Católica, apostólica, romana, e praticante, Dona Iva está com 77 anos bem vividos e exceção a um ou outro
desentendimento com vizinhos é daquelas senhoras que ninguém tem nada contra. Passeia com seu cachorrinho na coleira e jamais esquece de limpar a sujeira deixada por ele. Na padaria, simpática como sempre, pede para o caixa colocar as comprar nos sacos de papel. São mais ecológicos, ensinou o neto mais novo.
Cada três dias da semana, sabe que as sete da noite, antes da novela começar, tem de levar o saco de lixo para a rua, duas horas antes do caminhão da coleta passar. Assim que houve o barulho, corre para a janela, cumprimenta os funcionários de macacão laranjan e aproveita para ver se não ficou nenhuma sujeira no caminho.
Lembrei dela hoje pela manhã na conversa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni, que informou estarem fora da lei os suportes de ferro instalados nas calçadas que servem para o depósito dos sacos de lixo. Estas armações podem ser encontradas aos montes diante de casas, prédios e empresas, na capital paulista. Muitas bem no meio do caminho, atravancando o passeio. Argumento, aliás, que levou a aprovação da Lei 13.478, de 2002, que proíbe a presença desses equipamentos sobre as calçadas.
Como nunca antes nesta cidade houve fiscalização ou pedido de retirada destas lixeiras, a ação da Subprefeitura de Pinheiros, nesta semana, que notificou alguns condomínios no bairro, causou indignação dos moradores. Alegam que não terão onde depositar o lixo enquanto esperam o caminhão da coleta.
O subprefeito Bucheroni, na entrevista ao CBN SP, disse que os prédios devem manter locais apropriados dentro do seu terreno que permitam acesso aos coletores ou que os sacos de lixo sejam depositados sobre a calçada apenas duas horas antes do horário previsto para o caminhão passar.
Ouça a entrevisa com o subprefeito de Pinheiros, Nevoral Bucheroni
Pobre Dona Iva. Tão certinha, cuidadosa e simpática. Não sabia que o zelo para impedir que os cachorros da vizinhança furassem os sacos e espalhassem o lixo pelo chão fazia parte de um crime contra a cidade. Vai ter de arrancar da calçada aquela lixeira que comprou de um rapaz que passava pela rua se não quiser receber uma multa de R$ 500.
Talvez ela até fique triste e enfurecida com o subprefeito, mas amanhã quando for passear pelo bairro encontrará a calçada livre. Das lixeiras, por que os buracos continuarão por lá, assim como as cadeiras e mesas do bar da esquina, o totem do valet, e todas aquelas coisas que nós sabemos bem atrapalham a caminhada da Dona Iva.








