Guarani 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)
Chegou a hora da conquista. Até aqui, disputamos cada partida pelo orgulho de ser gremista. Superamos os momentos mais difíceis neste campeonato, quando muita gente grande nos olhava com desdém, dava de ombros às nossas vitórias e nos considerava um time com data de validade vencida, após não seremos capazes de conquistarmos a Copa do Brasil.
Para estarmos onde estamos foi preciso recuperar não apenas o futebol, mas a auto-estima de jogadores desgastados com os resultados ruins. Que não acreditavam neles mesmos. Entravam em campo como se carregassem o peso de uma história em vez de tê-la como aliada.
Houve um momento em que cada partida teria de ser encarada como uma decisão isolada, como se estivéssemos disputando um campeonato particular em que nosso pior adversário era a imagem que estávamos construindo na contramão dos nossos feitos.
Renato Gaúcho foi convocado para encarar este desafio, um técnico muito mais elogiado pelo que fez com os pés do que vinha fazendo com a cabeça. Verdade que no comando do Bahia havia ajeitado o time, este ano, e o colocado no rumo da primeira divisão. Mas o restante de sua história diante da casamata não era motivo de exaltação.
O torcedor gremista acreditou na aura de Renato, apostou na possibilidade dele contaminar o vestiário, mudar o espírito da equipe, torná-la competitiva e fazer, novamente, do Olímpico Monumental uma muralha intransponível. Isto seria pouco, porém, para buscarmos um destino melhor no Campeonato Brasileiro, haja vista os resultados obtidos até aquele momento e a distância que estávamos da tropa de elite.
Renato foi além. Montou uma equipe corajosa que não temia o adversário no campo dele e organizou o time de forma inteligente, reposicionando jogadores como Lúcio e Fábio Santos, a ponto de fazer do nosso lado esquerdo o caminho mais rápido para chegar ao ataque. Deu confiança a Fábio Rochemback que passou a dominar a frente da área e a Douglas, que ganhou liberdade para criar. Também trouxe sangue novo como o xerife Paulão, incontestável zagueiro que esperávamos há tanto tempo. E Diego Clementino, esse rapaz que tem cara de gremista.
Fomos conquistando os pontos disponíveis em nossa caminhada até chegar os atuais 60, que nos posiciona entre os quatro melhores da competição e o melhor no segundo turno. Fomos marcando gols e mais gols até nos transformarmos no ataque mais forte do Brasileiro, com os 65 alcançados hoje. Sem contar o artilheiro-dançarino Jonas (com 22), Andre Lima (com 10, quem acreditaria nele?) e Diego (que com 5 deve ter a melhor média de gols por minuto jogado, este ano).
Falta apenas mais um jogo nesta temporada. Vencemos o que devíamos até aqui. O Grêmio voltou ao seu lugar, entusiasmou sua torcida, levantou seu moral e obrigou analistas a reverem seus conceitos. Chegamos onde muitos, mesmo gremistas, não acreditavam mais em 2010.
A partida de domingo é tão importante para nós como foram todas as demais sob o comando de Renato. É a última desta série de decisões que nos impuseram. E que pode nos abrir caminho para mais uma conquista da América.
Todos ao Olímpico domingo que vem. Eu vou




