No caminho da Copa

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Toda vez que,como se dizia antigamente,preciso dar tratos à bola a fim de encontrar assunto para este blog,antes de mais nada,passo os olhos pelos jornais. A expressão que usei acima não tem nada a ver,explico aos mais jovens,com a bola de futebol,objeto muito em moda nesta primeira metade de 2014 por força da Copa do Mundo. Não é,porém,por aí que vou começar o meu texto,não sem antes lembrar que o posto sempre ou quase sempre,nas terças-feiras. Alguns dos temas que elejo ficam,às vezes,sujeitos a chuvas e trovoadas,isto é,podem perder atualidade.

 

Chamou-me a atenção – e como! – nos jornais desta terça,a notícia de que a gasolina vai subir. Segundo a presidente da Petrobras,Graça Foster,o aumento se justifica,eis ser necessário o reajuste visando ajustar os preços internos aos do mercado externo. Será,entretanto,conforme a executiva,um aumento moderado. Acredite quem quiser na tal de moderação. Mesmo com o aumento da gasolina,graças a uma iniciativa governamental,veículos poderão ser comprados com financiamentos menos pesados. É fácil imaginar-se que o número de carros em circulação,depois de pequeno hiato,voltará a crescer e,por óbvio,a entupir as vias urbanas e as rodovias,as primeiras porque é nas cidades que os engarrafamentos tendem a ficar piores. Esse tipo de problema que as metrópoles enfrentam faz já muito tempo,está se estendendo agora até para cidades menores e não sofrerá solução de continuidade enquanto o transporte público não contribuir,de verdade,para que sirva, com qualidade, a maioria das pessoas. Estamos longe deste dia.Por enquanto, baderneiros de todo tipo estão tratando de incendiar coletivos,principalmente, no Rio e em Paulo.

 

Eu,particularmente,acredito tão pouco na melhoria do transporte público quanto na exigência da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – de que os voos,durante a Copa do Mundo,não sofram atrasos. A partir dessa terça-feira,empresas que não cumprirem a exigência receberão multas de R$ 12 mil a R$ 90 mil. Desculpem-me se me acham pessimista de carteirinha,mas também não creio que,aqui em Porto Alegre,a prefeitura conseguirá finalizar o viaduto da Pinheiro Borda e o corredor da Padre Cacique,antes do início da Copa.O prefeito Fortunatti garante que a data prevista para o término destas obras é 31 de maio. Faço votos que José Fortunatti possa cumprir o prometido.Ainda bem que a minha cidade sediará apenas cinco jogo do Mundial..

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Pot-pourri II: da pena de morte aos carros em alta velocidade

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Volto a cumprir o meu compromisso das quintas-feiras com o Mílton usando expediente que utilizei não faz muito:o pot-pourri. Ocorre que três notícias presentes na mídia nos últimos dias prenderam,especialmente,minha atenção.

 

O assassinato do menino Bernardo

 

Confesso que não sabia o que pensar da pena de morte para punir quem comete crimes hediondos. Trata-se de uma questão que divide as opiniões do povo brasileiro. A gota de água que me fez descer do muro foi o assassinato de Bernardo Boldrini,um menino de 11 anos,que morava em Três Passos-RS. Jamais imaginei que pessoas de classe alta,supostamente por ganância – pai cirurgião e dono de um mini-hospital,madrasta enfermeira,mancomunada com uma assistente social – tenham cometido crime tão torpe e cruel quanto esse. Espero que a polícia faça a sua parte,mas o jornal Zero Hora publicou nessa terça-feira,dia em que entrego o meu texto, que o exame da substância capaz de produzir a morte do garoto ou facilitar a decomposição do seu corpo,estava parado. Seja lá como for,passei a ser defensor da pena de morte,pelo menos, quando a vítima for menor de idade e fique comprovado, sem sombra de dúvida,a torpeza e crueldade do crime. Não acredito,entretanto,que esse tipo de penalização venha a ser adotado no Brasil.

 

Os malefícios da Copa do Mundo

 

Li com algum espanto que,aqui no Rio Grande do Sul,dois mil PMs (ou brigadianos,como são chamados em meu estado natal),vindos do Interior,vão reforçar a segurança,em Porto Alegre,durante a realização da Copa. A Famurs – Federação das Associações de Municípios – convocou reunião para esta quarta-feira (não sei o que ficou decidido porque entrego na terça-feira o meu texto para o blog). Não faz muito tempo,pequenos e até médios municípios gaúchos,viviam sendo assaltados por ladrões de bancos. Muitas dessas cidades se ressentiam da falta de policiamento capaz de impedir os constantes roubos. As cidadezinha nem sequer contam com guarda municipal. A diminuição da segurança é notada inclusive quando PMs trabalham como salva-vidas,na chamada Operação Golfinho,que dura o verão inteiro.A Famurs tem razão para reclamar. Afinal,estão despindo um santo para vestir outro. Ah,esta Copa do Mundo!

 

O trânsito e os seus crimes

 

Não tinha previsto escrever novamente sobre trânsito. Aliás,o que costuma acontecer nas rodovias que cortam o Rio Grande nos feriados prolongados,como o da Páscoa,por exemplo,lamentavelmente,é coisa que se repete. Refiro-me aos acidentes fatais. Na quinta-feira passada,escrevi sobre um sujeito que,pela terceira vez,foi flagrado dirigindo contramão na Freeway,sendo que na última que cometeu a irregularidade colidiu com outro veículo. Passou-se uma semana desse evento e já se tem notícia do carro de um deputado que,dirigido pelo próprio ou por um subalterno,corria a 164 km/h na BR-386,velocidade registrada pelo radar,cuja foto está na Zero Hora.A caminhonete,uma Ranger,tem quatro multas,todas por excesso de velocidade. Edson Brum,esse o nome do deputado,diz que o veículo possui multas,mas é um carro do seu gabinete e que pode ser dirigido por um motorista. Pois, que seja.O interessante é que a PRF,no caso desse feriado,não teve como saber quem era o condutor da Ranger porque o movimento na rodovia era intenso e questões de segurança precisavam ser respeitadas. E não seria desrespeito à segurança dos outros veículos correr a 164km/h?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo: oportunidades profissionais de eventos na Copa do Mundo

 

 

Organizadores, fornecedores e profissionais do setor de feiras e eventos tiveram de se profissionalizar, se reformular e buscar novas tecnologias para atender as demandas da Copa do Mundo, mudanças e conhecimento que podem impactar positivamente este mercado. A opinião é de Marcello Baranowsky, diretor do Grupo EventoFacil, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. De acordo com o executivo, o segmento movimenta R$ 20 bilhões por ano, boa parte na cidade de São Paulo, mas tende a se espalhar por outras cidades, do Sul e Nordeste, que têm investido em infraestrutura para receber grandes eventos e feiras.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, e enviar perguntar para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

Minha Copa do Mundo era disputada na pracinha da Zamenhoff

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Zero Hora,nesse domingo,23 de março,dedicou cinco páginas,com textos e fotos em preto e branco,à Copa do Mundo, disputada em 1950,aqui em um Brasil do qual lembro com saudade. Se isso me transforma em saudosista de carteirinha,não me importa. Eu gostava de futebol,desde que fosse o disputado pela gurizada da minha rua nos terrenos baldios que somente aos poucos foram sendo preenchidos por casas de alvenaria,a maioria de dois pisos. A casa paterna ficava bem na frente de um arremedo de pracinha,situada na confluência da Ruas 16 de Julho e Zamenhoff. Essa – a pracinha – jamais foi ocupada por um jardim,como queria a prefeitura,porque nela,embora fosse triangular e em ligeiro declive, jogávamos futebol,vôlei,basquete e até partidas de tênis,por incrível que pareça. É verdade que nossas atividades lúdicas começaram muito antes do ano da Copa do Mundo.

 

Eu não costumava assistir aos jogos dos times de Porto Alegre:Grêmio,Inter,São José,Cruzeiro,Renner e Nacional. Em compensação,já trabalhando em rádio,na Clube Metrópole,tive de narrar uma partida entre Cruzeiro e Renner. No ano do Mundial,porém,minhas incursões radiofônicas restringiam-se aos alto-falantes do Colégio Nossa Senhora do Rosário e,em festas da paróquia do Sagrada Coração de Jesus,naquela que apelidamos de Voz Alegre da Colina,porque ficava no alto de um morro. Na parte baixa desse, havia o campo de futebol do amadoríssimo, União do Buraco. Os jogos eram sempre aos domingos e,volta e meia, dava uma pauleira danada (já naquele tempo)e os torcedores corriam Zamenhoff abaixo para fugir da bronca.

 

A turma da zona continuou,eu inclusive,a bater bola na pracinha mesmo quando já estávamos bem mais velhos. Assistir aos jogos dos profissionais,porém,no meu caso,ainda no ano do Mundial,era coisa raríssima. Eu sequer ouvia as transmissões das partidas pela Farroupilha,Gaúcha e Difusora (hoje Bandeirantes).Talvez,se a televisão já cobrisse futebol,eu teria me interessado bem mais por este esporte. Não passou pela minha cabeça assistir aos jogos de Porto Alegre,no Estádio dos Eucaliptos.Mexicanos,iugoslavos e Suíço não chamavam um mínimo de atenção da minha parte. E a esperada final chegou. Nem essa me prendeu em casa. Fui ver um filme no Cine Eldorado,um dos que costumava frequentar,além do Rosário,Orfeu e Colombo. Não recordo a que filme assistia quando a película foi interrompida:a notícia dada pelos alto-falantes do El Dorado não poderia ser pior: a Seleção Brasileira havia perdido para Uruguai. Saí do cinema e vi muita gente com lágrimas nos olhos, mas confesso lisamente,os meus permaneceram secos.

 

Agora,diante de nova Copa do Mundo em nosso país,não consigo a aceitar sem inúmeras restrições. Temo que,caso o Brasil conquiste o título mundial,o fato seja aproveitado politicamente na próxima campanha eleitoral,como ocorreu no tempo do governo militar que se aproveitou das vitórias da Seleção para se promover. Não posso dizer que Copa no Brasil me agrada. Bem pelo contrário,tenho certeza de que o seu custo para o nosso país será altíssimo. Seria muito melhor se o dinheiro que está sendo gasto fosse utilizado para amenizar ou mesmo corrigir problemas de todas espécies que afetam o nosso povo. São tantos que não me atrevo a os enumerar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Decisões políticas da Copa começam a cobrar a conta

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Algumas das mais expressivas empresas de comunicação do mundo estão revendo seus planos para a COPA 14. Outras estão até cancelando a cobertura local no Brasil, pois os custos devidos à distância, a contratação de habitação, alimentação e mão de obra, são excessivos e bem acima do mercado internacional.

 

Recente reportagem de Carolina Juliano do UOL ilustra o problema. Australianos planejavam montar estúdio no Rio com equipe própria, mas o orçamento de US$ 200mil daria apenas para a locação do imóvel. Uma produtora de São Paulo para cobrir jogo em Manaus levaria sete dias para se deslocar e montar o equipamento necessário, entretanto este custo para apenas 1 jogo é inviável. Ingleses rescindiram contrato que previa transmissão direta daqui com pessoal deles, mas US$ 1 milhão pedido era excessivo e irão trabalhar de lá.

 

Ao estabelecer 12 sedes para os jogos, quando o máximo indicado seria 10, Brasil e FIFA estavam priorizando interesses políticos. Fato agravado pela extensão geográfica de nosso território, que aumenta as despesas de cobertura e algumas vezes impossibilita a mesma equipe cobrir dois jogos seguidos. Tudo indica que as emissoras maiores não virão como previam, pois deverão reduzir as equipes e os gastos, enquanto as menores ficarão em seus países retransmitindo localmente. Os benefícios financeiros e as vantagens da divulgação do país, tão alardeados pelos políticos que conduziram a nossa candidatura, começam a sucumbir.

 

A boa imagem do Brasil, outra das metas perseguidas para o evento, também está correndo sério risco, em função de atrasos de estádios e obras para a estrutura complementar. A gravidade da situação é ilustrada pela metamorfose de Jérome Valcke, na segunda-feira, em Itaquera, vitima e refém da política que apoiou. Diante da arena inacabada, em vez do prometido ponta pé no traseiro lembrou o recorde de procura de ingressos. Também não falou como resolver os R$ 70 milhões que faltarão para as estruturas complementares. E, claro, 2010 deve ter apagado da memória, mas o Estado através dos jornalistas Jamil Chade, Marcio Dolzan e Paulo Favero, lembra que um dos argumentos para tirar a Copa do Morumbi foi a falta de garantias financeiras. Exigências que não foram feitas para o Itaquerão e que repercutiram internacionalmente, ficando clara a opção política.

 

Se a política é inevitável, troquemos os homens.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: perdi minha sandalinha vermelha

 


Por Elizabeth Pricoli Vilela
Ouvinte-internauta da CBN

 

Minha lembrança mais remota, data do ano de 1954, quando eu tinha 2 anos de idade. Nesta época comemorou-se o Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Lembro-me, nebulosamente, daquele entardecer quando dos céus, uma chuva de prata cobriu a cidade. Aviões da FAB, voando sobre nós, derramavam pequenas flâmulas de papel prateado. Foram três dias de festas, em torno do dia 9 de julho quando a comemoração do aniversário da cidade se juntou à da Revolução Constitucionalista.

 

Ouça o texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Aquela foi uma época feliz, especialmente para as crianças, que como eu, moravam na rua Dr. Dolzani, do Jardim da Glória, distrito da Vila Mariana. Formávamos grupo de idades próximas e brincávamos nas calçadas, ou andávamos de bicicleta pelas ruas, sem medo, porque ninguém sentia falta de segurança. Fazíamos excursões por ruas menos habitadas, onde terrenos baldios, ruas de terra, nos proporcionavam cenários para brincadeiras de mocinho e bandido, como víamos nos filmes da TV. Eu era o Roy Rogers, outra amiguinha o Zorro, outra o Bat Masterson, mas ninguém queria ser o índio Tonto, companheiro do Zorro, porque seria alvo de gozação da turma. Havia também uma mina de água na redondeza, que enriquecia ainda mais nossas aventuras. Vez ou outra, moleques atrevidos nos importunavam, dos quais fugíamos correndo de volta para nosso forte seguro. A influência dos seriados americanos era grande.

 

Recordo-me com carinho do Prof. Sérgio. Ele lecionava para o pré-primário numa escola pública de madeira, elevada sobre estacas, próxima à rua Maris e Barros. Fui sua aluna aos 6 anos e com ele aprendi a ler e escrever, além de todas as tabuadas, a dos 2 até a dos 9! Naquele ano de 1958, a escola foi demolida e ele levou seus alunos para a sala de aula no quintal da sua casa. Ele foi um professor exemplar, não me lembro dele irritado ou gritando com alguém. Éramos comportados e queríamos aprender. Vem à minha memória o esperado recreio quando comia a paçoquinha Amor, que era muito diferente do que é hoje e custava um cruzeiro. Aliás, recordo-me de vários sabores da minha infância, o do Toddy, por exemplo, era um pó finíssimo de cor rósea e delicioso, acondicionado em potes de papelão e tampa metálica.

 

O bonde ainda circulava pela cidade. Certo dia, recebemos a visita de um tio que morava no interior e programamos visitar uma tia que morava no Campo Belo. Tomamos o bonde que saía da Praça João Mendes em direção a Santo Amaro. Ao descer no ponto desejado, eu enterrei meu pezinho na lama e ao retirá-lo, perdi minha sandália vermelha novinha. Um ou dois anos atrás, li no jornal que as obras do Metrô da linha lilás, descobriram restos dos trilhos na região. Logo pensei, será que encontraram minha sandalinha?

 

Já mocinhas, na década de sessenta, frequentávamos o cine Astor, no Conjunto Nacional. Depois da sessão, sentávamos à mesa na calçada do restaurante Fasano para tomar sorvete em taças de prata, apreciando o movimento da Paulista. Era um luxo!

 

Em 1970, o Brasil sagra-se tricampeão do mundo no futebol. Eu cursava o preparatório para o vestibular no Objetivo, que naquele ano mudara-se para a Av Paulista no prédio da Gazeta. Na segunda-feira após o campeonato, não houve aula, saímos desfilando pela avenida, eufóricos com a vitória, alheios ao que ocorria nos bastidores da ditadura.

 

No ano seguinte, já na faculdade, tomei ciência da situação política do país. Colegas desaparecidos, o autoritarismo militar, a repressão policial. Os meios de comunicação censurados iludiam-nos com a idéia que se combatia o comunismo. Felizmente, hoje, podemos saber da real situação do país e parabenizo a Rádio CBN e a TV Cultura por nos manter atualizados e críticos diante da política brasileira, cujos representantes ainda nos causam muita revolta. Há uma longa jornada pela frente até a plena cidadania.

 


Participe do Conte Sua História de São Paulo, envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.

Grêmio dá show de campo, mas ninguém dá bola

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

Arena do Grêmio

 

Tostão em sua coluna na Folha lembra que Chico Buarque escreveu que os europeus eram os donos do campo, e os brasileiros, da bola. Hoje há controvérsias.

 

Enquanto os maiores espaços da mídia esportiva em geral estão sendo ocupados pelo mundial de clubes, focando particularmente o Corinthians, ontem, dois eventos deveriam ter dividido as atenções. Deveriam, mas não dividiram.

 

No ginásio do Ibirapuera, depois de longos anos, os maiores tenistas da atualidade exibiram-se em torneio que leva o nome de Roger Federer, o melhor de todos os tempos. Evento que só não teve a chancela de primeiro mundo porque evidenciou o terceiro mundo de nossa infraestrutura, quando dez mil pessoas que pagaram mil reais o ingresso tiveram que amargar um estádio sem ar condicionado num dia de temperatura escaldante.
Já em Porto Alegre, o Grêmio patrocinou um espetáculo com perfeição absoluta. Indubitavelmente o fato mais importante do fim de semana esportivo. Além do que um feito e tanto sob o aspecto da gestão do futebol, tão tímida e poluída pelos clubes brasileiros em geral.

 

O Grêmio Futebol Porto Alegrense, simplesmente construiu um estádio para 60 000 pessoas, dentro do rigoroso padrão FIFA, a um custo total de 540 milhões de reais. Com 61% de recursos da iniciativa privada e 39% de financiamento do BNDES.

 

Ao compararmos com outros estádios da COPA 14, vamos verificar que o Grêmio conseguiu cumprir uma promessa não cumprida pela CBF quando assumiu a COPA 14, ao se comprometer em empreender com a iniciativa privada e não utilizar recursos públicos. Fato que fica visível na comparação com o Itaquerão. Estádio para 48 000 pessoas com extensão para a abertura de 20 000 lugares, perfazendo o total de 68 000 assentos. No estádio corinthiano o valor estimado é de 890 milhões de reais. 60% do investimento será público e 40% de financiamento do BNDES. A prefeitura de São Paulo doará 420 milhões e o governo do Estado 70 milhões.

 

Duas perguntas deveriam estar pressionando os dirigentes e os políticos:

 

Como se explica o custo da Arena do Grêmio?

 

Por que a Arena do Grêmio não receberá jogos da COPA 14?

 

Plagiando Chico, podemos dizer que o Grêmio é o dono do campo, mas a bola está com a CBF. Em todos os sentidos.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve no Blog do Mílton Jung

A Copa no Brasil e as minhas copas

 

Por Milton Ferretti Jung

A Copa do Mundo de 2014, como se sabe, deu origem a uma polêmica provocada pela nossa Presidente. Até Sarney se manifestou contrário à medida provisória 527, editada por Dona Dilma e aprovada pela Câmara dos Deputados, que permite ao governo manter em segredo os orçamentos feitos por órgãos da União, estados e municípios não só para as obras do Mundial, mas também, dos Jogos Olímpicos de 2016. Têm razão o Presidente do Senado e Roberto Gurgel, procurador-geral da República. Este último entende que despesas públicas não devem ser assunto sigiloso. É evidente que, num País como o nosso, qualque medida que dê margem a falcatruas – e a 527 dá – deixa todo o mundo, mesmo os mais distraídos, com a pulga atrás das orelha. Espera-se que o Senado vete o artigo da MP que trata do sigilo.

Por falar em Copa do Mundo, lembro-me da primeira que foi disputada no Brasil, em 1950, época em que, imagino, não se metia a mão no dinheiro público com a volúpia vista nos dias de hoje. Tinha 15 anos e minha lembrança daquele episódio é muito vaga. Afinal, naquele tempo a cobertura da mídia (ainda nem sequer se conhecia essa palavra) não era como a que se faz hoje. Só não esqueço é que, enquanto Brasil e Uruguai jogavam no Maracanã, estádio inaugurado em 16 de junho de 50 para permitir que o Brasil sediasse a mais importante competição disputada por seleções de futebol, eu assistia a um filme, não me perguntem qual e que amigo me fazia companhia no Cine Eldorado. Apesar de gostar de participar de peladas nos terrenos baldios da minha zona, em Porto Alegre, e de torcer para o Grêmio, minha relação com o futebol jogado nos estádios era muito distante. Ainda tenho na cabeça, entretanto, que a película foi bruscamente interrompida e uma voz irrompeu nos alto-falantes com a triste notícia da derrota brasileira na partida decisiva, contra o Uruguai. Confesso lisamente que não me abalei com a informação. Saí do cinema com a mesma cara com a qual havia entrado.

Comecei a dar mais atenção à seleção brasileiras em 1954. Então estava iniciando carreira no rádio. Comecei na Canoas que, apesar do nome, tinha estúdio em Porto Alegre. O Brasil não saiu campeão novamente na Suíça. Quatro anos depois me transferi para a Rádio Guaíba, onde ainda estou. Por esta ouvi todos os jogos do Brasil, na Copa da Suécia, em 58, como profissional radiofônico. Mendes Ribeiro narrou-os. Até ali, eu havia narrado somente uma partida de futebol: Cruzeiro e Renner, no Estádio da Montanha, mas isso antes de ir para a Guaíba. Festejei com colegas de trabalho o título conquistado por nossa seleção, desfilando no carro de um deles,meu saudoso amigo Pedro Carneio Pereira, morto num trágico acidente no Autódromo de Tarumã, em 1973, em que seu carro se chocou com o de outro competidor e os dois veículos pegaram fogo. Minha primeira Copa como narrador foi a da Alemanha. Nesta, o Brasil também não venceu. Estive de passagem na Argentina, pois relatei apenas uma partida. Na do México, em 1986, acompanhei a seleção brasileira em sua estada na bela Guadalajara. Era o narrador titular da Guaíba e não precisei ir para a Cidade do México, na final, porque o Brasil havia caído antes dela.

A do México foi a minha última Copa do Mundo na condição de narrador. Nas demais, fui apenas torcedor. Serei, na de 2014, se Deus quiser, o que fui na de 2010. Nesta, mais torci para que meu filho,o responsável por este blog,fizesse um bom trabalho jornalístico, ele que esteve lá a serviço do Portal Terra, do que mesmo pela nossa seleção. Os métodos de Dunga e algumas de suas escolhas não me agradaram. Agrada-me ainda menos a medida provisória de Dona Dilma, capaz de beneficiar os que se interessam por Copa do Mundo apenas pelos lucros ilegais que ,provavelmente, a competição lhes poderá render. Ah, por favor, se Mano Menezes for o técnico do Brasil na próxima Copa, mesmo preferindo que ele fosse realizada em outro país, vou torcer para que tenha sucesso. Sou-lhe grato pelo que fez pelo Grêmio.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

A Copa na visão de um busólogo

 

A seleção do Dunga deixou a desejar. Mas, no quesito ônibus, o Brasil conquistou a África do Sul. A campeã, Espanha, é referência na fabricação de ônibus e atua aqui pela Irizar.

ônibus na Cidade do Cabo

Por Adamo Bazani

Domingo, 11 de julho de 2010. Final da Copa do Mundo. Copa que foi das surpresas, boas e ruins. Quanto ao futebol brasileiro, a seleção sempre favorita, em qualquer competição, não passou das oitavas de final. A Ditadura Dunga, do aquartelamento, mostrou que santidade pode ganhar o céu, mas não ganha jogo … Nem farra, também. No mundo da música, tanto na abertura quanto no encerramento, um país que não se classificou, a Colômbia, se destacou com a performance que chega perto da perfeição da estrela Shakira, que sacudiu e animou o mundo com sua beleza, simpatia e talento, interpretando a música tema do Mundial, Waka Waka. No mundo animal, destaque para o polvo que tem mais visão de jogo que muito técnico por aí.

Quanto ao mundo dos ônibus, nosso tema principal, o Brasil foi campeão. Cerca de 800 veículos brasileiros serviram os sistemas de Corredores Rápidos Modernos e Segregados que atenderam os espectadores do Mundial e ficarão como legado aos moradores da África do Sul. Deste total, 460, foram para servir, exclusivamente, a Copa. Fora os 32 ônibus da Hyundai, patrocinadora oficial, que ostentavam as frases de cada país participante, veículos que transportaram Comitê Organizador da Fifa, autoridades locais e mundiais, delegações e imprensa. Estes são um misto de São Bernardo do Campo (Mercedes Benz) com Caxias do Sul (Marcopolo). Eles ficarão lá na África, como legado brasileiro.

Mas já que no Planeta da Bola, a inédita Espanha faturou a Taça na Copa do Mundo aqui vai nossa homenagem a campeã. O destaque deste post é para uma fabricante espanhola de carrocerias, que atua antes mesmo de o ônibus se tornar popular no mundo.

A história da Irizar no Brail revela que o País tornou-se um mercado interessante para grandes fabricantes internacionais de ônibus. Além disso, mostra os problemas enfrentados pelo setor com a maxi-desvalorização do Real e a necessidade cada vez maior, frente às instabilidades econômicas, de as encarroçadoras não só se concentrarem no mercado local, mas já pensarem em ser exportadoras dos produtos brasileiros. É também um exemplo mundial de cooperativismo no setor de produção de ônibus.

A Irizar é de Ormaiztegi, região basca ao norte da Espanha. Até o início dos anos de 1990, as vendas se resumiam à própria Espanha, mais Itália, França e Israel. A diretoria decidiu que era hora de expandir os negócios para novos mercados. Foram analisados países que davam prioridade ao transporte rodoviário, o que representaria demanda por carrocerias de ônibus, e cujas malhas ferroviárias eram pouco expressivas ou subaproveitadas. A primeira fábrica da Irizar fora da Europa foi na China, em 1994, mas a empresa foi acionista minoritária no próprio empreendimento, pois as leis do país obrigam que, em qualquer empresa de capital internacional, o governo detivesse 51% das ações. Logo em seguida, foi aberta uma fábrica no Marrocos, ao norte da África.

GARCIA 7815 IRIZAR PB SCANIA

O Brasil entrou nos planos da encarroçadora em 1997, quando desembarcaram os primeiros executivos no País. Para divulgar os produtos, a empresa trouxe três ônibus europeus, comprados pela Viação Garcia, com Chassi Volvo, pela Tranbrasiliana, com Chassi Scania, e para a São Manoel, que usou um chassi Mercedes Benz. A idéia era procurar um parceiro nacional. Depois de várias ofertas foi firmado acordo com a Caio. A planta da Irizar foi instalada ao lado da parceira, na verdade, na desativada fábrica de matérias de fibra de vidro da Caio. Nesta época, não havia cercas e divisões entre as duas empresas.

O primeiro modelo produzido pela Irizar no Brasil foi o rodoviário de luxo Century, apresentado na Expobus de 1998. O veículo chamou a atenção pelo seu desenho e materiais inovadores. Depois foram fabricados outros modelos, como o Intercentury, em 2001, um modelo mais simples para linhas de menor distância e serviços de fretamento. Em 2007, houve um aperfeiçoamento do modelo, que foi dividido em duas categorias, Century Luxury e Century Semiluxury. Antes do lançamento da maior parte destes modelos, porém, a Irizar teve de aprender a se virar sozinha no mercado brasileiro. A crise que afetou a Caio, levando-a à falência em 2000, fez com que a parceria se encerrasse.

Em 1999, a Irizar no Brasil sofre outro susto: em janeiro, o Real sofreu uma desvalorização de 40%. O preço dos ônibus tiveram de ser reajustados principalmente quando se usava peças importadas. O mercado interno desaqueceu. Isso acelerou os planos da Irizar para exportar os produtos feitos no Brasil. Os demais mercados latinos estavam mais aquecidos e a desvalorização monetária tornava os produtos brasileiros mais atraentes para os compradores externos.

Chile, Uruguai e República Dominicana foram os primeiros compradores internacionais de ônibus brasileiros da Irizar. No ano 2000, a demanda européia registrou forte aumento. Para dar conta, a empresa mandava para o “Velho Continente” ônibus produzidos no Brasil. Em 2003, os produtos da Irizar do Brasil chegaram ao continente africano. A precoce onda de exportações deu versatilidade e credibilidade à marca Irizar no mercado interno, que sofria com boatos espalhados pela concorrência sobre a durabilidade dos ônibus e a manutenção da empresa no Brasil.

A empresa começou a sentir os frutos dos investimentos no Brasil em 2005, quando houve crescente procura por seus produtos. Um dos principais marcos da Irizar no Brasil foi o lançamento, entre 2008 e 2009, do modelo topo de linha, PB. As primeiras unidades foram adquiridas pela Viação Garcia, do Sul do País. O Irizar PB já tinha sido lançado na Europa em 2001, e mais uma vez chamou a atenção dos brasileiros pelo desenho diferenciado e os acessórios de luxo, como disposição de equipamentos e poltronas anatômicas exclusivas.

O início da Irizar no Brasil teve comando de Fabián Berridi passando em 2001 para Gotzon Gómes. A empresa surgiu na Europa, em 1889, fazendo carruagens de luxo para passageiros. Nos anos de 1910, começou a se dedicar a fazer carrocerias para ônibus. O nome Irizar é da família fundadora, mas desde os anos de 1950 pertence à cooperativa de seus funcionários. Cada trabalhador da planta espanhola, independentemente do cargo, tem a mesma cota de ações na empresa. No Brasil, o modo de gestão se assemelha ao da Espanha. Em 2008, a Irizar figurou no ranking das 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, feito pela Revista Exame.

Uma campeã, assim como a seleção da Espanha.

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo, apaixonado pela Copa e mais ainda pela Shakira

Copa da África é vermelha como o sol de Toscana

 

Direto de Ansedônia/Itália

Sol em Toscana

Nem Itália nem Brasil no fim da Copa, me deixaram orfão neste domingo em que pessoas no mundo todo se reuniram para assistir a partida final do Mundial 2010. Aqui onde passo as férias, Toscana, bares e restaurantes promoveram timidamente encontros para receber torcedores dispostos a acompanhar a partida. Espanha e Holanda não ofereciam aos italianos motivação especial, a não ser à turma de Milão, com dois representantes na seleção holandesa: Sneijder, da Inter, e Huntelaar, do Milan (que nem em campo estava).

Restou-me aceitar o convite da Zia Puppa para ver o jogo com a família. Ela só assiste ao futebol em Copa, e, ultimamente, tem reclamado muito das partidas. Acha que ninguém “joga, assim, assim …” e reforça a frase com as duas mãos sacudindo a sua frente.

Pedaços de pizza, queijos cortados, salame ‘italiano’ e cerveja servida me aguardavam. Logo que cheguei, perguntei pelo coração dela. Tanto faz, mas o sol, hoje, está mais pra Espanha do que Holanda.

Fui conferir. Aqui do alto de Ansedonia, onde fica a casa dela, o sol desce no Mediterrâneo e pode ser apreciado, no verão, até oito e meia, quase nove da noite. Tinha razão, o vermelho era especial.

Nada especial era o jogo na televisão. Apesar de final de Copa do Mundo, as seleções se apresentavam com futebol aquém do esperado. Ou jogavam aquilo mesmo que Zia Puppa há algum tempo reclama. Um jogo sem graça, com poucos lances de gol e muito pontapé. “Porca la miseria” disse Zia ao ver o holandês acertar com a chuteira o peito do espanhol.

Quis saber porque a Espanha ainda estava na Copa se tinha perdido um jogo. Tive de explicar que foi só o primeiro do Mundial e depois ela se recuperou. Quis saber, também, como o Brasil perdeu para esta Holanda ? “Pergunta pro Dunga, Zia”.

O prato de petiscos estava quase no fim, e o jogo não andava. Falta pra um, cartão amarelo pro outro, de vez em quando alguém tentava um drible. As poucas escapadas ao gol eram contra-ataques da Holanda que acabavam nas mãos (ou pés) de Casillas. A Espanha ensaiava um ataque, uma cobrança de escanteio, um cabeceio, mas a maior parte das bolas seguia pra fora.

“Desse jeito ninguém vai fazer gol”. No intervalo, a previsão da Zia Puppa já era de que a decisão seria nos pênatis. Os analistas da Rai Uno, com mais argumentos, diziam o mesmo. Um deles arriscou que o jogo iria melhorar no segundo tempo: “Até aqui a ordem era não perder a Copa no primeiro tempo”.

O segundo tempo se iniciou, e minha companheira de sofá dava sinais de cansaço. A cabeça as vezes caía pra frente como se estivesse dormindo. Despertava sempre que alguém na sala gritava mais alto por causa de um chute a gol. Ou uma falta, o que se repetiu muito mais. Ela só se levantou mesmo, indignada, quando o juiz inglês Howard Webb não puniu Iniesta que fez uma falta fora de jogo: “Ele amarelou” – traduzo eu para um português menos ofensivo. Aproveitou para fazer exercícios para as costas, estavam mais interessantes.

Apesar de uma pequena melhora na partida, o gol não surgia e a previsão da Zia Puppa ficava mais próxima: os temidos pênaltis. “E se der pênalti, este aí vai pegar tudo”, se referia a Casillas que naquela altura tinha participado dos lances mais emocionantes do jogo.

Já não havia mais sol lá fora, quando o 0 x 0 se confirmou e o jogo foi para o tempo extra: “é castigo, pra ver se eles acertam um gol”, disse se levantando para lavar a louça na cozinha. E lá de dentro ainda resmungou: “no meu tempo não tinha essas coisas, se ganhava no jogo mesmo”.

Engano dela, em 34 quando a Azurra da Zia ganhou o seu primeiro mundial, o título foi decidido na prorrogação. Aliás, finais de Copa com prorrogação já tinham acontecido, também, em 66, 78, 94 e 2006. Portanto, nenhum demérito aos que tentavam a conquista hoje, a não ser pela carência de futebol e excesso de violência.

O problema da prorrogação é que a cerveja tinha acabado. E os ‘comes e bebes’, também. Ao menos que tivesse mais futebol. Iniesta exitou e errou. Navas assustou com a bola batendo do lado de fora da rede. Sneijder cobrou falta pra fora. Tinha um holandês impedido numa jogada e mais um na outra. E um outro acabou expulsou. “E foi expulso porque fez falta naquele que nem tinha que estar mais em campo”, lembrou minha comentarista de plantão, se referindo ao fato de Heitinga ter agarrado Iniesta que corria pra dentro da área.

“Eles vão jogar a vida toda e não vão marcar gol”. Foi como se a Espanha resolvesse dar um #calabocazia, pois ela mal acabara de reclamar e Iniesta encheu o pé pra fazer o gol do título. Comemorei, nem tanto pelos espanhóis, menos ainda pela previsão errada dela, mas porque gol ainda é a coisa mais importante no futebol.

Curioso é ver que a Espanha que chegou com boa fama e boas previsões na Copa estava bem próxima do título tendo marcado apenas oito em sete jogos. E logo a seleção batizada como “Fúria”. Talvez a explicação estivesse não nos número de gols marcados, mas nos tomados: apenas dois. Ou quem sabe estava no equilíbrio destes números, uma defesa segura e um ataque que marca o necessário ?

Pensei em levantar esta bola pra Zia comentar, mas, sei lá de onde, surgiu mais um copo de cerveja. Dois, aliás. Um na minha mão e outro na dela que brindou a façanha espanhola – o jogo já havia acabado.

“Estava torcendo, Zia ?”

“Eu, não, mas o sol estava”.

E o vermelho do sol de Toscana era espanhol, sem dúvida. Assim como a Copa da África.