No rebobinar da memória, lembranças de meu cotidiano matinal no rádio

 

 

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Foto: Pixabay

 

 

Era cedo — mais uma vez. Tudo parece acontecer logo cedo comigo. Não só parece. Acontece mesmo, porque cedo é que o meu dia começa. Começou, nesta quarta-feira, em 15 de julho de 2020 com as principais notícias do dia. Para logo em seguida uma estranha reversão do tempo atingir minha mente.

 

 

Às 6h45 da manhã, voltei dois ou três anos ao informar que no centro da cidade a temperatura era de 14°C. Nem a sede da rádio, em São Paulo, está por lá — é na zona Sul — nem meu estúdio avançado da quarentena fica na região — é na Oeste. Costumava usar a expressão quando trabalhava no tradicional endereço da rua das Palmeiras, no bairro de Santa Cecília — este sim no Centro —, onde ficavam os estúdios da CBN e da rádio Globo. Foi lá que comecei a trabalhar. Onde cometi meus  erros e enganos. Onde também tive experiências profissionais memoráveis. Onde pratiquei jornalismo por 20 anos.

 

 

Imagino que tenha sido reflexo de outro recuo que minha memória me proporcionou um pouco mais cedo — não disse que tudo acontece muito cedo comigo?

 

 

Ainda eram 6h15 da manhã quando voltei mais de 30 anos no tempo. Já no bom dia da Aline Tochio, que atualiza a previsão do tempo no Jornal da CBN, e sempre recebe os ouvintes com muita simpatia e precisão, em vez de falar de São Paulo — como fazemos todos os dias —, resolvi perguntar sobre a temperatura em Porto Alegre, onde havia visto, minutos antes, que fazia um frio de renguear cusco — perdão pelo gauchismo.

 

 

Nossa meteorologista, sempre atenta aos monitores e radares, além de bem informada, confirmou que o frio era intenso: “neste momento, temos 5°C no Aeroporto Salgado Filho”.  Foi a senha para a fita rebobinar uns 30 e pouco anos. E eu me enxergar com 23 ou 24 anos de idade, época em que trabalhava na rádio Guaíba, e era o primeiro repórter a entrar no ar no programa matinal — sim, lá também as coisas aconteciam muito cedo para mim. Os termômetros do aeroporto de Porto Alegre faziam parte da minha fala na rádio, assim como as condições dos voos e uma ou outra notícia que surgisse no saguão do Salgado Filho.

 

A Cássia Godoy logo me cobrou que contasse essa história no ar. Não tive tempo. Preferimos tratar de coisas mais relevantes para os ouvintes.  Aqui no blog o espaço é livre e pode ser ocupado com reminiscência, por isso, reproduzo trecho de texto que publiquei no início desta pandemia, quando fui levado à reclusão. No qual comparava o momento que estou vivenciando com a apresentação do Jornal da CBN de casa e aquele tempo em que, de casa, entrava ao vivo na Guaíba:

“É estranho mas não inusitado. Em meus primeiros anos de rádio, nos anos de 1980, tive uma experiência curiosa. Na época, trabalhava na rádio Guaíba de Porto Alegre e fazia minha primeira participação, logo depois das seis da manhã, com informações do aeroporto Salgado Filho. Diante da necessidade de reduzir custos, a rádio combinou que eu continuaria atualizando as notícias do aeroporto — condições para voar, voos atrasados, lotação dos aviões entre outros assuntos —, mas diretamente de casa.

 

Era fim de madrugada quando acordava e ligava para os balcões das companhias aéreas — Varig, Vasp e Transbrasil —, para a torre de controle e para o telefone do ponto de táxi que ficava em frente ao aeroporto. Os motoristas descreviam o movimento de passageiros e informavam a temperatura registrada pelo termômetro de rua. Com esse arsenal de informações, me preparava para entrar no ar na Guaíba.

 

Encerrava meus boletins informando a temperatura na cabeceira da pista, uma forma que encontrei para dar um pouco mais de realidade aos fatos, quando de verdade eu estava falando, ao vivo, da cabeceira da minha cama. Registre-se que
em nenhum momento, no bate-papo com o âncora do Jornal, dizia que estava no aeroporto para não perder a confiança do ouvinte assim como não comentava que estava em casa — algumas vezes fui traído pelo nosso cachorro de estimação, que latia “diretamente do pátio”.

 

Se no ar tudo transcorria normalmente e a prestação de serviço atendia a expectativa do público, lá na minha casa, em Porto Alegre, eu me tornei um estorvo para meu irmão. Imagine que nós dividíamos um quarto e, portanto, todos os dias, às seis da manhã, ele era acordado aos berros por minhas notícias sobre saídas e chegadas de aviões e, claro, a temperatura na cabeceira da pista. Foi difícil para ele e constrangedor para mim, mas nada que estragasse nosso companheirismo, mantido até os dias de hoje”

Tantas lembranças, tão cedo e em tão pouco tempo talvez se justifiquem pelo que a psicóloga Simone Domingues nos ensinou recentemente em outro texto publicado neste blog. Escreveu que diante das restrições que vivemos, com o mundo praticamente parado, incapazes que estamos de projetar o futuro, tendemos a resgatar o passado. Um cenário de saudades que põe nossa memória em ação.

 

Ao menos desta vez, a memória levou-me a momentos felizes que vivenciei. Nem sempre tem sido assim.

Sua Marca: três sugestões para construir relação com o cliente mesmo à distância

 

“Profilaxia e exames regulares garantem sobrevida e vigor para as marcas”— Cecília Russo

 

 

Dos muitos desafios impostos pela pandemia um deles foi o distanciamento das marcas com seus consumidores, que deixaram de frequentar os pontos de venda, obrigando-as a mudar de estratégia e o modo de agir. Saíram-se melhores aquelas marcas que, antes das restrições impostas pela Covid-19, já tinham a preocupação de criar vínculos consistentes com os clientes.

“Não se cria preferência por marcas da noite para o dia … estamos sempre diante de um processo que é longo, cansativo e exige consistência de uma marca” — Jaime Troiano.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime e Cecília relembraram a analogia que fazem com os contos do livro “Mil e uma noites”, no qual a personagem Sherazade constrói histórias sobre diversos temas que encantam o Sultão e, assim, evita que ela seja morta.

“Marcas precisam ser alimentadas por histórias, por comunicação, por trazer uma nova embalagem e encantar o seu consumidor todos os dias em todas as possibilidades que tiver” — Cecília Russo

Três sugestões de como as marcas devem se comportar estando à distância do consumidor, neste momento, e construir uma ponte para o futuro:

 

  1. Consulte seu cliente: às vezes ouvimos o que não gostamos, mas é fundamental para o saber o que ele está falando de você, e mudar o rumo se for necessário;
  2.  

  3. O público interno tem papel fundamental na construção da marca: são os colaboradores que ajudam a criar sólida consistência na relação com o consumidor, com aquilo que ele fala da porta para fora. Lembre-se que marca não é tapume;
  4.  

  5. Seja simples na hora de falar da sua marca, não complique nem prometa o que você não vai cumprir

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

Medo da Covid-19 e comunicação malfeita agravam transtornos na pandemia

 

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Foto Pixabay

 

Era cedo ainda. Estava escuro lá fora. A segunda nem havia começado direito e duas reportagens publicadas, em O Globo, já se destacavam na tela do meu celular. Dizem que somos mais suscetíveis aos temas que tocam nosso coração (neste caso, nossa mente). E talvez isso justifique meu olhar ainda marcado pelo sono e pela noite nem sempre bem dormida. Falavam de saúde mental e como estamos impactados nesta pandemia.

 

Os links para as duas reportagens estão na sequência deste post. Como o acesso é para assinantes, dada a importância do assunto, tomo a liberdade de reproduzir alguns trechos do trabalho das repórteres Evelin Azevedo e Gabriela Oliva.

 

Uma das reportagens dava nome e sobrenome para um transtorno que se agravou com o risco de contágio pelo coronavírus: ‘Fear of Going Out’ (‘Fogo’), associado a eventos estressantes fora de casa.

 

Entenda o que é Fogo, a síndrome do medo de sair às ruas, agora agravada pela pandemia.

 

Diz Daniel Mograbi, pós-doutor em psicologia e neurociências pelo Instituto de Psiquiatria do King’s College London:

“O medo de sair de casa é uma sequela da ansiedade, que está agravada durante a pandemia. Esse medo ocorre quando a pessoa tem algum evento estressante na rua, como um ataque de pânico. Agora, com a pandemia, a rua se tornou um espaço potencialmente perigoso. Ou seja, foi acrescentado aos medos existentes o novo medo, que é a infecção pela Covid-19”.

E qual caminho seguir? Mograbi responde:

“De uma forma geral, a pandemia fez explodirem os casos de ansiedade pelo medo de contágio e também pelas limitações relacionadas ao lazer. Por isso, se a pessoa está com um pânico, a recomendação é começar devagar. Em um quadro mais leve, exercícios de respiração e práticas contemplativas ajudam. Já em cenário mais grave, recorrente na rotina, aconselho acompanhamento médico — diz o psicólogo”.

A outra reportagem, que também está na versão impressa de O Globo, mostra como a falta de uma comunicação assertiva por parte das autoridades tem impacto na saúde mental das pessoas.

 

Incerteza sobre isolamento social traz impactos para a saúde mental

 

Leia o que diz Ronaldo Pilati, professor de Psicologia Social da UnB:

“Informações conflitantes podem gerar um estado de desamparo nas pessoas, fazendo com que não confiem mais nas notícias oficiais. Isso é algo que prejudica muito a orientação da população. Se existisse um processo mais ordenado de comunicação do governo, provavelmente as pessoas teriam mais segurança ao buscar informações para orientar seus próprios comportamentos e suas medidas de proteção. Essa descoordenação pode ter impacto no aumento eventual de ansiedade, principalmente por conta da incerteza em relação ao enfrentamento da doença no retorno às atividades normais”

E como amenizar essa dor? Quem responde é Deborah Suchecki, professora do departamento de Psicobiologia da Unifesp:

“Quando recebemos um abraço, o corpo libera um hormônio chamado ocitocina, que atua reduzindo a atividade de uma estrutura no cérebro que é reativa a emoções negativas, chamada de amígdala cerebelosa. A ocitocina é liberada com o toque, então, a automassagem pode ajudar muito no controle da ansiedade”

Dito isso, eu sigo por aqui, sem sair de casa.

 

Boa segunda-feira! E aquele abraço!

Conte Sua História de São Paulo: meu dia de artista na TV

 

Por Eduardo Ráscio
Ouvinte da CBN

 

 

Em nove de fevereiro de 1969, portanto já se passaram mais de  50 anos, minha mãe nos levou a participar do programa infantil mais popular da época: o “Pullman Jr”, da TV Record de São Paulo.

 

Fomos de táxi —- eu, meus irmãos, Raymundo e Ronald, e meus primos-irmãos, Renzo e Telma. Logo que chegamos, ainda na portaria da emissora, nos chamou atenção a presença de Jô Soares —- passou correndo pela gente, atravessou a rua e entrou em uma padaria, sumindo das nossas vistas.

 

O programa era apresentado de um estúdio no antigo bairro Aeroporto, hoje Moema. As crianças ficavam sentadas em várias mesas redondas. E eram entrevistadas pelo ator Durval de Souza. Para umas, pedia apenas o nome e a idade. Para outras, fazia várias perguntas. Serviam guaraná e bolo da marca Pulmann, o patrocinador do programa. As conversar ocorriam entre desenhos animados e brincadeiras comandadas pelo apresentador.

 

Durante o programa, chamou atenção de Durval de Souza o porte físico do meu irmão Raymundo, que não quis sentar-se a mesa e ficou em pé, recostado em uma das paredes do estúdio. Durval aproximou-se dele e perguntou: “você é o Apollo?” — comparando a altura dele ao foguete Apollo que levou o homem à Lua. Constrangido, meu irmão respondeu apenas com uma risadinha.

 

No fim do programa, outra surpresa: foi sorteada uma corbelha de flores que por obra do acaso, ou de Deus, quem ganhou foi meu primo Renzo — por coincidência era o dia em que a mãe dele, a Dadá, minha tia e madrinha de batismo, completava 39 anos de vida. Na entrega do prêmio, instruído pela minha mãe, Durval de Souza, mencionou a data de aniversário da Tia Dadá,

 

No dia seguinte, na portaria da escola, outro motivo de orgulho para mim: fui abordado por um colega de classe, o Wilson Carbone, que disse ter me visto no programa “Pullman Jr”.

 

O tempo passou e para mim esse episódio —- o meu dia de artista — permanece claro, como água cristalina, em minha lembrança.

 

A saudade sepulta o coração em vida!

 

Eduardo Ráscio é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: “o novo normal, não vai ser novo nem normal”, diz Marcelo Miranda, CEO na Espanha

 

 

“Se existe algum novo normal esse novo normal é a mudança constante porque quando ele chegar, o novo normal, não vai ser novo nem normal para a gente, nós vamos viver, por muitos meses, mudanças constantes” — Marcelo Miranda

Há dois anos no comando de um empresa da área de construção civil, em Saragoça, na Espanha, o executivo brasileiro Marcelo Miranda teve de enfrentar os efeitos sanitários e econômicos da pandemia bem antes de seus compatriotas. Com pouco tempo para se adaptar às medidas restritivas e aos riscos da doença, a empresa da qual é o CEO, a Consolis Tecnyconta, líder na Europa em concreto pré-moldado, teve de ser ágil para mudar processos, trabalhar à distância e oferecer segurança aos seus profissionais.

 

Os primeiros casos de contaminação, entre os espanhóis, apareceram entre o fim de janeiro e as primeiras semanas de fevereiro. Em 14 de março, o país teve de parar, com a decretação de regras que limitaram a circulação de pessoas e obrigaram o fechamento da maior parte das atividades econômicas. A Espanha foi uma das regiões que mais sofreram com a COVID-19 e atualmente registra perto de 28 mil mortes e cerca de 254 mil pessoas infectadas, tendo uma população em torno de 47 milhões de habitantes.

 

Ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Marcelo Miranda falou das estratégias usadas para enfrentar a primeira onda do coronavírus no país e de como a empresa se organizou para a retomada das atividades. Ele identificou três estágios importantes diante da crise: o primeiro que foi o de pensar na sobrevivência com o acolhimento das pessoas e suas famílias; o segundo, o de como operacionalizar os sistemas para manutenção dos negócios; e, o terceiro, o de repensar a empresa:

“… esse repensar tem andado ao lado da construção: digitalização; tecnologias de industrialização e pré-fabricação de construções; e o lado humano das construções, de como a arquitetura pode ajudar a vivermos de uma maneira mais humana e com mais qualidade de vida”.

Para Miranda, inovação é resolver problemas e, assim, as empresas precisam identificar quais serão os problemas daqui para a frente. Nesse momento, ele vê a necessidade de o setor da construção civil como um todo, e não apenas a sua empresa, passar por uma intensa transformação. Pois diz que essa indústria ainda é de pouca confiabilidade, de grande impacto ambiental e que emprega mão de obra não-qualificada:

“O que vai acontecer é a celebração de uma transformração dessas empresas com visão mais consciente do seu papel na sociedade”.

Para os empresários brasileiros que planejam como gerir seus negócios após a pandemia da Covid-19, Miranda sugere que se busque criar ambientes mais saudáveis nas relações de trabalho, nos quais os profissionais sintam-se confiantes em implantar transformações e tenham espaço para errar e corrigir rapidamente sempre que necessário:

“Essa cultura organizacional de facilitar as decisões, de facilitar a comunicação, de aproximar as pessoas, de ser uma cultura mais horizontal e mais voltada para resultados mesmo de curto prazo é o que realmente tem feito diferença para quem já tem isso desenvolvido. Às empresas que não têm, nunca é tarde para começar e aprender”

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN. O programa tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: o legado americano na gestão de marcas

 

 

 

“Não é exagero dizer que sem eles talvez não estivéssemos fazendo o que estamos fazemos hoje. Nós aprendemos muito com eles.” — Jaime Troiano

O que se aprendeu sobre gestão de marcas ao longo dos tempos deve-se muito a pensadores e especialistas americanos, seja pelos ensinamentos e técnicas que desenvolveram seja pela forma como aplicaram nas mais diversas áreas. Aproveitando que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi ao ar no dia 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram as muitas contribuições de profissionais como Philip Kotler, David Aaker e Donald Schultz. 

 ‘Eles entenderam que branding é uma coisa que tem que se profissionalizar’ — Cecília Russo

Um dos métodos lembrados por Jaime é o do uso de imagens para entender o que o consumidor pensa sobre a marca em lugar de apenas perguntar para ele a sua opinião —- hoje disseminado pelo mundo, que surgiu nos Estados Unidos. Já Cecília destaca a maneira como essa visão do branding se expressa na organização de eventos artísticos e esportivos:

“Esses eventos vão além do seu caráter esportivo, por exemplo, são grandes espaços para as marcas se posicionarem, lançarem campanhas e envolverem os torcedores”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Conte Sua História de São Paulo: o barco que eu construí na minha casa

 

Por Eduardo Coelho Pinto de Almeida
Ouvinte da CBN

 

 

Em 1948, eu tinha 12 anos, morava na Simão Alvares, em Pinheiros, uma travessa da Teodoro Sampaio, onde passava o bonde número 29/Pinheiros. Os trilhos vinham em fila dupla, uma de ida e outra de volta, desde a praça Ramos de Azevedo até a Rua Fradique Coutinho. Dessa esquina em diante, até o largo de Pinheiros só havia trilho para um bonde, tanto para ir quanto para voltar. Quando um bonde
ia descer até o largo, ligava uma luz no poste indicando que já havia um
bonde lá e não poderia entrar outro.

 

Nessa ocasião, estava sendo construído um grande numero de prédios de 3 ou 4 andares, nos terrenos que tinham sido ocupados pela Hípica Paulista, que havia se mudado para a Rua Quintana, no Brooklim. Quando eu estava voltando da escola, encontrei junto às obras uma grande quantidade de retalhos de madeira jogados fora pelos carpinteiros.

 

Eu havia visto na vitrine da loja Elite, da praça da República, em frente à minha escola, a Caetano de Campos, um barco tipo Sandolin, todo feito de sarrafos de madeira e recoberto com lona.  Peguei uma quantidade que julguei necessária e pus mãos à obra, por muitas semanas. Até que terminei a estrutura, que, modéstia à parte, ficou bonita, principalmente para um garoto de 12 anos de idade.

 

Uma noite, o Dr. Francisco Samarro Neto, dentista, que tinha o consultório ao lado do de meu pai, na Praça Ramos de Azevedo, foi jogar buraco em minha casa e vendo o esqueleto do barco admirou-se e perguntou: O que falta agora? Eu expliquei que faltava cobrir com lona, mas que nunca seria feito pois custava muito caro.  Mais tarde o Dr Samarro falou: — amanhã, quando você sair da escola dê uma passadinha no meu consultório.

 

Quando eu cheguei lá, ele disse: — gostei muito do barco que você está
fazendo; tome este dinheiro que é o que você falou que custaria a lona e
termine seu barco.

 

Era dia 13 de Agosto, sexta-feira, de um ano bissexto, 1948. E eu pensei: “estes adultos não entendem nada sobre dias de azar; o dia mais feliz da minha vida, uma sexta-feira, 13, de ano bissexto, e eles dizem que é dia de azar!”

 

Esse barco teve muitas histórias, mas está eu conto em outra oportunidade.

 

Eduardo Coelho Pinto de Almeida é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: se capotar é preciso, aprenda como com Amyr Klink e Armando Oliveira

 

“…. nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente”, Amyr Klink

 

“… é justamente neste momento de crise que a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto”, Armando Oliveira

Prática e teoria. Jornadas e processos. Experiência e conhecimento. Um pouco de cada um e tudo isso reunido, resultou em um encontro que até então parecia impossível: o mestre em projetos de TI Armando Oliveira, que na sala de aula motiva seus alunos ilustrando os ensinamentos de sua área com situações do cotidiano, e o navegador Amyr Klink, que não esconde o constrangimento em usar sua história como referência para a vida dos outros —- não que não tenha noção da dimensão de seus feitos, mas a timidez o impede de pensar que possa ser um guia para quem pretende superar desafios nas mais diversas áreas.

 

Armando e Amyr foram os convidados do programa Mundo Corporativo para falar, entre outros temas, de como enfrentar este momento no qual as restrições impostas pela pandemia têm deixado muitas pessoas isoladas e negócios paralisados. Recentemente, Armando lançou o livro “Capotar é preciso” (Companhia das Letras), escrito a partir de longas conversar que manteve com o navegador. Eles não se conheciam, e quando Amyr foi procurado pelo professor de projetos de TI, imaginava que seria um bate-papo rápido com alguém curioso por suas histórias. Surpreendeu-se com o que ouviu e também aprendeu.

“Eu acho engraçado ser convidado para palestras sobre, por exemplo, planejamento, organização e gestão de negócios, porque eu sou muito desorganizado, mas nos projetos que a gente faz não tem espaço para desorganização, a gente morre, então quando eu estou montando um projeto, eu mudo completamente. Eu vou as raias da loucura pra tentar cercar todos os problemas, mitigar falhas, essas coisas” Amyr Klink

Curiosidade pelas histórias do navegador, é claro que Armando Oliveira tinha, mas com um objetivo bem claro: conhecer a experiência de Amyr Klink era a oportunidade de ganhar mais repertório para as aulas de projeto, na faculdade:

“Eu usava exemplos e analogias de como seria o mundo dos projetos a partir de cases acadêmicos, e passava a impressão de que estivesse querendo ensinar a profissão aos alunos: não vou ensinar o engenheiro a erguer um prédio ou o Amyr Klink a navegar. Quando busquei o exemplo dele, os alunos ficavam muito mais abertos de ouvir essas experiências E isso começou a facilitar os ensinamentos que a gente queria que eles entendessem: a parte de gestão dos projetos e não a parte técnica. E quando a gente conversa sobre os projetos do Amyr, que lida com as emoções extremas, isso facilita o aprendizado”.

O título do livro, Capotar é preciso, é baseado no conhecimento que Amyr Klink obteve no primeiro projeto de travessia do Atlântico Sul, em 1984, quando estudava formas de superar o desafio em um barco a remo e acreditava que a chave do sucesso seria criar uma embarcação que não capotasse. Graças a intervenção do engenheiro José Carlos Belfort Furia, da USP, descobriu que sua visão estava errada. O professor  recomendou que “ele abraçasse esse problema, dormisse com esse problema, em busca de uma solução”.  Mudou o projeto e o restante da história se conhecesse muito bem.

“Eu nunca esqueci esta historia de abraçar os problemas: Tem gente que acha uma espécie de pessimismo ficar estudando as razões do fracasso. Em vez de acreditar que o universo conspira a seu favor, essas coisas, eu penso totalmente diferente. Eu penso que o universo conspira contra, e eu gosto de descobrir os problemas e construir uma solução”.

Uma das preocupações de Amyr Klink durante essa pandemia é que devido as restrições para navegação, teve de deixar o “paratiizinho” — como chama carinhosamente a embarcação  que já realizou 25 travessia em 30 anos, atracado nas Ilhas Falkland —- ele teme encontrar dificuldades para negociar a retirada do barco do território que está sob domínio britânico, já que “o Brasil não está bem na foto”.

 

Sobre a travessia que enfrentamos com as crises provocadas pela pandemia, Amyr diz que o mais difícil neste momento é a falta de rumo. Lembra que nas suas jornadas em alto mar, ele tem noção de quando será a partida e qual é o seu destino. Tem um ponto chegada. Nesta pandemia, diz, ninguém sabe qual é.

 

Já Armando busca forças para superar as dificuldades do momento com uma lição que aprendeu com o próprio navegador:

“O Amyr em uma conversa até recente, comentou que o tempo que ele cometeu as maiores burradas de projeto foi o tempo em que ele tinha excesso de patrocínio, condições propícia à vontade. Foi o tempo que eles mais desperdiçaram os recursos e acharam as soluções piores possíveis. E, ao contrário, quando ele foi forçado a passar por algumas situações em que ele tinha poucos recursos e poucos apoios foi quando ele tinha as soluções mais interessantes. Eu fui pego em cheio por essa questão da pandemia e é justamente quando temos de ter equilíbrio emocional para saber como sair disso aí. Nesse momento é preciso se planejar rápido, e a gente começa a perceber o quão vulnerável é o seu projeto. Não vejo fórmula mágica: só muito trabalho e pensando em alternativas”

PS: em virtude de problemas de áudio na gravação em vídeo pela internet, algumas respostas de Amyr Klink foram regravadas, portanto, é possível que ao assistir ao vídeo você encontra respostas diferentes daqueles que foram reproduzidas no programa em áudio. O conteúdo é bom das duas maneiras, portanto minha recomendação: ouça os dois e aprenda duplamente.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: seis frases e um livro que ajudam você a entender o branding

 

 

 

No início deste ano, um livro com 20 frases que se transformaram em mantras do branding foram reunidas em livro com as participações de Jaime Troiano e Cecília Russo, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, na CBN.

 

As frases têm um sentido muito forte na educação porque sintetizam o conhecimento a ser transmitido e tornam mais acessível a ideia que nossos especialistas em branding querem ensinar aos ouvintes e leitores.

 

No quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, eles destacaram seis das 20 frases que estão disponíveis no livro que você pode baixar de graça no site http://www.troianobranding.com.

 

 

  1. Branding é verbo e precisa de ações — ing traz o sentido de gerúndio, de continuidade; marca não é apenas um logo, precisa ser alimentada, ter história.
  1. Estamos obesos de informação e anoréxico de insights — o que não faltam são informações, porém entre a informação e aquilo gerar conhecimento, gerar ideia, precisa passar por um processo de depuração, e para a gestão de marcas é preciso fazer essa transformação, ter o insight.
  1. Não jogue fora o bebê junto com a água do banho — marcas precisam mudar, evoluir, olhar para frente, isso não significa jogar fora tudo o que têm de bom; é preciso, sim, mudar, mas antes saber do que não se pode abrir mão.
  1. Comunicação não é retrato — a comunicação das marcas precisa ser inspiradora: inspirar pessoas a terem, fazerem e serem aquilo que ainda não são. 
  1. Marca não é tapume — marca não esconde o que a empresa é; ela tem de revelar aquilo que a empresa é e faz de dentro para fora.
  1. Marca é uma nova forma de tribalização — as relações primárias que temos com amigos e famílias foram se fragmentando devido ao tempo e outras razões; passamos a viver de forma mais individualizada, mas temos desejos de ter laços mais sólidos com menos pessoas e mais profundamente. Algumas marcas geram essa ideia de tribo da qual você faz parte.

 

 

Ouça o programa Sua Marca Vai Ser Um Sucesso ou coloque entre os favoritos no seu agregador de podcast:

 

Conte Sua História de São Paulo: os pássaros da floresta da Nove de Julho

 

Por Fábio Caramuru
Ouvinte da CBN

 

 

Meu nome é Fábio Caramuru, sou pianista e parabenizo toda a equipe da CBN pelo trabalho (mais sobre mim no site http://www.fabiocaramuru.com.br ).

 


Quando eu era criança, com cinco ou seis anos de idade, morava lá perto da Avenida Nove de Julho. E a avenida era muito movimentada, difícil de atravessar

 

Eu me recordo de alguns detalhes interessantes: a primeira coisa que me vem na cabeça é esse Colégio Assunção, que ficava na Avenida Nove de Julho com a Alameda Lorena, em frente da escola onde eu estudava –- até hoje o Assunção está lá, tem aquela capelinha. E há agora um supermercado em parte do terreno, no qual havia uma floresta que era uma coisa impressionante.

 

Não sei se essa floresta era de eucaliptos – tenho quase certeza de que era – tinha ficus, uma série de árvores; e aquilo ficava em frente, pegava toda aquela fachada da Avenida Nove de Julho, uma imensidão de árvores.

 

Você passa hoje lá e não consegue entender por que tem aquilo tudo construído. Lembro que no fim da tarde uma coisa que me chamava muito a atenção era aquele canto dos passarinhos se recolhendo, aqueles pardais, aquela algazarra, aquele barulho. Era uma coisa muito bucólica pra São Paulo: uma floresta em plena Avenida Nove de Julho.

 

Eu me recordo dessa passagem e lembro de ouvir os pássaros no fim da tarde quando começava a escurecer. Lembro também que no trajeto quando a gente cruzava a Alameda Lorena e chegava na Rua Pamplona que era toda de paralelepípedos e tinha o bonde: bonde subindo, bonde descendo.

 

Era incrível aquela São Paulo que vivi!!!

 

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para contar outras capítulos da nossa cidade, escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br