Avalanche Tricolor: estranhas e boas sensações

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Memória curta ou seletiva, lembro de alguns poucos jogos e lances do passado. Por curioso que seja, não esqueço do sabor amargo que carreguei, ao lado do meu pai, enquanto deixava o setor de cadeiras do Estádio Olímpico, no dia em que fomos derrotados pela Ponte Preta na semifinal do Campeonato Brasileiro de 1981. O placar era suficiente para nos classificar à decisão contra o São Paulo, pois havíamos vencido a primeira partida por 3 a 2, em Campinas (SP), mas fiquei com a sensação de que algo ruim nos esperava logo ali na esquina do futebol. Perguntava-me por que tinha de ser sofrido daquele jeito, com nosso time, mesmo apoiado por um estádio tomado de gremistas, espantando bola para longe da área para não tomar o segundo gol do adversário que nos tiraria da final. Será que estávamos prontos para sermos campeões naquele ano? A história mostrou que sim, mas meu coração, provavelmente, ainda não estava forjado para entender que ser gremista é padecer no paraíso.

 

As lembranças daquela partida, em 1981, até hoje, me levam a ter uma sensação estranha, difícil de explicar, quando vamos enfrentar a Ponte Preta. Sempre tenho a impressão de que será uma partida complicada com placar enviesado capaz de provocar uma reversão de expectativa. Nesse jogo de sábado à noite, não foi diferente e meu sentimento era de que o clima estava propenso a um tropeço, vínhamos de quatro vitórias seguidas, com chances de colarmos no líder, embalados pela classificação às quartas-de-final da Copa do Brasil e diante de nossa torcida. Os acontecimentos na Arena ratificaram essa percepção, pois apesar de termos time superior não conseguíamos alcançar o resultado que desejávamos e precisamos que um adversário fosse expulso – justamente, registre-se – e outro fizesse uma barbeiragem em campo para chegarmos ao gol. Antes ainda tomamos um tremendo susto ao ver a bola nas nossas redes, mas, felizmente, o auxiliar atento sinalizou o impedimento. É preciso, claro, para não sermos injustos, dizer que os erros da Ponte foram influenciados pela nossa forma de jogar e marcar.

 

Independentemente das minhas sensações do passado, resultados como o desse fim de semana mostram que temos de estar sempre alerta. Jamais podemos deitar em berço esplêndido porque esta não é nossa origem. Há que se avançar a cada partida, encará-las como decisões nas quais os três pontos é que nos interessam, mesmo não apresentando o futebol que agrada os críticos. Por isso, gostei de ouvir no intervalo um de nossos jogadores dizer que para o Grêmio 1 a 0 é goleada. É com esse espírito que temos de partir para cima de todos os nossos adversários, superando a eles e as nossas limitações. Essas existem, sim, apesar do lugar privilegiado na tabela de classificação. O bom é saber que estamos conscientes delas e temos, no elenco e no comando da equipe, gente capaz de vencê-las e, quem sabe, repetirmos a conquista daquele inesquecível ano de 1981.

Avalanche Tricolor: O gol de Pará!

 

Flamengo 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Arena Mané Garrincha (DF)

 

 

Tivesse sido um jogador de futebol, eu seria o Pará. Percebi esta semelhança há três, quatro partidas quando tentava entender o papel de cada um dos jogadores gremistas em campo. E, por favor, minha referência não é visual (jamais teria coragem de usar aquele falso moicano sobre a cabeça, apesar de ser adepto do cabelo longo, abaixo dos ombros) é apenas funcional. Na curta carreira de jogador de futebol, totalmente dedicada à Escolinha do Grêmio, de onde já saíram grandes craques para o Mundo, migrei da zaga para a lateral esquerda. Joguei em uma época na qual os laterais não tinham direito de passar do meio campo e se o fizessem logo eram corridos aos berros do ataque, pois a prioridade era impedir o avanço do ponteiro. Eu cumpria bem esse papel. Importante ressaltar que o meu conceito de “bem” talvez seja um pouco diferente daquele usado pelos amantes do bom futebol. Ponteiros não ciscavam muito na minha frente porque eu tinha o hábito de entrar na jogada com o que, atualmente, os comentaristas costumam chamar de força desproporcional. Naquele tempo, era o suficiente para atender à responsabilidade que me era conferida.

 

Por favor, não imagine que pela descrição no parágrafo acima, analise o futebol de Pará como violento. Não é nada disso. Traço esse paralelo entre o que representa para o time nosso lateral direito e o que eu fazia vestindo a camisa do Grêmio, porque nunca tive técnica apurada, sendo incapaz de brincar com a bola em embaixadinhas, por exemplo. Jamais seria lembrado pelo talento nos cruzamentos ou pelo passe refinado, apesar de me garantir na posição pela personalidade que apresentava no comando do grupo. Tinha fôlego de causar inveja, mas corria mais do que pensava. Marcar gols, era raridade, então comemorava bolas despachadas para fora do campo e carrinhos que desarmavam o adversário (às vezes, causavam prejuízos maiores). Se precisassem de alguém para ser sacrificado, podiam contar comigo. Houve oportunidades em que esta vontade de bem servir acabava injustamente punida com cartão vermelho. Os árbitros nunca gostaram de mim. Eu menos ainda deles.

 

Pará nunca será um craque e, provavelmente, a camisa que veste não está entre as mais desejadas pelas crianças na loja do Grêmio, que costumam ser atraídas pelas dos jogadores do meio para frente. Ser lateral é quase uma falta de opção no Brasil. A última a ser ocupada no time de amigos, pois até para ser goleiro já existem aficionados. Há tanta carência que ele próprio jogou boa parte do ano passado no lado esquerdo e agora voltou para sua origem na direita. Se amanhã aparecer alguém tecnicamente melhor do que ele, não tenho dúvidas de que aceitará correr para o outro lado do campo. Pará é um soldado disposto a qualquer desafio e cumpre com eficiência esse papel. Ninguém espere um drible que desconcerte o marcador ou conte com sua presença na linha de fundo a todo momento. Mas tenha certeza de que ele aparecerá com o bico da chuteira para impedir que o inimigo ofereça perigo a seu time, não poupará esforços para chegar na bola antes do adversário e cerrará os pulsos para agradecer a graça alcançada.

 

No sábado à noite, Pará surpreendeu a todos ao cobrar a falta com qualidade e firmeza. Quando se preparavam para o chute de Alex Telles, esse sim um lateral refinado, Pará correu com tal personalidade que não tive dúvida de que resultaria em gol. Ele disse que voltara a treinar cobrança de falta na sexta-feira pela ausência dos batedores titulares do Grêmio. Ou seja, mais uma vez, se dispôs a atender às necessidades de seu time, mesmo que isso significasse um esforço extraordinário. Antes mesmo de a bola chegar ao fundo do poço, abri os braços para comemorar, praticamente repetindo o gesto do nosso lateral na festa pelo primeiro gol que marcou com a camisa do Grêmio. Pelo que entendi em sua fala pós-jogo, o segundo na carreira de profissional. Era o gol de todos nós jogadores de futebol frustrados; que não tivemos chances de brilhar em campo, mesmo quando escalados; que éramos abnegados e não desistíamos de lutar, mesmo diante de nossas limitações; que nascemos para servir a uma causa maior: a alegria de nossos torcedores. Era um gol de Pará.

Avalanche Tricolor: decide-se na nossa casa, com torcida e tradição

 

Santos 1 x 0 Grêmio
Copa do Brasil – Vila Belmiro (SP)

 

 

Esta é a nossa Copa, fomos o primeiro campeão da história, em 1989, somos dos que mais venceram esta competição, quatro vezes, e sabemos, como poucos, encarar mata-mata. Aprendemos no campo da batalha que até três gols contra se vira em casa. Foi assim que forjamos a imortalidade cantada em coro pela torcida e não será diferente agora. Por isso, deixamos o gramado da Vila Belmiro com a certeza de que a vaga se garantirá na Arena onde teremos o grito do torcedor a empurrar a bola, não lhe dando o direito de escapar na troca de passe ou desviar para fora nas oportunidades que tivermos para resolver a partida, como aconteceu ao menos duas vezes nesta noite, em Santos.

 

Claro que não podemos descansar sobre a história, esperando que as façanhas do passado decidam os jogos do presente. É preciso ajustar o time, o passe, o cruzamento, o chute e o cabeceio a gol, coisas que não funcionaram tão bem nesta primeira partida das oitavas-de-final. Mas temos uma tradição a prezar e quem estiver comemorando a vaga antecipadamente talvez tenha de apagar suas palavras. Ou pagar por elas.

Avalanche Tricolor: um drible na razão e no tabu

 

Vasco 2 x 3 Grêmio
Brasileiro – São Januário-RJ

 

 

Assim que soube a escalação da equipe, lembrei do amigo Sílvio, gremistão de quatro costados que há muito mora por estas bandas bandeirantes e costuma me usar como interlocutor para as angústias e delírios de torcedor. Ele torce o nariz para a estratégia do 33 (três zagueiros e três volantes), aposta do técnico Renato Portaluppi nas últimas partidas. No sábado à noite deve ter tido delírios ao perceber que além de repetir a formação, Renato não tinha o “homem de articulação” – é como os especialistas costumam chamar aquele cara que joga mais a frente dos volantes, próximo dos atacantes, e costuma acertar mais passes do que errar. O comentarista da televisão, com a anuência do narrador e repórter, também viu uma formação defensiva no 3-5-2 anunciado antes do jogo.

 

Como já confessei nesta Avalanche em mais de uma edição, entendo pouco dessas coisas da tática futebolística, mesmo tendo iniciado carreira no esporte e até arriscado algumas narrações de jogos, na passagem pela Rede TV!, no início desse século. Não me envergonho dessa limitação, pois conheço jornalista esportivo – uma em especial – que até hoje não conhece a lei do impedimento e isto não a impediu de fazer sucesso e ser premiada na carreira. Às vezes, questiono até mesmo se árbitros e auxiliares sabem à risca como a lei tem de ser aplicada. Minha ignorância estratégica me permite acreditar sempre que temos condições de vencer, independentemente da escalação. Verdade que quando alguns nomes aparecem no time titular fico em dúvida sobre nosso sucesso e na torcida para que os demais superem aquela carência. No sábado à noite, fiquei tranquilo, porque o único nome que, ultimamente, me incomodava estava escalado no time adversário.

 

Minha descrença às análises feitas apenas com base na formação tática não se deve apenas ao meu desconhecimento no assunto, mas pelo fato de o futebol ser um esporte dinâmico e os jogadores terem liberdade para criar, se movimentar e improvisar. Além disso, há muito, exige-se a capacidade de exercerem múltiplas tarefas em campo, o que leva, por exemplo, o goleador da noite ter sido responsável por três ou quatro cortes dentro da nossa área, tirando com a cabeça ou o pé bolas cruzadas pelo ataque inimigo. Tudo isso, sem castrar o seu talento lá na frente. Claro que me refiro a Barcos, autor do primeiro e terceiro gols, que tem se destacado a cada partida sob o comando de Renato. Parece ter redescoberto a confiança para driblar seus marcadores e  completar em gol a bola que chega a seus pés. Ou lhe foi mostrado que os jogadores são mais importantes do que o técnico.

 

Foi Ramiro, porém, quem mais bem ilustrou o imponderável do futebol que dribla as expectativas e análises pré-jogo. O garoto chegado do interior gaúcho era um dos três volantes na “defensiva” escalação de Renato – os outros eram Souza e Riveros. Pela lógica, tinha mais é que segurar o adversário, impedir que chegasse ao nosso gol e reforçar a defesa que, em outras oportunidades, havia se mostrado frágil, mesmo com três zagueiros. Foi muito além disso, ao subir para o ataque, distribuir o jogo e marcar um golaço com a personalidade de gente grande. Muitos como eu, assim que ele recebeu a bola de Kleber, o batalhador, imaginaram que a melhor opção seria abrir para Pará que surgia isolado do lado direito do ataque. Ramiro teve a coragem de poucos e enfiou um chutaço de perna direita lá de fora que foi encaixar no ângulo do goleiro adversário. Que beleza de gol!

 

Espero ansioso pelo telefonema do Sílvio nessa segunda-feira. Ele nunca falha, seja para lamentar seja para comemorar.  Vou provocá-lo com o esquema tático “defensivo” de Renato que resultou em três gols. E, principalmente, teremos a chance de compartilhar a satisfação que foi assistir ao Grêmio driblar as previsões pessimistas de quem apostava, inclusive, no tabu de não vencermos o adversário no Rio há 19 anos. Como se não estivéssemos acostumados a escrever e reescrever, quando necessário, a nossa própria história.

Avalanche Tricolor: uma partida que nos permite ter bons sonhos

 

Grêmio 3 x 1 Cruzeiro
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Há algumas Avalanches defendi que o Grêmio de Renato não é o mesmo Grêmio de Luxemburgo, apesar da inconstância no desempenho e do equilíbrio nos resultados das duas equipes. Somente quem buscava os números frios da estatística era capaz de pensar dessa forma. O torcedor, não. Esse é passional, não usa a razão. E graças ao coração é capaz de perceber os diferentes sentimentos que permeiam o futebol, demonstrados às vezes em lances aparentemente insignificantes como a corrida de dois atacantes para marcar a saída de bola do adversário ou o esforço descomunal dos zagueiros para abortar o ataque inimigo. Há árbitros, inclusive, incapazes de identificar esses movimentos e ver pênalti onde havia apenas um gesto heróico para impedir o gol.

 

Na partida de ontem, encerrada tarde demais para que eu pudesse descrever ainda à noite, nesta Avalanche, minha satisfação pela vitória, boa parte desses sinais que conquistam o torcedor apareceram. O primeiro deles veio de um jogador de quem há algum tempo espero uma reação à altura da nossa paixão: Dida. Desde que tirou o lugar de Marcelo Grohe, a quem admiro muito, não havia confirmado a fama que construiu na carreira, e não foi por falta de oportunidade. Quantos pênaltis inconsequentes nossos jogadores, na versão anterior, fizeram, oferecendo a Dida a oportunidade de se consagrar. Mas ele teimava em ficar parado embaixo do travessão, com seus longos braços estendidos para baixo, quando eu imaginava que abertos assustariam qualquer cobrador. Ontem, Dida brilhou ao impedir o que se transformaria num desastre dadas as circunstâncias do jogo e o bom desempenho do adversário até aquele momento. A defesa de Dida mudou o Grêmio, tanto quanto Renato o fez quando chegou ao vestiário nessa nova passagem pelo tricolor.

 

Erros à parte, e alguns insistem em acontecer, fiquei admirado também com outros movimentos que demonstram mudança de postura. O esforço de Barcos para roubar a bola dos zagueiros me chamou tanto atenção quanto a tranquilidade do goleador diante do segundo gol. O olhar de aparente ingenuidade do jovem Alex Telles ressurge com incrível confiança, a ponto de se atrever a cobrar aquela falta por baixo da barreira. Lances que seriam apenas cenas grotescas do futebol começam a virar gol nos pés de Kleber. Sem contar o prazer de ver os Bitecos entrando no segundo tempo.

 

Claro que Renato e seus comandados terão de ir muito além disso, têm de acertar a marcação, precisar o passe e melhorar o desempenho fora de casa. Porém, neste campeonato de pontos corridos em que o título se decide a cada jogo, vencer o líder se transforma em super-decisão. Ontem à noite, vencemos mais uma e fomos parar no G-4. O que me fez dormir com um sorriso no rosto. Que tenhamos todos bons sonhos daqui pra frente.

Avalanche Tricolor: com a cara e a coragem

 

Bahia 0 x 3 Grêmio
Brasileiro – Arena Fonte Nova

 

 

A bola acabara de se chocar no travessão, após oportunista cabeceada de Elano, parecendo que mais uma vez se perderia no gramado como fez em boa parte do jogo quando foi passada sem destino e chutada sem direção. Mesmo os jogadores adversários davam sinais de alívio ao perceberem aquela bola indo embora após um dos poucos ataques gremistas. Foi quando com a cara e a coragem um dos nossos gringos se atirou em direção a ela em uma tentativa desesperada e audaciosa. A chuteira do marcador lhe acertou o rosto, o corpo caiu estendido na pequena área enquanto a nuca se chocava na grama. A bola tomava a direção da linha de fundo, mas, talvez agradecida pelo sacrifício, desviou em direção ao gol que já estava vazio. Riveros não teve chance sequer de comemorar a abertura do placar, e poucos dos seus colegas, também, pois estavam preocupados com a condição do colega que deixou o campo na maca. Assim se iniciou a primeira conquista do Grêmio fora de casa neste campeonato.

 

Mesmo sem a excelência do futebol que esperamos, conseguimos uma importante vitória que se completou com um gol de chiripa, como costumam dizer lá na minha terra, marcado por outro gringo que estava em campo, Maxi Rodrigues, e com a troca de passe entre os irmãos Biteco, concluída pelo mais velho da família, Guilherme. Relevando a ausência de vários titulares e acrescentando o fato de o placar ter sido clássico e os três pontos fundamentais, o jogo jogado pela nossa equipe ainda está distante do desejado. Hoje, porém, tudo isso pouco me importa, pois ao menos nos aproximamos do G-4 e provamos nossa capacidade de entrar na disputa pelo título do Campeonato Brasileiro, com o jeito de ser do Grêmio: com a cara e a coragem.

Avalanche Tricolor: um time esforçado, sem dúvida

 

Grêmio 0 x 1 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Há dias em que as letras não surgem no papel, as palavras não se formam, as frases parecem sem sentido e os parágrafos apenas ocupam espaço. Dá vontade de não começar a escrever, seja por falta de inspiração, seja por falta de tesão, seja por falta de habilidade (provavelmente, em muitos casos, a última opção se sobrepõe às demais). Como sou um cara esforçado, e sempre o fui, desde os tempos em que a baixa estatura exigia um suor a mais para sobreviver nas quadras de basquete, estou aqui, pronto para encarar o desafio de falar sobre o que assisti na noite de ontem, pela televisão, em Porto Alegre.

 

Havia um time esforçado, como eu, que não se entregava apesar da desvantagem no placar e a pouca inspiração – boa parte do tempo a inexistência desta. Tinha gente querendo mostrar à torcida que somos melhores do que aquilo que estávamos apresentando, que merecíamos ser aplaudidos e incentivados. Ficava evidente esse espírito nas corridas em direção a bola, na tentativa de parar o adversário, nos cruzamentos para ver se ficávamos mais próximos do gol, na cara e gestos de nosso treinador e nos tombos para quem sabe sermos salvos por uma boa cobrança de falta. O problema é que tropeçávamos na nossa ineficiência e incapacidade que foram muito além do normal.

 

Se insistir até a última hora para escrever um texto não significa que este terá qualidade e vai convencer o leitor, caro e raro no caso deste blog, ser apenas esforçado no futebol não nos levará a vitória. É preciso mais. E temos time para tal.

Avalanche Tricolor: um Gre-Nal em família

 

Grêmio 1 x 1 Inter
Brasileiro – Arena Grêmio

 

 

Foram intensos estes dias em que comemorei os 50 anos, em especial pela presença da família. Estar com o pai quando se chega a essa idade é sempre animador, ao menos porque nos dá a sensação de que não somos tão velhos quanto os outros imaginam. E temos a chance de exercitar o papel de filho, o que sempre nos oferece a oportunidade de sermos ainda mais novos. Os irmãos também colaboram muito nesta tarefa porque não se cansam de nos lembrar de quando éramos crianças. Desde pequenos aprendemos juntos a torcer por um time de futebol lá no Rio Grande do Sul, e você, caro e raro leitor deste Blog, sabe bem da escolha que fiz. Se chega aqui pela primeira vez, bastará um pouco de atenção ao nome da coluna e a cor da escrita para ter a resposta certa.

 

Foi assistindo ao Grêmio no clássico gaúcho que encerrei estes dias agitados, em São Paulo. Boa partida do jogo vi atirado no sofá ao lado do meu pai, como já havíamos feito no passado muitas outras vezes. Aliás, foi com ele que aprendi a ter comedimento diante das conquistas temporárias de uma partida de futebol, mesmo que tenha alguns rompantes diante de lances incríveis como um carrinho salvador que despacha a bola para longe e o adversário para fora (que ninguém me leia) ou uma chegada firme que evite o ataque contrário e quem sabe ajude a armar o contra-ataque. No entanto, sei que boa sequência de ataque não significa gol, da mesma forma que a sinalização de pênalti pelo árbitro. Preferímos esperar a bola na rede para comemorar de verdade. Estamos convencidos há algum tempo que ter o domínio da bola, jogar melhor e se impor ao time contrário não são suficientes para chegarmos a vitória. Um vacilo e tudo se vai: uma falta mal marcada, um cartão não dado ou exagerado, lances fortuitos mudam o destino de um jogo.

 

O horário restrito do voo de volta para Porto Alegre nos tirou de frente da televisão e nos fez assistir ao restante da partida na tela do Ipad até quase a sala de embarque, em Congonhas. No que foi possível prestar atenção, enquanto dávamos preferência às lembranças do fim de semana, pouca coisa mudou desde aquilo que vimos no início da partida: houve mais faltas, mais expulsões, mais pressão e mais nenhum gol de ambas as partes. Terminou empatado o primeiro Gre-Nal na Arena. Menos mal – disse meu irmão ao saber do placar, pouco antes de se despedir. Pelo que jogamos não merecíamos um resultado negativo além disso terminar o fim de semana com um revés não estaria a altura da alegria que foi conviver estes dias com a minha família gremista.

Avalanche Tricolor: Grêmio vence e comemora 30 anos da Libertadores

 

Grêmio 2 x 0 Fluminense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

Gremio x Fluminense

 

Há 30 anos estava no velho Estádio Olímpico, que deve ser tombado nos próximos meses, já sem voz e suado de emoção, comemorando a primeira conquista da Libertadores. Era uma quinta-feira à noite, fria como eram as noites de inverno no Rio Grande do Sul, naquela época. Atualmente, a meteorologia sempre nos prega algumas peças com calor fora de época, apesar de que a última semana fez vingar a tradição. Naquele 28 de junho, nenhum frio, porém, levaria mais cedo para casa os 80 mil gremistas que foram ao Monumental, pois acabávamos de ser testemunha de uma conquista inédita para o futebol gaúcho alcançada por jogadores forjados à posição de heróis a cada batalha vencida na temporada sul-americana. Confesso que, ao contrário do primeiro título que festejei como torcedor gremista, o Gaúcho de 1977, não consigo lembrar bem de onde assisti àquela final. Poderia estar nas cadeiras cativas, que ficavam no anel superior do estádio, ou na cabine de transmissão da TV Guaíba, ao lado de meu pai que narrava a final contra o Penãrol. Certo era minha satisfação em ter participado de um momento histórico relembrado nessa tarde de domingo em um novo estádio, a Arena do Grêmio.

 

Gremio x Fluminense

 

Tarcísio, Baidek, Paulo Roberto, Mazaropi e Valdir Espinosa foram alguns dos ídolos, campeões de 1983, que enxerguei na homenagem feita antes da partida contra o Fluminense, pela nona rodada do Campeonato Brasileiro. Sempre que os vejo me emociono pela alegria que ofereceram a todos os torcedores. Daquele tempo, além das lembranças, ficamos com o legado de uma história que nos concedeu a imortalidade. E com Renato Portaluppi, nosso ponteiro direito, fundamental pelo talento e valentia na vitória final (o que se repetiria meses depois no Mundial), agora travestido de treinador. Quis o destino que ele estivesse no comando do Grêmio na partida em que comemoraríamos os 30 anos da primeira Libertadores. Entramos em campo com a camisa tricolor e o calção branco, como em 1983, mas, apesar da importância da data, REnato sabia que o cenário desse domingo era bastante diferente daquele que comemoramos o título sul-americano, e não apenas por estarmos em outro estádio. Por isso, respeitosamente, apenas cumprimentou seus velhos colegas, deixou a festa para os torcedores na arquibancada e foi trabalhar.

 

O Grêmio, com a responsabilidade de seu técnico, trabalhou sério, marcou com valentia, despachou bola quando necessário, trocou passe quando possível e driblou como alternativa. Ainda houve algumas trapalhadas e jogadas arriscadas, nada que compromete-se. Assisti ao jogo, como de costume, na minha casa aqui em São Paulo, pela televisão. Não gritei a ponto de perder a voz nem fiz escorrer gotas de suor como em 1983, mas, guardadas as devidas proporções, também saí deste jogo satisfeito. Em especial com o desempenho do paraguaio Riveros que fez sua estreia. Apareceu bem na frente, marcou o gol que abriu o placar e mostrou que tem lugar certo na equipe.

 


As imagens deste post são do site do Gremio. Ao clicar nelas você visitará a página do clube no Flickr

“Obrigado por tudo Juvenal, nós te amamos…”

 


Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O Juvenal da frase é o Juvenal Juvêncio e a frase é da torcida do Corinthians, exibida há uma semana numa faixa no Pacaembu, por ocasião da final da Recopa. O fato é que o presidente do São Paulo é autor e ator da moderna saga do Morumbi, que colocou o Clube, antes visto como um dos mais competentes do futebol brasileiro, na pior fase de sua história. As derrotas substituíram as vitórias que escassearam, chegando ao ponto inédito de sete seguidas. A democracia instituída por eleições a cada três anos foi substituída por oito anos de poder ditatorial, origem evidente de todos os problemas atuais.

 

A permanência prolongada nos cargos de comando quer governamentais, quer esportivos, geram administrações ineficientes e, em alguns casos, corruptas, coercitivas e até mesmo caricaturais. E, não por acaso, o Bem Amado de Dias Gomes tem sido associado à figura de Juvenal.

 

Correlação que pessoalmente discordava, pois se na forma a comparação fosse perfeita, no conteúdo Odorico Paraguaçu me parecia bem mais eficiente do que o presidente são paulino. Juvenal brigou com o melhor cliente, tirou jogador de concentração por suposto erro em jogo, delegou o futebol a diretor sem tato e sem contato com o time, demitiu jogadores por derrotas nas quais eles não participaram, trocou técnicos como se fossem os responsáveis pelas derrotas e, acima de tudo, criou um mundo de fantasia, onde passou a viver.

 

Hoje, após o episódio de domingo, quando a convite de Juvenal, a torcida Independente participou de um churrasco com a diretoria na sede social do clube, certamente para pagar a blindagem que tem sido dada à imagem do presidente, já não dá para discordar da semelhança de Sucupira com o atual Morumbi. Com direito inclusive a ataques físicos a adversários políticos. Odorico com certeza faria tal qual Juvenal, trocando apenas os Independentes pelas Cajazeiras. As irmãs que serviam, e de quem se servia.

 


Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.