O que aprendi com os meninos que não saem da frente do computador

 

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Fiquei em algumas filas a espera da loja de games abrir para que eles participassem do campeonato da vez. Lembro de atuarmos ao menos de duas acirradas disputas, de Mario Kart e Super Mario Strikers – nesta, a falta de um colega de equipe para um menino que estava sozinho na fila me fez entrar no jogo, também. Meus dois filhos, por motivos óbvios, preferiram formar eles próprios uma dupla.

 

Nunca chegamos a ganhar um campeonato, pois sempre aparecia alguém mais bem preparado e, geralmente, mais velho do que eles para ficar com o prêmio maior. Lembro que em uma das competições até fomos bem longe e ficamos entre os finalistas, mas tivemos de nos contentar com a diversão.

 

Levá-los à diversão eletrônica equivalia aos passeios proporcionados pelo meu pai aos jogos de futebol e basquete, em Porto Alegre. Naquela época, jogávamos bola em campo de areia e pracinhas de cimento irregular. O primeiro jogo eletrônico que foi parar nas minhas mãos era um Atari, que dois amigos tinham ganhado de presente. Já eram os anos de 1980.

 

Os guris aqui de casa também jogaram futsal e a quadra era sintética, na escola. Hoje, se exercitam na academia e preferem os equipamentos de musculação.

 

Desde pequenos, eles curtem os jogos eletrônicos – como praticamente todos os seus amigos. Motivo para termos ouvido muito a frase que ecoa nos lares brasileiros: “eles ficam o tempo todo no computador”.

 

Nunca fiquei assustado com a concorrência desse mundo, pois percorremos juntos este caminho. Em casa, nossos computadores sempre estiverem na mesma mesa, e nossa mesa sempre esteve na mesma sala, a de jogos, televisão e trabalho. Assim, nos acostumamos a estar juntos e não ficar isolado no quarto tanto quanto a compartilhar o que estávamos fazendo. E ninguém reclamou da quebra de privacidade.

 

A proximidade me fez entender algumas coisas que percebo são difíceis para muitos pais. Por exemplo, estarem à frente do computador por muito tempo não significa que estejam alienados. Conversam com os colegas, se informam e trocam informações. Se relacionam (e desses relacionamentos surgem novas amizades).

 

Há pais que creditam ao hábito o mau desempenho escolar dos filhos. Como castigo, decidem cortar a internet. Não dá mais, “eles ficam o tempo todo na frente do computador” – reclamam. E em respeito a autoridade paterna, apenas os ouço e me calo.

 

Geralmente, o baixo rendimento na escola está relacionado a outros fatores e não ao acesso indiscriminado às redes. Em casa, aprendi observando: eles não ficam o tempo todo no computador. Eles ficam todo o tempo fazendo um monte de coisas no computador, inclusive estudando.

 

Deparei-me várias vezes com os dois batendo papo pela rede com outros colegas de sala de aula, resolvendo questões mais complexas passadas pelo professor e tirando dúvidas enquanto se preparavam para os testes que seriam aplicados na escola. Na falta de solução compartilhada, eles próprios navegavam na internet em busca de resposta e esta podia ser encontrada em uma página ou em um vídeo no You Tube. No intervalo dos estudos, já os “flagrei“ assistindo a seriado no Netflix ou tentando passar mais uma etapa no jogo. Quando não, fazendo uma coisa e outra ao mesmo tempo.

 

Por mais de uma oportunidade, foram eles que me chamaram atenção para algo que estava se destacando no noticiário: a bomba que explodiu na Europa, o comentário desastroso de algum líder político, a celebridade que se meteu em mais um escândalo, o lançamento de um novo seriado e a última novidade eletrônica, que movimentará milhões de dólares, apresentada nos Estados Unidos. Ouviram no rádio? Viram na TV? Claro que não!

 

“Eles não saem da frente do computador”.

 

Tenho pensado muito sobre a trajetória deles no momento em que começam a traçar carreiras. O mais velho que enveredou pelo jornalismo, já trabalhou em um site de esportes eletrônicos, fez programa na rádio da faculdade sobre o mesmo tema e hoje escreve textos como especialista no assunto. O mais novo estreia no palco do Lol – League of Legends, neste sábado: é técnico estrategista de uma das equipes que disputam o título brasileiro (#TôNaTorcida). Ano passado já esteve no cenário como assistente na organização que representou o Brasil no Mundial.

 

Dos meus bate-bolas no campinho de areia ao estúdio de alta tecnologia montado para as partidas de Lol, onde estará meu pequeno. Do meu primeiro programa de rádio dedicado ao esporte amador na Guaíba AM, em Porto Alegre, ao programa de e-sports na WEB da ESPM, onde esteve meu maior. Lá se foram muitos anos, cada um com sua influência e seu atrativo. Uma diferença que não nos distanciou. Nos alinhou.

 

O que aprendi nesta experiência é que eles “não saem da frente do computador”, mas isso não é um problema. O problema é quando nós saímos do lado deles.

Mundo Corporativo – Nova Geração: Rui Leal fala como os jovens devem se preparar para o mercado de trabalho

 

 

“Aquilo que a escola esta formando, não é o que as empresas estão buscando, tem uma gap e não tem nada a ver com o conteúdo técnico que as escolas estão passado, o que a empresa está buscando, além do conhecimento acadêmico que eu chamo de conteúdo técnico, o jovem precisa ter um conteúdo comportamental, é aí que a coisa pega.” O alerta é de Rui Leal, supervisor-geral do Instituto Via de Acesso, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, na estreia de Mundo Corporativo – Nova Geração. Leal é especialista na orientação de estudantes e formandos que começam a dar seus primeiros passos nas organizações e autor do livro “Jovens Digitais – Aprendizes, estagiários e Trainees”(Editora Integrare).

 

Mundo Corporativo – Nova Geração é uma série de entrevistas que você assiste no último sábado do mês, no Jornal da CBN. A ideia é abrir espaço para discutir temas relacionados aos jovens que se preparam para iniciar-se em uma carreira profissional e empreender. A chegada desta geração no ambiente organizacional tem causado mudanças de comportamento e se transformado em desafio para os gestores.

 

Colaboraram com este quadro Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Debora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Luiz S. Vieira da EYBrasil apresenta o escritório do futuro

 

 

“Essa nova geração, entre os incentivos não financeiros, o mais importante para  ela é a flexibilidade; eles querem um ambiente que permita a inovação; um ambiente que tenha muita tecnologia incorporada a isso …” De acordo com Luiz Sérgio Vieira, vice-presidente de mercados da Ernest & Young, essas são algumas das características necessárias para tornar o ambiente de trabalho atrativo aos jovens talentos. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Vieira descreve como deve ser o escritório do futuro e também mostra como as novas gerações impactam as relações de trabalho.

 

O Mundo Corporativo é apresentado ao vivo, quartas-feiras, 11 horas, no site www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo, Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.