Conte Sua História de São Paulo 467: depois de sofrer com a Covid-19, a alegria com as “Amigas da Consolação”

Rita Amaral

Ouvinte da CBN

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Meninas da Aclimação é como nos identificamos até hoje. Atualmente somos seis amigas. Há muito tempo, fomos meninas. Hoje, somos as Senhoras da Aclimação. Perdemos uma das meninas no ano passado.  Sou da Aclimação desde os anos de 1950 quando mudei com a família para a Rua Baturité.  O jardim que leva o nome do bairro já foi chamada de Jardin d Aclimatacion, um belo espaço de Paris que inspirou o dono dessas terras, Carlos Botelho, a criar um zoológico e um local para aclimatação de espécies exóticas. Fica no centro de São Paulo. 

O Jardim estava a uma quadra de distância da nossa rua. Era seguro ir até lá com as meninas. No parque, minha mãe me levava para tomar sol e encontrar outras crianças. Na calçada da rua, brincávamos de amarelinha; pulávamos corda e nossas bonecas nos divertiam. Às seis horas, com o fim da tarde, a mãe de uma de nossas amigas nos chamava para entrar e ouvir no rádio “A benção do Padre Donizete.” Ao lado do rádio, nos esperava um copo de água benzida.

Na adolescência, nos encontrávamos nos bailes de garagem. O som de Ray Conniff, Nat King Cole e Elvis Presley na vitrola foi testemunha dos primeiro namoros — que eram motivos de trocas de informações constantes entre as meninas. Delas fui a última a me casar. 

As meninas da Aclimação tiveram filhos e isso mudou o tema das nossas conversas. Não havia mais bailinhos para os encontros, então nos reuníamos nas festas infantis. Algumas fizeram suas primeiras viagens para o exterior. 

Nossos filhos casaram. Somente duas de nós continuamos morando na Aclimação. Mesmo assim nos encontrávamos em algum restaurante da cidade, sempre próximo do fim do ano. Havia trocas de presentes, de histórias e memórias.

Em 2020, fiquei quatro meses internada em estado muito grave devido a Covid-19. Ao me recuperar, procurei as meninas para encontros virtuais no Zoom, no Google Meet, em alguma dessas plataformas. Ninguém tinha e-mail. Ainda bem que descobrimos as chamadas de vídeo no WhatsApp. E desde lá, há cinco meses, toda terça-feira, às cinco da tarde —- antes da Benção do Padre Donizete —- nos reunimos. Até mesmo uma das meninas que hoje mora no Chile, mas adaptou sua agenda para estar com a gente.

Conversamos sobre nossas famílias, netos, receitas. e cuidados Compartilhamos nossas aflições e nossas conquistas. Em 2020, duas de nós ficaram viúvas. A despeito da pandemia, estamos mais próximas. Nosso encontro de fim de ano agora é toda semana graças as chamadas de vídeo. 

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Rita Amaral é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, viste o meu blog miltonjung.com.br ou assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.

Conte Sua História de SP: Cunha Lima e a cultura

 

No Conte Sua História de São Paulo, o poeta, jornalista e escritor Jorge da Cunha Lima fala de sua íntima relação com a cidade. A família sempre lidou com fazendas de café no interior. Mais tarde, o avô trouxe todos para morarem em São Paulo, na Aclimação, bairro que na época concentrava funcionários públicos graduados e alguns milionários. Lá, o garoto teve o gosto pela arte e pela cultura despertado ao acompanhar a avó ao piano.

Neste depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Cunha Lima, ex-secretário de Cultura do Estado de São Paulo, lembra como foi a educação no colégio São Bento e curiosidades do Largo São Francisco.

Ouça o depoimento de Jorge da Cunha Lima, sonorizado pelo Cláudio Antonio, que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

Conte você, também, mais um capítulo da nossa cidade. Envie um texto ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no site do Museu da Pessoa. O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP.

CBN SP no Parque da Aclimação

 

Foi jardim, teve zoológico, esteve ocupado, mas, atualmente, é reconhecido com um dos bons parques da cidade de São Paulo. Refiro-me ao Aclimação, na região central, que está sob o controle da prefeitura desde 1939, e apenas não foi “tomado” de maneira ilegal porque um grupo de cidadãos se mobilizou para que o local fosse tombado pelo patrimônio histórico.

O Parque da Aclimação receberá a visita da Cátia Toffoletto, nesta terça-feira, se não chover, na série de reportagens, ao vivo, que vem sendo realizada há três semanas. O local foi sugerido por ouvintes-internautas convidados a apontar parques e praças da cidade de São Paulo que podem se transformar em opções de passeio durante as férias.

A Cátia Toffoletto em parceria com ouvintes-internautas também prepara um álbum de fotos dos parques que visitou e as reportagens estão reunidas em página especial no site da CBN. Mande seu material para milton@cbn.com.br ou converse sobre o tema pelo Twitter da Fabíola Cidral

Conte Sua História de SP: Nascido na Aclimação

 

No Conte Sua História de São Paulo, Roberto Frizzo que nasceu em 1945 e passou a infância no bairro da Aclimação, em São Paulo. Na época, segundo suas próprias palavras, o bairro “parecia uma cidade do interior, era um bairro onde todo o mundo se conhecia” e o lugar permanece em sua memória como o ambiente da formação de sua identidade e de seu hábitos.

Acompanhe o texto enviado ao Museu da Pessoa:

Ouça o texto de Roberto Frizzo, sonorizado pelo Cláudio Antonio

“Sou fruto da Aclimação, bairro que tinha uma concentração de casas da classe média ascendente. Principalmente imigrantes italianos que, a bordo do crescimento econômico, acabaram se transportando da Mooca para lá. Avenidas largas, um bairro moderno, casas grandes, bonitas. A Prefeitura punha todas as novidades na Aclimação, que fica a 15 minutos do Centro: o primeiro microônibus, trólebus, papa-fila. O sujeito ia trabalhar de ônibus, voltava para almoçar, seis da tarde estava todo mundo em casa. As pessoas se conheciam. Os velórios eram em casa. Nessa altura tinha o castelo do Kowarick, que foi dono do Lanifício Kowarick. Eu cheguei, moleque, no início dos anos 50, a testemunhar filmes do Mazzaropi sendo gravados lá. Num determinado momento uma incorporadora comprou a área do castelo e construiu um conjunto de oito prédios em ferradura com playground. Foi uma das primeiras experiências desse tipo de moradia, tida então como moderna. Acabamos nos mudando para lá. O Kowarick era uma ilha dentro da própria Aclimação e me deu um momento importante de sociabilidade. Pra alguém de fora namorar uma menina do Kowarick, tinha aquelas rivalidades, o sujeito era espancado, como numa cidade do interior. Outra característica é que vieram estrangeiros preparar a mão-de-obra para nossa indústria automobilística, que estava começando. Americanos, franceses, dinamarqueses. Quando viram aquele projeto de vida, quadras, piscina, coisas com as quais estavam acostumados, optaram por morar lá. Morou lá o Faria Lima, que foi prefeito de São Paulo, o Jânio ia jantar lá, moravam deputados, cônsules. Nessa altura eu estudava no Mackenzie. Uma criança de 11, 12 anos podia ter sua chave de casa, tomar ônibus para a escola sozinha, a cidade não era violenta como hoje. A migração ainda era muito contida, a cidade tinha um padrão, e a Aclimação tinha um padrão excelente dentro da cidade, sempre muito bem servida de infra-estrutura. Eu tinha telefone, vi na casa de um vizinho a primeira transmissão de televisão – a TV Tupi sendo inaugurada, em 1950, com frei Mojica cantando”.

Conte mais um capítulo da nossa cidade, envie seu texto ou agende uma entrevista no site do Museu da Pessoa.

Canto da Cátia: Quem vê cara …

Lago da Aclimação está cheio

… não tem ideia do lodo escondido sob a água da chuva que encheu o lago da Aclimação, região central da capital paulista. O local foi cenário de algo inusitado há um mês quando um problema mecânico esvaziou o lago que fica no meio do parque. A Cátia Toffoletto esteve por lá na manhã desta quinta-feira e constatou que apesar da bela imagem estar de volta, os problemas estão longe de serem resolvidos. A prefeitura alega que depende da licitação que contratará empresa para prestar serviço de manutenção para dar início a operação de retirada do lodo que está no fundo do lago.

Foto-ouvinte: A criança e o lago

O lago e os meninos

Nas imagens feitas por ouvintes-internautas do CBN São Paulo tem-se noção do prejuízo da cidade com o acidente que secou o lago da Aclimação, na zona cetral/sul de São Paulo. Na primeira foto, Roberto Haathner registrou em janeiro deste ano a visita do filho dele ao parque. Na segunda, Luci Júdice Yizima mostra os meninos na lama que restou do lago nesta terça-feira.

Veja mais imagens do lago da Aclimação clicando na imagem acima

Prefeitura nega falta de manutenção e diz que foi um acidente o lago da Aclimação secar

A ação de despoluição da Sabesp, dentro do projeto Córrego Limpo, foi um dos exemplos usados pela prefeitura de São Paulo para negar que a falta de manutenção tenha sido o motivo do problema que secou o lago da Aclimação, na zona central/sul da capital paulista. O secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge disse que foi um acidente o que aconteceu no parque.

Nesta manhã, a repórter Luciana Marinho, da CBN, conversou com Eduardo Jorge e com o diretor de parques da prefeitura, Valter Vendramini, que estavam no Parque da Aclimação.

Ouça aqui a entrevista com o Secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge

Ouça aqui a entrevista com o diretor de parques da prefeitura de São Paulo, Valter Vendramini

Ambientalista fala de impacto na região

Ar mais seco e aumento no número de mosquitos podem ser dois dos efeitos provocados na região do bairro da Aclimação devido ao incidente no lago, na segunda-feira. É a opinião do ambientalista Malcom Forest, presidente da ONG AMAR, em entrevista ao CBN SP.

Ouça a entrevista do ambientalista Malcom Forest

Ouvinte descreve fim do lago da Aclimação

Um lago secar, por si só,  é cena inusitada. Isto ocorrer durante um temporal que afundou ruas, casas e carros como mostraram as imagens reproduzidas nas emissoras de televisão desde segunda-feira é surpreendente. Para o ouvinte-internauta Roberto Haathner, uma metáfora:

Acabei de presenciar o quadro mais triste de minha vida. Sou morador da Aclimação há mais de 14 anos e frequento o maior símbolo do bairro, o Parque da Aclimação, desde então. Ontem, fui caminhar como de costume pela manhã e, hoje, ouvi no noticiário sobre a tragédia no parque. Fui ver in-loco o ocorrido e fiquei muitíssimo chocado: um lago enorme, cheio de vida e beleza arrasado feito uma guerra, esvaziado e coberto de lama e lixo. Um solitário cisne negro caminha desorientado e muita sofreguidão em busca de sobrevivência nas escassas poças d´água que sobraram e alguns policiais tentam em vão salvá-lo. É uma metáfora da vida urbana na capital Paulista, triste muito triste. Meu filho de quatro anos perguntou o que havia acontecido e tive muita dificuldade em explicar. Ele me questionou: – Papai, o bicho está morrendo? Pensei: Não, a cidade está morrendo e fomos embora para casa, rezando pelo resgate da vida e de nossa alegria.

Perde a cidade, perde os moradores, perde a humanidade. Será que os culpados serão punidos? Ou será culpa, mais uma vez, da chuva ?