Conte Sua História de São Paulo 468: o charme da av. São Luiz

Neusa Stranghette

Ouvinte da CBN

Nasci no Ipiranga e com dois anos de idade, a família mudou -se para São Caetano do Sul. Lá cresci, estudei e tive meu primeiro emprego, em uma multinacional, que ficava no meio do mato, mas que eu adorava. Em 1970, sai da empresa e retornamos para São Paulo, no bairro de Santa Cecilia. Foi a primeira vez que entrei num supermercado que eu e minha mãe frequentávamos como se fosse o um parque de diversões! 

Morar em São Paulo era só novidades! Mas precisava arrumar um emprego.

Num domingo li os classificados do jornal e achei uma agência de empregos na Praça da República, que pelo menos eu sabia onde era. Dia seguinte, me apresentei, preenchi uma ficha e recebi duas indicações: uma na avenida São Luiz e outra em Santo Amaro, que eu não tinha a menor ideia de onde ficava nem  como chegar….. 

Na hora, fui para a São Luiz. Quando entrei naquela avenida maravilhosa, arborizada — que prédios lindos —, decidi, naquele momento, que era ali que eu iria trabalhar.

Fui aprovada na entrevista e comecei na quarta-feira. Os colegas de trabalho foram se tornando amigos! Na galeria Copan, ali do lado, tomávamos café no Floresta, que existe até hoje. Almoçávamos todos os e dias e nas sextas fazíamos nosso happy-your, no Balloon. Na galeria, também, havia uma boutique, que todas as minhas colegas e amigas frequentavam. Tínhamos crédito com as donas, que sabiam direitinho quando teríamos aumento de salário. 

Gostávamos ainda de almoçar no Eduardo’s, no Franciscano e, quando recebíamos o vale-refeição,  na excelente feijoada do Brasilton.  Algumas vezes tinha almoço no Circolo Italiano, no Edificio Itália, e o maitre Mário nos tratava como VIPs. Mas o top era a primeira sexta-feira após o pagamento, quando a balada era no London Tavern, no Hilton Hotel. Éramos recebidas pelo Léo e ficávamos até a madrugada, sem medo de ser feliz!  

Hoje a  avenida São Luiz ainda mantém um pouco do charme da época. Bem pouquinho.  Só sobrevivem o Floresta e o Circolo Italiano. Nada mais de Balloon, Brasilton, lojinha de roupas, Eduardo’s, muito menos o Hilton. Nem a empresa onde trabalhei por  20 anos está mais ali.  Perdemos nossas referências. Ficaram fotos, os amigos, as memórias  … e viramos saudosistas.

Neusa Stranghette é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.


Conte Sua História de São Paulo 468: de canto em canto da cidade, desde o nascimento no Bexiga

Por Durval Pedroso

Ouvinte da CBN

Foto da Rua Augusta, em 1973

Desde o nascimento no Bexiga, no inicio dos anos 1950, esta cidade está impregnada na minha alma. Em cada momento me apaixonei por uma região, por um lugar da cidade. 

Na infância, Santo Amaro. Foi onde residi. Tinha mais do que um “appeal” todo especial. Era uma região bucólica onde o adensamento populacional era incipiente, onde as matas e a grande quantidade de campos futebol, se estendiam desde muito próximo do Largo Treze de Maio, o Largo da Matriz, até as cercanias do bairro do Socorro, onde hoje predomina o autódromo de Interlagos. 

Pescar na Ilha do Bororé, na represa Billings, era comparado a hoje ir para Mato Grosso ou até a Amazônia, pela virgindade da mata e quantidades de peixes. Sem falar das onças e dos macacos que ocupavam o imaginário infantil das crianças. Naquela época pegar o bonde dos botinas amarelas de Santo Amaro até a Praça Clovis Bevilácqua no centro da cidade era mais que a glória. 

No fim dos anos 1960 e por toda a década de 70, me apaixonei pela região dos Jardins, onde a Rua Augusta tinha um fascínio extra.

Os clubes esportivos e os locais de dança trouxeram ao adolescente o que esta cidade tinha de mais pungente. Não posso deixar de ressaltar a Praça do Por do Sol no Alto de Pinheiros, cujo o amanhecer junto a amada juvenil trazia deleites de uma leve taquicardia. 

Já os campus da USP na cidade universitária e o da PUC, tão efervescentes no período militar, traziam um sentimento de liberdade, e em muitos momentos nos davam a sensação de estarmos vivendo na Woodstock brasileira. 

Dessa época, tenho um registro grafado a fogo no meu coração, num jardim que ficava entre a Praça do Por do Sol e a Avenida Pedroso de Moraes. Por falta de dinheiro, estava roubando umas margaridas para dar à minha namorada. Fui pego em fragrante pelo guarda que fazia a ronda. Depois que contei minha história ele parou de me reprimir e me ajudou montar um ramalhete de margaridas. 

Nos anos 80 e 90 a região que mais me atraiu foi a da Avenida Paulista até os centros, velho e novo da cidade, onde a busca diária por um lugar ao sol na futura vida profissional, me fez conhecer as maravilhas da região. As praças da Sé, da República e Roosevelt formavam um triângulo onde tudo podia acontecer. Conhecer bares, restaurantes, boates e teatros, aliviavam as tensões de mais de dez horas de trabalho intenso de segunda à sexta. 

A virada do ano dois mil e os que se seguiram neste século 21, talvez em função da minha maturidade, me fez voltar atenção para a região expandida da alegria, da cultura, do entretenimento e do bom viver, que vai da glamorosa Vila Madalena até o charme do mais importante parque da cidade de São Paulo, o do Ibirapuera. 

Andar e viver as Ruas da Vila Madalena, é de fazer inveja ao público do badalado Soho, em Nova Iorque, porque aqui o encontro com os frequentadores, conhecidos ou não, são muito mais calorosos. 

Tomo a liberdade para parafrasear o grande Millôr Fernandez que dizia brincando “que só haveria justiça social se todos pudessem morar em Ipanema “.  Como paulistano da gema garanto que só se todos pudessem morar na Vila Madalena. 

Durval Pedroso é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo 468: cidade inquietação, farrapos de garoa

Por Colombina

São Paulo em foto de Paulo Pinto


Cidade inquietação; farrapos de garoa

se desprendem  da altura e tombam sobre o asfalto.

Aguda e prolongada uma sirene soa,

ao trabalho chamando a gente do planalto.


Um pássaro de prata a serra sobrevoa,

dominando a distância, além, no azul cobalto!

Range a serra, a bigorna estua, e longe, ecoa

a oração da cidade erguida para o alto…


Piratininga foi a pátria das Bandeiras,

com Paes Leme sofreu perigos e canseiras,

desbravando sertões e desafiando a morte.


E hoje é São Paulo: a forja, a usina, a mais possante 

máquina que conduz todo o Brasil avante…

Sempre o seu coração, sempre o seu braço forte!

((em breve, o áudio deste texto estará disponível))

Colombina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe desta série e envie o seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP 468: um passeio da várzea da Vila Medeiros ao verde do Horto Florestal

Odnides Pereira

Ouvinte da CBN

Foto: Governo de SP

Nasci dia 21 de abril de 1959, no Hospital e Maternidade de Vila Maria, na zona norte. Na época meus pais e meu irmão mais velho, moravam em um cortiço no bairro de Vista Alegre, também na zona norte. Logo eles compraram uma casa no Bairro de Vila Medeiros divisa com a Vila Sabrina.


Na minha infância, o lugar que mais freqüentava era o Vajão, um imenso espaço com mais de dez campos de futebol, um perto do outro, onde times de várzea disputavam seus torneios. Muitas vezes, assistimos a bolas chutadas de um campo cairem no outro, interferindo no andamento da partida. Com o tempo tudo isso acabou. Nos anos de 1980, lá se ergueu o que é hoje o Jardim Guançã.


Casei-me em 1978.  fui morar no Mandaqui.  Da minha casa ao Horto Florestal são cerca de quatro quilômetros. Aos fins de semana, quando possível, visitava o Horto, batizado Parque Estadual Albert Löefgren, e passava o dia por lá.

Tinham muitos macacos, aves, peixes nos lagos, e Mata Atlântica à disposição. Pessoas nadavam por ali, jogavam muita comida para os peixes e aves. Havia lixo, também. Por descaso e vandalismo, os lagos ficaram poluídos. E o Horto ficou insuportável. Resolvi não voltar mais. 


Com a concessão do Horto para a iniciativa privada, em 2021, apesar de cobrarem a entrada, o parque começou a ser recuperado. E a ficar mais parecido com o lugar que conheci no passado. E que mais gostava de frequentar em São Paulo.

Quem sabe, um dia eu volto?!?


Odnides Pereira é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 468: os embalos de domingo na USP

Samuel de Leonardo

Ouvinte da CBN

Cidade Universitária da USP Foto Wikipedia

Naqueles anos de 1970, assim como os nossos embalos de sábado à noite, com reuniões entre amigos e “bailinhos na garagem”, foram marcantes, as tardes de domingo igualmente nos deixaram saudades. Morávamos próximos à Cidade Universitária — era assim que chamávamos o campi da USP. Sem muitos recursos para o lazer, procurávamos lugares que pouco ou quase nada nos custavam: era lá o nosso refúgio.


No decorrer da semana, no pátio da escola, combinávamos os encontros em frente aos colégios Daniel Paulo Verano Pontes ou Lourival Gomes Machado – ambos no bairro do Rio Pequeno, região do Butantã. Desses pontos partíamos em turmas de até 20 jovens, formadas por meninos e meninas. Trago na memória cada um daqueles amigos e amigas com os quais compartilhamos momentos especiais nas tardes de domingo.


Era quase rotina sairmos a pé em direção à Cidade Universitária.  Nada entendíamos de paisagismo ou de arquitetura, mas o “leiaute” da sua estrutura nos encantava, nos atraía, simplesmente uma magia.

Em suas alamedas desfilávamos absoluto. Nos gramados verdejantes um futebolzinho sem compromisso, linhas nas mão e pipas no ar. Nas sombras de seus arbustos, namoricos sem malicia, amizades sem cobrança — ainda nos sentíamos crianças. Ah, quantas lembranças! Cada cantinho daquele lugar; o nosso “playground”; o espaço predileto de todos. Tudo aquilo nos era familiar. 


Ao término dessa agitação, nos sentíamos recarregados para enfrentar a “segundona” e partíamos para nossas casas, sem uma despedida formal, com a certeza de que aquela não seria a última tarde de domingo.


Agora, maduro e longe de ser taxado de saudosista, posso atestar convicto que, de todos os encantos dessa pauliceia gigante, o campi da USP, no Butantã, é para mim o lugar especial nessa imensidão de cidade, quer seja pela sua pujança, quer seja pelas lembranças. 


Samuel de Leonardo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 468: minhas imagens da Paulista

Por Claudio Lobo

Ouvinte da CBN

Canto ou Encanto de São Paulo, são vários. A cidade, superlativa como ela é, não poderia ser diferente. Mas um canto é especial: a avenida Paulista. Não é clichê ou lugar comum. 

Aos domingos, preferencialmente, eu e minha esposa, Maria Luiza, vamos à Paulista fotografar. Até aqui parece falta de opção ou imaginação, se não fossem os personagem e situações que lá encontramos. 

Troca de simpatias, olhares e gentilezas estão disponíveis na Paulista. 

O encanto é que as pessoas que encontramos, na grande maioria anônimas, nunca mais reencontraremos. Evaporam no ar. Ficam a simpatia, a pose, o espontâneo, o olhar, o sentimento captado. Ficam a beleza, a feiúra, o inusitado, o incomum, o bizarro. Ficam o animal, o humano, a infância, o apressado, o tranquilo, o ajustado, o desajustado. Ficam o artista, o que um dia será um artista, o vendedor, o comprador, o leitor, o artesão. 

A paisagem e tudo mais que registramos fica eternizado em nossas fotografias.

 Isto é vida. Isto é São Paulo. Isto é a avenida Paulista.

Cláudio Lobo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de São Paulo 468 anos: a travessia do pontilhão do Tietê

Por Wanderley Midei

Ouvinte da CBN

Acervo Coleção de Tony Belviso, livro Mercado Municipal de São Paulo, 70 anos de Cultura e Sabor. Abooks Editora. Foto Carlheinz Hahmnn

Nasci no Canindé, em 1943. Vivi até a minha juventude lá. Em 1961, me tornei jornalista e continuo escrevendo para o Facebook, mesmo acometido de cegueira por glaucoma.


Quando eu era criança me divertia correndo na avenida Cruzeiro do Sul ao lado do trem puxado pela Maria Fumaça, da ferrovia Cantareira. Achava engraçado as mulheres correrem para tirar as roupas que estavam quarando nas pedras da ferrovia, tentando evitar que queimassem com as fagulhas soltadas. 


Nessa época, o trem atravessava o rio Tietê por um pontilhão: a Ponte Pequena.  A ponte grande era mais próximo da Voluntários da Pátria. Às vezes, andávamos em um grupo de menino sobre os dormentes do trilho para chegar ao lixão da Vila Guilherme, onde hoje tem o Shopping Center Norte.

Muitos amigos tiveram de se jogar no rio, porque o trem estava chegando e não havia tempo para o retorno.


Quando fui suspenso no primeiro ano do ginásio, na Frei Paulo Luig, não contei nada em casa. Toda manhã pegava minha mala de couro, caderno, estojo e o livro escolar e saía como se fosse para a escola. Eu ia para a beira do rio Tiete. 


Naquela época, a Portuguesa não existia, era o São Paulo. Haviam lagoas nas proximidades, então eu ficava vendo os pescadores que tinham cruzado a noite pescando. Um dia, um dos pescadores, amigo do meu pai, contou minha traquinagem para ele. Foi a única surra que tomei na vida. E serviu a lição. Não que eu não tenha mais sido suspenso da escola outras vezes. mas sempre que fui contei tudo para ele. Foi melhor assim.

Wanderley Midei é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP 468 anos: o realejo da rua do Tesouro

Por Hylda de Albuquerque Pina

Ouvinte da CBN

Rua do Tesouro, 23. Parei em frente ao prédio apoiada no braço de minha filha, Mônica. Estou com 84 anos hoje. Depois de uma consulta médica que durou menos de cinco minutos, ela me convenceu a dar um passeio pela Praça da Sé para comprar fios de ovos. Comentei que, quando jovem, tinha trabalhado por ali.  Sim, depois de mais de 50 anos, estava de volta ao endereço do escritório das Lojas Interoceânicas. 

Consegui o primeiro emprego por indicação de uma amiga. Quando soube que era no centro, fiquei preocupada. Eu não sabia andar por lá. Aos 18 anos, conhecia o bairro onde havia nascido, o Ipiranga. Minha família tinha uma pensão na rua Clemente Pereira, onde serviam refeições para funcionários do comércio e para operários dos arredores, a turma das indústrias da família Jafet, da fábrica das Linhas Corrente, das Meias Marte .… 

Para ir para o Centro, precisaria pegar um bonde até a Praça Clóvis ou um ônibus até o Parque Dom Pedro. As duas opções me assustavam, mas tomei coragem e comecei no novo trabalho. Com uma hora e meia de almoço, podia comer em casa e retornava em tempo de dar uma volta na região. Muitas vezes me perdia e chegava em cima da hora para o expediente da tarde. 

Esses passeios solitários ampliaram meus horizontes de menina de bairro. Passeava em frente ao auditório da Rádio Record, na Quintino Bocaiúva, e me admirava com a fila de moças que esperavam para assistir ao programa Só Para Mulheres. 

Nas vitrines do Mappin, da Americanas, das lojas de tecidos, de roupas e calçados, o olhar se distraía. Nem sempre eu sabia o melhor caminho para voltar e lá estava eu, de novo, perdida no Centro.      

O coração sossegava quando enfim, avistava a bonita fachada da loja Sönksen, que vendia chocolates e balas, e ficava no prédio em frente ao do meu trabalho. Bem na porta da Sönksen, toda tarde, se instalava um velhinho com seu realejo.  A música chegava ao escritório, no sexto andar. De vez em quando, só de farra, os rapazes que trabalhavam comigo telefonavam para a bomboniere, reclamando do barulho do realejo. Depois, corriam para a janela, só pra ver a moça da loja mandar o velhinho embora…  

Agora, parada por um instante, aqui na Rua do Tesouro, acho que consigo ouvir de novo a música do realejo. Que depois de tanto tempo, me traga boa sorte…  

Hylda de Albuquerque Pina é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você ainda pode participar das comemorações dos 468 anos da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos, visite o meu blog miltonjung.com.br ou o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Ouvintes contam suas histórias em São Paulo, em homenagem aos 468 anos da cidade

Avenida Paulista em foto de Mariana Tarkany

O realejo na rua do Tesouro, a Maria Fumaça da Cantareira e a pipa sobrevoando a Cidade Universitária são algumas das lembranças que mexem com a memória dos ouvintes da CBN, na série especial em homenagem aos 468 de São Paulo. Com o tema “Em cantos da cidade”, o Conte Sua História de São Paulo inicia a décima-oitava temporada, nessa segunda-feira, dia 10 de janeiro, com duas edições diárias: às 7h15 no Jornal da CBN e às 15h45 no Estúdio CBN. 

O Conte Sua História foi ao ar pela primeira vez, em 2004, quando a cidade comemorava os 450 anos. Na estreia, os textos enviados pelos ouvintes eram interpretados ao vivo e sonorizados em tempo real pelo Paschoal Júnior. Fizemos “rádio raiz”, dos tempos em que o sonoplasta buscava no seu entorno os recursos para dar vida sonora às histórias. Ao longo do primeiro ano, as edições eram diárias, de segunda à sexta, no CBN SP, programa que estava sob meu comando. 

Ainda na primeira temporada passei a gravar os textos selecionados e a sonorização ficou a cargo de Cláudio Antonio, maestro e meu parceiro no quadro até os dias de hoje. No ano seguinte, o Conte Sua História manteve a frequência diária nas semanas que antecediam o aniversário da cidade, em 25 de Janeiro, e eram apresentados aos sábados, no restante do ano. Modelo que se mantém até hoje.

Em 2006, publicamos o livro Conte Sua História de São Paulo, pela editora Globo. Reunimos cerca de 100 das histórias mais interessantes contadas por nossos ouvintes. Ainda é possível encontrá-lo nas livrarias virtuais.

Nestes 18 anos de programa, vivenciamos momentos incríveis com os nossos ouvintes. Gente que se reencontrou, que se emocionou, que relembrou, que reviveu ao escrever ou ouvir as histórias na CBN.

Dia desses mesmo, uma ouvinte nos contou que ao dizer que sua história seria publicada, a filha, que havia sofrido um acidente cerebral que restringiu sua fala, reagiu como um “muito legal”. Chorei? Claro que sim. Claudinho disfarçou bem, mas tenho certeza que aquele olho aguado tinha muita emoção expressa. 

Cada retorno que recebemos é comemorado. É uma consagração. É a certeza de que a edição apurada no texto, o cuidado na interpretação e a pesquisa sonora que buscamos fazer no Conte tocam o coração do ouvinte. Nada pode ser mais importante.

Você é convidado a enviar sua história de São Paulo, escrevendo e enviando seu texto a contesuahistoria@cbn.com.br. Ainda a tempo para participar da série dos 468 anos. Os textos que não forem selecionados nestas duas semanas, até o 25 de janeiro, serão publicados nas edições de sábado durante o ano de 2022. Tanto texto como áudio ficam disponíveis aqui no blog. E no podcast do Conte Sua História de São Paulo.