Homens fazem ‘ajoelhaço’ pelo perdão das mulheres

 

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Centenas de homens ajoelhados pedindo perdão. A cena se repetiu pelo quarto ano no Sarau da Cooperifa em comemoração ao Dia Internacional da Mulher. Sérgio Vaz explica que o “ajoelhaço” é uma forma de os homens se desculparem por anos de injustiça e preconceito.

No Blog Colecionador de Pedras escreve que não basta o ato simbólico, é preciso mudança de comportamento. Acredita que os frequentadores da Cooperifa tem um perfil menos machista e se ajoelham porque sabem o quanto a mulher é humilhada em seu cotidiano. “Respeito não é apenas uma palavra, é um sentimento”.

Vaidoso sim, vaidade não

 

Por Abigail Costa

Vaidade. Os sintomas são falta de humildade, ignorância, prepotência e outros males.

Essa é uma doença grave que atinge homens e mulheres. Em comum um cargo, uma cadeira, uma mesa e pelo menos um subordinado. Às vezes, nem isso é necessário para a manifestação da doença.

Os mais sensatos já administram a vaidade como uma epidemia.

A medicação ainda que oferecida de graça e em largo estoque geralmente não é bem aceita.

Não falo da vaidade em ter o melhor carro, em querer a roupa da moda, em desejar uma jóia no aniversário de casamento. Falo da vaidade de uma estima exagerada de si mesmo. Uma afirmação esnobe da própria identidade.

Aliado a um mísero cargo, é de chorar … de raiva.

Estava eu outro dia, começo de noite, com uma entrevista agendada. É claro, quase mais ninguém no prédio. Cheguei, indentifiquei-me, o segurança não sabia quem era e muito menos onde estava o sujeito que eu procurava. Saquei o celular da bolsa e liguei direto para o promotor.

“Minha sala é a número tal, rua F”.

Calcule: Rua dentro de um prédio. Agora, pense de como uma portaria é longe da outra. O segurança balançou a cabeça negativamente:

– “Não, ninguém poderá acompanhar a senhora sem antes falar com o assessor de imprensa”.

– “Mas o promotor disse que nós podemos ir direto!

– “Na sala dele manda ele. Aqui, mando eu”.

Na casa dos outros até estando certa, se abaixa a cabeça. Lá vamos nós, câmera, tripé, equipamento de luz, sacolas com bateria e meu sapato salto 15. Ou seria 22 ? Subimos rampas e mais rampas em busca do cara para autorizar nossa passagem. Quando encontrei, segurei a língua.

– “Não precisava vir aqui, por que vocês não foram direto?”

Descemos rampas e mais rampas, passei de novo em frente ao segurança. Ele sentiu que eu estava para estourar:

– “Só estou cumprindo a minha função”.

– “Meu senhor, isso eu entendo. Agora, a opção em me fazer de idiota é sua”.

Pra mim a vaidade não é um dos sete pecados capitais. Ela é o pecado. Fere o outro, maltrata a alma.

O pior é que o dono da vaidade sente-se orgulhoso. Quem é maltrado sente mais do que humilhação. Essa doença é tão perigosa que desencadeia na vítima uma série de sentimentos ‘não-santos’.

No mínimo, você imagina:

“Tudo bem, quando morrer esse sujeito também vai pro buraco”.

Isso se alguém empurrar.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e ai de quem decide pisar nos calos dela.

Intimidade é pra ter filhos ou brigar

 

Por Abigail Costa

Certo dia, um político jantava na casa de amigos quando alguém chegou até ele:

– O que o senhor pensa ?

Logo foi interrompido.

– Meu caro, senhor não. Quando se referir a mim, por favor, Presidente.

E olha que ele já estava distante daquela foto que enfeita toda a
repartição pública há décadas.

O ex-com-vontade-de-ser-eterno continuou:

– Meu filho nunca se esqueça de um detalhe importante. Intimidade
serve para duas coisas: Gerar filhos e criar brigas. E nenhuma delas eu quero com você.

Nunca votei nesse cara, nem mesmo o admirava como político, mas essa frase é demais.

Há algum tempo, ele partiu dessa para uma melhor mas volta e meia estou com ele na cabeça por conta dessa “intimidade”.

E não é que a maioria entra na onda da intimidade sem ser convidado?

Decidi certa vez pintar o cabelo de vermelho, (desculpe estava na
moda, pode perguntar pra Dora Estevan). Cheguei no trabalho e um colega e soltou na lata:

– Não gosto desta cor pra você.

Foi assim, na lata. E eu nem perguntei nada. Aliás nem o sobrenome dele sabia.

Mandei o troco:

– E você sabe que essa franja não combina com o seu rosto?

Ele ficou sem graça. Era careca, daquelas que emanam brilho. Não fui, digamos sem educação. Não tínhamos intimidade pra essa
conversa.

Quer ver outra? Acontece sempre.

– Comprou outro vestido? De sapato novo? A carteira é só pra
combinar com a bolsa?

Por acaso te mandei a fatura do meu cartão de crédito? Te pedi opinião? Então, me deixa.

É sempre assim, as pessoas falam o que querem. Chegam e despacham. Mas quando o outro lado devolve, o grosso é você.

Muitos não se contentam em ser apenas amáveis, discretos. Tentam entrar na sua vida sem ter recebido convite. Se esquecem que liberdade vai e vem, na mesma medida.

E que intimidade coletiva, não dá. Ela pede “eleitos”. E eu já tenho o meu.

Resultado: Dois filhos, lembra?

Intimidade…… filhos.

Nesse caso, ainda bem sem brigas.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas no Blog do Mílton Jung e ao enviar o texto disse para o editor ficar tranquilo, cortar o que quiser, pois temos intimidade pra isso. Temos mesmo, mas não havia o que tirar nem por.

Da estupidez da enchente à gentileza do banheiro

 

Por Abigail Costa

– Moço qual é o próximo voo?
– Para onde senhora?
O moço elegante e engomado da companhia área parecia surpreso.
– Destino? Qualquer um, desde que a chuva não pare a cidade.

Esse diálogo só aconteceu na minha cabeça, tamanho o desespero de ficar três horas e 10 minutos para percorrer 23 quilômetros do trabalho para casa.

Deu fome e pra encher o estômago água. A água engana mas enche a bexiga, logo…
O negócio começou a apertar.

No rádio, o Eros Ramazzotti cantava “Unica come sei”. E eu respondia: única e sem saída. Assim que encontrei uma, tive que decidir: entre a Marginal congestionada e a avenida lotada. Optei pela avenida. Pelo menos tinha a chance de encontrar um boteco – meu interesse imediato era um banheiro.

Nada de restaurantes, bares.
Um posto no meio do caminho, no meio do caminho um posto.
Aleluia !

Já não tinha mais vontade de nada. Sentia dores. Na bexiga? Nem sei dizer, já estava generalizada, sem exageros. Parei o carro, desci meio curvada tentando me equilibrar no salto alto (tão elegante sempre, e tão ridículo naquele momento).

Meu primeiro olhar encontrou a placa SANITÁRIO. Foi tipo paixão à primeira vista. Ela piscou pra mim. Antes precisava localizar o frentista. Estava na cara que a porta estava trancada. Imaginei uma linha reta e mirei o rapaz gordo de boné vermelho.

– Posso usar o banheiro?
Ele sem nenhum pudor:
Vai trocar o óleo, hein?
Não entendi a brincadeira, ou não quis. Queria sim um banheiro.

Sorridente, ele saca um galão de óleo vazio que servia para segurar uma pequena chave. Agarrei o galão como um troféu e me mandei. Claro que a caminha ao meu destino não foi fácil. Passar entre os carros com aquele negócio nos braços, chamava a atenção. E muito.

Alguns motoristas sabiam exatamente onde eu ia. Certamente muitos já teriam passado por isso. Mirei a setinha enquanto pensava: Mesmo que não tenha papel já tô no lucro. Quando abri a porta, estava num oásis. Limpeza, papel higiênico, papel toalha e sabonete líquido. Nem acreditei.

Passada mesmo fiquei quando li na parede:

“Senhores clientes, caso não encontre o recinto limpo, sem papel ou com problemas de iluminação, aperte a campanhia e avise a gerência”.

Como assim? Estou fora de São Paulo ?

Aquilo me fez engolir a vergonha que estava sentindo em ser paulistana e sentir orgulho das pessoas que tentam fazer desta cidade um pouco melhor. Evidentemente, fui agradecer ao frentista. Ele ficou até meio sem graça. Talvez como eu, não esteja acostumado a gentilezas.

Abigail Costa é jornalista, escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung e teve de encarar com altivez o temporal de ontem na cidade de São Paulo

São Paulo sofre a Síndrome de Estocolmo

 

Por Carlos Magno Gibrail

Capa Folha SP

De “Uma terra mui sadia, fresca e de boas águas”, segundo os jesuítas, ao lema ufanista “São Paulo não pode parar”, da locomotiva que despontava antevendo a formação de uma das maiores metrópoles do mundo na década de 50, à atual acomodação da cidade, é um processo desconcertante e incoerente. Com a história e seus protagonistas.

O paulistano gasta 41 dias por ano dentro do engarrafamento de trânsito. É o resultado da pesquisa do IBOPE feita para o Movimento Nossa São Paulo. São 2h43min diários dentro de algum veículo.

Até aí nada de novo. A questão é que o homem que vive hoje em São Paulo, é mais acomodado com a situação caótica urbana do que os de Belo Horizonte, Rio e Porto Alegre. Pesquisa realizada pela fundação Dom Cabral do Núcleo de Estudo em Infra-estrutura e logística, constata que 61% dos paulistanos estão acomodados e conformados com a atual situação dos congestionamentos na cidade.

As soluções pouco lhe interessam. Um em cada dez usa transporte coletivo, cinco para um que dá carona, a quase totalidade abomina ferozmente a possibilidade do pedágio urbano e cinco para três que estão ficando em casa por causa dos congestionamentos.

É a síndrome de Estocolmo adaptada ao trânsito. O raptado passa para o lado do raptor. Pelo menos no sentido do encarceramento, do cerceamento da liberdade.

Dentro dos carros 30% escutam notícias, 27% ouvem músicas, 16% estudam, 11% trabalham e 10% olham o trânsito. Alguns até se formam.

Desconfio até que foi daí que a Marta Suplicy deve ter cunhado a famosa observação que aconselhou a “relaxar e gozar”. Se for para sublimar, que pelo menos haja satisfação sexual, mesmo que virtual.

E foi o que alguns dos pesquisados informaram, além do prazer estranho, mas explicável do isolamento social. O que para alguns psicólogos indica ruptura no tecido social.

A jornalista Samantha Lima na Folha de domingo, analisando a Pesquisa ressalta uma das falas de Paulo Resende, um dos autores: “Ouvi pessoas que se diziam satisfeitas ao constatarem que tinham no carro um tempo livre para fazerem outras coisas, enquanto estavam retidas. Elas não percebem”.
Civilidade falta de cidadania, alienação política, ignorância, miopia, egoísmo?

Essa situação só não é mais preocupante quanto ainda tivermos a natureza enviando 45 dias ininterruptos de chuva. Fato que de alguma maneira poderá contribuir, embora tardiamente, para estimular a reação dos cidadãos paulistanos contemporâneos. Tal qual a situação que a revista Veja bem lembrou, que alguns historiadores sustentam que não fosse um rigoroso inverno na França de 1789 e Maria Antonieta não teria sido decapitada.

A guilhotina contemporânea é o direito adquirido através dela inclusive. É o voto. Sem a síndrome de Estocolmo.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e pelo que escreve às quartas no Blog do Mílton Jung não está nada acomodado

De controle

 

Maria Lucia De controle

Por Maria Lucia Solla

Ouça “De controle” na voz da autora

Olá,

a gente ouve dizer: elimina o ego, luta, abafa ele para que o espírito se expresse.

não sei você eu ouço esse tipo de coisa
seguidamente e fico abismada
é o mesmo que dizer corta a língua porque ela
às vezes é inadequada

não é a língua vilã nem o ego vilão
é a educação que está voltada para o lado errado
é ela que está na contramão

O mapa do ser humano deveria ser a primeira coisa a ser estudada na escola, porque do jeito que a coisa vem se perpetuando, há milênios, vivemos como se saíssemos de uma concessionária em Londres, onde se dirige do lado esquerdo da rua, dirigindo um carro sofisticadíssimo, sem ter lido o manual, sem saber o que fazer com botões e painéis eletrônicos e sem ao menos a explicação básica, dada pelo vendedor da loja. É assim que temos vivido.

Se aprendêssemos a nos conhecermos, na escola, saberíamos que o ego vem no pacote e não é acessório. Faz parte do kit sobrevivência. Ele é um tipo de polícia social, juiz, regrador, e é evidente que se está no pacote não deve ter sido por acaso ou por engano, visto que todos temos. Mas vamos concordar que tudo, além de ter o seu contraponto, pode ser usado da forma que quisermos. Com as mãos se faz carinho e se mata, com o discurso se incentiva ou pisa na cabeça e afunda o outro, de vez.

Como tudo o que há em nós é para ser usado, o ego não foge à regra. Se não me domo, faço o que não devo e sou inconveniente, até certo ponto é o ego que ajuda na decisão de até onde posso ou devo ir.

mas se não souber usar o ego
como cavalo desgovernado
ele troteia por onde bem entende
e a gente acaba encrencado

O risco de deixar o ego a deriva é que, com esse negócio de autoridade e de ser o segurança da porta do inconsciente, o poder lhe sobe à cabeça e já sabemos o que isso gera no outro, no vizinho, no parente, na comadre. E como a gente só enxerga o outro, com os dois olhos bem na frente e no alto, vai deixando o ego solto, livre, e ele vai dominando mais, quanto menos conscientes estamos. A vigília é para sempre, diz o Paulinho: “é para a eternidade, mãe”.

Talvez pelo fato de ego em latim e εγω no grego quererem dizer eu, a gente acredite que é o ego, assim como tem gente que acredita ser o carro que dirige, a roupa ou as jóias que veste.

ego truculento ocupa espaço demais e amedronta
ego fracote ocupa espaço de menos e amedronta
ego sem limite é descontrolado e amedronta

Medo é um bom termômetro para a gente saber se o ego vai bem obrigada, e se vai na direção que o Eu completo e verdadeiro escolhe para si.

Um bom método de direcionar o ego, de calibrá-lo, é medir o medo e quebrar hábitos, desapegar-se de razões e certezas e jogar fora o crachá onde se lê: controlador.

E o seu crachá, onde está?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem

Maria Lucia Solla é terapeuta, professora de língua estrangeira e ministra curso de comunicação e expressão. Aos domingos testa seu ego no Blog do Mílton Jung

Bermuda e chinelão, muito cuidado aí !

 

Por Dora Estevam

Bermuda Luiz Melodia 1

Outro dia um amigo chegou revoltado porque a sogra disse que ele não poderia usar bermuda no almoço oferecido por ela. Outra conhecida falou que quer morrer quando encontra um homem de bermuda em restaurante. Uma verdadeira invasão, diz ela. Houve a que fez uma festa de casamento em casa e exigiu smoking para os homens. Perguntei a razão: “Os homens se vestem muito mal e eu não quero ninguém de bermuda na minha festa”.

O fato é que por todo lado que se olha tem um homem de bermuda, na maioria das vezes aqueles bermudões coloridos, bem estampados. E sem pudor, eles vão de um lado para o outro acompanhados dos famosos chinelos de dedo.

Poder, revista da jornalista Joyce Pascowitch, em dezembro, fez ensaio com o cantor Luiz Melodia e em uma das fotos colocou bermuda e chinelos de couro nele.

Bermuda Luiz Melodia 2

A stylist da revista, Manoela Fiães, explica a produção:

“Optei por colocar a bermuda por ser de linho e com chinelos de couro. Para usar esta vestimenta tem que ter estilo. Particularmente, eu acho muito deselegante estar num restaurante ou sentada num banco de shopping e, de repente, chega um homem com bermuda e chinelos de dedos e se senta do meu lado. Não gosto de ver esta situação, acho um desrespeito com as pessoas”.

Sem perdão, Manoela diz que se por acaso for sair com o namorado e ele estiver vestido desta maneira, ela não sai. E não é questão de ser fresca, não; é questão de ter noção de espaço e um pouquinho de etiqueta.

Manoela lembra as dicas que o avô costuma dar, tipo não sentar a mesa sem camisa, ou com boné, ou descalço. O homem fica com cara de desleixado e nenhuma mulher gosta.

Bermuda Luiz Melodia 3

Quando se é jovem, se acha isso careta. Mas não é. É etiqueta mesmo. É o que falta nas pessoas, hoje. Para a stylist da revista, a invasão das bermudas, que só deveria ser usada na praia, se deve a exploração dos estilos casual e despojado. Perdeu-se um pouco a formalidade. Esqueceu-se que há lugares e lugares. A pessoa tem de ter noção do espaço, alerta Manoela. Ela é carioca e mora em São Paulo, já está acostumada a ver homens de bermudas por todos os lados.

Para quem quer fazer estilo sem faltar com a educação, siga as recomendações de Manoela: vista bermudas de linho, jeans ou sarja; se gosta de chinelo, calce os de couro, bem maiores, para que não fiquem com cara de chinelo de dedo.

Esta aparência dá nova leitura ao homem. Não precisa ser careta, basta seguir um pouco as regras de etiqueta, estar bem vestido no lugar certo e você não será pego de calças curtas.
As mulheres vão adorar !

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre estilo e moda no Blog do Mílton Jung.

N.E: Imagens deste post é quebra-cabeça da foto de Luiz Melodia feita por Felipe Hellmeister para a revista Poder, leia mais aqui

Uma camisa rosa é reveladora

 

Desde pequeno somos ensinados de que menino veste azul e menina, rosa. Os pais esperam para sair às compras apenas após saberem o sexo do bebê. Os parentes preferem não arriscar e presenteiam tudo amarelo. Serve para os dois. Morrem de medo de trocar as cores. Principalmente se for homem. Imagina o que os outros vão dizer ? E a confusão na cabecinha do menino ?

O tempo passa e as coisas não mudam, até o rapaz resolver vestir uma camisa rosa e sair por aí. A mãe estranha, mas até que acha que a cor lhe caiu bem. Ficou bonitão, as meninas vão gostar, pensa em silêncio para o pai não ouvir.

É cruzar pelo primeiro amigo e lá vem a primeira gracinha: “Pegou a camisa da irmã ?”. O colega na escola não deixa passar em branco e tasca um sorriso malicioso logo de cara. Ele fica vermelho de vergonha, mas dá de ombros às convenções.

Durante toda a vida será assim. Na faculdade, no clube, na família, no primeiro emprego, no trabalho atual. É chegar no escritório e os olhares se voltam para a camisa rosa. Alguns murmuram notas desafinadas da “Pantera”. Das colegas até surgem elogios pelo bom gosto, mas também há as que deixam escapar comentários em tom de brincadeira. O amigo da Igreja não perde a oportunidade de tirar uma casquinha. Só por que ele é crente não vai agir igualzinho ao ateu ? É até pior.

Ninguém fica indiferente diante de um homem vestindo rosa. A cor é reveladora.

“Filhos são mais leais que seu chefe’”, alerta Kanitz

 

Um pouquinho de egoísmo não faz mal a ninguém e pensar na sua própria família antes de dar prioridade à sua empresa, à sociedade e aos outros é recomendável. Quem diz isto é um mestre em administração por Harvard, Stephen Kanitz, que tem dedicado seu tempo à família – a dele e a dos outros, pois além de ser autor do blog famílias.melhores.com.br, acaba de lançar o livro “Família acima de tudo”(Thomas Nelson Brasil).

Na entrevista que você ouve aqui no blog, Kanitz faz um alerta aos puxa-sacos e workaholics: os filhos são mais leais do que seu chefe no trabalho e serão eles que lembrarão de você na aposentadoria. Critica as empresas que não respeitam o tempo de seus profissionais e os impedem de se dedicar a mulher, ao marido ou aos filhos. E defende uma mudança de hábitos radical: “o prazer de ter um filho não pode ser menor do que o de ter um carro novo”.

Ouça a entrevista de Stephen Kanitz e reflita sobre seu comportamento profissional e familiar

Expulsão é incompatível com ambiente da universidade

A expulsão pela Uniban da estudande Geyse Villa Nova Arruda é a decisão apropriada para uma universidade que desde o início do incidente não soube se comportar de forma decente diante de um caso grave. Sua postura – com o perdão do plágio – “é incompatível com o ambiente da universidade” brasileira.

Logo que o caso se revelou na mídia, o esforço foi para retirar as imagens que estavam na internet temendo repercussão negativa à Uniban, gesto inútil e burro de censura. Quis conter o tsunami de informação gerado pelos próprios alunos a partir de seus telefones celulares.

Impossibilitada de tomar tal atitude, retira a menina da universidade. Além disso afasta temporariamente alguns alunos – não informa quantos nem quais -, e se contradiz pois sai em defesa dos agressores, aqueles que o reitor entende serem os “defensores do ambiente escolar”. Também eram assim tratados os que ofereciam suporte as ideias racistas que marcaram a sociedade americana no passado nos Estados favoráveis a segregação ou que atenderam o chamado de ditadores facínoras como Hitler e Mussolini.

Coube à mídia um capítulo especial na nota de explicações da Uniban. Teríamos perdido a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre ética, juventude e universidade. Generaliza na crítica e não leva em consideração entrevistas com profissionais de educação, sociologia e comportamento humano que foram ao ar nas duas últimas semanas. Talvez porque os diretores da universidade se pautem apenas pelos programas sensacionalistas dos quais sejam parte da audiência.

Lendo os valores da Uniban, divulgados em seu site, descobrimos que a intenção é “propiciar tratamento justo a todos, valorizando o trabalho em equipe, o alto grau de sinergia e integração, estimulando um excelente ambiente humano de trabalho”. Devem ter interpretado que os estudantes que fizeram coro ofensivo contra a estudante trabalhavam em equipe, em um alto grau de sinergia e integração.

Uma nota sobre Geyse: mesmo vítima, dá sinais de deslumbramento com o assédio da mídia, seu discurso de constrangimento não combina com seu desejo de aparecer – seja em programas de televisão seja na primeira página dos jornais -, além de demonstrar satisfação no papel de fugaz celebridade.

Faz parte desta mesma moeda sem valor que circula na Uniban e na maioria das universidades brasileiras.

Leia “Saia Justa na Uniban” escrito por Carlos Magno Gibrail