Avalanche Tricolor: em noite de tensão, o Campeão de Copas sai muito bem na foto

 

Grêmio 3×1 Fluminense
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

Em uma noite na qual a República estremeceu com as denúncias da Família Batista, assistir ao Grêmio foi um desafio. Com olhos na tela da TV, que transmitia o futebol, e ouvidos colados na cobertura da CBN, que me atualizava da crise política, escrever ao fim de uma vitória como essa é quase impossível.

 

Diante da emoção que o futebol nos proporcionou com uma vitória na Copa e da tensão que as denúncias da JBS geraram, preferi contar nossa façanha através de imagens.

 

Aqui, o autor do primeiro gol, do Grêmio: o Craque!

 

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Em seguida, o autor do gol da virada: o Goleador!

 

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Agora, ele de novo: o Matador!

 

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E pra fechar, o Campeão de Copas!

 

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As imagens deste post forma produzidas pelo Twitter do @Grêmio

 

Avalanche Tricolor: Papai, ganhamos!

 

Por Gregório Jung

 

 

Papai, ganhamos. Estou escrevendo antes do jogo este texto sem receio de dar azar para o nosso time, pois confio nos Imortais que jogarão.

 

Papai, ganhamos. Foram muitos anos, vendo você vidrado na frente da TV, se virando com seus compromissos para acomodar tempo porque “hoje tem jogo do Grêmio”.

 

Não cresci no Menino Deus, posso contar em uma mão as vezes que fui ao Olímpico e em um dedo as minhas visitas à Arena. Vivi muito do futebol através de você. Nunca entendia muito bem o fanatismo, apesar de sempre ter gostado de ouvir as histórias, mas sempre me considerei gremista.

 

Papai, ganhamos. Foi de uns anos para cá que comecei a entender o que move as pessoas para o esporte, me apaixonar pelas jogadas e aprender assim como você faz para aprender League of Legends, que eu adoro explicar para você.

 

Papai, ganhamos. Você narrou o último título nacional do Imortal e hoje comemorou como nunca essa vitória que é mais que merecida. O Vovô está em Porto Alegre, mas com certeza deve estar sentindo a mesma coisa.

 

Papai, ganhamos. Via os jogos esporadicamente, de canto de olho: “como está o Grêmio?”, perguntava para mostrar que você não estava assistindo sozinho. Sofria junto, mesmo de trás da tela do computador.

 

A última vez que lembro ter torcido como nunca foi na Batalha dos Aflitos. E que jogo!

 

Não entendia muito bem o que acontecia, mas via por você o que o Grêmio estava passando, sofria sem saber ao certo por quê, mas se você estava sofrendo era porque valia a pena.

 

Papai, ganhamos. Não peguei o Grêmio Copero, o Grêmio Campeão Mundial, o Grêmio de Tite, de Danrlei, de Ronaldinho Gaúcho, de Renato Gaúcho (jogador), de Yura, de Tarciso.

 

Peguei o Grêmio Vencedor da Série B do Campeonato Brasileiro, título que falo com orgulho.

 

Peguei o Grêmio de Anderson, de Galatto, de Mano Menezes, de Tcheco, de Kléber Gladiador, de Pará, de Barcos, de Victor, de Róger, de Marcelo Grohe, de Geromel, de Douglas, de Luan.  Todos os que citei na segunda lista foram porque marcaram para mim os jogos do Grêmio, são os meus craques.

 

Papai, ganhamos. Novas amizades que fiz nessa minha fase da vida me ensinaram a amar ainda mais o esporte, me ensinaram o que é cadenciar o jogo, me ensinaram nomes de jogadores que eu nunca saberia sozinho, me ensinaram tudo e muito mais para que eu pudesse entender uma fração do que você sente ao ver o nosso Grêmio entrar em campo.

 

Papai, ganhamos. O Vovô tinha um grito de gol sem igual, um grito que você fez no gol de Marcelinho Paraíba, em 2001, um grito que eu fiz quando narrei o Brasil nas Olimpíadas, neste 2016. Um grito que passou por três gerações: o mesmo número de gols no “Gol Gol Gol” do Vovô.

 

Posso não ter narrado um jogo do Grêmio (ainda) ao fazer esse grito, mas ele foi uma homenagem que fiz para os dois Milton Jung que marcaram e marcam a minha vida.

 

Papai, te amo.

Avalanche Tricolor: obrigado, Grêmio!

 

Grêmio 1 (3) x (1) 1 Atlético MG
Copa do Brasil – Arena Grêmio

 

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Torcida comemora o título e homenageia a Chape em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Era mais do que um jogo. Mais do que um título que estava em disputa.

 

A noite de hoje era memorável.

 

O futebol precisava renascer após a tragédia aérea da Chapecoense, que matou jogadores, dirigentes, comissão técnica e dezenas de colegas da imprensa. Era uma gente que nos dava alegria com a bola no pé. Que usava a inteligência para oferecer espaço aos craques no campo. Que registrava cada lance de emoção.

 

Era a nossa gente.

 

E foi pensando nessa gente que todos foram à Arena nesta noite de quarta-feira, 7 de dezembro de 2016. Havia um misto de excitação pela proximidade do título e de resignação diante da morte. Acima de tudo, havia respeito a este momento de luto.

 

Foi impossível segurar as lágrimas diante das dezenas de homenagens realizadas. Chorei no grito de Chape. Chorei ao ver o nome dos jogadores da Chape nas mãos dos torcedores. Chorei nas centenas de camisas verdes que vestimos todos nesta noite. E chorei copiosamente ao som do toque militar que marcou o minuto de silêncio.

 


Eram lágrimas que se juntavam a outras centenas que não fui capaz de conter desde a semana passada quando sofremos a perda de 71 pessoas e algumas muito próximas do meu coração.

 

Tudo que pedia nesta noite era o direito de voltar a chorar. Mas chorar de alegria, por um título que havia sido conquistado pela última vez há 15 anos. Pela vitória de um time que se notabilizou por ser Imortal.

 

O resultado da primeira partida oferecia uma margem de segurança, mas jamais a certeza da conquista. Pois do outro lado havia outro clube que escreveu sua história com vitórias impossíveis. Era preciso lutar, suar, chorar se necessário fosse, e jogar muita bola. E o Grêmio fez tudo isso com o talento que Roger lapidou e com uma força incrível que poucos são capazes de transferir para o time como esta que Renato trouxe para o elenco.

 

O Grêmio venceu esta decisão pois foi firme na marcação, equilibrado com a bola no pé e preciso no ataque. Foi inteligente em saber moderar o jogo e dar o ritmo que precisava depois de ter feito o resultado fora de casa.

 

Como se não bastasse e inconformado com o placar zerado ainda se deu ao direito de marcar um gol, pelos pés de Miller, como que querendo coroar tudo que foi construído partida após partida nesta Copa do Brasil.

 

O Grêmio ganhou a Copa. É o maior campeão de Copas no Brasil. É o Rei de Copas. E só o Grêmio para me fazer chorar de alegria após as tristes emoções que marcaram os últimos dias.

 

Por tudo isso e por tudo que você já me proporcionou na história: obrigado, Grêmio!

Avalanche Tricolor: o Imortal voltou!

 

Atlético MG 1×3 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

 

Gremio x Cruzeiro

 

 

É difícil até de começar esta conversa com você, caro e raro leitor desta Avalanche! Estar nesta final da Copa do Brasil tem me provocado as mais diversas sensações.

 

Me vi na cabine do Morumbi narrando (e comemorando) o título da Copa de 2001, como lembrei em texto anterior. Também revisitei o Olímpico em seus escombros e senti a força daquela avalanche que marcou história.

 

Pensei no pai com quem costumava ir até lá assistir aos jogos do Grêmio desde um tempo em que os títulos estaduais eram nossa maior façanha. E como seria bom estar ao lado dele mais uma vez para vibrar nesta final. O telefonema dele hoje à tarde, antes da partida, foi um alento a saudade daqueles anos.

 

Revivi os tempos de guri em que vestia a camisa do Grêmio para assistir às aulas nos dias seguintes às vitórias. E a envergava nos ombros mesmo quando os resultados não eram assim tão bons.

 

Pude pensar nas vezes em que fiquei sentado ao lado da casamata na função de gandula (e pombo correio), levando ao time as instruções determinadas pelo padrinho Enio Andrade. Sem contar as vezes em que chorei sentado na arquibancada pelas frustrações de não ter um título.

 

Até aquela Batalha heróica dos Aflitos e a maneira como os guris aqui em casa comemoram um título que eles mal entendiam a importância vieram à memória nestas horas que antecederam o início da decisão.

 

Quando a bola começou a rolar e o time comandado por Renato se impôs no Mineirão, a ansiedade da final foi substituída pela certeza de que a Copa seria nossa. Que fique claro, ainda não o é … mas a personalidade de cada um dos 11 jogadores em campo superou qualquer temor, mesmo nos momentos mais difíceis – raros momentos em uma partida praticamente toda dominada pelo Grêmio.

 

A marcação perto da área do adversário, as roubadas de bola, a maneira como o time se movimentava para receber e passar, a elegância do drible e a velocidade do jogo nos davam a impressão da invencibilidade.

 

Foi então que Pedro Rocha fez um, perdeu outro e mais outro. E fez mais um, novamente. E tirou a camisa, como eu faria de euforia. Tomou amarelo. E fez falta, como nós todos faríamos, e tomou o vermelho. E chorou, como muitos de nós faríamos no lugar dele.

 

O guri que um dia o presidente gremista Romildo Bolzan definiu, em entrevista que fiz na ESPN, como sendo aquele que “sempre está lá”, da mesma forma que nos levou ao ápice também nos fez lembrar de um enorme mérito que temos: o da Imortalidade.

 

Com um a menos e a pressão da torcida, tomamos um gol e, imagino, que houve alguém gritando nos nossos ouvidos que acreditava na virada.  Mas aquilo tudo era apenas para comprovar o quanto somos capazes de superar adversidades. Era como se precisássemos passar por mais esta provação para que o Brasil inteiro compreendesse nossa resiliência.

 

E para que não houvesse dúvidas de que o Imortal estava de volta, Geromel e Everton completaram o placar que nos oferece uma vantagem importante para o último jogo, na Arena. 

 

Para a festa ficar completa ainda temos que encarar a batalha final e, não vamos esquecer, contra um time que contou histórias incríveis no futebol nos últimos anos. Portanto, por mais próximos da Copa que estejamos, ainda precisaremos entrar em campo quarta-feira que vem com a mesma raça e talento que vestimos no jogo desta noite.

 

Tenha certeza, será mais uma semana de muitas lembranças e emoções.

 

Avalanche Tricolor: era clássico, mas não era Copa

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/SP

 

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O Grêmio tá de olho mesmo é na Copa  (foto LUCAS UEBEL/GremioFBPA)

 

Esqueci não! É falta de tempo mesmo. Assim respondi a alguns amigos que, como você, caro e raro leitor deste blog, percebeu a demora na publicação desta Avalanche.

 

A quinta-feira foi gorda e me afastou do Morumbi, apesar de morar tão próximo do estádio. Já a sexta foi rica e corrida. E mal consegui sentar para escrever.

 

Nosso cotidiano tem sido tomado por compromissos. E precisamos privilegiar uns em detrimento de outros. Aprendi no tempo que a ideia do ser humano multitarefa é lenda urbana. Foi criada por gestores dispostos a nos impor cada vez mais trabalho.

 

Por mais que consigamos realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, tenha certeza que apenas uma delas será feita com afinco e precisão. As demais correm no piloto automático.

 

Isso não quer dizer que deixei de assistir ao Grêmio neste que é um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

 

Independentemente da situação que as duas equipes estejam na competição, ver os tricolores gaúcho e paulista frente à frente é sempre esperança de bom jogo e lembrança de grandes conquistas. Para provar isso, ouvi o locutor da televisão informar que partidas entre os dois clubes não terminam em 0x 0 faz um catatau de anos. E o jogo de ontem manteve a escrita com o 1a1 final.

 

Em deslocamento de uma cidade a outra, aqui na região de São Paulo, assisti ao jogo pela tela do meu celular e diante do que vi, sempre que a conexão permitiu, o resultado pode ser explicado de maneira simples: um time jogou no primeiro tempo e o outro, no segundo. Além disso, fomos de uma precisão singular: um chute no gol, um chute dentro do gol.

 

Claro que tem outros aspectos que precisam ser levados em consideração.

 

Por mais que os dois pontinhos que deixamos de ganhar fossem importantes para nos colocar na zona de classificação da Libertadores, imagino o quanto tem sido difícil convencer jogadores – e a própria torcida – de que existe alguma coisa a ser conquistada além da Copa do Brasil.

 

Pede-se empenho no Brasileiro e na cabeça do cara vem a imagem da partida final da Copa do Brasil. Exige-se um esforço extra para recuperar a bola e aparece o temor de uma lesão capaz de afastá-lo da decisão. Quer-se uma vaga na Libertadores e o jogador logo pensa que está prestes a conquistá-la por outro caminho e com direito a levar a taça.

 

Como lembrei: até podemos fazer várias tarefas ao mesmo tempo, mas tendemos a priorizar apenas uma. E essa uma, no caso do Grêmio, você sabe bem qual é.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

Grêmio 0x3 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

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Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Avalanche Tricolor: guris, o Grêmio Copero voltou!

 

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Copa do Brasil – Arena Grêmio

     

  • troquei Copeiro, em português, para Copero, em espanhol, por sugestão do Márcio Neves, a quem agradeço pela leitura e porque contra a história não se briga de jeito nenhum.

 

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Guris,

 

A gente está de volta! Estamos na final! E na final da Copa que nasceu para nós.

 

Vocês não lembram nem eram nascidos ainda.

 

Em 1989, quando esta Copa se iniciou, nós fomos os campeões.

 

De lá pra cá, nos acostumamos com ela. E aos títulos, também.

 

Somos tetracampeões.

 

A última vez foi há 15 anos. 

 

Vocês eram muito jovens quando o pai narrou aquela final, em 2001.

 

Ganhamos de 3×1 do Corinthians, aqui no Morumbi.

 

Desde lá, nosso único título nacional foi o da Batalha dos Aflitos, que vocês sabem ter sido fundamental para forjá-los tricolores, mesmo morando longe do Rio Grande.

 

Tivemos outras chances de ganhar, tanto a Copa do Brasil como o Brasileiro e a Libertadores. Mas não tivemos sucesso.

 

Estamos mais uma vez em uma final. E chegamos honrando o título de copero que construímos na história com vitórias incríveis e algumas que pareciam ser impossíveis.

 

Desta vez, começamos a conquista na casa do adversário, ao vencermos por 2 a 0,  e viemos para a Arena apenas confirmar passagem à final. E o fizemos com inteligência e talento.  

 

O mais legal é que dessa vez, eu terei vocês ao meu lado para vibrar, torcer e sofrer.

 

Guris, preparem-se, o Grêmio Copero voltou!

Avalanche Tricolor: somos todos gremistas!

 

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Torcida tricolor destaque em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

 

Não sei quem é Ticiano Osório. Menos ainda quem é Alexandre Elmi. Que isso não diminua a importância deles nem pareça arrogância deste que lhe escreve. Meu tempo distante do Rio Grande me fez perder referências, por mais que insista em acompanhar o noticiário aqui e acolá, especialmente quando se trata do Grêmio. Portanto, não saber quem são, revela antes de mais nada minha ignorância e peço desculpas a ambos.

 

Soube deles nestes dias que antecedem a decisão da vaga à final da Copa do Brasil, muito mais próxima do que imaginávamos há alguns meses. Usaram do talento que têm com as letras para demonstrar o amor que sentem pelo Grêmio. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Cada um a seu modo.

 

A você, caro e raro leitor deste blog, além de reproduzir o link para acessar o que dizem, explico, desde já, que ambos publicaram textos na coluna “De Fora da Área”, que pode ser lida na página virtual da ZH Esportes.

 

O primeiro, Ticiano, com o chamativo título “o Grêmio não vai ser campeão” , seguido por artigo no qual descreve a série de frustrações vividas nos últimos 15 anos, desde a disputa de pênaltis contra o Olímpia, as finais contra o Boca, na Libertadores, e a entrega do Campeonato Brasileiro depois de estar 12 pontos à frente de seu adversário direto. Relembra todos esses reveses como se buscasse um consolo para caso nada dê certo mais uma vez. Cria assim uma blindagem em seus sentimentos, ao mesmo tempo que torce alucinadamente para que a história o surpreenda.

 

O segundo, Alexandre, é afirmativo ao intitular seu artigo com “o Grêmio vai sair campeão”. Lembrou do nosso delírio ao acreditarmos que seríamos capazes de golear o Boca, no Olímpico, após perdermos por 3 a 0 o primeiro jogo da final – e eu estava lá delirando ao lado do meu pai. Lembrou, também, da esperança que tivemos de nos recuperarmos no Brasileiro após termos conquistado uma vantagem que jamais algum outro clube foi capaz de obter (e desperdiçar). Mesmo assim, encontrou na nossa história inspiração para crer que agora tudo será diferente e, depois de passarmos pelo Cruzeiro, logo mais à noite, a Copa do Brasil estará logo ali nos esperando.

 

Os dois autores têm razão por mais contraditórios que sejam seus sentimentos. Cada um dos torcedores que forem à Arena nesta noite, e os milhares de nós que estaremos diante da televisão, carregaremos conosco um pouco de cada versão. Amor e apreensão. Ceticismo e deslumbramento. Dr. Jekill e Mr. Hyde. Deus e o Diabo. Ticiano e Alexandre.

 

Vamos nos dividir entre a crença a cada “pifada”  de Douglas e o desespero no avanço do adversário sobre Marcelo Oliveira. Os olhos vão brilhar com o drible de Luan e o coração vai apertar a cada lançamento para dentro de nossa área. Vamos cerrar os punhos para comemorar as bolas despachadas por Geromel e Kannemann e voltaremos a cerrá-los de raiva nas bolas perdidas por Pedro Rocha e Ramiro.

 

Seremos um pouco de cada um a cada lance.

 

Seremos, acima de tudo, gremistas! Imortais!

Avalanche Tricolor: categoria e vigor deixam o Grêmio próximo da final

 

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

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Torcida do Grêmio no Mineirão (reprodução da SPORTV)

 

Raro momento este que exercito agora: escrever esta Avalanche antes mesmo do fim da partida. E se me atrevo a tal, é porque o Grêmio me proporcionou esta oportunidade.

 

Poucas vezes nestes últimos tempos, vi o Grêmio jogar com tanta maturidade. O estádio lotado e a experiência do adversário não foram suficientes para intimidar nossos jogadores.

 

Exceção aos 15 primeiros minutos, o Grêmio dominou o jogo, tocou a bola, se movimentou com inteligência e voltou a desfilar o futebol ensinado por Roger e desenvolvido por Renato.

 

Foi solidário na marcação com os jogadores da frente atrapalhando a saída de bola, deu pouco espaço para que o adversário impusesse perigo e a dupla de área foi de uma seriedade de chamar atenção.

 

O primeiro gol deu a cara da partida com a bola rolando de pé em pé. Foram 23 toques em pouco mais um minuto, com jogadores passando a bola e se deslocando para receber livre, a ponto de desnortearem os marcadores. E um chute genial de Luan que voltou a marcar após 12 partidas. E que gol, ele marcou!

 

O segundo gol foi resultado da vantagem conquistada no primeiro tempo. O Grêmio obrigou o adversário a dar mais espaço, e isso costuma ser fatal diante da qualidade do toque de bola gremista. Foi resultado, também, da forma voluntariosa – nem sempre com bons resultados – com que Marcelo Oliveira atua, pois ao cortar a bola na lateral do campo proporcionou nosso contra-ataque. E, sem dúvida, foi resultado da maneira como Ramiro e Douglas – principalmente Douglas – tratam a bola.

 

Chego ao fim do texto no momento em que a partida se encerra. E nada mudou desde que comecei a escrevê-lo.

 

O Grêmio foi melhor, jogou futebol de verdade e fez o placar que lhe põe muito próximo da final da Copa do Brasil. Mas a gente sabe que nada está resolvido ainda. É preciso confirmar o resultado na Arena semana que vem, pois, como disse lá no inicio, escrever esta Avalanche com o jogo em andamento é coisa rara e sabemos que as conquistas não costumam ser fáceis para os Imortais.

Avalanche Tricolor: pragmático, óbvio e classificado à semifinal da Copa do Brasil

 

Palmeiras (2)1×1(3) Grêmio
Copa do Brasil – Allianz Parque

 

 

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Jogadores comemoram classificação (reprodução da TV)

 

“Quando a gente tá com a bola ataca, quando não tá, defende”…

 

Assim Renato explicou como o Grêmio deveria se comportar em campo, ao responder pergunta feita pelo repórter da televisão, um minuto antes de se iniciar a partida dessa quarta-feira à noite, em São Paulo.

 

Foi simples, direto e objetivo, como ensina o mantra da boa comunicação.

 

Foi óbvio, também! Talvez porque tivesse como meta, naquele momento que antecedia a decisão, apenas se livrar da conversa com o jornalista, afinal o que interessava mesmo é o que viria a acontecer em seguida no gramado – no ruim gramado do Allianz Parque.

 

Por mais simples que tenha parecido a explicação do técnico gremista colocar a ideia em prática seria extremamente complexo, como se viu ao longo do jogo.

 

Nem sempre quando a bola esteve com o Grêmio, conseguimos atacar; muitas vezes tropeçamos nas nossas deficiências de movimentação e, em outras, na eficiência da marcação.

 

Nem sempre quando a bola estava com o adversário, conseguimos marcar; muitas vezes deixamos mais espaço do que deveríamos e a bola chegava com perigo dentro da área. Nos safamos de algumas boas quando só nos restava contar com a sorte e a coragem. E coragem não faltou a nossos defensores que se atiravam de qualquer maneira para evitar o gol.

 

Sem colocar em prática a obviedade proferida por Renato, torcíamos para que o relógio andasse mais rápido do que nosso toque de bola, já que o empate nos bastava. Chuleávamos para que em um lance fortuito conseguíssemos fazer um gol, o que nos levaria a respirar um pouco mais.

 

O gol saiu, mas não foi do nosso lado. Foi contra nós, e pelo alto, como sempre.

 

O resultado já não nos interessava mais. O relógio que parecia bater em um ritmo lento, começou a rodar com rapidez. E o nosso futebol não andava lá essas coisas, apesar de algumas chances criadas.

 

Isso não quer dizer que havíamos desistido de lutar … afinal, ainda assim, nos bastava apenas um gol, não mais do que isso para a vaga estar garantida.

 

Foi, então, que aos 15 minutos do segundo tempo, Renato mais uma vez usou a lógica e colocou em campo aquele que não nos tem faltado nas últimas partidas: Everton.

 

Nosso atacante foi o personagem da classificação: foi dele o lance que resultou na expulsão que fragilizou o adversário, assim como foi dele o lance que desnorteou a defesa, deslocou o zagueiro e abriu espaço para fazer o gol.

 

Everton entrou em campo e cumpriu a ordem de Renato: quando a gente tá com a bola, ataca. O que permitiu que o restante do time fizesse a outra parte: quando a bola não tá, a gente defende.

 

Com o pragmatismo de Renato, a dedicação do time e o talento de Everton estamos na semifinal da Copa do Brasil, mais próximos da Libertadores e de um tão desejado título.