Avalanche Tricolor: o Campeonato Brasileiro do G4

 

O Fluminense é campeão virtual do Brasileiro 2012, estando nove pontos distante do Atlético Mineiro e dez pontos à frente do Grêmio, a apenas quatro rodadas do fim da competição. O aproveitamento do time carioca é de 72% até aqui e seus números são invejáveis. No entanto, se disputasse um campeonato paralelo com os demais três times que estão no G4, a equipe treinada por Abel Braga seria a terceira ou quarta força apenas. Se olharmos o confronto direto dos quatro primeiros colocados veremos que o Fluminense apenas conseguiu ganhar uma das seis partidas que disputou, contra o São Paulo, no primeiro turno, por 2 a 1, no Rio. Perdeu uma e empatou outra com o Atlético Mineiro; perdeu uma e empatou outra com o Grêmio. E empatou nesse domingo com o tricolor paulista, no Morumbi.

 

O time de melhor desempenho neste quadrangular fictício é o Atlético que venceu três de seus jogos e perdeu apenas para o São Paulo, por 1 a 0, no segundo turno. O Grêmio pode até passar dos mineiros, pois ganhou duas, empatou duas e perdeu uma. Para tanto, precisa vencer por dois gols de diferença do São Paulo no fim de semana, no Olímpico Monumental. Na primeira partida entre os dois clubes, fez 2 a 1, no Morumbi. O São Paulo venceu apenas uma partida e empatou outra no confronto direto com os adversário do G4. Se ganhar no fim de semana (deixe-me bater três vezes na madeira), empurra o Fluminense para a lanterna desta competição paralela.

 

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CAMPEONATO BRASILEIRO DO G4
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Atlético MG 3 x 2 Fluminense
Fluminense 0 x 0 Atlético MG

Atlético MG 1 x 0 São Paulo
São Paulo 1 x 0 Atlético MG

Atlético MG 0 x 0 Grêmio
Grêmio 0 x 1 Atlético MG

Grêmio 1 x 0 Fluminense
Fluminense 2 x 2 Grêmio

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Grêmio – x – São Paulo

Fluminense 2 x 1 São Paulo
São Paulo 0 x 0 Fluminense

 

Este torneio que inventei não tem o menor valor a medida que o Brasileiro é disputado entre 20 equipes e o campeão é aquele que conquistar o maior número de pontos ao fim de 38 rodadas. Mas serve para mostrar que em uma competição com o tamanho do Brasileiro todas as partidas são decisivas, pois ganha-se o título com os três pontos tirados do laterna em uma rodada aparentemente sem importância e se desperdiça a temporada com derrotas e empates bobos em jogos considerados fáceis dentro de casa. Caso do Grêmio que botou fora seis pontos contra Portuguesa e Palmeiras, e mais alguns empates em jogos que estavam praticamente ganhos como contra o Santos e o Botafogo – todos no Olímpico.

 

Há muitos anos, ainda era um guri, ouvi de um dos nomes que fizeram história com a camisa do Grêmio, Paulo Lumumba, na época já atuando como técnico, que o Campeonato Gaúcho se perdia contra os times do interior e não contra o Inter. No Brasileiro, o cenário é muito semelhante. O jogo contra o líder não é uma final antecipada, como costumam dizer por aí. Todos os jogos são partes de um final que podem nos dar o título Brasileiro – ou nos tirar.

Avalanche Tricolor: gol de guerreiro, de torcedores guerreiros

 

Grêmio 1 x 0 Ponte Preta
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Futebol é como uma batalha, para vencer o adversário é preciso conquistar terreno. Na luta pela ocupação de espaço, vencem não apenas os mais valentes ou durões, mas os persistentes. É preciso explorar o talento e usar as melhores estratégias para se sobrepor ao inimigo. Foi esta conjução que levou o Grêmio a conquista dos três pontos neste início de noite de sábado. A cobrança de escanteio de Zé Roberto foi o traço de talento que faltou em quase toda a partida, em especial nos cruzamentos que eram feitos de um lado ou de outro. Mas para que aquela bola alcaçasse seu destino antes precisava ser desviada por alguém. Foi quando entrou em cena o desbravador André Lima, a quem falta muito daquilo que o futebol técnico exige, mas que jamais poderá ser acusado por desistir de lutar. Estava em desvantagem dentro da pequena área, fato que não o impediu de se jogar em direção a bola que havia sido caprichosamente enviada a ele. Com a determinação que se espera de um lutador, tomou o pequeno espaço que havia entre o goleiro e o zagueiro adversários. Os dois estão até agora reclamando de uma falta que jamais existiu. Não entenderam que eram apenas vítimas do espírito guerreiro que André leva para campo sempre que é sacado do banco para tarefas quase impossíveis. O atacante, ciente de suas limitações, abre veias e coração para incorporar o desejo dos torcedores que das arquibancadas (ou diante da televisão) têm apenas o grito e a fé como armas. Foram estes torcedores que fizeram o Grêmio ser melhor quando tinha um a menos em campo, aliás foram eles que deram o carrinho que causou a expulsão de Julio César (e o aplaudiram por isso), pois sabiam que era a única forma de salvar o Grêmio, depois da injustiça cometida pelo árbitro que não marcou falta em Elano. Assim como foram estes torcedores que empurraram aquela bola de André Lima para dentro do gol, aos 45 minutos do segundo tempo. Uma torcida que ainda pode nos levar muito longe. E aí daqueles que duvidarem.

Avalanche Tricolor: frio e calculista

 

Grêmio 1 x 0 Millionários
Sul-Americana – Olímpico Monumental

30OCT12_GremioxMillonarios_100

 

A bola para entrar no gol foi ajeitada com a cabeça pelo meio campo Marco Antonio que precisou se agachar para garantir que o caminho dela seria o fundo do poço (como diria o locutor esportivo lá de casa). Fez um movimento que mais parecia cumprimentá-la respeitosamente. Na volta do intervalo, a fala do volante Fernando deixava claro o objetivo tricolor na partida da noite de terça-feira pela Copa Sul-Americana. Com o regulamento embaixo do braço (como dizem outros locutores esportivos que não têm o mesmo cuidado com a originalidade), o Grêmio cadenciou o toque de bola, não deixou de tentar o segundo gol, mas cuidou-se muito mais para não levar um do adversário, até porque, como dizem erroneamente, este valeria dois. O comentarista do Canal Fox Mário Sérgio, campeão Mundial e da Libertadores pelo Grêmio, insistiu, durante todo o segundo tempo, que o placar estava de bom tamanho e o desastre seria o Millionários marcar; e, apesar de alguns pequenos sustos, foram raras as oportunidades de isto acontecer. Aliás, deixemos registrado, que bela partida fez o zagueiro Naldo, tomando a frente em todas as jogadas – qualidade que, a propósito, foi ressaltada antes de começar o jogo pelo próprio Mário Sérgio. Com tantos cuidados em campo e ressalvas fora dele, e depois de sequência de empates no Brasileiro, convenhamos, o 1 a 0 até pareceu goleada. Para este que lhe escreve, que sempre entendeu que em casa é que matamos o jogo e ganhamos a classificação, resta avaliar que o time ontem foi “frio e calculista”. Frio e calculista de mais para o meu gosto.

Confira no replay: a modernização já começou no futebol

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Da mão de “Deus” do insólito Maradona à mão de “pirata” do Barcos, temos uma coincidência na ação e na nação dos autores, mas uma infinita distância nos reflexos que o recente episódio do Beira Rio deverá repercutir. A reação dos protagonistas de Porto Alegre retrata o quadro caótico que vive o esporte mais popular da terra, ao mesmo tempo em que começa a escancarar o sistema envelhecido e bastante envilecido do futebol se decompondo diante da tecnologia ao alcance de todos.

 

O principal ator do sábado gaúcho, o árbitro alagoano da FIFA Francisco Carlos Nascimento, embora tenha assinalado o gol, juntamente com o auxiliar, e voltado atrás após cinco minutos, visivelmente por ter sido avisado da mão de Barcos, relatou na súmula que não houve nada de anormal. Fato desmentido pela jornalista da TV Bandeirante Taynah Espinoza quando confirmou que Gerson Baluta usou a informação da TV: “Foi dito que foi mão pelo que se viu, e agora o delegado está perguntando para quem está fazendo a transmissão, se pelas câmeras de televisão vimos que foi gol. Parece que estão usando mesmo a tecnologia, mesmo que não seja de forma legal, entre aspas”.

 

Gilson Kleina o técnico do Palmeiras não tinha dúvidas: “Quem anulou o gol foi o delegado. Ele viu na televisão e anulou. Isso é sem-vergonhice. O gol foi anulado cinco minutos depois! Alguém passou”. “Em todo lance, vai ter que parar e ver a televisão. O futebol está ficando uma chatice”.

 

A diretoria alviverde vítima de recentes erros de arbitragem em vez de usufruir da situação para apoiar a tecnologia tenta tirar vantagem do momento e levanta a bandeira da anulação do jogo. Bem diferente de Marcos, goleiro e ídolo: ”Na minha opinião, não precisamos que anule o jogo,a final o gol foi feito de mão. Numa época de tanta luta para que a justiça seja feita no Brasil, nós (todos) do futebol brasileiro temos que dar o exemplo, se for para acontecer o pior que seja com dignidade”.

 

Tite do Corinthias não deixa por menos: “Vamos parar com a palhaçada de que no bar da esquina a conversa é boa (com os erros de arbitragem). É boa se seu time é melhor, e não da injustiça do jogo. Esse é um clichê que escuto muito, faz parte da discussão do boteco da esquina. Tem 300 coisas boas para discutir, e não a correção do lance”.

 

Nei Franco do São Paulo no programa Quatro em Campo da CBN assinalou que será inevitável o uso da tecnologia. A facilidade e o acesso difundido forçarão a sua utilização.

 

Vôlei, basquete, tênis e quase todos os esportes têm tido mudanças para adequação às novas condições mercadológicas e tecnológicas. O tênis, por exemplo, adotou medidas que trouxeram mais justiça e mais atração, como o dos desafios eletrônicos. E não obrigatórios para todos os torneios, mas de acordo com o seu peso econômico. Para cobrir uma área de 190m2 e dois jogadores o tênis tem 10 juízes. Ainda assim precisou da tecnologia para melhorar a precisão e o espetáculo, tornando a repetição do lance uma nova atração e não a chatice prevista por alguns. O futebol para 6.400m2 e 22 jogadores tem 1 árbitro e 5 auxiliares, o que dá mais de 1.000m2 para cada juiz, contra 19m2 no tênis. São 5 juízes para cada jogador no tênis, enquanto no futebol são 0,2 juiz para cada jogador. No tênis não há contato pessoal, no futebol há contato e simulação.

 

Por estas e outras estou apostando na utilização dos recursos tecnológicos até que se copie o tênis no poder, pois lá quem manda são os tenistas e não os cartolas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos, e escreve às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

 

Avalanche Tricolor: está na hora de decidir o que queremos

 

Bahia 1 x 1 Grêmio
Brasileiro – Salvador (BA)

 

As eleições fatiaram a rodada do Campeonato Brasileiro, anteciparam jogos para quinta-feira, empurraram outro para semana que vem, enfiaram alguns no sábado à tarde e deixaram os demais para o início desta noite – o do Grêmio foi um destes. Nesse domingo, dia sempre dedicado ao futebol, teremos o segundo turno das eleições em 50 cidades brasileiras, dentre as quais São Paulo, momento em que decidiremos quem será o prefeito da nossa cidade nos próximos quatro anos. Será a hora de fazermos nossas escolhas. Em alguns municípios, o cidadão pode manter o mesmo governante dando-lhe o prazer da reeleição, escolher um novo nome entre os candidatos que se capacitaram para disputar esta etapa ou mesmo levar de volta para a administração alguém que já tenha exercido a função. Levando em consideração os resultados do primeiro turno quando a abstenção passou dos 16%, é de se prever, nesse domingo, um grande número de não-eleitores, gente que prefere ficar em casa. Assim como também muitos eleitores devem optar por votar em branco ou anular. É comum disto acontecer no segundo turno pois parcela do eleitorado não simpatiza com nenhum dos candidatos. Ou sai da campanha sem ser convencido por nenhum deles.

 

Dou preferência às eleições nesta Avalanche porque de futebol tenho pouco a escrever. O desempenho do Grêmio, tanto quanto de seu adversário, no estádio do Pituaçu, em Salvador, se equiparou ao nível daquelas disputas eleitorais nas quais os candidatos se esforçaram muito mais em destruir o concorrente do que revelar seus talentos e potencial. A quantidade de erros cometidos e lances desperdiçados fez com que poucos se safassem nesta campanha (refiro-me agora ao futebol, lógico). De todos que estiveram em campo talvez apenas Marcelo Grohe levasse meu voto.

 

Agora é a hora de decidir se queremos sair desta disputa como vencedores, lutando até o fim, acreditando sempre, suando e sangrando se necessário, dando orgulho a seus torcedores ou se aceitamos o papel de coadjuvantes. E, entenda, não estou aqui a pedir o título (que está cada vez mais distante). Falo do espírito de conquistador que sempre prezamos em nossa história. Apesar do desânimo que o quarto empate seguido nos sugere, estou sempre disposto a rever minhas posições e a acreditar na força de recuperação desta agremiação. Por isso e pela campanha feita na maior parte deste campeonato que nos deixa na privilegiada zona da Libertadores desde o primeiro turno é que deposito meu voto de confiança nestes que aí estão a nos representar em campo. Que não nos decepcionem.

Avalanche Tricolor: um jogo cheio de supresas

 

Grêmio 2 x 1 Barcelona
Sul-Americana – Olímpico Monumental

 

Desculpe-me pelas poucas palavras, caro e raro leitor desta Avalanche, mas pouco tenho a dizer porque pouco assisti da vitória de ontem, tarde da noite, em Porto Alegre. Uma inflamação na garganta – minha ferramenta de trabalho – somada a uma série de outros fatores – dor de cabeça, primeira semana de horário de verão e obrigação de acordar às quatro da matina – conspiraram contra meu desejo de vibrar com mais uma virada gremista. Confesso, porém, que fui surpreendido, não imaginava que teríamos tantas emoções nesta partida de volta depois daquela importante vitória na casa do adversário. Pensei que passaríamos com mais tranquilidade. Parece que não aprendo, nossa vida nunca é tranquila. Quem mandou gostar tanto de viver estas emoções? Seja como for, conto com os seus comentários para entender um pouco mais o que nos levou a este resultado. E deixo as imagens dos gols para comemorarmos juntos a classificação às quartas-de-final, especialmente com a cobrança de falta de Zé Roberto, o Imortal Zé (a propósito: o diretor de TV da FoxSport também foi surpreendido, mas com a cobrança de falta)

 

Avalanche Tricolor: Desculpa, Zé !

 

Grêmio 0 x 0 Coritiba
Brasileiro – Olímpico Monumental

20OCT12_GremioxCoritiba_013

 

Lembro quando o Grêmio trouxe Paulo César Lima para formar o time que seria campeão gaúcho em 1979. Famoso por seu comportamento polêmico tanto quanto pelo futebol elegante que jogava, chegou ao Rio Grande do Sul sob a desconfiança daqueles que não viam nele capacidade de oferecer ao torcedor gremista o esforço que sempre esperamos daqueles que vestem nossa camisa. Diziam que não teria força nem vontade para disputar o ríspido Campeonato Gaúcho e logo tiraria o pé das divididas e seu time de campo. Eu era adolescente e recordo do orgulho de saber que o Grêmio estava contratando um craque que havia brilhado na seleção brasileira e nos campos da Europa, onde jogou pelo Olympique de Marseille. Naquela época não era normal trazermos jogadores com este perfil, nossos principais craques com carimbo no passaporte haviam passado pela Argentina e Uruguai. Caju, apelido que ganhou pela cor que pintava a cabeleira, provou ser maior do que os críticos, participou da histórica partida contra o Esportivo, em Bento Gonçalves, única disputada no Brasil abaixo de neve, driblou quem tentou intimidá-lo pela força e conquistou o título de campeão gaúcho daquele ano. Voltou ao Grêmio, em 1983, para conquistar o Campeonato Mundial.

 

Paulo César Caju surgiu nas minhas lembranças neste início de noite de sábado, quando, aliás, assistimos a um jogo nem um pouco memorável – bem distante disto. A imagem daquele craque apareceu graças a Zé Roberto e sua performance impressionante, um jogador que consegue ser talentoso mesmo quando a mediocridade o cerca. Na estatística apresentada ao fim do primeiro tempo, nosso camisa 10 havia feito 20 passes e acertado todos, não sei quantos desses de calcanhar, desnorteando seu marcador e deixando seus companheiros em situação de ataque. A facilidade com toca na bola e como se movimenta para driblar os adversários, além da inteligência e visão de jogo, fazem dele um jogador muito diferente dos demais. Lamento apenas que não é retribuído da mesma forma por parcela de seus companheiros que deveriam pedir desculpas por não serem capazes de acompanhar o raciocínio do nosso craque.

Avalanche Tricolor: a reafirmação de um título

 

Fluminense 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Engenhão (RJ)

 

 

Você que me privilegia, rodada após rodada, com a leitura desta Avalanche não vai se surpreender com o que direi a seguir. Talvez você que esteja somente de passagem, pouco acostumado as minhas declarações apaixonadas, se espante e imagine que estou aqui ocupando espaço com subterfúgios para justificar um resultado que para a maioria dos torcedores brasileiros se aproximaria do infortúnio, pois nos deixa distante do título, mais uma vez. No entanto, eu e, com certeza, boa parte dos gremistas jamais nos pautaremos pelo comportamento da maioria. Temos uma olhar singular em relação ao futebol jogado e as exigências quanto à disposição do nosso time. Entendemos cada partida como uma disputa única, um momento de prazer próprio.

 

E, convenhamos, que prazer foi ver o Grêmio lutar bravamente dentro de campo, nesta noite de quarta-feira. Jogar equilibrando talento e raça, o que para muitos pode ser incompatível. As cobranças de falta de Elano, com categoria, que nos levou ao primeiro gol e de Léo Gago, com força, que deu origem ao segundo, resumem bem este meu pensamento. Também soubemos tocar a bola com esmero e roubar a bola com valentia, apesar da desvantagem numérica, exatamente no momento em que mais precisaríamos estar completos.

 

Não me cabe agora julgar o que levou Marcelo Moreno a tomar aquela atitude antes mesmo de completar o primeiro minuto em campo, logo após substituir Leandro. Quero crer que tenha sido uma reação provocada pelo excesso de paixão, de alguém que não suportou ver o adversário injustamente virar o placar quando o empate parecia ser o resultado mais apropriado até aquele momento. O certo é que a saída do atacante boliviano nos deu oportunidade de reafirmar que somos merecedores do título que mais orgulha nossa torcida. E foi pela reconquista deste título que comemorei ao apito final. O título de Imortal Tricolor.

Avalanche Tricolor: desanimar, jamais !

 

Grêmio 1 x 1 Botafogo
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Dá uma baita tristeza! A cara dos torcedores, destacada pelas câmeras na transmissão da TV, deixava isto muito claro. Um gol naquela altura do campeonato – literalmente – é de desanimar qualquer um. Assim como desanima ver que os lances a nosso favor são anulados, como o gol de Zé Roberto no primeiro tempo, enquanto os principais adversários são beneficiados, às vezes duplamente, na mesma partida.

 

O desânimo sobre o qual escrevo no parágrafo acima, no meu caso em particular, não dura mais do que algumas linhas, pois antes mesmo de começar a escrever esta Avalanche penso em tudo que já passamos na arquibancada, nas dificuldades encaradas com coragem, mesmo quando estávamos cientes da nossa incapacidade, nas derrotas sofridas e classificações que sabíamos impossíveis.

 

Logo percebo que vivemos outro momento, mesmo com resultados adversos como o desta noite de domingo. Mesmo entendendo que não conseguimos manter a bola no pé durante todo o segundo tempo. Sabendo que abdicamos de chutar a gol e nos faltaram substitutos a altura dos titulares.

 

Temos um time que desde a décima rodada está na zona da Libertadores. Tem o respeito dos adversários. Disputa ponto a ponto a vice-liderança. E ainda vive a esperança de conquistar o título, mesmo precisando driblar suas carências, erros de arbitragem e o talento dos concorrentes diretos.

 

Por tudo isso, não temos de desanimar, apenas lamentar. E no meio da semana nos recompor e encarar a partida como final de campeonato, pois não jogamos por um título. Jogamos porque gostamos. Porque queremos vencer sempre.

Avalanche Tricolor: uma jogada que conta uma história

 

Sport 1 x 3 Grêmio
Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

 

Estava estatelado no chão, parecia abatido, sem força para reação. Foi humilde para se levantar sem lamentar, não esboçou qualquer reação nos olhos, parecia estar apenas cumprindo sua missão. Teve personalidade para erguer a cabeça, acreditar na sua capacidade, apostar em seu talento e enxergar no horizonte um espaço para brilhar. O lance que resultou no primeiro gol do Grêmio na importante vitória desta noite é praticamente a transcrição da história de Anderson Pico, nosso ala esquerdo que depois de todas as adversidades impostas por ele próprio encontrou no Olímpico, sua primeira casa, o ambiente que necessitava para rever sua carreira. Pediu para ficar, prometeu melhorar, entrou em campo e nunca mais deixou o time. Hoje, fez um gol segundos após escorregar no gramado da Ilha do Retiro e cair. Parecia perdido. Parecia, mas não estava. Ficou em pé, dominou a bola e viu, entre os zagueiros e o goleiro adversários, o espaço para dar inicio a mais uma conquista neste Campeonato Brasileiro. Não me refiro aos três pontos – estes buscamos todos os jogos -, mas a vice-liderança, uma posição que estamos galdando a cada rodada, para a qual nos preparamos para assumir na hora certa, sem precipitação. Faltam dez pontos para superar o líder e ficarmos com o título. A maior parte não acredita que sejamos capazes, considera o resultado final favas contadas. Muitos gremistas devem pensar da mesma maneira, principalmente quando viram que o time enfrantaria esta batalha contra os desesperados da Ilha com um elenco de reservas, pelas ausências de Gilberto Silva, Fernando, Zé Roberto, Elano e Marcelo Moreno. Devem ter preferido assistir às agruras de Max e o bem tramado enredo da novela Avenida Brasil. Azar deles todos, incrédulos. Perderam Anderson Pico, Naldo, Léo Gago, Marquinhos, Marco Antônio e o serelepe Leandro. Um dia serão todos, assim como eu, fiéis à Imortalidade.