Cidade tem de estar comprometida com mudanças

“Por favor, preciso de cinco minutos para tomar banho” A frase dita assim no momento em que chega a uma reunião no escritório, virou um clássico dos executivos descolados na Suécia que decidiram trocar o carro  para vestir a calça de bicicleta. A rápida e significativa história foi contada na tarde desta terça-feira pelo assessor-executivo da Agência Sueca de Habitação, Construção e Planejamento Olov Schultz na abertura de uma das sessões de ideias do I Fórum de Sustentabilidade Suecia-São Paulo, realizado no Renaissance Hotel, nos Jardins.

Estocolmo tem características geográficas  diferentes de São Paulo. Mas não é isto que faz a diferença. É a consciência e o comprometimento do poder público e da esfera privada com o tema da sustentabilidade. Pois não se consegue impor a troca do carro pela bicicleta sem antes mudar o comportamento do cidadão e da cidade com as questões ambientais.  Mudança que se dá pelo investimento em tecnologia, por exemplo, tendo como objetivo o desenvolvimento do ambiente urbano.

São diferenças que podemos enxergar nos detalhes – ali onde mora o Diabo, como diria minha vó. No encontro, do qual participei como mediador, não deixei de prestar atenção que Stefan Andersson do Ministério de Empreendimento, Energia e Comunicação  falou em oferecer ao cidadão sueco acesso aos meios de transportes e não esqueceu de complementar: de boa qualidade.

Em São Paulo, um incrível mapa que reunia todas as linhas de ônibus, lotação, trem e metrô na capital foi apresentado por Laurindo Junqueira da Secretaria Municipal de Transportes. Toda a capital com transporte à disposição. Disse ele que os ônibus carregam por dia a cidade de Estocolmo inteirinha. Em cinco anos, dobrou a população que usa o sistema. No metrô são 8,5 passageiros por metro quadrado, na hora de pico. Quanto a qualidade do serviço prestado, é outra história.

Sem contar que o diesel ainda é o combustível que move a nossa frota. Segundo Simão Saura Neto, da Secretaria Municipal dos Transportes, os 14 mil e 500 ônibus da capital rodam 87 milhões de quilômetros por mês e queimam 38 milhões de litros de diesel. Gás natural, motor híbrido, álcool e biodiesel ainda aparecem na tela do que podemos ter no futuro. Para ter ideia, os suecos já são transportados por ônibus a biodiesel desde os anos 80. (saiba mais no post abaixo).

Houve renovação na frota. Com 6.500 ônibus novos em três anos deixou-se de jogar no ar 3.320 toneladas de poluentes. Aumentou o controle da emissão de gases no transporte coletivo e individual. Volf Steinbaum da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente destacou a inspeção veicular que levou dez anos para ser implantada, em São Paulo. Na Suécia, dois anos de debate, votação e implementação fizeram com que o pedágio urbano se transformasse em realidade.

Pedágio ? Steinbaum não tem duvida que São Paulo terá de aplicar a ideia do poluidor/pagador, mas sabe, também, da falta de coragem das administrações municipais em financiar este debate na capital.

Prá encerrar, perguntei a Steinbaum se ainda há esperança. Pediu licença a Barack Obama e fechou a conversa: “We can change”. Precisamos mesmo, digo eu, para em seguida pegar um táxi e levar uma hora e meia no trânsito para chegar até minha casa.

Canto da Cátia: Árvores sufocadas

Árvores fotografas pela Cátia Toffoletto, em São Paulo

Os casos de maus tratos às árvores tem aumentado, na cidade de São Paulo. Podas mal-feitas, cortes de raízes e troncos sufocados pelo concreto são vistos em vários pontos da capital como registrou a repórter Cátia Toffoletto. Na reportagem que foi ao ar no CBN SP, a Cátia relata situações de crime ambiental, ouve especialistas e mostra como você deve agir quando se deparar com situações como essas.

Ouça a reportagem de Cátia Toffoletto sobre os maus tratos das árvores

Video-ouvinte: Um riacho que passou em minha vida

Lourivaldo Delfino é criativo. Basta acessar o blog que mantém para você se dar conta disto. Tem sempre uma forma interessante para chamar atenção para a bandeira que carrega: a do Riacho dos Machados. Você talvez nunca tenha ouvido falar do tal riacho, mas se morasse no Jardim Tietê, em São Paulo, jamais o esqueceria. Basta vir a chuva e o riacho mostra sua cara, se atravessa nas ruas próximas, estraga as casas de seus vizinhos e atiça a criatividade do Lourivaldo. É por isso que volto a postar aqui o vídeo produzido por ele. Quem sabe um dia alguém leve a sério a ironia deste ouvinte-internauta do CBN SP

Estudantes levam proposta ambiental para vereadores

Alunos do Colégio Dante Alighieri, no Jardim Paulista, entregam à Câmara Municipal de São Paulo documento com propostas na área ambiental que passam pela ampliação das ciclovias na cidade, incentivo ao uso de troleibus no transporte público, uso consciente de sacolas plásticas e instalação de sensores de luz nas repartições públicas para reduzir o consumo de energia. O material será recebido pelo vereador “adotado” Gabriel Chalita (PSDB-SP) que convidou cerca de 120 estudantes a conhecer o trabalho desenvolvido no legislativo municipal.

Para muitos dos alunos escolhidos para o encontro será a primeira vez que entrarão na sede da Câmara Municipal, por isso pede-se  aos vereadores que entendam a reivindicação destes jovens que tem o apoio de sete mil pessoas que assinaram a proposta elaborada por eles dentro da escola. Ver suas sugestões encampadas pelos parlamentares será, sem dúvida, um excelente incentivo à participação popular no Legislativo.

O trabalho é resultado de pesquisa que se iniciou no ano passado com alunos de 13 a 15 anos, no projeto Embaixadores do Clima.

Ouça a entrevista da coordenadora de Ciências da Natureza do Colégio Dante Alighieri ao CBN SP

Imposto menor na troca de caminhão velho para combater poluição, sugere deputado de São Paulo

Amplio a discussão sobre a poluição veicular, em São Paulo, puxando para este post comentário deixado no blog pelo deputado estadual Donisete Braga (PT -SP), que organizou na quarta-feira seminário sobre o tema, na Assembléia Legislativa:

Prezado Milton

Tenho informações que o jeitinho brasileiro está sendo aplicado por quem teve o veículo reprovado na inspeção da Capital. Em vez de regularizá-lo, o proprietário do veículo está licenciando-o em outras cidades da Região Metropolitana, mas continua circulando na Capital. Falta consciência ambiental.

No Seminário que realizamos nesta semana, houve um jogo de empurra-empurra entre a ANP, a Petrobrás e os fabricantes de veículos, no caso representados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA). Ninguém quis assumir a responsabilidade pelo não cumprimento da resolução do CONAMA.

Não cabe agora buscar bodes expiatórios. O mais importante é trabalharmos para reduzir os níveis da poluição veicular.

Muitas sugestões surgiram no seminário. Minha assessoria técnica está estudando como transformar as sugestões em propostas de lei.

No caso, aqui de São Paulo, o governo do Estado poderia contribuir em muito para reduzir a poluição veicular. A começar pelo incentivo da renovação de frota de caminhões.

Hoje, no Brasil, a idade média da frota de caminhões e de 17 anos. Dos 1,4 milhão de caminhões que circulam no país, 480 mil têm mais de 20 anos.

O governo do Estado poderia incentivar a redução da frota com três medidas: 1) Isenção de ICMS na troca de veículos antigos; 2) IPVA progressivo e 3) incentivo a veículos novos em pedágios de rodovias estaduais.

Outra medida será estender a inspeção veicular para todo o Estado de São Paulo e para veículos mais antigos. Hoje, a inspeção é feita somente na Capital para veículos fabricados a partir de 2002, ou seja veículos praticamente novos.

Donisete Braga

MP quer mais rigidez no controle à poluição veicular

Os índices de poluição usados para avaliar os carros que passam pela inspeção veicular ambiental são da década de 90. Com isso, o programa desenvolvido na cidade de São Paulo não seria eficiente para combater os problemas ambientais provocados pela maior frota de veículos do país. A opinião é do promotor do meio ambiente do Ministério Público de São Paulo José Eduaardo Lutti que promoveu audiência pública para discutir o tema, nesta semana.

Para Lutti, a partir do próximo ano, a prefeitura tem de exigir índices atuais, compatíveis com a qualidade dos motores produzidos, para impedir que os carros continuem a provocar os altos índices de poluição registrados nos últimos anos na capital paulista. Além disso, o Ministério Público pretende forçar o Governo do Estado a aderir ao programa, implantando o serviço de inspeção veicular em todo o Estado.

Um dos motivos que mais causaram indignação nos participantes da audiência pública foi o critério usado pela prefeitura para definir a frota de veículos obrigada a passar pela inspeção, apenas os fabricados a partir de 2003. No entanto, Lutti concorda com a justificativa da administração municipal.

Na conversa de hoje, o promotor José Eduardo Lutti também explicou a ação civil pública exigindo que a Petrobrás distribuida o diesel S-50, menos poluente, em todo o Estado de São Paulo.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Lutti, do Ministério Público de São Paulo

Inspeção veicular: sem esquema para atrasados

A empresa responsável pela inspeção veicular na cidade de São Paulo não pretende propor nenhum esquema especial para atender os proprietários de veículos que deixarem para realizar o serviço nos últimos dias. Abril será um mês crítico para o agendamento, pois será o último prazo para os carros com placas final 1 realizarem a inspeção, e os centros de atendimento estarão recebendo, também, os veículos com placas final 2 e 3.

A situação se complica ainda mais quando se sabe que 90% da frota de carros com placa final 1 ainda não passaram pelos centros de inspeção veicular. De acordo com os dados da Controlar, no primeiro mês de serviço, em fevereiro, cerca de 39 mil veículos foram atendidos, dos quais 18% foram reprovados e terão de retornar. A maior taxa de problemas tem ocorrido entre os veículos movidos a diesel, seguido pelas motos. Dentre os carros a gasolina, álcool ou GNV apenas 2% foram reprovados.

Apesar de não haver nenhum esquema especial para atender os motoristas que deixarem para os últimos dias a inspeção veicular, a Controlar informa que novos centros serão inaugurados, o maior deles neste mês, no bairro de Aricanduva, na zona leste, e nenhum carro deixará de ser atendido mesmo fora do prazo.

Ouça a entrevista do diretor-executivo da Controlar Eduardo Rosin

Consultor da ONU propõe reciclagem de entulho de obras

A cidade de São Paulo gera 17 mil toneladas de entulho por dia, material que sobra da construção e reforma de imóveis. Boa parte poderia ser reaproveitada sendo transformada em areia, pedriscos, pedras e bica corrida, que serve para fazer base de pavimento. Apesar da tecnologia desenvolvida e da existência de centrais de reciclagem, o resíduo sólido costuma ser todo enterrado em aterros sanitários.

O consultor da ONU para o meio ambiente Sabetai Calderoni disse que no País na construção de três casas costuma-se jogar fora uma quarta casa. Para ele, seria necessária a implantação de centrais de triagem e reciclagem para que o entulho fosse reaproveitado.

Ouça a entrevista do consultor da ONU Sabetai Calderoni

Ambientalista pede taxa para inspeção veicular

O cidadão que anda de metrô é obrigado a pagar a taxa de inspeção veicular ambiental. O passageiro de ônibus e o ciclista, também, apesar deles não usarem carro na cidade de São Paulo. O pagamento se dá através dos impostos públicos já que a prefeitura decidiu bancar o programa com recursos próprios em vez de cobrar dos proprietários de veículos. A tarifa cobrada para que o carro passe pelo centro de inspeção da Controlar é devolvida no mês seguinte pela prefeitura.

É com base nesta lógica que o integrante do Grupo de Meio Ambiente do Movimento Nossa São Paulo Eric Ferreira defende a ideia de que o causador da poluição financie o programa de inspeção veicular. Ele pretende levar a proposta para o seminário que se realiza, amanhã, na Assembleia Legislativa de São Paulo (leia mais aqui)

Ouça a entrevista de Eric Ferreira, do Nossa São Paulo, na CBN

MP faz audiência pública para inspeção veicular

O cidadão terá excelente oportunidade para perguntar tudo aquilo que gostaria sobre inspeção veicular obrigatória, em São Paulo, e jamais conseguiu. O Ministério Público Estadual realizará audiência pública para obter informações sobre o programa em vigor desde o ano passado na capital paulista e ouvir a sociedade.

De acordo com o promotor de Justiça do Meio Ambiente da Capital José Eduardo Ismael Lutti “esse é o melhor meio de os cidadãos terem a oportunidade de discutir assuntos relevantes com as autoridades constituídas, tornando a questão transparente e o debate democrático”.

Foram convocados para falar sobre o tema o secretário municipal do Verde e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o diretor da Controlar, Ivan Pio de Azevedo,  o doutor Paulo Saldiva, uma das maiores autoridades médicas no estudo dos efeitos da poluição do ar, e o engenheiro Alfred Szwarc, da Environmentality – Tec. Com Conceitos Ambientais.

Além das perguntas que poderão ser feitas diretamente aos convidados, os participantes do encontro terão o direito de apresentarem sugestões para o programa. A audiência pública será na quarta 4, às duas da tarde, na sede do Ministério Público, na rua Riachuelo, 115, centro de São Paulo.

Quem não tiver tempo para comparecer na sede do MP terá a chance de assistir ao debate pela internet no site da Associação Paulista do Ministério Público.

Ouça a entrevista com o promotor José Eduardo Ismael Lutti (publicado às 12h09, 02/03)