Keynes: é melhor conhecer o cara

 

Por Carlos Magno Gibrail

Keynes é um fenômeno. Não é herói contemporâneo. Nem artista, nem esportista. É economista, mas é mais acessado no Google do que Leonardo di Caprio.

Keynes anda infernizando a vida de muita gente O governador texano Rick Perry ficou tão irritado com a presença incômoda que interrompeu um debate republicano para informar aos adversários que Keynes, afinal, estava morto.

Estas notas contidas no artigo de Silvya Nasar, dias atrás no New York Times e publicadas em Visão Global no Estado, traduzem a ressência de Keynes no panorama atual.

John Maynard Keynes nasceu e faleceu na Inglaterra em 1883 e 1946 respectivamente. Economista e otimista defendeu a intervenção do Estado na busca pelo pleno emprego. Considerou que o ciclo econômico não é auto regulado e, portanto, as teorias clássicas precisariam ser revistas.

Keynes consolidou a sua teoria no livro “Teoria geral do emprego do juro e da moeda”.

“A teoria atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário mínimo, do seguro-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e a assistência médica gratuita. O Keynesianismo ficou conhecido também como “Estado de bem-estar social”. Wikipédia

A atualidade keynesiana foi marcante na ultima crise econômica mundial, quando a maioria das nações, encabeçada pelos Estados Unidos de Obama seguiram a sua cartilha. Hoje, ainda com a Europa em discussões frenéticas, assombradas pelos gregos, nada de Aristóteles, Sócrates e Cia.

Lord Keynes, o britânico, é o “cara”.

Como se não bastasse ter brilhado na vida profissional, o inglês de Cambridge foi diferenciado na vida pessoal. Participou do Grupo de Bloomsbury, onde intelectuais como a ensaísta Virginia Woolf, o pintor Duncan Grant e o escritor Lytton Strachey deram margens a controvérsias pelas posições e ações.

Lord Keynes esteve envolvido com Duncan Grant que conheceu em 1908 e, também, com o escritor Lytton Strachey, antes de se apaixonar e casar com a bailarina russa Lydia Lopokova no ano de 1925. Ela engravidou em 1927, mas a gestação não vingou.

Keynes não deixou filhos, mas sua obra está viva, para perturbar republicanos e neoliberais.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras.

Franquias: começar e multiplicar

 

Por Carlos Magno Gibrail

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Hoje, a partir das 13hs, temos em São Paulo, a abertura da maior feira de franquia da América Latina, e a segunda do mundo. É a ABF Franchising EXPO 2011.

É um tema relevante pelos aspectos econômicos, sociais e culturais envolvidos, na medida em que as características do brasileiro como mão de obra empreendedora tem mostrado apetite e aptidão para o sistema de franquias. Como franqueador ou franqueado.

Fatores, que somados ao atual crescimento da economia nacional, aliadas ainda a identificação de problemas na empregabilidade da mão de obra mais qualificada, valorizam sobremaneira a possibilidade das franquias.

Os dados refletem este panorama, pois os 76 bilhões de reais de 2010 correspondem a um crescimento de 20% sobre o ano anterior. Das 600 redes existentes em 2001 passamos para 1.855 e de 51.000 unidades chegamos a 86.355. O número de empregados foi de 459.000 em 2001 para 777.285 em 2010. Estas cifras nos colocam em 6º lugar no mundo como unidades franqueadas e em 4º como franqueadores.

A expansão do sistema tem apresentado estratificação que reflete uma concentração nos estados mais cosmopolitas. São Paulo abriga 56% das sedes franqueadores, o Rio 13% e Paraná 7%, enquanto as unidades distribuem-se 37% em São Paulo, 12% no Rio e 8% em Minas Gerais.

De acordo com Filomena Garcia, entrevistada pelo jornalista Mílton Jung no Mundo Corporativo, as franquias no Brasil amadureceram e hoje é excelente a opção de investimento e realização profissional.

Realmente, a experiência acumulada dos últimos anos sinaliza que vivenciamos as condições ideais para franqueados e franqueadores. A maturação é retratada pelo menor crescimento de novas marcas, 264 em 2009 para 212 em 2010, contrapondo ao maior número de novas unidades.

Para os franqueados, o espírito e o talento empreendedor são condições favoráveis, excetuando apenas os excessos de cuidado ou de empreendedorismo. Os cuidadosos em demasia devem continuar como empregados e os muito criativos devem criar suas próprias marcas.

Para ser franqueador é necessário ter marca claramente posicionada, planejamento estratégico, conhecimento do mercado, profunda informação sobre o consumidor alvo e plano de negócios para si e para as unidades a serem franqueadas. E, acima de tudo, ter vocação e disposição para ensinar e treinar os novos parceiros.

Aos 420 franqueadores presentes na feira e aos milhares de potenciais franqueados que estarão participando, abre-se novamente o ciclo do desenvolvimento empreendedor. Começar e multiplicar.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung


A foto neste post é do álbum digital de Rufino Uribe, no Flickr

O que Palocci, Teixeira, Kahn e Trier têm em comum

 

Por Carlos Magno Gibrail

O traço mais evidente entre todos é o poder, que, conscientemente, usam e abusam. Cada um em sua área de atuação. Política, Futebol, Economia e Cinema.

Suspeitos, arrogantes, tiranos e competentes encontram agora o questionamento, embora tardio, bastante oportuno.

Lars Von Trier, o cineasta, em Cannes foi expulso do festival e teve seu filme desclassificado, embora tivesse tentado explicar-se, atribuindo sua declaração de admiração à Hitler pela provocação que tinha recebido.

O presidenciável francês, economista Dominique Strauss Kahn, celebridade do FMI, depois de assédios inclusive a européias esclarecidas, foi encontrar numa camareira imigrante uma denúncia de estupro que o levou à prisão em New York.

Ricardo Teixeira, mandatário longevo da CBF, incólume a CPIs graças à bancada da bola, invulnerável a pesadas acusações de coronelismo e corrupção, se defronta com denúncias sérias de dirigentes do futebol inglês. Dá-se ao luxo de soberanamente se recusar a responder.

Antonio Palocci, médico, ex-coordenador de caixa de campanha política, ex-ministro da Fazenda, atual Chefe da Casa Civil da Presidenta Dilma Rouseff, ganha 20 milhões em 1 ano, dos quais metade em dois meses entre o término da eleição e o inicio do atual cargo, e se recusa a dar explicação. O governo que serve, o serve; e ministros e governadores peso pesados e em peso o defendem:

Ministro da Justiça – José Eduardo Cardozo: “Palavras ao vento”.

O presidente nacional do PT – Rui Falcão, e os governadores petistas Tião Viana, Jacques Wagner, Agnelo Queiroz, Tarso Genro e Marcelo Déda: “O único fato é o faturamento da empresa por um ano”.

Ex-Chefe da Casa Civil – José Dirceu: “Mais uma crise forjada”.

Como podemos verificar, dos quatro citados, apenas os dois brasileiros não foram punidos, embora as suspeitas sejam tão forte quanto aquelas de Kahn e Trier.

Entretanto, o que mais desponta e desaponta é que estamos num sistema em que o brasileiro comum cada vez mais precisa estar dentro da lei, quanto mais distante do poder estiver. A inadimplência mesmo curta pode custar corte de luz, água, telefone, internet e, até mesmo, retenção de carro em estrada à sorte de uma carona. Ou qualquer restrição de crédito pode gerar seqüestro de contas bancárias. As grandes corporações, públicas e privadas, através de eficientes lobbies tem conseguido sistemas de blindagem de seus patrimônios. E justamente este fenômeno contemporâneo que é o lobby é o móvel principal do caso Palocci.

Causa e efeito, preceito e conceito, Palocci bem exemplifica a disfunção lobista. Não temos dúvida, Palocci deve explicação e o lobby a regulamentação.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mantega no País das Maravilhas

 

Por Frederico Mesnik

Certa vez, nos tempos em que ainda era permitido, voltei em um vôo da Varig dentro da cabine do piloto. Perguntei de tudo, mas o que me chamou a atenção foi a aparente sensação de descontração entre os pilotos. Falavam de tudo, menos do vôo. De vez em quando, pelo canto do olho monitoravam algum instrumento, mas nada que justificasse algum ajuste. “Estamos em piloto automático”, justificou o comandante. “Voamos em céu de brigadeiro, sem nuvens carregadas à frente e nosso próximo check-point está a 2.000 milhas”, complementou o co-piloto que percebera minha inquietação sob o oceano a 33 mil pés em total escuridão.

O fato é que nesta situação o avião voa tranquilamente em piloto-automático, mas é durante uma turbulência, uma mudança de rota, ou a necessidade de alguma manobra que o piloto mostra seu talento; do futebol ao painel de controle em milissegundos dos fatos às decisões na fração necessária para colocar a aeronave de volta ao prumo.

Durante anos surfamos as ondas da prosperidade, dos ventos a favor, do céu de brigadeiro, e o Brasil decolou no piloto automático. Vieram as nuvens bem carregadas de 2008 com rajadas fortes, fechamos os flaps e subimos à altitude para novo cruzeiro. E agora, precisamos aterrissar de forma suave, com combustível baixo, pouca visibilidade e ventos que empurram a aeronave rumo ao chão. Porém, o piloto ainda age como se pilotasse um planador.

Nos meus mais de 20 anos de mercado financeiro, não me lembro de um momento tão delicado, com tantas situações interligadas prestes a estourar. Sinto-me como o Mário Bros® na primeira versão do Donkey Kong® em que o gorila frenético, atira do topo de um prédio, barris em direção ao pobre encanador que luta com veemência para desviar das ameaças rumo ao cume e salvar sua princesa.

O mundo, na nossa analogia, o valente Mário, luta para crescer e conquistar um crescimento sustentável de longo prazo. Porém, a cada minuto surgem novos barris e nosso gorila não hesita em atirá-los, com intuito de desaprumar a economia global da expansão. Do problema da impagável dívida soberana dos países periféricos do bloco europeu, dos levantes no Oriente Médio, terremoto no Japão, desemprego nos países desenvolvidos e inflação à alta incessante dos produtos agrícolas, o mundo vai caminhando para desviar com destreza das ameaças ao seu crescimento.

E o governo brasileiro, parte deste imbróglio, vai tocando seu dia a dia, em clara negação dos riscos inflacionários, com medidas isoladas sem efeito, desafiando o mercado e afugentando investidores estrangeiros. Como se houvesse certa esperança de que no final, tudo dá certo, de que Deus nasceu aqui. Enquanto isso, os índices de inflação vão rompendo o teto da meta estabelecida pelo Banco Central e o governo, assiste nas arquibancadas a confiança do consumidor, esvaindo-se.

O jogo é o mesmo, mas o nível de dificuldade é muito maior com mais barris para acertar a cabeça do bravo Mário. Porém, independentemente do barril, cada um individualmente tem o poder de descarrilar o mundo da sua rota de recuperação de crescimento da pior crise financeira desde a Grande Depressão.

O mundo está em um momento complicado e os mercados refletem esta falta de visibilidade. A inflação corre solta e nossos líderes globais vão tomando medidas isoladas, sem coordenação alguma num mundo globalizado e interligado, em que um ato do lado de lá afeta o lado de cá, quase sempre de forma instantânea. Pelo jeito algum barril ainda vai acertar nosso pobre Mário antes que ele adquira a destreza para enfrentar os obstáculos à frente e salvar sua princesa amada.

Por aqui, o governo já disse que não cumpre a meta em 2011, mas sim em 2012. O ponto não é o número em si, mas a perda de credibilidade num momento de tantas dúvidas.

Credibilidade traz investimentos de longo prazo e consumo. Um aumento substancial das expectativas inflacionárias afugenta tanto o capital de longo prazo como o consumidor, ambos os alicerces essenciais para nosso crescimento. Infelizmente, parece que a economia brasileira vai piorar antes de voltar ao seu prumo. A incoerência matemática de querer controlar a valorização do real ao mesmo tempo em que se tenta domar a inflação por meio do aumento de juros, mostra a falta de coordenação e excesso de confiança que rege nossa Fazenda e Banco Central.

Fica difícil ser um otimista num mundo tão conturbado em que os preços dos alimentos e da principal fonte de energia estão em patamares elevados e sem perspectiva de alívio num horizonte visível. O cenário é delicado e precisamos ser muito seletivos nos nossos investimentos. Não há como ficar imune às volatilidades inerentes da falta de visibilidade.

Nos dias de hoje vamos gerir como pregam os textos clássicos do Tai Chi Chuan:

Vencer o movimento através da quietude (Yi Jing Zhi Dong)
Vencer a dureza através da suavidade (Yi Rou Ke Gang)
Vencer o rápido através do lento (Yi Man Sheng Kuai)

E com isso, vamos colher os frutos da paciência e da perseverança naquilo que conhecemos e acreditamos. O dinheiro sempre persegue os bons investimentos e sabemos que conforme nossas empresas forem divulgando seus resultados vamos nos beneficiar. Há liquidez abundante de capitais no mundo e o Brasil tem grandes oportunidades.

Isso, se o governo não atrapalhar.

Frederico Mesnik é gestor de recursos, mestre em Administração de Empresas pela London Business School, especialização em Finanças pela Universidade de Chigago, GSB, e escreve no Blog do Mílton Jung

Política acima da inflação

 

Por Carlos Magno Gibrail

Dim Dim!

A inflação é hoje o prato do dia, para a mídia e para os agentes econômicos. Também pudera, ameaça toda a economia brasileira que vem fortalecida desde 1994, quando se estabeleceu as regras que controlaram a emissão de moeda.

E a ameaça vem mais pelos dirigentes do que pelos agentes, na medida em que os aumentos de impostos e os gastos do governo não foram controlados.

As chances de evitar a inflação de forma correta não são fáceis, pois os governos buscam objetivos pessoais, usando aumento de impostos e de gastos, enquanto os meios de comunicação, ou por interesses também pessoais ou por falta de competência técnica, não conseguem fortes e efetivas sugestões para a solução.

É um cenário que repete sistematicamente a questão do aumento da taxa de juros, opção preferida pelos governos nestes 16 anos, que como sabemos é o mesmo que dar remédio para baixar a febre sem buscar a causa, dado os resultados obtidos.

Clovis Rossi, na FOLHA de domingo, comenta que em maio de 2003 resumiu estudo do FMI enviado pelo leitor Jacques Dezelin, onde mostra que em 1.323 casos de 119 países entre 1982/98 a inflação caiu com ou sem aumento da taxa de juros em 62% dos 476 casos examinados. Em apenas 50% de 398 situações a inflação caiu após o aumento de juros.

E Rossi arremata: “conto tudo isso para dizer que não há ciência nas críticas ao BC por ter aumentado 0,25% a taxa de juros, em vez do 0,50% exigido pelos mercados. Ninguém pode decretar o efeito que terá o 0,25% ou que teria o 0,50%”.

Expondo estes fatos ao Professor Economista Nelson Barrizzelli, FEA USP, e solicitando análise e sugestões, ouvi:

“Com uma dívida pública já acima de 1,75 trilhões de reais, e crescendo diariamente, uma taxa de juros de 12% ao ano atrativo ao capital estrangeiro, um constante aumento do gasto de custeio para cobrir despesas, a solução não é o aumento da taxa de juros, mais atrativa do que empreender. Afinal 12% ao ano sem risco, superam a aventura de ser empresário”.

“Só o aumento na taxa Selic da semana passada (0,25%) acarretará este ano despesas adicionais de juros de R$ 4,37 bilhões, número nada desprezível para um país onde educação, saúde pública e infra-estrutura estão sucateadas. Aumentar os juros para conter a inflação gerada por um governo perdulário que gasta desbragadamente com o custeio de uma máquina pública emperrada e ineficiente, é o mesmo que receitar analgésico para curar o câncer. A dor pode ser menor por pouco tempo, mas a doença acaba matando o paciente”.

“A solução é o governo respeitar a base da teoria econômica não aumentando impostos e gastar o que se arrecada. Para controlar a execução é necessária uma imprensa sem necessidade de concessão governamental e sem medo de ferir ou perder fontes de informações. É preciso também discernir de economistas notáveis que estejam envolvidos no sistema, como manipuladores ou como operadores”.

Rossi e Barrizzelli colocam uma luz necessária no momento econômico nacional, neste momento em que vimos presenciando muitas críticas e poucas soluções.

Bom sinal, que jornalistas econômicos e economistas políticos poderiam fortalecer.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung


A imagem deste post é do álbum digital de Carlos Eduardo, no Flickr

Existe Moda Brasileira?

 

Por Carlos Magno Gibrail

Álbum de figurinhas da moda brasileira

“Sim, a Moda Brasileira é aquela produzida no Brasil”.

Resposta dada por Alexandre Herchcovitch, um dos estilistas brasileiros com prestígio internacional num seminário há alguns anos.

A intenção da pergunta era evidentemente provocativa, no sentindo de questionar a importância dos criadores nacionais no âmbito global.

De lá até cá, o avanço dos estilistas e das marcas nacionais, que não foi pouco, não mudou a assertiva da resposta de Alexandre.

Sob o aspecto da criação de moda é inquietante, mas evidente que a ascensão mundial dos estilistas está ligada ao poder econômico do país de origem. Assim foi com os japoneses, que deslumbraram Paris na década de 80 com uma nova perspectiva, orientada pelas formas geométricas e linhas do tecido, contraponto ao ocidente, obsessivo em mostrar o corpo. Ainda nos anos 70, Kenzo foi o primeiro a abrir espaço em Paris, e na década seguinte surgiram Yohji Yamamoto, Issey Miyake e Rei Kawakubo (Comme dês Garçons).

De outro lado, as engrenagens do sistema econômico da moda não têm permitido ao Brasil desempenho equivalente ao da economia nacional. Menos pela existência de organizações e marcas competentes, que já são relevantes e mais pelas condições do comércio internacional, com youan desvalorizado e impostos nacionais excessivos.

É uma situação tão mais preocupante quanto se adentra aos reais benefícios do setor de confecção, altamente intensivo de mão de obra propiciando até mesmo trabalho domiciliar com inegável e invejável função social, ao mesmo tempo em que apresenta baixo investimento na criação de postos de trabalho.

O amadurecimento do SPFW e demais eventos de moda certamente contribuirão para as mudanças necessárias ao setor. O espaço aberto para a discussão da Moda precisa ser mantido para evitar que os chineses venham buscar aqui “negócios da China”.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

NB: Nas imagens da esquerda para a direita, de cima para baixo: Pedro Lourenço, Denner, Amir Slama, Walter Rodrigues, Glória Coelho, Alexandre Herchcovitch e Clodovil

Ganhos privados em lugares públicos

 

Por Carlos Magno Gibrail

O rendimento mensal médio no emprego público é hoje de R$ 2.494,00, enquanto no privado é de R$ 1.323,00, uma diferença de 188%.

Lula herdou de FHC 156% e manteve, aproximadamente, esta diferença entre público e privado no primeiro mandato, mas a partir de 2006 acentuou o “gap” chegando até os 188% de hoje.

Estes dados obtidos do IBGE e do Ministério do Planejamento balizaram os jornalistas Gustavo Patu e Pedro Soares em reportagem na Folha, onde chamam a atenção pela acentuada tendência do aumento salarial e do crescimento de contingente no setor público.

Ao mesmo tempo, o jornalista Fernando Dantas no Estado informa que a terceirização de mão de obra cresceu 85% de 2006 a 2009 de acordo com o TCU.

Estes crescimentos de gastos foram sustentados pelo desempenho econômico que manteve a gestão Lula dentro da Lei de Responsabilidade Fiscal, pois o PIB brasileiro , 8º do mundo, avaliza gastos e crescimento.

E gera dispersões e distorções, pois de um lado tal posição da atividade econômica deveria possibilitar remuneração do trabalho privado maior do que a pública. De outro lado, o serviço público poderia ter dado mostras de melhoria, na medida em que oferecendo rendimentos maiores teria maior capacidade e eficiência administrativa.

É por isso que apenas na economia somos 8º do mundo, pois em educação, saúde, habitação, transportes e demais indicadores como IDH, GINI, etc estamos distantes das boas posições.

É por isso também, que é de espantar que diante de desafios tão instigantes, política e políticos fiquem com assuntos privados (aborto, Deus, reajustes corporativos) em funções públicas.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas, no Blog do Mílton Jung

A imagem deste post é do álbum digital de Mateus Waechter no Flickr

Desemprego ganha Nobel

 

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Por Carlos Magno Gibrail


À sabedoria da natureza, que demonstra em seus sistemas que a cura do mal pode ser feita pelo próprio mal, alia-se agora o Prêmio Nobel de Economia.

O Modelo DMP de Peter Diamond do MIT, de Dale Mortensen da Northwestern University e de Christopher Pissarides da London School of Economics, desenvolveu a teoria econômica que apontou a flexibilização do mercado de trabalho para estimular e melhorar a geração de empregos. Isto é, facilitar as demissões irá facilitar as admissões, principalmente se o desemprego não for estimulado com auxílios duradouros.

É um prato e tanto para ser saboreado por Dilma e Serra neste momento de obscurantismo em que o debate presidencial está se encaminhando.
Um pouco amargo talvez para o senador republicano Richard Shelby que impediu a nomeação de Peter Diamond para o FED Federal Reserve, feita por Obama.

O presidente americano certamente buscou Diamond para um dos sete postos do conselho de diretores do Fed e de seu Comitê Federal, que define as taxas básicas de juros, influenciando a atividade econômica e a inflação, porque já sabia o que o economista Paulo Krugman escreveu em sua coluna no The New York Times sobre o trabalho de Diamond: “Trabalho fundamental sobre todo o tema da relação entre o desemprego e a taxa de emprego”.

Uma das conclusões dos premiados do Nobel, é que o mercado de trabalho não funciona como o de produtos, pois oferta e procura não atuam como no caso clássico. Não se encontram na mesma velocidade e com os mesmos custos. Não se amolda também da mesma forma, pois os trabalhadores não estão dispostos a baixar salários na mesma medida que os produtos. Além disso, a mão de obra está sujeita a desmotivação e quando se reemprega pode não desempenhar o suficiente para preencher a necessidade da função.

Na Europa, John Van Reenen, chefe de Pissarides na London School, relata que “ele demonstrou que as regulações do mercado de trabalho, as barreiras ao ingresso no mercado de novas empresas de serviços, as políticas fiscais e previdenciárias afetam as disparidades do emprego em todo o mundo”.
Pissarides defendeu normas mais flexíveis a serem implantadas na Europa e ganhou. Mas não levou, pois segundo Van Reenen: “Essas normas se baseiam nos princípios econômicos corretos, mas que as maiores barreiras à sua implementação decorrem da ausência de vontade política”.

O jornalista econômico Philip Inman do The Guardian reproduzido no Estadão de ontem, discorda: “Esses princípios econômicos “corretos” foram abandonados porque afetam os eleitores comuns”.

A observação importante para os BRICS é que ficam mais fáceis mudanças em início de desenvolvimento do que com estruturas antigas estabelecidas. É uma área em que temos chance de ficar em melhor posição que Rússia, Índia e China. Ou vamos continuar discutindo crenças e normas religiosas?

Obs. A Dinamarca (veja artigo de 17/12/08) comprova a possibilidade da flexibilização.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas no Blog do Mílton Jung

Imagem de Timothy Vogel do álbum digigital no Flickr

“Em lugar de estádio, zerar creches”, diz Nossa São Paulo

 

O paulistano está consciente de que a cidade não pode entrar em uma aventura para sediar jogos e abertura da Copa 2014. A opinião é do coordenador geral do Movimento Nossa São Paulo, empresário Oded Grajew, que considera este comportamento um avanço importante da sociedade. Ele lembra que fosse há alguns anos estaríamos defendendo o Mundial a qualquer custo.

Para realizar quatro ou cinco jogos que se faça no Morumbi reformado, comentou. Sugere que em lugar de se colocar dinheiro público na construção de estádios, a prefeitura invista, por exemplo, nas metas com as quais se comprometeu através da criação da Agenda 2012.

“Em lugar de estádio, melhor zerar creches”, citou ao lembrar a promessa da prefeitura de atender 100% das crianças de até 3 anos cadastradas para vagas em creches municipais, até o fim da atual administração. Estariam faltando 40 mil vagas ainda.

Quanto aos investimentos que a capital paulista poderia obter em função da Copa, Oded Grajew entende que a cidade não teria prejuízos. Para ele, o dinheiro a ser aplicado em obras de infra-estrutura terá de vir independentemente dos eventos que São Paulo sediar. Ampliação de aeroportos, sistema de transporte melhor, crescimento dos serviços de saneamento e extensão das redes de comunicação são fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Vuvuzela não cala decepção de trabalhador africano

 

Trabalhador na África do Sul

O estádio Moses Mabhida, em Durban, reuniu na noite de domingo duas verdades desta Copa da África do Sul: o espetáculo do futebol e o escândalo da desigualdade social. Os milionários jogadores da Alemanha já haviam deixado os vestiários de volta para a concentração, após a goleada por 4 a 0 contra a Austrália, quando estourou o confronto entre policiais e centenas de trabalhadores que prestam serviço no local.

Os funcionários protestavam contra o pagamento que consideram insuficiente para a função que realizam. Reclamavam terem recebido ofertas de salário que chegariam a R 1,500 mas não levaram mais de R 190. Em bom português: em vez de R$ 350 por dia, ganharam R$ 45.

Poucos dias antes do início dos jogos, o analista do jornal sul-africano Business Report Terry Bell alertava que os sindicatos e trabalhadores não identificam nenhum favorecimento para os movimentos sociais vindos da Copa e da Fifa. Enquanto a organizadora dos jogos garantia o maior lucro possível para si, eximia-se de qualquer responsabilidade em relação aos direitos trabalhistas advindos de contratações relacionadas a Copa.

Um dos líderes de sindicato que reúne trabalhadores de empresas de energia elétrica Lesiba Seshoka acusou a concessionária de emperrar as negociações por aumento salarial com o objetivo de jogar a opinião pública contra os funcionários, pois estes, supostamente, estariam interessados em prejudicar a realização da competição. “Não podemos adiar a fome para os nossos filhos”, comentou em um jornal que eu lia na praça procurada por milhares de turistas na hora do almoço, em Cidade do Cabo.

Aqui mesmo, em conversas com funcionários, nas áreas de prestação de serviço, é possível identificar outros motivos para a indignação. Muitas das vagas criadas para atendimento do público durante a Copa foram ocupadas por trabalhadores que chegaram dos demais países do continente. Calcula-se que 30% delas estão servindo a pessoas que se deslocaram desde Angola, Gana, Moçambique, entre outros.

Boa parte dos empregos que surgiram na onda dos jogos é temporária e informal. Ou seja, desaparecerá assim que o capitão da seleção vencedora levantar o caneco.

Nem o entusiasmo das vuvuzelas menos ainda a violência do gás lacrimogênio e das balas de borracha – jogados sobre os trabalhadores que participaram do protesto de domingo – serão suficientes para encobrir a frustração desta gente que acreditou no “espetáculo” do futebol.