Serviço público: procuram-se talentos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

A evidência da diferença entre os setores público e privado se comprova na dificuldade em que os talentos privados têm para obter sucesso na área pública e vice-versa. Bloomberg na prefeitura de New York, Meirelles no Banco Central do Brasil são bons exemplos de executivos de sucesso que tiveram êxito na vida pública. Exceções à regra. Provavelmente! O que, é um pouco desconcertante, pois temos hoje um punhado de empresas brasileiras no topo do mercado global, dirigidas por competentes executivos nacionais. Cujos talentos poderiam servir no governo das nossas cidades, estados, municípios e mesmo do país.

 

As páginas amarelas da Veja, que me trouxeram a essas ponderações, sinalizam através da entrevista com Abílio Diniz um conhecimento do público através da ótica do privado que não podemos prescindir. Até mesmo para não transgredir com a nação, pela simplicidade e pela objetividade. Diniz lembra que sugeriu à Presidenta Dilma reduzir o ministério, que tinha 37 membros. Hoje são 40. O aconselhável de acordo com as melhores práticas de administração, é que um dirigente tenha no máximo 12 subordinados. Número também adotado por Abílio. Defensor da Reforma Tributária, Diniz dá hoje preferência à Reforma Política em função do potencial de corrupção que o financiamento das eleições oferece.

 

Considerando que a gestão moderna foca processos e pessoas, não admite a morosidade do governo. Fato que o faz considerar 10 anos perdidos quando participou do CMN Conselho Monetário Nacional. Como sequestrado que foi não deixou de observar o sistema penal brasileiro, levando-o a sugerir a segmentação da legislação do menor em três faixas específicas: 16 anos, 16 a 18 e 18 a 21.

 

Se as ações dos dirigentes privados não garantem o resultado no setor público, ao menos a sua visão precisa ser considerada. Estas considerações, compartilhadas certamente por um punhado de brasileiros ficam esperando pela ação do setor público. A habilitação terá que ser dada na votação. Quando, não sabemos. Talvez nas próximas eleições?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: como ser o executivo desejado pelas empresas

 

 

As empresas buscam executivos versáteis, dispostos a inovar e com poder de influenciar suas equipes, é o que diz Ricardo Barcelos, da Havik Consultoria, especializada em recrutamento de pessoal e desenvolvimento de lideranças. Nesta entrevista ao programa Mundo Corporativo da CBN, Barcelos conta quais os métodos usados pelas empresas para encontrar executivos mais bem qualificados no mercado de trabalho. Além disso, destaca estratégias que podem ser adotadas por profissional que pretendam ascender na carreira.

 

O programa Mundo Corporativo da CBN vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da http://www.cbn.com.br, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN.

Mundo Corporativo: crie um futuro diferente para sua empresa

 

“Estratégia é você surpreender os outros criando um futuro diferente para a sua empresa, posicionando-a de forma diferente no mercado. Isso impõe você pensar de forma inovadora e criativa. Usar a imaginação e não só a análise e a razão. Essa foi a razão que me levou a buscar como é que eu estimulo as pessoas a criarem o futuro e não ficarem analisando o passado ou trabalhando em cima de uma planilha Excel como se aquilo fosse solucionar o problema da empresa.” As dicas são de Moisés Fry Sznifer, professor dos programas de mestrado e doutorado da FGV e professor visitante da UC Berkeley, nos Estados Unidos, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN. Sznifer fala sobre o comportamento dos novos CEOs que devem saber trabalhar com as emoções, com as suas e de seus comandados. Ele deixa também um recado para você que reclama de ter um chefe que não sorri: ele não vai durar muito tempo.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN.

Uma lição aprendida de pesquisa …

 

Por Julio Tannus

 

Situação 1:

 

Em fevereiro de 1990, após ter finalizado um projeto de pesquisa, estava preparando-me para atender um compromisso em Paris/França quando recebo uma comunicação urgente de uma empresa norte-americana, cliente da dita pesquisa, solicitando minha presença na matriz, em Detroit/USA, para fazer uma apresentação dos resultados.

 

Argumento que na data solicitada não seria possível atender ao chamado devido ao compromisso já assumido. De imediato recebo a seguinte comunicação: “informe-nos sobre a data de tal compromisso que tomaremos todas as providências para que, após sua apresentação aqui em Detroit, não deixe de atender ao seu compromisso”.

 

Dito e feito, após minha apresentação em Detroit, colocam-me em um voo Detroit-New York, com conexão para Paris. Já em pleno voo, meu olhar se fixa em uma senhora sentada na poltrona um pouco a minha frente. Vejo ela abrir sua bolsa e retirar um cigarro. Fica por um bom tempo martelando o cigarro sobre o polegar. E de repente, acende e dá uma tragada profunda. Imediatamente, qual um gato gigantesco, seu vizinho de poltrona, um “mariner” de quase 2 metros de altura, dá um salto e, agarrando-a pelos ombros, ergue a velha senhora. Imediatamente a tripulação intercede na situação.

 

Algumas horas depois, vejo-me num voo PanAm sentado numa poltrona de primeira classe ao lado de um executivo norte-americano, embarcado originalmente em Los Angeles. Após os drinques, caviares e camarões de praxe, eis que nos servem a refeição principal. E qual não é minha surpresa quando vejo passar na frente de meu nariz um filé atirado pelo tal executivo americano, que aos berros declara a todos que pagou uma fortuna pelo bilhete e não admite comer sola de sapato.

 

Imediatamente atende aos impropérios do empedernido executivo um comissário de bordo solícito que tenta corrigir tal situação. O executivo rechaça qualquer possibilidade de ajustes e imediatamente põe-se a escrever uma carta para o presidente da companhia aérea denunciando o fato e garantindo que ao seu retorno irá entrar com um processo na justiça.

 

O comissário de bordo resigna-se e volta sua atenção para os demais passageiros.

 

Situação 2:

 

Em abril de 1995, um executivo norte-americano, a fim de cumprir um compromisso inadiável em Roma/Itália, embarca em um vôo da Ibéria, Madri-Roma, na primeira classe. Alguns minutos após a decolagem, o comandante da aeronave informa aos passageiros que, devido a problemas técnicos, irá retornar ao aeroporto de Madrid. O executivo, aos berros declara a todos que pagou uma fortuna pelo bilhete e não admite voltar para Madrid.

 

Imediatamente atende aos impropérios do empedernido executivo o próprio comandante da aeronave, que tenta convencê-lo da sabedoria da decisão tomada. O executivo rechaça qualquer possibilidade de ajustes e imediatamente põe-se a escrever uma carta para o presidente da companhia aérea denunciando o fato e garantindo que ao seu retorno irá entrar com um processo na justiça.

 

O comandante resigna-se e volta sua atenção para a aeronave.

 

Então concluo:

 

Se desconfiamos de quem nos presta um serviço, todo imprevisto é um forte argumento para justificar a desconfiança.

 

Se contratamos um especialista de confiança é dele a responsabilidade maior pelas decisões críticas.

 

Nem sempre a rota planejada deve ser seguida a qualquer custo, o imponderável pode estar presente.

 

Mesmo o mais seguro dos meios de transporte pode sofrer desvios no seu percurso.

 

Profissional é aquele que em situações de emergência oferece caminhos alternativos para contorná-las.

 

Diante da irracionalidade exacerbada a melhor forma de contorná-la é ater-se ao racional.

 

Em processos que envolvem tecnologia e ser humano, resignação pode ser a palavra-chave para o encaminhamento de soluções.

 

Contar com o outro como forma de trabalho exige calma, paciência e sabedoria.

 

…O Cliente nem sempre tem razão!

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada, co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier), e escreve no Blog do Mílton Jung

Os salários da Justiça

 

Por Carlos Magno Gibrail

Foto P&B de Brasília

Desembargadores usam vantagens agregadas aos rendimentos oficiais e chegam a ganhar mais de cem mil reais em determinados meses. É o que estampa em matéria de capa no domingo o Estado. Informa ainda, que juízes “driblam” o teto salarial e passam a usufruir salários de cinquenta mil reais. E, embora exigido pelo CNJ, alguns TJs não revelam os ganhos totais dos magistrados.

Num contexto em que o Executivo se vê obrigado a uma “faxina” para expulsar ministros consultores ou distraídos que confundem o público com o privado; o Legislativo absolve corruptos por calendário, aceita lobbies duvidosos, bem como legisla em causa própria; o Judiciário, teoricamente, seria a última trincheira para julgar e condenar atos contra a Nação. Principalmente agora que a liberdade de imprensa e expressão tem permitido inclusive desmascarar a infiltração do crime no poder de polícia de alguns estados.

Este cenário de busca de fortuna a qualquer preço, por parte de ocupantes de funções de poder, é tão mais desalentador quanto identificamos que bastaria controlá-los como se faz com a população.

O cidadão comum assalariado paga imposto de renda, água, luz, energia, plano de saúde, pois se não o fizer fica automaticamente na malha fina no caso do IR, ou sem os serviços essenciais para o dia a dia. Além disso, precisa ficar atento para os pagamentos de impostos veiculares, a ponto de ficar sem o carro no meio da estrada.

Se não pagar pensão alimentícia, mesmo que não tenha recurso e a ex esteja bem alimentada e casada novamente, vai para a cadeia.
Tendo a infelicidade de alguma dívida com Banco e afins, o juiz entra em sua conta bancária sem avisar e bloqueia todo o dinheiro depositado.

Qualquer restrição ao crédito pessoal proíbe o cidadão de fazer seguro. Pois o lobby das seguradoras conseguiu que o nome “sujo” seja considerado bandido. E, como tal, potencial suspeito de, por exemplo, por fogo no carro para receber o seguro.

O que há em comum nesta disparidade de tratamento é o poder corporativista e a força das grandes corporações. Alguns juízes, parlamentares, executivos, estão voltados para si e somente para si. A receita é deles, a despesa é nossa.

Somos todos iguais perante a lei?

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A imagem deste post é do álbum digital de Thiago Martins, no Flickr

Diploma: peso maior, utilidade menor

 

Por Carlos Magno Gibrail

graduation caps

O plano de carreira discutido no Mundo Corporativo por Eliane Figueiredo e ancorado por Milton Jung ,levantou, dentre outras questões a postura da geração Y.

Geração Y é aquela influenciada pelas novas tecnologias, antecedente da Z, que lida acentuadamente com a mídia social e demais ramificações entre produtos e sistemas.

Nestas gerações, ao lado da qualificação em inovações, há uma pretensão e avidez de usufruir do mundo contemporâneo sem considerar, que os degraus e a contra partida em competência e experiência são imprescindíveis.

Ouvindo atentamente a interessante entrevista não pude deixar de lembrar os recados, pertinentes ao tema, de Laurence Peter, Al Ries e Jeremy Rifkin, que marcaram as suas respectivas décadas.

Laurence Peter desenvolveu o postulado do “nível de incompetência”, inevitável para todos e importante para não frustrar carreiras de sucesso. O segredo é identificar quando se atinge o nível de competência máxima, pois o próximo degrau será o da incompetência. O seu livro “Todo mundo é incompetente, inclusive você” foi um sucesso e o seu postulado foi batizado como o Princípio de Peter.

Al Ries, depois de pesquisar pessoas de sucesso mundo a fora, concluiu que a maneira mais fácil e mais rápida de alcançar os objetivos de uma trajetória profissional, é através do “Horse Sense”. Ou seja, se você tem alguém em que possa montar e te carregar para seguir o seu plano de carreira com sucesso, não titubeie, monte. “Encontre o cavalo certo para montar” é o titulo do Best Seller de Ries nos anos 90. O cavalo pode ser o pai, a mãe, o marido, a esposa, etc.

“O fim dos empregos – o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho” escrito por Jeremy Rifkin preconizou parte da realidade de hoje. Anteviu a extinção de cargos e funções de produção e de serviços. Na agricultura, na indústria e no comércio. Um sinal e tanto para identificar áreas de ensino em decadência, ao mesmo tempo perceber as novas tendências.

Diante desta complexidade é factível guiar-se pela eficácia e definir o gosto e talento pessoais através da simples equação entre ser empreendedor ou executor, entre o público e o privado. E, não esquecer que o sucesso estará ao lado da escolha que trouxer uma vida profissional feliz.

O diploma, cada vez mais importante para o “start up”, ficará em segundo plano diante da prática e do conhecimento adquirido no transcorrer da vida profissional.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, assiste a todos os programas do Mundo Corporativo e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Imagem do álbum de j.o.h.n walker, no Flickr

Foto-ouvinte: Quem é o dono ?

 

Carro oficial

É carro oficial, do Poder Executivo e tem placa 001. Mas o ouvinte-internauta Marco Antonio Pinto gostaria de saber de que lugar, pois não há nada que identifica o veículo estacionado próximo da Secretaria de Esporte e Turismo, na praça Antonio Prado. O que o incomoda é que assim não há como reclamar a ninguém quando o motorista resolve parar em local proibido, andar na faixa exclusiva de ônibus ou acima da velocidade permitida. Quem puder ajudar, deixe a informação aqui no Blog
 

Combate à reeleição sem-fim de deputados

 

No momento em que se discute o impacto desta eleição na renovação do Congresso Nacional, inicia-se debate sobre o limite no número de mandatos dos parlamentares – de senador a vereador. Atualmente, um deputado, por exemplo, pode concorrer a quantas reeleições quiser, enquanto o chefe do executivo (prefeito, governador e presidente) a apenas uma.

A intenção é acabar com a figura dos políticos profissionais pois há uma tendência naqueles que permanecem por longos tempos no parlamento de perpetuarem alguns comportamentos nem sempre benéficos ao cidadão. “Eles costumam aprender os caminhos tortuosos”, disse o advogado especialista em direito eleitoral Luciano Pereira dos Santos, em entrevista ao CBN São Paulo. Comparou estes parlamentares com aqueles moradores que são eternamente síndicos de prédios e se acomodam na função. “Outras pessoas tem o direito de exercer a cidadania”, completou.

A proposta de restringir o número de reeleições foi apresentada há um mês por Francisco Whitaker, que integra o Movimento Nacional de Combate a Corrupção – um dos líderes da campanha do Ficha Limpa – em encontro com personalidades do cenário jurídico e cientistas sociais e políticos, como o professor Fábio Konder Comparato e o desembargador Miguel Brandi Jr. Ainda não há uma definição sobre como esta ideia seria levada à frente, podendo fazer parte do debate pela reforma eleitoral ou ser apresentada como projeto de lei de iniciativa popular de maneira isolada.

Também não há acordo sobre quantas reeleições seriam possíveis. Inicialmente, a intenção é manter o mesmo parâmetro que existe para o Executivo de apenas dois mandatos seguidos. A restrição não impediria que o parlamentar disputasse cargo para outras casas legislativas.

A discussão sobre o tema deverá se intensificar com a posse do novo parlamento, em 2011.

Ouça a entrevista com Luciano Pereira dos Santos, que também integra o Movimento Nacional de Combate à Corrupção