A Jovem Rainha Vitória: para entender a Era Vitoriana

 


Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA
“A Jovem Rainha Vitória”
Um filme de Jean Marc Vallè
Gênero: biografia/histórico.
País:EUA

 

Biografia da Rainha Vitória da Inglaterra, em sua juventude.

 

Por que ver
Amo filmes biográficos. Este, além de muito bem filmado, coerente e fiel aos fatos, conta a linda história de amor entre dois monarcas: Vitória e Albert.

 

Interessante saber como seria a vida de uma princesa e rainha… Confesso que achei ser uma vida bastante chata… O filme é repleto de detalhes do dia a dia de um nobre.

 

Amei especificamente este filme pois desde pequena sonhava em ser princesa (pude ver que a realidade não é muito um conto de fadas, rsrsrsrs), uma vez fui para Disney, e estava chorando porque tinha brigado com minha irmã. Minha mãe falou: “Gabriela, o príncipe pode estar disfarçado aqui na Disney e se ele te vir chorando não vai querer casar com você”… Imediatamente sequei minhas lágrimas e ameacei minha irmã com toda convicção do mundo: “quando eu for princesa e morar no castelo, vou convidar todo mundo para ir lá, menos você. Você não servirá nem para Aia!”… Tiraninha, não!

 

Curiosidades
Fui checar se o filme era uma reinterpretação da realidade ou se era fidedigno e achei algumas curiosidades…

 

Já Rainha, logo após sua primeira noite com Albert, Vitória escreveu em seu diário:

NUNCA, NUNCA passei uma noite assim!!! O MEU QUERIDO, QUERIDO, QUERIDO Alberto (…) o seu grande amor e afecto fizeram-me sentir num paraíso de amor e felicidade que nunca pensei alguma vez sentir! Segurou-me nos seus braços e beijamo-nos uma e outra e outra vez! A sua beleza, a sua doçura e gentileza – como posso agradecer vezes suficientes ter um marido assim! (…) ser chamada por nomes ternurentos, que nunca me chamaram antes – foi uma benção inacreditável! Oh! Este foi o dia mais feliz da minha vida!”

Foram muito apaixonados um pelo outro, trabalharam intensamente juntos em prol da Inglaterra, e logo que ele morreu, aos 42 anos de idade, a Rainha nunca mais tirou o luto, vestindo preto por uma vida…

 

O seu reinado de 63 anos e 7 meses foi o mais longo, até aquela data, da história do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana. Foi um período de mudança industrial, cultural, política, científica e militar no Reino Unido.

 

Quando não ver
Se você também sonhou em ser princesa e não quer desistir tão cedo! Afinal, o Harry está solteiro!!! (muitos risos)

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve sobre filmes no Blog do Mílton Jung.

Mesmo morto, imagem de Cecil resiste e se transforma em símbolo de campanha contra a caça de leões

 

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Temos de matar um leão por dia é o que dizemos com frequência em analogia a tarefa árdua que enfrentamos para sobreviver na selva urbana. A forte concorrência, a disputa pelo cliente e as negociações complexas – todas essas dificuldades no cenário corporativo que conhecemos muito bem – se somam a necessidade de mantermos relações humanas saudáveis e preservamos a qualidade de vida, nossa e dos mais próximos. Os últimos acontecimento, porém, sinalizam que talvez esteja na hora de mudarmos a expressão, também, pois, ultimamente, matar leões tem se transformado em um risco à reputação de muita gente.

 

A vítima mais recente – e me refiro a reputação – foi o dentista americano Walter Palmer que tem na caça um dos seus hobbies (consta que atacar mulheres, também, estava entre suas preferências). No Zimbábue, ele e um grupo de adeptos da modalidade seduziram um leão a abandonar a área de proteção para em seguida atingi-lo com uma flecha e deixá-lo agonizando até a morte, em ação que teria se estendido por 40 horas. Antes de decapitá-lo e esfoliá-lo, tiveram o cuidado de arrancar o GPS implantado no animal na tentativa de expor o troféu sem revelar o crime.

 

A estratégia não funcionou. O leão morto não era um leão qualquer: era Cecil, considerado símbolo no Zimbábue e reconhecido pela forma dócil com a qual dividia o santuário dos animais com turistas e fotógrafos. Em pouco tempo, a notícia se espalhou no país, ganhou o continente e chegou a todas as partes do mundo, provocando uma onda de protestos.

 

Palmer, como se não tivesse consciência do crime que realizou, já pediu desculpas em gesto que, tenho impressão, não convenceu ninguém. Se os erros cometidos por ele anteriormente – já havia sido pego em caça ilegal e denunciando por assédio sexual – não tinham sido suficientes para atingir sua imagem, desta vez a reputação dele foi fatalmente ferida e vai agonizar da mesma maneira que Cecil.

 

Com sua flechada, o dentista americano (ou seria ex-dentista?) atingiu o coração de muitas pessoas, algumas que, talvez, jamais tenham refletido sobre a forma brutal como a caça é realizada. Hoje, por exemplo, já se mobiliza autoridades nos Estados Unidos e na Europa com o objetivo de que se aprove leis que proíbam a importação desses animais que, mortos, têm suas cabeças transformadas em troféus. O alvo da medida são as centenas de caçadores americanos e europeus que viajam especialmente para países na África e pagam fortunas para se divertirem com a morte de leões e outros animais exóticos. E aqui vale ressaltar essa diferença básica: não se caça por sobrevivência como no passado nem para se alimentar populações; a caça é uma diversão para essas famílias.

 

Quero acreditar que Cecil, até então um desconhecido para a maioria de nós, tenha tido sua vida sacrificada para se eternizar no nosso imaginário como o animal que teve força e carisma capazes de transformar o olhar da humanidade em relação a caça.

 

Acesse e assine a petição que tenta proteger os leões e animais exóticos dos caçadores

Whiplash: a música é para os fortes!

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Whiplash”
Um filme de Damien Chazelle
Gênero: Drama
País: USA

 

Um rapaz de 19 anos busca a perfeição como músico. Um professor, mais insuportável do que inspirador, lhe provoca a ponto de enlouquecê-lo.

 

Por que ver:
O filme, apesar de não ter um final(ódio!), é fantástico. Não espere assistir a algo no estilo “Fame” ou algum musical mamão com açúcar, ok?! Este filme não é para fracos.

 

Como ver:
Está tristinho/a porque você tem um professor que pega no seu pezinho, tá? Então vai assistir e pare de ser coxinha, combinado?

 

Quando não ver:
Se você pretende seguir carreira na música e quer estudar nos EUA… Pode ser um tanto desanimador!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Com o sapato errado, no lugar errado, mas com a camisa certa

 

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Confesso que foi a camisa do Grêmio, vestida pelo rapaz que faz pose diante da Baia de Guanabara, que primeiro me chamou atenção na reportagem publicada no site da NPR – a rede de rádios públicas dos Estados Unidos, que ouço quase que diariamente pelo aplicativo no meu celular. O interesse tricolor me levou, porém, para uma história bastante curiosa protagonizada pelo estudante Robert Snyder, que faz doutorado em epidemiologia, na Universidade da California, e esteve por seis vezes no Brasil, algumas para se divertir e outras para pesquisar como doenças afetam algumas das comunidades mais pobres.

 

Entrevistado pela jornalista Linda Poon, que relata histórias de vida que mudam o mundo, Snyder lembra do dia em que estava no lugar errado, na hora errada e, descobriu mais tarde, com o sapato errado. Ele conta que foi assaltado por um casal de crianças durante passeio domingo à noite, no Rio de Janeiro, que o ameaçou com uma faca e levou carteira, dinheiro e celular. Foi ao posto de polícia mais próximo, mas pediram para ele atravessar a cidade onde havia uma delegacia especializada em turistas, onde ouviu a recomendação de uma policial que o atendeu: “na próxima vez dá um soco na cara dele”.

 

O que mais impressionou o estudante americano, porém, foi o motivo que o teria tornado alvo dos assaltantes: o calçado. Descobriu que para ter um pouco mais de tranquilidade nos passeios deveria usar as tradicionais sandálias Havaianas em lugar do seu tamanco de plástico Birkenstock: quando você não está vestindo uma Havaiana, especialmente no Rio, as pessoas logo sabem que você não é de lá – disse à repórter. O mais irônico é que ao ser assaltado, Snyder contribuiu para as estatísticas que fazem parte de sua pesquisa, pois violência, assalto e homicídio têm sério impacto sobre a saúde pública de uma comunidade e são motivos de análise no estudo.

 

Apesar do assalto, Snyder dá sinais de que gosta de estar por aqui. Nas favelas em que realiza seu trabalho, aprendeu que estes não são locais homogêneos como costumava pensar à distância, e encontram-se muitas pessoas felizes e orgulhosas da vida que tem: “há uma ideia de capital social, as pessoas se dão muito bem e cuidam uma das outras”.

 

Destaca para a repórter que a palavra que todos que vão para o Brasil devem saber é saudade que não tem uma boa tradução para o inglês mas descreve o sentimento de quem se preocupa com você ou seu país. Brinca ao dizer que dos Estados Unidos tem saudade da manteiga de amendoim que quase não encontra por aqui e quando encontra é muito cara, por isso sempre que retorna para lá faz estoques extras para a viagem.

 

A repórter pede uma recomendação aos turistas que pretendem visitar o Brasil: compre uma Havaiana e você vai ser capaz de se misturar com as pessoas.

 

Pela bela camisa que está vestindo, percebe-se que Snyder está por dentro das boas coisas que o Brasil tem.

 

Leia a reportagem completa no site da NPR

Nos EUA, seu cão rende mais ao médico do que o ser humano

 

 

O doutor Evan Levine é cardiologista em Nova Iorque e vive no estado americano de Connecticut, onde tive oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Algumas vezes, tenho oportunidade de receber, por e-mail, a coluna que escreve com o sugestivo nome de ”O que seu médico não vai(ou não pode) dizer”. Nesta semana, em seu texto, tenta mostrar como a medicina está mais viável para os médicos que atendem animais do que os que tentam curar o ser humano, ao menos nos Estados Unidos (no Brasil seria diferente?). A crítica tem um alvo: a remuneração proporcionada pelo sistema de saúde americano – algo que me lembra muito a situação enfrentada por profissionais brasileiros de medicina muito mal pagos pelas operadoras de plano de saúde e pelo próprio SUS.

 

Leveni começa o artigo lembrando episódio do seriado Seinfeld, no qual Kramer, o amigo alucinado, leva ao veterinário o cão de um conhecido, alegando que animal de estimação está doente. Ao chegar no consultório, descreve ao médico os sintomas dele e não do cachorro, calculando que seria indiretamente medicado e a um custo bem menor (o vídeo está acima). Do ponto de vista do humor, a estratégia estava correta, mas distante da realidade americana, segundo constata o dr. Levine:

 

“Nesta semana, um colega (cardiologista) contou-me a história de seu cão e os custos para tratá-lo. Infelizmente, seu melhor amigo morreu em consequência de insuficiência cardíaca congestiva, depois de ser submetido a um ecocardiograma que lhe custou US$800, pagamento feito no ato. O tratamento incluiu, ainda, uma ecografia abdominal, que me pareceu desnecessária, e foi realizada pelo veterinário que não é especialista em doenças do coração. A máquina utilizada para realizar o teste foi provavelmente um modelo mais antigo, usado antigamente em seres humanos, que custa uma fração dos equipamentos de eco existentes hoje nos consultórios de medicina. Se ele ou qualquer outro cardiologista tivesse realizado o mesmo tipo de ecocardiograma em um paciente, com uma máquina nova e muita mais cara, teria direito a receber US$250 através da seguradora dentro de um mês. A “eco” para cachorros custou-lhe mais do que o dobro do que ele receberia para a realização de um ecocardiograma em seres humanos! E ele teve que pagar em dinheiro, antecipadamente! Muitos cardiologistas, hoje em dia, têm que pedir autorização da seguradora do paciente e oferecer razões detalhadas para ter direito ao valor cobrado, preferindo arriscar e fazer o exame antes mesmo da instituição assumir este custo.”

 

Dr.Levine diz que gostaria de ser ressarcido pelas seguradoras da mesma forma que os veterinários estão sendo pagos pelos donos de cães. E faz um ótimo trocadilho com mais sentido em inglês do que em português: “I do hope that medicine is going to the dogs”. Brinca, assim, com a expressão “going to the dogs” que ao pé da letra seria “indo para os cachorros”, mas que, em português, significa “ir de mal a pior”.

O que fazer para reduzir tiroteios

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Outra escola dos Estados Unidos foi palco não de uma tragédia igual a que recentemente comoveu o mundo por ter vitimado 20 crianças, em um colégio de Newton-Connecticut, mas também teve a protagonizá-la um atirador solitário. Essa ocorreu no Colégio Taft Union, localizado a 190 quilômetros de Los Angeles. Um aluno apenas ficou ferido. O episódio fez com que recrudescesse, porém, o debate, sobre a necessidade do controle da venda de armas naquele país. Lembrou-me o Mílton, quando dei asas, neste blog, à minha revolta com o massacre de Newtown, que no Estados Unidos armas são vendidas até em supermercados.

 

O presidente Barack Obama chorou, recorda-se, ao discursar naquela ocasião, diante dos familiares das vítimas. Mais do que ir às lágrimas, ele decidiu passar ao seu vice, Joe Biden, a responsabilidade de coordenar um grupo de trabalho capaz de construir – palavra em moda por aqui – propostas de mudanças na legislação acerca de porte de armas. Biden teve um encontro com representantes da National Rifle Association (em português ,Associação Nacional do Rifle) e ficou sabendo (?) que, nos últimos 18 dias, a NRA contabilizou mais de 100 mil novos sócios. Possui, agora, 4,2 milhões de membros pagantes. A maldita sociedade que tem como nome uma arma letal, segundo tudo indica, não se impressiona com as tragédias que, volta e meia, estarrecem o seu país. Aliás, apesar dos pesares, a NRA, segundo um dos seus porta-vozes, espera alcançar 5 milhões de associados, antes que termine o debate encabeçado por Joe Biden sobre a posse de armamentos. A declaração do tal porta-voz que mais me impressionou negativamente foi a de que a instituição pela qual se manifesta vai falar com “verdadeiros americanos” ao redor do país que esperam que a NRA não comprometa algum princípio da Segunda Emenda. Textualmente, o ilustre americano, declarou: ”Nós não vamos apoiar o banimento de armas. Mas nós estamos ouvindo”. Desconfio que essa última frase tenha segundas intenções. E não as do Governo dos Estados Unidos. James Alan Fox, professor de criminologia em Boston, lembra que, em alguns estados do seu país, pode-se comprar uma arma por mês; em outros, quantas as pessoas quiserem. Lamentavelmente, vamos ter de continuar tomando conhecimento de novas tragédias, eis que o próprio criminologista americano, ouvido por telefone pela Zero Hora, disse que “não há muito que se possa fazer para reduzir tiroteios”.

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Campanha contra armas ganha força após tiroteio em Newtown

 

 

Havia uma lágrima no olho de Barack Obama logo que desembarquei nos Estados Unidos. Ainda na fila da imigração, interminável, demorada e cansativa, a televisão mostrava o discurso do presidente dos Estados Unidos com voz triste pela morte de pequenos estudantes de uma escola em Newtown, em Connecticut. Naquele momento ainda não se tinha a dimensão final do ataque cometido por Adam Lanza que, soube-se depois, havia matado 20 crianças e seis adultos, além da própria mãe e ter cometido suicídio. Tinha-se ideia, porém, da repercussão dos fatos e da comoção visível em todos os que me acompanhavam na fila a espera para entrar nos Estados Unidos.

 

Desde o acontecido, os canais de notícia na televisão dedicam parte de sua programação a debates sobre a necessidade de se restringir a venda de armas no país. No Congresso, o tiroteio já começou de todos os lados. Artistas e personaldades se engajam na campanha lembrando outros ataques semelhantes. Obama sabe que avançará pouco na discussão, pois o lobby da indústria de armamento é rico – literalmente -, intenso e sem escrúpulo, além de contar com o respaldo da constituição americana escrita em uma época na qual não havia garantias da lei para o cidadão.

 

Nas ruas percebe-se mudança de pensamento em parcela das pessoas, especialmente as que vivem próximas da região do ataque. Aqui em Ridgefield, meia hora de distância de Newtown, havia coleta de dinheiro para a construção de uma escola que substituirá Sandy Hook, cenário do ataque. As bandeiras estavam a meio mastro, sinalizando luto. Armas eram entregues em postos de polícia em troca de dinheiro – US$ 200 para pistolas e revólveres e US$ 75 para rifles – como parte de programa lançado após os assassinatos.

 

A cena mais significativa: o magazine Dick, especializado em artigos esportivos, lotado de consumidores em busca de presentes para o Natal, esvaziou por completo seu departamento de armas. A dúvida é se a medida é pontual ou definitiva. Em um estado que admira o uso de armas, imagino que, passado o impacto das mortes, a venda voltará ao normal. Espero que os muitos apelos que tenham surgido nos últimos dias tenham algum efeito e a minha descrença seja frustrada.

A tragédia de Newtown

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Não sou a pessoa mais indicada, confesso, para falar de certos gostos dos americanos. Só estive nos Estados Unidos de passagem para o México, em 1986, escalado que fui para narrar a Copa do Mundo. Como quem de direito esqueceu de solicitar o visto no consulado dos EUA em Porto Alegre, talvez por imaginar que meus companheiros e eu apenas desceríamos em solo americano e embarcaríamos imediatamente para a capital mexicana, ficamos quarando horas e horas (não me lembro quantas, mas foram muitas) nas dependências do aeroporto de Miami. Nesse longo período, estivemos sempre acompanhados por um policial. A PF deles pôs somente agentes oriundos de Cuba e outros países de língua espanhola para ficar de olho em nós. Com esses conseguimos, pelo menos, conversar. Somente o Dante Andreis, representante da Rádio Caxias, saiu do aeroporto e deu uma banda em Miami.

 

Não deixa de ser uma terrível coincidência que a da última sexta-feira tenha sido a quarta tragédia do mesmo tipo acontecida durante o primeiro e ao iniciante segundo mandato de Barak Obama. A primeira foi a de 2009, em Fort Hood, no Texas, na qual morreram 13; a segunda, dois anos depois, em Tucson, no Arizona, em que as vítimas fatais foram 6; a terceira, que resultou em 12 mortes, enlutou Aurora, no Colorado. A de Newtown se tratou, entretanto da mais chocante, porque envolveu crianças, aluninhas da Sandy Hook Elementary School. Claro que não vou descrever aqui os detalhes do morticínio, porque dificilmente existe alguém que não tenha conhecimento do que ocorreu.

 

Não chega a causar espanto que, em um país no qual as armas são vendidas até em supermercados, como me lembrou o Mílton, meu filho, psicopatas de toda espécie tenham acesso fácil a elas. Para usarem-nas, sem dó nem piedade, quando lhes dá na telha, basta que sofram um ataque de loucura, o que não é incomum em gente com as faculdades mentais prejudicadas. Obama, a meu ver, tem de criar coragem para enfrentar os patrícios que adoram armas de todos os calibres. Chorar e solidarizar-se com os familiares das vítimas, como voltou a fazer agora em Newtown, não serve mais de consolo para quem sofre as consequências dos repetidos massacres. O Presidente precisa agir e enfrentar maníacos por armas como, por exemplo, esses caras da National Rifle Association que, diante da última tragédia, não fizeram qualquer manifestação. Seria por terem participado de inúmeras guerras que muitos americanos não conseguem viver desarmados?

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

O Corinthians é bi e o Mundo não vai acabar

 

 

Assistir ao Corinthians bi campeão mundial à distância torna a tarefa mais fácil, pois não somos provocados pelos amigos nem incomodados com vizinhos fogueteiros, além de nos oferecer a dimensão exata do feito. O mundo não para para ver a final nem o mundo acaba, como ironizou o site do diário Daily Mail, refletindo a frustração e surpresa dos britânicos com a derrota do Chelsea. Nesta pequena e rica cidade de Ridgefield, no estado americano de Connecticut, onde aproveito as férias, ninguém acordou as cinco e meia da manhã como eu, encarou a madrugada com frio próximo de zero, prenunciando uma semana com neve, para ver uma partida de futebol, por mais importante que esta seja no calendário esportivo. O noticiário por aqui está ocupado pelo trágico ataque às crianças de uma escola a duas cidades de distância. Amanhã, quando os jornais da região circularem, provavelmente, darão nota em roda pé para o resultado da final, se tanto.

 

Se o isolamento do sofá que encontrei para ver o jogo no único canal que transmitia a partida diminui o impacto da conquista alcançada pelo Corinthians, também ficamos menos propenso a secar o concorrente do futebol brasileiro, exercício comum e saudável entre nós torcedores. E talvez este tenha sido um dos motivos que me levaram a admirar a vitória corintiana muito mais do que admiraria a oportunidade de brincar com a cara de derrota dos meus amigos. No jogo jogado, o Corinthians mereceu a vitória, mesmo que para isto tenha se destacado o goleiro Cássio, aquele guri que fazia suas defesas lá na Azenha, antes de ganhar o mundo. O desempenho dele serviu para ressaltar a força do adversário que os brasileiros enfrentavam. E não me venham com este papo de que os ingleses desdenhavam a competição, basta ver a cara de alguns de seus jogadores após a derrota. Eles não tiveram é capacidade de superar a marcação e conter as investidas do Corinthians, que reproduziu em campo muito do que sua direção e comando técnico fizeram durante estes últimos anos.

 

Independentemente de qualquer avaliação mais invejosa que você possa fazer sobre o título mundial do Corinthians, impossível não enxergar que o clube está bem mais organizado que a maioria dos seus adversários no Brasil. Houve investimento na infraestrutura – o primeiro estádio está em construção – e planejamento de longo prazo. Apostou no equilíbrio do elenco, no qual estão jovens talentos e experientes jogadores, e reuniu gente de toque de bola apurada e atletas de muita determinação para conquistar o título. Soube capitalizar a força de seus torcedores tanto quanto soube conter a pressão desses mesmos que, há pouco mais de um ano, queriam a saída de Tite logo após a desclassificação contra o Tolima, na Libertadores. E sobre o técnico uma menção especial: é criativo e inteligente, e usa estas habilidades com a mesma coragem que demonstra desde que foi campeão da Copa do Brasil, em 2001, a frente do meu Grêmio contra o Corinthians, no estádio Morumbi.

 

O título mundial é importante também para os demais clubes brasileiros, pois reduz, ao menos temporariamente, a sensação de inferioridade que muitos temos em relação a Europa – sentimento curioso para quem mais conquistou títulos mundiais de seleção e tem espalhado craques por todos os cantos onde se jogue bola. Ratifica a ideia de que administração bem organizada forja campeões tanto quanto futebol não é apenas emoção. E, como o mundo não vai acabar mesmo, levará torcedores a cobrar mais competência dos cartolas de seus times.

 

De minha parte, sigo as férias e aproveito o intenso frio para tomar um chimarrão, saudar o Corinthians e lembrar os “gremistas” que fizeram parte desta conquista.

Foto-ouvinte: supermercado "recicla" livros

 

 

Uma das grandes redes de supermercados dos Estados Unidos, a Hannaford, criou espaços para a “reciclagem” de livros, nos informa o ouvinte-internauta Batista Neubaner, que acompanha a CBN pela internet, em Lowell, estado de Massachusettes. Os clientes deixam na loja os livros usados que serão depois “vendidos” por valores irrisórios. Algo como dois por U$ 1,00 ou quanto o leitor tiver no bolso para pagar. O dinheiro arrecadado vai para entidades filantrópicas com as quais o supermercado mantém convênio. A cada 15 dias, uma nova entidade é beneficiada. Ideia simples, fácil de ser executada, que abre espaço na estante do leitor e torna a leitura acessível a todos.