Santos 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro (SP)

O caro e raro leitor que me acompanha neste blog e teve a oportunidade de ler minha coluna na revista Época São Paulo, que está nas bancas neste fim de semana – o que o tornará ainda mais raro – sabe que a dediquei à relação dos jovens com o futebol que me parece cada vez mais distante. Falei da dificuldade que foi para levar meus meninos a torcerem pelo meu time de coração, tendo ambos nascido e morado longe de Porto Alegre. Diferentemente de mim, criado e batizado nos campos de futebol, em especial no estádio Olímpico, quintal de minha casa, eles já pegaram esta época em que ir ao jogo é um comportamento de risco. Por isso, me contento em saber que são gremistas mesmo que não conservem a mesma alucinação que eu (o que de certo ponto é uma boa notícia).
Por conhecer o comportamento ‘low profile’ deles com o futebol e o Grêmio é que me surpreendi com a atitude dessa tarde de sábado, quando abandonaram os atrativos jogos online, no computador, para sentarem ao meu lado no sofá e assistirem ao Grêmio, na televisão. O mais velho até trouxe uma bacia de pipocas pronta para tornar o programa mais interessante. E realmente estava, graças a postura gremista em campo, com marcação firme, toque de bola preciso e chegada forte ao ataque. O gol logo cedo nos deixou entusiasmados pela velocidade com que os atacantes se movimentaram a ponto de deixarem Vargas sozinho dentro da área com a tarefa de concluir a jogada. Meu entusiasmo – e o deles – não foi até o fim do primeiro tempo quando a equipe já dava sinais de que estava satisfeita com o placar e não conseguia mais impor o mesmo ritmo na partida. Antes mesmo do intervalo, os dois já estavam dormindo ao meu lado. E assim ficaram praticamente até o fim. Nem a pipoca programada para o segundo tempo os tirou desse estado. Preferi não acordá-los, não estava valendo a pena mesmo.
Além da torcida dos meninos, o Grêmio desperdiçou excelente oportunidade de largar com vantagem nestas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro, e abriu mão de dois pontos fora de casa importantes para quem pretende disputar o título. Bem verdade que a velha estratégia de vencer em casa e empatar fora ainda funciona nos campeonatos de pontos corridos. Temos visto, ainda, a ascensão de Vargas, cada dia melhor no ataque. E, mais uma vez, mostrou que tem talento para vencer. O que incomoda é que transforma esta qualidade em arrogância. Também confunde sentimentos, faz da necessária tranquilidade antídoto da raça, quando ambos têm de jogar juntos. Parece, às vezes, haver um sanguessuga a consumir nossa alma no vestiário. E nós apaixonados sabemos que esta camisa tricolor não é para vestir apenas corpo, tem de vestir coração e alma.








