Avalanche Tricolor: paciência, muita paciência

 

Grêmio 2 x 0 Náutico
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

 

O Grêmio teve muita paciência, disse Anderson Pico ao fim da partida. Sem dúvida, esta tem sido uma das marcas do Imortal nesta temporada. Tivemos paciência suficiente para trocar bola desde a defesa até o meio de campo. Tivemos paciência para esperar um espaço na retranca adversária para que a bola chegasse aos pés, quem sabe na cabeça, de nossos atacantes. Tivemos paciência para suportar jogadas sem muito sentido, sem destino na maioria das vezes. Jogadas que se perdiam pela linha de fundo, às vezes pelas laterais do campo. Tivemos paciência para ver o time jogando pelo meio congestionado de jogadores adversários, porque pelos lados ninguém aparecia. E se aparecesse, ninguém tinha a inspiração de cruzar a bola para deixá-la em condições de gol. Fomos pacientes para ver Kleber ser escorraçado por seus marcadores sempre que a bola seguia em sua direção. Tivemos muita paciência para que Marco Antônio dissesse por que deveria vestir a camisa gremista. E graças a esta paciência, o vimos marcar um improvável gol de fora da área quando entrar nela parecia impossível. E por causa dela, estamos tranquilamente ocupando a terceira posição no Campeonato Brasileiro. Apenas esperando um ou outro tropeço dos dois advesários que estão a nossa frente. Paciente.

 

N.B: Ver Lúcio, hoje meio campo do Náutico, deixar o gramado aplaudido pela torcida gremista, apenas reforça minha admiração por estes torcedores capazes de preservar a história de seu clube. Lúcio foi grande quando vestiu nossa camisa, e sempre será respeitado por este comportamento. Aplausos para ele, e para os torcedores do Grêmio.

Avalanche Tricolor: estava mais pra Divino

 

Corinthians 3 x 1 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

Você há de convir, caríssimo torcedor gremista, futebol aos sábados, 9 da noite, só se for do Divino, o melhor time da dramaturgia brasileira,  que reúne um grupo de jogadores mais envolvidos em paixões e dramas do que com a bola. Algumas vezes até os vemos trocando passes durante os treinos, em um estádio de subúrbio e sob o comando de um técnico que não apita nada. Sabemos que a bola entra no gol ou se espatifa na arquibancada de acordo com o interesse do autor João Emanuel Carneiro. É ele quem decide o destino de cada jogada na novela. Em um capítulo, Roni, o craque e filho do presidente, estufa a rede para mostrar que está de bem com a vida, mesmo que para esconder sua homossexualidade tenha sido obrigado a casar com Suelen, a maria chuteira do bairro. Em outro, Jorginho, filho adotivo do eterno ídolo Tufão, tropeça na bola como complemento de um capítulo no qual se enreda ainda mais em uma trama familiar difícil de explicar.  Iran, que sonha em morar na zona Sul, e Leandro, por quem Roni é apaixonado, também aparecem com algum destaque, mas não são capazes de mudar o jogo. Neste roteiro que está com a bola toda no Ibope, por mais surpresas que surjam a cada capítulo, me parece bem razoável que o único final feliz que podemos garantir é o da vitória do Divino e a conquista do título no último capítulo, de preferência com gol de Adauto, que voltaria a jogar depois de ter encerrado a carreira precocemente, após perder penâlti na decisão da Segunda Divisão, no Maracanã.

 

Perdoe-me, caro e raro leitor, se dedico o parágrafo inicial desta Avalanche para falar de novela. Mas como tenho sempre a impressão de que o destino tricolor faz parte de um roteiro de drama, sofrimento e glória, escrito pelo destino, quero crer que o resultado desta noite de sábado seja apenas um capítulo desta trama que culminará com a conquista do Campeonato Brasileiro, assim como acontecerá com o Divino, na novela Avenida Brasil.

Avalanche Tricolor: Torcida e time fazem uma baita diferença

 

Grêmio 2 x 1 Atlético (GO)
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Gremio x Atletico-GO

 

Você, caro e raro leitor deste blog, sabe bem que muito mais do que o placar final e a conquista alcançada, escrevo esta coluna, desde 2007, com base na emoção emanada da camisa que nossos jogadores suam em campo. E hoje me atrevo a escrever esta Avalanche antes mesmo de saber o resultado final da partida. Já estamos vencendo por 2 a 1, mas poderia ter começado este parágrafo antes mesmo de ver Elano brilhar com dois belos gols, um que partiu do seu talento na cobrança de falta – parecia ter colocado a bola com a mão no arco adversário – e outro no qual fechou com precisão uma belíssima jogada construída, não por um jogador, pelo coletivo tricolor.

 

Fui conquistado por este Grêmio desde o momento em que a câmera percorreu as arquibancadas e percebi que todos os espaços estavam devidamente ocupados. Acreditei neste time no instante em que o juiz apitou o início do jogo e havia uma tensão que ligava cada um de nossos jogadores, os levava a correr com uma gana que há muito não via nesta equipe. Estava evidente que algo novo surgia na relação entre torcida e time, aquele algo que fazia falta e me incomodava tanto, como já expressei em Avalanches e comentários anteriores. O Grêmio de hoje, sei lá qual será o resultado final, é um time com outra alma, apoiada pela paixão de seus torcedores, e isto pode fazer uma baita diferença para as nossas pretensões neste Campeonato Brasileiro. Porque é isto que nos torna Imortal !

Avalanche Tricolor: Éramos 20, éramos muitos

 

Palmeiras 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu (SP)

 

Foto que ilustra o site Grêmio.net

 

Forjado nas dificuldades que impomos a nós mesmos ou que nos foram impostas, construímos nossa história. O desafio desse sábado, suportar a pressão de um time desesperado, na casa do adversário e com um jogador a menos desde os 15 minutos do primeiro tempo, parece surgir no momento certo para provarmos que merecemos a conquista que o destino haverá de nos oferecer, nesta temporada. Imagine o que será para “os feitos da tua história”, estes cantados com amor pelo Rio Grande, como escrito em nosso hino, ser campeão brasileiro dentro do Olímpico Monumental, no momento em que nos despedimos deste templo. Para tanto, teremos que mostrar a cada jogo que somos capazes. E, ontem, foi o que fizemos ao sairmos vitoriosos com um empate.

 

Fiquei impressionado – e não sei porque ainda me impressiono – com a quantidade de jogadores gremistas dentro de campo, após a expulsão de Kleber. Os locutores paulistas que narravam a partida pareciam não acreditar no que traduziam como “raça e determinação’, quando bastava chamar aquele espírito que emanava de cada um de nossos jogadores de imortalidade. Um fenômeno tão impressionante que é capaz de transformar o mais contestado de nossos zagueiros, Naldo, em um gigante dentro da área, eliminando qualquer possibilidade de os atacantes adversários chutarem no gol, despachando bola para longe da área de cabeça, com o pé, com o dedão do pé ou com o que mais encontrar de recursos em seu limitado cardápio.

 

O que dizer, então, dos demais jogadores: eram dois Fernandos, dois Andersons, dois Souzas, dois Wesleys, muitos Zés, dezenas de Marcelo Grohe fechando o gol, tirando de soco, espalmando para fora, marcando firme, tocando bola, tentando jogar quando possível. Não éramos apenas dez em campo, éramos 20, éramos muitos somados aos que lotavam o pequeno espaço cedido a torcida gremista no Pacaembu e a todos aqueles que, diante da televisão, assistiam à mais um passo firme de um time predestinado a ser campeão, a ser Imortal.

Avalanche Tricolor: Comemore comigo

 

Grêmio 2 x 0 Vasco
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Gremio x Vasco

 

Assistir ao Grêmio nestas últimas rodadas tem sido um enorme prazer, mesmo que  esteja consciente do risco que corro em dormir tão tarde precisando acordar tão cedo. O jogo de ontem se encerrou lá perto da meia-noite e fechar os olhos após a partida não é algo imediato, a excitação pelo resultado e a percepção de que caminhamos em direção a liderança fazem o coração bater em ritmo forte. É preciso, como dizem no popular, baixar a bola antes de se entregar ao sono. O problema nisso tudo é que às quatro da manhã o despertador não perdoa e a responsabilidade de estar disposto a falar a partir das seis da matina no Jornal da CBN, e por quatro horas seguidas, é enorme. Seja como for, nossas vitórias compensam qualquer sacrifício, apesar de eu entender, em parte, a ausência do torcedor nas arquibancadas nesta altura do campeonato. A incompatibilidade de agenda tem me impedido, porém, de escrever esta Avalanche Tricolor imediatamente após o jogo, por isso apenas deixei o espaço reservado no Blog para você se expressar e comemorar comigo mais uma conquista. A estratégia me proporcionou uma outra oportunidade que foi a de publicar este texto após os comentários dos meus raros e caros leitores e, assim, ser pautado por eles.

 

Vamos aos comentários, então:

 

Começo pela bronca do Ramirez que não gostou de o Luxemburgo reclamar da falta de torcedores na arquibancada em jogo tão importante. Concordo que o preço do ingresso e o horário afugentam as pessoas, mas, convenhamos, nossa torcida já encheu estádio em situações bastante complicadas e foi responsável por levar o time a vitórias memoráveis. Escrevi sobre o assunto em Avalanches anteriores. Tenho achado nossa torcida muito distante do time e impaciente. Não sei ao certo o que ocorre nesta relação, mas suponho que esteja ligado a figura do treinador, pouco carismático e distante de ser um ídolo como foi, por exemplo, Renato Gaúcho, apesar de estar obtendo bons resultados. Luxemburgo nunca teve minha simpatia, também. Mas sabe que até aquele terno com um casaco sobreposto tem me parecido mais elegante ao lado do gramado!? Tem outro aspecto a ser analisado, a maneira como o Grêmio atua se difere daquele ritmo que empolga a arquibancada, é um time que espera o tempo certo para o bote, não tem pressa, joga com parcimônia. Eu mesmo às vezes me sinto impaciente diante de tanta paciência.

 

O Gunar, por sua vez, lembra que o time entrou em campo sem Gilberto Silva e Elano. E isto faz uma baita diferença. Naldo na defesa e Marquinhos no meio de campo não são os substitutos dos sonhos. Além dos perigos que corremos lá atrás, sofremos com a falta de armação lá na frente. Mesmo assim percebo no comentário do Adilson que Marquinhos, desta vez, agradou e Naldo não atrapalhou. Escreveu quase o mesmo Seu Algoz, no Blog Imortal Tricolor (http://blogremio.blogspot.com.br/), que gosto de consultar toda semana. Têm razão, mas que Elano volte logo e Luxemburgo encontre no grupo alguém capaz de segurar a onda na ausência dele.

 

A verdade é que quando o time começa dar certo mesmo sem sua força máxima, desconsidera os prognósticos malditos e vê seus adversários tropeçando juntos, é sinal de que o destino está com ótimos planos para nós. Por isso, faço coro com Bruno Zanette: “O Grêmio está chegando”. E de olho no que vai acontecer sábado, fecho com o Milton Ferretti Jung (e não apenas porque é o meu pai): “que se dane o Felipão”.

 

Vamos comemorar

Avalanche Tricolor: vencemos o Gre-Nal, e que Gre-Nal !

 

Inter 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Remendazzo (Beira Rio)

 

 

Gre-Nal é Gre-Nal dizem lá no Rio Grande do Sul ou para demonstrar que as equipes buscam forças especiais capazes de equilibrá-las independentemente de suas qualidades ou como forma de tirar das costas qualquer erro de prognóstico. A verdade é que tem Gre-Nal e Gre-Nal, cada um com a sua importância, as suas circunstâncias e significados. O primeiro, por exemplo, tem valor por marcar o início de uma história (e porque vencemos por 10 a 0, lógico). O que dá um título estadual é mais importante do que aquele que apenas serve para classificar à fase seguinte. E o que vale uma competição nacional vai além desses todos. E o Gre-Nal de hoje valia muito mais, por isso nossa vitória tem sabor especial.

 

Vencer o Internacional, neste domingo, mostraria o amadurecimento de um time que foi sendo construído durante a competição e desde que assumiu seu lugar entre os quatro melhores nunca mais o abandonou. Mesmo assim ainda é olhado com desconfiança por muitos setores, inclusive da torcida. Mais do que isso, desta vez daríamos um passo a frente na tabela de classificação e começaríamos a caminhada rumo à liderança e, de gorjeta, ainda empurraríamos o tradicional adversário para atrás, bem mais atrás. Estávamos, também, atuando no #Remendazzo, estádio que eles fizeram questão de jogar apesar da evidente falta de infra-estrutura porque se diziam imbatíveis. Não foram necessários mais de mil gremistas, espremidos e molhados em uma arquibancada de estádio do interior, para provar o contrário.

 

O Gre-Nal foi decidido logo no início com Elano marcando o único gol da partida mesmo sofrendo dores devido a uma lesão muscular que o tirou de campo em seguida. Fez atuação típica de um Imortal e quando saiu deixou clara a falta que temos de alguém em condições de armar o jogo ao lado de Zé Roberto. Mas isto não é coisa para se discutir em um dia de festa. O restante da partida foi para consagrar nossos defensores, com Fernando se sobressaindo mais uma vez, Gilberto Silva acabando com qualquer tentativa do “ataque dos sonhos”, Werley na função de xerife e os dois alas despachando bola para frente sempre que necessário. E, claro, o goleiro Marcelo Grohe ensinando velhos jornalistas de quando está na hora de pararem de escrever bobagem.

 

E se minha tese de que em competição de pontos corridos toda partida é uma decisão, este Gre-Nal não é era apenas um Gre-Nal, era o Gre-Nal do título, por que não ?

 

Avalanche Tricolor: você torce para o Grêmio, realmente ?

 

Grêmio 1 x 2 Portuguesa
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Não me surpreende o resultado deste início de noite e falei da possibilidade de um revés contra a Portuguesa desde domingo em telefonemas que recebi de amigos gremistas ou não. Estas coisas acontecem na vida do Grêmio e sei da nossa capacidade de nos recuperarmos no próximo jogo ou talvez nas próximas rodadas. A falta de gols hoje e a incapacidade de furar o bloqueio imposto pelo adversário não me preocupam neste momento mais do que a reação de parcela da torcida. Nada me deixou mais indignado do que a imagem de pessoas que vestiam a camisa do Grêmio deixando o estádio Olímpico antes do apito final, como sinal de que haviam desistido de uma virada ou quem sabe um consolador empate. Seriam mesmo torcedores gremistas? Em toda minha vida de torcedor, na época em que morava em Porto Alegre e batia ponto jogo após jogo, em toda minha vida de sofredor diante dos resultados mais absurdos e constrangedores, jamais, jamais abandonei a luta antes da hora. Jamais aceitei a ideia de vaiar um só jogador com a partida em curso, por mais perna de pau que fosse, por menos que merecesse se apresentar com nossa camisa. E continuo não aceitando esta atitude, principalmente contra valores como Fernando, volante que nasceu e se formou gremista e por muito tempo foi dos poucos jogadores capazes de nos dar orgulho de torcer por nosso time. Sei que ele não está bem, os passes não têm saído com a mesma perfeição e a chegada no ataque não tem tido o mesmo resultado. Mas ele não merece nossa vaia. Assim como o time, não a merece, mesmo com algumas carências. Os jogadores tem demonstrado um enorme esforço, alguns jogando muito mais do que são capazes. Estamos no privilegiado grupo do G4 há algum tempo – e se nossa secada der certo continuaremos nele em mais esta rodada. Continuamos vislumbrando a liderança e isto pode acontecer já nas primeiras rodadas do próximo turmo. O time do Grêmio não merece uma torcida que abandona a luta. Temos obrigação – pois esta é a nossa história – de gritarmos, empurrarmos na garganta os adversários que se atrevem a nos enfrentar no Olímpico Monumental. A estes que deram as costas ao Grêmio hoje à noite, a estes que gastaram suas energias vaiando nosso time, pergunto: você é um gremista de verdade? você realmente acredita na nossa Imortalidade? Eu sou e eu acredito, sempre.

 

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Avalanche Tricolor: o juiz roubou meu post

 

Grêmio 3 x 1 Bahia
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

“Juiz ladrão, porrada é a solução; juiz ladrão, porrada é a solução”. A frase era repetida à exaustão por um coro desencontrado e de voz infantil e o som vinha do pátio da escola, onde meninos jogavam bola em uma quadra de terra sem muita estrutura nem goleiras com rede. Fiquei curioso para saber o que acontecia lá dentro e em vez de seguir meu passeio aproveitei o portão enferrujado semi-aberto para entrar. O alvo era um outro garoto que, com apito na boca, fazia trejeitos de árbitro impondo-se diante dos colegas, ditando regra, interrompendo o jogo a todo instante como se querendo mostrar que por mais talentosos que fossem os meninos em quadra nada seriam capazes de fazer diante da autoridade dele. Percebi, também, que os gritos tinham muito mais de humor do que de raiva, e a intenção era tirar uma da cara do amiguinho que, sabe se lá o motivo, em vez de jogar bola prefere controlar o jogo.

 

Quando assisto a uma partida como desta tarde no estádio Olímpico lembro-me da cena que vivi há alguns anos, em Porto Alegre, em escola estadual que existe até hoje perto da casa em que morava no bairro do Menino Deus. Esclareço desde já que não estou dizendo que o juiz Cláudio Francisco Lima e Silva, do Sergipe, seja ladrão e menos ainda defendendo a violenta solução proposta no versinho dos meninos. Mas sempre me pergunto o que leva alguém a decidir-se por esta profissão ingrata que se exercida com perfeição não será sequer percebida, talvez não mereça uma só menção na crônica do jogo. Que somente terá o privilégio de ver seu nome em destaque no primeiro parágrafo de uma reportagem esportiva se estiver metido em confusão.

 

Ao fim da partida de hoje vi em Seu Lima e Silva a mesma cara de menino safado e arteiro que havia naquele garoto da escola porto-alegrense. Em vez de medo pela forma agressiva com que os jogadores do Bahia reclamavam, ele parecia orgulhoso pelo dever cumprido, ou seja, ser mais importante em campo do que todos os jogadores. Com a colaboração de seus auxiliares, interferiu no andamento da partida, anulou gol legítimo, legitimou gol irregular, permitiu que a regra fosse descumprida por jogadores dos dois lados e ainda realizou a façanha de permitir que um jogador com dois cartões amarelos permanecesse em campo. (sim, no momento em que o Grêmio fez o gol da virada, Mancini do Bahia já teria que estar no vestiário)

 

Nem Zé Roberto que conduz e passa a bola com precisão rara no futebol brasileiro, nem Elano que arma e dribla com qualidade, nem o belo gol de Marcelo Moreno, nem o fato de o Grêmio permanecer por mais uma rodada no G4 serão mais falados do que as trapalhadas de Seu Lima e Silva. Seus erros impedem que os méritos sejam destacados assim como escondem as falhas de uma equipe que aceitou a reação do adversário mesmo jogando em casa. E o que mais me incomoda: me roubou a oportunidade de escrever um post sobre mais um momento de superação do Imortal Tricolor. E para isso não tem perdão: “juiz ladrão, porrada é a solução”.

Avalanche Tricolor: entre mortos e feridos seguimos no G4

 

Coritiba 2 x 1 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira (PR)

 

 

Minha prudência na última Avalanche Tricolor – escrita com providencial atraso – fazia sentido. Nem sempre podemos esperar o desempenho qualificado das partidas anteriores, menos ainda teremos o mesmo time em campo. Aquela equipe com cada um no seu devido lugar, dona da bola e do jogo foi se despedaçando no decorrer da partida. Se já havíamos entrado em campo capenga, voltamos para o segundo tempo esfarrapado. Estávamos sem um dos volantes titulares e sem nosso principal atacante, acabamos, também, sem dois dos jogadores que têm desequilibrado as partidas a nosso favor, Zé Roberto e Elano. O próprio banco estava desfalcado de Leandro, dos poucos em condições de entrar para mudar para melhor nossa performance. Os demais fazem número, podem preencher espaço mas quase não interferem no desempenho. Além disso, tinha um daqueles juízes que dão raiva de ver trabalhando, mas isto é um outro assunto.

 

Com todos os problemas, encerrada a partida, olhei a tabela de classificação, os jogos dos nossos adversários, os próximos compromissos e lembrei de uma expressão que minha mãe usava de forma divertida e consoladora muitas vezes: entre mortos e feridos, salvaram-se todos! No nosso caso, nos mantivemos no G4 e com tendência de alta.

Avalanche Tricolor: antes tarde do que nunca

 

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Este é um fato raro nesta coluna que se iniciou em 2007 juntamente com este Blog. Raro mas não necessariamente especial. A Avalanche sempre se apresenta em formato de post momentos após a partida do Grêmio quando descrevo parte do que senti assistindo ao meu time do coração, quase sempre pela televisão, dada minha distância geográfica. Dificilmente deixo para falar sobre o tema no dia seguinte, apenas quando as partidas se encerram muito tarde e minhas responsabilidade profissional e prudência pedem para que eu vá me deitar logo. Não lembro, porém, de alguma vez ter deixado esta Avalanche em “banho maria” por tantos dias como nesta semana. O curioso é que isto ocorreu em um momento importante para este novo time do Grêmio, a vitória sobre o até então invicto Fluminense. Ou seja, quando teria mais entusiasmo para despejar nestas linhas, me retraio, me atenho a outros compromissos como se, inconscientemente, tentasse conter o entusiasmo que toma conta da torcida gremista. Possivelmente o desafeto de meu tio mais famoso, Freud, explique este tipo de reação. Seja como for, estou aqui na Avalanche, hoje, para registrar que nossa satisfação se justifica pois o Grêmio tem amadurecido a cada jogo e dentre os méritos demonstrados destaco dois: bola e jogadores no lugar certo. Conseguimos ter a posse de bola em boa parte do jogo, e nossa escalação é coerente, sem invenção. Em um campeonato longo e difícil como o Brasileiro manter esta performance rodada após rodada é um desafio, pois nem sempre teremos todos os jogadores à disposição, haja vista o que ocorrerá na rodada desse sábado quando Kleber, Souza e Leandro estão fora. Mas o conceito de jogo não deve ser abandonado.