim. Por um sonho. Um sonho sonhado de olhos abertos, na plateia do Palalottomatica di Roma.

Abigail Costa é jornalista e escreve no Blog do Mílton Jung sobre seus desejos e sentimentos.

Me engana que eu gosto

 

adoteProvocado pelo “padrinho” Màssao Uéhara, o vereador Claudinho (PSDB) tentou explicar sua posição em relação ao voto em favor do aumento do IPTU em 2010, no primeiro turno. Usou de subterfúgio, foi contraditório e perdeu boa oportunidade de esclarecer sua opinião, no sentido oposto ao que fizeram outros parlamentares, inclusive de seu partido.

O e-mail foi encaminhado para vereadaorclaudinho@uol.com.br e expressava a insatisfação com o comportamento do tucano. Integrante do projeto Adote um Vereador, Uéhara quis saber se o parlamentar havia ouvido seus eleitores para tomar aquela decisão e encerrava a mensagem alertando que o cidadão lembraria na próxima eleição daqueles que votaram pelo aumento do IPTU.

Em letras maiúsculas, assinado por um assessor de imprensa, a resposta de Claudinho:

“Sr. Massao, o vereador Claudinho registra seu protesto e esclarece: o que irá acontecer é a atualização da Planta Genérica de Valores que define o valor venal de um imóvel, mas também haverá um aumento de isenção para moradias, que atingirá um milhão de moradias de baixa renda. Na segunda votação haverá emendas de vereadores que buscarão corrigir possíveis injustiças”.

Não entendi, por exemplo, o motivo do “protesto”. Contra o quê? Ao direito do eleitor cobrar explicações? Difícil de compreender, também, a volta que o vereador dá para fugir da verdade: o projeto de lei que atualiza a PGV vai aumentar imposto, sim. E nenhum jogo de palavra é capaz de esconder isso.

Uéhara ainda espera resposta do vereador Jooji Hato (PMDB), a quem enviou a mesma mensagem.

Foto-ouvinte: Feira e sujeira livres

 

Sujeira da feira livre no Belenzinho

A sujeira deixada para trás pelos feirantes que ocuparam a rua Irmã Carolina, no Belenzinho, em São Paulo, na manhã de quinta-feira, espantou o ouvinte-internauta Luis Fernando Gallo, sempre presente com ótimo material fotográfico neste blog. Escreveu para dizer que a limpeza da rua somente se iniciou às 7 e meia da noite, tendo a feira se encerrado por volta das 2 da tarde.

“Gostaria de pagar 200% de IPTU, ter cidade limpa, ensino municipal de respeito, mais música, mais teatro, mais cinema e um mínimo de segurança para ir e vir”, lamentou.

Li na lei municipal que regula o funcionamento das feiras livres na capital paulista, que é obrigação dos feirantes “manter permanentemente limpa a área ocupada pela banca, bem como o seu entorno, desde sua montagem até sua desmontagem, instalando recipientes apropriados para receber o lixo produzido, que deverá ser acondicionado em sacos plásticos resistentes, os quais permanecerão nas calçadas para posterior recolhimento pelo serviço de limpeza pública, bem como cumprir, rigorosamente, no que for aplicável, o disposto na Lei nº 13.478, de 30 de dezembro de 2002, e alterações subseqüentes”

Estacionamento de graça será cobrado do consumidor

 

O título acima pode parecer uma contradição, mas não é. Você já deve ter ouvido de que não existe jantar de graça. No caso da lei estadual que, aparentemente, beneficia o consumidor que usa o estacionamento de shopping no Estado de São Paulo não é diferente. Já havíamos comentado neste blog que se o shopping arrecadar menos com a taxa do estacionamento vai passar a conta para os lojistas e estes vão repassar para os preços. Portanto, no fim das contas -sem trocadilho – vamos todos pagar o que, aparentemente, é de graça.

A Procuradoria Geral do Estado entende que a lei aprovada pela Assembleia Legislativa – que havia sido vetada pelo governador José Serra (PSDB) – é inconstitucional e estuda como questioná-la na Justiça.

Os deputados estaduais, de olho nas eleições do ano que vem, não estão muito preocupados com o que vai acontecer. Precisavam jogar para a torcida. Se a lei for derrubada depois, saem de bonzinhos da discussão.
Agiram da mesma maneira ao derrubar o veto à lei que proíbe a cobrança da taxa de assinatura da telefonia fixa e celular. O assunto é de competência da União, não do Estado, portanto deve cair mais tarde na Justiça e mais uma vez os parlamentares são os caras legais que só pensasm no bem-estar do cidadão.

Fomos saber no CBN São Paulo o impacto desta decisão no negócio dos shoppings, dos lojistas e na vida do consumidor.

Ouça o que disse o professor de economia da USP Nelson Barrizelli sobre a lei do estacionamento no Estado de São Paulo

Recado da empresa Sem Parar/Via Fácil: para aproveitar o desconto na taxa do estacionamento previsto na lei que está em vigor não utilize o sistema eletrônico na cancela. “Ou seja, ao ingressar no shopping, o usuário deve se aproximar da cancela e apertar o botão para a retirada do cartão/ticket. Nesse momento, a operação Sem Parar automática é imediatamente cancelada”, explica em nota enviada ao CBN SP.

Liminar garante combrança de estacionamento aos shoppings
(Publicado às 20h15)

Decisão anunciada no fim desta tarde, derrubou a lei estadual que prevê a gratuidade no estacionamento de shoppings a quem consumir até 10 vezes o valor da taxa. A liminar foi concedida pelo juiz Marrey Uint, do Tribunal de Justiça de São Paulo, em ação direta de inscontitucionalidade de autoria da Associação Brasileira de Shopping Centers. O Tribunal ainda julgará a ADIN, mas a cobrança está mantida até a decisão final.

Leia a decisão do Tribunal de Justiça que beneficiou os shopping centers

Vereadores justificam voto do IPTU

 

adoteDurante a manhã, o CBN São Paulo conversou, ao vivo, com dois vereadores de São Paulo sobre o comportamento deles em relação ao projeto de lei que aumenta o IPTU na capital paulista, Domingos Dissei (DEM) que votou contra mais queria votar a favor, e Eliseu Gabriel (PSB) que nem votou contra nem votou a favor. De outros gabinetes foram emitidas notas sobre o tema com os motivos que levaram os parlamentares a aprovar, em primeira votação, a proposta do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

O vereador Domingos Dissei disse que vai propor aumento para R$ 125 mil na faixa de isenção

O vereador Eliseu Gabriel disse ao CBN SP que o eleitor tem de participar do debate

Algumas das respostas encaminhadas ao CBN São Paulo já foram publicadas no post “Vereadores aprovam aumento de até 60% no IPTU”. As demais estarão neste espaço:

Continuar lendo →