“Sou cachaceiro … nunca peguei, isso é com os grandes”

Por Willian Porto
Movimento Voto Consciente

Por conta de uma reportagem que denunciava a venda de pontos para ambulantes por parte da fiscalização municipal que atua na Lapa, foi convocado a comparecer perante a Comissão de Finanças da Câmara Municipal de São Paulo, o agente da Subprefeitura da Lapa envolvido.

Em resposta às perguntas sobre o ocorrido, o funcionário público municipal concursado e carreira estável respondeu singelamente: “- Ah, era cunversa di cachacero! Eu tava travado i aí bêbado fala qualqué coisa,sabe né! Eu tava lá nu buteco tomando umas, tava comemorandu u jogu e já tinha tomado todas. ..Mais eu nunca peguei nada isso é com os grande lá.”

Os aturdidos vereadores ainda tentaram dar alguma seqüência razoável, perguntando sobre suas funções e qualificações, detalhes sobre o ocorrido, se ele foi beneficiado por algum camelô e se havia algum superior hierárquico que tivesse vantagens financeiras na fiscalização.  A partir de determinado ponto entretanto parte da vereança sucumbiu ao clima de ópera bufa e não resistiu ao levantar questões como:

“-O senhor é palmeirense ou são-paulino?”
“…Velho Barreiro, hein? E gosta de cachaça da boa, 51 nem pensar!” (em comentário à resposta do servidor sobre o que tinha bebido no boteco)
“- O senhor tem carro? (Não)Nem bicicleta? (Não)”

De causar pena também foi constatar na sessão da Comissão de Finanças a falta completa de dignidade e auto-estima quando o funcionário referiu-se a si mesmo como “Cachaceiro” e “Bebum” que falava demais, numa patética tentativa imagino de causar alguma simpatia naquele ambiente que a ele provavelmente intimidava.

Continuar lendo →

Vai encarar ? Nós já encaramos

O título é provocativo mesmo. E a intenção é levar o leitor a reflexão. “Vai Encarar ? A Nação (quase) invisível da pessoa com deficiência”, da jornalista Cláudia Matarazzo e a vereadora Mara Gabrilli (PSDB),  foi lançado nesta semana, pela Editora Melhoramentos. A história contada por pessoas com deficiência ajuda Cláudia a costurar temas importantes que servem de orientação para o cidadão. Até hoje muitos ainda se confundem quando se deparam com um cadeirante, um cego ou surdo. Não sabem como se comportar, ficam constrangidos ou são preconceituosos. O livro pretende ajudar nesta relação.

Ouça a entrevista com a jornalista Cláudia Matarazzo

Com o livro vem um audiolivro narrado pela jornalista.  Bibliotecas públicas e entidades interessadas em adquiri-lo poderão faze-lo gratuitamente encomendando-o diretamente ao Instituto Vivo que apoia a confecção e distribuição desse material.

No CBN SP, às segundas-feiras, logo após o Repórter CBN das 11 da manhã, você ouve o programa Cidade Inclusiva, apresentado por Cid Torquato.

 

Campanha contra ‘ficha suja’ vence mais uma

Boa notícia que recebo por e-mail da assessoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS):

Acaba de receber votação favorável dos membros da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) projeto do senador Pedro Simon (PMDB-RS) que altera a legislação para exigir idoneidade moral e reputação ilibada dos candidatos a cargos eletivos. Pela proposta, o cidadão não poderá obter registro da candidatura se não detiver essas duas condições. Demóstenes Torres (DEM-GO), relator do projeto, avaliou que o projeto encontra razão na defesa da moralidade dos agentes públicos. Como tem decisão terminativa, seguirá para análise da Câmara.

Não esqueça que há proposta de iniciativa popular correndo o Brasil em busca de assinatura suficiente para que o projeto de lei de entrada no Congresso Nacional. Para saber mais vá até o site do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral.

De Marx ao BNDES a chance de socializar o capitalismo

Por Carlos Magno Gibrail

Karl Marx (1813-1883)Do Capital de Marx, que denunciava a “mais valia” –   a posse do capital ou dos bens de capital que possibilita usufruir do rendimento do trabalho alheio –  até hoje, fica ainda a procura por um sistema que produza riqueza e a distribua.

É o que se propõe o BNDES: “A missão do BNDES é promover o desenvolvimento sustentável e competitivo da economia brasileira, com geração de emprego e redução das desigualdades sociais e regionais”

Com 216 bilhões em carteira, com 40% do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) que corresponde a 100 bilhões de reais em estoque e 204 mil operações em 2008 parece que tem força para encarar o desafio proposto em sua Missão.

Isto sem falar que com os 92,2 bilhões de reais em desembolso é o dobro do BID e do BIRD juntos. Sim, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Banco Mundial, que tanto espaço ocupam  diariamente na mídia econômica internacional, somados, são a metade do BNDES.

Mas o recém formado, o empreendedor nato, o comerciante a espera de pequeno capital para abrir uma lojinha, ou comprar uma pedra no CEAGESP, ou ainda uma barraca de feira, provavelmente nunca ouviram falar do dinheiro do BNDES. Ou, quem sabe, um executivo recém desempregado a procura de capital para adquirir uma franquia com segurança, talvez mais próximo ao mercado financeiro, já tenha conhecimento das possibilidades oferecidas.

Elas existem, embora não tão fáceis e nem tão atraentes como ao dinheiro oferecido ao grande capital, mas ainda assim é o recurso mais barato para estas pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas.

Embora das 204 mil operações 175 mil fossem dirigidas para as pessoas físicas e micro, pequenas e médias empresas, o Cartão BNDES tenha atingido o expressivo número crescente de 100 mil,  o seu prazo de pagamento estendido de 36 para 48 meses, o seu teto aumentado de 250 mil reais para 500 mil reais e juros de 1% ao mês, 76% dos recursos desembolsados foram para o grande capital e 24% para o pequeno.

O Banco do Brasil, a Caixa e o Bradesco, operadores para os financiamentos abaixo de 10 milhões, ficam responsáveis pelas garantias e se remuneram com parte do 1%. Portanto seus produtos são mais lucrativos que este. E administram como tal.

Nas linhas de crédito especiais tipo Revitalize, que contempla setores específicos é preciso acompanhar de perto para saber da existência e para obter o financiamento.

No Cartão BNDES é verificar a lista de produtos disponíveis, incluídos dentro de critérios de nacionalização e sustentabilidade, e ter crédito no repassador.

Para capital de giro o PEC Programa Especial de Crédito os juros anuais são de 10,25% mais “spread”, 12 meses de carência e prazo de 36 meses.

Podemos aferir que os 24% destinados aos pequenos cumprem a premissa da socialização, entretanto é preciso comparar alguns investimentos efetivados aos grandes.

O economista Nelson Barrizzelli, lembra o caso da Ford em Camaçari, quando foram criados 2000 empregos com investimento de 800 milhões de dólares.

Especialista também na área supermercadista, Barrizzelli sugere: “Se fosse investido 50 mil dólares em 16 mil pequenos supermercados é de supor que pelo menos seria criado 1 emprego para cada uma das 16 mil unidades.Para quem recebe recursos do Fundo de Amparo aos Trabalhadores investir em grandes empreendimentos que normalmente não são intensos de mão de obra, é no mínimo tão desconcertante quanto a distância de 2000 para 16000 empregos”.

Que Marx descanse em paz, pois um dia ainda chegamos lá.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Milton Jung mostrando o caminho das pedras. Ou do capital.

.

Cartilha para vereador levar embaixo do braço

adote.pngPara quem pretende levar a sério a função de vereador, a Controladoria Geral da União oferece uma cartilha que ensina como fiscalizar os recursos públicos municipais. A sugestão chega pelas mãos de Joildo Santos, que adotou o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Carlos Rodrigues (PR). Ele lembra que o vereador – todos os vereadores de todas as cidades brasileiras, sem exceção – tem papel fundamental para o controle da gestão dos recursos públicos.

Poderiam começar a tarefa dentro de casa, controlando os gastos da própria Câmara em vez de aumentar os custos como fez nessa terça-feira o legislativo de Guarulhos, região metropolitana de São Paulo. Com aprovação de projeto de lei que cria mais de 90 cargos, os moradores terão de gastara mais em torno de R$ 3,6 milhões por ano.

A quem interessar possa, baixe aqui a cartilha “O Vereador e a Fiscalização dos Recursos Municipais”

Carta aberta à Sra. Secretária Alda Marco Antônio

Escrito por Sebastião Nicomedes, morador de rua e criador de ideias, em São Paulo:

De reuniões em reuniões, a SMADS, Defesa Civil, Samu e outros órgãos (in)competentes vão ganhando tempo. O inverno chegou pesado, as baixas temperaturas tão afligindo a alma dos moradores de rua.

Temperatura acima de 13 graus não é dia considerado de emergência. Mas estamos falando de outro modo de viver. A temperatura das ruas ainda não inventaram. Nas calçadas, o clima é outro, com os ventinhos gelados, chega baixar de zero. O corpo empedra.

Essa madrugada era para ser de emergência. Cadê as viaturas de prontidão na rua? Cadê os cobertores? É sabível, não tem vagas, tem que disponibilizar os agasalhos, garantir a sobrevivência nesses dias em que o alarme é acionado.

Não tá havendo distribuição. A SMADS centralizou ou descentralizou ? Onde estão os cobertores ? Nos Cras ? Nas casas de convivência deveriam ter distribuição. Tem de haver estoques nas Subs para o repasse imediato, tem de estar de prontidão.

Depois não adianta quando morrer gente, os orientadores socioeducativos aparecerem diante da imprensa e apresentar ao delegado a ficha forjada de recusa de ida pro abrigo como é de praxe. Duas testemunhas assinam a recusa. O morto não fala e fica por isso mesmo.

Continuar lendo →

Pra não repetir erros, Educação abre livros ao público

Após ter de retirar das bibliotecas das escolas estaduais seis dos livros destinados às crianças por serem considerados inapropriados, a Secretaria da Educação de São Paulo decidiu fazer uma exposição aberta ao público com os 812 títulos restantes que fazem parte do programa Ler e Escrever. A partir desta quarta-feira, 9 da manhã, os livros estarão à disposição na sede da secretaria para consulta. O secretario Paulo Renato de Souza espera com a medida não ser mais surpreendido com textos de conteúdo adulto publicados em material de apoio às crianças de oito e nove anos da rede pública como ocorreu com os livros “Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol”, publicado pela Via Lettera, e “Poesia do Dia”, organizado por Leandro Sarmatz e publicado pela Editora Ática. Para Paulo Renato, a falha na seleção prejudicou um programa considerado de qualidade e importante no incentivo à literatura, o Ler e Escrever.

Câmara vai contratar pedreiro e presidente não sabia

O presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC), tentou explicar o projeto de lei que prevê aumento de cargos de confiança e vagas para concursados, em entrevista ao CBN São Paulo. Alegou que a estrutura da casa é da década de 80 quando havia apenas 19 vereadores. Atualmente, são 33.

Logo que começou a entrevista, Alan Neto disse que na área de manutenção seria criada a vaga para eletricista, mas negou que haveria para pedreiro e encanador. Teve de voltar atrás quando foi exposto ao texto do projeto de lei que ele próprio assina no qual está explícita a contratação por concurso de funcionários para esta área com salário de R$ 1.400,00.

Ouça a entrevista com o presidente da Câmara Municipal de Guarulhos, Alan Neto (PSC)

Leia o projeto de lei que cria cargos na Câmara de Vereadores de Guarulhos

Leia mais sobre o projeto em Guarulhos aqui no Blog do Milton Jung

O projeto será votado – e aprovado – hoje, em Guarulhos.

Canto da Cátia: Calçada de areia

Calçada de areia

Cena comum na cidade de São Paulo esta registrada pela repórter Cátia Toffoletto agora cedo, na avenida Santo Amaro, próximo do número 2600, na zona sul. O espaço público é transformado em depósito de material de construção ou usado para preparar cimento, atitude que causa transtorno e pode gerar entupimento das bocas de lobo. A reclamação chegou até a Cátia pela mensagem enviada pelo ouvinte-internauta Aristides Mendonça.