“Associação é uma fraude à lei”, diz juiz sobre vereadores

 

A origem da cassação de 13 vereadores da cidade de São Paulo foi a doação de R$ 10.672.000,00 feita pela Associação Imobilária Brasileira aos candidatos e diretórios municipais e estaduais de partidos políticos, na campanha eleitoral de 2008. De acordo com o juiz eleitoral Aloísio Sérgio Rezende Silveira não é preciso nenhum exercício de inteligência para entender que a associação é “uma verdadeira fraude à lei”. Não tem funcionários, não tem receitas, sequer tem associados, segundo escreveu na sentença final.

O juiz Aloísio Silveira afirma que os associados ou colaboradores da Associação poderiam ter feito doações diretamente aos candidatos no limite percentual de 2% do faturamento bruto no ano anterior à eleição. A entidade para ele, já que não existe senão formalmente, teria como única função encobrir doações de eventuais fontes vedadas, dentre elas entidade de classe ou sindical.

Desde que surgiu a denúncia, a Associação era suspeita de servir de braço do setor imobiliário para doar às campanhas eleitorais. Entidades como o Secovi – o Sindicato da Habitação – estão impedidas por lei de participar do processo de doação e os donos das empresas que atuam no setor prefeririam se esconder atrás do anonimato. Esta não é a primeira vez que a AIB doa dinheiro para campanhas eleitorais.

Em primeira instância, a Justiça entendeu que os vereadores foram beneficiados por estas doações ilegais e teriam de estar ciente da impossibilidade da Associação ter rendimentos para transferir o dinheiro. Em alguns casos, a doação da AIB representou até 60% do dinheiro arrecado na campanha eleitoral.

Foram analisados, por enquanto, apenas 18 casos, dos quais 14 foram cassados (um é suplente) e quatro inocentados. Mais 17 vereadores estão na mira da justiça eleitoral

O advogado de nove dos vereadores cassados, Penteado de Freitas, disse que todos receberam as doações de maneira transparente, prestaram contas à justiça eleitoral e tiveram esta prestação aprovada, inclusive pelo Ministério Público. Em entrevista ao repórter Luiz Motta disse que vai recorrer dentro do prazo previsto em lei que é de três dias.

Pontes interditadas: São Paulo não precisava disso

 

Obras na Marginal Tietê

A partir de amanhã, os motoristas que precisam passar pela Marginal Tietê enfrentarão sérios problemas de congestionamento com a interdição parcial de três pontes, intervenção necessárias para execução da obra de ampliação da via. Em novembro, mais duas pontes terão trânsito restrito. Para o urbanista e arquiteto Cândido Malta a cidade não tinha necessidade de enfrentar este transtorno, pois a ampliação da Marginal, além de gastar mais de R$ 1,5, não irá beneficiar o fluxo de tráfego na região.

Ouça a entrevista do urbanista Cândido Malta, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com a Dersa e a CET durante toda a manhã desta segunda-feira. Aliás, no sábado já havia convidado algum representante da empresa responsável pela obra na Marginal. Apesar da entrevista com a Dersa estar marcada para às 11 da manhã, a empresa disse que não poderia mais falar devido a outros compromissos.

Em relação a Companhia de Engenharia de Tráfego, de quem se pretendia apenas orientação de trânsito de como os motoristas deveriam se comportar a partir de amanhã, a informação foi de que somente o secretário municipal dos Transportes Alexandre de Morais poderia conceder entrevista sobre o assunto. Como, porém, estava ocupado nesta manhã, ninguém, da CET falaria.

Historicamente, coube ao ocupante da secretaria e da presidência da CET – funções exercidas por Morais, que também é secretário municipal de Serviços – falar da parte administrativa, ficando as orientações de trânsito e explicações sobre operações especiais aos técnicos. Mas parece que o atual secretário não confia em seus subordinados.

Prestação de serviço

As três pontes que serão interditadas parcialmente nesta segunda-feira, às 11 da noite:

Ponte da Freguesia do Ó

centro-bairro: primeira faixa à direita interditada
bairro-centro: primeira faixa à direita interditada

Ponte da Casa Verde

centro-bairro: última faixa à esquerda interditada
bairro-centro: sem interdição

Ponte Jânio Quadros

centro-bairro: interdição total
bairro-centro: sem interdição

As pontes do Limão e das Bandeiras serão interditadas, em novembro.

Cassados 13 vereadores e um suplente em São Paulo

A denúncia de que vereadores de São Paulo receberam doações da Associação Imobiliária Brasileira na eleição de 2008 listou o nome de 29 parlamentares paulistanos. A justiça, até agora, condenou 14 com cassação de mandato, dos quais um é suplente. Quatro foram absolvidos. Os demais esperam a decisão final.

Esta é a lista dos que teriam recebido doação, segundo denúncia que foi feita em reportagem do jornal Folha de São Paulo. Atente-se para o fato de que o suplente Marcus Vinícius não estava nesta lista:

Os condenados pela Justiça que tem direito a recurso:

Domingos Dissei (DEM)
Marcus Vinícius de Almeida Ferreira – Quito Formiga (PR), suplente
Marta Costa (DEM)
Carlos Apolinário (DEM)
Adilson Amadeu (PTB)
Gilson Barreto (PSDB)
Dalton Silvano (PSDB)
Adolfo Quintas (PSDB)
Abou Anni (PV)
Ricardo Teixeira (PSDB)
Wadin Mutran (PP)
Ushitaro Kamia (DEM)
Carlos Alberto Bezerra Júnior (PSDB)
Claudinho (PSDB)

Os absolvidos, são:

Antonio Goulart (PMDB)
Noemi Nonato (DEM)
Floriano Pesaro (PSDB)
Toninho Paiva (PR)

Heródoto, o sobrinho do presidente

 

Quem ouve seu discurso indignado contra o nepotismo na política, não imagina que o mesmo já foi beneficiado pela prática nos tempos de futebol. Velhos tempos, aliás, de quando zagueiro era chamado de beque. Tempos em que Heródoto Barbeiro era menino de calça curta e dava umas bicudas vestindo a camisa da Portuguesinha da Água Fria, nos campos de terra do Mandaqui. Lá era chamado de o “sobrinho do homem” e respeitado por tal condição apesar da performace em campo não estar altura dos grandes beques centrais.

A confisão de Heródoto Barbeiro, apresentada com exclusividade pelo CBN São Paulo, mobilizou os ouvintes-internautas como o ilustrador Juliano Oliveira que – a partir de informações fidedignas – desenhou um lance que marcou a carreira do nosso jogador de futebol. Naquela época, infelizmente, máquinas de fotografia eram raras.

Apesar dos poucos registros, o Dorival encontrou este flagrante após partida em que a Portuguesinha teria perdido por 6 a 0 para o Esmaga Sapo em torneio no qual haviam participado, também, Corinthians do Imirim, Estrela de Vila Celeste e Santos do Chora Menino. Revoltada, a torcida protestou derrubando a kombi que a família do menino Heródoto emprestava para o Tio levar a equipe, em troca dele ser mantido no time titular. Dorival diz que a foto seria de 1922. Tenho dúvidas.

Com a camisa 3, vestida pelo beque central Heródoto, jogaram grandes craques como Bellini, Orlando, Luis Pereira, Anchieta e Airton – os dois últimos ídolos do meu tricolor gaúcho. O futebol do “sobrinho do presidente” não se comparava ao jogado por estes talentos. Para Nelson Valente, ouvinte-internauta, Heródoto jogava de “beque de espera”, mas os que o conheceram com a bola nos pés dizem que o ideal seria chamá-lo de “beque sentado” (no banco).

Toda esta polêmica em torno das benesses recebidas pelo nosso colega Heródoto Barbeiro se deu após a divulgação da gravação a seguir:

Ouça a confissão de Heródoto ‘Sobrinho do Presidente’ Barbeiro

Site da Câmara informa pouco e mal

 

Se você já tentou encontrar alguma informação útil no site da Câmara Municipal de São Paulo vai concordar comigo. Raramente você acha o que realmente quer. O Movimento Nossa São Paulo, por exemplo, tentou se informar sobre a agenda de trabalho na quinta-feira passada. Soube que haveria duas audiências extraordinárias, mas os assuntos não haviam sido publicados. Pior foi constatar que se decidisse assistir aos debates na Câmara, o cidadão descobriria que ambas tinham sido canceladas.

De acordo com Gilberto de Palma, do Instituto Ágora e do Grupo de Trabalho de acompanhamento da Câmara no MNSP, nem mesmo o texto completo dos projetos de lei apresentados pelo prefeito e pelos vereadores está lá. Em entrevista ao CBN SP, ele destacou que nem sempre o que é público é transparente:

Ouça a entrevista de Gilberto de Palma ao CBN SP

Nós sequer conversamos sobre o fato de que muitos vereadores não respondem aos e-mails que são enviados pelos cidadãos através do endereço informado no site da Câmara Municipal de São Paulo. Voltaremos a este tema, em breve, com o resultado de pesquisa que o CBN São Paulo está fazendo.

Leia mais sobre a falta de transparência no site da Câmara Municipal no site do Movimento Nossa São Paulo.

Agora o outro lado

O site da Câmara Municipal de São Paulo corrigiu o texto, após o alerta feito no CBN SP e no Blog do Mílton Jung, informando que a medida foi suspensa temporariamente para quatro dos 13 vereadores condenados em 1ª estância.

Garantia estendida de loja é seguro enrustido

 

“O Senhor gostaria de ampliar a garantia do produto, por apenas 60 reais o senhor leva mais dois anos de garantia”

A proposta é comum de se ouvir quando você está fechando a compra de produtos de informática, eletrodomésticos e eletroeletrônicos. Diga-se de passagem, o método é usado aqui e lá fora. Nunca gostei desta ideia, principalmente após o fenômeno do “envelhecimento precoce” dos equipamentos. Em dois anos ou menos, você já está doido para trocar tudo novamente. Passei a odiá-la após saber em pesquisa do Procon de São Paulo que a tal garantia estendida é falsa. O que a loja vende e não fala é que a garantia é um seguro que você assina sem conhecer as muitas restrições impostas.

No levantamento feito pelo Procon, 71,26% dos consumidores não foram informados de que compravam um seguro. Pior de tudo é que muita gente colocou dinheiro fora: 63,22% nunca usou o recurso e metedade dos que usaram tiveram problemas. Os dois maiores: exclusão de cobertura por mau uso do produto e não trocou o produto conforme estava previsto em contrato. Que contrato ? Mais de um terço dos que compraram a falsa garantia estendida não o receberam e mais de 96% dos que receberam somente souberam da existência dele na hora em que fizeram o pagamento. Ou seja, não tiveram oportunidade de ler as cláusulas e conhecer as restrições antes da compra.

Para entender melhor este assunto

ouça e entrevista Valéria Rodrigues, diretor de estudos e pesquisa do Procon de São Paulo

Da próxima vez que o vendedor pergurar: “O senhor quer comprar a garantia estendida ?. Olha bem no olho dele e diga: “Não, obrigado seu mentiroso”.

Avalanche Tricolor: Eu acredito, e você ?

 

Grêmio 2 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico

O drible começou com a explosão muscular das pernas do colombiano Perea em direção a área adversária. Toda a força que impulsionou sua corrida não foi capaz de impedir um movimento brusco com o corpo que lhe fez fugir do marcador e lhe deixar ainda mais próximo do gol. Mas da maneira que partiu enxergava a goleira de lado, sem espaço para bola entrar, sem ângulo, como gritam os locutores de rádio. Precisaria arrancar a fórceps aquela muralha a sua frente e colocando o coração no peito do pé se ouviu nas arquibancadas do Olímpico Monumental mais uma explosão. Era a chuteira do atacante no encontro com a bola que disparou com uma velocidade que apenas as redes eram capazes de contê-la.

Gol de Perea. Desde sua volta após grave lesão, foi o primeiro com a cara do atacante que fez a torcida vibrar em fevereiro de 2008 quando chegou ao estádio Olímpico. Uma jogada que representa muito mais do que a abertura do placar de uma partida em que o Grêmio parecia inferior, mesmo estando em casa. É a esperança de que o colombiano e seu futebol estão de volta no momento em que mais precisaremos dele.

O goleador Jonas nos foi arrancado do campeonato com uma lesão definitiva para a temporada, semana passada. Assim como ele, Herrera está machucado. O guerreiro argentino Máxi também estará fora do time graças ao autoritarismo de um árbitro incapaz de enxergar a verdade diante do seu nariz. O mesmo árbitro e o mesmo lance que tiraram a alma do capitão Tcheco. Quando este foi substituído por Paulo Autuori já não estava mais em campo há algum tempo, desde aquele cartão amarelo. Era apenas carne e osso. E permanecerá do lado de fora no próximo confronto.

Se o gol de Perea não foi apenas um gol, o próximo jogo não será apenas um jogo. É uma partida que começa a ser disputada na segunda-feira desta que a imprensa gaúcha batiza de Semana Gre-Nal. A história será lembrada. O primeiro 10 a 0, a vitória tricolor no jogo do século e os gols que marcaram época. Ex-craques darão entrevista enquanto os atuais serão comparados. Pais de santos e adivinhos terão seus dias de glória fazendo previsões.

Para nós que cremos no Imortal, uma semana e tanto pois daqui até o fim do campeonato serão oito decisões, das quais cinco contra equipes que estão a nossa frente. Sem parte do time, desacreditados pelos demais e com a matemática conspirando contra nós. Ou seja, prontos para mais uma vez provarmos ao Brasil que nosso destino é driblar o improvável e dar um bico pra bem longe no impossível.

De lotação

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Lotação” na voz da autora

Maria Lucia

Ah, mihas rosas Foto: Maria Lucia

 

é preciso abrir espaço no vaso de rosas
pra que a prometida possa caber

é preciso abrir espaço na certeza
pra que a do outro venha contigo brincar

é preciso abrir espaço na saudade
pra que a lembrança de um amor imaginado engane a realidade

é preciso abrir espaço na tristeza
pra que a fantasia empurre pelas frestas um cadinho de beleza

é preciso abrir espaços no discurso
pra que a ideia do outro se junte à tua no percurso

é preciso abrir espaço no sonho
pra que o do outro pegue carona no escuro te envolva
e mude o enredo que até então era tristonho

é preciso abrir espaço na alegria
pra que a decência seja mantida pelo siso da nostalgia

e assim me faço entender
sem muita atenção pedir
esperando que você aceite
o que me vem de redigir

e antes que eu me esqueça

é preciso abrir espaço em mim
pra que eu me encha de chegada e me esvazie de despedida
e então quem sabe eu mereça dirigida por um Querubim
alcançar a Árvore da Vida
onde estamos juntos você e eu
enfim

E você, como vai o teu vaso de rosas?
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, nos oferece o prazer de assistir as ideias dela florescerem enquanto reescreve o livro “De Bem Com a Vida Mesmo Que Doa”

Conte Sua História de São Paulo: Que confusão, QSL !

 

Jorge Petras
Ouvinte-internauta

Ouça o texto “Que confusão, QSL” sonorizado por Cláudio Antônio

Entre muitas histórias, esta pode se falar que é radiofônica. Na época do relato não existia celular, era o primórdio de enlaces por microondas.

Faziam três meses que tinha chegado de Buenos Aires (ano 1976) com toda a documentação em ordem como engenheiro em eletrônica especializado em telecomunicações, mas estava sem emprego por acreditar em um conhecido “patrício” que me tinha garantido colocação em uma multinacional a um salário irreal (exorbitante para a época, o que só consegui saber a posteriore). Assim sendo em todas as entrevistas que comparecia pedia o mesmo valor ou ou mais.

Já sem dinheiro para o sustento e após 86 dias a noticia “bomba”: a empresa citada pelo patrício não poderia me contratar por que eu não conhecia, ao nível de conversação, o idioma alemão. Totalmente desorientado entrei em um ônibus e pensei: pegarei o primeiro pedido de emprego de eletricista de obra que encontrar. Quando avistei uma placa de técnico eletrônico, corri e desci do ônibus.

O Recursos Humanos me encaminhou para o gerente de assistência técnica. Trêmulo, me apresentei ao Sr. Renato Olandin, pessoa de cabelos brancos, carismático, tentando falar espanhol, em um lapso de sinceridade falei meu problema. Ele com a serenidade de quem esta de bem com a vida, me explicou a faixa salarial, o CREA, e muitos detalhes do primeiro emprego. Terminou fazendo, além de uma oferta, um conselho de pessoa experiente. Imediatamente aceitei e ao dia seguinte comecei a trabalhar.

A alegria e o entusiasmo do primeiro emprego no Brasil era tão grande que “transbordava em todo meu ser”. Já na semana, o Sr. Renato me chama e pergunta: tem registro de condutor ? E com afirmativa pedante da juventude respondo: minha carta é internacional. OK, responde.

Na manhã seguinte me entrega as chaves de um fusca 0 km e me fala para fazer um conserto aqui perto. Mais que feliz eu sai. Quando vi a distância, quase tive um colapso (primeiro serviço externo = Ilha solteira) A viagem foi uma odissea, mas isto é outra história.

Posterior ao batismo, o serviço externo virou uma rotina, quando uma noite, quase oito horas (eu sempre ficava mais tempo após o expediente normal), o meu gerente me chama gentilmente e pede um favor. Se posso fazer um atendimento urgente na repetidora situada na torre da TV Gazeta.

Continuar lendo →