Inspeção veicular: sem esquema para atrasados

A empresa responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo não pretende propor nenhum esquema especial para atender os proprietários de veículos que deixarem para realizar o serviço nos últimos dias. Abril será um mês crítico para o agendamento, pois será o último prazo para os carros com placas final 1 realizarem a inspeção, e os centros de atendimento estarão recebendo, também, os veículos com placas final 2 e 3.

A situação se complica ainda mais quando se sabe que 90% da frota de carros com placa final 1 ainda não passaram pelos centros de inspeção veicular. De acordo com os dados da Controlar, no primeiro mês de serviço, em fevereiro, cerca de 39 mil veículos foram atendidos, dos quais 18% foram reprovados e terão de retornar. A maior taxa de problemas tem ocorrido entre os veículos movidos a diesel, seguido pelas motos. Dentre os carros a gasolina, álcool ou GNV apenas 2% foram reprovados.

Apesar de não haver nenhum esquema especial para atender os motoristas que deixarem para os últimos dias a inspeção veicular, a Controlar informa que novos centros serão inaugurados, o maior deles neste mês, no bairro de Aricanduva, na zona leste, e nenhum carro deixará de ser atendido mesmo fora do prazo.

Ouça a entrevista do diretor-executivo da Controlar Eduardo Rosin

Consultor da ONU propõe reciclagem de entulho de obras

A cidade de São Paulo gera 17 mil toneladas de entulho por dia, material que sobra da construção e reforma de imóveis. Boa parte poderia ser reaproveitada sendo transformada em areia, pedriscos, pedras e bica corrida, que serve para fazer base de pavimento. Apesar da tecnologia desenvolvida e da existência de centrais de reciclagem, o resíduo sólido costuma ser todo enterrado em aterros sanitários.

O consultor da ONU para o meio ambiente Sabetai Calderoni disse que no País na construção de três casas costuma-se jogar fora uma quarta casa. Para ele, seria necessária a implantação de centrais de triagem e reciclagem para que o entulho fosse reaproveitado.

Ouça a entrevista do consultor da ONU Sabetai Calderoni

Ambientalista pede taxa para inspeção veicular

O cidadão que anda de metrô é obrigado a pagar a taxa de inspeção veicular ambiental. O passageiro de ônibus e o ciclista, também, apesar deles não usarem carro na cidade de São Paulo. O pagamento se dá através dos impostos públicos já que a prefeitura decidiu bancar o programa com recursos próprios em vez de cobrar dos proprietários de veículos. A tarifa cobrada para que o carro passe pelo centro de inspeção da Controlar é devolvida no mês seguinte pela prefeitura.

É com base nesta lógica que o integrante do Grupo de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo Eric Ferreira defende a ideia de que o causador da poluição financie o programa de inspeção veicular. Ele pretende levar a proposta para o seminário que se realiza, amanhã, na Assembleia Legislativa de São Paulo (leia mais aqui)

Ouça a entrevista de Eric Ferreira, do Nossa São Paulo, na CBN

MP faz audiência pública para inspeção veicular

O cidadão terá excelente oportunidade para perguntar tudo aquilo que gostaria sobre inspeção veicular obrigatória, em São Paulo, e jamais conseguiu. O Ministério Público Estadual realizará audiência pública para obter informações sobre o programa em vigor desde o ano passado na capital paulista e ouvir a sociedade.

De acordo com o promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Ismael Lutti “esse é o melhor meio de os cidadãos terem a oportunidade de discutir assuntos relevantes com as autoridades constituídas, tornando a questão transparente e o debate democrático”.

Foram convocados para falar sobre o tema o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o diretor da Controlar, Ivan Pio de Azevedo,  o doutor Paulo Saldiva, uma das maiores autoridades médicas no estudo dos efeitos da poluição do ar, e o engenheiro Alfred Szwarc, da Environmentality – Tec. Com Conceitos Ambientais.

Além das perguntas que poderão ser feitas diretamente aos convidados, os participantes do encontro terão o direito de apresentarem sugestões para o programa. A audiência pública será na quarta 4, às duas da tarde, na sede do Ministério Público, na rua Riachuelo, 115, centro de São Paulo.

Quem não tiver tempo para comparecer na sede do MP terá a chance de assistir ao debate pela internet no site da Associação Paulista do Ministério Público.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Ismael Lutti (publicado às 12h09, 02/03)

Ambientalista critica lei da sacola plástica, em Guarulhos

Os sacos plásticos usados no comércio, em boa parte do País, tem sido alvo de críticas pelo forte impacto ambiental que provocam. O material levaria cerca de 100 anos para se degradar, e nos lixões e aterros sanitários dificultam a decomposição de produtos orgânicos e biodegradáveis, além de causarem acidentes ecológicos quando jogados nos rios.   

Um das opções para a substituição deste material é a utilização de sacos produzidos com componentes oxiobiodegradáveis que se decompõem com maior rapidez no meio ambiente. A cidade de Guarulhos, segundo maior do Estado de São Paulo, desde o início do ano tem lei que obriga o comércio a trocar os sacos plásticos comuns por sacos oxiobiodegradáveis.

A medida foi anunciada pelo prefeito Sebastião Almeida (PT), em entrevista ao CBN SP, como um avanço na questão ambiental. Ele explicou que os supermercados já estão se adaptando a lei, apesar de terem um prazo para realizar a substituição do material.

Ouça a entrevista do prefeito Sebastião Almeida, de Guarulhos, na qual fala sobre outras medidas na área do meio ambiente

Apesar de festejado pelo prefeito de Guarulhos, a troca do plástico comum pelo oxiobiodegradável é criticada por ambientalistas. O pesquisador do IPAM, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, e comentarista da CBN, Osvaldo Stella, diz que a mudança é paliativa, pois a única diferença é o ganho de alguns anos na decomposição do material. Ele sugere que o comércio passe a oferecer sacolas de pano ou de papel para acondicionar os produtos. Na entrevista, Stella também faz sugestões aos ouvintes-internautas que costumam usar estes sacos plásticos para embalar o lixo caseiro.

Ouça a entrevista de Osvaldo Stella, do IPAN, no CBN SP

Acesse outros post deste blog que trataram deste tema:

“Fabricantes reagem na batalha do saco plástico”

“Supermercados vendem sacolas retornáveis”

“Que saco !”


“Não esqueça de levar a sacola”

Foto-ouvinte: A criança e o lago

O lago e os meninos

Nas imagens feitas por ouvintes-internautas do CBN São Paulo tem-se noção do prejuízo da cidade com o acidente que secou o lago da Aclimação, na zona cetral/sul de São Paulo. Na primeira foto, Roberto Haathner registrou em janeiro deste ano a visita do filho dele ao parque. Na segunda, Luci Júdice Yizima mostra os meninos na lama que restou do lago nesta terça-feira.

Veja mais imagens do lago da Aclimação clicando na imagem acima

Prefeitura nega falta de manutenção e diz que foi um acidente o lago da Aclimação secar

A ação de despoluição da Sabesp, dentro do projeto Córrego Limpo, foi um dos exemplos usados pela prefeitura de São Paulo para negar que a falta de manutenção tenha sido o motivo do problema que secou o lago da Aclimação, na zona central/sul da capital paulista. O secretário do Verde e Meio Ambiente Eduardo Jorge disse que foi um acidente o que aconteceu no parque.

Nesta manhã, a repórter Luciana Marinho, da CBN, conversou com Eduardo Jorge e com o diretor de parques da prefeitura, Valter Vendramini, que estavam no Parque da Aclimação.

Ouça aqui a entrevista com o Secretário do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge

Ouça aqui a entrevista com o diretor de parques da prefeitura de São Paulo, Valter Vendramini

Ambientalista fala de impacto na região

Ar mais seco e aumento no número de mosquitos podem ser dois dos efeitos provocados na região do bairro da Aclimação devido ao incidente no lago, na segunda-feira. É a opinião do ambientalista Malcom Forest, presidente da ONG AMAR, em entrevista ao CBN SP.

Ouça a entrevista do ambientalista Malcom Forest

Ouvinte descreve fim do lago da Aclimação

Um lago secar, por si só,  é cena inusitada. Isto ocorrer durante um temporal que afundou ruas, casas e carros como mostraram as imagens reproduzidas nas emissoras de televisão desde segunda-feira é surpreendente. Para o ouvinte-internauta Roberto Haathner, uma metáfora:

Acabei de presenciar o quadro mais triste de minha vida. Sou morador da Aclimação há mais de 14 anos e frequento o maior símbolo do bairro, o Parque da Aclimação, desde então. Ontem, fui caminhar como de costume pela manhã e, hoje, ouvi no noticiário sobre a tragédia no parque. Fui ver in-loco o ocorrido e fiquei muitíssimo chocado: um lago enorme, cheio de vida e beleza arrasado feito uma guerra, esvaziado e coberto de lama e lixo. Um solitário cisne negro caminha desorientado e muita sofreguidão em busca de sobrevivência nas escassas poças d´água que sobraram e alguns policiais tentam em vão salvá-lo. É uma metáfora da vida urbana na capital Paulista, triste muito triste. Meu filho de quatro anos perguntou o que havia acontecido e tive muita dificuldade em explicar. Ele me questionou: – Papai, o bicho está morrendo? Pensei: Não, a cidade está morrendo e fomos embora para casa, rezando pelo resgate da vida e de nossa alegria.

Perde a cidade, perde os moradores, perde a humanidade. Será que os culpados serão punidos? Ou será culpa, mais uma vez, da chuva ?