Avalanche Tricolor: o Imortal voltou!

 

Atlético MG 1×3 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

 

Gremio x Cruzeiro

 

 

É difícil até de começar esta conversa com você, caro e raro leitor desta Avalanche! Estar nesta final da Copa do Brasil tem me provocado as mais diversas sensações.

 

Me vi na cabine do Morumbi narrando (e comemorando) o título da Copa de 2001, como lembrei em texto anterior. Também revisitei o Olímpico em seus escombros e senti a força daquela avalanche que marcou história.

 

Pensei no pai com quem costumava ir até lá assistir aos jogos do Grêmio desde um tempo em que os títulos estaduais eram nossa maior façanha. E como seria bom estar ao lado dele mais uma vez para vibrar nesta final. O telefonema dele hoje à tarde, antes da partida, foi um alento a saudade daqueles anos.

 

Revivi os tempos de guri em que vestia a camisa do Grêmio para assistir às aulas nos dias seguintes às vitórias. E a envergava nos ombros mesmo quando os resultados não eram assim tão bons.

 

Pude pensar nas vezes em que fiquei sentado ao lado da casamata na função de gandula (e pombo correio), levando ao time as instruções determinadas pelo padrinho Enio Andrade. Sem contar as vezes em que chorei sentado na arquibancada pelas frustrações de não ter um título.

 

Até aquela Batalha heróica dos Aflitos e a maneira como os guris aqui em casa comemoram um título que eles mal entendiam a importância vieram à memória nestas horas que antecederam o início da decisão.

 

Quando a bola começou a rolar e o time comandado por Renato se impôs no Mineirão, a ansiedade da final foi substituída pela certeza de que a Copa seria nossa. Que fique claro, ainda não o é … mas a personalidade de cada um dos 11 jogadores em campo superou qualquer temor, mesmo nos momentos mais difíceis – raros momentos em uma partida praticamente toda dominada pelo Grêmio.

 

A marcação perto da área do adversário, as roubadas de bola, a maneira como o time se movimentava para receber e passar, a elegância do drible e a velocidade do jogo nos davam a impressão da invencibilidade.

 

Foi então que Pedro Rocha fez um, perdeu outro e mais outro. E fez mais um, novamente. E tirou a camisa, como eu faria de euforia. Tomou amarelo. E fez falta, como nós todos faríamos, e tomou o vermelho. E chorou, como muitos de nós faríamos no lugar dele.

 

O guri que um dia o presidente gremista Romildo Bolzan definiu, em entrevista que fiz na ESPN, como sendo aquele que “sempre está lá”, da mesma forma que nos levou ao ápice também nos fez lembrar de um enorme mérito que temos: o da Imortalidade.

 

Com um a menos e a pressão da torcida, tomamos um gol e, imagino, que houve alguém gritando nos nossos ouvidos que acreditava na virada.  Mas aquilo tudo era apenas para comprovar o quanto somos capazes de superar adversidades. Era como se precisássemos passar por mais esta provação para que o Brasil inteiro compreendesse nossa resiliência.

 

E para que não houvesse dúvidas de que o Imortal estava de volta, Geromel e Everton completaram o placar que nos oferece uma vantagem importante para o último jogo, na Arena. 

 

Para a festa ficar completa ainda temos que encarar a batalha final e, não vamos esquecer, contra um time que contou histórias incríveis no futebol nos últimos anos. Portanto, por mais próximos da Copa que estejamos, ainda precisaremos entrar em campo quarta-feira que vem com a mesma raça e talento que vestimos no jogo desta noite.

 

Tenha certeza, será mais uma semana de muitas lembranças e emoções.

 

Avalanche Tricolor: o prazer de narrar o Grêmio campeão da Copa do Brasil

 

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Faz muito tempo. E tantas coisas mudaram por aqui.

 

Em 2001, quando vencemos a Copa do Brasil, tive um dos maiores prazeres da minha vida. Além de assistir ao Grêmio campeão – e isso me dá prazer mesmo em disputa de cuspe à distância – fui premiado com o direito de transmitir a final contra o Corinthians, no estádio do Morumbi.

 

Naquela época, fazia experiência como narrador de futebol na Rede TV! a convite de Juca Kfouri que acreditava como eu haver espaço para uma transmissão mais sóbria e menos intrusiva na vida do telespectador. Éramos poucos a acreditar no resultado daquela iniciativa. Mas a levamos em frente.

 

Tudo se iniciou com os jogos da Champions League, aos quais a emissora tinha direito de transmitir na televisão aberta. Na sequência, por acordo com a TV Globo, passamos a apresentar, também, as partidas do Campeonato Paulista e da Copa do Brasil.

 

Por uma rica coincidência, naquele mesmo ano, o Grêmio, treinado por Tite, em sua primeira experiência na elite do futebol brasileiro, foi surpreendendo um adversário atrás do outro. Os tropeços nas primeiras partidas eram superados com vitórias contundentes em casa, no jogo de volta. Foi assim com Vila Nova e Santa Cruz.

 

Os resultados mais importantes, porém, vieram nas etapas finais, ao superar o Fluminense (uma vitória e um empate), o São Paulo (ao vencer em casa e no Morumbi  – com um incrível 4×3) e o Coritiba (quando vencemos as duas).

 

Apesar dos bons jogos e resultados, não havia tido oportunidade ainda de narrar uma só partida do meu Grêmio, pois enquanto nós avançávamos de um lado da tabela, o Corinthians avançava do outro e, por motivos óbvios, a televisão privilegiava os jogos do time paulista. Isso me levava a narrar os jogos deles e, de revesgueio, assistir aos do Grêmio.

 

A televisão me deu a chance de narrar a partida final, no Morumbi, depois de já termos empatado em dois a dois no Olímpico. A festa havia sido preparada para os paulistas. E a casa estava cheia. Naquele estádio, além de um pequeno grupo de torcedores concentrado na arquibancada, onde eu não conseguia enxergar da cabine de transmissão, apenas eu acreditava na possibilidade do título.

 

Perdão, naquele estádio havia um outro grupo que acreditava como ninguém na vitória. Era o time do Grêmio comandado por Tite, o técnico que se atreveu a pedir para que seus jogadores driblassem e se divertissem em campo, apesar da forte pressão que o adversário iria impor no estádio lotado.

 

E o Grêmio driblou, se divertiu, fez três gols e comemorou o título da Copa do Brasil.

 

Lá no alto, em uma cabine muito maior do que a minha capacidade de narrador merecia, assistia àquele espetáculo e narrei para todo o Brasil cada momento da nossa conquista. Foi difícil controlar a emoção pois ali estava quem só havia feito aquilo em menino e nas partidas de botão lá no Menino Deus, em Porto Alegre.

 

Em jogos de verdade, até então, me satisfazia em ouvir a voz de meu pai, Milton Ferretti Jung, nas jornadas esportivas da Rádio e TV Guaíba. E foi para ele que gritei o último gol gremista, marcado por Marcelinho Paraíba, após jogada que lembra muito o toque de bola do nosso time atual. Verdade que foi um mal e desafinado grito de Gol-gol-gol, mas era o que podia fazer naquele momento em que fui tomado pela alegria de comemorar o título que se confirmava em campo.

 

Como disse, faz muito tempo. E tantas coisas mudaram até aqui.

 

Aquele foi meu último jogo como narrador esportivo, pois tinha ciência de que a experiência seria passageira. Meu rumo era o jornalismo, onde já navegava com mais segurança e personalidade. Passei por outras redações e persisti no microfone da rádio CBN.

 

De lembrança, além daquelas guardadas na memória e o vídeo do jogo que narrei, tinha até pouco tempo uma medalha oferecida aos campeões da Copa do Brasil de 2001, que havia sido perdida no gramado. Como não encontraram o seu dono, entregaram para mim algumas semanas depois. Infelizmente, quando tive a casa invadida por bandidos, assim como toda minha coleção de camisas do Grêmio, foi-se a medalha, também.

 

Minha família cresceu. Os meninos que eram pequenos na época, hoje tomam seu próprio rumo, apesar de estarem todos em casa. São gremistas como eu, clube que eles adotaram, mesmo nascidos em São Paulo, após ver o pai sofrer na Batalha dos Aflitos.

 

Meu pai já não narra mais. Em contrapartida se agarra na imagem de Padre Reus em sinal de sua fé no Grêmio, diante da televisão, em Porto Alegre. Eu estou mais experiente. Calejado pela vida e pelo futebol.

 

A nos aproximar daquele ano de 2001, o nosso desejo alucinante de conquistarmos mais uma vez um grande título, porque eu, o pai e os meninos, todos nós #QueremosACopa

Avalanche Tricolor: um passeio no parque com direito a muita diversão

 

 

Grêmio 3×0 América MG
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Festa na Arena em foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

 

Dois gols no primeiro tempo, um no segundo. Alguns bons lances de ataque, toque de bola interessante e uma ou outra jogada que poderia ter levado a uma vitória ainda mais tranquila.

 

 

A partida deste domingo foi quase um passeio no parque.

 

 

Com todos os jogadores reservas e poucos riscos a correr, voltamos a vencer no Campeonato Brasileiro e nos mantivemos na disputa por uma vaga na Libertadores.

 

 

Foi bom até para tirar o peso das costas de alguns jogadores que ainda nos devem um temporada melhor como Fred, que fez o primeiro gol, Negueba, que marcou o segundo, e Miller, autor do terceiro.

 

 

As disparadas de Iago pela direita foram boas de ver, e ofereceram a esperança de que possa haver ali um lateral mais eficiente na frente. Everton foi o Everton que conhecemos no ataque. Guilherme, também. E confesso que torço muito para que ele ganhe o direito de comemorar um gol neste ano.

 

 

Gostei ainda de ver o menino sul-africano Ty e sua agilidade com a bola no pé, apesar de ter entrado apenas no segundo tempo. Que sejam apenas os primeiros passos de uma longa carreira no time titular.

 

 

Depois de cinco jogos sem vitória e a alguns dias da Grande Decisão, o Grêmio ofereceu ao seu torcedor um domingo divertido. Aliás, vi muita gente dando gargalhada na arquibancada … e não era só pelos gols que marcamos em Porto Alegre.

 

 

Fala a verdade: fizemos por merecer estes momentos de tranquilidade até porque as próximas duas semanas serão nitroglicerina pura.

 

 

Que venha a Copa!

Avalanche Tricolor: era clássico, mas não era Copa

 

São Paulo 1×1 Grêmio
Brasileiro – Morumbi/SP

 

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O Grêmio tá de olho mesmo é na Copa  (foto LUCAS UEBEL/GremioFBPA)

 

Esqueci não! É falta de tempo mesmo. Assim respondi a alguns amigos que, como você, caro e raro leitor deste blog, percebeu a demora na publicação desta Avalanche.

 

A quinta-feira foi gorda e me afastou do Morumbi, apesar de morar tão próximo do estádio. Já a sexta foi rica e corrida. E mal consegui sentar para escrever.

 

Nosso cotidiano tem sido tomado por compromissos. E precisamos privilegiar uns em detrimento de outros. Aprendi no tempo que a ideia do ser humano multitarefa é lenda urbana. Foi criada por gestores dispostos a nos impor cada vez mais trabalho.

 

Por mais que consigamos realizar muitas tarefas ao mesmo tempo, tenha certeza que apenas uma delas será feita com afinco e precisão. As demais correm no piloto automático.

 

Isso não quer dizer que deixei de assistir ao Grêmio neste que é um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

 

Independentemente da situação que as duas equipes estejam na competição, ver os tricolores gaúcho e paulista frente à frente é sempre esperança de bom jogo e lembrança de grandes conquistas. Para provar isso, ouvi o locutor da televisão informar que partidas entre os dois clubes não terminam em 0x 0 faz um catatau de anos. E o jogo de ontem manteve a escrita com o 1a1 final.

 

Em deslocamento de uma cidade a outra, aqui na região de São Paulo, assisti ao jogo pela tela do meu celular e diante do que vi, sempre que a conexão permitiu, o resultado pode ser explicado de maneira simples: um time jogou no primeiro tempo e o outro, no segundo. Além disso, fomos de uma precisão singular: um chute no gol, um chute dentro do gol.

 

Claro que tem outros aspectos que precisam ser levados em consideração.

 

Por mais que os dois pontinhos que deixamos de ganhar fossem importantes para nos colocar na zona de classificação da Libertadores, imagino o quanto tem sido difícil convencer jogadores – e a própria torcida – de que existe alguma coisa a ser conquistada além da Copa do Brasil.

 

Pede-se empenho no Brasileiro e na cabeça do cara vem a imagem da partida final da Copa do Brasil. Exige-se um esforço extra para recuperar a bola e aparece o temor de uma lesão capaz de afastá-lo da decisão. Quer-se uma vaga na Libertadores e o jogador logo pensa que está prestes a conquistá-la por outro caminho e com direito a levar a taça.

 

Como lembrei: até podemos fazer várias tarefas ao mesmo tempo, mas tendemos a priorizar apenas uma. E essa uma, no caso do Grêmio, você sabe bem qual é.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

Grêmio 0x3 Sport
Brasileiro – Arena Grêmio

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Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Avalanche Tricolor: guris, o Grêmio Copero voltou!

 

Grêmio 0 (2) x(0) 0 Cruzeiro
Copa do Brasil – Arena Grêmio

     

  • troquei Copeiro, em português, para Copero, em espanhol, por sugestão do Márcio Neves, a quem agradeço pela leitura e porque contra a história não se briga de jeito nenhum.

 

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Guris,

 

A gente está de volta! Estamos na final! E na final da Copa que nasceu para nós.

 

Vocês não lembram nem eram nascidos ainda.

 

Em 1989, quando esta Copa se iniciou, nós fomos os campeões.

 

De lá pra cá, nos acostumamos com ela. E aos títulos, também.

 

Somos tetracampeões.

 

A última vez foi há 15 anos. 

 

Vocês eram muito jovens quando o pai narrou aquela final, em 2001.

 

Ganhamos de 3×1 do Corinthians, aqui no Morumbi.

 

Desde lá, nosso único título nacional foi o da Batalha dos Aflitos, que vocês sabem ter sido fundamental para forjá-los tricolores, mesmo morando longe do Rio Grande.

 

Tivemos outras chances de ganhar, tanto a Copa do Brasil como o Brasileiro e a Libertadores. Mas não tivemos sucesso.

 

Estamos mais uma vez em uma final. E chegamos honrando o título de copero que construímos na história com vitórias incríveis e algumas que pareciam ser impossíveis.

 

Desta vez, começamos a conquista na casa do adversário, ao vencermos por 2 a 0,  e viemos para a Arena apenas confirmar passagem à final. E o fizemos com inteligência e talento.  

 

O mais legal é que dessa vez, eu terei vocês ao meu lado para vibrar, torcer e sofrer.

 

Guris, preparem-se, o Grêmio Copero voltou!

Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

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O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

Avalanche Tricolor: categoria e vigor deixam o Grêmio próximo da final

 

 

Cruzeiro 0x2 Grêmio
Copa do Brasil – Mineirão

 

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Torcida do Grêmio no Mineirão (reprodução da SPORTV)

 

Raro momento este que exercito agora: escrever esta Avalanche antes mesmo do fim da partida. E se me atrevo a tal, é porque o Grêmio me proporcionou esta oportunidade.

 

Poucas vezes nestes últimos tempos, vi o Grêmio jogar com tanta maturidade. O estádio lotado e a experiência do adversário não foram suficientes para intimidar nossos jogadores.

 

Exceção aos 15 primeiros minutos, o Grêmio dominou o jogo, tocou a bola, se movimentou com inteligência e voltou a desfilar o futebol ensinado por Roger e desenvolvido por Renato.

 

Foi solidário na marcação com os jogadores da frente atrapalhando a saída de bola, deu pouco espaço para que o adversário impusesse perigo e a dupla de área foi de uma seriedade de chamar atenção.

 

O primeiro gol deu a cara da partida com a bola rolando de pé em pé. Foram 23 toques em pouco mais um minuto, com jogadores passando a bola e se deslocando para receber livre, a ponto de desnortearem os marcadores. E um chute genial de Luan que voltou a marcar após 12 partidas. E que gol, ele marcou!

 

O segundo gol foi resultado da vantagem conquistada no primeiro tempo. O Grêmio obrigou o adversário a dar mais espaço, e isso costuma ser fatal diante da qualidade do toque de bola gremista. Foi resultado, também, da forma voluntariosa – nem sempre com bons resultados – com que Marcelo Oliveira atua, pois ao cortar a bola na lateral do campo proporcionou nosso contra-ataque. E, sem dúvida, foi resultado da maneira como Ramiro e Douglas – principalmente Douglas – tratam a bola.

 

Chego ao fim do texto no momento em que a partida se encerra. E nada mudou desde que comecei a escrevê-lo.

 

O Grêmio foi melhor, jogou futebol de verdade e fez o placar que lhe põe muito próximo da final da Copa do Brasil. Mas a gente sabe que nada está resolvido ainda. É preciso confirmar o resultado na Arena semana que vem, pois, como disse lá no inicio, escrever esta Avalanche com o jogo em andamento é coisa rara e sabemos que as conquistas não costumam ser fáceis para os Imortais.

Avalanche Tricolor: pragmático, óbvio e classificado à semifinal da Copa do Brasil

 

Palmeiras (2)1×1(3) Grêmio
Copa do Brasil – Allianz Parque

 

 

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Jogadores comemoram classificação (reprodução da TV)

 

“Quando a gente tá com a bola ataca, quando não tá, defende”…

 

Assim Renato explicou como o Grêmio deveria se comportar em campo, ao responder pergunta feita pelo repórter da televisão, um minuto antes de se iniciar a partida dessa quarta-feira à noite, em São Paulo.

 

Foi simples, direto e objetivo, como ensina o mantra da boa comunicação.

 

Foi óbvio, também! Talvez porque tivesse como meta, naquele momento que antecedia a decisão, apenas se livrar da conversa com o jornalista, afinal o que interessava mesmo é o que viria a acontecer em seguida no gramado – no ruim gramado do Allianz Parque.

 

Por mais simples que tenha parecido a explicação do técnico gremista colocar a ideia em prática seria extremamente complexo, como se viu ao longo do jogo.

 

Nem sempre quando a bola esteve com o Grêmio, conseguimos atacar; muitas vezes tropeçamos nas nossas deficiências de movimentação e, em outras, na eficiência da marcação.

 

Nem sempre quando a bola estava com o adversário, conseguimos marcar; muitas vezes deixamos mais espaço do que deveríamos e a bola chegava com perigo dentro da área. Nos safamos de algumas boas quando só nos restava contar com a sorte e a coragem. E coragem não faltou a nossos defensores que se atiravam de qualquer maneira para evitar o gol.

 

Sem colocar em prática a obviedade proferida por Renato, torcíamos para que o relógio andasse mais rápido do que nosso toque de bola, já que o empate nos bastava. Chuleávamos para que em um lance fortuito conseguíssemos fazer um gol, o que nos levaria a respirar um pouco mais.

 

O gol saiu, mas não foi do nosso lado. Foi contra nós, e pelo alto, como sempre.

 

O resultado já não nos interessava mais. O relógio que parecia bater em um ritmo lento, começou a rodar com rapidez. E o nosso futebol não andava lá essas coisas, apesar de algumas chances criadas.

 

Isso não quer dizer que havíamos desistido de lutar … afinal, ainda assim, nos bastava apenas um gol, não mais do que isso para a vaga estar garantida.

 

Foi, então, que aos 15 minutos do segundo tempo, Renato mais uma vez usou a lógica e colocou em campo aquele que não nos tem faltado nas últimas partidas: Everton.

 

Nosso atacante foi o personagem da classificação: foi dele o lance que resultou na expulsão que fragilizou o adversário, assim como foi dele o lance que desnorteou a defesa, deslocou o zagueiro e abriu espaço para fazer o gol.

 

Everton entrou em campo e cumpriu a ordem de Renato: quando a gente tá com a bola, ataca. O que permitiu que o restante do time fizesse a outra parte: quando a bola não tá, a gente defende.

 

Com o pragmatismo de Renato, a dedicação do time e o talento de Everton estamos na semifinal da Copa do Brasil, mais próximos da Libertadores e de um tão desejado título.

Avalanche Tricolor: os nossos “alternativos” mandaram bem, na Vila

 

 

Santos 1×1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro SP/SP

 

 

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Renato em foto do arquivo no Flickr de LUCASUEBEL/GREMIOFBPA


 

 

Havia quem esperasse pouco do time escalado para jogar neste domingo. Eu, por exemplo. Você, talvez. Quero acreditar que o próprio Renato não apostaria todas suas fichas em um resultado positivo.
 

 

O time era o alternativo, como repetiu o repórter de campo durante a transmissão da televisão. Não sei se no rádio disseram o mesmo. Chamou-me atenção porque no meu tempo costumávamos dizer que este era o time reserva.
 

 

Bem que gostei da ideia de batizá-lo como alternativo. Creio que isso seja coisa do Renato e os jornalistas estejam apenas levando à frente. Nos dá um olhar diferente sobre os jogadores que estão em campo. Não os impõe a pecha de segundo escalão, apenas de diferentes.
 

 

E foram diferentes em campo. Surpreendentes, eu diria.
 

 

Além de se fecharem bem na defesa, sem vergonha de admitir a diferença em relação ao adversário, usaram o contra-ataque como poucas vezes vimos na competição. Capacidade que se revelou logo no início da partida com gol que surgiu de jogada na qual Everton soube combinar sua velocidade com domínio de bola e precisão no chute. Coisa rara de se ver no futebol.
 

 

Conter a pressão de um time pouco acostumado a derrotas em seu campo seria tarefa das mais complexas. Por isso, o gol que tomamos de cabeça parece que já estava mesmo na nossa conta. E veio para ratificar que se a zaga principal parece ter se ajeitado por cima, a alternativa ainda tem o que melhorar.
 

 

O segundo tempo, apesar de nosso gol não ter saído – e foi por detalhe -, voltamos a surpreender. A marcação foi mais alta, na saída de bola do adversário, e isso desorganizou a chegada do ataque deles. Mudança, com certeza, que teve o dedo de Renato.
 

 

Estivemos sob fogo cruzado boa parte do jogo, mas vimos nossos defensores se multiplicarem para segurar o empate. Em alguns casos chegamos a ter dois jogadores marcando a mesma bola. Houve aquilo que a turma gosta de chamar de entrega total em campo.
 

 

Ao fim da partida Maicon definiu o empenho da equipe: “se não vai no entrosamento, vai na vontade”.
 

 

Os nossos alternativos demonstraram muita vontade e estão de parabéns, pois neste domingo, jogando pelo Campeonato Brasileiro, seguraram a onda da turma que descansou para, na quarta-feira, “jogar a vida” na Copa do Brasil.