Um e-mail para Bel Pesce

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Bel Pesce TED

 

Poucos minutos antes das sete horas, ao menos três manhãs por semana, levo meu filho Rodolfo, de 11 anos, ao Pueri Domus. Um trajeto de quinze a vinte minutos. Do Morumbi à Verbo Divino. Tempo precioso para um diálogo com o meu filho. O que me motiva para a jornada que se inicia. Por isso mesmo, para não interferir, ligo o rádio somente depois que o deixo na escola. A não ser naqueles dias em que estou só. E, não faz muito tempo, comecei a ouvir nestas ocasiões a interessante conversação entre o Milton Jung e a Bel Pesce. Quando logo apostei em que a forma jovem do contexto poderia facilitar o entendimento do conteúdo para o meu filho.

 

A primeira confirmação veio de cara. Liguei o rádio e assim que se iniciou o programa não veio nenhum repúdio da parte dele. Fato que me animou a repetir a experiência. Até que na semana passada atrasei a ligar o rádio e ele perguntou: “Não está na hora do caderninho da Bel?”. Contente com o resultado resolvi então comprovar a aposta inicial. E, na segunda feira, entrei no carro faltando dois minutos para as sete horas e não liguei o rádio. Ele sentou e perguntou: ”Você não vai ligar no programa da Bel?” Justamente neste dia o tema se referia ao amor e ódio aos e-mails, terminando na abordagem dos aspectos positivos de parte deles. Sugerindo então que se enviassem e-mails.

 

Motivado pelo resultado da introdução do Rodolfo ao noticiário do rádio, via Bel e Milton, resolvi colocar neste espaço, que ocupo todas as quartas, o agradecimento à contribuição de ambos. E, informar que a CBN ganha um novo ouvinte novo. Rodolfo, 11 anos, e fã do CADERNINHO DA BEL.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: as férias na Vila Prudente

 

Por Martha Catalunha

 

 

Por aqueles idos de 70, eu, uma criança que vivia em cidade pequena movimentada pela velocidade e ruído dos Gordinis e DKVs e passava as férias escolares na casa de tia Francisca e tio Germinal, na esplendorosa metrópole Paulistana. Ali, na Vila Prudente, lembro-me bem, meus olhinhos infantis dançavam e se iluminavam com os out-doors, as letras garrafais em lâmpadas piscando pela cidade, viadutos e semáforos lotados de carros, automóveis, caminhões, ônibus e Fuscas “envenenados”, ah! e a louca e tresloucada velocidade das pessoas caminhando pelas ruas, alamedas e avenidas.

 

Da casa de tia Francisca, subindo no telhado da cozinha, podia ver a estação de trem da Vila Prudente e a fábrica da Ford. Como era gostoso meu Deus, passava horas ali admirando a velocidade de São Paulo… e que velocidade…!

 

Sonhava morar nesta cidade, tomar o trem todos os dias quando entrasse no mercado de trabalho e passar por aquela roleta gradeada e muito grande (para o meu tamanho de menina), a qual eu observava tanto…

 

Muitas vezes, à meia-noite, antes que caíssemos nos braços de Morfeu, eu e meu primo pulávamos da cama para comer aqueles gostosos sanduíches enormes recheados com hambúrguer, salada, tomate, ovo e muita maionese que nosso primo Rude nos trazia de onde trabalhava. Guloseima que eu conhecia somente na cidade grande.

 

Foi também nos rodopios da “Paulicéia” de Mário de Andrade que dei meus primeiros passos numa lenta dança a dois, ao som de Elton John com sua “Goodbye Yellow Brick Road”, puxada pelo meu primo Gérson tão menino quanto eu.

 

Aos finais de semana sempre vinham nos visitar meus queridíssimos e modernos (para a época) primos Adhemar e Helena com sua filhinha Gisele. Ríamos muito, muito e muito, o Adhemar – com suas costeletas à Émerson Fittipaldi – só contava piada, e desopilávamos o fígado como num verdadeiro campeonato de gargalhadas.

 

Uma parte de meus sonhos infantis tornou-se realidade: foi aqui mesmo que principiei minha vida profissional, mas já a Vila Prudente não era a mesma, o viaduto, o que aconteceu mesmo com ele? Ih, o trem perdeu a graça e a estação foi desativada, a velocidade das pessoas misturou-se à minha e os sonhos coloridos da infância repousam inocentemente numa romagem de saudade…

 

Martha Catalunha é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agente entrevista, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa pela e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Conte Sua História de SP: eu, meu irmão e minhas amigas na cidade

 

Por Eloisa Pasquini
Ouvinte-internauta da CBN

 

 

Nasci em São Paulo, em 1953, quando meus pais moravam à Rua Borges Lagoa no bairro de Vila Clementino. Naquela época, a cidade era bem diferente. Meu irmão e eu brincávamos na rua sem nenhum perigo. Havia pouquíssimo movimento de carros e nenhum problema de segurança. Pulávamos corda e amarelinha, jogávamos bola, e a vida era muito boa. Nos dias chuvosos, quando não podíamos sair de casa, meu irmão e eu ficávamos sentados de frente para a janela da sala e a brincadeira era contar os carros que passavam na rua…com certeza havia muito poucos carros nessa época. Lembro-me dos grandes táxis pretos. Todos carros importados, pois a única fábrica nacional era a da Volkswagen.

 

Quando tinha oito anos e meu irmão dez, mudamos para a Rua Manoel da Nóbrega a 400 metros da Avenida Paulista, e paralela a Av. Brigadeiro Luiz Antonio. Nessa época, a Paulista tinha casas residenciais enormes e muito bonitas com lindos jardins. Me lembro de passear na Paulista com meus pais. Era um passeio bonito onde admirávamos as casas, as árvores, as belezas da avenida. Nessa época a região ainda era considerada bairro residencial e o centro da cidade é o que hoje chamamos de centro velho. Na Paulista e na Brigadeiro passava bonde. Lembro-me muito bem como era bom andar de bonde. A região era tão calma que ainda podíamos brincar na rua sem nenhum problema. Meu irmão tinha uma turminha de amigos e eles desciam o ladeirão da Manoel da Nóbrega de carrinho de rolemã. Lá embaixo eles viravam na rua Tutóia, paravam, subiam à pé e desciam tudo de novo. E era pura diversão.

 

Eu também tinha minhas amiguinhas, mas como sempre fui muito moleca, um dia, pedi para andar de rolemã. Não me emprestaram de muito bom grado, mas lá fui eu. Como não tinha experiência, desci a ladeira à toda e quando cheguei na Tutóia não consegui virar, continuei em frente e só parei em frente ao quartel que tinha lá embaixo, bem longe, onde a rua já era de duas pistas. Claro que quando voltei ouvi de tudo … mas não me intimidei e continuei me divertindo. Meus pais só ficaram sabendo que eu andava de carrinho de rolemã quando eu já era adulta.

 

Acompanhei toda a mudança da Av. Paulista. Casas lindas sendo demolidas e prédios enormes construidos. Um vai e vem de caminhões entrando e saindo dos terrenos e de repente um lindo prédio surgia. Me lembro também quando a corrida de São Silvestre era à noite! Sempre na Paulista. Algumas vezes a assistimos ali mesmo, era uma enorme emoção.

 

Apesar de ser uma região residencial já havia alguns cinemas e outros foram surgindo com o tempo. Os cinemas eram na rua e não em shoppings como hoje. Nossa turminha de adolescentes se reunia e seguia a pé para os cinemas. Na volta, mesmo que fosse escuro, não havia perigo e andávamos sem medo de assaltos. Que tempo bom era esse!?

 

Me lembro também do primeiro shopping inaugurado em São Paulo. O Iguatemi na Av. Faria Lima. Se não me engano em 1966. Era uma grande novidade. Nessa época o chique era fazer compras na Rua Augusta.

 

Morei em São Paulo até 2003, quando mudei para Atibaia onde estou até hoje. Na época não foi fácil me acostumar numa cidade pequena, mas hoje gosto muito daqui. À vezes quando estou ouvindo a CBN e ouço a respeito dos congestionamentos de trânsito fico ainda feliz. Aliás, gosto de ouvir vocês e ficar por dentro de tudo que acontece nessa querida cidade onde passei 50 anos da minha vida.

 


Eloisa Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade aqui na CBN. Mande seu texto para milton@cbn.com.br. Ou melhor ainda: agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa: contesuahistoria@cbn.com.br. Você vai lá, grava seu depoimento e ainda recebe um DVD com suas memórias.

Conte Sua História de SP: O dia em que o Corinthians foi campeão

 

Por Suely A. Schraner
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Vai corinthians!

 

Era 1977 e o clima, uma ansiedade cinzenta. A alegria em preto e branco. A realidade em tecnicolor.

 

Luis Pinguinha, faltou ao trabalho para ficar picando papel. O Dario fez um balão enorme em preto e branco. O Muniz saiu pra comprar ingressos pra todos.

 

Não entendia nada do que via. Medo da massa. Virgem de estádio. De concreto o filhinho de seis anos, louquinho pelo Corinthians. Ingresso na numerada, que seguro morreu de velho. As colegas de escritório quiseram ir. As comadres com seus pimpolhos corintianos, também.

 

Entrar no Estádio do Morumbi até que foi fácil. Coração disparado. Como sair daqui no final? Em volta só emoção. Multidão cadenciada entoava: filhos da puta, filhos da puta. Eram guardas que entravam com seus cães policiais. Alinhavam-se em campo para dar mais segurança. Segurança? Engrossar esse coral. Catarse popular. Desabafos anônimos em resquícios de ditadura.

 

Os olhos dos circundantes a brilhar. Ovação ao plantel corintiano. A boca a salivar. Coração a saltitar. Entra a Ponte (Preta) pra enriquecer o repertório de nomes feios.

 

Começa o jogo. A Jurema gritava:Geraldão, minha paixão, Geraldão, minha paixão! Virou bordão.

 

Bem depois e era já, aos 36 minutos, Zé Maria bate uma falta pela direita. A bola percorre toda a pequena área e vai parar no pé de Vaguinho. De bico, ele chuta a bola no travessão do goleiro Carlos. Na volta ela quica no chão e sobe para Wladimir cabecear. Em cima da linha, Oscar também de cabeça, salva. No rebote, a bola sobra pro pé direito de Basílio. Ele faz o gol. Quebrou o jejum de 23 anos! Festa no Morumbi. No cordão de isolamento até os guardas chorando.A torcida invade. Faz mal não.

 

Esperar a vida toda pra sair do estádio. Ainda assim, massa comprimida. A numerada é pra poucos. A rampa de saída, pra todos. Neguinho segurava a bandeira no ombro.Enorme. No mastro de bambu, a cachaça já secara. Com a mão livre, batucava levemente nos traseiros de quem vinha à frente. A Jurema perdeu o radinho de pilha. Roubaram o guarda-chuva da Neuza.

 

Na rua lateral , o ônibus da torcida Ponte Preta. Se puseram a cantar: Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni. O filho falou, vamos correr mãe? Melhor não, ela respondeu. Então vou tirar a camisa.Não demonstre medo, que é pior, filho. Uma pedra acertou o braço, outra maior nas costas. Lapidação bem agora? Uma viatura chegando. Ufa!
O resto foi o que vocês ouviram no rádio.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: Maurício Goldstein fala de gestão inovadora

 

 

Uma crença fundamental no ser humano, este foi o fator diferencial que os consultores Maurício Goldstein e Vicente Gomes, da Coral, encontraram nos líderes de 24 empresas identificadas por eles como adaptadas as atuais exigências do mercado. O resultado desta pesquisa está no livro “Novas organizações para uma nova economia – Um mundo onde as empresas, as pessoas e o planeta prosperam juntos”, ponto de partida da entrevista do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Goldstein destacou ainda que essas corporações geralmente têm um fundador ou um líder muito forte, carismático e um sonho mobilizador.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br), com participação dos ouvintes pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: levei meu pai pela primeira vez ao estádio

 

Por Clarindo Oliveira

 

 

Ouça aqui a história do ouvinte Clarindo Oliveira que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo

 

Como tantos outros meninos, lá pelos meus 7 ou 8 anos, escolhi o time que iria torcer pelo resto da minha vida. Por influência do meu pai e do meu irmão, decidi ser palmeirense. Decisão fácil. No começo dos anos 70, o time era fantástico! Era a famosa Academia. O Verdão ganhava tudo: Campeonato Paulista, Brasileiro, torneios internacionais. Enquanto isso, o nosso rival amargava quase 20 anos sem nenhum título.

 

Minha estreia como torcedor num estádio foi em 1977 no Morumbi. Era um torneio chamado Taça Governador de São Paulo. Foram dois jogos numa noite só: “Ex-Time da Marginal sem número” versus “Time da Vila” e Palmeiras versus Atlético de Madrid. Nosso time tinha Leão, Jorge Mendonça, Edu. E Ademir da Guia, é claro. Muitos diziam que ele era lento, ultrapassado. Pura dor de cotovelo. Ele estava sempre onde precisava estar. Seus passes eram precisos. Dava ritmo ao time. Um verdadeiro maestro! Do time espanhol, eu só conhecia um “tal” de Luís Pereira. O placar foi 1 x 1 e depois perdemos nos pênaltis. Na rodada seguinte, os espanhóis se sagraram campeões.

 

Além de admirar o Divino, muita coisa me encantava. A começar pelo fato de que 3 grandes torcidas dividiam pacificamente o mesmo espaço num Morumbi lotado. Todos sentados lado a lado. Diziam que havia mais de 100.000 pessoas naquela noite. Num dado momento, começou um coro lá do outro lado do estádio e eu aderi na hora: “Ôôôôôôô, Ôôôôôôô”. Dizem que a torcida “daquele time” trouxe um leitão pintado de verde e o lançou arquibancada abaixo. Isso eu não vi mas, na verdade, o coro era “Porcoooo, Porcoooo”!

 

Mal sabia que eu e toda a nação alviverde seríamos atormentados por aquele apelido por muitos anos… Até que, num lance de mestre, a nossa torcida decidiu adotar o simpático animal como um de seus mascotes.

 

Passemos a Janeiro de 2007. Meu pai, já com mais de 80 anos, passou o fim de semana comigo. Ao levá-lo para casa, ele me disse que não estava reconhecendo o caminho de volta. Foi quando parei na Avenida Sumaré e peguei sua camisa do Palmeiras e disse: “Pai, estamos indo ao Parque Antarctica para ver um jogo”.

 

Ele, que nunca havia entrado um estádio, balbuciou umas poucas palavras, dizendo que já estava velho e que o joelho não aguentaria subir as arquibancadas. Que nada! Ele cantou, xingou e vibrou muito quando o Verdão de Marcos, Edmundo e Valdivia marcou o único gol da partida contra o Santo André.

 

Guardo aquele domingo com muito carinho no coração. Pelos poucos anos que ainda esteve conosco, meu pai sempre falava com muito orgulho que seu filho o levou para assistir uma partida de futebol. Eu via em seus olhos a alegria de um sonho realizado. Tenho certeza que ele via nos meus o sentimento de missão cumprida.

 

Clarindo Oliveira foi o personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é de Cláudio Antonio. Participe deste programa enviando textos para mundocorporativo@cbn.com.br ou agende entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.com.

Mundo Corporativo: Marcelo Pinto dá sugestões para gerenciar o humor na sua empresa

 

 

Cuidar do humor no seu local de trabalho pode render muito mais do que boas risadas, é o que pensa o advogado trabalhista Marcelo Pinto, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. O consultor oferece inúmeras sugestões que colaboram com a criação de um ambiente criativo e saudável nas empresas. O método que defende é composto por etapas que reunidas formam num acróstico a palavra SMILE – Sorria, Mude de atitude, Identifique oportunidades, Lidere positivamente, Envolva e execute. “O humor é uma competência que começa a ser valorizada pelas empresas”, diz o autor do livro que leva o mesmo nome do método que propõe: “O Método S.M.I.L.E. para Gestão do Humor no ambiente de trabalho – Um guia prático para humanização corporativa”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN (www.cbn.com.br) e você participa com e-mails para mundocorporativo@cbn.com.br e pelos Twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: assustada com o barulho dos aviões, em Congonhas

 

Por Maxionilda Schiavinatto Gubolin
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Com muita alegria escrevo essas linhas pra contar um pouco da minha história, da minha vida na grande cidade de São Paulo. Eu era menina, tinha 11 anos de idade. Era de Jales no interior, e vim para São Paulo trabalhar como babá na casa da Dona Ivone e do Dr. Amaury, olhando o pequeno Fernando, na época com oito meses. Morávamos em uma casa com sua irmã Zoraide e seu esposo Dr Velozo, diretor do Hospital Osvaldo Cruz, e os filhos deles, Maria Angélica e José Roberto. Essa casa era próxima ao aeroporto de Congonhas em frente a um quarteirão da Aeronáutica, onde, lembro bem, nós pegávamos água. A Aeronáutica continua lá, mas em frente ao Shopping Ibirapuera. Nas férias, os filhos desses doutores iam para nossa casa no interior para brincar, mesmo sendo uma casa de pau à pique era muito divertido. Aqueles senhores gostavam muito de nós e sempre pediam aos meus pais que deixassem eu morar na capital para estudar, mas retornei para Jales.

 

Outra coisa que ficou marcada em mim foi o 25 de janeiro de 1954. São Paulo fazia 400 anos. A Dona Ivone sentou ao meu lado e disse: “Maxionilda, hoje São Paulo faz 400 anos estamos todos aqui, mas quando fizer 450 anos posso não estar mais, mas você estará para lembrar esse dia”. Lembro-me de ir à igreja de Moema, ao circo Arrelia, de ver a Angela Maria cantando na televisão que tinha acabado de ser lançada, das idas ao parque do Ibirapuera e de andar de bonde. Foi uma época maravilhosa o tempo da garoa. Lembro-me de ter visto o sol raras vezes em três meses que fiquei aqui. Ah! Lembro também de acordar assustada com o barulho, mas logo eles me acudiam dizendo que era o avião decolando ou pousando. A iluminação das ruas era com lampião de gás.

 

Há algum tempo voltei àquele lugar e procurei notícias sobre Dona Ivone e o Dr. Amaury, mas os vizinhos me disseram que tinham mudado para o Brooklin. Gostaria muito de revê-los. Enquanto não consigo, aproveito para deixar um abraço para eles. Hoje, tenho 71 anos, três filhos e três netos, moro em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Sempre conto aos meus netos essas gostosas aventuras, pois sou muito honrada por ter vivido histórias tão lindas na capital.

 

Maxionilda Schiavinatto Gubolin é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade, mande seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Mundo Corporativo: Eva Hisrsch fala sobre líderes que sofrem da Síndrome do Impostor

 

 

Líderes que assumem posição de destaque mas são incapazes de identificar suas qualidades para ter alcançado o sucesso na carreira e, geralmente, creditam esta ascensão a fatores externos podem estar sofrendo da Síndrome do Impostor. De acordo com Eva Hirsch Pontes, diretora da Fênix Coach, apesar de ser mais comum de diagnosticar o problema em executivos, este distúrbio pode atingir profissionais em qualquer nível na organização e, também, estudantes. Pontes foi entrevistada pelo jornalista Mílton Jung no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. A melhor forma de corrigir este problema que pode atingir a performance do profissional dentro da empresa e outras barreiras que os líderes e colaboradores encontram no seu cotidiano também foram tratados no programa.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN – http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Conte Sua História de SP: quando era um bosque o meu bairro

 

Por Silvio dos Santos
Ouvinte da rádio CBN

 

Imagem aérea da época em que o Bosque da Saúde era um bosque

 

Sou paulistano do Bosque da Saúde, bairro criado com a construção da linha de bonde nº30, no início do século 20. O bairro era realmente um bosque de araucárias que resistiram até a década de 1950. O Bosque, como era conhecido, começava na atual Praça da Árvore (estação da linha Norte-Sul do metrô), antiga primeira secção da linha de bonde Jabaquara. Descia pela Av. Bosque da Saúde, ruas Ibirarema e Guararema até o ponto final na Tiquatira. O Grupo Escola Princesa Isabel, imponente construção em tom rosa, da década de 1940, foi o berço do conhecimento de muitas gerações, posteriormente complementada pelo Instituto de Educação Conde José Vicente de Azevedo, conhecido apenas como Conde. Cortado pelo histórico  Riacho do Ipiranga  era reduto de numerosos campos de futebol de várzea, entre eles o Corintinhas do Bosque, o Cometa e o Granadeiros. Enfim, era um reduto aprazível dentro do mosaico dos bairros paulistanos.

 

Sílvio dos Santos é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você também pode contar mais um capítulo da nossa cidade. Mande seu texto para milton@cbn.com.br ou marque entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistória@museudapessoa.net.