Conte Sua História de SP: o caminhãzinho do meu pai

 


Por Elza Conte
Ouvinte-internauta

 

Ouça este texto sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Uma história de São Paulo dos anos 1950. Éramos quatro irmãos. Domingo à tarde era dia de passear no caminhãozinho de meu pai. Todos apertadinhos, cabíamos na sua cabine, mais minha mãe, que sempre levava um de nós no colo. Conforme fomos crescendo, e a cabine já não agüentava seis pessoas, o irmão mais velho e, às vezes, o mais novo, iam em cima do caminhão com orgulho da coragem de enfrentar uma viagem com todos seus perigos.

 

Quando chegávamos ao destino era sempre uma grande festa. Todos se divertiam muito com os passageiros que o veículo conseguia transportar. Cinto de segurança? O que é isto? Nem sabíamos da sua existência. Quando íamos à casa da Tia Angelina, irmã de meu pai, na volta o nosso primo Orlando, irmão postiço e sempre presente em nossa casa e vida, voltava junto no caminhãozinho, aumentando para sete o número de passageiros. Amado e inesquecível caminhãozinho.

 

Há muitas histórias sobre ele para contar-lhes.

 

Neste aniversário de São Paulo, hoje muito diferente das tardes de domingo passeando com nossos pais, sintam a diferença da segurança em que vivíamos e vivemos.

 

O nosso grande medo, nestes passados mais de 50 anos, era o Homem do Saco, um pobre infeliz que carregava um saco de estopa, estilo Papai Noel, cujo mal odor sentia-se de longe. Eu, sempre questionadora, argumentava porque Papai Noel não era mal cheiroso como o Homem do Saco. Seria porque no saco do Papai Noel havia presentes, e vindos do céu? Destaque-se que eu acreditei no bom velhinho até os nove anos de idade.

 

Lindas lembranças perceptivas que as conservo como recursos mentais para utilizar sempre que memórias menos agradáveis invadem minhas lembranças. Hoje, minha vivência de Coaching e Programação Neurolinguística tem explicações sistêmicas sobre essas fantásticas percepções, fundamentais e importantes para nossa saúde mental.

 

Quando a noite caía, na Rua Conselheiro Lafayette daqueles anos, um senhor de alcunha Mimi, que tivera morado nas proximidades, e sem teto, como hoje o chamaríamos, vinha dormir no caminhãozinho, devidamente autorizado por meu pai. Em um dos compartimentos do caminhão ficava guardado um velho cobertor, que era usado pelo Mimi e que, respeitosamente, no silêncio da noite, pegava o protetor de seu corpo maltratado pela bebida e pelo desgosto da solidão e se acomodava nas poltronas da cabine do veículo. As portas do caminhão não tinham fechadura. Podiam ser abertas a qualquer momento e por qualquer pessoa. Todavia, apenas o Mimi o fazia.

 

Às quatro horas da manhã, quando as luzes da casa já estavam acesas (meu pai era feirante e saia muito cedo para o trabalho), Mimi já se preparava e esperava sentado meu pai chegar, para tomar um cafezinho que ele lhe oferecia, religiosamente, todas as madrugadas. Às vezes, e por não ter destino a seguir, enquanto Mimi tomava seu café, meu pai o tinha como companhia para trocar algumas palavras dentro da madrugada de São Paulo, onde se conseguia ter um automóvel parado à frente de casa com as portas sem fechadura.

 

Para ocupar o tempo, Mimi voltava andando do local onde meu pai o havia deixado. Sentava-se à beira da recém-inaugurada Radial Leste, esperando que lhe fossem oferecidas algumas moedas. Sempre lembro dessa criatura que, espero, tenha tirado alguma aprendizagem dessa vivência e siga em paz onde estiver (minhas vibrações e pensamentos mais positivos a você Mimi).

 

Na volta do trabalho, meu pai trazia a xícara do Mimi, que era lavada para ser ocupada no dia seguinte. Esta história se repetiu até o dia que Mimi morreu tragicamente. Ainda me lembro da xícara em um cantinho de nossa pia, como que fazendo uma homenagem ao fiel guardador noturno do caminhãozinho de meu pai.
Histórias de uma São Paulo cheia de calor humano e com a segurança que nunca mais iremos encontrar.

 

Elza Conte é personagem do Conte Sua História de São Paulo. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br e vamos comemorar os 459 anos de São Paulo.

Foto-ouvinte: caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por Devanir Amâncio

 

Caminhão cai em buraco do Metrô

 

Por volta das 12h20 desta segunda-feira(27) um caminhão VUC fica preso em um bueiro sem tampa da Sabesp ,na esquina da rua São Francisco com a rua José Bonifácio – no calçadão do Metrô Anhangabaú, centro de São Paulo. O dono do caminhão de placa de São Bernardo do Campo – Aritano Alves Machado – com as mãos na cabeça pediu socorro à CET. O bueiro de mais de dez metros desemboca no Córrego das Almas, no Vale do Anhangabaú. Segundo os moradores , o problema do bueiro transbordar e ficar sem a tampa no local é recorrente.

Córrego está engolindo rua, em São Miguel

 


Por Marcos Paulo Dias
Ouvinte-internauta e jornalista

Ao passar pela  Rua Ubirajara Pereira Madeira, na  Vila Rosária, São Miguel Paulista, zona Leste de SP, fui surpreendido por uma placa artesanal com a mensagem: “proibido passar caminhões – perigo não entre”. De imediato fui  “garimpar”, apurar os fatos, e encontrei o autor da sinalização pirata, Sr. Antonio Alves Soares,  72 anos, comerciante.   Da iniciativa, explicou: “a rua está desbarrancando, ficando  estreita, há muito lixo , ratos e alagamentos, esgosto,mal cheiro e moradores de rua também tomam banho  neste local, por isto resolvi tomar esta iniciativa”.

Córrego na RosáriaOutro morador,  Marcelo  Helano, no bairro há 15 anos, disse que percebe que com o passar dos anos a situação só vem piorando, o trânsito de caminhões como o de coleta de lixo, entregas de gás, entre outros, terá de ser interrompido devido ao desmoronamento da rua. Ele também pontuou que acontece com frequência descarte irregular de lixo e entulho de todo tipo de material como sofá, armários, pedras, areia, garrafas, roupas velhas, animais mortos durante a madrugada. “A falta de consciência e desrespeito dessa parcela da população contribui para a proliferação de insetos e até mudança do percuso do corrégo, assoreando as bordas”. Acabou tornado-se perigoso, pois é muito comum queda de animais como cavalos  e veículos afirmou o morador que mostrou-se indignado com a situação.

A  moradora Ednéia Santana aproveitou para lembrar que há uma creche municipal paralela ao Córrego e, mesmo assim, nenhuma providência foi tomada pelo Poder Público. informou ainda  que há alagamentos na avenida Rosária, próximo dali, por conta do corrégo e bueiros entupidos. Nesta avenida,  há grande movimentação de pedrestres, veículos e ponto de parada de ônibus. Disse que já  recebeu  visitas de candidatos em tempo de eleição, prometendo a limpeza e canalização do córrego e nada foi feito até agora.  “Somos Cidadãos e pagamos impostos ” desabafou a moradora.

No local observei que foram executadas obras apenas em um trecho mais a frente ou seja ainda falta canalizar a parte de cima, onde está a Rua Ubirajara Pereira Madeira. Moradores já fizeram abaixo-assinado e registraram protocolo (o último deles de número 9707 695 em 12 /01/ 2011) na subprefeitura da região. Eles também me mostraram uma pastinha com cartas, registros, documentos e fotografias –  inclusive de acidentes ocorridos recentemente.

Que saber o pior, na subprefeitura o córrego de nome de batismo Una consta como canalizado.

Conte Sua História de SP: Estrela que me guia

 

No Conte Sua História de São Paulo, Euro Ribeiro da Silva, natural de Igaraçu, Pernambuco, onde nasceu em 1945, de onde saiu 16 anos depois. Deixou os pais, seu Severino e dona Raimunda, e dez irmãos em busca de um objetivo: trabalhar na capital paulista.

No depoimento gravado pelo Museu da Pessoa, Euro Ribeiro conta que a expectativa da família dele se continuase vivendo na terra natal era ser policial militar, como o pai, ou político. Não queria nem acreditava neste destino. Através de cartas enviadas às tias, conseguiu uma casa para ser recebido na capital paulista, no início dos anos de 1960.

Pra viajar até São Paulo, contou com a ajuda de um amigo da família, policial que nas horas vagas fazia carreto em um caminhão. Foram seis dias de viagem até chegar na cidade e desembarcar diante das lojas Pirani, no centro. Foi a partir desta região que passou a desbravar a capital, onde contou com a ajuda de uma estrela guia.


Para conhecer melhor esta história, ouça o depoimento de Euro Ribeiro

Você também pode participar deste quadro no CBN São Paulo. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Governo recua e anuncia reforço (?) no Rodoanel Sul

 

Foram necessários 20 dias para o Governo do Estado de São Paulo admitir que os transportadores de carga e seguradoras tinham razão ao reclamar da falta de segurança aos motoristas no trecho sul do Rodoanel. Em nota, divulgada nessa quarta-feira, a Secretaria Estadual de Segurança Pública anunciou o reforço do policiamento na área informando que “o efetivo foi praticamente dobrado para auxiliar no patrulhamento”.

Em junho, os donos das empresas de transporte de carga disseram que as seguradoras se negavam a pagar indenização caso os caminhões fossem alvos de bandidos no trecho sul do Rodoanel pois o policiamento não era suficiente e havia falhas no sinal de telefonia celular, o que prejudicava o monitoramento eletrônico. As seguradoras confirmaram a restrição, ao CBN SP. Na época, primeiro por nota, depois em entrevista, o Governo disse que “o discurso do Sindicato não se sustenta”.

A curiosidade entre as informações divulgadas pelo Governo de São Paulo em julho e hoje é quanto ao número de viaturas que rodam na região para dar segurança aos motoristas.

Na nota do dia 16 de julho, afirmava que “existem duas bases da Polícia Militar Rodoviária com 19 viaturas e motos disponíveis” (leia nota aqui)

Na nota de ontem, diz que as medidas para implementar a segurança prevêem o uso de 17 viaturas do 1º Batalhão de Polícia Militar Rodoviária, duas viaturas do Tático Ostensivo Rodoviário e o helicóptero Águia da Polícia Militar.

A persistirem as contas, o único reforço no trecho é o uso do helicóptero, pois o número de viaturas permanece o mesmo.

Sobre o tema:

Seguros ‘proíbem’ caminhões de rodas no Rodoanel Sul

Governo de Sp diz que não há roubo de carga no Rodoanel

Sem número, seguradoras insistem em restrição ao Rodoanel

Gerente do Rodoanel diz que seguradoras estão mal informadas

A nota da Secretaria de Segurança Pública, divulgada ontem:

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Sem estudo, prefeitura proíbe caminhões na Bandeirantes

 

Reduzir em até 20% os índices de congestionamento na avenida dos Bandeirantes e, em conseqüência, melhorar a fluidez do trânsito em outras vias importantes da zona sul de São Paulo, inclusive beneficiando o transporte público. Esta é a meta da prefeitura com a proibição dos caminhões na Marginal Pinheiro e avenidas Roberto Marinho e Bandeirantes, a partir do dia 2 de agosto. Porém, o próprio secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale Branco diz que ainda não tem em mãos estudo sobre origem-destino do transporte de carga na capital que poderia oferecer um cenário real sobre o impacto das medidas anunciadas nessa quarta-feira.

Cardinale, em sua primeira entrevista como Secretário de Transportes e presidente da CET, falou, também, que apesar da proibição das motos na pista expressa da Marginal Tietê, os motociclistas continuarão tendo à disposição sete faixas de rolamento devido a ampliação das pistas. Neste caso, a medida pretende reduzir o número de acidentes com motos. O secretário disse que ainda não há uma decisão sobre restrições para a circulação de motos na avenida 23 de Maio.

Ouça a entrevista do secretário dos Transportes Marcelo Cardinale, ao CBN SP

“Seguradoras estão mal informadas”, diz gerente do Rodoanel

 

A polêmica sobre o roubo de cargas no trecho sul do Rodoanel Mário Covas, em São Paulo, levou a Dersa atacar as operadoras de seguro que se negam a permitir que caminhões de carga utilizem o acesso para o litoral paulista. O gerente de operações Paschoal Vargas Sobrinho disse que as seguradoras estão mal informadas, e não entende a restrição imposta, pois não teria havido nenhum roubo desde o início das operações, em 1º de abril.

Apesar de confirmar a existência de pontos em que não há sinal de telefonia celular, o que dificulta o monitoramento dos caminhões de carga, Paschoal Sobrinho diz que o trecho sul do Rodoanel é bastante seguro em função das característica da rodovia. “Não existem rotas de fuga”, explicou o gerente.

Quando a crítica de que os caminhões estariam preferindo seguir por dentro de São Paulo em lugar de usar o trecho sul do Rodoanel, Paschoal Sobrinho disse que também não se confirma. Atualmente, 70 mil veículos passariam por dia pela rodovia, aumento de 5% em relação há três meses.

Seguros ‘proíbem’ caminhões de andar no Rodoanel Sul

Para saber o que dizem as operadoras de seguro e os transportadores de carga, acesse os links a seguir:

Sem números, seguradoras insistem em restrição ao Rodoanel

Governo de SP diz que não há roubo de carga no Rodoanel

 

Nenhum caso de roubo de cargas foi registrado no trecho sul do Rodoanel desde sua inauguração, em 1o. de abril. A afirmação é da Secretaria Estadual de Transportes em resposta às críticas feitas pelo presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região, Manuel Souza Lima, ao CBN SP, nesta sexta-feira.

Na entrevista (ouça aqui), o representante das transportadoras de carga disse que há uma restrição das empresas de seguro que se negam a pagar indenização caso haja roubo de cargas no novo trecho do Rodoanel Mário Covas. A alegação é de que há falta de segurança no local pela inexistência de sinal para telefonia celular, iluminação pública e policiamento precários.

Conforme nota divulgada pela Secretaria de Transportes “existem duas bases da Polícia Militar Rodoviária, com 19 viaturas e motos disponíveis, além 9 viaturas da Dersa, responsáveis – respectivamente – pelo policiamento ostensivo e pela fiscalização, e mais 13 veículos de apoio ao usuário, o que mostra que cada viatura é responsável pelo monitoramento de 2,19 km”.

Na resposta, a Secretaria afirma, também, que nenhuma rodovia tem iluminação pública em todo o seu trajeto e as projeções de tráfego apresentadas pelo Sindicato não condizem com as estatísticas oficiais.

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Seguros ‘proíbem’ caminhão de andar no Rodoanel Sul

 

Rodoanel encruzilhada

É perigoso. Em resumo, é o que seguradoras estariam dizendo às transportadoras de cargas ao impedir que os caminhões circulem no trecho sul do Rodoanel Mário Covas. O presidente do sindicato que reúne as transportadoras em São Paulo Manoel Souza Lima Júnior explicou, ao CBN São Paulo, que a falta de sinal de telefone celular impede o monitoramento pelos sistemas eletrônicos. Além disso, a iluminação é precária e há carência de policiais na região o que tornaria o sistema vulnerável ao roubo de cargas.

De acordo com o representante das transportadoras, a cobrança de pedágio para acessar o trecho oeste do Rodoanel também tem levado motoristas a preferirem encarar o congestionamento da Marginal Pinheiros e da avenida Bandeirantes. Segundo ele, o trecho é mais curto e representaria uma economia para as cargas que chegam do interior do Estado pelas rodovias Castelo Branco, Anhanguera e Bandeirantes.

Ouça a entrevista com Manoel Souza Lima Júnior ao CBN SP

O primeiro olhar no Rodoanel Sul

 

De um lado, a festa oficial com o governador em exercício Alberto Goldman dirigindo seu carro na inauguração do trecho sul do Rodoanel Mário Covas. Do outro, uma fila de carros esperando a abertura da nova pista com quase duas horas de atraso. No meio de tudo, imagens bonitas da rodovia que ligará as principais estradas paulistas ao litoral. E muito pó.

Foram alguns dos detalhes registrados pelas repórteres Cátia Toffoletto e Pétria Chaves, que nesta manhã acompanharam a inauguração do novo trecho do Rodoanel. O reflexo positivo que se promete no trânsito não foi possível constatar, pois a avenida Bandeirantes – uma das principais vias a ser beneficiada pela redução no tráfego – foi cenário de mais um acidente de caminhão.