As babás “brazileiras” e os bebês americanos

Brasileiras cuidam dos americanozinhos

Brasileiras cuidam dos americanozinhos

O som não era estranho. O sotaque também não. O papo que rolava entre as três moças sentadas no banco de madeira era em português. A que falava mais alto tinha um acento mineiro. O inglês interrompia a conversa das brasileiras apenas quando era para chamar atenção de alguma das crianças que brincavam no parque de Ballard Park, no centro da pequena Ridgefield. Duas delas, com certeza, eram babás, trabalho comum para as brasileiras que vivem nos arredores desta cidade de Connecticut. Costumam ganhar em torno de U$ 10 a U$ 15 por hora para cuidar dos filhos das famílias americanas.

O valor embolsado no fim do mês depende muito da condição que vivem por aqui: legal ou ilegal. Esclarecendo que o viver legal significa apenas ter os papéis em dia.

A maioria delas mora em Danbury, pertinho daqui. Moram em casas de qualidade mediana, normalmente com muita gente dentro. Cortiços mais bem organizados do que os que conhecemos principalmente em São Paulo. Desde a derrocada da economia dos Estados Unidos, a vida deste pessoal não tem sido fácil. Muitos voltaram para o Brasil temendo o cerco aos imigrantes, outro lugar-comum nos momentos em que a turma da casa roga por emprego. Mesmo que a função não seja a preferida deles.

Aos “brazileiros” está pegando, também, a falta de dinheiro da família americana que começa a cortar as depesas no departamento pessoal, antes mesmo do cafezinho da empresa. E aí o problema não é apenas com as que exercem a função de babá. Sobra para as faxineiras, os motoristas e os fazem-tudo. Se não perdem o emprego, ficam com a grana mais curta.

Houve quem deixasse para trás a casa já comprada. Outros ainda conseguiram vender uma coisa aqui e outra lá, antes de botar o pé no avião. Mesmo algumas famílias com um dedo no “greencard” não aguentaram o tranco e decidiram voltar. Assim como vieram, vão com a esperança de que “onde não estou, está melhor”.

Com tudo, ainda existem muitos brasileiros por aqui. Na loja de vinho, no balcão da sorveteria, vendendo aparelho eletrônico no grande magazine ou no banco de madeira do parquinho chique. Ali, pertinho de mim, sem identificar minha origem, as três brasileiras conversavam sobre seu cotidiano, quanto recebiam, quando tinham vencimentos cortados, as exigências da patroa e do patrão. As crianças por quem são pagas para cuidar brincavam despreocupadas nas armações de ferro dispostas e construídas de maneira segura e amigável.

As babás também pareciam despreocupadas, mas investiam no inglês todas as vezes que tinham de pedir atenção das crianças. Gostei do método de uma delas: “Bob, one !”; Bob, two !”. Não tenho ideia da reação dela após o “Bob three !’, mas o Bob, sabe, pois desceu correndo de onde estava.

Passei a prestar atenção nas crianças acompanhadas pelas mães e, pelo tempo que uma delas ficou ao celular, logo percebi que estava sendo exigente demais com as babás. As crianças, pelo menos ali, foram feitas para ficarem soltas. Se não souberem aproveitar esta liberdade e segurança que tem, “one, two and …..”

“Vou com o meu carro”, diz usuária de ônibus fretado

Reproduzo neste post comentário deixado por Talita Urdiales sobre a restrição da prefeitura de São Paulo ao uso de fretados na capital paulista:

“Sou usuária do transporte fretado há 6 anos, moro na Zona Leste e trabalho na Zona Oeste (Rebouças). Concordo que existem exageros em relação a longas paradas em locais inadequados e também um certo abuso no trânsito, porém, acho que os benefícios que os ônibus trazem para a população são maiores que os malefícios.

Por diversas vezes já utilizei o transporte público de SP e mesmo sendo considerado o melhor do Brasil como foi citado em entrevistas com o Secretário Alexandre de Moraes, ainda está muito longe do ideal.

A alternativa apresentada pelo prefeito e pelo secretário municipal para a região leste foi: ir de fretado até o Metrô Belém e de lá ir de metrô até o meu destino. Essa proposta é simplesmente absurda, atualmente gasto de R$225,00 com o fretado, e garanto que o custo em trabalhar todos os dias de carro será menor do que o que gastaria indo até os “bolsões” que a prefeitura pretende criar e de lá ir de metrô até o escritório.

Frases como as que o prefeito e o secretário municipal de transportes divulgaram apenas nos mostram a total falta de conhecimento dos problemas no transporte público de SP. Tenho absoluta certeza que nenhum deles teve o “prazer” de conhecer a linha vermelha do metrô que liga a região Oeste a região Leste de SP. Gostaria de convidá-los a conhecerem a linha vermelha em horário de pico e depois disso divulgarem frases como a seguinte:“Um transporte como o de São Paulo é o melhor transporte público do país sem qualquer comparação, não há nível de comparação e que nós estamos cada ano que passa melhorando muito”, diz Alexandre de Moraes, secretário municipal de Transportes. 30/06/2009 – SPTV 2ª edição – Rede Globo.

Assim como TODAS as pessoas que pesquisei no meu fretado, irei todos os dias com o meu carro e acredito que não serão poucos os usuários de deixarão de usar os fretados e passarão a usar seus veículos.

É uma utopia pensar que o transporte público de SP seria capaz de suportar uma demanda de mais 50 mil pessoas (número divulgado pela própria prefeitura). O transporte JÁ está sobrecarregado e não presta um serviço de qualidade digno da maior e mais importante cidade do Brasil.

Se o intuito do Sr. Prefeito era melhorar o trânsito, sinto informá-lo que esta medida terá efeito contrário, porque 20 ou 30 carros prejudicam muito mais o trânsito do que 1 ônibus que comporta 45 pessoas. E se o intuíto do Sr. Prefeito foi melhorar o ar de SP, com certeza terá efeito contrário, nem todas as pessoas que utilizam o fretado tem carros novos e ainda que tenham, com certeza 20 ou 30 carros poluem muito mais que 1 ônibus.

Sei que minhas palavras ficaram muito vagas, mas tenho uma sugestão: Te convido e também convido o nosso querido prefeito e seu secretário para me acompanharem no meu percurso dos Jardins até a Zona Leste de duas maneiras: ônibus + metrô e de fretado em uma sexta-feira (dia em que o trânsito de SP que já é muito ruim piora ainda mais).

Admiro a iniciativa de melhorar o trânsito da cidade, mas acho que uma decisão tão importante quanto esta não pode ser tomada de uma maneira tão arbitrária como aconteceu. Se a intenção é diminuir os transtornos causados pelos fretados, deveria-se criar regras onde este serviço que é tão utilizado não seja prejudicado, mas aperfeiçoado. Minha sugestão é: tempo máximo de utilização dos ônibus, utilização dos pontos de ônibus existentes para o embarque e desembarque de passageiros, inspeção veicular para o controle de emissão de poluentes, substituição do óleo diesel pelo BioDiesel que polui menos, credenciamento de todas as empresas e percursos existentes, entre outras a serem definidas.

Kassab contra Fretados & Kassab contra Moto-táxis

Por Carlos Magno Gibrail

Alô, tem Moto-Táxi ? Tem, mas não pode !

Kassab administra uma cidade com mais de 12 milhões de habitantes, 11 milhões de turistas anuais, 50 milhões de passageiros nos aeroportos e terminais rodoviários em 2008 e seis milhões de usuários de transporte  por dia. Para circular tal contingente dispõe de 55 estações de metrô, 83 km de linha, 200 heliportos, 32 mil táxis e 15 mil ônibus.

Não estão nesta conta 650 + 650 ônibus fretados e X + Y motos. Ou seja, transporte rodoviário particular que se origina de bairros distantes ou cidades próximas do centro expandido. 650 de manhã + 650 de tarde. E “X” motos clandestinas como táxis + “Y” motos a espera da regulamentação das motos-táxis, em tramitação no Senado.

A partir de 27 de julho, os 1.300 fretados estarão proibidos de circular no centro expandido e, segundo Kassab, apenas 50 mil pessoas deverão ser afetadas.

Nos próximos dias, o Senado deverá regulamentar os motoboys com permissão para as motos-táxis. Sucesso em Paris e uma série de outras capitais. Em São Paulo ainda em regime clandestino como no resto do país, alcançando a estimativa de 500 mil motos-táxis.

Kassab é contra e seu Secretário de Transportes antevê uma carnificina.

Numa cidade em que pedágio urbano é palavrão, fretado é congestionamento, moto-táxi é carnificina, qual a solução?

E se a solução for o pedágio urbano, o fretado e a moto-táxi?

Estaremos, portanto, diante de uma possível inversão. E, certamente, já contamos com uma visível incongruência.

É o que analisa Luiz Nassif:

“Enquanto se ataca a União pelo que se considera aumento da estatização, a prefeitura de São Paulo estende a mão regulatória sobre os ônibus fretados – elementos essenciais na redução da circulação de veículos na capital. Por seu custo, o ônibus fretado é específico para substituir automóveis. Qual o seu problema? Não é regulado pela Prefeitura, não precisa de concessão, não precisa beijar a mão do prefeito”.

Mais perguntas e respostas:

“O que propõe Kassab, então? Primeiro, tirar os fretados do centro e colocá-los nas imediações, sob a falsa alegação de que a medida melhorará o congestionamento do trânsito. Depois, criar sete novas linhas expressas e semi-expressas. Quem vai criar as linhas e selecionar os concessionários? Obviamente, a prefeitura. É a pesada mão do Estado avançando sobre um setor que funciona corretamente, de acordo com as leis de mercado”. Complementa Nassif.

Outra incoerência é evitar a “punição” ao usuário com o pedágio urbano e aplicá-la aos consumidores do transporte fretado.   Kassab não concorda: “As pessoas vão se adaptar e acabarão avaliando o custo”.
E acrescenta: “Não estamos tomando medidas contra o transporte fretado, estamos tentando organizar os fretados”.

Da seguinte forma (leia se estiver a fim ou pule para o parágrafo seguinte):

A proibição vale de segunda a sexta-feira, das 5h às 21h, e deve incluir 650 fretados de manhã e outros 650 no fim do dia. Os usuários desses ônibus terão que desembarcar em pontos específicos fora da zona de restrição para fazerem integração com outros meios de transporte – ônibus públicos, metrô, trens e linhas especiais. No total, 17 vias, que somam cerca de 70 km, compõem a zona de restrição: Marginal Pinheiros, as avenidas Bandeirantes, Ricardo Jafet, Professor Abraão de Moraes, Afonso d’Escragnolle Taunay, Vereador José Diniz, Roque Petroni Júnior, Professor Frederico Hermman Júnior, Sumaré, Auro Soares de Moura Andrade, Marquês de São Vicente, Do Estado, Tereza Cristina e Pedroso de Morais, e as ruas Cardeal Arcoverde, Norma Gianotti e Sérgio Tomás.Para receber os passageiros, a Prefeitura criou 13 pontos de embarque e desembarque. Nas linhas do metrô, eles ficam nas estações Imigrantes e Sumaré (linha verde); Nas linhas de trem da CPTM foram reservados espaços nas estações Morumbi, Berrini, Cidade Jardim, Hebraica/Rebouças, Pinheiros e Cidade Universitária – todas na linha que percorre a Marginal Pinheiros. Haverá também uma conexão no terminal Sacomã (zona sul da cidade) do Expresso Tiradentes. A Prefeitura criou sete linhas de ônibus para atender regiões em que não há conexão direta com os destinos mais procurados pelos usuários dos fretados. São elas: Gasômetro-Paulista (via Alameda Santos), Paulista Gasômetro (via São Carlos do Pinhal), metrô Belém-Berrini, metrô Imigrantes-Chácara Santo Antônio, metro Imigrantes-Faria Lima, metrô Jabaquara-Berrini e metrô Vila Madalena-Berrini. Todas estarão em funcionamento entre 5h e 9h e entre 16h30 e 21h. Para estabelecer os limites para os fretados, a prefeitura utilizou como referência a zona de restrição à circulação de caminhões, que abriga aproximadamente 100 km de vias. Haverá exceções para transporte escolar, ônibus de turismo e que realizam transporte para seminários (feiras, simpósios, exposições, entre outros), hotéis e eventos religiosos e culturais. As empresas que prestam esse serviço terão que fazer credenciamento especial junto à prefeitura.

Como se vê, o mercado natural de fretados regido por oferta e procura foi substituído por um ordenamento estatal, que complexo visa ainda revitalizar o sistema de transportes, comandado por Kassab, sem reajuste de tarifa para que o prefeito cumpra sua promessa de campanha.

Quanto as motos-táxis, próximo inimigo das empresas de ônibus, será melhor tirá-las da clandestinidade  em vez de ignorá-las.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Milton Jung.

Veja mais imagens na galeria de Papa Goiaba no Flickr

Jardineira faz viagem ao passado em São Paulo

Por Adamo Bazani

Passeio de Jardineira em Tradicional Bairro de São Paulo é uma viagem na história da cidade. O ronco do motor remete a uma época saudosa, mesmo que desconhecida para muitos.

É possível mesmo com o corre-corre de São Paulo, os imóveis e prédios modernos e a grande população, dar uma volta ao passado? Matar saudade ou sentir um pouquinho de uma época que muitos admiram, mas não viveram?

Sim, é possível. E as “máquinas do tempo”, são duas Jardineiras, ônibus antigos, bem diferentes da configuração dos veículos atuais. Uma de 1931 e outra de 1932.

O passeio nestes ônibus é uma dica para quem gosta de veículos de transporte coletivo, para quem é interessado na história da cidade de São Paulo ou, simplesmente, para quem está cansado da mesmice do Shopping e Cinema.

E os simpáticos ônibus parecem uma máquina do tempo mesmo.

Quando os motores Ford dos anos 30 são ligados e os veículos começam a transitar pela região do Ipiranga, tradicional bairro de São Paulo, palco da Independência do Brasil, a sensação é de estar numa época gostosa.

É claro, os velhos ônibus são ultrapassados pelos novos, como os Caio Mondego Articulados de última geração da Viasul, que passam pela região. É possível ver trânsito, o caos da cidade, mas, também, com as vagarosas avançadas das Jardineiras, pode-se notar uma São Paulo diferente, que passa rápido pela nossa frente, mas que não é percebida.

A começar pelas ruas de paralelepípedo que ainda são conservadas no bairro.

A guia da viagem mostra edificações que nos fazem imaginar como era uma São Paulo mais tranqüila, mais simples, mas ao mesmo tempo, mais clássica.

E na viagem no tempo, que dura 25 minutos em média, é possível ver que desde o início do século passado, São Paulo já era a cidade das diversidades.

Em algumas ruas, casas ainda com a janela e a porta que dão direto para a calçada, bem no estilo operário do bairro. Construções simples e aconchegantes. Em outras ruas, grande edificações, como o próprio Museu do Ipiranga, o Mosteiro onde viveu e morreu a beatificada Madre Paulina, hoje ocupado por uma faculdade, mas com as características mantidas, o casarão onde morou o famoso advogado e figura importante na história de São Paulo, Ricardo Jafet, entre outras preciosidades do bairro do Ipiranga, escondidas pelas modernidades e principalmente pela correria do cotidiano.

E dirigir uma Jardineira dessa é uma arte.

Para se ter idéia, a direção do veículo de menos de 6 metros de comprimento é tão pesada, que é mais confortável fazer as estreitas curvas do Ipiranga com os gigantes Caio Mondego, de 18 metros. As quatro marchas têm de ser trocadas no tempo certo. A suspensão é dura, mas o balanço da Jardineira é gostoso.

O ronco do motor é diferente e chama a atenção, mesmo de quem não é busólogo. Prova disso foram as pessoas que tiravam fotos e faziam perguntas nas paradas das Jardineiras.

Mas por que Jardineira? Porque não eram chamadas de ônibus, nome de origem francesa, do final do século XIX, que significa “para todos”, remetendo a algo coletivo.

Mais uma vez a história explica. Segundos profissionais mais antigos e a guia do passeio, o nome se dá por causa das operárias dos anos 30, da região da Mooca e Ipiranga, bairro cujo nome era escrito com Y (Y significava Rio, e o restante do nome, vermelho).

Os ônibus com as laterais abertas transportavam na ida e na volta as operárias, que usavam chapéus floridos. Por este formato de carroceria, toda aberta na lateral e pelas flores dos chapéus, taxistas, artesãos, padeiros e até os próprios motoristas falavam que os ônibus pareciam Jardineiras, e o nome pegou.

O cheiro da gasolina (nesta época no Brasil os ônibus não eram a Diesel) misturava-se com o perfume das operárias.

Ser cobrador era uma profissão de risco. Ele andava no estribo do veículo em movimento, que patinava nas subidas de barro,como da Rua Bom Pastor.

O passeio vale a pena.

Para quem é da época, saudades; para quem gosta de ônibus e de história, uma mina de ouro; para a criançada, uma diversão. Aliás, para ver como o passado tem vida: quando viajamos na Jardineira, crianças de 5, 6, 7 anos, diziam coisas do tipo: “Andar de ônibus antigamente era legal” – falavam alegres, como se de alguma maneira tivessem vivido a época.

As Jardineiras percorriam o Ipiranga, Mooca, Brás, Praça João Mendes até o centrão de São Paulo.

São mais de 70 anos de ônibus muito bem preservados. Será que em 2079, se houver um Caio Mondego preservado, hoje um dos mais modernos, haverá um passeio assim? Que sensação ele deve passar?

Serviço

Operarias e seus chapeus floridos deram nome a estes onibus

Operárias e seus chapéus floridos deram nome a estes ônibus

Os passeios são feitos aos finais de semana, das 9h às 16h. A passagem é de 5 reais, para manter os veículos, o passeio pelas ruas do Ipiranga (que se transforma do Ypiranga) e do Sacomã dura cerce de 25 minutos. Apesar de parar no Museu do Ipiranga e em outros pontos, o embarque só é possível na Rua Huet Bacelar, 407 – Ipiranga, em frente ao Aquário de São Paulo.

Adamo Bazani, é busólogo, repórter da CBN e um jovem saudosista.

Avalanche: Pela estrela de Everaldo, não a racistas


O Grêmio tem de hontar a estrela de Everaldo

Grêmio 4 x 1 Atlético PR
Brasileiro – Olímpico Monumental

Da saída da Libertadores, estou recuperado. Parece que o time, também. Por mais importante que seja o futebol (haja vista o mundaréu de dinheiro que movimenta e a quantidade de gente que emprega), sou capaz de brincar comigo mesmo quando derrotado. Não por acaso escrevo esta coluna há dois anos, sempre pronto a encontrar algo magnífico, heróico, mesmo na mais pífia das performances gremistas em campo.

Mas ainda estou extremamente incomodado com título do portal Terra – onde já trabalhei e sei como as coisas do Rio Grande são cuidadas pela boa turma de jornalistas que lá está – que mal-tratava a torcida gremista ao confundi-la com uma parcela de gente sem-alma: “Torcida gremista faz insulto racista contra Elicarlos”. Tivesse ficado na manchete, a generalização se  justificaria pela necessidade de fazer caber o título no espaço reservado à notícia. Porém, o texto também inclui todos os torcedores nesta atitude repudiável: “O jogador do Cruzeiro sofreu com atos racistas por parte da torcida gremista, no Olímpico, durante a classificação dos mineiros para a decisão da Copa Libertadores”. Foram alguns torcedores, não a torcida do Grêmio, caro repórter.

Evidentemente que a reportagem do Terra é apenas um relato descuidado de algo muito mais grave: a existência de pessoas que agem de forma descriminatória e são capazes de imaginar haver raça superior, como já o fez Hitler no passado. A utilizo, porém, para mostrar o risco que nós torcedores gremistas corremos ao permitirmos que esta gente ainda fale alto na arquibancada.

Por isso, fiquei feliz ao ler a coluna No Ataque, do jornalista Diogo Olivier, no site ClicRBS, na qual destacava afirmação feita pelo presidente do Grêmio Duda Kroeff que se comprometeu a expulsar do clube, caso sejam sócios, os poucos torcedores que imitaram um macaco para agredir o jogador Elicarlos do Cruzeiro. Ficarei ainda mais satisfeito se esta promessa for cumprida. Kroeff estará sinalizando ao Brasil o quanto diferente e corajoso pode ser um dirigente de futebol neste país em que todos os erros são acochambrados para atender a interesses de grupos privilegiados.

O Grêmio merece esta atitude em respeito a sua história e a sua estrela dourada que brilha na bandeira, homenagem ao lateral da seleção brasileira tricampeã do Mundo, em 1970, Everaldo.

Tempo extra

Do jogo de hoje nada escrevo além do placar, pois como devem saber estou distante do Brasil e das transmissões de futebol na televisão. E mais um jogo pela internet é “too much” neste período de férias.

De caqui e vida

Por Maria Lucia Solla

Maria Lucia Solla, De caqui e vida

Assista ao vídeo De caqui e Vida, apresentado por Maria Lucia Solla

Olá,

Estava lavando um caqui na pia da cozinha quando me dei conta da escuridão em que vivemos.
Me dei conta de nossa ignorância.

Depois de milhares de anos, morando aqui, a gente ainda luta contra a vida. Disputa com ela.
Se defende dela.
Morre de medo.

Tudo bem, não somos simples. Nossa máquina é complicada, mas veio de fábrica, assim.
A semente é escolhida de acordo com o terreno onde será plantada.
Planta de sombra não vinga ao sol.
Planta solar, em gruta escura e fria, nem com reza braba vingaria.

Muitos já quebraram a cabeça, queimaram as pestanas e perderam um par de parafusos, tentando desvendar os mistérios da vida, mas poucos se desprenderam do detalhe e vislumbraram o Todo.
Poucos viram além do véu.
Einsten foi um deles. Botou um linguão enorme pra fora e sorriu com um olhar zombeteiro.

Pois eu, que não pertenço a esse grupo, tive um eureka, lá na pia da cozinha; percebi o paralelo entre comer uma fruta e viver a vida que a gente , por falar nisso, mal e mal desfruta.

Peguei o caqui, lavei, e depois não sabia se devia secá-lo com um pano de prato ou com uma folha de papel toalha. Meu caqui veio do mercado, embalado e sufocado, condenado a uma cela com capacidade para 4, e dividida com outros 7 caquis.

Lavo só na água corrente?
Água não é livre de impureza. Germes bactérias…
Jesus me abana; me dá umas férias!
Mergulho em solução de água sanitária?
Nesse ponto meu plexo solar dá saltos mortais. Não, não; acho melhor não.

Ai paro e penso: caramba, que vida louca vamos levando. Sabendo que a viagem é de ida e volta, começamos chorando e seguimos esperneando.

Quando a gente percebe o corpo, dando à luz o ego, e se dá conta de que tem um veículo à disposição, para ir de lá pra cá, a gente se confunde com ele e o mantém de vidros fechados e escurecidos, e segue rezando a cartilha que alguém deixou no banco do carona.

A gente se prende ao ego a tal ponto que se rende a ele. Só se desprende da cegueira, parcialmente, na chegada ao destino, se tiver sorte. Quando estiver frente a frente com os não-olhos da morte.

Enfim, tanto conhecimento na área científica e social não basta para que a gente se dê conta do fundamental: Não sou o veículo!

Ele permite que eu me movimente e que eu interaja com o que vejo fora de mim, mas é só isso.

Simples assim.

Como a vida do caqui; do seu nascimento até o seu fim.
Sua trajetória o leva a se realizar em mim.
E a sua trajetória, para onde o leva?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos como caqui, pensa na vida e escreve no Blog do Milton Jung.

Do editor: Não me perguntem o motivo, mas a plataforma de edição do blog mudou sem aviso. Isso me atrapalha pra burro (e me faz sentir como tal). Não consigo, por exemplo, publicar no post o vídeo da Maria Lucia. Você terá de clicar lá no link para assistir à moça. E se alguém souber como publicar vídeos do You Tube no sistema de edição padrão do WordPress, agradeço a ajuda.

“Rádio é a única mídia que você leva no bolso”

Milton Ferretti Jung

Peço licença para um momento família. Mas vocês verão que o espaço aberto no Blog tem razão de ser pelo talento das duas figuras que se encontraram em um bar de Porto Alegre, na noite de quinta-feira (sim, a mesma quinta em que assistia pela internet à semifinal da Libertadores). Ruy Ostermann, o professor, e Milton Ferretti Jung, meu mestre, sentaram lado a lado para o programa “Encontros com o Professor” e fizeram um bate-papo de velhos amigos que enfrentaram as situações mais inusitadas da profissão e da vida pessoal.

Da compra de um fusca, entregue com o cartão de visita do mecânico, a transmissão de um jogo de futebol que jamais foi ao ar, os dois se divertiram e divertiram o público que ocupou as cadeiras do StudioClio, na rua José do Patrocínio, na capital gaúcha. Eu não estive por lá, distante que estava nestas férias, mas soube por visitantes que os dois deixaram o local rapidamente, pois tinham compromisso diante da tela da TV para torcer pelo Grêmio. Sim, meu vício é genético.

Ops … dizem que o professor não confessa, nem por tortura, para quem torce lá no Sul. Então, não posso taxar que ele deixou o bar para “torcer” pelo Grêmio.

Do palco, uma frase para quem acredita na potência do rádio: “A rádio tem seu lugar, sempre! É a única mídia que podemos levar no bolso”, disse Milton Ferretti Jung

Para conferir alguns momentos você vai ao site do “Encontros …”

Avalanche Tricolor: Desistir, jamais !

Grêmio 2 x 2 Cruzeiro
Libertadores – Olímpico Monumental


Ridgefield é uma pequena e rica cidade do estado americano de Connecticut. Futebol aqui é coisa de mulher. Das outras vezes em que vim para cá descansar vi muitas meninas batendo um bolão. Exceção feita aos brasileiros que vivem na cidade mais próxima, Danbury, poucas são as referências ao futebol do Brasil. Não chega a ser assunto em mesa de bar nem mesmo na primeira página do jornal do dia seguinte. O lugar ideal para escrever esta coluna, talvez.

Em volta da casa em que estou, há um interminável bosque e o barulho lá fora é da chuva que marca o início do verão no nordeste americano. Assisti ao jogo na tela de meu computador o que provoca uma situação curiosa. Apesar de começar uma hora antes – devido ao fuso horário – acontece para mim quase um minuto depois – é a demora provocada pela transmissão digital. Não muda nada no que vai acontecer em campo, mas nos tira a pretensão de que somos capaz de influenciar o destino da partida com nossa torcida.

Torcida ? Como senti falta de estar ao lado dela nesta noite de quinta-feira. Assim como estive há dois anos, na final da Libertadores. A imagem daqueles alucinados na arquibancada era inebriante. Vê-los cantando e pulando, e cantando e acreditando mesmo quando o maior dos crentes não teria mais motivo para tal é contagiante.

Em um momento qualquer daquela partida, mesmo com todas as desvantagens a nos incomodar, ela não nos dava motivo para esmorecer. Havia dois gols contra nós; havia atacantes nossos a perder gols – e como os perderam em toda esta temporada -; houve carência de talento em alguns setores – e digo isso porque nossa paixão não nos cega -; tivemos até mesmo o prejuízo provocado pela expulsão de um dos nossos; mas, nada, absolutamente nada, mudou a obsessão daqueles torcedores.

E somente aqueles que acreditam na Imortalidade são capazes de fazer o que a torcida gremista fez no estádio Olímpico. Aos que nunca entenderão o significado deste sentimento, uma só explicação: “Não somos Imortais porque nunca perdemos, o somos porque jamais desistimos”.

Começa a caminhada de volta para a Libertadores !

Aos adversários

Que o Cruzeiro esteja a altura do futebol brasileiro na final da Libertadores, afinal é o nosso Capitão América que está no seu comando. Sorte, Adílson !

Só agora Santo André tem ônibus para deficiente

Por Adamo Bazani

Comil 1, ônibus adaptado para deficientes em Santo André


Parece incrível. Uma cidade do porte de Santo André, no ABC Paulista, com mais de 600 mil habitantes, só agora apresentou a população ônibus adaptados para pessoas com deficiência (com elevador e banco para obesos). Antes tarde do que nunca, como diria o velho jargão.

Nesta quarta-feira, com exclusividade, o Blog presenciou a entrega dos veículos. São os primeiros do Consórcio União Santo André. Na cidade, só havia dois ônibus, da Expresso Guarará, Caio Millenium II, com a adaptação, mas a empresa não participa do Consórcio. São 11 ônibus encarroçados pela Comil, modelo Svelto, Chassi Mercedes Benz, OF 1418. Eles vão operar linhas da de apenas uma empresa do consórcio formado por seis viações: a Viação Vaz.

“A empresa investiu cerca de 3 milhões de reais na compra dos veículos. Além de preparar os motoristas para operar os elevadores e os componentes, preparamos também para o convívio e atendimento aos deficientes que são cidadãos comuns como todos” – disse Gustavo Augusto de Souza Vaz, diretor da Viação Vaz, que opera cinco linhas na cidade.

Renata, primeira motorista da empresaAlém de apresentar os novos ônibus, a empresa contratou sua primeira mulher motorista: Renata Nogueira, de 37 anos.

“Trabalho há cinco anos dirigindo ônibus, nas Viações Imigrantes, Julio Simões, Veneza e Auto Viação ABC, mas para mim é um orgulho trabalhar com o deficiente, e ser a primeira mulher motorista de uma empresa” – conta Renata. A Viação Vaz vem da Viação Padroeira do Brasil, empresa que operava em Santo André desde os anos 40 e tinha apenas motoristas homens. A empresa Vaz assumiu a Viação Padroeira, trocando de nome, em 2002.

O gerente comercial da Comil, Fabrício Tascine, afirma que a estratégia da empresa é retomar mercado em São Paulo. Para isso, anunciou um Comil modelo Svelto Midi, um micrão com proporções menores que os apresentados em Santo André, no dia 1º de Julho.

“Nossa empresa conta com colaboradores especializados em adaptar os veículos. Já era mais que hora de isso acontecer. Desde o menor ônibus ao maior, hoje podemos oferecê-los com acesso a quem tem mobilidade reduzida. Afinal, o deficiente não precisa do transporte só para ir ao hospital. Ele tem o direito de trabalhar, passear e estudar, usando o transporte público”.

Já o representante de revenda da Mercedes Benz do Brasil, em São Paulo, Paulo Mendonça, afirmou que a marca vai se dedicar ao aprimoramento de chassis que atendam ao deficiente. “Independentemente do tamanho dos ônibus, grande, convencionais, midis ou micros, a idéia é priorizar o deficiente. Eu trabalho há mais de 30 anos no ramo e a mentalidade do empresário e do poder público em relação a isso mudou muito, e pra melhor. Seja carro com piso rebaixado ou com elevador, a demanda para tornar o deficiente mais incluso nas cidades é felizmente cada vez maior”

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