Avalanche Tricolor: ao infinito e além

 

Botafogo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Pode ter sido a camisa com o número 1 nas costas de Marcelo Grohe. Fiquei sabendo, nesta semana, que desde que ele passou a vesti-la, em lugar da 12 com a qual jogou as duas primeiras partidas como titular, o Grêmio não perdeu uma. Pode ter sido meu Ipad, que tem me permitido acessar a TV conectada em casa mesmo enquanto estou de férias na Itália. Foram três vitórias incontestáveis que assisti daqui da Maremma, região da costa de Toscana, que tornaram ainda mais agradáveis os dias de descanso. Alguém pode até imaginar que tudo está ligado a mística do adversário, aquele com o qual se alguma coisa pode dar errado, tenha certeza de que dará. Era a estreia da grande estrela internacional Seedorf diante de sua torcida e com a oportunidade de o time carioca entrar no sedutor G4. Por que daria certo?

 

Para os que preferem as superstições, tudo pode ter levado o Grêmio à vitória no encerramento da 11a. rodada do Campeonato Brasileiro. Melhor mesmo que tentem encontrar nas forças do além a resposta para a conquista de ontem contra um adversário direto na disputa pelo título, diante de um cenário tão desfavorável. Assim não perceberão que um novo time está sendo formado, com jogadores se posicionando melhor em campo e descobrindo seu papel no elenco. E talvez se surpreendam quando virem o Grêmio no topo da classificação. É lá que pretendemos chegar. Quando isto acontecer, não se engane, não será fruto do acaso, mas resultado do equilíbrio de alguns jogadores que estão conseguindo dar a equipe tranquilidade e qualidade.

 

Talvez você não tenha percebido, mas no parágrafo acima analiso o Grêmio fazendo uso do gerúndio, pois este indica uma ação em andamento e é isto que ocorre no tricolor gaúcho. O Grêmio não é um time pronto, e nosso desempenho logo após o gol da vitória se justifica nesta verdade. Sofremos uma pressão que poderia ter sido amenizada com a bola no chão, tocada de pé em pé, como fazíamos até então. Zé Roberto e Elano, no entanto, cansaram e ambos são referência e experiência no meio de campo. Por outro lado, ao conseguirmos conter o assédio do adversário, com bola tirada quase de dentro do gol, atacante derrubado no pescoção e nosso goleiro demonstrando uma incrível personalidade, ficou claro que, além de tudo, temos sorte. E é sempre bom contar com ela nos momentos decisivos, mesmo porque nossa meta é ambiciosa nesta temporada.

 

Lembrando o personagem de Toy Story, Buzz Lightyear: ao infinito e ir além.

Avalanche Tricolor: uma vitória de virada e com direito a passeio

 

Grêmio 3 x 1 Sport
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Era meia noite e meia em Ansedonia (ITA) quando a partida do Grêmio estava começando, em Porto Alegre, e a decisão de assistir ao jogo poderia comprometer a programação de férias na manhã seguinte. Com os dias que faltam sendo contados na ponta do lápis, deixar um passeio de lado com a família nem sempre é boa escolha, principalmente quando se acorda com céu azul e o sol iluminando a costa da Toscana – que é a promessa cumprida de todos os dias neste verão italiano. Estava, porém, curioso para conferir se o bom futebol da rodada anterior, quando vencemos em Belo Horizonte, se repetiria diante da torcida e contra um time que tendia a jogar fechado, muito fechado. Não resisti e antes mesmo de os times entrarem em campo, peguei meu Ipad, fui para um canto da casa onde a internet navega mais rápido e comecei a torcida.

 

Mais uma vez éramos o dono da bola, no sentido de estar com ela nos pés muito mais do que o adversário, o que tem se repetido jogo após jogo, mas faltava criatividade para furar um bloqueio tão intenso, o que, somado ao constante risco de tomarmos um gol de contra-ataque e de cabeça, seria suficiente para estragar meu programa e provar que tinha feito uma escolha errada. Ir para o intervalo da partida em desvantagem fez minha frustração aumentar e me questionar sobre o desempenho de domingo passado. Se imaginava que poderia dormir tranquilo sem ver o segundo tempo, ledo engano. Permanecer acordado e na torcida eram obrigações naquele instante. O Grêmio precisaria de toda força e inspiração, mesmo que de outro continente, para derrubar aquele paredão construído em seu caminho.

 

Valeu a pena. E me desculpe Leandro, menino tão tímido para jogar quanto para falar, que desabrochou ao entrar e marcar dois gols, considerado por muitos o personagem da partida. Me perdoe Marcelo Moreno que parece ter acordado após o desastre de dois jogos atrás e retomou seu papel no ataque marcando gols decisivos nas últimas partidas. Me senti muito mais recompensado mesmo foi pelo que vi Elano fazer no meio de campo gremista ao usar o drible para desmontar o adversário e a inteligência para dar oportunidade a seus companheiros. O primeiro gol surgiu de um desses momentos de criatividade do recém-contratado, apesar de que na estatística não lhe caberá sequer o mérito da assistência. No terceiro, teria todo o direito de concluir a gol, pois era quem mais havia tentado marcar, a maior parte das vezes de fora da área. Mas foi inteligente e solidário ao dar sequência a mais bonita troca de passes de toda a partida e oferecer a Leandro o prazer do gol. O talento foi reconhecido pela torcida que gritou seu nome, o que não fiz apenas porque acordaria meus companheiros de viagem, e eram quase duas e meia da madrugada.

 

Agora são nove da manhã por aqui, quatro horas no Brasil, estou de café tomado, diante do cenário que a quinta-feira me prometia, e sem um pingo de sono, apesar de a partida ter se encerrado tão tarde. Ou seja, tanto tive a satisfação de confirmar que temos um novo time como terei a alegria de agora pela manhã dar seguimento aos passeios destas férias.

Avalanche Tricolor: Com o Grêmio, onde eu estiver

 

Cruzeiro 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Belo Horizonte (MG)

 

 

O mar Tirreno desenhado pelas praias de La Feniglia mais a direita e o Monte Argentario ao fundo compuseram o cenário de onde assisti à partida desse domingo. Cinco horas a frente, quando o jogo se iniciava em Minas Gerais já deveria ser noite na Itália, mas em Ansedonia, cidade pequena ao sul da Toscana, o sol teima em permanecer no céu até pelo menos às nove horas e, em boa parte do primeiro tempo, o colorido provocado por seus raios no horizonte dividiu minhas atenções com o ótimo desempenho da equipe tricolor. A região onde estou ganhou espaço no noticiário internacional devido a barbeiragem do comandante Schettino que tombou o Costa Concórdia e matou 30 pessoas, local que virou atração turística que, confesso, não me interessei a visitar, pois são tantos os lugares históricos e bonitos nas redondezas que não me entusiasmaria com a desgraça alheia.

 

Para ter as imagens do Grêmio, em continente tão distante, me beneficie de um equipamento eletrônico que havia comprado na última viagem aos Estados Unidos. Com o SlingBox, uma pequena caixa preta que se conecta no modem da TV a cabo e na internet de casa, consigo acessar as imagens da minha televisão em qualquer ponto do planeta usando um celular, um tablet ou um computador. Com o aplicativo SlingPlayer devidamente instalado e uma conexão wi-fi à disposição, foi muito simples ver o jogo desse domingo. O equipamento não exige nenhum conhecimento muito apurado, é simples de ser ligado e acessado, basta ter as peças certas colocadas nos lugares certos – um pouco daquilo do que se viu na partida de domingo.

 

A escalação de Luxemburgo não teve invenção. Wesley e Gilberto Silva são os dois melhores zagueiros à disposição. Tony na ala direita se revelando cada vez mais competente e habilidoso para chegar na linha de fundo e Pará, na esquerda, como melhor opção que se tem até o momento. Os volantes Fernando e Souza são especiais, seja pela forma como marcam seus adversário seja pela tranquilidade com que saem jogando, coisa rara para gente da posição. Zé Roberto e Elano têm experiência, sendo que o primeiro é muito superior a maioria dos que estão jogando por aqui e o segundo, se estiver concentrado no futebol, pode fazer diferença. No ataque, Kleber e Marcelo Moreno. Não quero dizer que esta é a melhor escalação do Campeonato Brasileiro, mas, com certeza, é a melhor que o Grêmio tem para este campenato e, portanto, é com esta que devemos seguir em frente.

 

Nem mesmo a falta de um zagueiro na maior parte do jogo, provocada por mais um erro do árbitro, desequilibrou o Grêmio, que preferiu passar a bola e mantê-la em seu domínio a sorteá-la com chutões para o alto, como costumava fazer. De diferente em relação as demais partidas, o fato de que a posse de bola resultou em chutes a gol e, não por acaso, levou os dois atacantes a voltar a marcar.

 

O domingo me proporcionou duplo prazer. Além de aproveitar as praias e as incríveis paisagens desta região da Itália, pude apreciar o melhor desempenho do Grêmio neste ano. As férias vão terminar em breve. Que o futebol gremista se repita até o fim desta temporada !

Avalanche Tricolor: estes que aí estão atravancando o meu caminho

 

Santos 4 x 2 Grêmio

Brasileiro – Santos (SP)

 

 

Você, caro e raro leitor desta Avalanche, é testemunha do que vou dizer. Sabe bem que busco neste espaço driblar os percalços, uso da imaginação para enxergar méritos onde muitas vezes havia apenas uma jogada grotesca, e analiso, aqui, meu time de futebol com o olhar do homem apaixonado incapaz de encontrar defeitos na mulher amada, mesmo que esta faça dele gato e sapato (pra não falar em bicho pior). Por tudo isso que já fiz, pelo esforço que exerci em situações até mesmo mais constrangedoras, peço licença. Um resultado como o desta tarde na Vila Belmiro é excelente para expurgarmos todos os cuidados que costumamos ter ao falar do nosso time do coração. A diferença no placar nem chegou a ser escandalosa como se desenhou em alguns momentos e o árbitro que cometeu erros muito mais pela sua incompetência do que por seu caráter prejudicou o Grêmio. Mas algumas coisas vem acontecendo no estádio Olímpico que me incomodam muito e, me parece, começam a contaminar a disposição dentro de campo, haja vista a forma resignada com que o time jogou, sem praticamente levar perigo ao adversário, aceitando o resultado, nem mesmo brigando contra as injustiças do juíz.

 

Vamos a elas:

 

Por que o Grêmio não é capaz de contratar um craque internacional como Furlán?

 

Por que o Grêmio sequer cogita trazer Ganso, mas acerta com Elano?

 

Por que o Grêmio não tem nenhum jogador na seleção brasileira?

 

Por que o último jogador gremista que vestiu a camisa do Brasil teve de ser vendido?

 

Por que o Grêmio é incapaz de revelar e manter seus talentos (exceção feita ao valioso Fernando)?

 

Por que preferimos vender Mário Fernandes, um talento que se machuca muito, para gastar dinheiro com Fábio Aurélio, que só se machuca?

 

Por que contratar Sorondo se todos sabiam dos problemas físicos dele?

 

Por que gastamos tanto dinheiro com jogadores lesionados?

 

Por que temos de sempre lutar pela última vaga na Libertadores e não montamos um time para ser campeão brasileiro?

 

Por que temos a maior torcida do Rio Grande do Sul, mas não o maior número de sócios?

 

Se tenho tantas dúvidas, assim, mas não desisto de torcer pelo Grêmio é porque, ao menos para esta questão, tenho uma resposta, inspirada no gremista Mário Quintana: todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão, o Grêmio, jamais!

 

NB: Não venha me dizer que Quintana não torcia para times de futebol ou coisa pior, homem inteligente como ele jamais faria uma escolha equivocada.

Avalanche Tricolor: goleiros, eles não são o problema

 

Grêmio 0 x 1 Atlético – MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Três defesas incríveis de Marcelo Grohe, que impediram uma derrota vexatória em casa, foram provavelmente os únicos momentos em que a torcida do Grêmio pode comemorar com satisfação, no início da noite deste domingo. O goleiro, que fazia sua estreia no time titular, apenas ratificou a opinião de muitos torcedores que confiam nele desde que demonstrou talento e segurança substituindo Galatto e depois Victor, sempre que este era convocado para a seleção brasileira. Grohe é mesmo um goleiro de qualidade, transmite seriedade e esperou muito pela chance de vestir definitivamente a camisa de número 1. Desejo que todos estes anos de paciência e resignação sejam recompensados.

 

Vibrar com as defesas de Grohe, porém, está muito aquém do que imaginava para esta que foi a mais importante partida que disputamos neste campeonato até aqui. Os três pontos desperdiçados nos colocariam em posição privilegiada na competição e impediriam a ascensão do adversário à liderança. Neste Brasileiro de pontos corridos, jogos assim são como se estivéssemos em uma final, o que a comemoração dos “mineiros” após o jogo deixou bem claro. E em decisão se espera não apenas bola no pé, mas bola chutada com perigo no gol, caminho mais apropriado para chegarmos ao resultado positivo.

 

A derrota apenas reforçou o sentimento de frustração que se revelou, há três dias, quando soube que o Grêmio havia vendido Victor para o Atlético Mineiro. Ao contrário de uma parcela da torcida, continuava a confiar na performance dele. Mais importante, porém, é que ele era dos poucos ídolos que ainda estavam preservados no clube que tem se especializado em se desfazer de seus principais jogadores sob a justificativa de que é preciso deixar as contas em dia. Concordo que não se pode cometer absurdos com o dinheiro alheio, mas talvez se deixassem de gastar na contratação de gente que não faz a menor diferença para o elenco nem são capazes de comover um torcedor, sobraria mais para segurar aqueles que respeitamos.

Avalanche Tricolor: Para curar a ressaca

 

Grêmio 2 x 0 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

Jogos tensos costumam provocar uma tremenda ressaca na partida seguinte. O desgaste físico e emocional é enorme, principalmente após uma frustração como a sofrida na Copa do Brasil. Assim, não era de se esperar muito na partida desta tarde de domingo, ao menos de minha parte. No entanto, ao ver o céu azul, claro e bonito, em Porto Alegre, logo na abertura da transmissão da televisão entendi aquela imagem com um sinal de bons agouros. Aqui em São Paulo, o domingo também estava bonito e quase me arrependi de deixar de lado tudo o que havia programado para este dia. Excessão a ida à missa dominical todo o resto foi transferido para outra data qualquer. Preferi ficar em casa, descansando, me preparando para a semana que sempre se apresenta complicada, ao lado da família e deixando o tempo passar. O único compromisso à tarde era ver o que seria da ressaca tricolor. Fui recompensado, assim como boa parte da torcida gremista.

 

Depois de duas partidas de muita tensão, nós bem que estávamos merecendo um jogo como o de hoje. A troca de passe lateral e a falta de criatividade chegaram a incomodar em um primeiro momento e sinalizavam mais um desempenho pífio e sofrível, mas de repente a dupla Kleber e Marcelo Moreno começou a se entender. E de uma tabela deles, fazemos um a zero em uma jogada de muita paciência. Digo isso porque Moreno não se impressionou com a impaciência da torcida, dos locutores e do técnico. Esperou o momento certo para matar. Nem bem havia começado o segundo tempo e já havíamos aberto dois gols de diferença, graças a uma cobrança de escanteio e a forma como Werley se antecipou a defesa adversária.

 

Perdemos muitos gols durante o restante da partida, o que poderia ser motivo de irritação dos torcedores – como parece ter sido em alguns momentos. Para mim, relaxado no sofá, satisfeito com o resultado e sempre confiando de que algo novo está para aparecer e renovar nossas esperança, revelava uma mudança de postura em relação aos jogos anteriores em que os chutes a gol e as jogadas de ataque eram cenas raras. Por falar em algo novo, a postura de Tony na lateral direita foi entusiasmadora para um time que não tem chegado a linha de fundo há algum tempo. Confesso que não o conhecia, mas fiquei satisfeito com a performance dele.

 

Terminamos a rodada no G-4, o que nos põe no caminho de nossa obsessão, a Libertadores, esta mesma que desperdiçamos ao não sermos capazes de chegar ao título da Copa do Brasil. Estamos a apenas dois pontos do líder, o que, levado em consideração o desempenho das últimas temporadas, é uma excelente notícia. E estamos a espera de Zé Roberto, que pode dar um jeito na meia cancha (como diziam os mais antigos).

 

Não sei se foi aquele céu que apareceu no início da transmissão, mas com certeza o domingo foi muito mais agradável em campo do que eu imaginava. Parece até que descobrimos um ótimo antídoto para resolver a ressaca: jogar futebol.

Avalanche Tricolor: estratégias, ironias e esperanças

 

Náutico 1 x 0 Grêmio
Brasileiro – Recife (PE)

 

 

Como se estivesse em uma corrida de gato e rato mal sucedida, cheguei em Porto Alegre assim que o Grêmio acabara de deixar a cidade a caminho de Recife onde enfrentaria o Náutico. E voltei para São Paulo no momento em que o time jogava no estádio dos Aflitos, de tão boas quanto sofridas memórias. Como se não bastassem estes desencontros, fui visitar o Olímpico Monumental e dei com a cara na porta da loja onde me abasteço de pequenas lembranças do Imortal Tricolor. Era fim da manhã de domingo e na capela no Pórtico dos Campeões uma missa estava sendo rezada com os bancos todos ocupados. Sem contar os fiéis, ainda era possível ver uma boa quantidade de famílias curiosas em conhecer o estádio e perambulando por ali. Por isso, fico sem entender esta estratégia de marketing do clube que fecha sua loja de camisas e souvenir com tantos potenciais consumidores em seu entorno, não percebendo que o Olímpico, é ponto turístico na capital gaúcha, principalmente para uma torcida que aproveita cada dia para se despedir deste palco de conquistas. Ainda que mal comparando, imagine visitar o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, e as lojinhas de badulaques com a imagem da estátua estarem fechadas em um domingo. Inacreditável. A propósito, não entendo esta estratégia de marketing tanto quanto não entendo a do presidente Odone que desestimula seus torcedores ao demonstrar desânimo em relação a recuperação na semifinal da Copa do Brasil, nem a do técnico que monta e faz o time jogar de uma forma estranha – quanto a este último, porém, prefiro que você que assistiu a todo o jogo deste domingo faça seus comentários e críticas.

 

De minha parte deixo apenas a ironia de que Luxemburgo ao menos já conseguiu um feito histórico no Grêmio: é nossa primeira derrota para o Náutico em 21 anos. E uma esperança: de que tudo isso não passe de apenas mais uma provação para a grande vitória de quarta-feira.

Avalanche Tricolor: Diversão garantida !

 

Grêmio 2 x 0 Corinthians
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Há 22 anos morando em São Paulo, alguns sentimentos construídos no Rio Grande do Sul mudam de dimensão, outros aprendemos no caminho e provocam diversas reações – os forjardos na arquibancada em especial. Sabe-se que historicamente o Grêmio tem um arquirival e na oposição dessas forças é que o futebol gaúcho se transformou em referência mundial com seus dois representantes conquistando títulos no exterior. Mesmo quando nos afastamos do Estado, os efeitos deste confronto não desaparecem, mas ao menos a segunda-feira após o clássico gaúcho, quando seu time é derrotado por lá, é mais suportável por aqui. Em compensação, o enfrentamento com os adversários paulistas se torna mais perigoso e, dependendo o placar, pode estragar o bom humor no dia seguinte. Principalmente, quando este adversário se chama Corinthians. A quantidade de corintianos na redação e na audiência é impressionante e todos eles aparecem saltitantes e provocantes quando meu time sofre um revés. Assim, encaro jogos como o deste domingo quase como um clássico regional que, você sabe bem, tem potencial muito mais explosivo do que os clássico nacionais. E a vitória representa mais do que três pontos, é a certeza de uma segunda-feira feliz.

 

Hoje, o Grêmio venceu com autoridade o Corinthians e, a despeito dos interesses de cada um no Campeonato Brasileiro, mostrou que chega forte na competição, conforme chamou atenção o comentarista Caio, durante transmissão da Tv Globo. Parece, porém, que alguns colegas meus ainda não enxergaram o que está sendo construído nesta última temporada do estádio Olímpico Monumental. Ouvi na narração do clássico paulista pela rádio CBN meu amigo Deva Pascovicci desprezar a qualidade do Imortal ao colocar São Paulo e Coritiba com mais chances e times para conquistar a Copa do Brasil. Que se danem ! O importante é saber que a cada partida surgem méritos a serem destacados, como a paciência com que nosso time manteve a bola no pé depois de o placar resolvido; a volta de Vitor que aprendemos a admirar; a segurança no futebol de Marco Antonio; o bom desempenho de Souza; a personalidade de Fernando; e, aqui apenas uma esperança por enquanto, o retorno de Kléber, o Goleador. Uma união de fatores que nos levou a vencer neste domingo e garantiu a diversão na segunda-feira.

 

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Avalanche Tricolor: Em reforma e feliz

 

Atlético GO 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Serra Dourada GO

 

 

Foram quase cinco meses de reforma na casa em que moro, período no qual ouvi palavras consoladoras de amigos e conhecidos. Houve até quem nos prevenisse para a possibilidade de separação do casal, disseram que o índice de divórcio é enorme devido aos transtornos provocados por marteladas e afins. Nunca soube disso, mas se são os amigos que estão falando, melhor reforçar os votos de confiança feitos há quase 20 anos. Principalmente porque iríamos continuar morando no mesmo ambiente da obra. Ninguém apostou que o projeto estivesse entregue antes de cinco meses, mesmo que eu reforçasse a informação de que minha previsão já tinha a margem de erro, natural quando se pretende, por exemplo, trocar o telhado no verão chuvoso de São Paulo. Entendo a preocupação,

 

Du-vi-de-o-dó !
Isso é coisa lá para o segundo semestre.
Pode colocar mais um mês, com certeza. Eles nunca entregam nada em dia.

 

O “eles”, que aparece na frase acima, uma das muitas que ouvi neste tempo todo (quando as marretadas nas paredes permitiam), são pedreiro, marceneiro, eletricista, pintor, arrematador, telhadista, decorador, gesseiro, calculista, engenheiro e arquiteto – apenas para citar algumas das muitas profissões com as quais convivi nesta primeira metade do ano. É um time completo que precisa estar muito bem afinado, pois um depende do outro, e qualquer tropeço aqui vai atrapalhar logo ali. No meu caso, esta equipe funcionou com perfeição, a ponto de me permitir nessa quarta-feira, estar sentado no sofá da nova sala de televisão, assistindo tranquilamente ao Grêmio vencer seu adversário, no Campeonato Brasileiro.

 

Claro que nosso time ajudou neste clima de tranquilidade, pois apesar de um placar magro, como dizem os locutores de futebol, o desempenho foi interessante para uma equipe que teve de passar por uma reforma com a temporada já iniciada e os campeonatos em curso. Percebe-se que têm peças se encaixando na posição, haja vista a melhora de Marco Antonio no meio de campo, a defesa mais equilibrada, com todos as ressalvas que possamos fazer, e um ataque com o fundamental reforço de Kleber, retornando do estaleiro. Seria injustiça não citar Miralles que fez um gol daqueles que esperamos que o centroavante faça quando a marcação esta dura e o espaço é pequeno. E Fernando, disparado o melhor jogador deste grupo.

 

Longe de mim achar que está tudo pronto, sei que sempre tem alguma coisa a fazer e, no caso do time, precisamos ainda ajustar alguns reforços. Mas você sabe que me entusiasmo muito facilmente com o Grêmio, pois sou incapaz de ver seu desempenho com o olho da razão, deixo que o coração fale por mim sempre (ou quase sempre), por isso fico pensando se não devo agir com o time da mesma forma que meus amigos têm me recomendado em relação a casa, desde que anunciei o fim da reforma. Eles pedem para que eu não festeje antes da hora, pois sempre aparece algum probleminha, um vazamento de cano, um telhado mal colocado, um piso que entorta ou uma pintura que borra.

 

Quer saber !? Por mais que goste de todos eles, vou tapar os ouvidos desta vez e aproveitar o momento. Se não me divertir agora, curtir o prazer da obra feita e dos resultados conquistados pelo time em reforma, vou sorrir quando ? Hoje, tenho o direito de ser feliz.

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Avalanche Tricolor: A imagem de Fernando

 

Grêmio 1 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Estou no Rio de Janeiro, onde ficarei toda esta segunda-feira, para discutir um tema importante nos dias atuais: a inovação para o desenvolvimento sustentável. Participarei de uma maratona de discussões e ações com gente criativa e rica de conhecimento para compartilhar, todos reunidos a convite da Embaixa da Suécia no Brasil que pretende, assim, antecipar parte do debate que haverá dentro de algumas semanas, na Rio+20. A tarde e o início de noite de domingo foram dedicados à organização do evento que contará, entre outros destaques, de um grupo de estudantes de mestrado e doutorado que ficarão confinados por 72 horas em duas salas desenvolvendo projetos ligados à inovação. O compromisso me fez chegar ao hotel na beira de Ipanema quando a partida já havia se iniciado há algum tempo, mas ainda estava zero a zero. Começava ali a minha corrida pelo jogo, pois a TV à cabo do quarto que me foi reservado teimava em não mostrar a imagem do Grêmio, apenas o som. No computador, a lentidão da conexão oferecida impedia captar qualquer dos sites que reproduzem imagens da televisão. No Ipad, o aplicativo da CBN foi a salvação com Marcelo Gomes transmitindo a partida com todo seu talento, mesmo que o que narrava não parecia ser muito talentoso.

 

O jogo era truncado e, logo soube, quando se teve chances de gol, desperdiçamos. Aliás, alguém conhece um time que perdeu tantos pênaltis quanto o Grêmio nestes últimos meses? Confesso que quando o juiz marca um a nosso favor já não comemoro mais como costumam fazer os jogadores dentro de campo e mesmo a torcida, na arquibancada. Se gato escaldado tem medo de água, sinto-me um toda vez que temos a oportunidade da cobrança na marca fatal, como diriam antigos e imprecisos locutores de rádio. Fatal seria se o gol fosse uma garantia e quando cobrado por jogadores gremistas, sei lá bem por qual motivo, esta certeza está distante. Por mais que curta a voz e velocidade do Marcelo, estava ansioso para assistir ao jogo e após algumas tentativas a gerência do total convocou um técnico para resolver o problema. O cara foi melhor do que Luxemburgo e Felipão no momento que tiveram de substituir seus jogadores. A imagem reapareceu e Fernando cobrou a falta que foi parar na cabeça de André Lima. Grêmio, 1 a 0. Parecia jogada ensaiada. A intervenção do técnico do hotel e o chute de nosso volante goleador (perdão, sei que para nossos conceitos de bravura Imortal a expressão é quase uma heresia) ocorreram ao mesmo tempo. Lá ainda contamos com um desvio de André que só estava em campo pelo destino que teima em nos tirar jogadores por lesão. A propósito: na próxima vez que encontrar o Mano, agradece por ele não ter convocado o Fernando, por favor.

 

Foi a primeira vitória do Grêmio no Campeonato Brasileiro e espero que tenha sido uma prévia do que teremos na semifinal da Copa do Brasil contra este mesmo Palmeiras. Minha expectativa é que consigamos, além do resultado, desenvolver nas próximas semana um futebol mais criativo e inovador. Pois se estas são habilidades cruciais para o sucesso do evento em que estou participando no Rio de Janeiro, também serão para que o Grêmio faça campanha sustentável nas duas competições.