Avalanche Tricolor: empate no último jogo-treino antes da Libertadores

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Gaúcho – Arena Grêmio

 

 

Choveu no domingo paulistano, ao menos na parte da cidade em que moro. Pela quantidade de água percebo, porém, que não foi o suficiente para melhorar a situação dos reservatórios, em especial o Cantareira, que atende cerca de 9 milhões de pessoas, quase metade da Região Metropolitana de São Paulo. Segundo os números divulgados, menos de 20% do reservatório têm água à disposição, a menor marca desde sua criação em 1974. Apesar de as autoridades insistirem que não haverá racionamento, vê-se cidades pelo interior com medidas de contenção. Nesta altura do campeonato, admitirem o corte no abastecimento é confessar que não se precaveram para o período de escassez. Sabe-se que políticas de prevenção são fundamentais, é preciso desenhar cenários possíveis e programar as ações para esses momentos mais críticos. Empresas e órgãos públicos têm de trabalhar no sentido de criar condições para que estratégias de redução de consumo, abastecimento e reaproveitamento de água sejam eficazes. Enquanto as pessoas têm de ser mobilizadas em torno da causa, a partir de campanhas permanentes de economia de água, não apenas quando está faltando.

 

O caro e cada vez mais raro leitor deste Blog talvez estranhe o fato de o primeiro parágrafo desta Avalanche ter se dedicado a escassez de água. Peço desculpa se isto lhe incomoda já que a ideia neste espaço é escrever sobre futebol, especialmente o Grêmio. O que eu quero, além de chamar atenção para o momento alarmante que São Paulo está enfrentando, é mostrar que planejamento é importante nas diversas áreas. O Grêmio, por exemplo, voltou aos trabalhos há pouco mais de um mês, identificou suas prioridades, traçou metas, preservou seus principais jogadores neste início de campeonato e os colocou em campo apenas três ou quatro vezes com a intenção de não desgastá-los e ao mesmo tempo mantê-los com ritmo de jogo. Um planejamento que tem como objetivo maior a Libertadores, competição que se inicia na quinta-feira, contra o Nacional, em Montevidéu, no Uruguai. E visando esta disputa é que digo que o Gre-Nal foi um bom jogo-treino, onde pudemos identificar pontos positivos, como a marcação forte e a pressão na saída de jogo, na primeira parte da partida; tivemos a certeza de que alguns jogadores têm lugar no time, outros ainda são incógnitas e há os que talvez só tenham espaço no banco; houve pontos negativos como o descuido da defesa que permitiu o gol adversário e a precipitação na troca de passe que atrapalhou a chegada ao ataque; mas teve a superação dos defeitos e das dores (caso particular de Marcelo Grohe), também.

 

Enfim, depois desse jogo-treino, ainda temos dúvidas em relação ao que nos espera na Libertadores, mas sabemos que há um plano em andamento e somado a isso há a disposição de uma nação inteira – a tricolor – em voltar para a competição sul-americana e conquistá-la. É isso que nos interessa. É isso que queremos

Avalanche Tricolor: um jogo de paciência e tolerância

 

Grêmio 1 x 0 Veranópolis
Campeonato Gaúcho – Arena do Grêmio

 

 

Há uma certa impaciência no ar. Das arquibancadas têm-se ouvido bochichos desde cedo como se ninguém estivesse disposto a esperar pelo período de adaptação que os times passam no início de temporada. Veja que, apesar deste espaço ser dedicado ao Grêmio, escrevi na frase anterior times (assim mesmo, no plural), pois é o que tenho percebido em muitos Estados. A mais absurda das cenas foi o que aconteceu no Centro de Treinamento Joaquim Grava, do Corinthians, quando gente criminosa invadiu o local e colocou em risco a vida de profissionais do clube. Bem antes disso, porém, o técnico Osvaldo de Oliveira, do Santos, por duas vezes, durante as partidas, teve de brigar com torcedores que o chamavam de burro já nas primeiras rodadas do Campeonato Paulista, apesar de seu time estar sendo reconstruído com jovens talentos que, aliás, têm feito belas partidas e goleado adversários, inclusive em clássico como ocorreu contra o Corinthians. Ontem foi Paulo Autuori o alvo das críticas dos torcedores do Atlético Mineiro devido ao desempenho frágil de sua equipe no começo do Campeonato Mineiro.

 

Na Arena, as reclamações também surgiram diante de uma performance sofrível no primeiro tempo, quando se repetiram muitos dos erros da partida anterior (e do ano passado). Já disse na Avalanche publicada domingo que também andava com um pé atrás em relação às nossas pretensões, mas que a recomendação de amigos e colegas logo mudaram minha disposição e estou pronto para a temporada. É preciso mais paciência com jogadores que estão sendo submetidos a regime especial de treinamento visando não as partidas do Campeonato Gaúcho, mas a longa temporada de competições importantes como a Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Neste momento, a musculatura ainda se adapta ao ritmo do jogo, a perna está presa e não acompanha o pensamento, o drible sai truncado e o chute perde a precisão. Alguns conseguem melhor resultado do que outros e não por acaso são os mais jovens os que estão tendo mais destaque. Ontem mais uma vez, assistimos ao talento de Jean Deretti, à presença de Luan e às chegadas de Wendell no ataque. Soma-se a garotada o fato de Barcos ter marcado o gol da vitória, o que sempre nos oferece a esperança de que o goleador está de volta. Tudo isso foi mais do que suficiente para nos manter na liderança do grupo e no caminho da decisão do título estadual. No próximo domingo temos o clássico que se antecipa a estreia na Libertadores (fico pensando quem é capaz de fazer um calendário como este) e tudo que peço é que se tenha um pouco mais de paciência com nosso time. E tolerância uns com os outros. No futebol e, principalmente, na vida.

A Avalanche Tricolor está de volta

 

Juventude 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Alfredo Jaconi (Caxias do Sul)

 

 

Faz algumas semanas tenho ensaiado retomar a Avalanche Tricolor, esta coluna que escrevo desde 2007, iniciada praticamente junto com o Blog, com a intenção de revelar meus sentimentos pelo Grêmio, time pelo qual sou torcedor confesso. Pela primeira vez desde que comecei essa maratona, que às vezes me leva a dormir de madrugada para publicá-la após a partida, compromisso que assumi comigo mesmo mas que tendo a cumprir cada vez menos, deixei de falar dos primeiros jogos da temporada. Inicialmente, porque estava retornando das férias no dia em que o Grêmio estreava no Campeonato Gaúcho, depois por falta de motivação provocada não apenas pelo uso do time Sub-20. Estava pouco entusiasmado com as mudanças restritas no elenco, a ausência de contratações que gerassem alvoroço no noticiário e, me desculpe, pelo técnico sem experiência para um ano de Libertadores e no qual não teremos muita paciência para esperar a conquista de um título, nesta ou em qualquer das competições que disputarmos.

 

Inesperadamente se iniciou uma campanha para mudar meu ânimo. Colegas do esporte da CBN disseram que Enderson Moreira poderia se transformar em revelação no comando gremista, assim como foram Felipão, Tite e Mano Menezes. Meu pai, que vocês costumam ler às quintas-feiras aqui no Blog, fim de semana passado, ao vivo, por algum tempo, se esforçou para me convencer de que o elenco era bom, havia mudanças sutis mas importantes, como a troca de Alex Telles por Wendell na lateral esquerda, uma garotada talentosa da base que poderia compor o time, a volta de Marcelo ‘Gremista’ Grohe para o gol, a manutenção de Rhodolfo no papel de Xerife, além dos velhos nomes que, segundo ele, deveriam voltar a jogar à altura de seu talento, tais como Zé Roberto, Kleber e Barcos. A conspiração pela volta da Avalanche ganhou o reforço de dois colegas de profissão, gremistas como eu: Sílvio Bressan, que vive em São Paulo, também, descreveu-me, por telefone, o Grêmio pós-goleada contra o Aimoré, na Arena, como um time taticamente melhor do que no ano passado e com capacidade de conquistas na temporada; e o Bruno Zanette, que mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, dos raros e caros leitores deste Blog, pelo Twitter, me cobrou a coluna nesta semana.

 

Atender aos pedidos e se entusiasmar com as palavras dos amigos não foi difícil para um cara sempre disposto a acreditar que ‘agora-vai’, por isso preparei-me neste domingo para assistir ao primeiro jogo do Grêmio na temporada. Meu primeiro jogo, claro, pois nosso time já havia disputado quatro partidas pelo Gauchão, apelido que está bem longe de dar a verdadeira dimensão do campeonato estadual no Rio Grande do Sul. Havíamos vencido duas, empatado uma e perdido uma, campanha suficiente para nos colocar na liderança do Grupo B e bastante razoável se levarmos em conta que o time principal tinha jogado apenas uma partida até agora. Ver a troca de passe claudicante, a falta de criatividade do meio campo e de presença dos jogadores de ataque, além de levar um gol do adversário antes do primeiro quarto de jogo, confesso, abalaram meu otimismo. Parecia estar revendo as partidas do ano passado e sem a esperança de que a mística de Renato Gaúcho mudaria alguma coisa, já que nem ele estava no banco. Dois meninos, porém, me fizeram sorrir novamente e enxergar nosso desempenho com parcimônia: Jean Deretti, que mudou o ritmo do meio de campo e passou a acionar o time pelo lado direito, já que até então só se descia pela esquerda; e Wendell com belíssima jogada que deu início ao gol marcado por ele e contou com a participação importante do próprio Deretti (o pai tinha razão, Wendell é bom de bola).

 

Eu sou assim mesmo. Não preciso de muito para acreditar na nossa capacidade e encontrar aspectos positivos que possam nos levar às conquistas desejadas. Tenho sempre a tendência de acreditar que a força de nossa história será suficiente para nos levar à frente e superar fragilidades. Por isso, preparem-se, pois estou pronto para acompanhar a temporada, certo de que este ano teremos muito a comemorar e disposto a escrever novas Avalanches mesmo que isso sacrifique algumas horas de sono.

 

PS: tem certas coisas que parece jamais vão mudar, por exemplo, os idiotas de plantão que vão para os estádios expor suas frustrações e cometem atos de imbecilidade como os de hoje quando duas bombas foram arremessadas contra o goleiro do Juventude. Precisamos nos livrar dessa gente que além de gerar violência e pôr em risco a saúde física dos demais torcedores, atletas e profissionais que estão no estádio, podem prejudicar o Grêmio.

Conte Sua História de SP: Maradona e Zico estavam na Portuguesa

 

Por Daniel Lescano
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Sempre fui apaixonado por futebol. Ainda criança, em Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul,  adorava ir ao  cinema para assistir ao Canal 100 e acompanhar a atuação dos craques na telona, com a linda canção na Cadência do Samba, que tocava enquanto rolavam os melhores momentos da partida. Era a maior alegria ver craques como Zico, Pelé, Dinamite, Leão, Falcão, Clodoaldo entre tantos outros atletas. E, principalmente, assistir às jogadas do time de coração: Santos Futebol Clube.

 

Entre assistir ao Canal 100 no cinema e a minha vida para São Paulo muita coisa rolou. Mas um fato que nunca vou esquecer ocorreu em 1979, no Ginásio da Portuguesa de Desportos, no bairro do Canindé, quando tinha apenas 13 anos.  Nunca vou esquecer por dois motivos: primeiro, foi a felicidade por meu irmão ter conseguido ingressos para que pudéssemos entrar no Ginásio da Portuguesa e participar da entrega do Troféu Gândula, criado pelo jornalista, cantor e compositor Wilson Brasil. Eram premiados jogadores do Brasil e do Mundo. Havia também troféus para profissionais do rádio e TV que trabalhavam com esporte. A ansiedade era grande. Logo na entrada do ginásio para minha surpresa já comecei a ver vários atletas tirando fotos com os fãs. De repente olho para o lado … e Zico, bem ali do meu lado. Não acreditei. Parecia um sonho. Aí não parou mais de chegar atletas de todo canto. Só pelo fato de conhecer Zico pessoalmente a noite já valeria.

 

O segundo motivo pelo qual nunca vou esquecer esse momento é que lá havia um atleta argentino com cara de garoto, muito tímido, bem discreto. Um ou outro repórter o entrevistava. Cheguei perto e fiquei olhando aquele jogador baixinho. Meu irmão perguntou: vai tirar uma foto com o cara? Como na máquina só tinha um filme de 24 poses não quis gastar, afinal, muitos atletas de nomes consagrados ainda estavam por vir para receber o prêmio. Saí dali certo de que havia sido uma noite perfeita … não fosse meu vacilo, só descoberto na Copa de 1986.

 

O argentino baixinho, com que não quis desperdiçar meu rolo de filme Kodak, desde aquele encontro no Ginásio da Portuguesa, ganhou fama, se destacou na Copa de 1982 mas arrebentou mesmo na Copa de 86. E foi nesta que lembrei dele, quando a Argentina ganhou da Inglaterra por 2 a 1, em jogo marcado por um gol que ganhou nome e sobrenome: “La Mano de Dios”.

 

Ah, se eu pudesse voltar naquele 1979, não teria dúvida de registrar o momento em que Zico e Diego Armando Maradona, juntos, estiveram no Ginásio da Portuguesa

 

Daniel Lescano é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br ou agende entrevista no Museu da Pessoa pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Outras histórias de São Paulo você encontra no meu blog, o Blog do Mílton Jung

A batalha de Joinville

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

As imagens do estádio de Joinville mostrando a batalha entre atleticanos e vascaínos com os modernos recursos de transmissão construíram o cenário da espetacularização da violência para o deleite ou a repulsa do mundo. Dependendo da mente de cada um. A partir daí, mais uma vez, surgiram variadas sugestões para solucionar a violência nos estádios de futebol. E isto diante do já existente estatuto do torcedor, que se aplicado resolveria a questão.

 

Fica claro então que a aplicação é barreira maior do que a sua criação. Verdade gritante comprovada pela imagem do vereador, autor de projeto de prevenção de delitos nos campos de futebol, atuando cinematograficamente como baderneiro.

 

Ao ler as declarações de Petraglia, presidente do CAP acusando os vascaínos de premeditarem a confusão para levarem ao tapetão o resultado do jogo e, ao saber da proposição de Dinamite, ídolo maior do Vasco, para anular a partida tentando ganhá-la fora de campo, não creio que a solução definitiva esteja no controle do campo de batalha. Como chegaremos aos torcedores controlando-os e punindo-os quando necessário, se os dirigentes não respeitam as torcidas adversárias nem mesmo os colegas diretores e presidentes de outros clubes?

 

Se os clubes, as confederações e as autoridades pertinentes não estão executando a lei que existe, é hora da parte mais importante do sistema entrar em ação. Os jogadores, através do Bom Senso F.C. Que tal uma greve para irritar torcedores, diretores e patrocinadores?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: o Grêmio está na Libertadores!

 

Grêmio 1 x 0 Goiás
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio está na Libertadores!

 

Os que conhecem nossa história sabemos que se há um lugar onde nos sentimos em casa é na Libertadores. Nascemos no Rio Grande mas fomos forjados para lutar na América do Sul. Sonhamos com essa conquista, mais do que o Brasileiro, muito mais do que o Gaúcho. Mas para sonharmos é preciso estar lá. E Renato conseguiu mais uma vez. Um caminho aberto à força e muita dedicação, como ele costumava fazer diante das defesas mais duras que enfrentou quando jogador. Muitos preferem lembrá-lo como um atacante de técnica, mas, não tenha duvida, só foi capaz de romper as barreiras que se formavam entre ele e o gol devido a coragem e a explosão de seus músculos. Com o peito empurrava os zagueiros para dentro de sua própria área. Com os braços abria espaço entre os marcadores. E, claro, completava a jogada com o talento de suas pernas. A cabeça, esta nunca foi o seu forte. Mas mesmo esse aparente desequilíbrio emocional parecia conspirar em favor do seu futebol. Foi com um chutão, de costas para o campo, marcado por dois adversários e espremido na linha lateral, não esqueço jamais, que Renato jogou a bola para César Maluco completar de cabeça o gol que nos deu o título da Libertadores, em 1983. Ali não havia técnica, era pura força e determinação.

 

No comando do Grêmio, Renato fez o que pode para nos levar à Copa Libertadores. Assumiu um grupo de aparente qualidade técnica, mas pouco determinado em campo, resultado do trabalho egoísta do treinador que o antecedeu. Testou diferentes formações, jogou com dois e três zagueiros dependendo da partida, colocou três volantes quando entendeu necessário, arriscou com três atacantes quase toda a competição, tirou gente consagrada e querida pela torcida, não teve vergonha de ouvir o grito das arquibancadas e mudar novamente quando percebeu seu erro. Mesmo diante das críticas de que o time rendia abaixo de seu potencial, manteve-o entre os quatro melhores do campeonato em boa parte da disputa. Jamais esteve ameaçado pelo rebaixamento ou pela falta de competição. Sabia que os gols eram escassos, que a defesa não tinha chance de errar, que alguns de seus titulares eram limitados, que seu goleador poderia ser útil na defesa e seus zagueiros poderiam salvar a lavoura. Sabia também que a torcida iria reclamar. Foi corajoso, às vezes teimoso. Arriscou sua história no clube em busca de um objetivo, mesmo que tivesse de abdicar de craques e do bom futebol. Sempre acreditou que poderíamos estar com uma das vagas da Libertadores mesmo quando as vitórias deixaram de aparecer com a mesma frequência.

 

Com uma rodada de antecedência, Renato e seus comandados levaram o Grêmio onde o Grêmio sempre sonhou estar. E por mais esse feito, obrigado, Renato!

Avalanche Tricolor: quem diria, Pelé quase foi um Imortal!

 

Ponte Preta 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Campinas (SP)

 

 

Em reportagem que li no site ClicRBS, publicada no jornal gaúcho Zero Hora, neste domingo, Pelé confidencia ao jornalista Luiz Zini Pires que quase jogou no Grêmio. Quando estava no início da carreira, o Santos costumava emprestar seus jogadores mais jovens para que ganhassem experiência. O time paulista esteve em excursão no Sul, jogou em Pelotas e Rio Grande, no interior gaúcho, e foi consultado se alguns dos garotos poderiam ficar. Pelé era um deles. “Quase que eu reinicio minha carreira no Grêmio”, disse ao repórter. Tivesse um cartola santista aceitado a proposta, naquela época, haveria a chance de Pelé ter se imortalizado no cenário futebolístico com a camisa do Grêmio e, provavelmente, nossas conquistas nacionais e projeção mundial teriam chegado mais cedo. Por outro lado, a facilidade com que alcançaríamos nossas façanhas impediria que forjássemos a nossa imortalidade. O destino quis que cada um construísse sua própria história.

 

A verdade é que o futebol, assim como a vida, pode ter seu destino definido pelo acaso. Uma bola no poste, o chute descuidado que esbarra no zagueiro, a marcação equivocada do árbitro ou uma série de outros detalhes que fazem parte do jogo influenciam no placar final e na classificação de um time. Mas se o imponderável pode ser definitivo, também é verdade que existem fatores preponderantes que conspiram a favor do resultado, tais como o talento individual e a qualidade do elenco. Também coloco na lista a estratégia planejada pelo técnico. Quando esses não se sobressaem nos resta torcer por um lance de sorte.

 

Neste domingo, talento e sorte se uniram para levar o Grêmio ao empate com a Ponte Preta, em Campinas, e nos manter na luta pela vice-liderança, que dará passagem direta a Libertadores. O drible curto de Zé Roberto e o cruzamento com o bico da chuteira que iniciou a jogada do gol foram marcados pela qualidade técnica que diferencia nosso camisa 10. Já a sorte nos ajudou ao fazer a bola cabeceada por Vargas desviar no corpo de um adversário e entrar no gol. O resultado, antes de ser lamentado, tem de ser visto como normal em competição da dimensão do Brasileiro, principalmente se levarmos em consideração o desespero do adversário. Com o ponto conquistado, a disputa pela competição sul-americana está aberta e na nossa mão. Estão faltando apenas dois jogos, os quais temos todas as chances de vencer, bastando um lance de sorte (ou de talento).

 

Em tempo: jogadores de Grêmio e Ponte repetiram o gesto que marcou o protesto do Bom Senso Futebol Clube, na rodada do fim de semana, sentando no gramado antes de a partida se iniciar, em mais uma demonstração que estão unidos e dispostos a enfrentar a CBF.

Avalanche Tricolor: um craque para vestir a camisa do Grêmio

 

Maxi 2 x 0 Flamengo
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

O Grêmio consegue chegar à vice-liderança do Campeonato Brasileiro mesmo depois de uma sequência ruim de resultados e desempenhos questionáveis. A impaciência do torcedor ilustra este cenário. Nossas vitórias vinham sendo resultado muito mais da forma voluntariosa, raramente qualificada, com que o grupo se comporta quando veste a camisa tricolor. Talvez o atacante Barcos, alvo de muitas críticas nas últimas partidas, seja o melhor exemplo disso. Pode-se reclamar que ele não tem feito aquilo para o qual foi contratado, mas ninguém pode dizer que ele não tem cumprido o papel para o qual está escalado. É sempre ele que tira a bola de dentro da nossa área nas cobranças de escanteio e de falta do adversário. Lá na frente, é um guerreiro contra os seus marcadores. Seja para segurar a bola quando esta é lançada normalmente por nossos zagueiros, seja para impedir que os zagueiros inimigos consigam sair jogando. Muitas vezes, o vemos no meio de campo roubando a bola do adversário e tentando armar a jogada. Sofre na luta pela bola tanto quanto sofremos ao vê-lo não marcando gols. Essa vontade de acertar, que não é só de Barcos, para, porém, na movimentação claudicante das peças em campo e nos frequentes passes errados.

 

Há algum tempo venho esperando um atuação individual marcante. Aquele jogador que entra em campo e desequilibra a partida com seu talento. Capaz de driblar o adversário, desconcertar o marcador, limpar a jogada e se colocar em condições de fazer o gol. E, claro, fazendo o gol depois de criar essas condições. Na noite deste domingo, fui premiado. Eu e toda a torcida do Grêmio. Máxi Rodriguez mostrou em duas jogadas que está à altura da paixão dos torcedores por ele. Tem categoria e garra. Tem classe e suor. Tem futebol e carisma para ser titular do Grêmio.

 

Que assim o seja para o todo o sempre!

Avalanche Tricolor: um gol, um protesto e um campeão

 

Grêmio 1 x 0 Vasco
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram sete jogos sem vitória e seis e meio sem gols até que a bola saiu dos pés talentosos de Zé Roberto, na cobrança de escanteio, encontrou a enorme testa de Rhodolfo dentro da área, e caiu no fundo da rede adversária. Longe de ter sido o mais belo gol dessa competição, o mais emocionante ou mais importante. Mas era desse gol que precisávamos para tirar o peso do retrospecto ruim das últimas rodadas do Brasileiro em momento crucial do campeonato. Era fundamental vencermos essa partida diante da disputa acirrada pela segunda vaga para a Libertadores que será decidida nos quatro jogos finais. O gol não foi suficiente para esconder nossas deficiências e impaciências, que ficaram claras na troca de passe, na falta de chutes a gol e mesmo na dificuldade para afastar os riscos impostos pelo adversário. A intranquilidade se refletiu na reação da torcida que vaiou Renato pela primeira vez desde que me conheço por gremista, mesmo depois de já estarmos à frente no placar. A substituição do Zé da Galera por Maxi Rodríguez foi arriscada, mas teve resultado com o time jogando melhor, apesar de continuar a cometer erros de acabamento nas jogadas. E nos oferece mais uma opção de jogo para a reta final.

 

Apesar da relevância do resultado em rodada que nos mantém entre os três melhores times do campeonato, aconteça o que acontecer até amanhã, não quero dedicar toda esta Avalanche ao desempenho gremista. É preciso que se destaque o que considero o fato mais importante da história recente do futebol brasileiro: a reação dos jogadores à desordem da CBF e dos cartolas. O Bom Senso Futebol Clube conseguiu mobilizar os atletas profissionais de forma nunca antes vista no Brasil. Jogadores de Grêmio e Vasco entraram lado a lado com faixa nas mãos que pedia: “Por um futebol melhor para todos”. Ato que antecedeu ao gesto mais marcante da noite. Todos de braços cruzados durante um minuto logo após o árbitro apitar o início da partida, em uma demonstração de que são capazes de parar por muito mais tempo, provocando uma inédita greve dos jogadores nos campos brasileiros, se a Confederação e seus dirigentes insistirem em fechar os ouvidos para as reivindicações deles. Foi emocionante (mais do que o futebol mostrado nos gramados).

 

Resignado

 

Vencer todos seus adversários, conquistar o título com quatro rodadas de antecedência e jogando futebol de extrema qualidade. Além de aprender com o Cruzeiro, nos resta parabenizar o time mineiro e se contentar com o fato de que ao menos o campeão é azul.

Avalanche Tricolor: nossa luta é pelo G-4 (só pra lembrar)

 

Cruzeiro 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Mineirão (MG)

 

 

A bola voltou a bater no poste e por três, quatro vezes foi espantada para fora pelo goleiro adversário depois de chutes que buscavam o canto do gol. Foram os lances que restaram ao Grêmio nesta partida em que fomos apenas coadjuvantes, já que todas as atenções se voltavam ao Cruzeiro, muito próximo de conquistar o título brasileiro. Completamos sete jogos sem vitória e seis sem marcar gols, levando em conta as duas competições que disputamos (Brasileiro e Copa do Brasil), cenário que poderia ser considerado desesperador não tivéssemos tido desempenho positivo na maior parte do campeonato quando chegamos a brigar pela liderança e nos mantivemos em segundo lugar por um bom tempo. Bem verdade que essa situação já nos tirou da disputa de um título, semana passada, e nos impõe, agora, maior responsabilidade nas cinco rodadas finais do Campeonato, pois estamos com a terceira vaga e pressionados por ao menos três adversários dispostos a chegar à Liberadores como nós. A propósito, não devemos perder essa perspectiva, lembrada pelo técnico Renato em entrevista antes de o jogo se iniciar: o Grêmio desde as primeiras rodadas briga pelo G-4. Em nenhum momento estivemos distante dessa possibilidade e menos ainda com perigo de rebaixamento como muita gente grande ainda o esta nesta altura do campeonato.

 

Neste momento estamos correndo riscos, mais do que corremos na maior parte do Brasileiro, mas temos todas as condições de entrarmos no prumo e, nas cinco rodadas finais, garantirmos presença na Libertadores. Serão três jogos em casa – dois deles seguidos, quarta e domingo próximos – e dois fora. Renato, porém, terá de resgatar a confiança que a torcida tinha nele, contaminar o elenco com sua dedicação e mexer com os brios de alguns de seus jogadores. Mais do que perder a partida, resultado que poderia ser considerado normal diante do embalo do adversário de hoje, e desperdiçar as poucas chances de gols que construiu, o que me incomodou foi a apatia. O time parecia resignado ao papel de coadjuvante, o que não podemos jamais aceitar. Os jogadores, com as exceções de praxe, não esboçavam nenhuma reação diante dos desafios impostos. O drible era infantil; o passe, sem destino; a marcação, frágil; e a saída de bola, débil. Isto tem de mudar.

 

Renato precisa trazer de volta o espírito de superação que sempre foi nossa marca.