Mundo Corporativo: empresas com cultura de compliance sólida se saem melhor na crise, diz Márcia Makishi

 

 

“Quem já tinha essa cultura de compliance disseminada e bem absorvida pelos seus colaboradores tem conseguido manter as operações com muito mais regularidade até porque as pessoas já estavam acostumadas a seguir as regras e não precisam de uma supervisão ou de monitoramento constante.” —- Márcia Makishi

Garantir a integridade corporativa com as mudanças provocadas pela pandemia do coronavírus foi um dos desafios impostos a gestores e colaboradores. As empresas que já vinham desenvolvendo politicas de compliance conseguiram se adaptar mais rapidamente, mesmo assim foi necessário agilidade e revisões nos procedimento porque boa parte das equipes passou a trabalhar à distância, sob novo regime ou diante de controles sanitários mais rígidos.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Márcia Makishi, advogada especialista em compliance da Innovativa Executivos Associados, comentou que geralmente quando se fala de políticas de integridade a tendência é pensar em ações anti-corrupção, mas o tema é muito mais amplo pois trata-se da segurança da informação, privacidade de dados, questões trabalhistas e da cultura da empresa.

“Tudo isso demandou uma resposta muito rápida das empresas, das organizações. Vamos pegar, então alguns aspectos: nós tivemos mudanças em regras trabalhistas, e que não são permanentes, são temporárias. Tem de ter o cuidado de fazer a adaptação correta nesse processo na relação com seus trabalhadores. Faz parte das regras de compliance, até porque a relação da empresa com seus colaboradores é uma das mais sensíveis”.

Com a tendência de as empresas permitirem o trabalho remoto ou criarem um sistema híbrido com o funcionário podendo estar alguns dias na empresa e outros à distância, os responsáveis pelas políticas de integridade da empresa terão de redobrar suas atenções para que as regras sejam respeitadas:

“O trabalho remoto não significa um isolamento daquele funcionário, portanto um dos itens importantes do trabalho remoto é justamente criar formas diferentes de comunicação”.

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Conte Sua História de São Paulo: “estas pensando que é o Pintacuda?”

 

 


Por Maria Helena Leonel de Queiroz
Ouvinte da CBN

 

No Conte Sua História de São Paulo, o texto da ouvinte Maria Helena Leonel Gandolfo:

 

Meu pai havia se casado com a filha de um comerciante português. O tio Carlos, irmão do papai, com a filha de um rico industrial italiano. Em 1936, morávamos em um sobradinho na Lapa. E meu tio num belo palacete na Rua Estados Unidos. No dia 12 de julho um importante acontecimento marcava a estreia da cidade de São Paulo no cenário automobilístico internacional: o I Grande Prêmio de São Paulo.

 

Pilotos europeus e sulamericanos, que um mês antes haviam participado do IV GP Cidade do Rio de Janeiro, no Circuito da Gávea, inscreveram-se para a prova que iria se realizar nas ruas do Jardim América. O circuito, com cerca de 2.500 metros, tinha sua linha de largada e de chegada na Av. Brasil, em frente ao prédio do Automóvel Clube e formava o quadrilátero com as ruas Colômbia, Estados Unidos e Canadá. Um percurso de 60 voltas, totalizando 150 quilômetros.

 

Alguns corredores, os mais renomados, eram o italiano Carlo Pintacuda, com sua Alfa Romeo 8C35, o argentino Augusto MacCarthy com um Crysler V-8; e os brasileiros Manuel de Teffé, com sua Alfa Romeo 6C1750 e Chico Landi, com um Fiat. Mas a estrela, sem dúvida, era a francesa Hellé-Nice, que disputava a corrida com seu Alfa Romeo 8C35, pintado de azul — artista de teatro, acrobata e dançarina no Cassino de Paris, Mariette Hélène Delangle, nascida em 15 de dezembro de 1900, havia iniciado sua carreira como piloto nos anos 30.

 

Carro 1

 

Meu tio, por morar na Rua Estados Unidos, mandou fazer no jardim um palanque para assistir à corrida com todo o conforto junto com seus amigos. Meus pais, obviamente, figuravam entre os convidados. Nós, as crianças, ora brincando no jardim, ora subindo no palanque, estávamos na maior excitação, ouvindo o barulhão dos carros que passavam.

 

Até que, lá pela 50ª volta, aconteceu o acidente. Dizem uns que foi quando Helenice tentou ultrapassar Manuel de Teffé e os carros se entrechocaram. Outros, que ela perdeu a direção para não atropelar um policial que atravessou a pista. Outros ainda contam que uma fã de Teffé, para atrapalhar Helenice, empurrou contra seu carro um fardo de feno.

 

Corrida 2

 

Tenha sido esta ou aquela a causa, a conseqüência foi que, correndo a 160 km/h, o carro capotou duas vezes e investiu contra a multidão que assistia à corrida, matando cinco pessoas e ferindo mais de 30. Helenice, lançada fora do carro, foi hospitalizada, recuperando-se após ter ficado três dias em coma. Traumatizada, ela deixou de participar de corridas de grande prêmio passando a disputar apenas provas de ralis.

 

A corrida de São Paulo chegou ao fim com a vitória de Pintacuda mas o acidente causou grande agitação. Durante dias e dias não se falava de outra coisa. Por isso é que Helenice e Pintacuda são dois nomes que logo me vêm à cabeça quando se fala em Fórmula 1. Naquela época, quando alguém pisava exageradamente no acelerador era certo ouvir o comentário: “Está pensando que é o Pintacuda?”

 


Maria Helena Leonel Gandolfo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br

Do mito de narciso às “carteiradas”: saiba com quem você está falando!

 

Por Simone Domingues
@simonedominguespsicologa

 

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foto: Pixabay

 

Na mitologia grega, Narciso era um herói reconhecido por sua beleza, mas era orgulhoso e tinha uma arrogância que ninguém conseguia modificar. Devido à tamanha beleza, Narciso era indiferente aos sentimentos alheios, vivia sozinho e desprezava as outras pessoas por acreditar que ninguém era merecedor de seu amor. Incorrigível, recebeu como castigo dos deuses apaixonar-se pela própria beleza, refletida num lago. Permaneceu ali, contemplando sua imagem, definhando até a morte.

 

O mito de Narciso simboliza a importância exagerada atribuída à autoimagem, o excesso de vaidade e a tendência a desvalorizar outras pessoas para manter a superioridade. Para os gregos os excessos ou aquilo que passasse da medida, que fosse exagerado, promovia o desequilíbrio nas condutas humanas e era um empecilho à virtude, a capacidade de agir com prudência e bom senso.

No Brasil, o comportamento de superestimação de si mesmo é frequentemente evidenciado em situações conhecidas como “carteiradas”, nas quais a ideia de superioridade é revelada pela conhecida frase: “você sabe com quem está falando?”.

Análises históricas e sociais buscam compreender os motivos pelos quais tal atitude parece tão enraizada em nossa sociedade. O antropólogo Roberto Da Matta, em entrevista recentemente publicada pelo portal G1, indicou o forte componente aristocrático da sociedade brasileira, avesso ao igualitarismo pelo desejo de manter privilégios, numa sociedade na qual ter privilégios é equivalente a não ter limites.

 

Na mesma reportagem, a historiadora Lilia Schwarcz avaliou que essa cultura da “carteirada” cresceu num ambiente em que historicamente poucos mandavam e muitos obedeciam:

“O sistema colonial e o esquema de capitanias hereditárias, o regime escravocrata que perdurou por mais tempo aqui do que em outros países, o coronelismo e o nepotismo político que confunde as esferas do público e do privado deram condições para a carteirada reinar”.

Na psicopatologia, o perfil caracterizado por um padrão de grandiosidade, necessidade de ser admirado e falta de empatia é compreendido como um transtorno de personalidade: o transtorno de personalidade narcisista. Esse transtorno, de causa ainda desconhecida, atinge aproximadamente 1% da população, sendo mais frequente em homens e pessoas mais jovens.

 

Pessoas com transtorno de personalidade narcisista superestimam suas habilidades, julgando-se superiores ou mesmo especiais. Há uma preocupação excessiva em serem admiradas por seus talentos, com supervalorização de aspectos como inteligência, beleza, poder e influência. A necessidade exagerada por admiração torna essas pessoas muito sensíveis às críticas, podendo reagir com raiva, desprezo e até mesmo de maneira agressiva. Suas atitudes frequentemente envolvem falta de empatia, arrogância e a ideia de que suas vidas são invejadas pelas outras pessoas, que são vistas como inferiores.

 

Ter uma boa imagem de si mesmo e confiança na capacidade de realizar coisas permite um relacionamento saudável conosco e com as demais pessoas. Mas como desde a antiguidade já alertavam os gregos, o problema está no excesso.

 

Confesso que algumas vezes já ouvi a frase “você sabe com quem está falando?” e, muitas vezes sem poder responder exatamente o que eu pensava, me fixava na resposta: “não sei, mas posso imaginar”.

 

Oh, Narciso! Mal sabia que aprisionado à imagem refletida para si mesmo, não compreendia que as águas para as quais olhava eram mais profundas.

 

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: culpar o serviço terceirizado é culpar a si mesmo

 

“Uma marca, por exemplo, que está vendendo excelência, ela tem que entregar excelência em todos os pontos de contato, sejam eles internos ou sejam terceirizados”

Terceirizar a prestação de serviços no seu negócio pode ser opção diante das dificuldades impostas pela pandemia —- no entanto, os cuidados para a contratação dessas empresas devem ser redobrados levando em consideração as novas exigências impostas pela realidade e pelo cliente. Jaime Troiano e Cecília Russo falaram desse tema com o jornalista Mílton Jung, no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

 

A relação do cliente é com a marca, portanto não interessa se o serviço de manobrista oferecido pela empresa é próprio ou terceirizado. Para o consumidor, o carro comprado em uma concessionária pode ter até serviços instalados por outras empresas —- por exemplo, a blindagem ou o sistema digital a bordo —, mas para ele o seu interlocutor é a própria concessionária.

 

Esses foram dois dos exemplos que Jaime e Cecília trouxeram para a conversa desse sábado, em que alertaram para a necessidade de os gestores de marcas padronizarem o tipo de atendimento aos clientes independentemente da empresa que esteja prestando esse serviço. Lembraram que a terceirização não justifica erros que sejam cometidos em qualquer um dos pontos de contato com os consumidores

“O serviço terceirizado tem de ser feito quase como se fosse alguém da própria empresa; desde a forma como se apresenta o uniforme que você usa, a linguagem
que você fala, por isso a seleção dos profissionais é fundamental numa escolha de empresa terceirizada, para que eles representem a marca”— Jaime Troiano

A sugestão para que esses serviços agregue valor a marca —- em vez de causar dor de cabeça ao consumidor —- é seguir o alerta que aparece nas placas de aviso de travessia em linha férrea: pare, olhe e escute. Esse é um exercício essencial para identificar se vale a pena terceirizar alguns serviços do seu negócio.

“Tome cuidado para não descuidar do cuidado com sua marca”, brinca com as palavras Cecília Russo.

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. Você pode acompanhar todos os comentários também em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: a coragem além-mar da vó Antônia

 

Por Neusa Pereira
Ouvinte da CBN

 

 

Antônia senta–se à porta da cozinha e olha pro terreiro. Pensativa vê sua horta. As galinhas ciscam aqui e ali. A parreira de uva que começa a cachear. Sente uma enorme tristeza. Como que uma saudade antecipada. Talvez nunca mais veja tudo aquilo. Já pensara na situação. Uma grande guerra havia chegado à Europa. A primeira de muito tempo. Não se lembrava de ouvir falar de uma assim. E tudo a assusta. Chora quando vê a fila de moços da vizinhança passar pela sua porta. Seguem pra ajudar as tropas de Portugal. Ela, com um único filho ainda adolescente, o Jaime, não tem, no momento, essa preocupação. Mas, seu coração se condói ao ver as famílias vizinhas chorosas e aflitas. Tinha raiva dos ingleses.
Ouvira dizer que, era por culpa deles que seu país se aventurava no inferno.

 

Aos pés de Nossa Senhora da Conceição, ao lado da cama, Antônia reza. Que proteja aquelas crianças que já empunham um fuzil. Que conforte, dê esperança e força. Ora também por ela e pela família. Que encontrem uma alternativa. Uma saída pra fugir da guerra. Com olhos fixos na santa, espera. Uma mensagem. Um alento. Olhos nos olhos. Pensamentos nos pensamentos. E, Antonia, então, silenciosamente, abaixa a cabeça e, como que respondesse a alguém murmura pra si mesma: sim, farei isso.

 

Naquela noite, na mesa do jantar: pão, sopa de fubá com couve, azeite e vinho caseiro. O de quase sempre. Silenciosa, Antônia faz seu prato e, com ele ainda parado no ar, arranja forças e sentencia: “A guerra está a chegar cada vez mais perto. Vamos ter que ir embora. Deixar nossa casa. E, vamos para o Brasil.”. O filho apenas olha pra ela. O marido, Pompeu, homem de saúde frágil, de pouca conversa e, de muito respeito pela mulher, naquele dia diz zangado: “Estás a variar mulher? Sabes onde é o Brasil? Tens ideia que vamos a atravessar um oceano inteiro pra lá chegar? Sabe-se lá quantos dias, com a saúde que tenho?”
Sei, sei, respondeu Antônia impaciente. Sabia que o marido era doente. Ia ser penoso. Mas não ia esmorecer. “Raios, diz ela, e vamos pra onde homem de Deus? Queres ficar aqui? Esperar bomba a cair em nossa porta? Soldados a fuçar a casa? A nos matar? Exageras, fala o marido. Então, ficas. Vou e levo Jaime”, finaliza Antonia. Silêncio. Marido e mulher se olham. Começam a jantar. Como se o assunto houvesse terminado. Pra lá iremos! Pensava ela.

 

Longe sabia que era. Ela já ouvira falar. Mais de mês de viagem. Mas, lá, tudo havia de se arrumar. Brasil não era a terra que um português legítimo, o Cabral, havia posto no mapa? Terra onde até a mesma língua se falava? E, quantos patrícios sabia estarem por lá! Sofria ao pensar. Talvez mais que todos. A decisão era dela.

 

Dia nublado, sacos, sacolas, malas, caixotes. Rosário preto nas mãos. Com sua saia comprida e lenço na cabeça, Antônia, Pompeu e Jaime, embarcam para o Brasil. Terceira classe com dezenas de outras famílias. Está aliviada.
Dias e dias a viajar. Olhar o mar. Pensar no futuro. Esperar. Então, ao longe, sombras no horizonte. Terra. Brasil, ali! Emocionada, ajoelha e reza. Agradecimento, alegria, esperança. Chora. Na fila do desembarque, segura firme a mão de Jaime. Se sente forte, protetora, capaz.

 

Assim, a mulher analfabeta, camponesa de Trancoso, começa uma nova vida. Enfrenta dificuldades. Encontra soluções. Trabalha. É mão forte no orçamento e nas decisões da casa. Como milhões de outras mulheres corajosas e valentes do mundo daquela época, Antonia, sem saber, engrossa as fileiras dos que aprendem na necessidade. Na luta. Na briga pela sobrevivência. E, ela, aprendeu ,porque decidiu. Empreendeu, construiu. Criou uma nova família brasileira. Empoderavam-se as mulheres do mundo. Empoderava-se dona Antônia da Conceição Pereira, minha avó.

 

Neusa Pereira e dona Antônia da Conceição Pereira são personagens do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreve você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para contesuahistoria@cbn.com.br

Mundo Corporativo: diálogo e empatia ajudam a corrigir erros na pandemia, ensina Fabile Migon, da Zoop

 

 

“A gente bota todo foco em empatia. Empatia é a nossa chave para cuidar e saber como as pessoas podem e devem lidar nesse momento que a gente esta vivendo” — Fabile Migon, Zoop

Para os profissionais responsáveis por cuidar dos colaboradores dentro das empresas, a necessidade de manter um relacionamento à distância se transformou em mais um enorme desafio nesta pandemia. Mesmo em setores em que a tecnologia é a base do negócio, como no caso da Zoop, uma plataforma de serviços financeiros e meios de pagamento, a adaptação exigiu esforço redobrado. No caso de Fabile Migon, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, havia outro complicador: ela havia assumido a vice-presidência de Gente e Cultura da empresa cerca de dois meses antes de as atividades serem paralisadas no escritórios e todos os colaboradores terem de trabalhar em casa.

“(Quando) você vive este estresse, você vive esta ansiedade, você tem dois pólos:: pegar essa adrenalina; e vamos fazer acontecer; e aquilo te dá gás, te dá energia, te dá foco, motivação e brilho nos olhos e segue em frente; ou você pega esse estresse e paralisa: medo, receio, ansiedade”

Para Fabile Migon, um das estratégias que deram certo na empresa foi a de manter as mesmas características que os colaboradores reconheciam na Zoop: ser humana, divertida e leve com os colaboradores. Uma das ideias foi dar seguimento a programas realizados dentro do escritório como o de as equipes tomarem café da manhã juntos para conversar sobre os mais variados temas, desde que não estivessem relacionados ao trabalho nem a pandemia. Para isso foi criado o programa #cafécomgente em que os profissionais se conectam online e falam de séries, livros e assuntos que podem trazer mais humanidade para o ambiente de trabalho.

 

As reuniões do CEO com os colaboradores aumentaram de frequência para que houvesse maior transparência sobre os cenários que a empresa estava enfrentando. Além disso, foi criado um atendimento terapêutico exclusivo, em que os funcionários podiam ligar a qualquer momento para falar de suas ansiedades e preocupações.

“Então, o diálogo, a comunicação, a proximidade, a empatia faz com que a gente vá corrigindo coisas ao longo do caminho e não deixe para corrigir lá na frente; a ponto de ‘meu Deus, as coisas já aconteceram e a gente não foi corrigindo’. Então, é humanidade mesmo. É você estar próximo das suas pessoas que é o maior ativo que a gente tem”.

O Mundo Corporativo é apresentado pelo jornalista Mílton Jung e vai ao ar aos sábados no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. O programa também está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Sua Marca: o que as marcas regionais ensinaram às grandes do mercado

 

“Os grandes não vão morrer, é claro, mas têm de ficar bem atentos para cobrir algumas deficiências que são bem atendidas pelos pequenos” —- Jaime Troiano

As pequenas marcas e os negócios regionais que souberam se adaptar às necessidades de seus clientes, sairão melhores e mais fortes desta pandemia. A opinião é de Jaime Troiano e Cecília Russo comentaristas do quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. Um dos aspectos que beneficiaram nessa relação foi o atendimento personalizado:

“Tem facilidade para entregar o produto, é mais barato e você conversa com a atendente ou o gerente por WhatsApp; você sabe com quem está falando”, diz Cecília Russo.

Marcas maiores que entenderam esse diferencial, também passaram a investir na proximidade de seus funcionários com os clientes, inclusive gerando vínculo com trocas de mensagens pessoais. E essa é uma das lições que ficarão assim que passar esse período de restrições.

“Deve-se estar muito atento neste momento porque as deficiências ficam mais evidentes …. como já dissemos, outras vezes, até ‘tropicão’ leva a gente para frente. Então, vamos aprender”, comentou Jaime Troiano.

Algumas dicas que podem ajudar o seu negócio a ficar mais próximo do cliente: treinei a sua equipe para prestar atendimento personalizado; crie canais de comunicação que facilitem o diálogo; e torne mais simples e respeitável o processo de trocas de produto —- há casos em que o cliente parece estar sendo punido porque precisou trocar a compra.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, e está disponível também em podcast.

Conte Sua História de São Paulo: as rotas de fuga da cidade no som da rádio e no guia de ruas

 

Por Pedro Lúcio Ribeiro
Ouvinte da CBN

 

 

 

Em 1997, havia três anos que eu já trabalhava como Agente de Segurança no Tribunal do Trabalho, em Campinas —- o que significa ser motorista. Aprendi a guiar caminhões; dirigia ônibus, utilitários e automóveis. Era um tremendo prazer. Só ficava em pânico quando tinha de buscar magistrados na capital. Tinha medo de me perder na imensidão de São Paulo —- para mim, um mar de prédios entre ruas e avenidas.

 

Em junho, tive de buscar o vice-presidente do Tribunal, no bairro da Aclimação, às 9 e meia da manhã. Acho que ele entrou no carro por volta das 10 horas —- a falta de pontualidade era hábito nos magistrados, ao menos naquela época.

 

“Otoridade” a bordo, segui para Campinas. Passei na praça Campo de Bagatelle, rumo a pista logal da Marginal Tietê. Até aí tudo normal. Desviei para a expressa e tudo parou. Parou, fiquei travado! E o tempo, andando. E o trânsito parado.

 

Pedi licença ao magistrado para ligar o rádio. Ele autorizou, só se fosse na Cultura. Liguei, Mas nada de informação sobre o trânsito.

 

Tomei coragem e pedi licença novamente: pode ser na CBN? Aqui em São Paulo sempre me viro bem ligando nessa rádio.

 

Sintonia autorizada! Nem isso me salvou. A informação que queria não chegava. Recorri ao Guia de Ruas, no porta luvas do carro — era o Google da época. Sugeri uma escapada pela Vila Nova Cachoeirinha, na Brasilândia. Ouvi um autoritário “não”! Poucos minutos depois, o “não” virou “sim” — meio a contragosto.

 

Quando estávamos quase chegando, através de ruelas clandestinas com acesso à rodovia Bandeirantes, ele mandou eu voltar à Marginal: “já deve estar livre, depois de três horas”.

 

Ledo engano. Negociei outro caminho. E o peso da toga falou mais alto. Segue por aqui —- mesmo que tudo estivesse parado.

 

De Campinas, meu “tijólokia” —- um celular ainda dos tempos analógicos —- chamava a todo momento. Era do Tribunal, preocupado com os prazos processuais do magistrado que ocupava cargo de alto escalão.

 

Após horas de atraso e cansados de congestionamentos, entramos na Bandeirantes —- eu preocupado com a missão a ser cumprida e o magistrado orgulhoso de supostamente conhecer os caminhos da cidade, que insistia em dizer que conhecia como a palma de sua mão.

 

Chegamos a tempo, antes do fim do expediente jurídico. No caminho ainda sugeri a criação de um serviço de informação do tipo 0800 para auxiliar motoristas e taxistas. Um sugestão em tom de ironia, porque se tivesse me deixado seguir as rotas indicadas pelo Guia de Ruas e atento às notícias da CBN, teríamos chegado bem mais cedo ao nosso destino. E descoberto que naquele três de junho de 1997, a Ponte dos Remédios tinha sofrido uma rachadura.

 


Pedro Lúcio Ribeiro é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte também mais um capítulo da nossa cidade: escreva para contesuahistoria@cbn.com.br.

Mundo Corporativo: Tathiane Deândhela sugere que você assuma o controle de suas decisões para encarar essa crise

 

“Onde a gente coloca nossa energia, onde a gente coloca o nosso foco, vai determinar também aquilo que a gente realiza” —- Tathiane Deândhela, consultora

Assumir o controle de suas decisões, identificar os caminhos a seguir e eliminar os ladrões do tempo são algumas medidas que precisam ser adotadas neste momento em que a pandemia paralisa negócios, reduz o faturamento e, em muitos casos, elimina empregos. A consultora Tathiane Deândhela, entrevistada do programa Mundo Corporativo da CBN, tem se dedicado a conversar com empresários e profissionais das mais diversas áreas na tentativa de mostrar que existem saídas para esta crise.

“E o que que eu percebo; muitas vezes quando as pessoas estão focadas nos danos, focadas naquilo que não podem controlar de alguma maneira, a pessoa suga a energia de tal forma que não tem disposição, que não tem vitalidade para fazer acontecer”.

Focar a energia nas tarefas realmente importantes é o que Tathiane chama de blindagem mental que precisa ser realizada para que os resultados apareçam. Em conversa com Mílton Jung, a autora do livro “Faça o tempo enriquecer você”(Editora Gente) lembrou ensinamentos de Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco que sofreu a crueldade dos campos de concentração:

“Uma fala que muito me marcou, foi quando ele disse assim, a gente tem a liberdade de escolher o que a gente quer mesmo em meio ao caos; a gente tem liberdade de fazer escolhas sobre o que eu quero sentir, como eu quero reagir a essas circunstâncias”.

Especialista em produtividade e gestão do tempo, a consultora disse que com o trabalho em casa, forçado pela pandemia, um dos principais ladrões do tempo foi eliminado que é o deslocamento no trânsito. Além disso, conversas paralelas que costumam ocorrer no local de trabalho também deixaram de existir, momentaneamente. Por outro lado, novos ladrões podem surgir com o homeoffice se o profissional não organizar suas tarefas e não planejar sua agenda, considerando os compromissos de trabalho e os familiares.

“Tão importante quanto definir o que a gente vai fazer ao longo do nosso dia ou o que que merece o nosso foco, ou que merece a nossa atenção, é a gente entender também o que é que a gente tem que abrir mão. Isso aqui não é importante agora, isso aqui não é prioridade. Tirar as coisas do caminho porque nós temos 24 horas e não dá para fazer tudo”

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

O rádio chora a perda de José Paulo de Andrade

 

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A caminho da rádio, cedo, mas não tanto quanto hoje, preso no congestionamento, em São Paulo, a sintonia do meu rádio migrava da CBN para a Bandeirantes; do Zé Paulo para o Hérodoto. Foi a estratégia que encontrei para conhecer mais o rádio e a cidade. Na CBN, apresentava o CBN São Paulo. E na audiência deles procurava o caminho para fazer minha própria carreira por aqui.

 

Zé Paulo tinha voz forte, opinião contundente, não se deixava enganar pela fala mansa do entrevistado —- especialmente se fosse um político. Mesmo que fosse qualquer político. Não fazia distinção partidária. A pergunta era incisiva, bem embasada, e se mal respondida, não aceitava.

 

Fez do microfone instrumento plural, ouviu vozes divergentes em uma época em que não havia no rádio espaço para tantas —- especialmente pela dureza do regime em vigor. Promoveu debates improváveis, com gente que não queria se falar. E aceitou fazer uma conexão inédita de rádio entre o entrevistado dele no Pulo do Gato, na Bandeirantes, e o do Heródoto, no Jornal da CBN, em 1992 — já que de um lado havia um  acusador e de outro um acusado.

 

Depois de ouvir a força da voz e a contundência da opinião, fui apresentado ao coração generoso que batia no peito de Zé Paulo.

 

Foi quando o conheci pessoalmente. Ele estava sentando na cadeira de um restaurante. Levantou-se para me cumprimentar, assim que me apresentei. Uma reverência ao meu pai, Milton Ferretti Jung, que conhecia desde muito tempo. E a cena se repetiu todas às vezes que nos encontrávamos. Zé Paulo falava do pai e eu, orgulhoso de ouvi-lo, pensava: a lenda falando da lenda.

 

A carreira dele e a do pai, estiveram muito sintonizadas. Narraram futebol e brilharam no jornalismo. Foram longevos à frente dos programas que apresentaram: Zé Paulo no “Pulo do Gato” e o pai no “Correspondente Renner”. E apesar de todo o sucesso que fizeram jamais deixaram que isso se transformasse em prepotência. Respeitavam a força do microfone, encaravam a profissão com humildade e assim conquistaram a admiração dos ouvintes e o respeito dos colegas.

 

Encontrei-me no microfone com ele apenas uma vez, durante programa especial, em homenagem aos 90 anos de rádio, apresentado pelo Haissen Abaki, na rádio Estadão. Sentei-me à mesa ao lado do Heródoto Barbeiro, que já estava na RecordNews e do Joseval Peixoto, da Jovem Pan. Zé Paulo estava em casa e conversou com a gente por telefone. Senti-me um guri de calça curta diante daquelas feras. Fui muito mais para ouvir do que falar. E nas poucas vezes que falei, tive vontade de chorar de emoção pela alegria que aquele momento provocava no meu coração. A história do rádio estava ali na minha frente.

 

Hoje cedo, coube-me anunciar a morte de José Paulo de Andrade, aos 78 anos, por Covid-19. Ele vinha há algum tempo enfrentando dificuldades respiratórias devido a doença pulmonar obstrutiva crônica. Mesmo em casa, desde antes da pandemia, não escapou desse vírus que leva embora mais um talento brasileiro. Foi impossível não me emocionar e chorar, com lágrimas que me tiraram do microfone por instantes. Chorei, sim. O rádio chora a perda de uma de suas maiores referências. Seus admiradores, também. Todos nós devemos muito à jornada que Zé Paulo teve em vida ao nosso lado.

 

À família, nossa solidariedade diante do luto!