Mundo Corporativo: Gustavo Narciso, do Instituto C&A, diz como os ativistas corporativos transformam empresas

“A gente traz pra pra lógica da empresa as discussões sociais a gente traz pra lógica da empresa as inquietudes da sociedade”.

Gustavo Narciso, C&A
Trabalho voluntário com empreendedorismo social Foto: divulgação C&A

Queria ser jornalista, os pais preferiam que fosse doutor, formou-se engenheiro bioquímico e, hoje, se apresenta como ativista corporativo, apesar de, formalmente, ser diretor-executivo do Instituo C&A. Gustavo Narciso, entrevistado do Mundo Corporativo da CBN, aproveitou-se de sua história de vida para ilustrar o tema central de nossa conversa: a importância da diversidade nas empresas. Sim, voltamos a esse assunto — que havia sido tratado na semana passada, com Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, e em outros episódios do programa —  devido a sua relevância e, como percebi em comentários deixados em publicações anteriores, da intolerância que é resistente.

Foi quando chegou à C&A, antes de assumir o cargo executivo no instituto, que Gustavo encontrou espaço para expressar sua identidade. Na consultoria em que atuava anteriormente era o único negro no escritório, situação que, segundo ele, causava estranheza, em especial diante dos clientes, pois não tinha o perfil que eles esperavam. Quando migrou para o setor de varejo, dividiu lugar com outros negros e, especialmente, foi quando se encorajou a assumir para seus pares de que era homossexual:

“Era uma outra questão que eu escondia. E gastava muita energia para esconder isso. Então, eu encontrei um ambiente um pouco mais inclusivo e  isso permitiu com que eu me desenvolvesse, com que eu criasse mais vínculo com as pessoas e isso fez com que minha carreira deslanchasse”.

A partir daquele momento, Gustavo conheceu outros ativistas corporativos que falavam sobre o tema da diversidade e inclusão no mercado de trabalho; e isso o inspirou a sugerir a criação do comitê de diversidade na C&A, o qual liderou, a partir de 2017. Uma de suas tarefas foi entender como conectar as discussões sociais e as inquietudes da sociedade com a dinâmica do negócio. Uma rede de varejo como a C&A atende cerca de 1 milhão de clientes diariamente, em todo o Brasil, portanto, perceber se a atenção oferecida a pessoas com deficiência está a altura da necessidade delas, se os consumidores são valorizados pela intenção de compra que têm ou se o respeito é igualitário no serviço prestado, têm um impacto enorme na sociedade. 

Uma das mudanças propostas por Gustavo foi redirecionar o trabalho voluntário que os cerca de 16 mil funcionários são incentivados a realizar — com dias de trabalho que podem ser dedicados a essas ações. Em lugar de atuar nos programas voltados à educação das crianças —- o que ocorria até então — decidiram focar no tema do empreendedorismo social para mulheres em situação de vulnerabilidade, aproveitando a expertise da C&A na área do varejo:

“Criamos uma oficina de costura no meio da Cracolândia, em São Paulo, com coletivo de mulheres dependentes químicas que produzem brindes corporativo e outros itens de moda, para gerar renda. Além disso, elas têm atendimento psicossocial com a intenção de tirá-las da situação de rua e da dependência química”.

Outra medida de impacto foi incentivar a moda autoral brasileira conectando empreendedores LGBTQIA+ e periféricos com o negócio da C&A e oferecendo espaço em seu marketplace, com isenção de taxas e contratos competitivos, dando-lhes acesso ao mercado de consumo. 

Mesmo que tenha encontrado um ambiente que lhe permitiu se expressar e se desenvolver profissionalmente, Gustavo diz que há muitos desafios a serem vencidos no tema da diversidade e inclusão dentro da C&A. Apesar de haver na empresa um número considerável de negros, ele é o único a ocupar cargo executivo. A ideia é incentivar novos líderes negros para assumirem outras áreas. Assim como proporcionar oportunidades a mulheres que atualmente estão em cargos de média gestão a ascenderem na hierarquia do grupo. Avançar na inclusão de pessoas transgêneras e com deficiência é o que Gilberto identifica como “desafio gigantesco”. 

No programa Mundo Corporativo, Gustavo Narciso trouxe outros exemplos de projetos em desenvolvimento no instituto visando a inclusão, abordou o conceito do aquilombamento e respondeu a dúvidas de ouvintes. Assista à entrevista completa:

O Mundo Corporativo tem a participação de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: Eduardo Migliano, da 99Jobs.com, quer capacitar até 10 mil jovens negros a cargos de liderança

“Quem de fato tem que atuar de forma mais efetiva são as pessoas brancas. Se você nunca se perguntou a respeito, comece a se perguntar; se você ainda não entende o motivo pelo qual esse é um tema, que ele é caro para a sociedade brasileira hoje, comece a se perguntar”.

Eduardo Migliano, 99Jobs.com

Mudar o mundo ajudando as pessoas brancas a fazerem o que amam. Imagine o escândalo que seria uma empresa adotar publicamente esse propósito. Pois foi essa proposta que Eduardo Migliano, empreendedor por criação e um ‘revolucionário’ por opção, fez aos colaboradores da plataforma de recursos humanos criada por ele e um sócio, em 2013. Após alguns anos de atuação e percebendo que o seu negócio pouco ajudava na colocação de negros no mercado de trabalho, Eduardo chamou toda a equipe e decidiu dar um chacoalhão na turma. 

Ao reescrever o propósito da empresa que até então era ‘mudar o mundo ajudando as pessoas (qualquer pessoa) a fazer o que amam’, Eduardo conseguiu seu objetivo. Abrir o olho do seu time para o papel que estava se prestando ao não atuar de forma proativa para ajudar pessoas negras a se desenvolverem profissionalmente. A partir desse movimento, ideias surgiram e medidas transformadoras foram adotadas.

No programa Mundo Corporativo da CBN, Eduardo Migliano, CEO e cofundador da jobs99.com (não confunda com a 99 que transporta passageiros), lembrou que foi a plataforma quem atuou ao lado do Magazine Luiza no recrutamento exclusivo de jovens negros, em 2020 — programa que teve enorme repercussão e causou muitas críticas de setores conservadores da sociedade brasileira. Prova de que a luta anti-racista é árdua. 

Eduardo apresentou, durante a entrevista, o novo projeto que a 99Jobs.com está engajada: promover 3 mil jovens negros a cargos de liderança, até 2030. Para isso, está no ar com o programa ’10.000 Trainees Negros’, que tem como objetivo capacitar os talentos negros em temas como racismo estrutural e democracia racial assim como em gestão e tecnologia. Faz parte de parceria firmada com a ONU na qual a plataforma brasileira de recursos humanos se transforma em embaixadora do Pacto Global das Nações Unidas no Movimento Raça é Prioridade.

Diante de tudo que você leu até aqui, era de se esperar que Eduardo Migliano fosse um líder negro atuando em defesa dos próprios negros. Quando você der uma espiada no vídeo da entrevista do Mundo Corporativo perceberá que não é bem assim. Eduardo é apenas um líder que decidiu transgredir a ordem e usar dos privilégios que teve na vida para criar oportunidade àqueles que tendem a ‘desaparecer’ no mercado de trabalho. Uma missão que, segundo ele, tem de ser assumida pelos brancos.

“Quando a gente olha para as organizações a gente vê apenas um público crescendo. É só você entrar na Faria Lima ou em qualquer rua que seja um polo empresarial e ver quem está entrando pela porta da frente. Essas pessoas têm uma cor. Isso está errado. Quando a gente fala de Brasil, 56% das pessoas são negras e pardas”.

Uma preocupação no programa desenvolvido é que os negros não sirvam apenas para ocupar cargos de liderança, por exemplo, na área de diversidade e inclusão —- sem nenhum desprezo a essa área, chamada de ‘biodegradável’ por Eduardo. Há necessidade que eles sejam capacitados para atuar em todos os setores da empresa. Eduardo explica que o risco que se tem é que um negro que ocupe uma função na área de marketing acabe sendo deslocado para a de diversidade — e a vaga anterior dele seja preenchida por um branco. 

“A gente provoca é para que as pessoas negras de alguma forma coloquem em seus contratos de entrada nas organizações que quando ela sair dessas cadeiras a pessoa que vai sentar no lugar dela também vai ser uma pessoa negra porque assim você vai trazendo legado”.

Para saber como participar do programa de desenvolvimento profissional de jovens negros, entender a importância de você se engajar nessa luta e aprender um pouco mais sobre os benefícios que as empresas e a sociedade têm a partir da ampliação das vagas para o público negro e pardo, assista à entrevista completa com Eduardo Migliano, CEO da 99Jobs,com.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Raquel Scherer, da Melissa, fala do desafio de ser sustentável em uma fábrica de calçados de plástico

“A experiência sempre está em primeiro lugar. É isso que faz um cliente voltar. É isso que faz um cliente se encantar”. 

Raquel Scherer, Melissa

O encantamento que os calçados de plástico da Melissa provoca nas consumidoras é reconhecido internacionalmente e foi construído ao longo de quatro décadas. Os desafios, porém, não se encerraram na conquista de um público fiel que vê na marca um estilo de vida e é mais do que consumidor, é um embaixador. Precisamos lembrar que a sociedade é dinâmica e temas que no passado não estavam no foco das pessoas, tornaram-se essenciais. A sustentabilidade é um deles —- uma pauta que influencia decisões de compra e poderia ser uma barreira para quem tem o plástico como matéria prima. 

Na entrevista com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, no Mundo Corporativo da CBN, feita às vésperas do início da COP-27, no Egito, falamos de como a fabricante de calçados da Grendene se adaptou às novas exigências. Ela explicou que a jornada de sustentabilidade do grupo se iniciou há cerca de 15 anos com uma série de ações, muitas das quais passaram a ser informada para o público em geral, efetivamente, em 2019: 

“A Grendene sempre foi uma empresa que se preocupou muito em ser para depois parecer. Desde 2019, mais concretamente, a Melissa tem falado muito sobre o tema de sustentabilidade para o consumidor final. E a gente tem alguns pilares que regem nossa caminhada na sustentabilidade. O primeiro deles é a logística reversa”.

Raquel contou que todos os ‘Clubes Melissa’ — como a fabricante chama suas lojas — são pontos de recolhimento de produtos onde os consumidores podem entregar seus calçados. Existem dois caminhos para esse material recebido nos cerca de 350 coletores disponíveis: voltar para a fábrica para compor um novo calçado ou ser entregue a recicladores homologados. 

Pesquisar e usar fontes renováveis como material são alternativas consideradas pelo fabricante. Segundo Raquel, a Melissa tem investido no uso de plástico de matéria-prima vegetal e um exemplo é o lançamento da linha ‘Possession’, ícone da marca, que chega ao mercado a base de PVC oriundo da cana-de-açúcar. O modelo Sun, de 2021, por sua vez, usa até 20% de material de origem vegetal, como a casca de arroz. Considerando a capacidade de produção da Grendene  — e da Melissa, especificamente — esses movimentos precisarão ser alavancados nos próximos anos para que a marca não sofra os impactos da forte pressão que já existe por parte do consumidor e de diversas instituições que atuam em defesa do meio ambiente.

A imposição para que a marca atenda o tripé ESG —da gestão ambiental, social e de governança — aumenta a medida que a Melissa se internacionaliza. Ao chegar nos mercados dos Estados Unidos, Europa e Ásia, a fabricante de calçados se viu obrigada a acelerar seus planos na área de sustentabilidade. Apesar disso, Raquel entende que esse movimento ocorreu de forma natural, porque a empresa já vinha se preparando para atender essas demandas. 

A gerente geral da Melissa destacou, ainda, as ações relacionadas à diversidade  e à inclusão que, segundo ela, são um diferencial competitivo pois trazem diferentes visões de mundo para dentro da empresa e proporcionam iniciativas mais criativas. Apesar de não haver metas estabelecidas para contemplar gênero, raça e faixa etária, Raquel diz que é muito claro aos gestores, no momento da contratação, que é preciso pensar em times diversos.

Uma das maneiras de proporcionar o desenvolvimento de seus profissionais é a participação deles na “Universidade Grendene” que oferece uma plataforma de cursos, desde treinamentos específicos para cada área até a formação de novos líderes. Raquel ressalta que, neste momento, a empresa está incorporando a gestão das franquias, até então responsabilidade de um parceiro externo, o que a levará a ampliar sua equipe até fevereiro do ano que vem. Interessados, podem procurar as vagas no Linkedin da Grendene.

Assista à entrevista completa com Raquel Scherer, gerente geral da Melissa, que fala, também, de como a fabricante de calçados conseguiu criar uma legião de fãs e transformar suas lojas em ponto de convivência dos consumidores:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscilla Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: tenha prioridades e mantenha os “copinhos” cheios para crescer profissionalmente, recomenda Ligia Buonamici, da Liz Lingerie

foto divulgação

“A gente precisa, na nossa cabeça, determinar as prioridades. Aquilo que te faz bem. A gente precisa aprender a ter um autoconhecimento e saber, realmente, olhar para dentro de você”  

Ligia Buonamici, empresária

Entre os sonhos e as realizações existe um oceano —- parafraseando aqui dito italiano que busca revelar a distância que separa ações de intenções. Para a empresária Ligia Buonamici, CEO da Liz Lingerie, isso não era um problema, mesmo que, no início, a ideia fosse construir uma escola de línguas. O ramo da educação foi deixado de lado, mesmo após a busca de especialização nos Estados Unidos, quando decidiu morar em Fortaleza com um namorado. Lá a oportunidade que surgiu foi em uma fábrica de lingerie — setor que a conquistou e no qual atua há mais de 30 anos.

O conhecimento e o gosto por língua estrangeira não foram em vão. Na fábrica de lingerie, Ligia era responsável, entre outras atividades, a apresentar as coleções para comitivas de americanos, além de ter contato com negociadores de outros países — ela domina com fluência cinco línguas. Em seguida migrou para a área de desenvolvimento de produtos, o que a obrigou a retornar à sala de aula:

“Eu me apaixonei (pelo setor) e tive que estudar tudo de novo. Eu me aprofundei bastante em todos os assuntos que envolviam desde o desenvolvimento do produto até a entrega desse produto na mão da consumidora. Foi aí que me encantei pelo marketing, pelo comercial”

A escolha por uma empresa de médio porte, na época, foi consciente. Segundo Ligia, havia o desejo de buscar desafios intelectuais e, ao mesmo tempo, crescer rapidamente. Empresas desse tamanho, de acordo com a empresária, tendem a oferecer essas possibilidades:

“Eu poderia no momento criar o meu negócio ou ir para uma multinacional. Às vezes, em um negócio pequeno, sem muito capital, você acaba tendo uma realização, sim, mas uma um desafio intelectual menor — e isso era uma questão muito forte para mim. Em uma multinacional, você tem esse desafio intelectual, mas geralmente os planos de carreiras  são mais alongados”.

O tema do conhecimento aparece em vários momentos da nossa conversa no Mundo Corporativo. Ao ser convidada para dar sugestões aos profissionais que pensam em se desenvolver na carreira e estarem preparados para os diversos desafios que surgem, Ligia lembra da imagem que mantém em um quadro na sua empresa, onde estão três copinhos: o do conhecimento, o das atitudes e o dos valores. É preciso mantê-los cheios o tempo todo.

O conhecimento precisa ser atualizado a todo instante. Para ela, um bom sinal de que esse “copinho” está se esvaziando é quando passamos a repetir com muita frequência a expressão “no meu tempo”. Cuidado! Por mais que a maturidade seja uma referência importante, é preciso estar sintonizado com os tempos atuais. 

As atitudes devem ser lapidadas a todo momento. E Ligia usa sua própria experiência para mostrar que é possível fazer mudanças. Disse que era uma pessoa muito agressiva e intensa no trabalho e, atualmente, consegue ouvir mais, considerar os feedbacks e ser mais permeável. Uma transformação que a fez crescer como ser humano.

Os valores são intrínsecos. E quando fala em valores, se refere a responsabilidade, honestidade e ética. Para Ligia, esses são mais difíceis de serem moldados porque estão no seu âmago.

“Preste atenção nos copinhos. Faça a análise dos seus copinhos, diariamente ou semanalmente.  E procure sempre fazer o que você gosta, o que você ama. Porque levantar todo o dia, passar horas fazendo alguma coisa que não te traze um prazer, uma emoção, não é a melhor forma de você viver a sua vida”.

Assista à entrevista completa com Ligia Buonamici, CEO da Liz Lingerie, onde também falamos da importância de se investir em diversidade, da projeção que as mulheres estão conquistando no mercado de trabalho, do desfio de se sobreviver à intensa transformação digital, além de um alerta para que se tenha uma vida mais saudável no ambiente de trabalho:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Mundo Corporativo: Beatriz Sairafi, da Accenture, mostra as vantagens que a chegada da geração 50+ traz às empresas e aos jovens

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“A liderança é a primeira que precisa abrir as portas. Não adianta a gente fazer isso num cantinho da organização. Tem que ter de fato apoio e,  muitas vezes, você começa com um grupo de pessoas apoiando e depois os outros se contagiam e a agenda avança” 

Beatriz Sairafi, Accenture

Um administrador, com 63 anos, que fez toda sua carreira na área ambiental e, desde 2017, estava fora do mercado de trabalho. Uma advogada que, aos 54, já havia dedicado parte de sua vida profissional a uma multinacional e estava desempregada há dois anos. Dois exemplos de pessoas que, mesmo estando desempregadas e tendo passado dos 50 anos, tiveram talento e conhecimento reconhecidos pelo programa de diversidade geracional implantado pela Accenture, no Brasil. Os dois, assim como cerca de 130 colaboradores com mais de 50 anos, foram contratados durante a pandemia. Ao apostar na maturidade profissional, a empresa de consultoria e tecnologia, de atuação global, deu segmento às políticas afirmativas que começaram há 15 anos, e já abriram as portas para mulheres, deficientes, negros e pessoas LGBTQIA+. 

Beatriz Sairafi, diretora de Recursos Humanos da Accenture, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, explicou que a decisão de investir na diversidade surgiu quando se percebeu que eram diversos, também, os públicos com os quais a empresa trabalhava:

“Nós atendemos e trabalhamos com vários segmentos de clientes, no setor financeiro, de consumo, de varejo, de saúde, de  recursos naturais. Imagina a diversidade de clientes que o nosso negócio atende. E para isso eu preciso ter de fato pessoas diversas. Se eu não tiver pessoas que realmente tem uma especialidade diferente da outra, a gente não vai conseguir fazer o melhor pelos nossos clientes”. 

A despeito de Beatriz ser do setor de Recursos Humanos, ela explica que a agenda de transformação das empresas não depende do RH, tem de ser uma agenda dos líderes porque, além de fazer parte de um planejamento de longo prazo, é necessário uma mudança ampla na cultura corporativa e isso só acontecerá diante de gestores humanizados e engajados nas mudanças. Esse movimento não se resume a abrir vagas, exige ambientes apropriados, profissionais abertos ao novo e diverso e uma comunicação efetiva entre os setores: 

“Somos uma organização em que 60% são milênios, 20% são ‘centênios’. E a gente falou: ‘puxa vida, será que o grupo mais jovem vai apoiar’.  Nossa. super apoiou e teve muito orgulho de fazer parte de uma jornada de transformação para o mercado e não só para nós”.

E, convenhamos, não haveria porque não apoiar. Profissionais conscientes tendem a perceber rapidamente as vantagens que a convivência geracional proporciona para toda a equipe de trabalho:

“Muitas vezes falta uma experiência técnica, mas a maturidade emocional e as competências pessoais; já terem vivido e passando por tanta coisa, faz com que em uma situação que parece urgente, a pessoa fala: ‘não, calma!’. Isso traz maturidade emocional e uma perspectiva de vida, uma experiência complementar aos jovens. É uma troca muito rica, onde todos têm aprendido um com o outro. E a gente ainda tem muito a explorar essa relação”.

O programa de incentivo aos profissionais 50+ seguiu modelo semelhante aos implantados em anos anteriores para outros segmentos: começa pelo recrutamento; identificação de líderes influenciadores, que são chamados de sponsors (ou patrocinadores);  formação de comitês com pessoas que se voluntariam a trabalhar com o tema; diálogo permanente para ouvir as necessidades; capacitação dos profissionais contratados; e, finalmente, aplicação de métricas para identificar de forma precisa os resultados alcançados. 

Para Beatriz, entender as demandas dos públicos que se pretende alcançar é fundamental para que se tenha o engajamento dos colaboradores:

“Então, a gente percebe que o índice de engajamento cresce muito quando as pessoas simplesmente podem ser quem elas são, porque não dá para você contribuir com o seu melhor e dar o seu melhor também para a empresa, com as suas ideias, com o seu talento, com toda a sua bagagem, se você tiver que entrar no script. Se você tiver que não falar algumas coisas porque pode ser mal interpretado”. 

Engajamento que fica evidente na fala de nossa entrevistada quando provocada a tratar da atuação dela dentro da empresa, onde consegue, a partir de seu trabalho, alcançar seus propósitos. Dentre eles, o interesse em fazer a diferença e construir um mundo melhor:

“A gente tem uma responsabilidade muito grande de mudar o nosso entorno. Acho que esse essa é uma missão minha mas de RH como um todo”.

Para entender como é possível levar essa discussão e implantar programas em favor da diversidade dentro da empresa em que você atua, vale a pena assistir à entrevista completa do Mundo Corporativo, com Beatriz Sairafi, da Accenture:

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Ricardo Triana, do PMI, apresenta 6 megatendências que vão impactar o planejamento do seu negócio e da sua carreira

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“Projetos são tão fundamentais na vida que é melhor preparar a que tenha conhecimento e habilidade para que se faça as coisas acontecerem e não fique apenas na ideia”

Ricardo Triana, PMI

Por acreditar na ideia de que qualquer coisa que acontece, acontece através de projetos e para que as coisas aconteçam de forma efetiva precisamos estar preparados, pesquisadores do PMI — Project Management Institute identificaram seis megatendências que impactam o futuro dos negócios. De acordo com Ricardo Triana, diretor-geral do instituto que reúne gestores de projetos do mundo todo, olhar os negócios, os investimentos e a preparação dos profissionais, a partir dos resultados dessa pesquisa, permitirá que organizações públicas e privadas reajam melhor diante dos desafios que surgirão no mercado.

“… coisas como a nuances demográfica ou a crise climática — você pode estar preparado ou não —, mas isso vai impactar a forma como você decide seus investimentos, como você prepara seu pessoal e atrai talentos”.

A seguir, listo as seis megatendências apresentadas pelo PMI com comentários que o Ricardo Triana fez durante entrevista ao Mundo Corporativo.

Disrupção digital — “é prioritário entender como Inteligência Artificial, como o Machine Learning,  etc, como essas coisas vão acontecer aqui. E não estou falando em entrar em web, não estou falando em criar um aplicativo. Estou falando de criar esse novo ecossistema de  trabalho e entender como funciona, porque não é o problema de definir algo que vai acontecer em dois anos, vai ser agora”.

Crise climática — “80% das empresas (no Brasil) usam material reciclável, quando normalmente, no mundo, a média é 67%; mas isso só não muda a crise climática. Você tem de começar a dizer, quando estou fazendo um investimento, quando estou fazendo uma planta, quando estou fazendo um projeto, como eu estou apoiando a redução da crise climática”.

Movimentos civis, cívicos e de igualdade — “85% das organizações estão acelerando seus programas de diversidade porque já perceberam que têm de fazer alguma coisa e isso não aconteceu por acaso, aconteceu porque existe uma pressão da sociedade para fazer isso … Quando (as pessoas) não são escutadas, existe uma pressão que impacta a economia”. 

Mudanças demográficas — “… temos mais pessoas velinhas que ficaram no trabalho e também temos mais jovens que estão entrando no mercado de trabalho. Temos que procurar como fazer que eles estejam compartilhando, sendo efetivos, transferindo o conhecimento, ter certeza de que esse conhecimento que as pessoas que têm mais experiência, mais anos na organização não está se perdendo. 

Escassez de mão de obra — “ … porque isso (mudanças demográficas)  também tem muito a ver com a escassez de mão de obra, porque quanto mais as pessoas ficam no mercado, maior a possibilidade de elas começarem a procurar outras oportunidades. Se não fizerem a transferência efetiva de conhecimento, se não estivermos preparando os jovens para darem resultando no dia um e não esperando por um plano de crescimento, de treinamento, etc, não serão efetivos os resultados”.

Mudanças econômicas — “Dos maiores medos que temos na América Latina, em particular no Brasil, é a economia … Um dos setores mais impactados (na pandemia) foi o de manufatura porque a cadeia de suprimentos foi impactada … 15% dos fabricantes de alguma peça de celular, tecnologia, etc, tiveram que interromper sua produção. O que você deveria estar pensando é como eu me preparo para que isso aconteça sem perder a globalização”.

Para se aprofundar em cada uma dessas megatendência e refletir melhor sobre como podemos estar preparados e planejar nossos próximos passos, na organização e na própria carreira profissional, assista à entrevista completa com Ricardo Triana ao Mundo Corporativo e aproveite as informações que estão disponíveis no site do PMI.

O Mundo Corporativo tem produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Cláudia Pombal, da DaVita, diz que diversidade tem de estar na cultura da empresa

Imagem reproduzida da @DavIta, no Twitter

“Cultura vai muito além do que a gente bota numa parede, do que a gente faz no discurso. Cultura são os hábitos, são os costumes do dia a dia que nos levam a ter essa realidade”

Cláudia Pombal, DaVita

A diversidade no ambiente corporativo tem de ser legítima e genuína. Mais mulheres entre os colaboradores não é suficiente para que se tornem reais os benefícios que a pluralidade de visões pode trazer. É preciso que isso faça parte da cultura organizacional e tenha o engajamento dos líderes da empresa. É o que Cláudia Pombal, diretora de Recursos Humanos da DaVita Tratamento Renal, defendeu em entrevista ao programa Mundo Corporativo:

“A empresa tem de estimular que a mulher tenha esse protagonismo no ambiente de trabalho, bem como a mulher também tem de entender o seu valor e se colocar, também, nesse lugar. É uma combinação do ambiente ser favorável e a atitude das mulheres”.

A DaVita tem cerca de seis mil colaboradores e 70% são mulheres, muitas em postos de liderança — um facilitador nessa conta é o fato de atuar no setor da saúde em que as funções de enfermagem e auxiliar de enfermagem tradicionalmente são exercidas por mulheres. O grupo nasceu nos Estados Unidos há 20 anos e chegou ao Brasil em 2015, onde mantém 91 operações com presença em clínicas de diálise e hospitais. Por aqui, há um processo de expansão que se acelerou nos dois últimos anos, com 43 aquisições, em 2020 e 2021.

Para enfrentar a pandemia, a empresa teve de conviver com experiências diferentes ao mesmo tempo, pois se funcionários de áreas administrativas migraram para o trabalho remoto, os que atendem os pacientes tiveram de se manter na linha de frente. Houve maior demanda de serviços, o que obrigou a  DaVita a contratar em ritmo acelerado. Cláudia conta que em um dos períodos da pandemia, foram contratados 150 funcionários em apenas 15 dias. Uma das ações desenvolvidas pelo grupo foi a criação de auxílio psicológico para colaboradores e familiares.  Houve, ainda, maior preocupação com o engajamento das equipes, aprofundamento do olhar sobre as particularidades de cada uma das operações e um aprendizado intenso quanto a exigência de todos serem mais flexíveis, diante das mudanças de cenários.

“A pandemia veio para falar: tudo que você tem como crença é muito legal, te trouxe até aqui, mas não te leva para o próximo passo. Então, repensa e repensa rápido, e reconstrói muitas coisas no caminho”.

Cláudia é economista de formação e apesar de gostar muito de números se apaixonou mesmo foi por cuidar de pessoas e, por isso, logo cedo buscou conhecimento no setor de RH e foi convidada para atuar nesta área:

“Eu sou muito feliz e muito realizada. É um caminho incrível. Você aprende muito todo dia, é desafiada a lidar com gente e é algo que não tem fórmula, não tem receita”.

Assista à entrevista de Cláudia Pombal, ao Mundo Corporativo:

Colaboram com o programa: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Lídia Abdalla, do Grupo Sabin, destaca a riqueza da diversidade nas empresas

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“Quanto mais a gente tiver um time diverso mais a gente vai ter uma empresa com diferentes visões, diferentes experiências. E isso tem um diferencial competitivo para os negócios”

Lídia Abdalla, Grupo Sabin

Diversidade gera mais diversidade. É a conclusão que se chega ao se observar a história do Grupo Sabin, que atua no segmento de medicina diagnóstica desde 1984, quando foi fundado por duas empresárias. Para ter ideia, a instituição hoje tem uma mulher na cadeira de presidente e 74% dos postos de liderança ocupados por mulheres. Do total de 6,3 mil colaboradores, 77% são mulheres. A presidente Lídia Abdalla, que está no cargo desde 2014, ensina que o investimento em equipes heterogêneas do ponto de vista de gênero, etnia e geracional, o respeito às diferenças e o reconhecimento da capacidade de cada um são a principal estratégia para o engajamento dos colaboradores.

“Ficam buscando resposta para “como eu engajo meu time, como o deixo motivado”. Eu digo, deixa as pessoas serem da forma que são e respeite-as de verdade. Isso produz o engajamento das pessoas, um senso de dono do negócio que é impressionante”.

Lídia Abdalla, entrevistada do programa Mundo Corporativo, diz que, além do maior engajamento dos funcionários, por perceberem o respeito que a empresa tem com eles,  o investimento em diversidade também gera uma riqueza maior no debate no momento em que se está em busca do desenvolvimento de novos serviços e produtos.

A executiva traz exemplos da carreira dela para ilustrar como pessoas que se sentem respeitadas têm a tendência de crescer profissionalmente, investindo no seu conhecimento. Entrou na empresa assim que se formou como farmacêutica bioquímica, em 1999. De trainee a presidente, desenvolveu-se em áreas técnicas e gerenciais, fez MBA em gestão de empresas e cursos de finanças corporativas, por exemplo. Com a segurança oferecida pelo grupo, investiu na carreira sem abrir de seus desejos pessoais:

“As minhas escolhas podem ser feitas sem eu ter que abrir mão da minha carreira; sem eu ter que abrir mão, também, de estar buscando conhecimento, especialização e desempenho .O desempenho na nossa atividade como profissional pode, sim, ser conciliado com as nossas escolhas pessoais, também”.

O Grupo Sabin está em 12 estados brasileiros, mais o Distrito Federal, onde foi fundado. Atende a 68 cidades em 318 unidades e tem mais de 6,5 milhões de clientes. Além de contar com a criatividade das equipes internas, que Lídia entende ser resultado da diversidade de gênero, etnia e geracional, mantém um programa de investimento em startups, que permite ter acesso às novidades no seu setor de atuação. 

“A gente é um grande investidor de startups sempre pensando em desenvolver novas soluções para os nossos negócios e também estimulando esse ecossistema de inovação, no Brasil. Há um grande desafio que também é um grande investimento nosso que é a qualificação no desenvolvimento dos nossos profissionais para estarem atentos e acompanhando toda essa evolução tecnológica”.

Assista à entrevista completa de Líder Abdalla ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: mulheres, negros e LGBTQIA+ têm de se apropriar do conhecimento, diz Adriana Carvalho da ONG Generation

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“Para resolver esse problema a gente tem que melhorar desde o ensino básico, das construções sociais, mas a gente precisa dar chance real para quem já tá formado ou já tá aí ou já tá em idade de trabalhar, de se apropriar desse conhecimento”.

Adriana Carvalho, Generation Brasil

Este 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. No planejamento das entrevistas do Mundo Corporativo, nossa agenda coincidiu com o calendário nacional que reserva datas para destacar a luta de pessoas que sofrem discriminação, são desrespeitadas e têm seu potencial esquecido pela sociedade. Neste sábado, levamos ao ar entrevista com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation, instituição internacional que, há três anos, atua no Brasil, com a intenção de qualificar quem vive em situação de vulnerabilidade: jovens, negros, pardos, mulheres e, sim, pessoas LGBTQIA+.

Disse que foi uma coincidência. Mas não que foi uma surpresa. Já que temáticas relacionadas a essa multiplicidade de gêneros não são raras no Mundo Corporativo. Tornou-se um propósito nosso pautar entrevistas que ofereçam soluções para que a diversidade se transforme em realidade no ambiente de trabalho. Nesse sentido, é interessante conhecer a metodologia desenvolvida pela Generation que mapeia as necessidades das empresas e cria cursos voltados para pessoas em vulnerabilidade que possam prepará-los para as vagas disponíveis:

“A gente começa sempre falando com o mercado. Então, a gente vai criar o curso entendendo o que é necessário para aquela pessoa ir naquela posição de entrada, e não só na parte técnica, mas na parte comportamental, também. Nas habilidades socioemocionais”.  

Adriana Carvalho diz que a ideia é desenvolver cursos no setor de tecnologia da informação porque os empregos que têm surgido estão nessa área. Enquanto milhares de vagas desaparecem no mundo todo, empresas buscam e muitas vezes não encontram profissionais de TI. 

“84% das pessoas formadas conosco estão trabalhando hoje”

Por ser um setor bastante dominado por homens, uma das metas da Generation é ter até 50% das vagas dos cursos ocupadas por mulheres, e 60% de não brancos – por enquanto esses percentuais estão em 40% e 55%, respectivamente. Quanto a orientação sexual, Adriana calcula que cerca de 25% das pessoas que estão sendo capacitadas são da comunidade LGBTQIA+.

A despeito de todas as dificuldades que o tema da diversidade enfrenta, Adriana percebe mudanças consideráveis nas empresas no sentido de se tornarem mais plurais. Lembra que há cinco anos, iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas com a ONU Mulheres tinha a adesão de 50 empresas, hoje são mais de 500; o Fórum de Empresas LGBTQIA+ saltou neste período de 20 para 120 empresas; e a Rede de Inclusão Social Pelo Trabalho das Pessoas com Deficiência está com mais de 100 empresas.

“A gente muitas das empresas multinacionais e grandes empresas brasileiras nessa pauta e cada vez procurando mais a gente .. mas a minha

provocação é que para mudar esse Brasil ,onde 94% dos empregos estão nas pequenas e nas médias, precisamos de muito mais empresas apoiando essa causa”.

E aí vai um ponto importante no trabalho da Generation: da mesma forma que se dedica a capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade, capacita as empresas a receberem essas pessoas. 

“É fundamental que essa iniciativa seja olhada de uma maneira mais ampla. Que a empresa faça um diagnóstico de como está a sua força de trabalho; de como está a sua cultura, que  trace indicadores, metas; que olhe a contratação dessas pessoas nessa perspectiva maior. Assegure que elas não são ‘café com leite’; não estão sendo contratadas para ficar ali de canto. Que elas vão ter realmente um plano de desenvolvimento”

A diversidade vai influenciar no serviço e no produto oferecido pela empresa de várias formas, explica Adriana. Seja na funcionalidade de um celular seja no desenho de um carro seja na solução tecnológica que será oferecida. Por exemplo, se a empresa tem majoritariamente homens, brancos, que vivem em áreas urbanas de classe média e alta, tende a oferecer respostas para as demandas que estão no seu meio e desperdiçam as oportunidades que existem em locais e experiências que desconhecem. 

“É um ganha-ganha. É bom para as empresas. É bom para as pessoas. É bom para a sociedade”.

Entre aqui para saber como se beneficiar dos projetos da ONG Generation Brasil.

Assista à entrevista completa com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Conte Sua História de São Paulo: “tenho a cor negra no sangue que a pele não mostra”

Rodrigo G. Tomaz

Ouvinte da CBN

foto do autor

Amarelo, preto, vermelho, branco. 

Sua foto o que diz? 

Meu pai foi negrinho engraxate, minha avó preta empregada, a mãe dela escrava, e Zé Índio meu vô.

Tenho cor clara pra quem olha, mas melanina não define quem sou.

Sou ítalo africano brasileiro americano. 

Sou cidadão do mundo, tenho um pouco de tudo.

Já fui menino de rua, do mato, da loja, da escola, agora da Califórnia. 

Tenho uma história mulata que minha aparência sonega. 

Sou o mesmo que eles, aqueles julgados por fora. 

Injustiça que mata. 

Mas foi mais fácil pra mim. 

Subir os vidros do carro, esconder os pertences, sentir o medo no olhar. 

Já estive dos dois lados, se assustar e ser julgado, mas qualquer roupa me muda de patamar.

Posso ser rico, ser pobre, bem vestido ou rasgado. 

Sou apenas o que decido ser.

Tenho a cor negra no sangue, que a pele não mostra.

Mas a vida é injusta, e foi mais fácil pra mim.

Sou igual mas diferente. E é bem mais fácil pra mim.

Eu nunca fui presidente, atleta de elite, ou guitarrista dos bons. Não fui artista famoso, escritor respeitado, ou então pensador. 

Por que eu seria superior? 

Eu sou melhor em quê? 

Se tem um vírus que mata, bota o lenço na cara. 

No espelho o que vê?

A cor do pano te muda?

Você se sente mais forte, mais esperto, mais nobre? 

A cor muda você? 

Se tapamos o rosto, se olhamos no olho, não somos todos iguais?

Você se acha distinto, mas é melhor em quê? 

Rodrigo Tomaz é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br. Para ouvir outros capítulos da nossa cidade, visite agora o meu blog miltonjung.com.br e assine o podcast do Conte Sua História de São Paulo.