Avalanche Tricolor: Grêmio, até a volta!

 

Grêmio 0 x 0 Palmeiras
Brasileiro – Alfredo Jaconi/Caxias (RS)

 

 

Como você deve saber, caro e raro leitor deste Blog, esta nona rodada marca a interrupção do Campeonato Brasileiro para que todas as atenções se voltem à Copa do Mundo. Apesar do mau humor que se percebe em relação à competição que será sediada pelo Brasil, devido ao desperdício de dinheiro público e obras inacabadas, sabe-se que a medida que o Mundial se aproxima aumenta a expectativa dos torcedores da mesma forma que a programação de rádio e TV é tomada por programas especiais. Jornais e revistas também entram nesta onda, de olho no retorno publicitário que o evento pode trazer. Assistimos todos os dias à uma espécie de esquenta para o Mundial com documentários e reportagens destacando momentos marcantes, relembrando vitórias e derrotas, entrevistando jogadores do passado, técnicos que deixam saudades e torcedores que revelam suas loucuras em verde e amarelo. Não escapamos das tradicionais matérias com representantes das colônias dos países que disputarão a Copa por aqui, a maioria das quais o máximo que se aproveita é uma boa receita da culinária exótica. Como minhas habilidades na cozinha não vão além de um café no bule e do omelete pela manhã, me atento mais as histórias que destacam os valores humanos de personagens da bola. A série com os jogadores da seleção brasileira, que está no ar no Jornal Nacional, é especial. Tino Marcos tem contado curiosidades dos atletas que estão distante dos nossos olhos quando os vemos em campo, e que têm me oferecido cada vez mais subsídios para torcer pela equipe de Luis Felipe Scolari.

 

Hoje, no início da tarde, antes de a partida do Grêmio se iniciar, assisti na HBO Latin America ao documentário “Seleção Brasileira – Paixão De Um Povo”, que no episódio reproduzido neste domingo se dedicou a nossa derrota na final de 1998 para a França, após a polêmica sobre o mal-estar de Ronaldo. Em meio a depoimentos dos protagonistas daquele acontecimento, havia declarações de jornalistas, escritores e artistas sobre o Mundial no Brasil. Um dos produtores, o cineasta Luis Carlos Barreto, entrevistou o cantor Gilberto Gil que, a partir de uma retórica complexa, tentou mostrar os motivos de o Brasil ter aceitado receber a Copa do Mundo. Confesso que até entendi a lógica dele, mas não seria capaz de repeti-la nesse espaço, mesmo porque o que mais me interessou foi o trecho final de seu depoimento quando relacionou os times pelos quais torce no Brasil, lista da qual faz parte o nosso Grêmio. O curioso foi saber que o cantor baiano esteve no estádio Olímpico para assistir à final do Campeonato Gaúcho de 1977, quando encerramos uma série de sete anos sem conquistas. Ele lembrou que ao ser perguntado por jornalistas por que torcia para o Grêmio, olhou para o céu que ainda estava azul, viu a lua que já dava suas caras naquele início de noite e justificou: “o céu é azul, a luz é branca e eu sou preto, portanto sou tricolor do Grêmio”.

 

Neste domingo sem gols, no qual voltamos a desperdiçar as poucas oportunidades e os raros lances de criatividade, tivemos de agradecer ao árbitro por nos livrar de uma derrota, e encerramos esta etapa inicial fora da zona de classificação para a Libertadores, o prazer de ouvir Gilberto Gil descrevendo sua admiração pelo Grêmio foi, sem dúvida, o momento mais marcante para este gremista.

 

Grêmio, até a volta (e aproveite bem esta parada) !

As minhas Copas e a do Brasil

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Sou um veterano em Copas do Mundo. Na de 50,confesso,minha ligação com o futebol resumia-se às peladas com os meus companheiros de zona. Já contei neste blog,mas não custa repetir, que assistia a um filme, no cinema Eldorado, quando esse foi interrompido para que um “speaker” informasse que o Brasil perdera a Copa para o Uruguai. Em 1954,ouvi pelo rádio a vitória da Alemanha sobre a Suíça. Trabalhava,então,no meu primeiro emprego:Rádio Clube Metrópole. Em 1958,já na Guaíba,festejamos a vitória brasileira na final,contra a Suécia.Escutei os jogos, narrados por Mendes Ribeiro. Depois,percorremos as congestionadas ruas do centro de Porto Alegre,rodando com o Oldsmobile do pai de Pedro Carneiro Pereira. Ele ainda trabalhava na Clube Metrópole. Como narrador da Guaíba fiz,na Alemanha, a minha primeira Copa do Mundo. Em 78,na Argentina,narrei apenas um jogo. Já,no México,em 1986,na condição de narrador titular da Guaíba,não tive o prazer de vibrar com uma vitória brasileira. Ganharam os nossos sempre rivais,os argentinos.

 

O Brasil recebe agora as seleções de boa parte do mundo em uma competição que,como ouvi de Parreira,se considera favorito. Há,entretanto,instituições de nosso país que não foram favorecidas com verbas governamentais. Hospitais,por exemplo. Bilhões foram despejados,porém, na construção de estádios capazes de agradar a exigente e poderosa FIFA. Aqui,em Porto Alegre,duvido que todas as obras destinadas a facilitar a mobilidade urbana possam ser entregues totalmente finalizadas.Morador que sou da Zona Sul,transito diariamente pelas proximidades do Beira-Rio.Está ali, esperando finalização,o Viaduto da Pinheiro Borda.

 

Os problemas provocados pela realização de uma competição como a que se iniciará em junho não ficam somente restritas a obras e quejandas. Para não me estender,vou citar duas. A nossa Brigada Militar,preocupadíssima com a segurança da população de Porto Alegre e dos turistas que vierem para ver suas seleções nos cinco jogos marcados para o Beira-Rio,decidiu trazer do Interior cerca de 2 mil PMs. Despe-se um santo para vestir outro,é o que dizem prefeitos de cidades interioranas que,sofrem com assaltos,principalmente,os que sofrem instituições bancárias. Quem comanda a BM garante que não faltarão patrulhas no interior. É preciso ver para crer.

 

Às obras que, não se sabe ao certo, se serão entregues aos munícipes,decreto da prefeitura de Porto Alegre,em vigor desde ontem,proíbe que os nossos taxistas vistam camisas xadrez,de bolinhas,com listras e,menos ainda,caso sejam de um time de futebol. Ah,claro,o taxista tem de estar bem vestido. Concordo.Isso é uma coisa,outra é a exigência de uniforme. Não sei (porque sempre escrevo às terças-feiras)se o Sinditáxi aceitará o que reza o decreto sem ameaçar com greve. Era só o que faltava às vésperas da Copa do Mundo.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo: presidente da Avianca fala da aviação em tempo de Copa

 

 

Com aviões mais confortáveis e a retomada do serviço de alimentação a bordo, a Avianca Brasil conseguiu se recuperar de uma forte crise que enfrentou há pouco mais de cinco anos. Hoje, a empresa tem 41 aparelhos, voa para 22 cidades brasileiras e se prepara para o desafio que serão as operações aéreas no período da Copa do Mundo, Nesta entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, o presidente da Avianca Brasil José Efromovich fala da infraestrutura dos aeroportos e analisa o futuro do mercado de aviação.

 

Você participa do Mundo Corporativo assistindo ao programa, ao vivo, às quartas-feiras, a partir das 11 horas, no site da Rádio CBN (www.cbn.com.br), e enviando perguntas para mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábado no Jornal da CBN.

Fifa quer proibir rádio de pilha em estádio da Copa

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Foi com surpresa que,na semana passada,recebi uma ligação de um moço da TV Record me perguntando se eu aceitaria conceder entrevista sobre assunto que provocou estranheza na mídia: a FIFA,uma dama que está mandando e desmandando nesta ano em que teremos a Copa do Mundo aqui em nosso país,resolveu proibir que torcedores ingressem nas Arenas,cujas construções custaram os olhos não só de uma,mas de várias caras,seja de estados,municípios e do próprio governo,portando rádios de pilha por menores que sejam. Demorei a acreditar que a entidade, que comanda o futebol mundial,se preocupasse com a presença de tão inocentes dispositivos,imaginando que possam ser mal usados,isto é,que sejam jogados para dentro dos gramados,tendo como alvo quem trabalha neles:árbitro,os seus auxiliares e jogadores. Os estádios recém inaugurados ou reinaugurados,caso do Gigante da Beira-Rio,não possuem mais alambrados.

 

Duvido que,em Porto Alegre,pelo menos,algum torcedor vá assistir a um dos cinco jogos que serão aqui realizados,disposto a atirar uma radiozinho em algum profissional que esteja nas proximidades ou dentro do campo de futebol. Imagino que essas partidas serão assistidas,principalmente,por torcedores da nacionalidade das seleções participantes. A minoria brasileira não teria razão para atirar qualquer objeto para dentro do gramado,eis que verá os jogos com sangue doce. Os estrangeiros,com certeza,sequer pretendem levar rádios de qualquer tamanho para os estádios. Afinal,não têm o hábito de portar esses aparelhos em estádios de futebol.Quem não vive sem rádio é o brasileiro,que se acostumou a ouvir as narrações,os comentários e as reportagens radiofônicas. Os radiozinhos,ainda por cima,estão perdendo o seu espaço, no bolso dos torcedores,para os telefones celulares. Esses,conforme informaram as concessionárias de telefonia móvel,estarão finalmente aptos para captar o som transmitidos pelas rádios,o que não era possível no Beira-Rio.

 

Não esqueço que na minha longa carreira de radialista,na qual atuei apenas em duas emissoras porto-alegrenses,somando 60 anos de trabalho,rádios de todas espécies,dos grandes aos de bolso,fizeram parte da minha vida. Nos estádios,tínhamos de ser caprichosos,eis que os nossos ouvintes,em boa parte,queriam que,no mínimo,não errássemos os nomes dos jogadores e gritássemos eventuais gols com total vibração,às vezes,com a voz distorcida pelo berro exagerado. Narrei o gol mil de Pelé,no Maracanã. Quando ele marcou,de pênalti,o estádio inteiro gritou enlouquecido e fez-me levantar demasiadamente a voz.Até hoje não gosto de ouvir a minha desafinada narração.

 

As narrações,no rádio,pautaram as que são feitas,hoje,nas televisões. Os que relatam os jogos parece que estão falando para quem não está na frente de um televisor FULL HD.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

No caminho da Copa

 


Por Milton Ferretti Jung

 

Toda vez que,como se dizia antigamente,preciso dar tratos à bola a fim de encontrar assunto para este blog,antes de mais nada,passo os olhos pelos jornais. A expressão que usei acima não tem nada a ver,explico aos mais jovens,com a bola de futebol,objeto muito em moda nesta primeira metade de 2014 por força da Copa do Mundo. Não é,porém,por aí que vou começar o meu texto,não sem antes lembrar que o posto sempre ou quase sempre,nas terças-feiras. Alguns dos temas que elejo ficam,às vezes,sujeitos a chuvas e trovoadas,isto é,podem perder atualidade.

 

Chamou-me a atenção – e como! – nos jornais desta terça,a notícia de que a gasolina vai subir. Segundo a presidente da Petrobras,Graça Foster,o aumento se justifica,eis ser necessário o reajuste visando ajustar os preços internos aos do mercado externo. Será,entretanto,conforme a executiva,um aumento moderado. Acredite quem quiser na tal de moderação. Mesmo com o aumento da gasolina,graças a uma iniciativa governamental,veículos poderão ser comprados com financiamentos menos pesados. É fácil imaginar-se que o número de carros em circulação,depois de pequeno hiato,voltará a crescer e,por óbvio,a entupir as vias urbanas e as rodovias,as primeiras porque é nas cidades que os engarrafamentos tendem a ficar piores. Esse tipo de problema que as metrópoles enfrentam faz já muito tempo,está se estendendo agora até para cidades menores e não sofrerá solução de continuidade enquanto o transporte público não contribuir,de verdade,para que sirva, com qualidade, a maioria das pessoas. Estamos longe deste dia.Por enquanto, baderneiros de todo tipo estão tratando de incendiar coletivos,principalmente, no Rio e em Paulo.

 

Eu,particularmente,acredito tão pouco na melhoria do transporte público quanto na exigência da Anac – Agência Nacional de Aviação Civil – de que os voos,durante a Copa do Mundo,não sofram atrasos. A partir dessa terça-feira,empresas que não cumprirem a exigência receberão multas de R$ 12 mil a R$ 90 mil. Desculpem-me se me acham pessimista de carteirinha,mas também não creio que,aqui em Porto Alegre,a prefeitura conseguirá finalizar o viaduto da Pinheiro Borda e o corredor da Padre Cacique,antes do início da Copa.O prefeito Fortunatti garante que a data prevista para o término destas obras é 31 de maio. Faço votos que José Fortunatti possa cumprir o prometido.Ainda bem que a minha cidade sediará apenas cinco jogo do Mundial..

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele).

Pot-pourri II: da pena de morte aos carros em alta velocidade

 

Por Mílton Ferretti Jung

 

Volto a cumprir o meu compromisso das quintas-feiras com o Mílton usando expediente que utilizei não faz muito:o pot-pourri. Ocorre que três notícias presentes na mídia nos últimos dias prenderam,especialmente,minha atenção.

 

O assassinato do menino Bernardo

 

Confesso que não sabia o que pensar da pena de morte para punir quem comete crimes hediondos. Trata-se de uma questão que divide as opiniões do povo brasileiro. A gota de água que me fez descer do muro foi o assassinato de Bernardo Boldrini,um menino de 11 anos,que morava em Três Passos-RS. Jamais imaginei que pessoas de classe alta,supostamente por ganância – pai cirurgião e dono de um mini-hospital,madrasta enfermeira,mancomunada com uma assistente social – tenham cometido crime tão torpe e cruel quanto esse. Espero que a polícia faça a sua parte,mas o jornal Zero Hora publicou nessa terça-feira,dia em que entrego o meu texto, que o exame da substância capaz de produzir a morte do garoto ou facilitar a decomposição do seu corpo,estava parado. Seja lá como for,passei a ser defensor da pena de morte,pelo menos, quando a vítima for menor de idade e fique comprovado, sem sombra de dúvida,a torpeza e crueldade do crime. Não acredito,entretanto,que esse tipo de penalização venha a ser adotado no Brasil.

 

Os malefícios da Copa do Mundo

 

Li com algum espanto que,aqui no Rio Grande do Sul,dois mil PMs (ou brigadianos,como são chamados em meu estado natal),vindos do Interior,vão reforçar a segurança,em Porto Alegre,durante a realização da Copa. A Famurs – Federação das Associações de Municípios – convocou reunião para esta quarta-feira (não sei o que ficou decidido porque entrego na terça-feira o meu texto para o blog). Não faz muito tempo,pequenos e até médios municípios gaúchos,viviam sendo assaltados por ladrões de bancos. Muitas dessas cidades se ressentiam da falta de policiamento capaz de impedir os constantes roubos. As cidadezinha nem sequer contam com guarda municipal. A diminuição da segurança é notada inclusive quando PMs trabalham como salva-vidas,na chamada Operação Golfinho,que dura o verão inteiro.A Famurs tem razão para reclamar. Afinal,estão despindo um santo para vestir outro. Ah,esta Copa do Mundo!

 

O trânsito e os seus crimes

 

Não tinha previsto escrever novamente sobre trânsito. Aliás,o que costuma acontecer nas rodovias que cortam o Rio Grande nos feriados prolongados,como o da Páscoa,por exemplo,lamentavelmente,é coisa que se repete. Refiro-me aos acidentes fatais. Na quinta-feira passada,escrevi sobre um sujeito que,pela terceira vez,foi flagrado dirigindo contramão na Freeway,sendo que na última que cometeu a irregularidade colidiu com outro veículo. Passou-se uma semana desse evento e já se tem notícia do carro de um deputado que,dirigido pelo próprio ou por um subalterno,corria a 164 km/h na BR-386,velocidade registrada pelo radar,cuja foto está na Zero Hora.A caminhonete,uma Ranger,tem quatro multas,todas por excesso de velocidade. Edson Brum,esse o nome do deputado,diz que o veículo possui multas,mas é um carro do seu gabinete e que pode ser dirigido por um motorista. Pois, que seja.O interessante é que a PRF,no caso desse feriado,não teve como saber quem era o condutor da Ranger porque o movimento na rodovia era intenso e questões de segurança precisavam ser respeitadas. E não seria desrespeito à segurança dos outros veículos correr a 164km/h?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo: oportunidades profissionais de eventos na Copa do Mundo

 

 

Organizadores, fornecedores e profissionais do setor de feiras e eventos tiveram de se profissionalizar, se reformular e buscar novas tecnologias para atender as demandas da Copa do Mundo, mudanças e conhecimento que podem impactar positivamente este mercado. A opinião é de Marcello Baranowsky, diretor do Grupo EventoFacil, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. De acordo com o executivo, o segmento movimenta R$ 20 bilhões por ano, boa parte na cidade de São Paulo, mas tende a se espalhar por outras cidades, do Sul e Nordeste, que têm investido em infraestrutura para receber grandes eventos e feiras.

 

Você pode participar do Mundo Corporativo, às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, e enviar perguntar para o e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). Aos sábados, o programa é reproduzido no Jornal da CBN.

Minha Copa do Mundo era disputada na pracinha da Zamenhoff

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Zero Hora,nesse domingo,23 de março,dedicou cinco páginas,com textos e fotos em preto e branco,à Copa do Mundo, disputada em 1950,aqui em um Brasil do qual lembro com saudade. Se isso me transforma em saudosista de carteirinha,não me importa. Eu gostava de futebol,desde que fosse o disputado pela gurizada da minha rua nos terrenos baldios que somente aos poucos foram sendo preenchidos por casas de alvenaria,a maioria de dois pisos. A casa paterna ficava bem na frente de um arremedo de pracinha,situada na confluência da Ruas 16 de Julho e Zamenhoff. Essa – a pracinha – jamais foi ocupada por um jardim,como queria a prefeitura,porque nela,embora fosse triangular e em ligeiro declive, jogávamos futebol,vôlei,basquete e até partidas de tênis,por incrível que pareça. É verdade que nossas atividades lúdicas começaram muito antes do ano da Copa do Mundo.

 

Eu não costumava assistir aos jogos dos times de Porto Alegre:Grêmio,Inter,São José,Cruzeiro,Renner e Nacional. Em compensação,já trabalhando em rádio,na Clube Metrópole,tive de narrar uma partida entre Cruzeiro e Renner. No ano do Mundial,porém,minhas incursões radiofônicas restringiam-se aos alto-falantes do Colégio Nossa Senhora do Rosário e,em festas da paróquia do Sagrada Coração de Jesus,naquela que apelidamos de Voz Alegre da Colina,porque ficava no alto de um morro. Na parte baixa desse, havia o campo de futebol do amadoríssimo, União do Buraco. Os jogos eram sempre aos domingos e,volta e meia, dava uma pauleira danada (já naquele tempo)e os torcedores corriam Zamenhoff abaixo para fugir da bronca.

 

A turma da zona continuou,eu inclusive,a bater bola na pracinha mesmo quando já estávamos bem mais velhos. Assistir aos jogos dos profissionais,porém,no meu caso,ainda no ano do Mundial,era coisa raríssima. Eu sequer ouvia as transmissões das partidas pela Farroupilha,Gaúcha e Difusora (hoje Bandeirantes).Talvez,se a televisão já cobrisse futebol,eu teria me interessado bem mais por este esporte. Não passou pela minha cabeça assistir aos jogos de Porto Alegre,no Estádio dos Eucaliptos.Mexicanos,iugoslavos e Suíço não chamavam um mínimo de atenção da minha parte. E a esperada final chegou. Nem essa me prendeu em casa. Fui ver um filme no Cine Eldorado,um dos que costumava frequentar,além do Rosário,Orfeu e Colombo. Não recordo a que filme assistia quando a película foi interrompida:a notícia dada pelos alto-falantes do El Dorado não poderia ser pior: a Seleção Brasileira havia perdido para Uruguai. Saí do cinema e vi muita gente com lágrimas nos olhos, mas confesso lisamente,os meus permaneceram secos.

 

Agora,diante de nova Copa do Mundo em nosso país,não consigo a aceitar sem inúmeras restrições. Temo que,caso o Brasil conquiste o título mundial,o fato seja aproveitado politicamente na próxima campanha eleitoral,como ocorreu no tempo do governo militar que se aproveitou das vitórias da Seleção para se promover. Não posso dizer que Copa no Brasil me agrada. Bem pelo contrário,tenho certeza de que o seu custo para o nosso país será altíssimo. Seria muito melhor se o dinheiro que está sendo gasto fosse utilizado para amenizar ou mesmo corrigir problemas de todas espécies que afetam o nosso povo. São tantos que não me atrevo a os enumerar.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Decisões políticas da Copa começam a cobrar a conta

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Algumas das mais expressivas empresas de comunicação do mundo estão revendo seus planos para a COPA 14. Outras estão até cancelando a cobertura local no Brasil, pois os custos devidos à distância, a contratação de habitação, alimentação e mão de obra, são excessivos e bem acima do mercado internacional.

 

Recente reportagem de Carolina Juliano do UOL ilustra o problema. Australianos planejavam montar estúdio no Rio com equipe própria, mas o orçamento de US$ 200mil daria apenas para a locação do imóvel. Uma produtora de São Paulo para cobrir jogo em Manaus levaria sete dias para se deslocar e montar o equipamento necessário, entretanto este custo para apenas 1 jogo é inviável. Ingleses rescindiram contrato que previa transmissão direta daqui com pessoal deles, mas US$ 1 milhão pedido era excessivo e irão trabalhar de lá.

 

Ao estabelecer 12 sedes para os jogos, quando o máximo indicado seria 10, Brasil e FIFA estavam priorizando interesses políticos. Fato agravado pela extensão geográfica de nosso território, que aumenta as despesas de cobertura e algumas vezes impossibilita a mesma equipe cobrir dois jogos seguidos. Tudo indica que as emissoras maiores não virão como previam, pois deverão reduzir as equipes e os gastos, enquanto as menores ficarão em seus países retransmitindo localmente. Os benefícios financeiros e as vantagens da divulgação do país, tão alardeados pelos políticos que conduziram a nossa candidatura, começam a sucumbir.

 

A boa imagem do Brasil, outra das metas perseguidas para o evento, também está correndo sério risco, em função de atrasos de estádios e obras para a estrutura complementar. A gravidade da situação é ilustrada pela metamorfose de Jérome Valcke, na segunda-feira, em Itaquera, vitima e refém da política que apoiou. Diante da arena inacabada, em vez do prometido ponta pé no traseiro lembrou o recorde de procura de ingressos. Também não falou como resolver os R$ 70 milhões que faltarão para as estruturas complementares. E, claro, 2010 deve ter apagado da memória, mas o Estado através dos jornalistas Jamil Chade, Marcio Dolzan e Paulo Favero, lembra que um dos argumentos para tirar a Copa do Morumbi foi a falta de garantias financeiras. Exigências que não foram feitas para o Itaquerão e que repercutiram internacionalmente, ficando clara a opção política.

 

Se a política é inevitável, troquemos os homens.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: perdi minha sandalinha vermelha

 


Por Elizabeth Pricoli Vilela
Ouvinte-internauta da CBN

 

Minha lembrança mais remota, data do ano de 1954, quando eu tinha 2 anos de idade. Nesta época comemorou-se o Quarto Centenário da Cidade de São Paulo. Lembro-me, nebulosamente, daquele entardecer quando dos céus, uma chuva de prata cobriu a cidade. Aviões da FAB, voando sobre nós, derramavam pequenas flâmulas de papel prateado. Foram três dias de festas, em torno do dia 9 de julho quando a comemoração do aniversário da cidade se juntou à da Revolução Constitucionalista.

 

Ouça o texto que foi ao ar no Conte Sua História de São Paulo sonorizado pelo Cláudio Antonio

 

Aquela foi uma época feliz, especialmente para as crianças, que como eu, moravam na rua Dr. Dolzani, do Jardim da Glória, distrito da Vila Mariana. Formávamos grupo de idades próximas e brincávamos nas calçadas, ou andávamos de bicicleta pelas ruas, sem medo, porque ninguém sentia falta de segurança. Fazíamos excursões por ruas menos habitadas, onde terrenos baldios, ruas de terra, nos proporcionavam cenários para brincadeiras de mocinho e bandido, como víamos nos filmes da TV. Eu era o Roy Rogers, outra amiguinha o Zorro, outra o Bat Masterson, mas ninguém queria ser o índio Tonto, companheiro do Zorro, porque seria alvo de gozação da turma. Havia também uma mina de água na redondeza, que enriquecia ainda mais nossas aventuras. Vez ou outra, moleques atrevidos nos importunavam, dos quais fugíamos correndo de volta para nosso forte seguro. A influência dos seriados americanos era grande.

 

Recordo-me com carinho do Prof. Sérgio. Ele lecionava para o pré-primário numa escola pública de madeira, elevada sobre estacas, próxima à rua Maris e Barros. Fui sua aluna aos 6 anos e com ele aprendi a ler e escrever, além de todas as tabuadas, a dos 2 até a dos 9! Naquele ano de 1958, a escola foi demolida e ele levou seus alunos para a sala de aula no quintal da sua casa. Ele foi um professor exemplar, não me lembro dele irritado ou gritando com alguém. Éramos comportados e queríamos aprender. Vem à minha memória o esperado recreio quando comia a paçoquinha Amor, que era muito diferente do que é hoje e custava um cruzeiro. Aliás, recordo-me de vários sabores da minha infância, o do Toddy, por exemplo, era um pó finíssimo de cor rósea e delicioso, acondicionado em potes de papelão e tampa metálica.

 

O bonde ainda circulava pela cidade. Certo dia, recebemos a visita de um tio que morava no interior e programamos visitar uma tia que morava no Campo Belo. Tomamos o bonde que saía da Praça João Mendes em direção a Santo Amaro. Ao descer no ponto desejado, eu enterrei meu pezinho na lama e ao retirá-lo, perdi minha sandália vermelha novinha. Um ou dois anos atrás, li no jornal que as obras do Metrô da linha lilás, descobriram restos dos trilhos na região. Logo pensei, será que encontraram minha sandalinha?

 

Já mocinhas, na década de sessenta, frequentávamos o cine Astor, no Conjunto Nacional. Depois da sessão, sentávamos à mesa na calçada do restaurante Fasano para tomar sorvete em taças de prata, apreciando o movimento da Paulista. Era um luxo!

 

Em 1970, o Brasil sagra-se tricampeão do mundo no futebol. Eu cursava o preparatório para o vestibular no Objetivo, que naquele ano mudara-se para a Av Paulista no prédio da Gazeta. Na segunda-feira após o campeonato, não houve aula, saímos desfilando pela avenida, eufóricos com a vitória, alheios ao que ocorria nos bastidores da ditadura.

 

No ano seguinte, já na faculdade, tomei ciência da situação política do país. Colegas desaparecidos, o autoritarismo militar, a repressão policial. Os meios de comunicação censurados iludiam-nos com a idéia que se combatia o comunismo. Felizmente, hoje, podemos saber da real situação do país e parabenizo a Rádio CBN e a TV Cultura por nos manter atualizados e críticos diante da política brasileira, cujos representantes ainda nos causam muita revolta. Há uma longa jornada pela frente até a plena cidadania.

 


Participe do Conte Sua História de São Paulo, envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net.