Avalanche Tricolor: Imagem distorcida na TV

 

Grêmio 2 x 2 Palmeiras
Brasileiro – Olímpico Monumental

Fernando comemora gol em foto do Portal Grêmio.net

Houve tempos – já falei sobre isso em Avalanches anteriores – em que acompanhar o Grêmio, morando em São Paulo, exigia um esforço descomunal. A internet engatinhava, era discada e não oferecia resultados segundo a segundo como fazem os principais sites atualmente. A televisão dedicava sua programação aos jogos de clubes que interessavam diretamente aos paulistas e o sistema pagar-pra-ver não existia ainda. O rádio era a alternativa, mesmo assim em condições precárias, pois as emissoras paulistanas não tinham motivo para falar da partida disputada lá no Sul e as gaúchas eram sintonizadas sob os protestos de estática e chiados. O único que ainda oferecia um resquício das transmissões dos narradores conterrâneos era o do carro, mas para entender o recado precisava rodar distante do centro evitando a interferências das antenas de transmissão.

Hoje, a internet avança no ritmo das centenas de megabits, os sites se atrevem a anunciar a narração digital dos jogos e uma busca rápida lhe coloca diante de transmissões piratas das partidas, onde você estiver. Minhas emissoras preferidas posso ouvi-las apenas clicando em um aplicativo na tela do celular que ganhou “status” de rádio. E o cardápio no PPV é completo, me permitindo assistir à toda e qualquer partida gremista. Mesmo assim, ainda são raras as oportunidades de ver o Grêmio na televisão aberta, o que aconteceu neste domingo com a cobertura da TV Globo. Isto me permitiu alterar do canal 18 para o 125 – minha assinatura é da NET – nos mais de 90 minutos jogados e perceber algumas diferenças como a qualidade superior de imagem e som na Globo, onde podemos ouvir com muito mais clareza o que dizem os jogadores e técnicos em campo – entre um palavrão e outro, às vezes, aparecem alguns diálogos e comandos. Curioso, pois a captação, aparentemente, é a mesma. Em ambos os canais, as características dos narradores e comentaristas se assemelham – e peço licença para não registrar aqui minha opinião – com a vantagem de que na Globo tem Renato Marsiglia falando de erros e acertos do juiz.

Falo de TV e transmissões nesta Avalanche porque de futebol tenho muito pouco a dizer. Por mais que eu trocasse de canal, e se tivesse buscado a navegação na internet ou a sintonia de uma rádio qualquer não seria diferente, a qualidade do jogo jogado foi precária. Menos mal – que isso não seja visto como pouca coisa – que a mística do Imortal voltou em lances protagonizados por dois jovens: nos dribles de Leandro e no chute arrebatador de Fernando. No mais, nossa imagem está distorcida.

N.B: E por falar em transmissões, ouça a narração dos gols de Grêmio e Palmeiras, na voz de meu colega de CBN Paulo Massini

OS GOLS DE GRÊMIO 2X2 PALMEIRAS AO SOM DE RENATO BORGHETTI – PAULO MASSINI by futebolcbn

Avalanche Tricolor: Cada um com o seu desafio

 

Atlético (MG) 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Sete Lagoas (MG)

“Estou curioso pra ler o que vais escrever na Avalanche Tricolor” foi a desafiadora mensagem que recebi de meu pai na manhã deste domingo. Esta tem se repetido com irritante frequência. Que fique claro: o que me irrita não são os e-mails enviados por ele – são sempre bem-vindos tanto quando as ligações telefônicas e as visitas a São Paulo -, mas o fato de ao fim de cada rodada escrever sobre o jogo no qual seu time de coração não fez por merecer uma só palavra de consolo ter se tornado comum. É simples a tarefa quando assistimos à uma partida como a do domingo anterior em que seus jogadores se transformam em campo e reproduzem com a bola nos pés aquilo que seu coração de torcedor tanto espera. Quando nos vemos em situações como a de ontem, dá vontade de chutar tudo para o alto e abrir mão da tarefa auto-imposta de descrever nesta Avalanche de palavras meu sentimento a cada partida.

Houve um tempo em que meu time superava os desafios mais impressionantes. Consagrou-se por estas histórias que beiravam o absurdo. Conquistava o que os outros eram incapazes de vislumbrar. Estar atrás no placar e ter um, dois, três, quatro jogadores a menos não fazia a menor diferença, não abalava nossa fé. Mas estamos vivendo um outro tempo no qual ter um jogador a mais em campo pouco significa, estar com o domínio da bola não resulta em nada além de algumas trocas de passes e chutes esparsos distante do gol. Não vou perder meu tempo pesquisando o histórico das partidas neste Brasileiro, mas tenho a impressão de que em muitas delas o adversário teve jogador expulso e nós não soubemos como se comportar diante desta situação. Deviam aprender com o padrinho Ênio Andrade que na simplicidade de seu olhar ensinava: cada um marca um e sempre sobrará um do nosso lado; não tem como perder.

A me consolar, algo sobre o qual já me referi nesta Avalanche: em uma temporada de tão poucos feitos tínhamos diante de nós duas decisões, a primeira vencida domingo passado, a próxima, marcada para a última rodada deste Campeonato. Pode parecer pouca pretensão para quem sempre está em busca dos grandes momentos, mas ao menos consigo responder ao desafio de meu pai e escrever uma Avalanche mesmo diante de tão pouca inspiração. Espero que o Grêmio seja capaz de responder aos nossos desafios. E esteja mais inspirado e inspirador na próxima.

Avalanche Tricolor: Um craque, sem dúvida

 

Grêmio 4 x 2 Flamengo
Brasileiro – Olímpico Monumental

Ao Grêmio restavam duas decisões nestas rodadas finais, a primeira dela nesta tarde incrível de Porto Alegre, em um Olímpico completamente tomado por seus torcedores (ok, ok, havia um espaço destinado à torcida adversária). Por todas as circunstâncias bem conhecidas, caro e raro leitor, que os locutores de TV fizeram questão de repetir, irritantemente, a cada minuto de partida (ok, ok, hoje estou um pouco exagerado, não foi nesta frequência), vencer era definitivo para a temporada quase perdida de 2011. E vencemos. E de virada. E de goleada (me convence do contrário).

Dito isso, é preciso abrir aqui um parêntese. Mais um, aliás, neste texto cheio deles. Resignados, temos de admitir que o Cara é um craque. Quando não é covardemente agredido pelas costas – quantas faltas sofreu na partida de hoje -, sempre que consegue receber a bola, transforma-se. Tem um toque rápido para o colega que se aproxima, consegue se movimentar de maneira a chamar atenção da defesa inimiga, mete a bola entre as pernas do marcador, sem contar a precisão do chute. Sim, é um guerreiro, também. Isto sabíamos, faz parte da índole de quem passou pelo Olímpico Monumental. Tromba com o adversário e não se incomoda se este está no caminho do gol. O supera. Hoje, não foi diferente. No primeiro, trombou e marcou. No segundo, com talento, driblou o zagueiro e colocou no canto esquerdo do goleiro.

Evidentemente que o parágrafo (ou seria entre parênteses?) acima é dedicado a André Lima, o Guerreiro Imortal. Sei que deveria oferecer algumas linhas a outras craques que apareceram em campo, como Vítor que, aos três minutos, salvou a lavoura com uma defesa incrível ou a Gilberto Silva que anulou os atacantes no segundo tempo ou Douglas que jogou como poucos e fez o gol da virada ou a Miralles que matou o jogo com apenas uma jogada. Mas é preciso dar o braço a torcer, nas duas últimas partidas foi André quem decidiu com quatro gols e foi dele o mais bonito da tarde. Merece o título de craque nem que seja por alguns instantes.

O quê? Se não vou escrever nada sobre um outro craque? Perdão, não vi mais nenhum jogando hoje no Olímpico Monumental.

Avalanche Tricolor: Haja paciência !

 

América (MG) 2 x 2 Grêmio
Brasileiro – Sete Lagoas (MG)

Tem certas coisas que vou te contar, viu! Haja paciência. Você fica ali na torcida. Cheio de esperança de que algo vai acontecer. Acreditando, porque nós sempre acreditamos. E acreditando contra os próprios fatos, pois você percebe o esforço para que dê errado. Nem é um esforço proposital. O defensor dá o chutão, o volante corre atrás, o meio de campo tenta trocar passe e o ataque forja alguns lances de perigo – desta vez, até fez dois gols. O goleiro esbraveja com os marcadores, o capitão com o time. O técnico mexe daqui, olha para o banco, remexe, olha de novo, sabe que tem pouco a mudar e muda mesmo assim. Ele está ali para isso. Mas está na cara de que o gol deles vai sair a qualquer momento.

De repente, a frustração. Mau resultado. Dois pontos a menos. Contra um time que tinha um a menos. E assim mesmo você insiste. Não desiste. No fim de todos os jogos, abre a tabela de classificação. Vê o resultado dos adversários e  vê os próximos adversários. Disputa um campeonato de faz-de-conta. E faz muitas contas. Se aquele perder ali, outro empatar aqui, ninguém for muito a frente e a gente ganhar depois. Por que não? Se não deu certo agora, quem sabe fim de semana que vem. Lá vamos nós outra vez pra frente da televisão, torcer, sofrer, acreditar. Nós sempre acreditamos. Mas haja paciência!

Avalanche Tricolor: Na chuva, no barro e histórica

 

Santos 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Vila Belmiro

No futebol quando o time perde vai para o brejo, se o jogador tem talento dá o drible da vaca e quando despacha a bola manda para o mato porque o jogo é de campeonato. Se a partida está ruim, dizem que é de várzea. Mato, brejo, várzea e vacas nos acompanharam no encharcado que se transformou a Vila Belmiro após dias seguidos de chuva forte em parte do Estado de São Paulo. Jogadores torciam a camisa para tirar o excesso de água, a grama foi ficando marrom do barro que subia a cada passada e a bola, pobre dela, era empurrada para frente do jeito que dava. A estatística na televisão mostrou a certa altura que as duas equipes haviam errado 70 passes sem que os 90 minutos tivessem se encerrado. Deveriam informar quantos foram os certos.

Se a chuva não para, o campo encharca e o barro aparece, azar dos outros. Para quem cresceu jogando nos gramados do interior gaúcho estes são desafios que se aprende a superar quando pequeno. Se a bola não quer entrar na primeira, empurrasse para dentro do gol na segunda, como no pênalti não convertido por Douglas e concluído por Escudero, este argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento (repito aqui definição publicada em Avalanche anterior).

A vitória histórica – a primeira em um Campeonato Brasileiro na Vila – renova minha esperança, mesmo que o futebol jogado não tenha sido lá estas coisas. Mas ver Fernando dando um carrinho dentro da área para impedir o gol adversário, como ocorreu quando ainda estava 0 a 0, me entusiasma. Olhar a tabela de classificação e ver que saltamos dois postos neste fim de semana, me instiga pensamentos maliciosos. Ler como li em reportagens pós-jogo que o Grêmio ainda tem chances remotas de chegar a Libertadores e saber que a turma lá de cima se digladia como louca, me faz pensar. Será que ainda dá ? Não sei, não. Mas se continuar a chover deste jeito, quem sabe isto não acabe em uma incrível Avalanche Tricolor.

Avalanche Tricolor: No divã com o Grêmio

 

Grêmio 1 x 3 Figueirense
Brasileiro – Olímpico Monumental

Foram alguns anos de análise e em todos fui um fracasso no desafio de lembrar o sonho sonhado. Apesar da insistência da terapeuta junguiana (que outra linha seria?), raras foram as vezes que consegui descrever para ela trechos do que minha imaginação havia desenhado na noite anterior. Ontem foi diferente. Sem precisar trabalhar no feriado de Nossa Senhora Aparecida, dormi após a virada do Brasil sobre o México, satisfeito muito mais com o resultado do que com o futebol jogado. Acabara de ver Jonas em campo, atacante que fez história com a camisa do Grêmio e deixou saudades. Anda meio perdido na Europa e parecia sem rumo com a camisa amarela da seleção, que o deixou desfigurado. Confesso que ao vê-lo na beira do gramado não o reconheci. Mas tive boas lembranças.

Sei lá se foi a falta que tenho sentido dele no comando do ataque gremista ou qualquer outro fenômeno que a mente misteriosamente nos impõe. A verdade é que no meio da madrugada tive um sobressalto na cama, após ver o Grêmio ser goleado por um adversário imaginário. Foi um sucessão de gols tomados somente interrompida quando eu acordei. E, se não me falha a memória, o placar estava cinco a zero para sei-lá-quem Fiquei envergonhado com o pesadelo, mais ainda de ter lembrado dele no dia seguinte. Minha terapeuta teria ficado orgulhosa.

Não acredito em premonições, mesmo assim assisti ao jogo da tarde desta quarta com os dois pés atrás. Havia algo que me incomodava a cada tentativa de ataque gremista assim como nas investidas do adversário contra nossa defesa. Uma fragilidade inexplicável tomava conta de mim. E do meu Grêmio, também. Nada, porém, tinha a ver com o meu sonho/pesadelo mas com a falta de imaginação de quem dirige este clube e não foi capaz de dar a Celso Roth e a qualquer outro treinador um elenco com competência para encarar uma competição tão longa, difícil e equilibrada como o Campeonato Brasileiro. Sem falar na falta de habilidade para manter talentos como o de Jonas.

Seja como for, seguirei sonhando, desta vez com os olhos bem abertos. Porque torço por um time que não aceita ser coadjuvante por onde passa; e está sempre disposto a aprontar alguma para cima daqueles que se atrevam a cruzar no caminho dele. Pode ser no próximo domingo, na Vila Belmiro, como pode ser na última rodada, no Beira Rio. Tenho a convicção de que algo muito bom ainda vai acontecer conosco neste campeonato, apesar dos pesares. Ou estará na hora de mandar o Grêmio para o divã?

Avalanche Tricolor: Há 30 pontos e uma loucura

 

Coritiba 2 x 0 Grêmio
Brasileiro – Couto Pereira Curitiba (PR)


Há quem considere normal perder fora de casa. Marquinhos, a quem coube organizar o meio de campo gremista no início da noite de sábado, é um deles, principalmente se o jogo for no Couto Pereira, disse na entrevista ao fim do jogo. Compreendo a afirmação de um jogador que tenta justificar e não se abater com o mau resultado, assim como sei que ele chegou não faz muito ao Olímpico e talvez ainda não tenha compreendido bem a nossa saga.

Para o Grêmio, Marquinhos, nada é normal. A anormalidade é a marca que nos consagrou Imortal, nos fez não aceitar passivamente a derrota definitiva e fazer história quando todos – ou quase todos – acreditam que seremos apenas figurantes. Era isso que fazia cada um daqueles torcedores que foram ao Couto Pereira cantar e vibrar mesmo com a dupla desvantagem no placar, a ponto de chamarem atenção do narrador da partida na Sport TV. Nós sempre estamos a espera de um gol heróico, uma virada histórica ou um lance capaz de impressionar o adversário, mesmo quando olhamos para o time e vemos tantos desfalques e pouca inspiração para estes feitos.

Você ainda vai se acostumar com o poder desta camisa. E enquanto se concentra na normalidade do futebol, Marquinhos, nós seguiremos a crer que algo incrível está para acontecer na disputa dos 30 pontos que nos restam no campeonato. Quando esta loucura tomar conta de você, verá que não é normal perder fora de casa. Nada é normal para quem é gremista. Seja mais um.

Santa palmadinha – direito de resposta

 

Santa palmadinha foi como batizei post escrito pelo meu pai e publicado nessa quinta, aqui no Blog. A expressão além de estar no texto dele também me pareceu a mais apropriada para a situação na qual fui envolvido involuntariamente. Para você não perder a linha do raciocínio e ter de descer posts abaixo, relembro a historia com minhas palavras. Em 1969, inauguração do Beira Rio, entrei em casa com uma bandeira do Internacional em mãos e cantarolando o que é considerado o segundo hino do colorado gaúcho, “Papai é o maior, papai é que é o tal”. Pelo ano, faça as contas, verá que estava longe, bem longe, da idade da razão. Mal havia deixado as fraldas para trás. Fui vítima de armação de um colorado, primo ou coisa que o valha da minha mãe – a família sempre tem estes desgarrados -, que me entregou a bandeira e me fez crer que a musiquinha seria homenagem ao pai. Confesso que não lembro desses detalhes mas sempre ouvi a história contada pelos parentes. Imaginava ser apenas uma brincadeira, no entanto anos atrás ao escrever em um blog de um jornalista gremista já falecido como foi a educação clubística de meus filhos – usei a política de redução de danos, com resultados bastante positivos, já que ambos são gremistas -, me surpreendi com registro de comentário feito pelo pai no qual ele confessava a reação mais forte àquele meu ato de insensatez. Reação que me fez tomar o rumo certo na vida e alertar para coisas que são sérias na educação de um guri nascido em Porto Alegre. Graças a palmadinha santificada.

Para ler o post Santa Palmadinha, clique aqui

Avalanche Tricolor: Steve Jobs, o Imortal

 

Grêmio 1 x 0 Santos
Brasileiro – Olímpico Monumental

Vibrava com as jogadas de um time que se transformou neste campeonato; vibrava ao ver Douglas jogar como um guerreiro, do que jamais imaginei lhe chamar um dia; assim como vibrava com os dribles de Escudero e as descidas alucinadas de nossos laterais; quando um torpedo aterrissou em meu celular com a não inesperada notícia da morte de Steve Jobs.

Nasci no jornalismo, em 1984, quando o mentor da Apple trazia ao mundo o Mac II, que tinha como grande façanha permitir o acesso dos cidadãos comuns a um mundo até então reservado aos nerds. Mas apenas fui descobrir as coisas fantásticas que ele e sua equipe criaram muitos anos depois ao comprar o primeiro PowerBook, na virada do século. Rapidamente me apaixonei pela praticidade e criatividade das máquinas e da marca. Airbook, MacBook, IMac, Ipod, Iphone, Itouch e, finalmente, o Ipad se misturaram aos móveis da minha casa. E da minha vida. Consumi cada novo livro que citava Jobs, cada página de revista que trazia informações sobre ele. Considero-me relativamente informado sobre o homem que liderou uma das empresas mais revolucionárias do mundo a ponto de não me iludir com as fantasias e mitos que surgiram em torno dele. Nada me tirou, porém, a paixão por sua obra e criatividade. A arte de Steve Jobs é a inovação e isto nos marcará para todo e sempre.

O ritmo alucinado do Grêmio na tela da televisão, porém, arrancou a tristeza que me abatia. E sem perceber estava novamente ligado pelas emoções do futebol fascinante que o time impôs no estádio Olímpico. Voltei a vibrar e socar o ar quando a vitória de realizou.

Grêmio, só tu pra me fazer sorrir nesta noite em que lamento a morte de um dos grandes gênios que já passaram entre nós.

Pensando bem, Steve Jobs é como o Grêmio, um Imortal.

Adote um Vereador para fiscalizar conselheiros do Grêmio

 

Clubes de futebol tendem a ser pouco fiscalizados por seus torcedores, muitos mais propensos a chorar e vibrar com os resultados em campo do que em caixa. Esquecem-se, porém, que as contas em dia, o dinheiro bem aplicado, a compra e venda de jogadores baseadas na sustentabilidade financeira são fundamentais para a construção de um time qualificado e tranquilidade da comissão técnica e seu elenco. Os conselhos deliberativos, com as exceções de praxe, reproduzem este comportamento e, na maioria das vezes, tendem a se transformar em clubes de amigos, com gente muito mais interessada nas benesses do cargo, ingressos de graça para distribuir aos conhecidos e a proximidade com o poder. Algo muito parecido com o que ocorre com o Congresso Nacional e as demais casas legislativas no país.

Faço este paralelo, depois de ler post publicado no Blog Grêmio 1903 (que, lamentavelmente, aparecerá em vermelho neste link), escrito por um coletivo de gremistas, no qual denunciam que o clube não está cumprindo ao menos uma das regras do Conselho Deliberativo: afastar do órgão os conselheiros que se ausentam por três sessões seguidas ou cinco intercaladas, no período de um ano (art 66, parágrafo 1º). Dentre os conselheiros que perderiam a vaga, está o prefeito de Porto Alegre José Fortunatti que apareceu em apenas uma das reuniões de 15 realizadas neste ano, sem dar qualquer justificativa. Até acredito que o prefeito tenha coisas mais importantes para fazer na cidade, desafios não lhe faltam na capital gaúcha, mas se não pode cumprir com suas obrigações com o clube, deveria abrir mão do cargo, assim como todos os demais conselheiros que têm se omitido do papel de poder fiscalizador.

A sugestão de Bruno Coelho, autor do post citado acima, e desde já agradeço pela lembrança, é que os torcedores levem para o Grêmio a ideia do Adote um Vereador, que lançamos em 2008, aqui em São Paulo, com o objetivo de incentivar os sócios a fiscalizarem a atuação dos conselheiros, exigindo que eles exerçam a função para a qual foram eleitos. Assim como os vereadores, deputados e senadores, os conselheiros são os nossos representantes no clube.

Um conselho deliberativo atento e fiscalizador teria impedido que o Grêmio entrasse na aventura da ISL que destruiu com o patrimônio tricolor, corroendo os cofres do clube, o que o levou para a Segunda Divisão. Antes que novos aventureiros cometam os mesmos erros Adote um Conselheiro.

Como o Adote um Vereador não tem partido nem time de futebol, que a ideia se espalhe nos demais clubes, promovendo a transparência da gestão do esporte.