Avalanche Tricolor: valia um Gre-Nal e nós vencemos!

Grêmio 2×1 Inter

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Vina comemora o primeiro gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Quiseram saber o que eu fazia domingo à noite. Neste domingo à noite. Respondi que assistia ao Gre-Nal. Tá valendo título? Foi a pergunta seguinte. Tá valendo Gre-Nal, meu amigo! E se você não sabe o que isso significa, talvez nunca saberá, porque você nunca viveu as emoções que me marcaram desde o começo da vida — ao menos desde que me conheço por gente na vida, que se iniciou lá no Rio Grande do Sul, na vizinhança do velho Olímpico Monumental.

O Grêmio entrou em campo com seis pontos à frente do seu adversário, e o primeiro lugar e a classificação à semifinal garantidos. Houve até quem acreditasse na escalação de um time reserva. Jamais me passou pela cabeça essa possibilidade. Esse seria o primeiro Gre-Nal desde a volta à primeira divisão, disputado com a Arena praticamente lotada, tendo Luis Suárez no comando do ataque e jogado praticamente um ano após o último clássico. Ninguém queria perder! Porque estava em jogo um Gre-Nal.

Vencer o clássico arruma a casa, salva emprego de técnico e dá novos rumos à temporada — não que o Grêmio estivesse precisando disso, após a excelente campanha invicta que faz até aqui no Campeonato Gaúcho. Mas seu efeito no destino de um time e de seus jogadores pode ser devastador. Você já pensou o que aconteceria com Thiago Santos e Thaciano que mal tinham entrado em campo quando o Grêmio levou o gol de empate? Tem ideia do que será a semana para Mano Menezes e seus comandados?

Mais do que os efeitos sobre o time, a vitória no Gre-Nal tem um poder extraordinário no ânimo do torcedor. Só você, amigo que queria saber o que estava em jogo na partida deste domingo à noite, não tem ideia do que significará a segunda-feira na vida dos gremistas. E o terror que será sair da cama para os colorados. A gente acorda feliz e, obrigatoriamente, veste a Tricolor. Amanhã seremos muitos também vestindo a Celeste que ganhou destaque na nossa coleção desde a chegada de Luisito. 

A camiseta do time é roupa de gala no dia seguinte à vitória no Gre-Nal. Desfila-se pelas ruas de Porto Alegre com o peito cheio. Olhar confiante. Passada firme. E aquele sorrisinho maroto de quem espera o amigo que torce para o adversário chegar na padaria. O amigo costuma não aparecer nesses dias. Inventa uma desculpa. Diz que vai chegar atrasado. Se estiver a seu alcance providencia um atestado. Diagnóstico: Gre-Nal 438 – sim o clássico gaúcho é tão importante que nós numeramos um por um desde o primeiro, aquele que ganhamos por 10 a 0. Vai dizer que você não sabe disso, amigo?!?

O Gre-Nal deste domingo começou com o Grêmio jogando um bolão. Tava bonito de ver a troca de passes. A movimentação de seus jogadores. Nem mesmo a saída de Villasanti por lesão ainda no primeiro tempo, impediu o bom futebol que nos colocou na cara do gol ao menos duas vezes. Ambas desperdiçadas por Bitello. Logo ele que tem se consagrado em gols neste campeonato.

Foi em uma dessas trocas de passes com qualidade que Vina — já nos acréscimos do primeiro tempo — bateu firme e bateu forte para às redes fazendo justiça a quem era superior em campo. O empate veio no pior momento da partida, pois acabávamos de fazer aquelas substituições para deixar o time mais consistente — o que no nosso caso era sinal de um time menos talentoso. 

Foi novamente nos acréscimos, do segundo tempo, que o Grêmio arrancou a vitória, após boa jogada de João Pedro, que entrara no lugar de Fabio, na lateral direita, que passou para Carballo completar nas redes.  O uruguaio — ainda jovem — havia substituído Villasanti lá no primeiro tempo e fez uma excelente partida que culminou com o gol no Gre-Nal.

Luisito ao fim do jogo foi perguntado pela jornalista sobre o fato dele não ter marcado gol no clássico. Nosso atacante respondeu quase do mesmo jeito que respondi ao meu amigo que conversava comigo assim que a partida tinha começado: ‘importante era ganhar. Não importa quem fez os gols. Clássico se vence, não importa como’. Luis Suárez está há pouco tempo no Rio Grande do Sul mas sabe muito bem o que vale vencer um clássico. Vale muito! Nesse caso, vale um Gre-Nal! E nós vencemos.

Avalanche Tricolor: “o bicho é bom!”

Grêmio 1×0 Brasil de Pelotas

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez cercado pelos marcadores em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um jogo inteiro jogado se fez necessário para que os quase 30 mil torcedores que foram à Arena, no fim da noite de quarta-feira, tivessem a oportunidade de explodir em festa com o gol de Luis Suárez. Até aquele instante de felicidade, assistíamos à uma partida truncada, catimbada e violenta. Enquanto o adversário tinha como única intenção impedir que o futebol se realizasse, o Grêmio tentava, com paciência e pouco repertório, impor a sua superioridade. 

Ao longo dos 90 minutos —- usar o tempo de jogo é apenas força do hábito, porque com tantas paralisações, sequer os 12 minutos de acréscimo no segundo tempo devem ter sido suficientes para completar a hora e meia regulamentar —-, o Grêmio era mais esforço do que entrosamento, o que se justifica diante da necessidade de o técnico reconstruir a equipe. Nem todo o esforço, porém, tornava o gol mais próximo.

Aos torcedores restava-nos, mais uma vez, esperar pela bola fatal, aquela que seria entregue a Suárez para que ele resolvesse, como já havia feito no fim de semana, em Caxias do Sul. Mas como fazer a bola chegar até ele, se o atacante uruguaio estava cercado por marcadores? Tentou-se de diversas formas e sem muito sucesso. 

Às vezes, Suárez deixava a área em busca dos companheiros, mas por enquanto, ele dança milonga e os colegas vanerão. Os passos não estão suficientemente coordenados. A tabela não sai com a precisão que a retranca adversária exige. Restava ao atacante lamentar a falta de entrosamento. Para ter ideia da dificuldade gremista de chegar ao gol, até o gol propriamente feito, Kannemann era quem mais havia finalizado, graças a cabeceios sem muita direção, em lances de escanteio.

O primeiro tempo já havia ido embora —- em meio a um entrevero envolvendo Suárez e Piton, o goleiro adversário —, e o segundo recém estava de volta, quando uma falta dura ainda na nossa defesa, resultou em cartão vermelho e expulsão, deixando o Grêmio com vantagem numérica em campo. Nem isso foi suficiente para mudar a cara da partida.

Das muitas tentativas de trocas na equipe — as cinco substituições foram feitas —, a presença do estreante argentino Franco Cristaldo foi a que mais fez diferença, dando um outro ritmo para o nosso ataque. O meio de campo ganhou talento, o passe melhorou e a velocidade aumentou. Mas nada de o gol sair.

Nas arquibancadas, o incômodo se expressava em reclamações e vaias ensaiadas contra um ou outro jogador. A maioria de nós, porém, ainda estávamos a espera do lance genial. O problema é que o cronômetro seguia correndo contra nossas pretensões e o jogo parando diante da nossa indignação. Temíamos que o prazo de validade de Suárez fosse expirar antes do fim. 

Com as dificuldades impostas, o atacante que demonstra um comprometimento contagiante com o time, desta vez, seria mantido até o apito final. E com isso nossa esperança se estendia mesmo com a partida quase se encerrando. 

Os acréscimos começariam a ser contados no relógio do árbitro quando Bruno Alves, nosso zagueiro, fazendo às vezes de meio-campo, lançou para Ferreirinha que entrava pelo lado esquerdo da área. O ponteiro foi um dos jogadores mais acionados na partida e quase havia marcado um gol um pouco antes. Desta vez, em lugar de chutar direto, depois de vencer com velocidade o marcador, passou para Suárez.

O tempo, então, parou!

E fomos recompensados àquela hora da noite. Tivemos o privilégio de  apreciar o que estaria por vir. O que aconteceu naquele pequeno espaço de grama, dentro da pequena área adversária, com marcadores por todos os lados e o goleiro quase aos pés de Suárez, foi esplêndido. Ele dominou a bola e tabelou com ele próprio, trocando a bola de pés, duas vezes, e impedindo com o corpo o assédio dos adversários. Com uma barreira de homens à sua frente, ele recorreu ao bico da chuteira para elevar a bola o mínimo possível para escapar das mãos do goleiro, o máximo necessário para não se chocar contra o travessão. 

O estufar da rede acionou o botão euforia na Arena — aqui onde eu estava, também — e ofereceu aos torcedores o prazer que somente os craques são capazes de saciar. Uma alegria muito além da importância do jogo, do resultado e da competição. Que se expressava como êxtase pela presença de um dos gigantes do futebol mundial que agora é o dono da camisa 9 do Grêmio.

Adjetivos não faltariam para definir o que representa Suárez para os gremistas. Poderíamos explorar as hipérboles da língua portuguesa para descrever o sentimento de assistir à Suárez em campo. Quis, porém, a ironia que o destino oferecesse a uma das vítimas do atacante e protagonista do antijogo que imperava na Arena a oportunidade de melhor descrever, naquele instante, o fenômeno Suárez: : “o bicho é bom mesmo!”, disse o goleiro Marcelo Pitol, do Brasil de Pelotas.

É muito bom! E é do Grêmio!!!

Avalanche Tricolor: a qualidade de Suárez!

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Suárez comemora o fol da virada em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Centenário estava lotado. Ao menos a parte reservada aos torcedores do Grêmio. Havia gremistas de Caxias, de Farroupilha, de Bento Gonçalves e de Gramado. Claro tinha a turma de Porto Alegre e, também, muitos de outras cidades pelo interior. A contratação de Luis Suárez pelo Grêmio promete se transformar em uma fenômeno no Rio Grande do Sul. Não é fenômeno pronto e acabado, ainda. Mas, será. E a medida que o atacante uruguaio entregue tudo o que se espera dele a cada partida, esta obra fenomenal se realizará mais cedo do que se imagina.

As camisas celestes vendidas até sumirem das lojas e o público no aeroporto, na apresentação e na partida de estreia sinalizavam a representatividade de Suárez para o nosso torcedor. A necessidade de a diretoria do Caxias ampliar o espaço destinado aos gremistas no Centenário, em pleno sábado à tarde de verão —- quando os gaúchos preferem os prazeres de Capão, Torres, Tramandaí e Rainha do Mar —, reforçou essa ideia. E estamos apenas no início do campeonato. 

Ontem, a desorganização do sistema defensivo do Grêmio bem que ensaiou uma frustração nos animados torcedores que pulavam na arquibancada e cantavam músicas em homenagem a Luisito. Nos fez sofrer revés logo no início da partida, e colocar à prova a capacidade de  recuperação do time que ainda está em formação, especialmente com seus novos laterais e meio campistas. 

Ao contrário de um previsível desacerto, o gol do adversário parece ter servido de choque de realidade aos jogadores gremistas. A facilidade da Recopa era passado. Agora é Copa do Mundo! Ops, Campeonato Gaúcho! E camisa apenas não é suficiente para vencer e chegar à final.

Cabeça no lugar, marcação mais dura — com Kannemann em destaque —, bola no chão e tentativas de passes mais rápidos, o time começou a se aproximar do gol adversário.  Todos jogavam visando Suárez, na esperança de que se conseguisse entregar a bola no pé dele, o resto ele resolve. Claro que as coisas não são bem assim, a tal ponto que o atacante percebeu que não adiantava esperar lá dentro da área, precisava sair e tabelar com os companheiros. A falta de entrosamento impedia a sequência das jogadas. Em um surpreendente lance de humildade, após o jogo, Suárez disse aos jornalistas que “às vezes, são erros meus, que me apresso a jogar rápido, acho que passando os jogos, vamos nos entender melhor. A qualidade eu tenho, tenho que acertar os movimentos com meus companheiros”.

Alguém duvida da qualidade dele? Eu, jamais! 

Foi em um desses lances em que o talento de Suárez se expressa que a bola chegou até ele pelo lado esquerdo, dentro da área. Sem esconder a fome por gols, mesmo sem estar com o corpo enquadrado para matar, chutou forte, provocando o rebote do goleiro, muito bem aproveitado por Bitello. Em tempo: que prazer ver esse guri jogando! E não é de hoje!.

Aquele lance que culminou com o gol de empate foi um dos poucos em que o Grêmio e Suárez se entenderam plenamente. No segundo tempo, houve uma série de tentativas sem muito sucesso. O passe nunca chegava em condições do arremate, sempre exigia uma tabela ou o deixava refém da marcação dos zagueiros. 

Foi quando muitos já lamentavam a necessidade dele deixar o gramado — afinal, precisa ter seu físico preservado — que Luis Suárez demonstrou todo seu talento. Em uma rara bola que chegou com ele de frente para o gol, o atacante matou com o pé direito, ajeitou com o esquerdo, deu mais um toque  com o direito, o suficiente para tirar o zagueiro da frente, e bateu forte. Nem alto nem baixo; nem muito a direita nem muito a esquerda. No ponto certo. Ali, onde o goleiro não alcança e a rede estufa.

Suárez fez o gol da virada, o gol da vitória e em um dos raros momentos em que lhe deram a chance de chutar.  Entregou o pacote completo aos torcedores do Centenário e aos gremistas espalhados pelo mundo que assistiam ao seu segundo jogo com a camisa tricolor. Com sua voracidade, mostrou que não veio encerrar carreira, quer seguir sendo o gigante respeitado em todos os clubes pelos quais passou, independentemente do tamanho do jogo ou da importância da competição.

A persistirem os sintomas, Suárez será um fenômeno de renda e público e, em breve, faltarão arquibancadas para o público disposto a se deslocar pelo Brasil afim de acompanhar esse craque mundial.

Avalanche Tricolor: marca alto, marca forte e marca gol!

Ypiranga 0x1 Grêmio

Gaúcho — Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Lucas Silva comemora o gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Parafraseando locutores de futebol de televisão que descrevem o momento em que a torcida está mais empolgada com um “canta alto e canta forte” —- acho que o autor do jargão é o Luiz Carlos Júnior, da SporTV —. o time do Grêmio, montado por Roger, “marca forte e marca alto”. É isso que faz toda a diferença no sistema defensivo, e jamais retranqueiro, que o treinador conseguiu montar em pouco mais de um mês de trabalho.

O adversário ter mais de 60% de bola em todo o jogo, significa muito pouco para Roger. Ele sabe que sua equipe está posicionada para dar o bote lá na frente, e com poucos toques e velocidade chegar com perigo, como aconteceu em todo o primeiro tempo da partida de sábado à tarde, pela semifinal do Gaúcho.

Caso a bola não seja roubada ainda antes de passar o meio de campo, o time recua fechando os espaços de tal maneira que ao adversário cabe a troca de passes entre os seus defensores na esperança de que aparecerá alguém livre na intermediária para dar sequência à jogada. Mesmo quando esse movimento tem sucesso, ainda será necessário superar a última linha da nossa defesa que se antecipa bem, dobra marcação e, em último caso, ainda tem Geromel para resolver. 

O lance que culminou no malabarismo estético em cima de Diogo Barbosa, ainda no primeiro tempo, ilustra bem o que digo —- por mais lindo que tenha sido, assim que o drible se completou já havia Villasanti na cobertura para impedir a sequência e o perigo ao nosso gol.

É isso que surpreende os analistas de futebol e os críticos (não os da crônica esportiva, mas esses que tem prazer em falar mal do próprio time em rede social). É difícil de entender como a equipe tem tão pouco a bola nos pés e chuta tanto a gol, como no primeiro tempo, em que por duas vezes o poste ou o travessão foram seu destino.

Quando o esquema parecia perder força —  e estava —-, Roger fez mudanças que deixaram a turma eriçada e cheia de argumentos para provar o acerto das críticas que fazem ao time, ao técnico, a diretoria, a Arena e ao raio que os parta. Tirou Campaz e Elias, dois dos melhores em campo, para colocar Janderson e Gabriel Silva. “Que absurdo!”.

Roger estava apenas recompondo seu esquema, porque os dois por melhores que tenham sido, tiveram desgaste físico acima do normal que os impedia de fechar os espaço quando necessário — espaço que se traduzia em ameaça ao nosso gol. Mais adiante, ainda entraram Churín e Vini Paulista em lugar de Diego Souza e Bitello — outro gigante no meio de campo.  “Tá louco!”.

Por curioso e não por coincidência, assim que fez a primeira mudança, o Grêmio voltou à partida, roubou a bola, saiu no contra-ataque com Janderson pela direita, que cruzou em direção ao gol para a chegada de Gabriel Silva, que por pouco não abriu o placar. Da mesma forma, diminuiu o risco lá atrás, onde ao adversário cabia apenas arriscar de fora da área.

O gol aos 43 minutos, começa com Janderson na intermediária, que abre para Lucas Silva, que se desloca por trás dos marcadores para receber na ponta direita. De primeira e para o centro da área, nosso volante —- escolhido o Homem do Jogo — cruza. Vini Paulista deixa a bola passar e Churín é derrubado quando tentava concluir a gol. Gabriel Silva também já fechava em direção ao gol. 

Lucas Silva cobrou muito bem. O Grêmio manteve 100% de aproveitamento em cobranças de pênalti —- o que é um fato a ser comemorado, especialmente depois daquela sequência de desperdícios no fim do ano passado. E leva uma vantagem importante para a final na Arena, sábado que vem, especialmente porque está diante de um adversário que precisa ser respeitado. 

Roger sabe o que faz. Sabe com quem pode contar. E quando pode contar com cada um deles. Em pouco tempo, fez-se entender pelo elenco —- como o próprio Lucas Silva disse ao fim da partida  —, montou um time que “marca alto e marca forte” e está prestes a levar o Grêmio ao pentacampeonato, o que, certamente, fará a torcida, cantar alto e cantar forte — menos aqueles que preferem desperdiçar suas energias falando mal do time pelo qual deveriam estar torcendo. Que se danem!

Avalanche Tricolor: mantida a tradição!

Grêmio 0x1 Inter

Gaúcho — Arena Grêmio

Geromel em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estou diante de uma página em branco há algum tempo, a espera de criatividade para conversar com você sobre o Gre-Nal Corujão que assistimos na noite de ontem, disputado em Porto Alegre. Pode ser falta de foco, provocada  pelas poucas horas de sono; pode ser falta de inspiração, por não ter encontrado em campo a mesma precisão no ataque que nos garantiu a passagem à final do Gaúcho, ainda no primeiro jogo da semifinal. Talvez, porque fiquei tentado a falar da violência que voltamos a assistir dentro do estádio, e, confesso, o assunto não me é atrativo, a despeito da sua relevância e necessidade de encontrarmos alguma saída civilizada — até porque essas cenas tem se transformado em marca do clássico, e isso é ruim. Uma tradição a ser abandonada o mais breve possível!

Sobre o tema, a fala de Geromel ao fim do jogo além de cirúrgica foi simbólica ao ser interrompida por outro inusitado caso de violência, em que um funcionário, contratado pela administração da Arena Grêmio, e colorado pelo que se pode entender, resolveu “zoar” os jogadores gremistas ao fim da partida e provocou a reação agressiva de agentes de segurança e atletas. 

“Infelizmente, teve confusão desnecessária, a gente cobra paz, mas tem que começar pela gente para dar exemplo. Conversar para não acontecer novamente. Como eu disse, temos que ser exemplo. A gente reclama, cobra paz e chega aqui e dá mau exemplo”.

Antes de ser interrompido, Geromel falava do embate dos jogadores quase ao fim da partida em que Ferreirinha foi derrubado com um encontrão por um adversário em resposta a comemoração efusiva por alguma conquista que a televisão não me mostrou muito bem. Nosso atacante acabou expulso sem sequer ter reagido a agressão. Punido e fora da primeira partida da final por vibrar em um jogo vibrante? Estranho! Depois, como dois moleques de colégio, os envolvidos e expulsos tentaram se engalfinhar no corredor do vestiário. Dessa vez, os agentes de segurança fizeram seu papel. Proteger!

Quem se protegeu bem foi o Grêmio, apesar do sofrimento que ofereceu aos torcedores — achei que teve proteção de mais para ataque de menos. 

Fiquemos com a parte boa da proteção: Breno está de volta, ganha segurança, fez uma defesa importante e no gol que tomou nada podia fazer. Geromel … esse é gigante! Impressionante o que joga nosso zagueiro, além de ser uma pessoa exemplar dentro e fora de campo. Colocou mais um atacante no bolso; e com o apoio de Bruno Alves que tem se mostrado cada vez mais equilibrado na posição. Quem também não deu chance enquanto esteve em campo, foi Rodrigues que, claramente, tem apoio total do torcedor. 

No meio de campo, Lucas Silva jogou por dois — se é que você me entende. E com a bola no pé, mesmo que mais lento na saída de jogo, soube acionar Campaz, nosso melhor jogador do ataque. O colombiano está cada vez mais à vontade jogando pelo lado direito e tem uma fome de gol que impressiona. Chutar é quase uma obsessão!

Se a vitória não veio, o resultado foi na medida certa. Manteve a decisão na Arena e a tradição: pelo sexto ano consecutivo estamos na final do Campeonato Gaúcho. Essa sim uma tradição que podemos manter por um bom tempo!

Avalanche Tricolor: o Gre-Nal de Roger!

Inter 0x3 Grêmio

Gaúcho – Beira-Rio, Porto Alegre/RS

Roger em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Roger completou, neste sábado, um mês no comando do Grêmio, nesta sua segunda passagem como técnico. A estreia dele na ‘casamata’ foi em 19 de fevereiro, com uma goleada pelo Campeonato Gaúcho. Quatro semanas e seis jogos depois, voltou a golear, agora no clássico e na casa do adversário —- um resultado que deixa o time muito próximo da final da competição.

Se Elias, Bitello e Diego Souza foram os jogadores que fizeram os três gols gremistas, a goleada foi por obra e graça de Roger, que soube, no pouco tempo que teve para trabalhar, entender o elenco que tem em mãos e construir uma estratégia apropriada para essa primeira “semi-decisão”.

A mão do técnico começou a funcionar nas escolhas que passou a fazer algumas partidas atrás, quando ainda estava tateando o grupo e tentando enxergar as soluções disponíveis. No gol, deu segurança a Breno, definindo-o como titular. 

Não se acanhou em deslocar o zagueiro Rodrigues para a lateral direita, ao perceber que ele tem força na marcação, habilidade para levar a bola e velocidade para sair de trás. Com isso, ainda pode contar com o cacoete do zagueiro que fecha na área, ao lado de Geromel e Bruno Alves. Eles, a dedicação de Nicolas na esquerda, e o sistema defensivo de Roger foram imbatíveis, nesta tarde de sábado.

Roger também mexeu no meio de campo, recuando Lucas Silva e deixando Villasanti e Bitello um pouco mais à frente — os dois com boa saída de bola e chegando rápido ao ataque. Todos com a missão de não dar espaço ao adversário —- o que havia sido fatal no último clássico. 

No ataque, mesclou o talento de Campaz, a velocidade de Elias e o incômodo que Diego Souza provoca nos marcadores — só de estar em campo já causa frisson entre os zagueiros que conhecem o histórico de gols dele em clássicos. Como nosso treinador sabia da necessidade de um sistema compacto para evitar o toque de bola adversário, fez com que os dois atacantes que jogavam aberto, se revezassem na volta para a defesa; sempre ficando um mais à frente para escapar em direção ao gol. 

Foi em uma dessas escapadas, ainda aos dez minutos de partida, que se iniciou a goleada, construída por Roger no vestiário. Depois de a defesa interceptar duas tentativas de ataque, Nicolas encontrou Elias correndo por trás dos marcadores. Aos 22, foi a vez de Bitello fazer o seu com mais um chute atrevido de fora da área, em uma bola que o Grêmio interceptou quando forçava a marcação perto do gol adversário. O terceiro, já no segundo tempo, também foi fruto de uma roubada de bola, que culminou no pênalti em Elias, muito bem cobrado por Diego Souza.

Roger ainda tem muito a fazer neste time. E sabe disso. Está ainda tentando implantar o futebol de aproximação, triangulação e movimentação rápida do qual é admirador. Precisará de um pouco mais de tempo, apesar de nos poucos lances em que estivemos com a bola, se perceber que alguns jogadores já conseguem rascunhar a ideia do treinador. 

Com um mês ao lado do campo, Roger corrigiu defeitos, ajustou peças, e tirou o que pode de cada um dos jogadores à disposição. 

O Gre-Nal 436 foi o Gre-Nal de Roger!

Avalanche Tricolor: Limonada vive!

Grêmio 2×0 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Campaz comemora gol olímpico. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Sou do tempo do Banha, massagista que fez história no Grêmio. Resolveu a situação de muito jogador com a musculatura desajustada. O fisico avantajado e a gordura que lhe renderam o apelido eram superados por uma habilidade e velocidade impressionante sempre que era chamado a intervir no gramado. Naquela época, massagista fazia parte da estratégia de jogo: conforme o placar e os interesses do técnico e do time, entrava com maior ou menor rapidez no gramado, assim como estendia ou buscava um atalho no tratamento de emergência,. Na foto clássica do título mundial, de 1983, lá estava perfilado, ao lado do time, o saudoso Banha.

Outros nomes entraram para a história do clube, sem que necessariamente tivessem tido a oportunidade de vestir a camisa do time. De presidentes inesquecíveis, como Hélio Dourado, a treinadores geniais, como Oswaldo Rolla, o Foguinho. Dos massagistas, além do Banha, a quem conheci pessoalmente, e fui cliente, havia o Limonada, que cheguei a usar os serviços quando ele estava iniciando carreira e eu era um eterno lesionado nas quadras de basquete.

Neste fim de semana, Limonada teve seu nome lembrado na Arena do Grêmio. Nome e sobrenome: Darli João da Silva. Foi após a assessoria de imprensa do clube anunciar que seria realizado um minuto de silêncio em homenagem ao funcionário tão querido que teria nos deixado, aos 83 anos. Nas emissoras de rádio, colegas jornalistas reproduziram a informação em tom de lamento; tristeza que durou pouco — ainda bem.

O Grêmio até já havia aberto o placar, com um gol olímpico de Campaz, e o intervalo não havia chegado quando o telefone tocou em um das redações de rádio do Rio Grande do Sul: “Limonada está vivo!”, teria dito o interlocutor que denunciou a “barrigada” gremista. Alertado por uma sobrinha, Dona Liberaci da Silva disse que “o Limão está vivinho aqui em casa. Ele está vivo e bem. Limpa a casa, faz de tudo”. 

Consta que o futebol do Grêmio, também. Graças a Deus!

Avalanche Tricolor: onde está você?!?

Inter 1×0 Grêmio

Gaúcho – Beira Rio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Abri a porta do armário e na terceira gaveta de cima para baixo, encontrei minha coleção de camisas tricolores. Lá tem modelos de anos históricos e outros esquecíveis. Todas devidamente dobradas, com o escudos à mostra. 

Fui até a sala de televisão e encontrei a camisa de Geromel, estendida, e emoldurada na parede, com destaque para o autógrafo de nosso zagueiro. Ao lado dela, está a de Danrlei, com o branco em destaque e listras transversais em preto e azul nos braços e no peito. Foi de um dos muitos títulos conquistados pelo goleiro que fez história no Grêmio.

No outro canto, encontrei a icônica cadeira de metal que adornava o saudoso estádio Olímpico, devidamente recuperada e repintada no azul claro original, com meu nome. No encosto dela, tem a camisa com o número e nome de Pepê às costas.

Os LPs com o registro de áudio de glórias passada, como o do título brasileiro de 1981, uma série de livros contando nossa história e mais algumas quinquilharias em azul, preto, branco seguiam sobre a estante, que fica abaixo da televisão de tela ampla onde assisto aos jogos do Grêmio.

Depois de me certificar da presença gremista nos armários, paredes e estantes, deitei, fechei os olhos e vasculhei meu coração. E, claro, lá estava meu Grêmio.

Fui dormir com a certeza de que o Grêmio segue por aí, só não foi mesmo a campo, ontem à noite, na rodada do Campeonato Gaúcho! Que volte logo!

Avalanche Tricolor: saudade, esperança e paciência!

Nova Hamburgo 1×1 Grêmio

Gaúcho — Novo Hamburgo, RS

Geromel sorri, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um livro para escrever, um prazo de entrega prestes a expirar e um futebol claudicante não me permitem refletir muito sobre o que está acontecendo pelos lados de Humaitá — ah, saudade da época em que escrevia “pelos lados do Olímpico”. Interrompi as tarefas literárias na tarde de sábado para assistir ao Grêmio que voltava seu foco ao Campeonato Gaúcho após o desastre da Copa do Brasil.

Poucas coisas boas — se é que tiveram — apareceram no péssimo gramado do estádio do Vale. Até em posições em que não havia muito com que se preocupar —- no gol, por exemplo —- as dúvidas surgem. E isso é extremamente significativo porque sinaliza que o time está contaminado pelos maus resultados de 2020, ainda não foi capaz de superar o baque do rebaixamento. Que ninguém seja ‘cancelado’ sem que se considere essa situação. Corremos o risco de desperdiçarmos talentos.

O passe sai com a perna curta, o bote na hora errada e a escolha do que fazer é recheada de dúvidas. O futebol decai e ficamos  na dependência da sorte, do erro do adversário ou de uma bola rebatida —- como a que nos permitiu o empate na parte final do jogo. 

Se disse ali em cima que “poucas coisas boas” apareceram, lembro de uma delas agora: o sorriso de Geromel voltou, mesmo que fugaz, na comemoração de um gol que acabou não sendo de autoria dele. Ao menos uma saudade amenizada! Aliás, resumo as coisas boas a um só lance, porque foi nele que me veio a outra alegria, saber do primeiro gol de Gabriel Silva, no time prossional, o guri atrevido com a bola no pé que ainda tinha um motivo especial para homenagear: o avô morto dois dias antes.

Entre saudades e tempo escasso fico aqui na esperança de que Roger tenha um mínimo espaço para fazer o time jogar do jeito que ele gosta. Para isso será necessário também paciência com o treinador, porque a aproximação de jogadores, as triangulações nas diversas partes do campo, o toque rápido da bola não reaparecem de uma hora para outra. 

Saudade, esperança e paciência!

Avalanche Tricolor: Roger voltou; que saudade!

União Frederiquense 3×1 Grêmio

Gaúcho – Frederico Westphalen, RS

Elias comemora gol de pênalti, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

“Ele era a esperança de que estávamos diante de um outro olhar sobre o futebol. Fez-me acreditar que seríamos capazes de implantar um modelo inteligente de atuar. Cheguei a imaginar que a política interna do clube seria insuficiente para influenciar o trabalho dele. Que conseguiríamos desenvolver um planejamento de longo prazo, como fazem as grandes equipes do futebol mundial. Que formaríamos um time de dar orgulho pela maneira de jogar e, claro, em breve, nos desse também os títulos que tanto almejamos”

Por favor, sem julgamento prévio, caro e raro leitor desta Avalanche. O parágrafo acima nada tem a ver com o momento atual do Grêmio e Vagner Mancini, demitido na segunda-feira, um dia após empatar contra o penúltimo colocado do Campeonato Gaúcho. Mancini tem seus méritos próprios, seus limites e dificuldades. Pegou o time em situação complicada no ano passado, com moral baixo e futebol idem. Pouco conseguiu tirar dos jogadores e elenco que tinha à disposição, todos contaminados pela sequência ruim de resultados e em meio a um desorganizar injustificável. Trouxe para 2022 o ranço do torcedor incomodado com o rebaixamento do ano anterior. E pagou com o emprego no primeiro resultado capenga na competição. Sem convicção, a diretoria que bancou sua presença na virada do ano, não resistiu ao grito da arquibancada. Negou sua própria aposta, e depois de ter feito os investimentos que o técnico pediu, entregou a cabeça dele aos torcedores. Não estou aqui a defender a qualidade do treinador que saiu, mas a ressaltar a incoerência dos dirigentes que permanecem. 

Dito isso, voltemos ao primeiro parágrafo desta Avalanche. Nele reproduzi parte do texto publicado com o título “Avalanche Tricolor: é uma pena, Roger não volta mais”, em 15 de setembro de 2016, por coincidência aniversário do Grêmio. Na noite anterior, havíamos sido derrotados por 3 a 0 pela Ponte Preta, em Campinas, em jogo válido pelo Campeonato Brasileiro. Sim, lamentava a demissão de Roger que era pressionado pelos resultados que não chegavam na competição nacional, apesar de ter vencido a primeira partida das oitavas-de-final da Copa do Brasil, fora de casa, contra o Athletico Paranaense.

Em tempo: Copa do Brasil de 2016 que o Grêmio haveria de conquistar, depois de perder o segundo jogo contra os paranaenses, na Arena, e garantir a vaga na decisão de pênaltis. Já sem Roger.

Se lastimava a saída de Roger, o fazia por entender que o treinador havia levado ao Grêmio o que tínhamos de mais moderno na forma de olhar e jogar o futebol naquele momento. Mesmo ainda um novato no comando técnico, precisando amadurecer, soube montar o time e deixar um legado que foi muito bem aproveitado por Renato Portaluppi na sequência de títulos que conquistamos, até chegarmos a Libertadores, em 2017. 

Nunca escondi, em uma só linha desta Avalanche, o quanto admirei as ideias de Roger e a maneira como montou nosso time, promovendo a aproximação de seus jogadores, a precisão do toque de bola e o deslocamento rápido no gramado. Dava gosto de ver o jogo jogado pelo Grêmio. Mesmo com as derrotas que ocorriam, havia a esperança de dias melhores e de um futebol disposto a nos conquistar.

Ao contrário do que escrevi naquela Avalanche de setembro de 2016, em meio a tristeza de sua demissão, Roger haveria de voltar um dia. E voltou!

Que com ele volte o futebol bem jogado. Estou morrendo de saudade!