Avalanche Tricolor: do jeito que o Grêmio é

 

Grêmio 0 x 0 Fluminense
Libertadores – Arena

 

O torcedor tomou a Arena, vibrou o quanto pode, marcou cada jogada do adversário com vaias e teve paciência com os erros de seu time. Fez o que se esperava de uma torcida como a do Grêmio que tem orgulho de sua história.

 

Em campo, assistimos ao esforço de Zé Roberto, à segurança e talento de Fernando e às insistências de Pará. Tivemos a oportunidade de ver nosso time lutar de forma heróica contra a superioridade numérica e as limitações de alguns de nossos jogadores. Se não fizemostudo que queríamos, fizemos o que podíamos fazer.

 

O resultado em nada muda nossa caminhada na Libertadores. A decisão seria, independentemente do placar, na rodada final jogando fora de casa, contra tudo e contra todos. Do jeito que o Grêmio sabe e gosta de fazer.

Garrincha, a FIFA e o revisionismo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

O jogador Pato no “Bem, Amigos” ao ser indagado por Galvão Bueno se tinha visto o filme de Pelé respondeu negativamente. Romário também já demonstrou ignorar a história de alguns craques que fizeram a história do futebol. Se não, a história do próprio futebol. Donde se conclui, que se jogadores esclarecidos como Romário e Pato desconhecem referências do esporte que praticam a maioria também deve se ater à própria atualidade.

 

Esta fragilidade de conhecimento que desperdiça a sinergia e esvazia o protagonismo, leva inclusive a parca representatividade destes profissionais, que ficam à mercê das empresas que os contratam, que são os clubes de futebol. Estes, por sua vez, também se entregam às federações estaduais, federais e mundial. Diferença gritante com os tenistas, profissionais mais preparados, que mandam em sua modalidade.

 

A FIFA, portanto, entidade soberana do esporte, que é hoje o mais popular do mundo, controla as federações, os clubes e os jogadores. Além de se sobrepor aos países em seus eventos, obrigando-os a se enquadrar em suas regras, que sabemos são norteadas ao máximo resultado pecuniário. Doa a quem doer.

 

É um poder inigualável este que a FIFA exerce, pois enquanto as grandes marcas mundiais de serviços e produtos têm limites éticos no trato com clientes e funcionários, a FIFA começa a ultrapassá-los. E, uma das mais recentes vítimas, quem diria, é Garrincha. Personalidade de destaque nos anais da FIFA. A biografia de Garrincha no site da FIFA é absolutamente verdadeira, totalmente elogiosa, e descompassada da justificativa da entidade máxima do futebol, ao desautorizar o nome “Estádio de Brasília Mané Garrincha”, alegando que “Mané Garrincha” não tem a internacionalidade que as arenas precisam.

 

No site da FIFA, Garrincha está na relação dos 15 maiores jogadores de todos os tempos, e é visto como:

 

“Chaplin do futebol”
“O pequeno pássaro que voou no Brasil”
“O anjo de pernas tortas”
“Imprevisível, mágico, indefinível e explosivo”
“Um dos maiores jogadores a vestir a camisa canarinho”
“De que planeta ele é?”

 

Ora, que os tempos mudaram, e que a meta é o acordo com empresas cujas marcas paguem para estampar chuteiras, meias, calções, camisas e até estádios já se sabia. O inusitado é o revisionismo, típico dos regimes totalitários.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Avalanche Tricolor: vencemos, mas o que interessa é quarta-feira

 

Grêmio 1 x 0 Cerâmica
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Gremio x Ceramica

 

Jogo é jogo e treino é treino, diz uma das máximas do futebol. Se me permitem, vou estender a frase que tenta explicar os motivos que levam jogadores e times a se comportarem de forma diferente de acordo com as circunstâncias: Libertadores é Libertadores. É por isso que querer adivinhar o que acontecerá na próxima quarta-feira quando estaremos diante de mais um desafio na temporada com base no que fizemos nesses últimos jogos do Campeonato Gaúcho é quase impossível. Ânimo, disposição e receios são diferentes conforme o objetivo que se pretende alcançar. O esforço para impedir que a bola escape pela lateral é maior; busca-se no fundo da alma a respiração que pode fazer falta para impedir que o adversário chegue para o cruzamento; e da mesma forma a precisão no chute e no passe se diferencia, podendo até ser prejudicada de acordo com a capacidade de cada um de lidar com a pressão.

 

Ganhamos na noite de sábado de um adversário sem expressão e de campanha acanhada em um campeonato ainda mais limitado. E, mesmo assim, precisamos que um zagueiro atrapalhado desviasse a bola para dentro de seu próprio gol. Houve instantes de apatia em que o futebol foi esquecido, mas também momentos que me entusiasmaram pela iniciativa do time de se movimentar com velocidade e trocar passe de forma qualificada. Foram poucas as chances de ampliar o placar, apesar do domínio que tivemos. E as poucas foram desperdiçadas.

 

Se nem tudo se desenvolveu em campo como gostaríamos, nada diminuiu meu entusiasmo para a partida decisiva que teremos. O time com esta formação, sem invenção e mesmo sem Elano, tem maturidade e se entende bem. Há vacilos na defesa que podem ser resolvidos com a mesma disposição imposta na partida contra o Fluminense, no primeiro turno da Libertadores. E há insegurança de alguns jogadores que pode ser substituída a partir do grito do torcedor. Aqui está um ponto fundamental: a força de nossa torcida, sem a impaciência que temos demonstrado. Marco Antônio tem sido o alvo preferido pois é inferior a Elano e não convenceu até hoje. Vanderlei Luxemburgo aposta nele e diz que o jogador era escalado na posição errada. Espero que tenha razão. Torço para que nosso meio-campo cale os críticos (eu entre eles) e o vejo marcando o gol que nos dará a vitória. Foi assim que escrevemos nossa história: com superação.

 

Veja o caso de Pará, lateral que teve de migrar da direita para a esquerda em toda temporada passada, sem nunca se transformar em um diferencial. Está melhorando a cada partida, surge na linha de fundo com coragem, faz cruzamentos decisivos e retorna para a defesa com o mesmo vigor. Até aquele corte de cabelo estranho tem me parecido mais interessante. Só a alma tricolor explica estes fenômenos, esta mesma que, tenho certeza, vai se expressar no gramado da Arena na próxima partida da Libertadores. Até lá.

Avalanche Tricolor: um empate sem sabor nem definição

 

Passo Fundo 1 x 1 Grêmio
Gaúcho – Vermelhão da Serra (Passo Fundo)

 

Adriano tenta desarmar o adversário (Foto: Gremio.net)

 

Meia muzzarella, meia calabresa. De pizza mais pedida nos restaurantes paulistas, o prato passou a representar, também, fatos que não são bem definidos, coisas que acontecem e não vão mudar muito a vida de ninguém. Mais ou menos como a partida desta tarde, no lotado estádio de Passo Fundo, interior gaúcho.

 

O Grêmio não ia à cidade há 13 anos e levou para lá um time indefinido, com poucos titulares de fato, alguns reservas de luxo e jogadores que jamais deixarão saudades – havia, inclusive, os que integravam mais de uma dessas categorias. Pela quantidade de torcedores que aceitou assistir ao jogo nas condições precárias do estádio Vermelhão da Serra bem que os times, em especial o Grêmio, poderiam ter oferecido em campo um pouco mais do que vimos.

 

O desempenho gremista se explica, talvez, pelo próprio comportamento de seu treinador que fez modificações no atacado e sem muita lógica, no segundo tempo, quando a vitória ainda não estava garantida. Pagou caro ao ceder dois pontos e a liderança do grupo. Já havia me incomodado na entrevista antes de a partida se iniciar quando deu respostas desaforadas em uma demonstração de que está desconfortável com as cobranças que têm sido feitas. Negou que ao criticar a falta de empenho dos jogadores na partida anterior pelo Campeonato Gaúcho estava querendo “tirar o dele da reta” – perdão se uso esta expressão pouco recomendada em público, mas foi o que disse Luxemburgo. Diz que apenas estava sendo sincero. Não entendeu até agora – e pelo seu histórico jamais vai entender – que um time apenas existe quando há espírito de grupo, quando todos estão comprometidos com a mesma causa. Atirar nas costas dos comandados a responsabilidade pelos erros não me parece ser a atitude mais apropriada, em especial no momento em que ele fazia mudanças táticas no time, obrigando os jogadores a se acostumar ao novo esquema. Não entro aqui na discussão se as tentativas são válidas ou não, mas o treinador tem de ter a percepção de que a vitória e a derrota devem ser assumidas por todos, independentemente de quem for a responsabilidade. Esta história de que eu venço e eles perdem costuma não dar bons resultados. O grupo percebe.

 

Nossos próximos desafios não nos dão o direito a erros e indefinições. E o pior que pode acontecer é depois de todo o investimento feito até aqui a temporada terminar em pizza. E sem muzzarella nem calabresa.

Avalanche Tricolor: me permita tocar a corneta

 

Grêmio 1 x 2 Cruzeiro
Gaúcho – Arena Grêmio

 

Nos melhores lances do primeiro tempo, gostei apenas de três jogadas proporcionadas por Zé Roberto, Barcos e Cris. Não por acaso, três carrinhos para roubar a bola do adversário, sendo o terceiro, cometido por nosso zagueiro, o mais importante, pois abortou jogada perigosa de ataque. Por mais que seja fã incondicional deste tipo de lance, em especial quando o adversário sequer é tocado, a ponto de aplaudir alguns desses momentos, não vou dedicar esta Avalanche a exaltar cada um desses instantes como, aliás, já fiz em outras oportunidades. O resultado desta noite, guardada a devida importância e levando em consideração o fato de que pouco influenciará em nossa classificação, tem de nos ajudar a refletir sobre o time que está sendo construído por Vanderlei Luxemburgo para os desafios da temporada.

 

Se você me permite, em raro momento de “corneteada” deste escriba, alguns aspectos a se pensar:

 

– Dida por melhor goleiro que seja é fisicamente frágil, como mostrou a lesão desta noite.
– O banco de reserva faz mal aos reflexos e ritmo de jogo de Marcelo Grohe.
– A defesa tem defeitos que surgem mesmo nas partidas mais fáceis.
– O esquema com três atacantes prejudica Zé Roberto, isolado e sempre em busca de um companheiro para trocar passe.
– Marco Antonio não é este companheiro que Zé Roberto precisa; aliás se alguém tiver boa memória poderia me dizer quando ele entrou no time e mudou o jogo a nosso favor?
– Ter Welliton, titular, e Willian José, no banco, enquanto Marcelo Moreno assiste ao jogo da arquibancada, não faz o menor sentido.

 

Dito isso, corneta tocada e angústias compartilhadas, fique tranquilo, estou pronto para a próxima Avalanche. Que venha o Passo Fundo, o Fluminense, o Gaúcho, a Libertadores, que venha quem quiser, pois já sacudi a poeira e estou preparado para dar a volta por cima.

Avalanche Tricolor: o prazer de ver Zé Roberto jogar

 

Grêmio 2 x 0 Caxias
Gaúcho – Arena

 

Imagem reproduzida da edição dominical do jornal O Estado de São Paulo

 

Começo pelo fim, já nos descontos. Começo pelo último lance da partida desse sábado à noite. A terceira vitória em três jogos com o time titular na Taça Farroupilha estava garantida, nada mais mudaria o resultado seja pela vantagem no placar seja pela pouca eficiência do adversário. Isto não impediu que Zé Roberto disparasse em direção ao único jogador que estava impondo algum risco à nossa defesa, desse um carrinho de longa distância, que possibilitou o desarme, e saísse jogando com a bola dominada quase sobre a linha de fundo. Os torcedores aplaudiram com o mesmo entusiasmo que o Zé da Galera demonstra quando veste a camisa do Grêmio em um reconhecimento ao que nosso camisa 10 tem feito em campo, jogo após jogo. Mesmo nos raros instantes em que não tenha havido inspiração, não lhe faltou disposição.

 

Devo ter citado Zé Roberto um sem-número de vezes nesta Avalanche, pelos gols e pelos lances que realizou. E não me canso de escrever sobre ele. É sempre um prazer vê-lo jogar, perceber a qualidade com que conduz a bola, a forma como troca passe e se desloca em campo, a cabeça erguida e o olhar em busca de uma jogada melhor. Mesmo em partidas na qual faltam emoções, Zé Roberto sobra em campo.

 

Neste domingo, ao receber o jornal O Estado de São Paulo, me orgulhei de ver que o jogador gremista era destaque na primeira página da edição e personagem principal no caderno de esportes em reportagem com o título “O Melhor do Brasil”. No texto, assinado pelo jornalista Gonçalo Junior, há o relato sobre a infância de Zé Roberto, em São Paulo, vivida em uma família muito pobre com mais cinco irmãos, a mãe lutadora e o pai bêbado e violento:

 

De dia, os meninos catavam lata, cobre e papelão para vender no ferro-velho e, com a renda, compravam bolachas. O almoço era arroz com ovo, o máximo que a dona Maria Andrezina da Silva conseguia colocar na mesa com os dois empregos.

 

Zé Roberto começou no Pequeninos do Jockey, entidade que lançou um grande número de bons jogadores, foi vice-campeão brasileiro pela Portuguesa, paulista pelo Santos e ganhou uma série de títulos na Alemanha, onde é referência até hoje. Em Porto Alegre, ganhou o coração de todos os gremistas pela vitalidade e talento com que joga e pela inteligência com que fala e se comporta. Semana passada, após mais uma vitória, fez questão de revelar a alegria de estar no Grêmio e a expectativa de selar este casamento com um título. De minha parte, independentemente do que venha a acontecer nesta temporada, ter Zé Roberto no elenco e na história do Grêmio considero uma grande conquista.

 

Depois da Avalanche: outra grande satisfação na noite de sábado foi saber que o Gladiador está de volta.

Avalanche Tricolor: vitória de risco

 

Pelotas 1 x 3 Grêmio
Gaúcho – Pelotas

 

 

Com time titular, parece, não tem para ninguém. Mesmo no estádio acanhado e no gramado pequeno, o futebol gremista fluiu com tranquilidade, no fim da noite de quarta-feira. A tal ponto que, após sete minutos e alguns pontapés, já vencíamos por 1 a 0 com Barcos seguindo serelepe à marca dos 28 gols que pretende registrar nesta temporada – espero apenas que não os gaste todos no Gaúcho. Apesar de uma queda de ritmo e de termos aceitado a pressão adversária em seguida, não foi preciso mais do que um susto – que veio com aquela cobrança de falta na trave e no rosto do Dida – para colocarmos a bola no chão, trocarmos passe com rapidez e nos deslocarmos com velocidade, características que têm sido aprimoradas a cada partida. Resultado: Wellington apareceu livre para fazer 2 a 0 antes do fim do primeiro tempo. Não foi coincidência que nosso terceiro e definitivo gol tenha ocorrido, mais uma vez, com Elano recebendo a bola por trás da linha de marcação e precisando apenas de categoria para chegar às redes. É evidente que há um entrosamento natural dos homens que jogam mais à frente, provocado pelo talento e a habilidade no passe e isto será um diferencial neste ano.

 

Se tudo foi tão simples na segunda vitória em dois jogos pela Taça Farroupilha onde está o risco que marca o título desta Avalanche? Na forma violenta e desleal com que os adversários resolvem parar o talento gremista. Longe de mim reclamar da marcação dura e da força às vezes desproporcional na tentativa de roubar a bola. Quem me acompanha neste espaço sabe que não fujo de um bom carrinho, mas que Zé Roberto e Barcos, os principais alvos, correm sério risco em campo, não tenho dúvida. Ano passado fomos prejudicados por algo semelhante com a lesão que praticamente afastou Kleber. Não podemos permitir o mesmo, agora, quando os desafios são muito maiores. Então, a saída é voltar com os reservas para o Gaúcho? Necessariamente não, mas pressionar os árbitros a cumprirem a regra e punirem com severidade quem comete atentados em campo, pois até mesmo para ser um troglodita é preciso algum talento.

Avalanche Tricolor: quem viu, assistiu a dois espetáculos

 

Grêmio 2 x 0 Lajeadense
Gaúcho – Grêmio Arena

 

 

Espero que você tenha tido oportunidade de assistir ao jogo de sábado à noite. Soube de torcedores que foram surpreendidos com uma decisão do PPV que, me parece, fere o Código de Defesa do Consumidor: não transmitir a partida para os assinantes. Aqui em São Paulo, encontrei a transmissão na Sport TV, canal 39, o mesmo não aconteceu com aqueles que estavam em Porto Alegre, que receberam o sinal de outra partida pelo Campeonato Gaúcho. Os que têm paciência para navegar na internet e boa rede de relacionamento ainda conseguiram conectar-se às transmissões clandestinas disponíveis no computador. E tiveram esforço recompensado, haja vista a boa qualidade do futebol jogado pelo Grêmio, a partir da segunda metade do primeiro tempo.

 

Os dois gols de Zé Roberto foram uma pintura não apenas pelo toque final do nosso craque, mas pela movimentação de equipe, o deslocamento veloz de posição, o passe certeiro e o chute mortal. No primeiro, uma batida forte superou o bom goleiro adversário, Eduardo Martini, que já havia feito defesa sensacional em ataque concluído por Barcos, pouco mais cedo. O segundo, ‘Zé da Galera’ encobriu o goleiro com um toque sutil que esteve a altura do passe recebido de Barcos – rápido e preciso. Aliás, nosso centroavante, por justiça, tem de começar a somar, nem que seja meio gol, cada assistência que dá de presente para seus colegas. Vai alcançar rapidinho a meta de 28 gols que se propôs logo que chegou no Olímpico – perdão, na Arena.

 

O time titular do Grêmio tem qualidade muito superior a seus adversários neste Campeonato, a ponto de ter vencido com facilidade o único time invicto na competição até aqui. O problema é a intenção de mudar a equipe conforme os compromissos da Libertadores. Problema ou previdência, os próximos resultados dirão.

Avalanche Tricolor: assim é a Libertadores !

 

Caracas 2 x 1 Grêmio
Libertadores – Caracas (Venezuela)

 

Havia crateras na grama do estádio Olímpico da Universidade Central da Venezuela que, soube pelos narradores da SporTV foram feitas em partidas de rugbi e provas de atletismo, como arremesso de martelo, além do próprio futebol, praticado por oito diferentes clubes. O gramado da Arena, motivo de tantas reclamações pelo pouco tempo para ser implantado, poderia ser comparado a um tapete diante das condições oferecidas para se disputar o jogo desta noite, em Caracas.

 

Esta foi a primeira atividade esportiva oficial na Venezuela desde a morte do presidente Hugo Chavez, há uma semana, o que torna estranha a decisão da Conmebol de não autorizar a realização de um minuto de silêncio antes do apito inicial. Comoção e tensão se misturavam frente ao impasse político pelo qual enfrenta o país já em clima de eleição. Havia nervosismo nas ruas de Caracas, apesar de dentro do estádio se assistir à uma torcida adversária entusiasmada e um adversário disposto a impedir a repetição da goleada na semana anterior, em Porto Alegre.

 

Foi neste cenário que o Grêmio teve de enfrentar mais um desafio no caminho do Tri da Libertadores. Colocando a bola no chão e driblando carências e emoções, se fez forte para sair na frente no placar, no primeiro tempo, mas mesmo com futebol melhor não conseguiu resistir as falhas individuais. Ao contrário das duas partidas anteriores, tinha talento, porém não soube somar a raça que lhe diferencia. Perdeu muitas divididas em um jogo no qual o adversário marcava forte.

 

Em Libertadores é preciso se adaptar a todas as situações e saber que a vitória nunca chegará sem sofrimento. Menos ainda o título que sonhamos.

Reminiscências

 

Por Julio Tannus

 

Existem coisas que jamais se apagam de nossa memória. Permanecem vivas ao longo de toda nossa existência.

 


No Banco Escolar

 

Ah! Meus professores de ginásio. Na época estudávamos, além do nosso Português, os idiomas Inglês, Francês, Latim e Espanhol. Fumava-se na sala de aula. E o professor de Espanhol fumava metade do cigarro. Ao ser indagado pelos alunos o porquê, ele com os olhos lacrimejantes nos disse: “todo fim de semana minha mulher corta os cigarros ao meio para economizarmos dinheiro, e assim teremos dinheiro para volvermos a Espanha ao final do ano!”. E foi através dele que aprendemos a gostar de Miguel de Cervantes, Calderón de La Barca, Lope de Vega…

 

Um dos professores tinha a mania de, antes de sentar-se, utilizar a lista de presença como espanador para livrar o pó de giz deixado pelo professor anterior na mesa dos professores. Vira e mexe, alguns de nós espalhava rapé em pó na mesa. Resultado: “desculpem o espirro, acho que estou ficando resfriado!”.

 

O professor de Geografia, ao falar sobre os peixes da Amazônia, referiu-se ao Pirarucu. A classe pôs-se a sorrir. Irritado ele nos disse: “se vocês estão com coceira no xx, então enfiem o dedo no xx”.

 

Na volta das férias de final de ano, um colega apareceu de cabelo comprido. A reação foi geral: “mariquinha”, “virou mulherzinha”. O habitual na época era o corte chamado de “americano curto” – herança da Segunda Grande Guerra. No dia seguinte o dito cujo aparece com a cabeça raspada a navalha, as sobrancelhas raspadas e os cílios cortados!

 

Havia um monitor que percorria os corredores junto às salas de aula para zelar pela disciplina dos alunos. Um colega de classe, sentado junto a uma das janelas que dava para o corredor, ficou com um papel dobrado em uma das mãos. O monitor, ao ver o papel, de imediato recolheu o mesmo e entrou na sala de aula. Ao abrir o papel para ver o que estava escrito, se surpreendeu: “curioso hein!”.

 

No dia 11 de junho de 1958 a Seleção Brasileira de Futebol jogava contra a Inglaterra, na Copa do Mundo da Suécia. O jogo transcorreu durante um exame de Física – tínhamos exames de meio de ano. No bar da esquina, um rádio ligado em alto e bom som transmitia a difícil partida, que terminou em empate de 0x0. Da sala de aula ouvíamos atentos a transmissão. Até que, findo o jogo, nos demos conta que o exame de física também chegava ao fim. Resultado: a maioria de nós tirou nota zero!

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung