Grêmio 2 x 0 Cruzeiro
Brasileiro – Olímpico Monumental

Muitas vezes ouvi de meus colegas do esporte, que costumam entender muito mais do que eu de futebol – não que precise muito para tanto -, que um dos sinais que revelam o equilíbrio e a qualidade de uma equipe é o fato de o torcedor conhecer, de cor e salteado, os 11 titulares. Evidentemente que em uma competição longa como o Brasileiro, é muito difícil manter a mesma escalação por muitos jogos seguidos. São jogadores cansados, machucados ou suspensos em um “turnover” (perdão, estou contaminado pelos meus entrevistados do Mundo Corporativo) capaz de desestabilizar tanto o planejamento de um time de futebol quanto o de uma empresa. Mas quanto mais a escalação se repete, ao menos a sua base principal, maior é a tendência de se encontrar um equilíbrio na competição.
Nesta temporada, parece-me que pela primeira vez, o Grêmio encontrou os seus 11 titulares. Tira um daqui, tira outro dali, pelos motivos que citei no parágrafo anterior, mas quando a partida vai começar é bem provável que a gente acerte boa parte dos nomes escalados. Vitor, Mário Fernandes, Ed Carlos, Saimon, Julio César, Rochenback, Fernando, Douglas, Marquinhos, Escudero e André Lima são os titulares de Celso Roth. O técnico talvez tenha dúvidas em uma posição da defesa e outro no comando do ataque (eu tenho, principalmente, no ataque), mas tem mantido o mesmo time em campo, sem invenções ou milagres, buscando regularidade – um expressão que no futebol significa uma sequência de vitórias.
Na partida deste fim de domingo, a marcação forte, a troca de passe rápida, a descida veloz pelas laterais e a movimentação talentosa do meio de campo mostraram que a estabilidade está sendo alcançada a 12 rodadas do fim da competição. Antes que você me corrija, enquanto a maioria dos adversários terá 11 partidas, no caso do Grêmio ainda faltam 12 a serem disputadas, devido ao jogo adiado contra o Santos (aliás, azar dos santistas que vão nos encontrar neste meio de semana embalados). Portanto, temos 36 pontos em jogo e, a persistirem os sintomas, tudo para fazermos uma arrancada final de ficar na história.
Neste domingo, destacou-se Escudero que tem melhorado a cada partida e oportunidade que recebe. Um argentino que dribla os esteriótipos ao jogar calado, concentrado e disposto a aparecer apenas com o seu talento. No gol que fez demonstrou apuro técnico seja ao receber a bola, seja ao desviar do goleiro. Justiça seja feita, o passe de Marquinhos do outro lado do campo foi um primor.
De minha parte, um desejo privado: ver na escalação principal o outro argentino, Miralles, em lugar de André Lima.







