Keynes: é melhor conhecer o cara

 

Por Carlos Magno Gibrail

Keynes é um fenômeno. Não é herói contemporâneo. Nem artista, nem esportista. É economista, mas é mais acessado no Google do que Leonardo di Caprio.

Keynes anda infernizando a vida de muita gente O governador texano Rick Perry ficou tão irritado com a presença incômoda que interrompeu um debate republicano para informar aos adversários que Keynes, afinal, estava morto.

Estas notas contidas no artigo de Silvya Nasar, dias atrás no New York Times e publicadas em Visão Global no Estado, traduzem a ressência de Keynes no panorama atual.

John Maynard Keynes nasceu e faleceu na Inglaterra em 1883 e 1946 respectivamente. Economista e otimista defendeu a intervenção do Estado na busca pelo pleno emprego. Considerou que o ciclo econômico não é auto regulado e, portanto, as teorias clássicas precisariam ser revistas.

Keynes consolidou a sua teoria no livro “Teoria geral do emprego do juro e da moeda”.

“A teoria atribuiu ao Estado o direito e o dever de conceder benefícios sociais que garantam à população um padrão mínimo de vida como a criação do salário mínimo, do seguro-desemprego, da redução da jornada de trabalho (que então superava 12 horas diárias) e a assistência médica gratuita. O Keynesianismo ficou conhecido também como “Estado de bem-estar social”. Wikipédia

A atualidade keynesiana foi marcante na ultima crise econômica mundial, quando a maioria das nações, encabeçada pelos Estados Unidos de Obama seguiram a sua cartilha. Hoje, ainda com a Europa em discussões frenéticas, assombradas pelos gregos, nada de Aristóteles, Sócrates e Cia.

Lord Keynes, o britânico, é o “cara”.

Como se não bastasse ter brilhado na vida profissional, o inglês de Cambridge foi diferenciado na vida pessoal. Participou do Grupo de Bloomsbury, onde intelectuais como a ensaísta Virginia Woolf, o pintor Duncan Grant e o escritor Lytton Strachey deram margens a controvérsias pelas posições e ações.

Lord Keynes esteve envolvido com Duncan Grant que conheceu em 1908 e, também, com o escritor Lytton Strachey, antes de se apaixonar e casar com a bailarina russa Lydia Lopokova no ano de 1925. Ela engravidou em 1927, mas a gestação não vingou.

Keynes não deixou filhos, mas sua obra está viva, para perturbar republicanos e neoliberais.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung às quartas-feiras.

3 comentários sobre “Keynes: é melhor conhecer o cara

  1. Bom dia Carlos,
    Outro dia, via Facebook, rebati o comentário e foto de um vereador de SP que no dia mundial sem carro, teve a idéia de “testar o corredor de ônibus da 9 de Julho”. Quando lhe perguntei se aquele “exemplo”era para ser esperado nos demais dias do ano, a resposta veio sob forma de um outro comentário onde ele explicava da impossibilidade de cumprir uma agenda de até cinco compromissos em lugares diferentes da cidade “usando somente transporte público”.
    Neste pequeno episódio está a natureza do consenso de Washington em oposição ao pensamento de Keynes. O enfraquecimento dos Estados Nacionais em detrimento da liberdade do Capital( dinheiro). Um vereador é alem de legislador, um fiscalizador. Ele tem a atribuição legal de fiscalizar e punir os responsáveis pelo mau serviço público. Mas nem vereadores nem deputados usam o serviço público, usam no entanto o erário para deslocarem-se pela cidade e fazer de tudo menos fiscalizar e punir. Não existe uma única punição nem para este estado nem para este município que justifiquem agendas tão exóticas.
    Deixando mais claro, o voto já vem sistematicamente perdendo força para o dinheiro. Faz tempo que as eleições trazem listas fechadas e referendadas pelos financiadores de campanhas enquanto ainda nem começamos a discutir sobre o fechamento oficial das listas, vozes famosas, bradam contra elas….Mas se elas já existem! Por que não dão nomes aos ‘fechadores’? Vai entender, rs.
    Pra terminar. A face mais penosa deste movimento perverso mostra-se na transferência do bem público para a iniciativa privada. Como isso é feito ? Falindo e propagandeando a incapacidade e obsolescência do Estado. A desculpa é de que o povo não sabe o que é melhor para si, não sabe votar e não tem como administrar o que pagou para que existisse. Talvez o povo não tenha ainda a noção do seu poder mas já é obrigando a pagar a conta da especulação. E paga! Os fiscais, nem sabem o que está acontecendo. Andam ocupados demais com suas agendas.

  2. Carlos, desculpe minha desatenção ao dizer no primeiro parágrafo do meu comentário, “em detrimento”, quando deveria ter dito exatamente o contrario, “em favor”, conforme descreve o documentário sobre um dos maiores intelectuais brasileiros, Milton Santos, depois do 1 minuto e meio desta porção que compartilho.

    Abraços, Sérgio.

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