Sobre a reeleição de parlamentares

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

No Brasil, diferente de poucos outros países, há liberdade para ilimitadas recandidaturas legislativas (Senadores, deputados e vereadores). Esta circunstância, se a um ângulo permite a manutenção de parlamentares operosos, hábeis e experientes inclusive para viabilizar o funcionamento das Casas Legislativas, a outro favorece a feudalização das bancadas e protela o ciclo natural de renovação das lideranças partidárias.

Uma análise expedita dos perfis dos Deputados Federais integrantes da Legislatura 2007-2011 revela vários parlamentares com exercícios sucessivos ou interrupções ocasionais. Para citar alguns: Henrique Eduardo Alves/RN (10º mandato); Inocêncio Oliveira/PE e Miro Teixeira/RJ (9º); Bonifácio de Andrada/MG e Simão Sessim/RJ (8º), Humberto Souto/MG, Arolde de Oliveira/RJ, José Sarney Filho/MA e Wilson Braga/PB (7º); Arnaldo Faria de Sá/SP, Roberto Balestra/GO, Marcondes Gadelha/PB, Michel Temer/SP, Paes Landim/PI e José Genuíno (6º) e muitos outros em 5º e 4º mandatos.

Nesta seara, é necessário reconhecer que os parlamentares que concorrem à reeleição usufruem de vantagens relevantes, todas asseguradas pela legislação em vigor.

Especificamente quanto a Deputados (federais e estaduais) e Senadores, as seguintes situações merecem destaque:
a) estruturas de gabinete e escritórios políticos em funcionamento ininterrupto,
b) funcionários remunerados, verbas de gabinete e liberdade de estrutura interna,
c) atuação legislativa com a possibilidade de apresentação e aprovação de projetos durante a campanha eleitoral,
d) nome parlamentar de pleno domínio dos eleitores e colaboradores,
e) facilidade de formar “dobradinhas” com outros candidatos,
f) maior possibilidade de acesso aos colaboradores financeiros de campanhas eleitorais (pessoas físicas e jurídicas),
g) bases eleitorais identificadas, organizadas e definidas,
h) apoios em regiões, municípios, setores e instituições,
i) colaboradores, simpatizantes, apoiadores e cabos eleitorais habituados aos processos eleitorais,
j) preferência ou destaque dentro dos partidos e
l) acesso privilegiado aos meios de comunicação para a divulgação de projetos, manifestações ou atividades vinculadas ao exercício do mandato.

Tais circunstâncias, se não decisivas, no mínimo são estratégicas em pleitos cada vez mais onerosos e acirrados. Em verdade, as mesmas funcionam como um plus dotado de potencial apto a causar um desequilíbrio que pode ser vital entre os titulares de mandato e aqueles que não dispõem de prerrogativas, além, é óbvio, de restringir as possibilidades de renovação.

Não se trata de uma objeção padronizada à recondução de parlamentares operosos e cuja honradez ou abnegação não apenas valoriza como dignifica a Câmara dos Deputados. O que se questiona é a manutenção daqueles parlamentares reconhecidamente improdutivos e fisiológicos que impedem tanto qualificação das composições partidárias quanto a oxigenação de lideranças.

Há, portanto, necessidade de reflexão em torno deste ponto pelos eleitores. Afinal, nenhuma representação política pode prescindir de parlamentares que se distinguem positivamente. Aquele que reúne experiência, respeitabilidade e produtividade deve ser valorizado e não depreciado de forma simplista e sediciosa como um “político profissional”, rótulo que muitas vezes se revela indevido para traduzir uma “injusta coloração pejorativa”, conforme, aliás, já acentuou o TSE.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Senadores mais jovens em 2010

 

Por Antonio Augusto Mayer dos Santos

Este ano haverá eleição para 2/3 das cadeiras do Senado Federal. Não se pode invocar o adjetivo “renovação” para estas 54 disputadas e atrativas vagas porque tradicionalmente os Senadores são reeleitos. Porém, ante a escassez de projetos convincentes e ainda diante dos últimos escândalos que macularam a Casa, está na hora dos cidadãos promoverem uma alteração na sua composição a partir de um elemento sutil: a idade de seus integrantes.

Atualmente, para concorrer ao Senado Federal, o cidadão ou cidadã precisa ter 35 anos no dia da sua posse. Todos os pretendentes deste ano, em todos os Estados, assim precisarão documentar sua idade na Justiça Eleitoral. Todavia, tramita na Câmara dos Deputados, sob apoio de respeitados e respeitáveis parlamentares, a Proposta de Emenda Constitucional nº 20/07 visando reduzir de 35 para 30 anos a idade mínima para os candidatos aos cargos de Presidente e Vice-Presidente da República e Senador. Segundo sua autora, a deputada federal Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), a exigência de 35 anos corresponde a um “conceito ultrapassado de que experiência está vinculada à idade”.

Oportuna e bem fundamentada, esta PEC, embora desconhecida da maioria, reflete coerência à última edição da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) cujo resultado concluiu pelo cadastramento de 40 milhões de eleitores brasileiros com idade entre 16 e 30 anos. Este fator é significativo e merece ser considerado porquanto diz respeito ao universo eleitoral do país.

Ao questionar conceitos tradicionais, supostamente intocáveis, a proposta, que ameaça feudos e Gabinetes inteiros por conta de suas projeções, traz um texto que desconstitui o conhecido truísmo assentado na (falsa) máxima de que a experiência, necessariamente, está vinculada à idade. Logo surge a indagação: como se mensura a experiência de alguém para a política? “Ter experimentado muitas coisas ainda não quer dizer que se tem experiência”, já ponderava Marie von Ebner-Eschenbach no início do século XX. Se a um ângulo ninguém ou nenhuma instituição, salvo extravagância, despreza a experiência como fator estratégico em qualquer ramo de atividade, por outro, a frase da escritora austríaca se insere num contexto quando o assunto diz com o exercício de cargos eletivos.

Evidenciando o cabimento da PEC, uma rápida consulta a recentes projetos formulados por Senadores com mais de 35 anos vai revelar a presença de erros gramaticais e justificativas confusas ou inconsistentes, ainda que suas excelências tenham exercido mandatos anteriores como Vereadores, Deputados ou Governadores.

Neste sentido, a proposta também potencializa a neutralização de duas anomalias: a feudalização de bancadas ou mandatos e a protelação do ciclo natural de renovação das lideranças políticas e partidárias.

Por outra, está cientificamente comprovado que é antes dos 30 anos que o ciclo de plenitude da vitalidade mental e intelectual inicia sua ascensão mais vigorosa. Prova disso e, conseqüentemente, da adequação da PEC são, por exemplo, as estatísticas de aprovação em concursos públicos e a consolidação de importantes instituições voltadas ao estudo e desenvolvimento de diversos setores impulsionadas por profissionais com idade inferior a da faixa etária da PEC.

É essencial que prevaleça uma distinção entre experiência e senso de responsabilidade. Ora, enquanto aquela está vinculada ao acúmulo de vivências, conhecimentos e práticas, o outro independe da idade para o exercício de atribuições ou mandatos. Tanto assim que se pode ter responsabilidade sem experiência quando esta não consolidar aquela, salvo se, apenas na Argentina e nos EUA, onde se exige dos candidatos à Presidência e ao Senado a idade dos 30 anos, mencionados conceitos sejam distintos dos daqui.

Eleger Senadores e Senadoras mais jovens neste outubro de 2010 é uma ação que projeta renovações e rompe arcaísmos impregnados de mitos e estereótipos. Congressistas probos, desvinculados de passados nebulosos e mais dinâmicos ou produtivos certamente oxigenarão o Senado Federal.

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral e autor do livro “Reforma Política – inércia e controvérsias” (Editora Age). Às segundas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Vereadores que disputarão eleição de 2010

 

(atualizado às 17:02)adoteDos 55 vereadores de São Paulo ao menos 16 15 concorrem a outro cargo na eleição de 2010. Dois deles devem tentar uma salto arrojado, trocar a cadeira da Câmara Municipal por uma no Senado: Netinho de Paula (PC do B) e Gabriel Chalita (PSB). Não por acaso foram dois dos mais votados na eleição municipal de 2008, Chalita, o primeiro, com cerca de 102 mil votos, e Netinho, o terceiro, com mais de 84 mil votos.

No levantamento feito pelo CBN SP, o partido que terá mais vereadores candidatos é o PSDB com cinco quatro dos seus 12 representantes, seguido do PT com três dos 10 que tem na Câmara. O PMDB confirmou apenas que Jooji Hato deve disputar a eleição para deputado estadual, apesar de Goulart ter sido o segundo vereador mais votado em 2008 (90 mil votos). Enquanto o PTB, que tem três vereadores na Casa, não quis confirmar a disposição deles disputarem novos cargos, em 2010.

A lista dos vereadores que devem disputar a eleição este ano:

DEM – Domingos Dissei (dep. estadual)

PC do B – Netinho de Paula (senador)

PDT – Ninguém disputa

PMDB – Jooji Hato (dep.estadual)

PPS – Ninguém disputa

PR – Aguinaldo Timóteo (dep. federal)

PRB – Não disputa

PSDB – Carlos Bezerra (dep. estadual), Adolfo Quintas (dep. estadual), Ricardo Teixeira (dep. estadual), Claudinho (dep. estadual), Mara Gabrilli (dep. federal)

PT – Chico Macena (dep. estadual), Francisco Chageas (dep. federal), João Antônio (dep. estadual)

PTB – não confirma

PV – Penna (dep. federal)

PP – José Olimpio (dep. federal)

PSB – Gabriel Chalita (senador)

PSC – Marcelo Aguiar (dep. estadual/federal)

A lei eleitoral permite que todos permaneçam no cargo mesmo após o início da campanha. O que você não pode deixar – e deve cobrar – é que eles abram mão das discussões importantes para a cidade de São Paulo neste período pré-eleitoral apenas porque estão em busca do voto.

(o nome do vereador Claudinho foi retirado da lista porque a informação que constava no site da Câmara Municipal de SP estava errada e será corrigida)

Avalanche Tricolor: Grêmio, o líder e o melhor

 

Grêmio 2 x 1 Novo Hamburgo
Gaúcho – Olímpico Monumental


Campeão do 1o. turno, líder isolado do 2o, líder geral do Campeonato, 49 vitórias em casa, 13 partidas invicto e as 12 últimas com vitória. Nem sempre os números mostram a realidade, mas estes são incontestáveis. Põem o Grêmio, não a frente dos adversários no Rio Grande do Sul,  a frente de todos os demais no Brasil, mesmo daqueles aplaudidos como fantásticos. O Imortal tem aproveitamento de 82% na temporada.

Há quem ainda assim olhe de revesgueio, como diriam os patrícios lá no Sul.

Para estes, temos mais do que números, temos jogadores. No gol, Vítor é o melhor goleiro do Brasil, que não bastasse fazer com perfeição seu trabalho, ainda se dá ao luxo de defender pênaltis, como nesta noite. Na defesa, Mário Fernandes dá gosto de assistir pela forma como marca e se desmarca. Poderia incluir Rodrigo pela eficiência, mas este parece preferir o anonimato de uma marcação bem feita e um carrinho certeiro em lugar de qualquer elogio festeiro.

No meio, me permitam elogiar alguém esquecido pela crítica: Douglas. Por mais que admire Tcheco, o atual camisa 10 gremista está a frente dele neste momento. Joga com segurança, recupera-se com rapidez, limpa o lance com uma tranquilidade irritante (para o adversário), tem visão do que ocorre dentro de campo e lança com precisão. Soma-se aquele cabelo a lhe oferecer uma cara de vingador, cara de quem sabe vestir a camisa tricolor.

Lá na frente, mesmo sem o goleador Borges, surgem duas figuras curiosas, Maylson e Jonas. Desengonçados para correr e driblar, passam seus adversários e poucas vezes deixam de marcar gols. Quando não é um, é outro. Às vezes, são os dois.

No lado do campo, Silas dá sinais de que encontra o time ideal, e sabe que logo terá todos os demais titulares prontos para entrar. Mesmo os mais exigentes torcedores cansaram de vaiá-lo, reconhecendo os avanços de uma equipe que, hoje, marcou de forma incansável até resolver o placar em pouco mais de 15 minutos de partida.

O Grêmio supera marcas a cada rodada. Faltam apenas dois jogos, Esportivo e Votoraty, para alcançar a sequência recorde de 14 vitórias do Campeão Gaúcho de 1979, treinado por Orlando Fantoni, time de Manga, Anchieta, Paulo César Caju, Tarciso e Éder. Lembra-me, em alguns lances, o Grêmio-Show, Tetracampeão com Mazarópi, Bonamigo, Cuca, Cristovão, Lima e Valdo, de 1988.

Você deve estar me achando otimista de mais a esta altura do campeonato. Talvez esteja mesmo e, em breve, veremos que este time que está em campo não é o Grêmio de 79 nem de 88, menos ainda o de 81, Campeão Brasileiro, ou o de 83, Campeão da Libertadores e Mundial. É apenas o Grêmio de 2010. E isso não é pouca coisa.

É outono, troque seu guarda-roupa !

outono-lindo


Por Dora Estevam

Neste sábado, dá início a nova estação, outono, e com ela a mudança do clima: de manhãzinha frio, à tarde calor, à noite frio de novo. Seu guarda-roupa pede malha, camisa de manga longa, blazer, casaquinho, jaqueta, calça de algodão, meias, sapatos fechados, echarpes, lenços … Uma infinidade de peças que precisa ser acolhida no espaço que está habitado pela moda verão.

Não importa o quanto você vai gastar em um par de sapatos novos ou em um sweater, o que importa é que você precisa comprar pelo menos duas peças para  compor o novo visual. Se você é do tipo que trabalha muitas horas, que precisa andar de um lado ao outro no escritório, sem dúvida terá de investir em algo de qualidade. A primeira coisa em mente é que, do verão para o inverno, a mudança é radical: saem os florais coloridos, entram as cores esmaecidas.

Chega, então, a hora de escolher entre preço, moda e marca. Vá com calma ! Não saia por ai gastando tubos em algo que você usará pouco e logo vai enjoar. Compre peças boas, não precisa ser de marca famosa e cara.

Moda Out:2010 Feminina

Sugestão da consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron: aproveite e dê uma espiada no guarda-roupa da mãe ou da avó. Veja se lá tem um casaquinho de veludo alemão, de brocado, lurex, lamê, tecidos com carinha de antigo. Estes modelos se usados com um cinto por cima ou uma bolsa bacana, são elementos do passado que dão característica de unicidade.

Para o orçamento que está curto ou para quem não pretende comprar um blazer mais ajustado, com ombreiras de espuma pontiagudas, precisa ter em mente as cores da estação (rosáceos, nudes, toda a gama dos azuis, preto e branco, cinza, musgo) e compor com o que já tem em casa.

Os estilistas estão compondo cada vez mais o guarda-roupa feminino com a política da liberdade da criação, explica Andréia.

1. Ela ensina como fazer esta troca sem gastar muito tempo:

2. Comece por tirar as peças sem manga e substituí-las pelas com manga;

3. Depois, encaixe aquelas que protegem do friosinho comum de outono como blazer, jaquetas, malhas, tricots.

4. Então, troque as blusas decotadas pelas de golas mais altas.

Mudança também na sapataria. Se a intenção é, realmente, usar o que está na moda, o sapato feminino ideal agora é o “Kitten Heels” (Salto Gatinho). O salto não tem mais que cinco centímetros. Uma tendência mundial. A proposta visa dar conforto para mulheres de todas as idades.

Continuam os de bico fino contemporâneos e retrô com bico quadrado. Use meias trabalhadas, como as rendadas.

Moda Out2010 Masculina

Para os homens de paletó, o forte da estação será o azul marinho; nas camisas, o predomínio dos azuis, dos claros aos escuros, tipo Bic; as gravatas aparecem nos tons esmaecidos, amarelos e rosáceos. Os sapatos – sem invenção: os mesmos clássicos de amarrar.

Com tudo isso, nesta mudança de guarda-roupa, se você não tiver onde guardar o que sobrou faça uma boa ação.

Ao optar pela doação, veja se a roupa não está rasgadinha. Se estiver tudo certo, não exite: dê para pessoas que realmente precisam, doe para a empregada, alguma amiguinha em crise financeira, aquela priminha pobre do interior ou procure ONGs que saberão dar uma finalidade.

Doar é uma prática de boa conotação e fará com que pessoas com dificuldades se sintam bem melhores.

Agora, se você realmente não pode gastar nada, tem um sistema de troca de roupas muito usado pelas britânicas que é o “Clothing Swaps”. São amigas e até lojas, bazares que combinam de levar tudo aquilo que não usam mais para troca. Quem não se incomoda de usar roupa de segunda mão acaba tendo vantagem. O conceito do “O Que é Meu é Seu” pode ser usado em produtos de beleza, acessórios, mobílias, vai da sua imaginação.

Se você tem muitas amigas, acho que seria uma boa opção para este momento. Agora, veja se a amiga tem um guarda- roupa legal, caso contrário alguém pode sair no prejuízo.

Ligue para elas e combine um encontro, depois me conta como foi.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

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Pressão para aprovar Ficha Limpa antes da eleição 2010

 

Por Francisco Whitaker

Adote um VereadorEntregue à Câmara dos Deputados em 29 de setembro de 2009, com 1.300.000 assinaturas, o Projeto de Iniciativa Popular conhecido como da Ficha Limpa começa agora a efetivamente tramitar, com relativa celeridade.

Imediatamente depois de apresentado, ele foi subscrito por 32 parlamentares, para que sua tramitação pudesse ser iniciada. As primeiras reações indicavam que haveria muita resistência. Não se conseguiu que o Colégio de Líderes o incluísse na pauta antes do recesso parlamentar.

Retomados os trabalhos em fevereiro isso se tornou possível, por força da pressão da sociedade. O Presidente Michel Temer criou um Grupo de Trabalho especial – menos formal e menos burocrático que uma Comissão – com prazo até o dia 17 de março para terminar seus trabalhos. Sua missão era a de analisar o projeto da Ficha Limpa juntamente com outros 10 projetos sobre o mesmo tema, todos apensados ao projeto 16863, com vistas à eventual elaboração de um substitutivo a ser apresentado ao Plenário da Câmara.

No dia seguinte ao de sua criação (18 de fevereiro), esse Grupo fez sua primeira reunião. Decidiu-se então convocar para o dia 24 uma Audiência Publica para ouvir a sociedade civil, autora do projeto.
A Audiência foi longa e produtiva, conseguindo-se um bom diálogo entre parlamentares e os representantes das entidades do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE ali presentes. Os ventos pareciam estar mudando de direção. Durante a Audiência foram entregues mais 70.000 assinaturas, chegando-se agora a um total de 1.577.523 assinaturas.

No dia seguinte, na 2ª reunião do Grupo de Trabalho, os parlamentares começaram a discutir o projeto e o relator propôs que até o dia 3 de março eles lhe encaminhassem suas propostas de mudança. Decidiu-se também nessa reunião convidar, para debater o projeto, o Presidente do TSE, o Presidente do STF e o Procurador Geral da Republica. Decidiu-se ainda que atos de apoio ao projeto que fossem realizados nas capitais teriam a presença de membros do Grupo de Trabalho. Ficou também acertada uma nova Audiência Publica com a sociedade civil no dia 16 de março.

A equipe do MCCE encarregada de acompanhar a tramitação do projeto fez uma análise das sugestões da Audiência e dos 10 outros projetos apensados e elaborou uma proposta de redação, que aprimora o texto e garante que não seja desvirtuado o projeto original.

Ainda há fortes resistências mas se intensificarmos nossa pressão poderemos ver esse projeto aprovado neste semestre.

Torna-se importante:

– Realizar atos públicos nos Estados na primeira quinzena de março (preferivelmente nas 2as ou 6as feiras, para facilitar a presença de parlamentares). É conveniente avisar a data ao presidente do Grupo de Trabalho (Deputado Martini) para que ele possa mobilizar os deputados interessados. (0xx61 3215.5758 ou à assessoria do Grupo de Trabalho: terezinha.donati@camara.gov.br).
– Continuar a pressão (por e.mails e contatos pessoais) sobre os deputados de cada estado.
– Estimular a presença de quem morar ou estiver em Brasília na Audiência Pública do dia 16 de março.


Francisco Whitaker é da Comissão Brasileira Justiça e Paz, da CNBB, e do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral

Roubolation, o hit eleitoral está no ar

 

Foi no site do Taboão em Foco, de autoria do Allan dos Reis, que participa da campanha Adote um Vereador, que vi pela primeira vez a paródia eleitoral para a música que foi sucesso no carnaval 2010, Rebolation. A brincadeira que está no vídeo é do apresentador e ator Cláudio Elias, de João Pessoa-PB, segundo informação que encontrei no You Tube. Mas é possível ver a mesma paródia no site do Scrash Music Fuleration.

Recrutamento e seleção para presidente do Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

Está chegando a hora de escolhermos o próximo presidente. É um grande momento, pois temos a chance de votarmos em alguém que venha corresponder aos nossos desejos para o país.

Numa empresa privada a área de Recursos Humanos acionaria um processo de recrutamento, levantando os potenciais candidatos. Neste ponto, é importante neutralizar ao máximo juízo de valor e preconceitos para que o recrutamento seja o mais amplo possível. Na política é mais difícil e, portanto, torna-se muito necessário este cuidado.

No caso Brasil temos os seguintes nomes:

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Ciro Gomes: Paulista, advogado. Mudou-se para Sobral, no Ceará aos 5 anos. Ingressou no PDS em 79. Foi deputado estadual, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará. Em 84 foi para o PMDB em 89 para o PSDB. Foi Ministro da Fazenda do gov. Itamar Franco. Em 97 foi para o PPS. Ministro da Integração Nacional.

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Dilma Roussef: mineira, graduada e mestranda em economia. Ministra Chefe da Casa Civil. Estudou no Sion, integrou organizações de luta pós 64. Esteve presa de 70 a 72. Foi para o Rio Grande do Sul, participou da fundação do PDT. Lá foi Secretária Municipal da Fazenda de Porto Alegre, e Secretária Estadual de Minas e Energia. Filiou-se ao PT no período em que integrou o gov. Olívio Dutra. Está com Lula desde a campanha de 2002.

serrapequena

José Serra: Paulistano, economista, governador eleito pioneiramente em primeiro turno, deputado federal, Senador, Ministro do Planejamento, Ministro da Saúde, Prefeito de São Paulo. Foi presidente da UEE e da UNE quando cursava Engenharia na Poli. Pós comício na Central do Brasil em 64, refugiou-se na Embaixada da Bolívia, 3 meses depois foi para a França onde ficou até 65. Foi para o Chile onde ficou 8 anos. Refugiou-se na Embaixada da Itália. Depois foi para os EUA voltando ao Brasil em 78 antes da anistia.

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Marina Silva: Acriana, pedagoga nasceu num seringal em casa de palafitas, queria ser freira, analfabeta até os 15 anos, historiadora, professora de ensino médio. Ingressou na política pelas mãos da igreja católica, pertenceu a movimentos sindicais, fundadora da CUT filiou-se ao PT em 86. Foi vereadora em Rio Branco, Deputada Estadual, Senadora, Secretária Nacional do Meio Ambiente e Ministra do Meio Ambiente.
Quando Vereadora devolveu benefícios a que tinha direito no cargo.
Deixou o Ministério e o PT por perceber que estava perdendo poder. Necessário para sua gestão. Será candidata pelo PV.

Baseando-se nas pesquisas de opinião atuais, podemos considerar como efetivos ao segundo turno Dilma e Serra. Supondo que conseguiremos controlar o juízo de valor, analisemos PT e PSDB.

O PSDB defende que o governo Lula teve sorte ao pegar um período global favorável e por ter herdado a economia organizada por FHC, privatizações efetivadas, inflação controlada e contas em dia.

O PT apresenta números sociais significativos com inserção ao consumo, mas pintados com a ideia do “nunca antes neste país”. Além da intensa e inédita aprovação de Lula nas pesquisas de opinião, como também das premiações de jornais internacionais e entidades mundiais.

Entretanto FHC falhou no desenvolvimento da economia e no social. E, não teve destaque internacional inerente à importância brasileira. Lula inchou a máquina do governo, com percentuais de 2 dígitos, quantitativa e qualitativamente. Hoje o funcionalismo público é mais bem pago do que o privado.

A verdade é que acertos e erros estiveram nos dois lados.

Assim como nas pessoas de Dilma e Serra vamos encontrar áreas a considerar e ponderar.

Dilma promete a continuidade da economia, propõe semana de 40 horas e mais liberdade para os Sem Terra. Serra pode mudar a política econômica, optando pela corrente heterodoxa e não liberdade do Banco Central. Entretanto, parece que ambos tem algo em comum, são mandões.

Que a diferença da boa situação econômica atual e suas perspectivas, com inflação baixa, reserva de US$ 230 bilhões, produção e emprego crescentes, comparadas com outras eleições, possa também mudar a abordagem dos candidatos. Focando nos programas e não nos ataques pessoais.

É o que os principais órgãos da imprensa e os jornalistas de expressão começam a exigir dos candidatos. Como cabe a eles grande responsabilidade sobre o direcionamento dos debates, esperamos que melhorem este aspecto. Dos eleitores, a expectativa é que possam discernir melhor, controlando preconceitos e juízo de valor. E, argüir a respeito de tópicos que cada eleitor considere importante, tais como voto obrigatório, financiamento das eleições, educação, saúde, segurança, aposentadoria, saneamento básico, impostos, etc.

Por que não adotar um candidato a presidente e depois o próprio? Já tivemos vereadores revoltados com a adoção. Antes da eleição é o melhor momento para consolidar esta disposição. Vamos à luta?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

De considerações

 

Por Maria Lucia Solla

Ouça De considerações na voz da autora acompanhada por Benny Goodman

Vagafogo, Pirenópolis
Olá, no final do ano que acabou de virar a esquina, minha saúde levou uma sacudida e saiu do prumo. Até hoje, os dias têm sido de sufoco. Literalmente, uma vez que o desequilíbrio, no físico, é respiratório. Passei uma tarde no hospital e, argumentação do meu lado mais compreensão do lado da médica, voltei para casa. Mas ainda hoje quando respiro me sinto equilibrando na corda bamba esticada por brônquios, pulmões e… haja coração. Desenhei uma tabela para dar conta de acompanhar horário de antibióticos, cortisona, xarope e um medicamento que tem a responsabilidade de consertar os estragos causados pelos outros.

Minha prima quebrou um joelho jogando vôlei, no último dia do ano. Hospital, cirurgia, pinos, placas. Entra o novo ano com a tarefa de ficar quieta por noventa dias. Ela é elétrica, cheia de vida, agitada, ariana! Baita desafio, mas conheço a fera e sei que vai transformar a situação e tirar de letra a lição.

Paulinha está tentando segurar a vida como se tivesse uma pilha de pratos na cabeça, andando em terreno escorregadio. A rinite aproveitou a deixa e se instalou. A Nádia foi parar no hospital, com uma estafa das boas, que ela vem driblando como pode, há algum tempo. Com o Graciano a coisa pegou nos bichos que são o seu forte e o seu fraco. O gato foi roubado, o cachorro morreu e o enorme aquário, cheio de peixes, explodiu do nada. Não derrotado, colocou o único peixinho sobrevivente da ecatombe aquariana num pequeno aquário, e o peixinho pulou e se suicidou.

Chove, terra desliza, muita gente morre e outros tantos nascem. A Tininha trouxe à luz gêmeos:Téo e a Catarina. Vou tricotar algo bem bonito: rosa para ele e azul para ela, que é sempre bom lembrar de desafiar as convenções e colocá-las em seu devido lugar.

A vida é uma colcha de retalhos, só que quando a gente está tecendo um retalho bonito, maleável, dá gosto de costurar!

e então como viver
que cartilha obedecer
para fazer direito
é preciso aceitar o que se tem feito
e deixar que o amor escorra livre
de dentro do peito.

não dá pra ser sempre brilhante
há que levar a vida adiante
há dias de ser tansa
em que a gente literalmente dança
e há outros em que o sol entra em nossa casa
ilumina cada canto, pontas e meios
e expande o coração

Que saibamos sempre receber e reconhecer cada momento de Vida.

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.



Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e realiza curso do Comunicação e Expressão. Aos domingos, escreve no Blog do Mílton Jung, sempre a fim de receitar um bom remédio pra alma.

O que você vai encontrar na livraria em 2010

 

Um exemplo do que sugere o colega de blog Carlos Magno Gibrail ao falar das retrospectivas e perspectivas (leia aqui) foi o trabalho que José Godoy, do Fim de Expediente, fez para o CBN Express Livros. Traçou o que o mercado editorial deve nos entregar nos próximos meses, baseado no conhecimento e experiência de um mestre em teoria literária e editor da Globo Livros. É a perspectiva com olhar de expert, não da mãe Dinah.

Aproveitei o pedido de autorização para reproduzir as previsões dele no blog e inclui uma pergunta extra. Quem vai ganhar a Libertadores 2010 ? “Quanto ao futebol, com base no conhecimento – e no sofrimento adquirido – digo que o Corinthians ganha a Libertadores”, escreveu o escritor.

Leia sobre o que o Godoy realmente entende:

Perspectivas para um novo ano
O que 2010 nos reserva no mercado editorial? Em linhas gerais devemos seguir na trilha dos grandes eventos do ano: a Copa do Mundo, que traz a reboque um renovado interesse sobre a África do Sul e Nelson Mandela, e as eleições, com livros de cientistas políticos e jornalistas que cobrem o tema. Abaixo, o breve panorama do que nos aguarda.
 
Sobre a África do Sul e afins
Os títulos devem começar a pipocar a partir de março, seguindo até o final do primeiro semestre. Alvo de disputa vultosa na última feira do livro de Frankfurt, os diários de Nelson Mandela devem ter grande destaque. Enquanto isso, a estreia nos cinemas de “Invictus”, de Clint Eastwood, no final de janeiro deve resgatar “Conquistando o inimigo” (R$29,90), livro do jornalista John Carlin que deu origem ao filme, já lançado por aqui no ano passado pela Sextante.
 
Efemérides
Os 65 anos do final da Segunda Guerra e o centenário do Corinthians, que já vêm movimentando o mercado desde o final de 2009, são alguns dos temas que serão fartamente explorados. Minha aposta é para o início de um longo resgate, que se seguirá ao longo da década, dos anos 1960 e seus grandes eventos e personagens.
 
O artista
Nessa retomada de passagens e ícones dos 1960, Andy Warhol deve estar no centro dos debates. Figura emblemática do período, o artista será tema de grande exposição na Pinacoteca, em São Paulo, a partir de março. E, a julgar pelos novos títulos lançados na França e nos Estados Unidos recentemente, ao longo do ano teremos novas obras sobre o pai da pop arte nas nossas livrarias.
 
O escritor
É difícil imaginar lançamento mais significativo do que o da obra de Vladimir Nabokov pelo selo Alfaguara. Depois de décadas de descaso com o gênio nascido em São Petersburgo, o leitor local terá enfim a seu dispor um dos mais relevantes autores do século XX, uma aula de estilo e precisão, em novas traduções.


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