Mundo Corporativo: Christian Gebara, da Vivo, fala do futuro da inclusão digital no Brasil

Christian Gebara, da Vivo, nos bastidores do Mundo Corporativo. Foto: Priscila Gubiotti

“Mesmo as relações digitais podem ser cada dia mais humanizadas. Não é porque elas são digitais que precisam ser apenas transacionais.”

Christian Gebara, Vivo

Imagine um país continental, repleto de desafios de infraestrutura, que encontra na tecnologia um meio para transformar a realidade de milhões de pessoas. Para Christian Gebara, CEO da Vivo, a digitalização não é apenas uma tendência, mas uma ferramenta crucial para a inclusão social. Com a promessa de conectar quase a totalidade da população brasileira, a digitalização surge como um motor capaz de impulsionar educação, saúde e inclusão financeira. A importância dessa transformação digital e suas implicações para a sociedade foram o foco da conversa de Gebara no programa Mundo Corporativo

“Na minha opinião, é vital que um país como o nosso, que ainda enfrenta carências importantes de infraestrutura, possa aproveitar o investimento em digitalização para promover a inclusão social,” afirmou o CEO da Vivo.

A Vivo, como principal operadora de telecomunicações do país, se posiciona na linha de frente dessa transformação, com iniciativas que vão além da conectividade, incluindo educação, saúde e segurança digital. “A inclusão digital depende basicamente de três grandes coisas: cobertura, acessibilidade e letramento digital,” explicou Gebara, destacando o papel fundamental de políticas públicas que facilitem o acesso a dispositivos e reduzam a carga tributária sobre serviços de telecomunicações.

A Importância da Cobertura

No primeiro pilar, a cobertura, Gebara destaca a necessidade de uma infraestrutura robusta que chegue a todas as regiões do Brasil, não apenas nos grandes centros urbanos, mas também nas áreas mais remotas. “Hoje, estamos conectando quase 100% da população com 4G e já alcançamos cerca de 50% com 5G,” afirma. Esse avanço é resultado de investimentos significativos em redes de fibra ótica e na expansão de tecnologias móveis de última geração. Segundo Gebara, a digitalização oferece uma oportunidade sem precedentes para transformar a sociedade brasileira, desde que seja possível levar conectividade de qualidade a todos os cantos do país.

Acessibilidade e Letramento Digital

O segundo pilar, acessibilidade, refere-se à necessidade de tornar os dispositivos e serviços digitais economicamente viáveis para a população. “Grande parte da população não tem condições de comprar um aparelho 5G ou pagar por serviços de internet de alta qualidade,” explica Gebara. Ele defende a adoção de políticas públicas que reduzam a carga tributária sobre dispositivos e serviços digitais, facilitando o acesso para famílias de baixa renda.

O terceiro pilar, letramento digital, envolve capacitar a população para usar a tecnologia de forma produtiva e segura. Gebara enfatiza que o Brasil, embora seja um país com alta adesão às redes sociais e ao uso de smartphones, ainda carece de programas educativos que ensinem habilidades digitais. Ele cita, por exemplo, que apenas uma pequena parcela das escolas brasileiras possui computadores para seus alunos, em comparação com 98% das escolas americanas. “A inclusão digital não se resume a conectar pessoas. É preciso educá-las para que possam tirar o máximo proveito das ferramentas digitais em suas vidas diárias, seja para aprender, trabalhar ou acessar serviços de saúde,” argumenta.

Conectividade Humanizada

Uma preocupação constante para Gebara é garantir que a digitalização não afaste as pessoas umas das outras, mas que promova interações mais humanas. Ele defende a importância de combinar a tecnologia com um toque pessoal. “Nosso objetivo é que, mesmo com o uso de inteligência artificial, as interações com nossos clientes sejam humanizadas,” comenta. A Vivo investe em personalização de serviços e utiliza a inteligência artificial para oferecer um atendimento mais eficiente e adaptado às necessidades individuais dos clientes, seja através de aplicativos, WhatsApp ou atendimento em lojas físicas.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o “Mundo Corporativo”: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Letícia Valente e Priscila Gubiotti.

Inclusão e Desafios: como a inteligência artificial pode mudar a realidade da população com deficiência no Brasil

Por Mia Codegeist 

Foto de cottonbro studio

No Brasil, a inclusão e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência são temas de extrema importância. De acordo com estimativas recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem uma população de 18,6 milhões de indivíduos com deficiência, representando 8,9% da população com dois anos de idade ou mais. Diante dessa realidade, é crucial buscar soluções que promovam a inclusão e melhorem a qualidade de vida dessas pessoas. A Inteligência Artificial traz recursos que podem ser explorados pelos governos, instituições e pessoas que trabalham por respostas que atendam as necessidades das pessoas com deficiência. Antes de falarmos desse tema, vamos ao cenário que o IBGE acaba de revelar com base na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022.

Desigualdades na Educação:

Uma das áreas em que as desigualdades são mais evidentes é a educação. Infelizmente, crianças e jovens com deficiência enfrentam maiores obstáculos para acessar a educação formal em comparação com aqueles sem deficiência. Dados do IBGE revelam que apenas 89,3% das crianças com deficiência entre 6 e 14 anos frequentam o ensino fundamental, enquanto essa taxa é de 93,9% para crianças sem deficiência. A disparidade se mantém no ensino médio e superior, demonstrando a necessidade de políticas inclusivas e recursos adequados para garantir o direito à educação de qualidade para todos.

Desafios no Mercado de Trabalho:

Outro aspecto preocupante é o acesso ao mercado de trabalho. A taxa de ocupação para pessoas com deficiência é de apenas 26,6%, em contraste com a média de 60,7% da população total. Essa discrepância reflete barreiras que ainda persistem, como preconceitos, falta de acessibilidade física e falta de oportunidades adequadas. É essencial que as empresas e órgãos governamentais se comprometam em criar ambientes inclusivos, promovendo a diversidade e garantindo oportunidades iguais para todos os profissionais, independentemente de suas habilidades ou limitações.

Desigualdades na Renda

As desigualdades também são evidentes quando analisamos a renda das pessoas com deficiência. O rendimento médio do trabalho para essa população é de R$ 1.860, enquanto para aqueles sem deficiência é de R$ 2.690. Além disso, existem diferenças regionais significativas. O Nordeste apresenta o menor rendimento médio, com uma diferença de R$ 508 entre pessoas com e sem deficiência. É fundamental que sejam implementadas políticas públicas que visem à redução dessas disparidades e à garantia de um salário digno para todos os trabalhadores.

O poder transformador da IA

A inteligência artificial tem um potencial transformador na promoção da inclusão e melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência no Brasil. Por meio de tecnologias de acessibilidade, aprendizado personalizado, acessibilidade digital aprimorada, robótica assistiva e diagnóstico precoce, a IA pode ajudar a superar as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência, proporcionando maior autonomia, independência e igualdade de oportunidades. A seguir, falamos sobre cada uma dessas cinco abordagens em que a inteligência artificial pode ser explorada em benefício das pessoas com deficiência.

1. Tecnologias de acessibilidade impulsionadas pela IA:

A IA tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade inovadoras. Por meio de avanços em reconhecimento de voz, tradução automática e próteses inteligentes, a IA pode auxiliar pessoas com deficiência de fala, audição ou mobilidade, proporcionando maior autonomia e inclusão social.

2. Aprendizado personalizado para a inclusão educacional:

A IA pode desempenhar um papel fundamental na promoção da inclusão educacional. Sistemas de aprendizado personalizado baseados em IA podem adaptar o conteúdo e as estratégias de ensino de acordo com as necessidades individuais dos alunos com deficiência, facilitando seu acesso à educação e promovendo um aprendizado mais eficaz e envolvente.

3. Acessibilidade digital aprimorada:

A IA pode ser usada para melhorar a acessibilidade de plataformas digitais, tornando-as mais inclusivas para pessoas com deficiência visual, auditiva ou cognitiva. Algoritmos de IA podem analisar e adaptar automaticamente o conteúdo, fornecendo descrições de imagens, legendas em vídeos e recursos de navegação simplificados, garantindo que todos tenham igual acesso à informação e aos serviços online.

4. Automação e robótica assistiva:

A IA tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de robôs e sistemas autônomos para auxiliar pessoas com deficiência em suas atividades diárias. Desde a locomoção e a realização de tarefas domésticas até o suporte emocional, essas tecnologias podem ampliar a independência e a autonomia, proporcionando uma maior qualidade de vida.

5. Prevenção e diagnóstico precoce:

Algoritmos de IA podem ser utilizados para analisar grandes volumes de dados médicos, permitindo a identificação de padrões e indicadores precoces de deficiências. Dessa forma, é possível realizar diagnósticos precoces e intervenções mais eficazes, melhorando os resultados de saúde e garantindo acesso adequado aos cuidados desde o início.

Dito isso, não esqueça: ao pensar em formas de explorar a inteligência artificial em favor das pessoas com deficiência é fundamental garantir uma implementação ética e inclusiva da IA, envolvendo essas pessoas em todas as fases do processo, para que suas necessidades e perspectivas sejam devidamente consideradas. Criar soluções inclusivas sem a abordagem das pessoas com deficiência não é inclusivo!

Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade.

Mundo Corporativo: pessoas com deficiência têm de estar incluídas na agenda ESG, diz o advogado Stefano Maximo

Photo by Marcus Aurelius on Pexels.com

“Não dá para negar que ainda falta muito para a inclusão acontecer, mas com o diálogo, o que eu pude perceber, é que as empresas estão incluído o tema da pessoa com deficiência nas pautas no ESG e isso me dá um pouco de otimismo”

Stefano Maximo, advogado

A invisibilidade das pessoas com deficiência é uma realidade mesmo em empresas comprometidas com a agenda da governança ambiental, social e corporativa. Diante dos tantos desafios que precisam ser enfrentados, esse segmento — cerca de 46 milhões de brasileiros, conforme o Censo de 2010 — muitas vezes é esquecido na formação dos comitês de afinidade e nas políticas internas de inclusão. Talvez você mesmo, caro e raro leitor deste blog, ao olhar para os lados — no escritório, na escola, nos ambientes que frequenta — vá perceber a ausência dessas pessoas. 

Foi esse incomodo que levou o advogado Stefano Maximo a pesquisar a realidade vivenciada pelas pessoas com deficiência no mercado de trabalho. O conhecimento desenvolvido na área se transformou em dissertação do mestrado realizado na Universidade Federal de Itajubá e o fez perceber que o interesse pelo assunto ganhou nova dimensão, seja pela imposição das leis criadas ao longo das últimas décadas seja pela demanda das próprias pessoas com deficiência que passaram a elevar suas vozes em busca do respeito a que têm direito.

“Isso tem refletido muito na postura das empresas, não só normativamente, não só na questão regulamentar, nas regras as quais as empresas têm que se adequar, mas na cultura mesmo das empresas de entenderem, de buscarem saber qual a demanda dessas pessoas de compra, qual a demanda de atendimento e o que elas querem quando buscam ser parte do mercado de consumo”

Um fato inusitado tanto quanto cruel acabou dando um destaque inesperado ao trabalho de mestrado desenvolvido por Stefano Maximo. Uma imagem dele, durante a apresentação da dissertação, foi alterada e  usada para a disseminação de mentiras — essa coisa aí que você prefere chamar de fake news — com o objetivo de desvalorizar a universidade pública e o trabalho científico. Em lugar do nome oficial da dissertação “A pessoa com deficiência e o mercado de trabalho – Um estudo na microrregião de Itajubá”, os falsificadores escreveram “O uso indiscriminado de figurinhas no WhatsApp e seu impacto social”. A manipulação foi identificada por empresas de checagem de fatos que publicaram o tema correto da dissertação.

No Mundo Corporativo, Stefano Maximo, advogado no escritório Meira Breseghello Advogados e mestre em Desenvolvimento, Tecnologia e Sociedade pela UNIFEL, trouxe uma visão realista da situação enfrentada pelas pessoas com deficiência; mostrou-se otimista em relação a inclusão do assunto na agenda ESG; e sabe que apesar da legislação consistente que o Brasil tem, muitas empresas ainda são reticentes na contratação e na adaptação de seus espaços para uma inclusão plena. Mas enxerga as mudanças que começam a se realizar:

“A partir do momento que a a empresa tiver essa dimensão já ali dentro da cultura dela, ter essa noção integral da deficiência, as coisas vão com certeza melhorar e muito. E eu acho que isso já tá acontecendo”.

O certo é que nenhuma empresa que se preza a dar publicidade às suas práticas ESG pode abrir mão das estratégias de inclusão das pessoas com deficiência. Uma inserção que precisa se realizar na contratação de colaboradores com deficiência, na geração de ambientes inclusivos e, também, no mercado de consumo:

“É preciso entender o que está afastando as pessoas com deficiência do mercado de consumo. Quais são as barreiras que precisam ser ultrapassadas. E as empresas têm buscado fazer isso como uma maneia de mudar a política de atendimento, a política de criação de produtos para poder fornecer mais meios da pessoa com deficiência acessar os produtos”.

Da nossa conversa ficou muito claro que se desperdiça um tremendo potencial a medida que se demora para criar processos de inclusão no mercado de trabalho e de consumo. A começar porque existem talentos que deixam de se expressar toda vez que uma deficiência é vista como barreira para a execução de determinadas funções. O olhar diverso da pessoa com deficiência fará falta na criação de soluções e resposta à sociedade. Assim como a empresa abre mão de uma camada importante dos consumidores ao não integrar no desenvolvimento de seus produtos e serviços o conceito de desenho universal, que assegura que todos possam usar com segurança e autonomia os diversos espaços construídos e objetos.

“A empresa tem que estar preocupada com a inclusão, pronto! Mas a gente tem que entender também do viés mercadológico; que isso é um um caminho para a empresa crescer, se solidificar, para ter uma imagem reputacional cada vez melhor e sem dúvida atender um mercado muito maior”.

Para pequenos e médios empreendedores que não têm os recursos ou estruturas das grandes empresas para implantar estratégias de inclusão, talvez uma ótima saída seja a observação. Assim como no início deste texto, chamei atenção para o fato de ao olharmos para os lados não enxergarmos pessoas com deficiência nos ambientes que frequentamos, é preciso ajustar nosso foco e  buscar essas pessoas. Sempre que deparar com uma delas em especial no contato com o seu negócio, faça questão de conversar e ouvir suas demandas. Uma grande oportunidade pode estar surgindo naquele instante:

“Você tem uma pessoa com deficiência comprando com você: já busca saber com ela o que que está achando do atendimento, o que precisa melhorar, o que não precisa, porque, às vezes, é uma medida simples, de baixo custo, que vai resolver um problema enorme, vai tirar uma barreira enorme da vida dessa pessoa, e vai trazer benefícios para empresa”.

Assista à entrevista completa com Stefano Máximo no Mundo Corportivo ESG:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Foto-ouvinte: piso tátil vira armadilha para cegos

 

Piso sem rumo

 

Na avenida Faria Lima esquina com a avenida Rebouças, a prefeitura – ou seja lá quem for o responsável -, preparou, sem querer, uma armadilha para os cegos que passeiam nesta área nobre da capital paulista. Um piso tátil foi colocado com o objetivo de ajudar a passagem dos deficientes visuais, mas a faixa leva as pessoas para um canteiro, conforme mostra a imagem feita por um ouvinte-internauta do Jornal da CBN.

 


Ouvinte esclarece e a gente agradece:

 

Paula Fagundo @paulafagundo: A ideia é levar o piso tátil até a borda do canteiro, pois esta borda serve como linha guia identificável, o que não está errado

Calçada, pra que te quero?

 

“No ritmo do teu post de terça-feira (E segue o desrespeito ao espaço público), aqui vai o registro do meu passeio na semana passada. Uma única quadra, na Rua Dr. Fonseca Brasil, na Vila Andrade. Deus salva a Rainha e nos salve dos reizinhos!” – mensagem de Maria Lucia Solla, comentarista do Blog e autora das imagens a seguir:

Se você encontrar mais problemas no seu caminho, mande o recado aqui para o Blog do Mílton Jung pelo e-mail milton@cbn.com.br

Foto-ouvinte 1: Calçada de Itapecerica

 

Por Devanir Amâncio

Barreira na calçada
 

Na terra  dos factóides  tudo tem que ser bem arquitetado  […].
 
Na  Estrada de Itapecerica ,em frente  ao número 4.900 – no meio do morro do “S”  – existe um buraco virando cratera.  O buraco transformou-se em um grande obstáculo nesta via  de trânsito intenso na Zona Sul. Comerciantes  e  agentes de saúde reclamam que , por diversas vezes ligaram para a Subprefeitura Campo Limpo e nenhuma  providência ainda foi   tomada para resolver o problema.
 
Mas, em matéria de avenidas esburacadas,calçadas danificadas e outros obstáculos , Beto Tatu pensa como o doutor Samuel Fergunsson, glorioso filho da Inglaterra,personagem do livro “Viagem ao Centro da África”, a primeira obra de Júlio Verne (1862).
 
“Os obstáculos foram criados para serem vencidos… Durante a vida , cada passo é perigoso”.

Resposta enviada pela Subprefeitura do Campo Limpo, em 5 de setembro:

Em relação à reclamação de leitor, publicada no blog, 01/09/11 com o título: Calçada de Itapecerica . Informamos que está na programação do dia 08/09/11, a execução dos serviços de 20 metros de reconstrução de guias, sarjetas além da concordância do pavimento. Logo terminem essa etapa, os proprietários dos imóveis, serão notificados a executarem os passeios.

Atenciosamente

Assessoria de Imprensa

Subprefeitura Campo Limpo

Cadeirante quer respeito, cadeira e casa.

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Cadeirante

Eliete sempre  está se encontrando no centro de São Paulo com seu amigo Carlos Alberto Melo, 47, também cadeirante. Ele mora no Jardim Maracanã, região da Freguesia do Ó / Brasilândia, Zona Norte. Militante das boas  causas, Eliete,cadeirante há 13 anos, carrega o primeiro nome na  placa de sua cadeira motorizada, transmitindo ar de felicidade e superação por onde passa.
 

“Eu me chamo Eliete Pereira dos Santos Amém, moradora do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo, tenho 55 anos, nasci no dia 11 de novembro de 1955, em Palmas de Monte Alto, sertão da Bahia. Há 38 anos estou em em São Paulo […]. Sou ex-instrumentadora cirúrgica, há 13 anos sou cadeirante e vivo o drama da acessibilidade em São Paulo. Fui vítima  de cisticercose, doença transmitida pela carne de porco.

O deficiente físico não pode se fazer de coitadinho, tem direitos e deveres como qualquer outro cidadão. E deve lutar pelos seus direitos, participar.

Um dos principais problemas enfrentados pelos cadeirantes na cidade, é a falta de moradia.

Um exemplo: no antigo Hotel São Paulo, reformado, na Praça da Bandeira, conforme a Lei  foram destinadas 10 vagas para  portadores de deficiência, mas só tem um deficiente morando no grande prédio de 152 apartamentos, a Silvânia, cadeirante  que trabalha no Santander. Ela pena para entrar e sair do prédio (rua São Francisco 113 – atrás da Prefeitura), o acesso é péssimo. O deficiente precisa de oportunidade de emprego e moradia […].
 
Onde está na prática a  cota de moradia para os deficientes físicos nos programas habitacionais dos governos? Moradias com condições de acesso, rampas…
 
Nem todo deficiente tem condição de comprar um carro adaptado, então porque não pensar em incentivos para que compre uma cadeira motorizada. Se não puder comprar um scooter, que compre uma cadeira de roda digna. O que a gente vê de cadeiras de rodas caindo aos pedaços… É uma vergonha !
 
A minha é importada, custa uns 12 mil, consegui através de uma campanha solidária feita pelos meus amigos. A cadeira motorizada nacional encontra até por seis mil. O problema é que os scooters são visados … Dia desses por pouco não perdi o meu, estavam em dois, dois menores. O mais novinho disse: ‘ Pelo amor de Deus !.., não vamos fazer isso com a tia não ‘.
 
Eu sou uma mulher feliz ! Tenho um filhinho, o  Jack,  da raça pinscher.”

Carlos, digitador aposentado, com um ano  de idade, foi vítima de paralisia infantil, e não teve a mesma sorte da amiga Eliete. No Metrô Arthur Alvim, na Zona Leste, um ladrão se aproximou com cara de bonzinho, o pegou no colo, e sem violência física, deixou-o no chão com palavras de quem passava por necessidade: “Não leve a mal não, mas tem gente  que precisa mais que você.” Carlos , desde então passou  a defender seguro para cadeira de roda.


NB: Conforme informação repassada pelo Devanir, Eliete e Carlos  participariam  de uma manifestação em prol de moradia para cadeirantes, em frente à sede da Caixa Econômica Federal, no Centro, nessa segunda-feira. O ato tem o comandado do padre Ticão, da Comunidade São Francisco, de Ermelino Matarazzo, Zona Leste. Infelizmente, só peguei a mensagem dele na tarde de segunda após o evento, mas avalie que seria interessante, assim mesmo, reproduzir aqui no Blog a história dos dois cadeirantes.

Contaminação e zoneamento no caminho do Piritubão

 

CBN SPO Ministério Público Estadual abriu inquérito civil, sexta-feira, para investigar as informações de que o terreno no bairro de Pirituba, onde se planeja construir o estádio de São Paulo para a Copa de 2014, está contaminado e em área estritamente residencial. O promotor de Justiça Raul de Godoy pediu que a Cetesb que apresenta laudo sobre as condições ambientais encontradas no local seja entregue em 30 dias e prevê que o inquérito seja concluído em seis meses.

Ouça a entrevista com o promotor Raul de Godoy.

Acompanhe outras informações da pauta do #CBNSP:

Condomínio Legal – A Justiça do Trabalho em São Paulo permitiu que uma empresa de telecomunicação não cumprisse a lei que exige contratação de pessoas com deficiência. A alegação é que falta mão e obra qualificada. Empresas com mais de 100 funcionários precisam oferecer ao menos 5% de suas vagas a deficientes. O comentarista Cid Torquato disse que o caso revela a necessidade de se melhorar o acesso a educação e sugere lei que incentive contratações de pessoas com deficiência por empresas de pequeno e médio porte. Acompanhe o comentário.

Esquina do Esporte – A derrota do São Paulo para o Vitória, na Bahia, preocupa muito mais pela atitude da equipe em campo do que pelo resultado em si. O Corinthians, por sua vez, tende a se manter líder do Campeonato Brasileiro a medida que tem apresentado um futebol produtivo. Ouça outras opiniões de Paulo Massini e Mário Marra, comentaristas da CBN, que participaram do quadro de esportes do CBN SP, para comentar os resultados da 9a. rodada do Brasileiro.

Época SP na CBN – O uruguaio Jorge Drexler é um dos destaques musicais da semana. Ele se apresentará, sexta-feira, no Via Funchal, e alguns setores estão com ingressos esgotados. Ouça as outras dicas do Rodrigo Pereira, no CBN SP

Foto-ouvinte: Reabilitar, incluir e acessar

 

“Não tenho palavras para descrever o que é que a gente sente quando vê de perto a realidade e as dificuldades que os estimados 20 milhões de deficientes têm no seu cotidiano”, escreveu o colaborador do Blog, Luis Fernando Gallo, após estar na Reatech, feira internacional que trata de tecnologias de reabilitação, inclusão e acessibilidade de pessoas com deficiência.

Sem palavras, descreve suas sensações em uma série de imagens feitas durante a visita no Centro de Exposições Imigrantes.