A moda na República Federativa do Brasil

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Os nossos Estados Federados, há tempos em combate agressivo na disputa pelas montadoras de automóveis e caminhões, seguiram no mesmo ritmo na questão das cidades sede da COPA 14. Surpreendentemente se uniram agora no caso do petróleo. Partiram para assaltar as riquezas futuras do Rio e do Espírito Santo. Chegamos então ao limite. A competição passa a ser usurpação.

 

Em resposta, o Rio de Janeiro, através de seu governador Sergio Cabral, informou que o estado não poderia realizar a COPA nem a Olimpíada sem o capital do petróleo. Insensatez que o prefeito Eduardo Paes assimilou. E, após apresentar o velódromo e o autódromo da cidade do Rio para demolição, ao receber um terreno para a futura construção do novo autódromo, atacou São Paulo, advertindo que tiraria dos paulistanos a F1 e a levaria para os cariocas. Fala bélica e inoportuna.

 

Mas, voltando ao universo competitivo padrão, percebe-se que os Estados deveriam ter mais foco e menos abrangência, competindo, mas apostando no talento e na cultura regional para apresentar produtos e serviços diferenciados ao mercado nacional. Evitando assim a oferta exagerada do mesmo, que não fortalece, enfraquece. Na literatura, na música, no cinema, no esporte, na gastronomia, enfim nas múltiplas possibilidades, será mais eficiente escolher setores peculiares ao Estado do que apostar a esmo.

 

Uma moda que a própria atividade industrial e comercial da Moda também se defrontou. Caminha agora para o equacionamento deste canibalismo. A Moda como indústria tem tido muitas cidades competindo para se tornar polo de criação e comercialização. Justamente numa fase de transição, onde um processo de concentração de empresas se intensificou ao mesmo tempo em que grande número de novos players internacionais aporta no país.

 

Ao encerrar o ciclo de lançamentos com a feira mineira, que também apresentou diminuição de marcas e de público, como já tinha ocorrido em São Paulo e no Rio, desponta uma tendência positiva. É a provável segmentação de estilos e produtos, de acordo com o potencial natural de cada cidade.

 

São Paulo, historicamente com a moda mais urbana e atualmente mais autoral, fica com o SPFW e a porta de entrada das grandes operações internacionais de moda.

 

O Rio, imbatível na modinha, hoje “fast fashion”, dominará a moda praia e a moda descartável, levando ao mundo o alegre espírito carioca através do Fashion Rio.

 

Belo Horizonte, através do Minas Trend Preview, dominará na moda festa e nos tricôs.

 

Tudo indica que desta forma os talentos da indústria de moda de cada região estarão fortalecidos e contribuirão para a maior racionalidade das marcas, dos compradores e da imprensa. Uma moda que deveria ser copiada por todos. Inclusive os de fora da moda.

 

O Brasil agradece. A todos, e aos Estados Federados.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Livros são distribuídos de graça no centro de São Paulo

 

Por Devanir Amancio
ONG Educa SP

 

Livro na praça

 

                                                                        
Dois caminhões de livros grátis, centenas de mãos e muita vontade de ler – mesmo debaixo de chuva. Livros de todos os gêneros para todos os  gostos no centro de São Paulo, na sexta-feira, 21/09. A festa da leitura lembrou o poema de Castro Alves: “Oh! bendito o que semeia/Livros, livros, à mancheia/E manda o povo pensar…”

 

 
A distribuição de 8 mil obras, levadas em duas viagens, começou na Praça Bandeira para os garis. A parada literária no Largo de São Francisco reuniu pessoas de todas as classes sociais.

 

 
O GCM que protege o ‘Largo dos Mendigos’ pegou feliz o “Código do Processo Penal Anotado”. Alunos do segundo ano do SENAC – Consolação aguardavam com sacolas a chegada dos livros, desde às 10 horas, em frente à Faculdade de Direito. O advogado Antonio Fernando da Silveira levou cinco livros; Maria do Socorro Alves, acompanhada de Tertuliano, 8, e Igor, 10, levou nove volumes. O professor Tiziu (Carlos Alberto), da PUC, do alto do caminhão gritava: “Escolha à vontade! Leve apenas o que vai ler.”

 

O artista de rua, Enahha, com sua bicicleta enfeitada com um cartaz “O futuro passa por aqui, bikes!”, foi o locutor do ato, tendo como fundo musical “Plante uma árvore”, de sua autoria. Dizia sem parar:  “espalhar livros para colher cultura, no Dia da  Árvore leve um livro para a sua casa, a semente do conhecimento. Sua família vai gostar!” Realização: “ONG  Educa São Paulo, Núcleo de Trabalhos Comunitários da PUC – SP, Grupo de Escoteiro ‘Lobo Solitário’/ Itaquera,Zona Leste. Árvore é vida, livro é cultura, não temos mais aqui o livro de Augusto dos Anjos. Essa iniciativa não tem nada a ver com a Prefeitura.”

 

 
A próxima distribuição  móvel de livros (3 mil títulos diversos) acontecerá no dia 28 de setembro,  sexta-feira, no Largo Treze de Maio e Praça Floriano Peixoto, em Santo Amaro, Zona Sul – das 10 às 14 horas, possivelmente com a colaboração da Subprefeitura de Santo Amaro .

 

  
Vale registrar que os livros foram doados pelo Clube Paineiras do Morumby, ONG Reviver Capão ( Capão Redondo/zs) , comunidade Nossa senhora de Fátima, Creative Mix  e Bazar Imirim ( Imirim/zn).
 
 
               

Um luxo que atende pelo nome de João Braga

 

Por Abigail Costa

 

João Braga

 

Era o meu primeiro dia de aula no curso de Gestão do Luxo, na Faap.
Este é o professor de História da Moda. Assim João Braga me foi apresentado.
Suas primeiras palavras: desliguem seus iPads, iPhones; minha aula é diferente. É GLS – giz, lousa e saliva.

 

Logo pensei, ele é diferente!
Com o tempo percebi que João Braga era mais do que isso.
Ele é o luxo em pessoa.
Tem cultura invejável sobre o assunto, e sabe como ninguém passá-la a diante.

 

João é um contador de história, e a faz com maestria.
Lembro-me de sair de suas aulas, terças-feiras, mais pesada, carregada de conhecimento.
Com ele o assunto ganha ainda mais importância.

 

Por meio da história da moda, João demonstra as suas linhas de desenvolvimento, bem como as interações existentes entre a sociedade, a arte, a história e sua multidisciplinaridade. Relaciona os fatos da vida social, econômicos, cultural e política, associando visualidades ao fazer correlação dos acontecimentos com as silhuetas representativas de cada período.

 

As palavras acima são de Vera Lima, museóloga e pesquisadora, que escreve na apresentação do livro “História da Moda – uma narrativa”, publicado por João Braga. Ele ainda lançou Reflexões sobre moda, em quatro volumes – deliciosamente devorados em poucos horas!

 

Aqui não quero apenas dizer que ele é estilista e professor de História da Moda, História da Arte, História da Joalheria, Estética e Cultura de Moda da FAAP, Faculdade Santa Marcelina, IBModa e Casa do Saber. Quero espalhar que João Braga é uma dessas pessoas que passam pela vida da gente como um furacão, cheias de novidades!

 

Tive a oportunidade de fazer um curso de Arte e Moda, guiado por ele, em Paris, recentemente. João já levou centenas de interessados à capital Francesa. Uma cidade que conhece como a palma de sua mão. Ter a sua companhia pelos museus, ateliês de alta costura, restaurantes, passear pelos Jardins de Monet… é uma volta à história. Conheci uma Paris diferente, que se fez única ao lado dele.

 

Simples nas palavras, mestre no conhecimento.
João Braga é uma joia que guardo com muito carinho na lista dos meus luxos pessoais.

 

Termino com uma de suas frases preferidas: “e assim as coisa vão acontecendo…”
Depois de conhecer João Braga as coisas sempre acontecem…. Para melhor!

 


Abigail Costa é jornalista, faz MBA de Gestão de Luxo e escreve no Blog do Mílton Jung

Enviado via iPad

Livros para embalar as férias da gurizada

 

Seis livros estavam na mala dos meninos que se anteciparam e deixaram a cidade antes de mim para aproveitar as férias escolares. Faziam parte de uma lista recomendada pelos professores da escola após terem pedido, por conta própria, sugestões de leitura. Claro que fiquei orgulhoso da iniciativa deles e até mesmo surpreso com alguns dos títulos que escolheram. Aqui em casa estão quase sempre diante do computador, não necessariamente jogando, muitas vezes consumindo vídeos informativos, conversando com os amigos e, também, estudando. A beira do mar, onde aproveitarão os dias de descanso, preferiram investir na leitura. Neste momento, o mais novo tem em mãos o clássico 1984 de George Orwell, e o mais velho, O Retrato de Doran Gray de Oscar Wilde.

 

Citei, hoje, o exemplo deles durante conversa com Ethevaldo Siqueira, nosso comentarista no Mundo Digital, que falou sobre um site que oferece acesso público e gratuito a uma enorme lista de livros, áudios, vídeos e teses universitárias. Neste mês, o destaque é para as obras de Machado de Assis, que podem ser baixadas no seu computador e tablet. São mais de 200 mil títulos à disposição no serviço desenvolvido, desde 2004, pelo Ministério de Educação. Ethevaldou destacou que, infelizmente, o acesso ao site tem diminuído de forma considerável, dos 900 mil acessos que chegou a registrar, hoje não passam de 400 mil. Talvez o motivo seja a falta de publicidade, o que nos propusemos a fazer ao tratar do tema em um programa jornalístico de caráter nacional. Também pode ser pela falta de interesse na literatura.

 

Sou mais otimista e ao perceber o sucesso da Flip em Paraty, que se inicia nesta quarta-feira, e o interesse dos meninos nos livros em plenas férias, não temo em dizer: há esperança.

 

A propósito: o endereço do Site Domínio Público está aqui e sugiro que você envie para todos os seus amigos nas redes sociais.

Paraty … quantas saudades você me traz !

 

Por Julio Tannus

 

 

É parte da letra de uma música que cantávamos há muitos anos, décadas de 40/50, quando acordados víamos o sol nascer por detrás do mar alto em Paraty.

 

Ainda menino, vivia entre a cidade e a roça, com avô por parte de mãe fazendeiro, grande produtor de cachaça – as famosas Branca do Peroca e Azulada do Peroca – e avô por parte de pai sírio-libanês, principal negociante da cidade.

 

E aí chegam as lembranças. A leitura, o cinema aos domingos, a maré cheia limpando toda a cidade, a pescaria na noite de lua cheia, a cata de caranguejos no mangue quando roncava trovoada. Y otras cositas más!

 

A Leitura – além dos clássicos, lembro-me de versos e histórias contadas. Um provérbio “Quem compra o que não precisa, vende o que precisa”. Um ditado “Raposa na governança, não há frango em segurança”. Ao pé do ouvido: “Quem caminha descalço não deve plantar espinhos”; “A primeira ilusão do homem foi a chupeta”; “Nossas mentes são como paraquedas, só funcionam bem quando abertos”; “Quem não leva tombo não aprende a andar”. Não é a toa que a Flip – Festa Literária Internacional de Paraty tem tudo a ver com a cidade.

 

O Cinema – era a janela para o mundo. Sempre aos domingos, assistíamos ao noticiário pós-Segunda Grande Guerra, além é claro do Zorro, E o Vento Levou, Branca de Neve e os Sete Anões. O seu Pedro, dono do cinema, ficava na porta de saída auscultando a pulsação dos presentes para encomendar filmes que agradassem aos gostos de todos.

 

A Maré Cheia – a sabedoria dos portugueses construiu a cidade de tal maneira que a maré alta cobria as ruas da cidade, lavando-as e levando toda a sujeira para alto mar. Até que um prefeito chegou a conclusão que “Paraty não é nenhuma Veneza”, e então construiu um dique de pedras para acabar com “essa coisa absurda”. A maré continua firme e forte, mas o dito prefeito conseguiu transformar a saudável praia da cidade em um lago de sujeira.

 

A Pescaria – saíamos de canoa tarde da noite de lua cheia para a pesca com anzol. Os peixes eram tantos que o simples toque do remo emitindo sons levava peixes para dentro da canoa. No arrastão de rede na Praia do Sono experimentava as delícias de uma massagem inigualável: deitado na proa da canoa carregada de peixes vivos até a borda.

 

Os Caranguejos – eram a fonte de dinheiro para compra de picolés, marias-moles, bolas de gude, gibis e outras guloseimas mais.

 

E hoje vejo Paraty com seu caráter nuclear ainda presente, intocável, fazendo parte dessa nossa pós-modernidade. Foi lá que encontrei minha companheira de sempre, e em sua homenagem escrevi esses versos:

 

Uma Ode a Sonia amiga

 

Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza.
Você que alegrava meu silencio com seu olhar;
Você que tirava minha solidão com sua presença;
Você que conquistava meu coração com sua coragem;
Você que carregava a tristeza de tantos com sua sabedoria;
Você que iluminava a escuridão de todos com seu pensamento;
Você que diminuía a dor de muitos com sua generosidade;
Você perdeu seu corpo, mas ganhou o olhar de todos nós;
Oh! Sonia querida
Hoje não tem alegria, só tristeza…

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Escreve às terças-feiras, no Blog do Mílton Jung

Brasil potência econômica dá frutos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

D.O.M. é o quarto melhor restaurante do mundo. Façanha significativa para uma gastronomia jovem em comparação aos concorrentes, ícones da cozinha internacional com acervos seculares. Mérito de Atala, o combativo e criativo “Chef”, que tem apostado no país como potência cultural e econômica.

 

O reconhecimento internacional através dos mais variados rankings e premiações, embora discutíveis para alguns quanto a validade, são indiscutíveis quanto aos resultados mercadológicos que proporcionam. E, certamente, esta colocação obtida em Londres no The World’s 50 Best Restaurants seguirá a tendência, consolidando os “gritos, assobios e aplausos” descritos no Estadão de ontem, recebidos por Alex Atala ao subir ao palco.

 

Tudo indica que as marcas brasileiras começam a ganhar o desejado espaço perante o mundo civilizado em áreas até então inacessíveis. Setores diversos, produtivos e de serviços deverão usufruir desta força Brasil que ostenta um PIB entre as seis maiores potencias mundiais.

 

Foi assim em outras nações. O Japão foi respeitado culturalmente, pela gastronomia, pela moda, pelo cinema após o fortalecimento de sua economia. A Espanha também. A Zara é um dos exemplos, assim como a gastronomia espanhola passou a ser mais percebida e todos os demais setores culturais.

 

Chegou a nossa hora. O esforço que setores como o futebol, o musical, o agropecuário e marcas como H.Stern, Alpargatas e Natura tiveram que fazer para se transformar em respeitadas instituições brasileiras globalizadas poderão sinergizar o apelo Brasil de agora e preparar marcas nacionais potenciais para o desafio internacional.

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Mundo Corporativo: A cultura do seu negócio

 

A cultura das empresas está ligada ao comportamento dos seus gestores e funciona muito mais pelas ações do que pelas palavras, é a combinação de sistemas, processos e símbolos. Este foi o tema da entrevista de Timothy Altaffer, da Consultoria Axialent ao Mundo Corporativo da CBN. Nesta perspectiva, ele ressalta a importância do líder: “um líder consciente entende sua posição pautada em valores e tem comprometimento com os valores da empresa; no momento em que enxerga que o seu mundo não é único, que você pode aprender com o concorrente, você começa a agir no mercado de uma forma diferente” – disse na conversa que você assiste acessando o vídeo:

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, quartas-feiras, 11 horas, no site da Rádio CBN com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e e-mail milton@cbn.com.br. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: Marketing para consumir a cultura

 

O aprimoramento das leis de incentivo cultural pode oferecer maior diversidade de oferta e acesso às artes, permitindo que mais artistas tenham oportunidade de apresentar seu trabalho e o consumo neste mercado também aumente. A opinião é do professor da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ Manoel Marcondes Neto entrevistado do Mundo Corporativo da CBN. Com o tema “economia da cultura”, o programa discutiu caminhos para que o marketing cultura atenda as diferentes demandas do setor sem interferir na qualidade e conteúdo da obra. Manoel Marcondes Neto escreveu Lusia Angelete Ferreira, o livro “Economia da Cultura: contribuições para a construção do campo e histórico da gestão de organizações culturais no Brasil”.

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da CBN com participação dos ouvintes-internautas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br. A entrevista é reproduzida aos sábados, no Jornal da CBN

Foto-ouvinte: Os dois lados de São Paulo

 

Sala São Paulo

A visita a Sala São Paulo e estação Júlio Prestes rendeu boa foto e más lembranças ao ouvinte-internauta Eduardo Mucillo. Foi lá no fim de semana e ficou impressionado com o aspecto no entorno do local, onde a cultura se mistura à degradação:

O cheiro de urina por toda a praça e em frente da estação empestiava o local… fora o lixo espalhado pela rua como se há pouco tivesse acabado uma feira e, para piorar, centenas de andarilhos, isso mesmo centenas, espalhados pelas sarjetas consumindo o lixo e as drogas, pelos gestos provavelmente crack, como se nada pudesse detê-los.
E não pode!