Fora da Área: empate do Brasil é resultado do lugar comum

 

 

É jogo de Copa do Mundo.
São onze para cada lado.
Contra o México é sempre difícil.
Todo mundo quer jogar contra o Brasil.
Temos que respeitar o adversário.

 

Jogadores de futebol costumam ser bem mais criativos com a bola no pé do que com as palavras, por isso não me surpreende o desfile de lugar-comum nas declarações ao fim do jogo, como nesta terça-feira, em Fortaleza. Em raras oportunidades encontramos afirmações relevantes ou explicativas, quando muito tiramos algumas “aspas” para escrever a reportagem ou destacar em manchete (tirar aspas, no jornalismo, é reproduzir a frase ou expressão usada pelo entrevistado). Portanto, não me surpreenderam as entrevistas que assisti na televisão com jogadores brasileiros ainda ofegantes e suados, minutos após o empate em zero a zero com o México.

 

Esperava mais deles dentro de campo. Lá, sim, me parece, faltou criatividade para driblar o forte bloqueio mexicano e encontrar espaços que nos permitissem chegar ao gol da vitória. Às vezes, havia dois, três e até quatro jogadores marcando nossos principais talentos, em especial Neymar. Mesmo assim, o camisa 10, com seu topete esbranquiçado, foi responsável por dois dos principais lances de gol que tivemos nos 90 minutos. Na primeiro deles, surpreendeu-nos com um salto que o agigantou diante dos zagueiros mexicanos. A cabeçada foi bonita, a bola – apenas para usar um lugar comum dos locutores de futebol – tinha endereço certo, mas aí apareceu aquele camisa 13 deles para impedir o gol. Ochoa com sua cara de guri novo se esticou todo e conseguiu espalmar para fora. Fez naquele momento, fez depois com Paulinho, fez ainda com Tiago Silva, quando já havia feito, pouco antes e outra vez, com Neymar. Foram quatro defesas incríveis. Nem dava pra reclamar, afinal se os goleiros tem alguma função no futebol esta é a de estraga-prazer. E Ochoa a exerceu muito bem. Roubou o prazer de milhares de torcedores no Estádio do Castelão, em Fortaleza, e de milhões de brasileiros que esperávamos por mais uma vitória na Copa.

 

Há quem tenha ficado muito incomodado com o empate e a falta de solução para superar o adversário, contra quem, aliás, não temos tido muita sorte nas últimas décadas. A sensação se justifica pois estamos muito mal acostumados. Para nós é mais comum assistir ao Brasil vencer. Desde a Espanha’82, por exemplo, vínhamos ganhado as duas primeiras partidas do Mundial. Lá se vão 32 anos. Além disso, Luis Felipe Scolari havia vencido todos os jogos em que comandou a seleção em Copas da Confederação e do Mundo (a propósito, ainda não perdeu nenhum.) Seja com for, eu considerei o resultado de hoje a coisa mais comum do mundo, já que estávamos diante de uma seleção complicada de se passar, o empate nos deixa na liderança do grupo e muito próximo da classificação à próxima etapa. Além disso, prefiro identificar fragilidades agora, quando podemos nos dar ao luxo de sair de campo sem vitória, do que sermos surpreendidos nas etapas eliminatórias quando nos restará apenas chorar em caso de derrota.

Fora da Área: nona Helena veste a camisa porque hoje tem Brasil na Copa

 

Hoje tem Brasil na Copa. E lá vai a Nona Helena para o guarda-roupa tirar a camisa da seleção, guardada com carinho na gaveta a espera da partida seguinte. O uniforme é obrigatório para jogos do Brasil desde que se conhece por torcedora. Este ano, como a Copa é por aqui, caprichou na indumentária e, na loja perto de casa, comprou a corneta e a peruca verde e amarela. Aos 88 anos, espera pela seleção brasileira com a ansiedade de criança e não se cansa de se emocionar com o hino nacional. Provavelmente, legado dos tempos de aluna em que se perfilar no pátio da escola, antes da aula começar, era obrigação transformada em prazer. Sentada no sofá diante da televisão, porque ninguém é de ferro, põe a mão sobre o peito, acompanha a torcida reunida no estádio e não perde o ritmo quando levada a cantar à capela. Há quem jure que os olhos se enchem de lágrimas já nos primeiros acordes. Os netos acham divertido, os filhos tem orgulho e a Nona faz questão de espalhar na família que é apaixonada por jogo de Copa: “não perca um sequer!”. Quem vai jogar no lugar de Hulk, se é que Hulk não vai jorgar, ainda não sei, mas que ela vai estar a espera da seleção, não tenho dúvida.

 

A Copa tem dessas coisas. Provoca as mais estranhas reações em seus torcedores. E você deve ter visto muitas delas nas arquibancadas apesar de estar completando somente agora a primeira rodada de jogos. Existem torcedores enlouquecidos que vestem fantasias bem mais apropriadas a baile de Carnaval. Tem torcedores alucinados que saltam e cantam, e cantam e gritam, e continuam saltando, independentemente do que esteja acontecendo em campo. Tem os sofredores que fazem careta, roem unhas, esbravejam e choram o revés. Tem os críticos que parecem saber bem mais do que o técnico, gesticulam e orientam suas seleções mesmo que ninguém os ouça no gramado. Tem o torcedor do telão, que passa os 90 minutos pedindo para ser flagrado pelas câmeras de TV. Tem os religiosos, que agradecem aos céus cada graça alcançada nem que esta seja a desgraça do adversário.

 

Eu sofro muito mais quando o Grêmio está em campo do que a nossa seleção, o que não me tira a pressão. Ainda mais que, como já contei algumas vezes, torço por aqueles que admiro e o Brasil comandado por Luis Felipe Scolari merece minha admiração. Não vou vestir a camisa, encaixar a peruca ou cantar o hino (os ouvidos da família agradecem), mas esfragarei as mãos, massagearei as bochechas e pentearei o cabelo para trás com a ponta dos dedos quantas vezes forem necessárias. Ou até a seleção me convencer de que a vitória está garantida, o que costuma acontencer lá pelos 45 do segunto tempo.

 

Eu, assim como a Nona Helena, que não é minha nona mas a peguei emprestada para este texto, também sou apaixonado por jogo de Copa. E você? Vai torcer como? Porque hoje tem Brasil na Copa.

Fora da Área: a bola rola solta no centro de São Paulo

 

 

Eram apenas três garotos e uma bola, supervisionados pela bandeira do Brasil estendida na fachada do prédio que abriga a Secretaria Estadual de Justiça de São Paulo. O campo era de asfalto e delimitado pelo meio fio nas laterais e os carros estacionados fazendo às vezes de linha de fundo. Não havia goleiras demarcadas nem torcida organizada, menos ainda árbitro para impedir qualquer jogada violenta. Nem tinha necessidade para tanto rigor, já que o futebol jogado por eles não tinha adversário. Todos faziam parte do mesmo time, sem camisa ou patrocinador, e movidos por um só objetivo: a diversão. Flagrei essa cena ao lado do Pateo do Collegio, onde São Paulo foi fundada, no centro da cidade, que, nesse sábado à tarde, estava tomado de passantes e turistas – nenhum deles, porém, parecia interessado pelo acontecimento naquela praça, mesmo que o futebol fosse o motivo de muitos deles estarem por aqui. Ao contrário da maioria, fui logo conquistado pela espontaneidade dos gestos, as embaixadinhas desajeitadas e os gritos de gol. Parei, assisti ao jogo por alguns minutos, fotografei e fui embora. Não tinha o direito de estragar a naturalidade dos movimentos daqueles craques em formação.

 

É difícil encontrar garotos brincando de bola nas ruas da cidade, as calçadas quase não têm espaço e o meio da rua é arriscado. Nossos filhos saem pouco, os que gostam do futebol descem na quadra do prédio e os sem-prédio têm a opção dos campos dos clubes e escolinhas. Têm de marcar hora na portaria e adaptarem-se as burocracias locais. Nada tão natural como na época em que o dono da bola chamava a turma aos berros, atravessávamos para o outro lado da Saldanha Marinho, em Porto Alegre, e transformávamos o portão de grade do açougue do Seu Ernesto em goleira. O jogo rolava solto e somente se encerrava quando ao escurecer os pais davam o apito final. Às vezes, a partida era interrompida pelo próprio açougueiro que, avisado por vizinhos mal-humorados, saia da casa dele, há algumas quadras dali, e corria a tempo de salvar seu portão dos nossos chutões. Costumava ser tarde, os gols assinalados já haviam marcas eternas na grade.

 

Dentre tantas outras sensações, a Copa do Mundo nos faz crescer os instintos mais naturais do futebol, o desejo de tomarmos novamente as calçadas e jogarmos com as regras que nós mesmos determinamos, sem a interferência dos cartolas, a autoridade do juiz ou a ganância dos agentes. A alegria daqueles três meninos que tomaram o espaço público para si e o transformaram na sua Arena pode ser um dos muitos legados deste Mundial.

 

Vai lá, pega a bola escondida embaixo da cama e vamos às ruas!

Fora da Área: Brasil com amendoim, pipoca e sofrimento

 

Brasil 3 x 1 Croácia
Copa do Mundo – Arena Corinthians(SP)

 

 

Jogo do Brasil aqui em casa tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Tem vinho e guaraná, também. Tem família reunida, cunhado na poltrona, cunhada e sobrinha atiradas no sofá, filhos ao pé da TV e mulher para cá e para lá. Como parte da família é italiana, a torcida tem sotaques diferentes e divertidos. Menos mal que as vozes fazem coro. Só silenciaram para ouvir o hino nacional e compartilhar a emoção que estava no rosto dos jogadores brasileiros desde que se preparavam para entrar na Arena Corinthians. Desconfio até que os olhos mareados atrapalharam nossos craques naquele início de partida, impediram de ver a escapada do Croata pela esquerda, a bola que cruzou toda a área até bater nas pernas de Marcelo e o gol adversário. O primeiro gol da Copa do Brasil. Apesar de marcado por um brasileiro, contra.

 

Se jogo do Brasil tem amendoim, pipoca, bolo doce e salgado aqui em casa, tem de ter sofrimento, também. Foi sofrido sair perdendo, tanto quanto ver que a bola brasileira não rolava com precisão. Rolava truncada, mascada, às vezes desrespeitada. Ao menos estava rolando mais nos nossos pés do que no dos croatas, mas quando eles a dominavam o medo de mais um lance fortuito se transformar em gol soava à tragédia. O cunhado italiano parecia me consolar ao prever o empate, a virada e a vitória, o que não me impediu de ouvir perguntas difíceis de responder: por que o Brasil não joga bem? Por que não chuta a gol? Por que Fred não aparece? E o Paulinho, cadê? Por quê? Nem posso reclamar, pois teve gente graúda que ouviu coisa bem pior da torcida. Mas isto é outro assunto. O meu é o futebol. E a resposta veio depois do jogo, na voz do cabeludo David Luiz: temos de saber sofrer. Nisso somos especialistas, David. Em campo e fora dele.

 

Se jogo do Brasil tem de ter sofrimento, desta vez tinha Oscar jogando muito e Neymar decidindo, também. Nem que para isso tivesse de se aproveitar de uma daquelas bolas mascadas, que eu tanto reclamava, ou de um juiz ludibriado. Aliás, pobre Senhor Yuichi Nishimura, assim como aquela outra autoridade, ouviu coisas que eu não me atrevo a escrever por aqui. Os croatas até tinham razão de reclamar, no lugar deles eu não faria diferente. Mas ninguém havia contado para eles que a preferência de Fred é jogar deitado no gramado?

 

Bola para o alto porque semana que vem tem o México pela frente. E aqui em casa terá mais um punhado de amendoim, pipoca, bolo doce e salgado. Sofrimento, Oscar e Neymar, também.

Fora da Área: a perda de tempo para quem chega ao Brasil

 

 

A moça de ar desolado, pendurada na barra do ônibus e esmagada entre passageiros é a imagem escolhida pela The Economist para ilustrar o Brasil que recebe turistas estrangeiros na semana da Copa do Mundo. A reportagem que está na capa do site da revista inglesa tem o título “Traffic and tempers” (Tráfego e temperamentos) e se inicia com o lamento de um restaurateur americano, Blake Watkins: “no momento em que você aterrissa no Brasil começa a desperdiçar tempo” constatou ao chegar no país pelo aeroporto internacional de Guarulhos, na manhã de 9 de junho, quando São Paulo enfrentava mais um dia de greve no metrô. O primeiro desperdício, conta a reportagem, foram os 15 minutos para conseguir uma vaga para o desembarque dos passageiros, o que, convenhamos, está dentro dos padrões brasileiros. Para tirar a paciência, mesmo dos mais mal-acostumados entre os nossos, foram as duas horas e meia esperando os táxis para a capital, que não chegavam por estarem bloqueados nos congestionamentos. O repórter estranhou que táxis que traziam passageiros retornavam vazios e descobriu que mais importante do que atender as pessoas era respeitar o monopólio que impede que motoristas sem licença da empresa que explora o serviço no aeroporto trabalhem. Não seria tão estranho se houvesse sistema de transporte público à disposição, mas a reportagem lembra que foram concluídos apenas cinco dos 35 projetos de mobilidade previstos para a Copa do Mundo. Se não me falha a memória, mesmo que fossem entregues, o inglês permaneceria na fila pois Guarulhos não seria contemplado. Após receber essas boas-vindas no Brasil, a reportagem do The Economist entendeu melhor a pesquisa do Pew Research Center que identificou haver 72% dos brasileiros insatisfeitos com a forma como as coisas estão indo no Brasil e, também, a ausência do “ouro, verde e azul” nas ruas. Ao mesmo tempo, tem consciência que o mau humor aparente possa sumir assim que o torneio se iniciar, e se a seleção de Luis Felipe Scolari tiver bons resultados em campo a alegria, considerada uma marca do povo brasileiro, será retomada, mesmo diante do grande afluxo de turistas, greves e ocasionais protestos.

 


A reportagem completa da The Economist você lê aqui

Por que eu torço para o Brasil

 

 

Em sessão para testar a capacidade do cérebro, fui provocado a pensar em cenas positivas e emocionantes, enquanto eletrodos captavam sinais que eram registrados na tela de televisão à minha frente. Lembrei de situações familiares, reencontros, casamento e filhos recém-nascidos mas a maior parte das imagens recuperadas pela memória estava relacionada ao esporte, a experiências que vivi em quadra, nos anos em que joguei basquete, e nas arquibancadas (ou no sofá) como torcedor. É curiosa a capacidade que o esporte tem de me emocionar; sensação que, imagino, não seja privilégio apenas meu. Lembro de choros históricos como o de 1987 quando o basquete brasileiro venceu os Estados Unidos na final do Campeonato Pan-Americano, em Indianápolis (EUA). As meninas também me levaram às lágrimas, em 1996, quando, ao vencer a Ucrânia, garantiram a medalha de prata nas Olimpíadas de Atlanta (EUA). Em 2007, o mais dramático dos sofrimentos, assistindo ao jogo que ganhou o apelido de Batalha dos Aflitos e trouxe o meu Grêmio de volta à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro.

 

A seleção brasileira de futebol também me proporcionou momentos de muita emoção nas Copas do Mundo em que venceu, especialmente a partir de 1994, pois das anteriores quase nada ficou na memória devido minha idade. Como gosto de torcer pelos amigos, vibrei muito ao ver o sucesso de Taffarel, no Mundial dos Estados Unidos, goleiro com quem compartilhei os primeiros anos de carreira no Internacional, clube do qual eu era repórter setorista, nos tempos da rádio Guaíba, em Porto Alegre. Coloquei a amizade acima da pátria, também, em 2002, no Japão e na Coreia, diante da seleção comanda por Luis Felipe Scolari, a quem sempre admirarei pela sinceridade de suas relações e conquistas alcançadas com o Grêmio. Curiosamente lembro pouco das frustrações de 1982 e 1986, edições em que o Brasil foi treinado por Telê Santana que terá meu eterno apreço.

 

A dois dias do início da Copa do Mundo no Brasil não tenho qualquer dúvida sobre minha torcida, vou vibrar como nunca a cada gol da nossa seleção e suarei as mãos enquanto o adversário estiver prestes a marcar. Vou reclamar passes errados e pedir precisão no desarme; pronunciarei palavras impronunciáveis nos chutes desperdiçados e nas defesas “indefensáveis”; sofrerei no sofá ou na arquibancada tanto quanto Felipão na beira do gramado. Diga o que quiser, me acuse do que bem entender, mas diante do espetáculo do futebol não consigo ficar impassível ou disfarçar sentimentos. Nenhum gestor nem a falta de gestão; nenhuma política nem mesmo os maus políticos; nenhuma obra inacabada ou dinheiro desviado vão me tirar o direito de ser feliz e me emocionar com o esporte.

 

Perdão se você não concorda comigo, mas quero ver este País explodir com a alegria do drible e a glória de um gol. O brasileiro que acorda cedo, madruga no ponto de ônibus, se esmaga na estação do metrô, carece de saúde e educação, se esforça como poucos para garantir-se no emprego ou construir seu próprio negócio, não precisa ser privado do prazer de ver seu capitão erguer a Copa. Ao contrário do que muitos dizem e pensam, somos muito mais avançados do que querem crer: sabemos separar Governo de Nação, governantes de seleção. Se dúvida, lembre-se de nossa história recente na qual o eleitor jamais votou como torcedor: se é verdade que, em 1994, fomos campeões e elegemos a situação (FHC), também o é que a reelegemos, em 1998, mesmo depois da frustração do vice contra a França; em 2002, o Penta não impediu que fossemos com a oposição (Lula), e mantivemos quem era Governo, em 2006 (Lula) e 2010 (Dilma), independentemente das derrotas em campo. A não ser que você seja adepto do quanto pior melhor, tire este franzido da testa, distorça o nariz, despache o mau humor para escanteio e entre comigo nesta torcida.

Avalanche Tricolor: Grêmio, até a volta!

 

Grêmio 0 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Como você deve saber, caro e raro leitor deste Blog, esta nona rodada marca a interrupção do Campeonato Brasileiro para que todas as atenções se voltem à Copa do Mundo. Apesar do mau humor que se percebe em relação à competição que será sediada pelo Brasil, devido ao desperdício de dinheiro público e obras inacabadas, sabe-se que a medida que o Mundial se aproxima aumenta a expectativa dos torcedores da mesma forma que a programação de rádio e TV é tomada por programas especiais. Jornais e revistas também entram nesta onda, de olho no retorno publicitário que o evento pode trazer. Assistimos todos os dias à uma espécie de esquenta para o Mundial com documentários e reportagens destacando momentos marcantes, relembrando vitórias e derrotas, entrevistando jogadores do passado, técnicos que deixam saudades e torcedores que revelam suas loucuras em verde e amarelo. Não escapamos das tradicionais matérias com representantes das colônias dos países que disputarão a Copa por aqui, a maioria das quais o máximo que se aproveita é uma boa receita da culinária exótica. Como minhas habilidades na cozinha não vão além de um café no bule e do omelete pela manhã, me atento mais as histórias que destacam os valores humanos de personagens da bola. A série com os jogadores da seleção brasileira, que está no ar no Jornal Nacional, é especial. Tino Marcos tem contado curiosidades dos atletas que estão distante dos nossos olhos quando os vemos em campo, e que têm me oferecido cada vez mais subsídios para torcer pela equipe de Luis Felipe Scolari.

 

Hoje, no início da tarde, antes de a partida do Grêmio se iniciar, assisti na HBO Latin America ao documentário “Seleção Brasileira – Paixão De Um Povo”, que no episódio reproduzido neste domingo se dedicou a nossa derrota na final de 1998 para a França, após a polêmica sobre o mal-estar de Ronaldo. Em meio a depoimentos dos protagonistas daquele acontecimento, havia declarações de jornalistas, escritores e artistas sobre o Mundial no Brasil. Um dos produtores, o cineasta Luis Carlos Barreto, entrevistou o cantor Gilberto Gil que, a partir de uma retórica complexa, tentou mostrar os motivos de o Brasil ter aceitado receber a Copa do Mundo. Confesso que até entendi a lógica dele, mas não seria capaz de repeti-la nesse espaço, mesmo porque o que mais me interessou foi o trecho final de seu depoimento quando relacionou os times pelos quais torce no Brasil, lista da qual faz parte o nosso Grêmio. O curioso foi saber que o cantor baiano esteve no estádio Olímpico para assistir à final do Campeonato Gaúcho de 1977, quando encerramos uma série de sete anos sem conquistas. Ele lembrou que ao ser perguntado por jornalistas por que torcia para o Grêmio, olhou para o céu que ainda estava azul, viu a lua que já dava suas caras naquele início de noite e justificou: “o céu é azul, a luz é branca e eu sou preto, portanto sou tricolor do Grêmio”.

 

Neste domingo sem gols, no qual voltamos a desperdiçar as poucas oportunidades e os raros lances de criatividade, tivemos de agradecer ao árbitro por nos livrar de uma derrota, e encerramos esta etapa inicial fora da zona de classificação para a Libertadores, o prazer de ouvir Gilberto Gil descrevendo sua admiração pelo Grêmio foi, sem dúvida, o momento mais marcante para este gremista.

 

Grêmio, até a volta (e aproveite bem esta parada) !

As minhas Copas e a do Brasil

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sou um veterano em Copas do Mundo. Na de 50,confesso,minha ligação com o futebol resumia-se às peladas com os meus companheiros de zona. Já contei neste blog,mas não custa repetir, que assistia a um filme, no cinema Eldorado, quando esse foi interrompido para que um “speaker” informasse que o Brasil perdera a Copa para o Uruguai. Em 1954,ouvi pelo rádio a vitória da Alemanha sobre a Suíça. Trabalhava,então,no meu primeiro emprego:Rádio Clube Metrópole. Em 1958,já na Guaíba,festejamos a vitória brasileira na final,contra a Suécia.Escutei os jogos, narrados por Mendes Ribeiro. Depois,percorremos as congestionadas ruas do centro de Porto Alegre,rodando com o Oldsmobile do pai de Pedro Carneiro Pereira. Ele ainda trabalhava na Clube Metrópole. Como narrador da Guaíba fiz,na Alemanha, a minha primeira Copa do Mundo. Em 78,na Argentina,narrei apenas um jogo. Já,no México,em 1986,na condição de narrador titular da Guaíba,não tive o prazer de vibrar com uma vitória brasileira. Ganharam os nossos sempre rivais,os argentinos.

 

O Brasil recebe agora as seleções de boa parte do mundo em uma competição que,como ouvi de Parreira,se considera favorito. Há,entretanto,instituições de nosso país que não foram favorecidas com verbas governamentais. Hospitais,por exemplo. Bilhões foram despejados,porém, na construção de estádios capazes de agradar a exigente e poderosa FIFA. Aqui,em Porto Alegre,duvido que todas as obras destinadas a facilitar a mobilidade urbana possam ser entregues totalmente finalizadas.Morador que sou da Zona Sul,transito diariamente pelas proximidades do Beira-Rio.Está ali, esperando finalização,o Viaduto da Pinheiro Borda.

 

Os problemas provocados pela realização de uma competição como a que se iniciará em junho não ficam somente restritas a obras e quejandas. Para não me estender,vou citar duas. A nossa Brigada Militar,preocupadíssima com a segurança da população de Porto Alegre e dos turistas que vierem para ver suas seleções nos cinco jogos marcados para o Beira-Rio,decidiu trazer do Interior cerca de 2 mil PMs. Despe-se um santo para vestir outro,é o que dizem prefeitos de cidades interioranas que,sofrem com assaltos,principalmente,os que sofrem instituições bancárias. Quem comanda a BM garante que não faltarão patrulhas no interior. É preciso ver para crer.

 

Às obras que, não se sabe ao certo, se serão entregues aos munícipes,decreto da prefeitura de Porto Alegre,em vigor desde ontem,proíbe que os nossos taxistas vistam camisas xadrez,de bolinhas,com listras e,menos ainda,caso sejam de um time de futebol. Ah,claro,o taxista tem de estar bem vestido. Concordo.Isso é uma coisa,outra é a exigência de uniforme. Não sei (porque sempre escrevo às terças-feiras)se o Sinditáxi aceitará o que reza o decreto sem ameaçar com greve. Era só o que faltava às vésperas da Copa do Mundo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo: presidente da Avianca fala da aviação em tempo de Copa

 

 

Com aviões mais confortáveis e a retomada do serviço de alimentação a bordo, a Avianca Brasil conseguiu se recuperar de uma forte crise que enfrentou há pouco mais de cinco anos. Hoje, a empresa tem 41 aparelhos, voa para 22 cidades brasileiras e se prepara para o desafio que serão as operações aéreas no período da Copa do Mundo, Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, o presidente da Avianca Brasil José Efromovich fala da infraestrutura dos aeroportos e analisa o futuro do mercado de aviação.

 

Você participa do Mundo Corporativo assistindo ao programa, ao vivo, às quartas-feiras, a partir das 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br), e enviando perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábado no Jornal da CBN.

Fifa quer proibir rádio de pilha em estádio da Copa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Foi com surpresa que,na semana passada,recebi uma ligação de um moço da TV Record me perguntando se eu aceitaria conceder entrevista sobre assunto que provocou estranheza na mídia: a FIFA,uma dama que está mandando e desmandando nesta ano em que teremos a Copa do Mundo aqui em nosso país,resolveu proibir que torcedores ingressem nas Arenas,cujas construções custaram os olhos não só de uma,mas de várias caras,seja de estados,municípios e do próprio governo,portando rádios de pilha por menores que sejam. Demorei a acreditar que a entidade, que comanda o futebol mundial,se preocupasse com a presença de tão inocentes dispositivos,imaginando que possam ser mal usados,isto é,que sejam jogados para dentro dos gramados,tendo como alvo quem trabalha neles:árbitro,os seus auxiliares e jogadores. Os estádios recém inaugurados ou reinaugurados,caso do Gigante da Beira-Rio,não possuem mais alambrados.

 

Duvido que,em Porto Alegre,pelo menos,algum torcedor vá assistir a um dos cinco jogos que serão aqui realizados,disposto a atirar uma radiozinho em algum profissional que esteja nas proximidades ou dentro do campo de futebol. Imagino que essas partidas serão assistidas,principalmente,por torcedores da nacionalidade das seleções participantes. A minoria brasileira não teria razão para atirar qualquer objeto para dentro do gramado,eis que verá os jogos com sangue doce. Os estrangeiros,com certeza,sequer pretendem levar rádios de qualquer tamanho para os estádios. Afinal,não têm o hábito de portar esses aparelhos em estádios de futebol.Quem não vive sem rádio é o brasileiro,que se acostumou a ouvir as narrações,os comentários e as reportagens radiofônicas. Os radiozinhos,ainda por cima,estão perdendo o seu espaço, no bolso dos torcedores,para os telefones celulares. Esses,conforme informaram as concessionárias de telefonia móvel,estarão finalmente aptos para captar o som transmitidos pelas rádios,o que não era possível no Beira-Rio.

 

Não esqueço que na minha longa carreira de radialista,na qual atuei apenas em duas emissoras porto-alegrenses,somando 60 anos de trabalho,rádios de todas espécies,dos grandes aos de bolso,fizeram parte da minha vida. Nos estádios,tínhamos de ser caprichosos,eis que os nossos ouvintes,em boa parte,queriam que,no mínimo,não errássemos os nomes dos jogadores e gritássemos eventuais gols com total vibração,às vezes,com a voz distorcida pelo berro exagerado. Narrei o gol mil de Pelé,no Maracanã. Quando ele marcou,de pênalti,o estádio inteiro gritou enlouquecido e fez-me levantar demasiadamente a voz.Até hoje não gosto de ouvir a minha desafinada narração.

 

As narrações,no rádio,pautaram as que são feitas,hoje,nas televisões. Os que relatam os jogos parece que estão falando para quem não está na frente de um televisor FULL HD.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)