Avalanche Tricolor: Diversão garantida !

 

Grêmio 2 x 0 Corinthians
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Há 22 anos morando em São Paulo, alguns sentimentos construídos no Rio Grande do Sul mudam de dimensão, outros aprendemos no caminho e provocam diversas reações – os forjardos na arquibancada em especial. Sabe-se que historicamente o Grêmio tem um arquirival e na oposição dessas forças é que o futebol gaúcho se transformou em referência mundial com seus dois representantes conquistando títulos no exterior. Mesmo quando nos afastamos do Estado, os efeitos deste confronto não desaparecem, mas ao menos a segunda-feira após o clássico gaúcho, quando seu time é derrotado por lá, é mais suportável por aqui. Em compensação, o enfrentamento com os adversários paulistas se torna mais perigoso e, dependendo o placar, pode estragar o bom humor no dia seguinte. Principalmente, quando este adversário se chama Corinthians. A quantidade de corintianos na redação e na audiência é impressionante e todos eles aparecem saltitantes e provocantes quando meu time sofre um revés. Assim, encaro jogos como o deste domingo quase como um clássico regional que, você sabe bem, tem potencial muito mais explosivo do que os clássico nacionais. E a vitória representa mais do que três pontos, é a certeza de uma segunda-feira feliz.

 

Hoje, o Grêmio venceu com autoridade o Corinthians e, a despeito dos interesses de cada um no Campeonato Brasileiro, mostrou que chega forte na competição, conforme chamou atenção o comentarista Caio, durante transmissão da Tv Globo. Parece, porém, que alguns colegas meus ainda não enxergaram o que está sendo construído nesta última temporada do estádio Olímpico Monumental. Ouvi na narração do clássico paulista pela rádio CBN meu amigo Deva Pascovicci desprezar a qualidade do Imortal ao colocar São Paulo e Coritiba com mais chances e times para conquistar a Copa do Brasil. Que se danem ! O importante é saber que a cada partida surgem méritos a serem destacados, como a paciência com que nosso time manteve a bola no pé depois de o placar resolvido; a volta de Vitor que aprendemos a admirar; a segurança no futebol de Marco Antonio; o bom desempenho de Souza; a personalidade de Fernando; e, aqui apenas uma esperança por enquanto, o retorno de Kléber, o Goleador. Uma união de fatores que nos levou a vencer neste domingo e garantiu a diversão na segunda-feira.

 

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Corinthians, devolve minha alma roubada

 

Sou torcedor forjado a sofrimento e lágrimas, acostumado a lutar sempre e não aceitar a derrota mesmo quando esta é inevitável e a vitória, injustificável. Estou sempre disposto a mais uma conquista sabendo que esta somente será alcançada após driblar todos os percalços e no último minuto do jogo, se preciso for que seja no tempo extra. Foi assim que aprendi a me contorcer nas arquibancadas do Olímpico Monumental – no início apenas Olímpico -, empurrando a bola pela linha de fundo para impedir o ataque advesário, chutando o encosto da cadeira da frente para ajudar o volante a despachar o perigo e de bico enfiar a bola onde o goleiro não alcançará jamais. Nunca me iludi com os elogios ao futebol-maravilha, arma preferida de comentaristas e “especialistas” contra o futebol de verdade, aquele que rende títulos e emoção. Desdenham do time viril, bravo e competitivo que alcança sua meta, seja esta qual for, quando deveriam compreender que em campo não há mais espaço para firulas, lances rebuscados e goleadas – e na me venha com as exceções, estão aí apenas para confirmar a regra. Reclamam de jogadores limitados e placares espremidos. E daí ? Futebol é sangue, suor e camisa rasgada.

Chega-se a mais um título brasileiro nestas condições. Não se tem futebol de sobra nem jogador para ser chamado de craque. Tem-se um grupo de guerreiros dentro de campo e uma torcida alucinada do outro lado do alambrado. No banco, o técnico xinga, esbraveja, esmaga o rosto com as mãos, faz substituições para enfeiar a partida se isto for necessário no caminho da vitória. Sabe que todo drible será esquecido se esta não for alcançada e gol do título só serve para agradar programa de televisão. Por isso, se precisar que se vença de 0 a 0.

Caro e raro leitor deste blog (cada vez mais raro), estou feliz pela conquista que a Alma Tricolor alcançou nesta temporada de 2011. Aprendi seu significado e como esta contamina jogadores, técnicos e torcedores transformando-os em campeões lendo o filósofo do futebol Eduardo Bueno, o Peninha, no livro “Grêmio: nada pode ser maior”. É lá que se descobre que esta Alma foi campeã Mundial em 1950 vencendo o iluminado Brasil, no Maracanã; destroçou a Holanda em 1974 e 1978; conquistou a Copa de 2002 contra os badalados alemães; foi a maior e mais forte – nunca a mais talentosa – nas Libertadores de 1983 e 1995, no Mundial de Tóquio, em 1983 e nas muitas Copas do Brasil, em especial a de 2001, que tive oportunidade de comemorar no microfone com os gritos de gol no 3 a 1 contra o Corinthians, no Morumbi – estas últimas todas vestindo a sua tradicional camisa azul, preto e branco.

Neste ano, a Alma Tricolor, sabe-se lá porque os Deuses do futebol assim quiseram, fardou-se de corintiana e acaba de se transformar Campeã Brasileira, sem marcar gols, brigando com o adversário, reclamando do juiz mesmo que ele esteja certo, sofrendo ataques no poste e no travessão, e comemorando ao fim de tudo sob a batuta de um maestro que construiu sua imagem no Monumental, Tite. Fim de temporada, me cabe apenas um pedido ao Corinthinas que festeja merecido título: devolva-me a alma roubada – está fazendo uma falta danada para a turma da Azenha.

N.B: O futebol jogado, a vitória do Corinthians e a temporada de lamentos gremistas nada mais importam diante do minuto eterno de respeito que devemos a Sócrates e sua família. Um jogador que incluiu o calcanhar no vocabulário do futebol e a política no vestiário da bola. Ele também tinha Alma Tricolor.

Avalanche Tricolor: É sempre especial

 

Corinthians 3 x 2 Grêmio
Brasileiro – Pacaembu


Falei com você, caro e raro leitor, por mais de uma vez, sobre a importância do Gre-Nal na emoção do torcedor. Uma vitória, como aquela do fim de semana passado, anima qualquer um. Um resultado negativo (deixe-me bater três vezes no tampo da mesa, antes de continuar escrevendo) leva muita gente, lá no Rio Grande do Sul, a ficar em casa no dia seguinte. É melhor desligar o celular e não ler o jornal de esportes. Desde que deixei Porto Alegre, em 1991, a distância do clássico e a probabilidade menor de se deparar com um torcedor colorado na rua ou na redação trazem um certo alívio. Em compensação, novas rivalidades surgiram no meu dia a dia. E a com Corinthians é, sem dúvida, a maior delas. Seja pelo histórico dos dois times, que têm DNA parecido, acostumados a grandes reações e performances heróicas (as tais raça e determinação); seja pelo fato de ambos terem disputados finais memoráveis como aquele que deu o título de campeão da Copa do Brasil, para o Grêmio, em 2001; seja pela quantidade de colegas e amigos corinthianos.

O dia seguinte de uma partida contra o Corinthians é especial, para o bem ou para o mal. Haverá sempre um ouvinte disposto a brincar (alguns não sabem fazer isso de maneira bem humorada, infelizmente) ou um colega pronto para falar – nem sempre estão lá quando têm de ouvir. Por isso, essa quinta-feira vai ser daquelas, apesar de tudo que ocorreu em campo, e me refiro aqui às injustiças cometidas pelo árbitro, muito mais por fraqueza do que por malvadeza. Nenhuma justificativa convencerá o vencedor de que houve equilíbrio de forças em campo e a vitória ocorreu por uma interferência indevida. É do futebol. É dos torcedores do futebol.

Independentemente disso, cabe ao gremista, nesta hora, além da humildade para reconhecer que houve um vencedor (e o que mostra o placar), a tranquilidade de que aos poucos o time volta a jogar bola, mesmo com suas várias carências, em especial no ataque. E admitir que não se pode querer tudo. No domingo, já ganhamos o Gre-Nal, em Porto Alegre. O que pode ser melhor do que isso, mesmo quando se vive em São Paulo e se está rodeado de amigos corinthianos?

A foto deste post é do site Gremio.Net

Time de vereadores apoia dinheiro público no Fielzão

 

Vereadores e autoridades no estádio do Corinthians

Um time completo de vereadores compareceu na sede do futuro estádio do Corinthians no dia em que o prefeito Gilberto Kassab garantiu R$ 420 milhões para a construção do Fielzão. Na cerimônia, todos tiveram direito a palanque, ou melhor, arquibancada. Alguns, inclusive, sem nenhum acanhamento diante da pompa e circunstância se apresentaram com a camisa do clube de coração.

Com a ajuda da rede Adote um Vereador, identificamos para você a escalação do time com os 11 vereadores que apareceram bem na foto:

Na fileira mais acima, jogando no centro, Milton Ferreira (PPS), Netinho de Paula (PCdoB) e Goulart (PMDB); na fila seguinte, aparece pela ponta o vereador José Rolim (PSDB); o meio da arquibancada estava congestionado com Senival Moura (PT), Toninho Paiva (PR), Ricardo Teixeira (Sem Partido), Milton Leite (DEM), Paulo Frange (PTB) e Jamil Murad (PCdoB). Na linha de frente, o lider do Governo, Roberto Trípoli (PV).

Havia mais vereadores no dia da assinatura do “bolsa estádio” (Agnaldo Timoteo surge em outras imagens, por exemplo), mas ficaram de fora da foto do título que o prefeito Kassab compartilhou com os seus seguidores no Twitter com a mensagem de que “São Paulo festeja a enorme possibilidade de fazermos ali a abertura da Copa14”.

Importante destacar que os vereadores têm todo o direito de apoiar esta iniciativa e participar de atividades públicas, mesmo porque a Câmara Municipal está em recesso, uma espécie de férias de inverno. Mas você como cidadão também pode decidir se este apoio ao projeto que concede renúncia fiscal para a construção de um estádio particular está de acordo com aquilo que imagina ser prioridade e fundamental para o desenvolvimento da zona leste e da própria capital paulista. Por isso, recomendo que guarde esta foto e estes nomes e decida, ano que vem, se vale a pena mantê-los no cargo de vereador.

Governo de SP vai pagar R$70mi para estádio da Copa

 

O Governo do Estado de São Paulo vai ter de abrir licitação no valor de R$ 70 milhões para construir os 20 mil lugares a mais necessários para que a abertura da Copa do Mundo seja no estádio do Corinthians. A informação foi confirmada pelo diretor superintendente da Odebrecht, Carlos Armando Paschoal, em entrevista ao colega Carlos Alberto Sardenberg, no programa CBN Brasil.

Os R$ 820 milhões garantidos por empréstimo do BNDES e isenção na cobrança de impostos da prefeitura de São Paulo – anunciados anteriormente – são suficientes apenas para levantar um estádio com 48 mil lugares. Para sediar a abertura do Mundial 2014, porém, serão necessários mais 17 mil assentos para torcedores e 3 mil para jornalistas. Esta parte excedente, que será reformulada após a Copa, é que deve ser paga pelo Governo de São Paulo.

De acordo com Paschoal, o Governo assumirá o custo pois um estádio para abertura da Copa interessa mais à cidade e ao Estado do que ao Corinthians.

Ouça a entrevista de Paschoal, da Odebrecht, aqui

No mesmo CBN Brasil, ontem, o diretor de marketing do Corinthians Luis Paulo Rosenberg havia dito que os R$ 820 milhões pagariam o estádio completo para a abertura da Copa. Em nenhum momento falou da necessidade de dinheiro do Governo de São Paulo.


Ouça a entrevista de Rosenberg, do Corinthians

São Paulo não pode pagar a conta da Copa 2014

 

Texto escrito para o Blog Adote SP

Estádio do Corinthians

Semana que vem começam as obras do estádio do Corinthians, única alternativa paulistana para a abertura da Copa do Mundo de 2014. Ao menos esta é a última promessa feita pelo presidente do clube Andrés Sanchez. Bem verdade que ele já havia anunciado o início dos trabalhos para abril – aquele, do Dia da Mentira (coincidência ?) – depois maio e, agora, junho.

Desta vez tem o aval da prefeitura que autorizou o uso da área em Itaquera, na zona leste, a título precário.

Calma lá ! O precário do título nada tem a ver com as condições pelas quais foi feito o acerto entre o Corinthians e a Odebrechet, empreiteira que vai tocar as obras. De acordo com o site JusBrasil, “título precário” é o modo de conceder, usar ou gozar alguma coisa por mero favor ou permissão, sem constituir um direito.

O documento publicado em Diário Oficial diz que o terreno somente poderá ser usado para a construção do estádio e prevê a conclusão para dezembro de 2013, daqui a dois anos e sete meses, período que o Corinthians terá para barganhar com a construtora ou passar o chapéu entre parceiros e arrecadar R$ 1.070.000.000,00. Para você não se perder nos zeros: R$ 1,07 bilhão – é quanto vale o estádio da Copa.

A persistirem os sintomas, São Paulo terá o estádio mais caro do Mundial 2014. E isto não deve ser motivo de orgulho, principalmente se soubermos que parte deste dinheiro virá dos nossos impostos. Gilberto Kassab, o são-paulino mais amado de Andrés Sanchez, já garantiu R$ 300 milhões em Certificado de Incentivo ao Desenvolvimento. CID é um mecanismo pouco usado até hoje para incentivar investimentos na cidade oferecendo em troca abatimento de impostos e tributos.

O prefeito nega que isto seja dinheiro dos cofres da prefeitura para o estádio do Corinthians. Através do secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Marcos Cintra, defende que o CID é uma isenção sobre impostos e tributos que não seriam arrecadados se a obra não fosse feita.

Mesmo com este repasse fiscal no “ponto futuro”(apenas para manter-me no jargão futebolístico), o Corinthians ainda precisará de mais dinheiro para fechar a conta. E para piorar as coisas para o clube, a tentativa de levantar a grana no Palácio dos Bandeirantes ainda não deu resultado.

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin insiste em não colocar um só tostão nas obras do estádio do Corinthians. Tem sido pressionado mais do que deveria, mesmo assim resiste aos pedidos que chegam a casa dos R$ 370 milhões. E não é resistente porque torce para o Santos. É porque tem ao seu lado boa parte do torcedor paulista. Pesquisa encomendada pelo Governo mostra que 70% das pessoas entrevistadas são contra o uso de dinheiro público no estádio, mesmo que isso signifique não ser sede da abertura da Copa.

Mantenha na retranca, Governador, pois mesmo sem este recurso, São Paulo já é a cidade que mais dinheiro público investirá nas obras de infraestrutura para a Copa, conforme números levantados pelo Tribunal de Contas da União e publicados pela Folha, nesta semana:

1- A conta da cidade subiu de R$ 3,41 bilhões para R$ 5,49 bilhões, entre maio de 2010 e fevereiro de 2011. O crescimento é de 61%

2- O gasto na organização da Copa em São Paulo é R$ 2 bilhões mais alto do que o do Rio, que está em segundo lugar no ranking”.

3 – Dos gastos, R$ 5,4 bilhões são do setor público e R$ 90 milhões, da iniciativa privada

Ao caro contribuinte resta usar das ferramentas que tem em mãos para proteger seu dinheirinho. Pressionar o poder público, cobrar transparência nas contas e, se for o caso, denunciar irregularidades aos órgãos competentes.

Comece por pedir explicações ao prefeito Gilberto Kassab, mande um e-mail para o gabinete dele (gabinetedoprefeito@prefeitura.sp.gov.br). Mostre sua opinião ao governador Geraldo Alckmin, no Fale Conosco do Palácio dos Bandeirantes. Reclame ao Ministério Público Federal (pfdc@pgr.mpf.gov.br). E não esqueça de cobrar do seu vereador, na Câmara Municipal, é obrigação dele fiscalizar como o dinheiro da cidade está sendo gasto.

Avalanche Tricolor: Carta à Dona Dirma

 

 

Corinthians 0 x 1 Grêmio

Brasileiro – Pacaembu (SP)

gremio_news

Dona Dirma,

Como está a senhora ? Imagino que tenha tido um sábado bastante agradável, apesar da chuva forte em Porto Alegre.

Confesso que eu andava preocupado com a senhora, desde que seu filho me encontrou há pouco mais de uma semana e falou de um telefonema que a senhora havia feito para ele. Disse que não estava muito bem, voz baixa, um pouco triste, incomodada com o desempenho do nosso time.

Seu filho também não parecia muito legal. O baixo astral da mãe e os resultados do time dele – que não é o mesmo que o nosso – estavam deixando-o cabisbaixo, apesar do sucesso no trabalho que realiza aqui em São Paulo.

Em meio a um encontro de autoridades e especialistas, ele interrompeu o almoço e veio até minha mesa. Pegou-me pelo braço e me perguntou: “O que eu digo pra minha mãe ? O que está acontecendo com o Grêmio ?”. Nem tanto pela surpresa da pergunta, muito mais pelas coisas que aconteciam em campo (e fora dele), fiquei sem resposta. Ao menos, sem resposta convincente.

Lembro que ensaiei algumas possibilidades como a falta de organização do time, jogadores pouco engajados, gente não muito preparada para tomar as decisões e crença de mais na mística de nossa camisa. Nenhuma delas, porém, foi apresentada com a segurança que o momento solene exigia.

Saí daquele encontro pensando na senhora e no seu filho. É triste a gente não ter uma palavra de consolo para a mãe, ou um pensamento animador, ou um gesto capaz de oferecer esperanças de melhora.

Cheguei a começar uma carta para lhe explicar o que vinha acontecendo. Ou o que eu achava que vinha acontecendo. Deletei antes do primeiro parágrafo nas duas vezes. É Dona Dirma, agora as cartas são deletadas, não mais rasgadas como antigamente.

Pensei comigo: tem que haver algum sinal, um momento mágico capaz de virar as coisas a nosso favor; quem sabe um lance que me anime a escrever para a senhora sem que meus olhos fujam dos seus como fazem os meninos que contam lorota.

Fim de semana passado, quando fizemos o gol de empate contra o Botafogo no finzinho do jogo, cheguei a me entusiasmar. Mas resolvi esperar um pouco mais. Nesse meio de semana quando vencemos o Guarani em casa, achei que estava bom, mas ainda não era o ideal.

Hoje, Dona Dirma, a magia se realizou diante de nós. E logo aqui em São Paulo, onde seu filho trabalha há tanto tempo. Bem pertinho dele, para que tivesse oportunidade de pegar o telefone e contar à senhora de viva voz: “Mãe, eu vi !”. Sei lá se ele já teve tempo para ligar para sua casa nesta noite de sábado. Ou vai esperar o Palmeiras dele jogar amanhã.

Mas eu não tive dúvida de que o momento para lhe escrever era esse.

E comecei a pensar nestas linhas no momento em que Douglas carregou a bola em direção a defesa corintiana. A forma como ele conduziu a jogada, a maneira como se deslocou e apareceu diante do gol adversário, o movimento que fez para chutar longe do alcance do goleiro e a rede estufando no estádio do Pacaembu foram demais para mim.

Comemorei como nos tempos de menino, sozinho no meu quarto, com uma satisfação quase rídicula, distante de todos da casa, mas pensando na forma como a senhora deveria estar feliz, também, aí em Porto Alegre. Repeti os gestos e sentimentos ao assistir ao Vitor se esticar todo naquele cobrança de penâlti. E guardada suas dimensões, festejei cada despachada de bola de nossa área para segurar um time centenário e forte como é o Corinthians com apenas 10 em campo.

No apito final de um jogo interminável corri para o computador para lhe escrever. Hoje eu teria algo verdadeiro para lhe dizer. Uma resposta sincera, encorajadora, que a levasse a continuar acreditando no nosso Grêmio.

Pois agora que estou diante do computador fico pensando se ainda preciso lhe dar alguma explicação ou se seu filho precisa telefonar para lhe contar como foi esta vitória heróica, depois de tudo que o rádio já contou.

A senhora e seus 87 anos de torcedora gremista sabem mais do que ninguém o que acontece com o nosso time, o que nos leva a sofrer tanto um dia e vibrarmos como loucos no outro. Sabe quantos momentos de provação tivemos de enfrentar nestes 107 anos de história.

Dona Dirma, como a senhora mesmo já deve ter dito para tantas outras pessoas – inclusive para seu filho – isto só acontece com a gente porque somos o Imortal Tricolor!

Com carinho e respeito,

Mílton Jung

Avalanche Tricolor: Nem que seja no grito

 

Grêmio 1 x 0 Guarani
Brasileiro – Olímpico Monumental

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O centenário do Corinthians tomou conta do noticiário esportivo, nesta quarta-feira. A festa preparada pelo clube à sua torcida encheu o Vale do Anhangabau, na noite passada e virou a meia-noite. As emissoras de Tv, em especial os canais especializados, entrevistaram corintianos ilustres, remexeram em seus arquivos e prepararam programas especiais. Poucos gols foram tão repetidos como o de Basílio, em 1977.

E aqui começa a explicação pelo parágrafo acima estar dedicado a um outro clube que não o Imortal Tricolor.

Foi em 1977, também, que assisti ao primeiro título do Grêmio em sã consciência. A última conquista havia sido em 1968 e eu, muito menino, ainda não tinha o futebol entre minhas prioridades. Se em São Paulo, o Corinthians encarava 23 anos sem vencer o campeonato estadual, no Rio Grande do Sul, estávamos há oito anos na fila. E sempre perdendo para o mesmo adversário – mesmo quando jogávamos melhor. Tempos difíceis aqueles.

Alguém dirá que difícil é a fase que enfrentamos atualmente. Desde a derrota na semi-final da Copa do Brasil, o time perdeu o rumo, se distanciou de sua história, ficou pequeno apesar de seu elenco. As más línguas e o olho gordo chegaram a desenhar uma queda para a segunda divisão, apesar de faltarem tantos jogos até o encerramento do Brasileiro.

A situação realmente não é simples. Mesmo este espaço que costuma encontrar em pequenos casos grandes histórias para enaltecer o Grêmio tem andado desconfiado do desarranjo que o time vem enfrentando. Problemas que não se resumem aos jogadores e ao comando técnico. Que se iniciam na administração do clube com repetidos erros de decisões.

Nada se compara, porém, aqueles anos que antecederam 1977. O Grêmio era um time de poucas pretensões, por maior que fosse a alegria de vencer um Gauchão. Contentava-se em derrotar o adversário mais próximo e assistir aos jogos do Campeonato Brasileiro com jeito de quem era apenas um coadjuvante.

Nossa história começou a mudar naquele ano. Ali começamos a construir a consciência de que éramos muito maior do que imaginávamos. Que nossas fronteiras teriam de ir além da bacia do rio Uruguai. E se iniciou a trajetória a caminho da conquista do Mundo.

Toda vez que o gol de Basílio era repetido na tela da TV ou a sua narração era reproduzida no rádio, hoje, eu teimava em lembrar do gol de André Catimba, no estádio Olímpico.

Agora à noite, quando assisti ao Grêmio vencer por apenas um a zero tentei encontrar em campo resquícios daquele time, quem sabe em mais um exercício da minha alucinação revelada na Avalanche Tricolor do domingo passado.

Se entre os jogadores que se esforçaram para alcançar este resultado não tive sucesso nas minhas pretensões, ao menos a torcida me ofereceu uma bela oportunidade ao tomar boa parte das arquibancadas e gritar pelo seu time independentemente da apresentação que este fazia.

E foi nela que encontrei não apenas uma relação com aquele título de 1977 mas a certeza de que nós seremos capazes de superar mais esta fase. Nem que seja no grito.

Os Mosqueteiros que levaram o Corinthians adiante

 

Com torcedores no teto e jogadores abrindo caminho para ele passar, os ônibus que fizeram parte da história do centenário do Corinthians estão nesta reportagem especial.

Por Adamo Bazani

Um time como o Corinthians que neste 1º de setembro completa 100 anos tem muitas marcas, símbolos, mascotes e tradição. O setor de transportes, sempre relacionado a economia, ao comportamento e aos costumes da sociedade, também imprime sua marca no esporte. Na história corintiana, de maneira emblemática. Todos os ônibus do clube são batizados com o nome de um dos símbolos da equipe: Mosqueteiro.

Há duas versões para o mosqueteiro ter se transformado em símbolo do Corinthians. Uma diz que veio do autêntico D’Artagnan, personagem do escritor francês Alexandre Dumas. Em 1913, o clube participou da Liga Paulista de Futebol ao lado do Germânia, Americano e Internacional, considerados os Três Mosqueteiros do futebol de São Paulo. Com a entrada, o Corinthians seria o quarto mosqueteiro.

A outra versão é de que em 1929, na sua primeira partida internacional, o Corinthians venceu os argentinos do Club Sportivo Barracas, fundado em 1913, que fazia amistosos entre o Rio e São Paulo. Os paulistas venceram por 3 a 1. No dia seguinte, no jornal “A Gazeta” o jornalista Thomas Mazzini colocava como título: “Corinthians vence com fama de Mosqueteiro”.

Seja qual for a versão real, o fato é que mosqueteiro remete a imagem de alguém, ágil, forte e útil … atributos ideais para um ônibus.

Assim, nos anos de 1960, quando o Corinthians comprava um veículo próprio para o transporte de jogadores e demais funcionários rumo aos estádios, treinos e demais compromissos, os integrantes do time tiveram a ideia de dar ao imponente ônibus o nome do símbolo do clube.

E a era dos Mosqueteiros do Corinthians começou com grande estilo. O Mosqueteiro I, restaurado pelo clube, é um veículo de carroceria Caio, modelo Gaivota, sobre chassi Mercedes Benz O 355. O ônibus era um luxo só e bem inovador para a época. A começar por suas linhas futuristas, aproveitando bem os ângulos e áreas arredondadas. O Caio Gaivota foi lançado no Salão do Automóvel em 1966. Nele, estavam presentes itens até então impensáveis em ônibus, como banheiro, bar, iluminação individual para leitura, carpete e cinto de segurança.

O ônibus foi um campeão de vendas e digno para transportar um time campeão. O Mosqueteiro I levou grandes craques e participou de momentos de glória do time fundado no Bom Retiro, região central de São Paulo.

Várias vezes, o ônibus foi invadido, cercado por fanáticos torcedores que chegaram até a pegar uma carona no teto em momentos de maior euforia. É o que retrata a primeira foto do álbum que você vê neste post que faz parte do acervo deste repórter, guardada há anos. Foi na invasão ao Maracanã, quando em 5 de dezembro de 1976, cerca de 70 mil torcedores viram o time vencer de maneira triunfal o Fluminense. A partida no tempo normal ficou em 1 a 1. Nos pênaltis, o time paulista superou o tricolor do Rio por 4 a 1 com gols de Neca, Ruço, Moisés e Zé Maria.

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Corinthians: 100 derrotas implacáveis

 

Nesta onda de homenagens ao Corinthians, não poderia faltar uma “flauta centenária”, tarefa que ficou a cargo de Sebastião Corrêa Porto que relacionou em livro as 100 derrotas implacáveis. Ano após ano, listou momentos de extrema alegria da torcida adversária. Goleadas inesquecíveis como o 7 x 3 da Portuguesa em 1951 até jogos vencidos por placares magros, mas não menos importantes, como o 1 x 0 do XV de Jau, em 1978.

Provavelmente faltarão jogos que você gostaria de ver citados em “Prazer, adversário! Corinthians 100 anos: 100 derrotas implacáveis” (Editora Porto de Ideias), mas o livro está aí para provocar estas boas lembranças. Afinal, vencer um time com a importância e dimensão do Corinthians é sempre muito bom, parafraseando locutor de TV famoso.

Ouça a entrevista com Sebastião Correa Porto, ao CBN SP

Do meu glorioso Grêmio, Sebastião registrou a vitória por 3 x 0 em 2003, no estádio Olímpico. Creio que fez de propósito pois matou dois coelhos com uma cajadada só. Falou mal do Corinthians e ainda lembrou ter sido aquele o ano da derrocada do Tricolor, quando despencamos para a segunda divisão.

Como discordo do jogo escolhido, deixo registrado aqui, texto que o autor dedicou aos confrontos entre os dois mosqueteiros, no capítulo de apresentação do livro:

O que dizer do Corinthians contra o Grêmio ? Até mesmo contra este time gaúcho, que se acha e se sente argentino, o Corinthians leva pau – e dos grandes. É impressionante o serviismo do Corinthians às cores e ao sotaque argentinos. Se não bastassem aqueles episódios vergonhosos do “rei Teves”, do contrato do Passarella, ainda existe uma chuva de goleadas sofridas para este time argentino que entre nós se esconde. Se ainda não se convenceram, lembrem-se do jogo que derrubou o time para a segunda divisão