A consciência do mundo através do jeans

 

Por Dora Estevam

mama jeans daddy jeans sissy jeans baby jeans

Se existe uma peça que não depende de estilista famoso para vender é o jeans. Uma exceção no mundo da moda. Usado por todas as classes sociais, todas as raças, idades e sexo, está sempre presente nos guarda-roupas.

Depois da recessão dos anos 1970, anti-moda era a palavra-chave. Com isso, tudo o que era simples e barato e não lembrava nem de longe a alta costura fazia efeito. Época em que os não-conformistas já optavam pelo jeans,

Em 1971, Levi Strauss – quem havia criado o jeans mais de um século antes – recebeu o prêmio Coty Award da indústria da moda americana. Merecido. Para onde quer que se olhasse havia alguém com a calça. Homens, mulheres, gays, pobres, ricos. Ninguém escapava.

Quem diria que o modelão feito para mineradores alcançasse tanto sucesso. Deles para os cowboys, a escalada de usuários chegou em Hollywood. E os astros Marlon Brando, James Dean e Montgomery Clift usaram e abusaram dos blues.

Joplin Dean

Após a Segunda Guerra Mundial, os soldados americanos desfilavam com umas calças estranhas e despojadas pelas ruas. Chamaram a atenção dos europeus que passaram a se interessar pela calça rústica e despretensiosa.

Romper o velho tabu, estar engajado em algum movimento estudantil e usar jeans significavam a mesma filosofia: refutar a velha imagem do passado.

Se até hoje dá vontade de chegar em casa correndo, tirar a roupa de trabalho e vestir um jeans, imagine quando havia uma filosofia a justificar a roupa.

Os tingimentos vieram a partir do anos 1980. A boa cotação dos “stonados” registrou caixas altos e as demandas por estilistas aumentou e se tornou internacionalmente grifado. Daí surgiram as peças mais sofisticadas e com qualidade atendendo público mais exigente.

Jeans Hoje

Eu mesma tenho várias calças jeans. Shorts e camisa, também. Uso com tudo, especialmente com camisas, camisetas e blazers ou jaquetas. Adoro mesmo. Às vezes, me pego usando todos os dias. E houve uma época em que não tinha uma só no meu acervo. Eram os anos de 1990. Não gostava. Não achava chique. Depois que comprei a primeira, indicada por uma amiga, não parei mais. Viraram amigas insparáveis, as calças.

Há quem se recorde das velhas calças com boca de sino, tipo Janis Joplin, em outros a imagem que ficou marcada foi a do ator James Dean, juventude rebelde dos anos 1950, ou as rasgadas dos punks.

Em constante renovação, mas sem perder a praticidade, o jeans continua sendo usado por muitos e muitos cidadãos. Os preços variam de acordo com a marca, e sempre há modelo compatível com o bolso de cada um. Fenômeno de massa, dificilmente a invenção americana será substituída. Ainda não apareceu ninguém para inventar algo melhor.

E você, caro leitor, cara leitora, tem alguma história legal para contar sobre o seu primeiro jeans?

Dora Estevam é jornalista e vestia jeans quando escreveu este artigo para o Blog do Mílton Jung

N.B: A foto que abre este artigo é do álbum de Aphasiafilms/Flickr; Janis Joplim e James Dean aparecem em imagens de arquivo; e os dois modelos são de editorial da The Artorialist

Homens vaidosos e antenados

 

Por Dora Estevam

Homens, homens… Tanto fizeram que conseguiram. O mercado da beleza para os homens cresce cada vez mais. Nem precisa de dados ou estatísticas para constatar, basta olhar nas prateleiras das lojas e perfumarias. Dê uma espiada, também, na banca de revistas.

Moda masculina AbreSim, revistas direcionadas para homens. E olha que a concorrência é grande: VMan, a espanhola Tendências, AnOther Man’s, GQ da Rússia, da França … enfim, várias.

A última da francesa GQ traz o editorial com o modelo polonês Jarek Pietka.O tema é Two Faces, sugere um homem multifacetado que vai do casual ao social, sem crise de identidade, com muita classe e elegância.

E os anúncios são bem parecidos com os das mulheres, verdadeiras promessas de beleza; spray para cabelos; produtos essenciais para cuidar da pele, com ênfase na questão limpeza e tratamentos para oleosidade. E não para por ai, tem algumas promoções que eles fazem com parcerias de revistas e empresas nas quais os participantes se inscrevem e concorrem a kits de beleza; de chinelos a bolsinhas plásticas.

Moda masculina Meio

Assim como nos blogs femininos, nos masculinos eles também deixam suas impressões. Algo como: “sou apaixonado por editorias de moda”. Tem ainda dicas de produções. E as perguntas seguem: o que acharam dessa roupa, você usaria? Verdadeira inspiração.

Moda masculina FechaE eu não posso esquecer realmente do ícone fashion mais badalado do mundo: Cristiano Ronaldo, jogador português. Modelo do Armani tem exibido suas formas (e que forma … ufa!!!) pelas páginas de revistas e publicidade. Ele cuida muitíssimo do físico e da pele. As sobrancelhas bem desenhadas exibidas em jogo de Copa são outro sinal desta vaidade.

Um dia você chega lá, não desanime, é só ter coragem.

O homem antenado acompanha todos os desfiles de lançamentos pela internet. Os últimos, no cat walk de Milão, mostraram o Verão’11. Tem motivos inspirados em caveiras, tem alfaiataria rasgada, tem estilo andrógino, calça com saia (pra homem). Tem de tudo.

Para os pés, quando o termômetro subir e bater aquele sol forte, nada de chinelão: espadrilhes e sandálias.

Use as dicas e renove a sua vida. Seja versátil como a moda. Eu sei que tudo isso é provocante e desafiador, deixe o subjetivo de lado e use o seu charme para deixar as melhores impressões nesta temporada. As mulheres vão amar.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados

Adoro listrado!

 

Por Dora Estevam

listrado3No próximo verão você vai, com certeza, usar pelo menos uma vez uma camiseta listrada. Se já não a usa.

Digo isso porque nos desfiles de tendências Verão’11 Paris, Milão e NY, todos apresentaram modelos com o tema LISTRAS ou náutico se preferir, tanto no feminino como masculino.

Mademoiselle Chanel (1883-1971) que gostava de usar duas cores – em plena juventude – sentiu-se atraída pela camiseta de um pescador e a transformou em uma peça da coleção; peça que nunca mais foi esquecida por estilistas do mundo inteiro.

E eu te digo, caro leitor, Chanel gostava de homens, por isso a inspiração no uniforme masculino. É verdade, enquanto os outros criadores de moda se exorcisavam de vivências infantis para as suas criações, Coco se inspirava em oficiais da cavalaria e escolas abastadas. Por isso, os casacos sem gola e a famosa camiseta listrada, não esquecendo das calças masculinas. Notavelmente a camisola listrada sem gola ou gola canoa (como era chamada a camiseta na época) era uma das peças preferidas de madame Chanel.

Mas nem só de glamour vivem as listras. No passado, elas eram usadas apenas por pessoas “do bem”: prostitutas, palhaços, boêmios. Na cultura medieval, ocupações como açougueiros, moleiros e outras consideradas menos nobres é que podiam usar roupas listradas.

As listras eram tidas como divisor de águas; o não puro, o transgressor, aquilo que dividia, que mudava, tudo contado no livro “The devil’s cloth: a history of stripes” escrito pelo historiador de arte francês Michel Pastoureau.

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Quando as listras começaram a ser popularizadas, elas eram feitas somente em peças íntimas; achavam que as listras podiam tocar apenas as partes “sujas” do corpo. Com o tempo todos os objetos que significavam proteção de barreiras contra a sujeira do nosso corpo eram listrados.

Já reparou como a maioria dos pijamas são listradinhos. Pois é, os medievais acreditavam que as listras serviam para impedir a influência nefasta dos demônios nos sonhos. Elas serviam como um filtro de proteção. No mundo contemporâneo podemos identificar as listras em muitos produtos do nosso uso; as roupas esportivas, pastas de dente, códigos de barras; e, sem dúvida, o vai e vem da moda.

Vertical ou horizontal. Até esta questão virou polêmica, veja só: quando o significado das duas cores foi mudando, elas passaram a ser usadas pela aristocracia, mas somente as listras verticais; as horizontais, imagina, eram usadas pelos serviçais e pessoas mais comuns.

Mas elas chamaram atenção pra valer nas revoluções (elas representavam transgressão, lembra?), a ponto de virarem figurinha fácil em bandeiras; pelo mesmo motivo, tornaram-se as queridinhas de artistas rebeldes.

A polêmica não para. Eu diria que nos dias atuais a preocupação é outra: se engorda ou emagrece.

A listra continua vilã. Vai engordar o quê? Vai emagrecer o quê? A roupa emoldura o seu corpo, não faz milagre – nem o tubinho preto. Ajuda se você tentar usar o velho e bom senso na hora de tirar uma dessas do armário.

De qualquer forma, o que importa é se você gosta e está com a produção em mente. Vá em frente e combine o que puder. Ou faça como os “transgressores”.

Adoro quando vejo páginas e páginas nos editoriais de revistas com as fantásticas produções de xadrez com listra e floral. Acho bem divertido. As variações são incontáveis. Modelos como blusas, vestidos, terninhos (risca de giz), tudo ganha poder quando o motivo é listrado. Agora já sabemos o porquê de os estilistas usarem listras nas coleções.

Listrado é simples, chique e sempre moderno.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Míton Jung, às vezes vestindo listras

Jogadores de futebol e seus uniformes maravilhosos

 

Por Dora Estevam

Foto Colagem

Os uniformes fazem show à parte na Copa.

É impressionante a explosão de cores das camisas e shorts, da roupa dos goleiros, e das chuteiras. Estas são maravilhosas nas cores fluo: verde, amarelo, azul, laranja …

Escadalosas de lindas.

foto 2 chuteira

Quem dera se no dia-a-dia os homens saíssem assim com uma peça de cada cor no corpo. Mesmo em uma ocasião menos formal é bem difícil encontrar estas combinações. Inspire-se, pois para os jogadores do esporte mais popular do mundo elas estão caindo muito bem.

Pelé, dia desses, comentou que no tempo dele não havia vuvuzela nem chuteira cor de rosa, se referindo ao colorido que chamou sua atenção – mas parece que não lhe agradou. É que no tempo dele bastava jogar muito bem futebol.

Segundo fabricantes, a ideia é fazer a cor e o modelo da chuteira saltarem aos olhos do telespectador em close na TV, e de carona surge a marca. Uma estratégia que dá resultado em campo e retorno de marketing.

FOTO 3 GOLEIRO

Os uniformes foram desenhados de acordo com os padrões físicos dos jogadores. Teve marca que não pensou apenas em tecido fashion, mas também que desse vibração maior ao craque. Se a técnica empregada funciona não sabemos, mas que ficou bonito, ficou.

Esta fusão do esporte com moda gera muita publicidade para os jogadores (os mais belos, em especial) e para as marcas mais famosas do mundo. Cristiano Ronaldo e Kaká são modelos Armani para underwear e relógios. E até mesmo o troféu ganha mala especial, Louis Vuitton.

FOTO 5 MILÃO

Já que estamos falando de moda, se você se entusiasmou com as cores dos uniformes e acha que no próximo verão vai poder vesti-las, pode começar a guardar as camisas. A tendência apresentada na Semana de Moda de Milão, masculina, para o verão 2011, teve muito modelo colorido. 

Mesmo com todas essas cores, os estilistas apostam em propostas sóbrias com sapatos com solado branco, e paletós ajustados e com algumas estampas, também. São combinações que tem tudo para dar errado, mas vou confiar no seu bom gosto que saberá jogar uma dessas peças coloridas com um belo jeans, mistura que sempre funciona.

A regra, como diria o outro, é clara: vista uma ideia simples e usável. E, com certeza, você vai se transformar em um craque da moda.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo, aos sábados, no Blog do Mílton Jung

Na moda, Dunga é arrojado

 

Por Dora Estevam

dunga_herchcovitchQue gosto é gosto e não se discute, todos nós sabemos, mas quando se trata de moda e talento todos dão palpite. A escolha foi feita em cima de dois fatores: praticidade e frio.

Não gastou (e poderia, ele tem dinheiro), ficou super confortável e quentinho. Goste ou não, ele usou um casaco de um estilista brasileiro (muitos teriam colocado importado) e mostrou que podemos, sim, tirar roupas de coleções passadas do armário e usá-las sem problema (como já comentamos nesta coluna).

Estou falando do glorioso Dunga que no jogo da estreia do Brasil contra a Coreia do Norte, na Copa do Mundo, escolheu um casaco que causou tanta estranheza quanto a escolha dos meninos da seleção.

Na decisão pela roupa, Dunga mostrou mais uma vez que tem estilo e personalidade. Pode até ter sido influenciado pela filha, mas ele usou o casaco.

A peça foi desenvolvida pelo estilista mais importante do Brasil, Alexandre Herchcovicht, coleção 2006, a qual foi inspirada em príncipes urbanos, mistura de alfaiataria e esporte. No desfile, o modelo usou gola careca e um chapeuzinho tipo coroinha.

“Confirmado, Dunga está de Herchcovitch e eu tenho um igual! Estou feliz!”, escreveu o estilista animadíssimo no Twitter.

Na produção de Dunga, a blusa debaixo, uma malha com gola olímpica em tom claro (também já usou outras duas vezes), calça e sapatos marrons. Isso é que é legal, o estilista ver a roupa dele na rua, com novas produções e ousadas combinações. Quando ele poderia imaginar que o técnico da seleção brasileira fosse desencavar um casaco de coleção passada e ainda usar na Copa.

Dunga foi muito original. Além de ser um ótimo momento para divulgar a moda brasileira.

Este tipo de roupa usada pelo técnico é apenas para quem entende de moda. Quem não entende e não tem informação crítica mesmo.

Dunga ficou lindo e chique, até mostrou como se vestir dentro de campo. Deixa essa coisa de terno pra executivos, advogados e empresários. Em campo tem que mostrar comportamento arrojado.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo aos sábados no Blog do Mílton Jung.

Eles querem as gordinhas

 

Por Dora Estevam

Fluvia Lacerda

O frio chegou, assim como a Copa. E a fome também. Há quem brigue com a balança achando que está quebrada, que tem algum engano. Também pudera – não sei você, mas eu não paro de comer. E isso que o Brasil ainda não jogou.

Não pensa que esqueci das festas Juninas. Pelo menos duas são obrigatórias. Para quem gosta de comida típica como eu, impossível fugir delas.

E tem também os desfiles da SPFW – edição que apresenta a coleção de verão 2011. E volta o assunto das modelos magras. Mas sempre foram. E vai coleção, vem coleção o assunto é sempre o mesmo. Uma campanha aqui, outra ali, e continua tudo igual. Verdadeiros cabides.

Calma, não estou querendo dizer que deveria ser diferente nem criticando o fato de não ser como elas (nem de longe… ) também não posso dizer que tem que ser assim mesmo porque senão as gordinhas vão me matar.

Tá ! Por falar nelas, agora muito, mas muito mesmo, em moda são as modelos Pluz Size (modelo GG) garotas de bem com a vida e lindas. A novidade este ano é que o evento que organiza o Miss Brasil (normalmente, Miss Magrinha) agora também seleciona Miss Brasil GG. Legal, né!

A garota precisa seguir alguns pré-requisitos, nada complicado: primeiramente, é claro, ser G ou maior que G; ser solteira, não pode nem morar junto (põe o namorado pra correr); nunca ter posado nua, nem mostrado o seio em foto (ufa!) nem ter feito filme pornô; e ser muito alegre, simpática, ter boa postura, estar com a saúde em forma e a educação, também.

Bem, se você conhece alguém que se enquadra nestes requisitos e gostaria de ser Miss, vale a pena tentar. É só clicar www.misssaopaulo.com.br.

Fluvia LacerdaUm caso muito conhecido de modelo nesta categoria é o da brasileira Fluvia Lacerda, 29 anos,13 anos em Nova York. Pode-se dizer que a moça revolucionou o mercado GG no Brasil. Voltou para renovar o conceito das confecções com relação aos tamanhos grandes e também deu um empurrão nas modelos gordas que na opinião dela eram desvalorizadas e mal pagas.

Tem mercado para todo mundo, ninguém fica de fora nem a barriguinha proveniente da comilança, efeito Copa, Festa Junina, desfiles, e etc.

O interessante é que a roupa exerce um poder nas pessoas sem que elas percebam. Mesmo que diga que não liga pra estas coisas, acaba caindo em contradição quando vai às compras porque a peça que está em casa está fora de moda ou está velha. É sempre assim.

Eu conheci gordinhas lindas e super bem vestidas, meninas que se produzem com peças da moda e ficam charmosas. Assim como outras que nem ligam para a moda e dão graças a Deus por ter um camisão bem largo para se esconder dentro dele. Também conheço magras que são verdadeiras cafonas e outras que são chiquérrimas. Tudo é uma questão de gosto e estilo da pessoa.

Agora, é muito comum ouvir as grávidas, as gordas e as pessoas com deficiência reclamarem que nunca tem roupa para eles. É verdade. Vergonha mesmo é o Brasil com tantos talentos de estilistas não ter um sequer que faça a moda voltada para estes segmentos. Assim como o pessoal do Miss Brasil deu o primeiro passo quem sabe o Paulo Borges, diretor do SPFW, não segue o caminho e convide estilistas com propostas para este mercado desfilarem na próxima edição.

Moda pra não tirar o chapéu

 

Por Dora Estevam

Esta semana, a chapeleira Silvia Lucchi inaugurou exposição de chapéus, em São Paulo. Ela está de volta ao Brasil depois de morar uma boa temporada na Holanda. Por aqui, a estilista teve destaque na década de 1980 quando criou peças para as marcas Zoomp e Fiorucci. Depois, foi para o exterior, onde seguiu carreira profissional.

Silvia Lucchi

Quando se fala em chapéu vem logo a imagem de homens sóbrios dos anos 1900, conversando em rodinha nas ruas de Paris com seus novos ternos – sim, a casaca já havia caído. Era uma época em que homens e mulheres não saíam de casa sem ele. Mas o chapéu faz parte de várias gerações e os estilistas nacionais e, principalmente, internacionais amam trabalhar com este acessório tão encantador.

Chapéu e luvas faziam parte da toillette de toda mulher de 1930 a 1939. Por optarem por uma moda mais prática os pequenos e planos eram fáceis de serem presos ao penteado. Foi uma época fantástica para as criações. Elsa Schiaparelle Elsa Schiaparelle (foto ao lado), que desbancou Coco Chanel com seu estilo moderno e prático para a época, criou chapéus que eram obras de arte. Schiap, como era chamada pelos amigos, gostava de penas, não por acaso o chapéu mais famoso dela foi confeccionado com feltro vermelho e uma pena de galo. Logo virou uma marca da estilista italiana.

Foram muitas as criações: ficou célebre, também, o sapato que Schiap transformou em chapéu ao dobrá-lo para cima, com sola vermelha, sem nenhum pudor. O modelo foi usado por ela mesma e em poucas clientes ousadas. Amigo de Schiap, Salvador Dali apreciou muito a criatividade dela.

Se for pensar em loucuras de chapeleiros, logo vem à mente os mais modernos como Philip Treacy (foto a seguir) e Stephen Jones.

No Brasil, o uso do acessório não é tão frequente, a não ser em ocasiões muito especiais. Apesar disso, a moda sobrevive. No Rio de Janeiro, a chapelaria Alberto que funciona há mais de 100 anos e, em São Paulo, a chapelaria Maurice Plas com 40 anos, resistem bravamente às mudanças do tempo vendendo chapéus de todos os modelos.

O mais comum é ver o chapéu sendo usado no verão para se proteger do sol; no inverno alguns senhores com o boné inglês de lã – parece ser bem confortável. As mulheres resistem muito, com exceção de algumas que viajam para o exterior e acabam usando como opção de moda. Também por isso, o chapéu é uma peça que chama muito a atenção. Todo mundo comenta quando tem alguém usando.

Philip Treacy

Quem se diverte mesmo são as produtoras de moda e os estilistas. Eles procuram muito o acessório para as produções de fotos e desfiles. Mas é bem raro encontrar um na rua.

Que sabe a exposição “Na cabeça” de Silvia Lucchi renove e traga de volta o gosto pelo chapéu. Seria bem interessante. São mais de 200 modelos elaborados em materiais e estilos diversos. Tem até modelo que já foi vendido na famosa Barneys, de Nova York. A mostra vai até 26 de agosto, no Museu do Objeto Brasileiro, com entrada franca, em SP.


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida, aos sábado, no Blog do Mílton Jung

Homem quentinho

 

Por Dora Estevam

Bem quentinho e com estilo próprio, é assim que o homem vai passar o inverno brasileiro 2010. E o melhor de tudo, com roupas que tem a sua cara.

Seja para homem clean, clássico, alternativo, moderno ou elegante, tem proposta para todos.

Foto 4Inverno é assim: quando ele está chegando você tira uma pecinha aqui, outra ali, vê o que dá para usar, o que está conservado e o que também não está, o que por algum motivo foi fazê-la parar no fundo do armário.

Ai, vem à velha pergunta: mas isso ainda está na moda?

Bem, posso dizer que você não deve se preocupar com isso, pelo menos neste momento.

Roupa de homem tem sempre um estilo próprio, as peças normalmente são básicas e acabam virando peças-chave no armário. Veja aquele caschemere amarelinho: nossa, tá novinho! Quem bom. Vai evitar um gasto com isso.

E os ternos? Vai ano vem ano e as cores são basicamente as mesmas: preto, cinza, azul marinho, bege. Ah mas ai você me cobra: e as tendências, como ficam ?

É simples: troque as camisas, as gravatas e os sapatos e você terá um novo e eterno terno. A elegância está nas suas escolhas. Caso o terno esteja batidinho ai sim vale a pena comprar um para repor, sem dúvida o terno é o melhor companheiro do homem na hora de fechar o grande negócio.

A dupla infalível é o paletó com jeans. São chics e vão do dia à noite, sem problemas. Também tem a linha jaqueta de couro com calça de algodão, fica lindo. E são modelos que com certeza todo homem tem no guarda-roupa.

Homem também gosta de gastar com roupas, então quando chega o fim de semana correm para os shoppings e não param mais, a listinha é tão longa quanto à das mulheres: vai relógio, cinto, tênis, sacola de academia, uma pólo bem bacana e moderna (dessas inspiradas nos estilos colleges americanos) um belo par de mocassim, o perfume, os óculos de sol e por ai vai.

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Na verdade os últimos desfiles mostraram uma tendência muito forte voltada para o lado esportivo, mas uma moda mais grunge, tipo não to nem ai pra nada, e o estilo roqueiro, que não é pra todo mundo.

De qualquer forma vale a experiência de usar o que quer de maneira prática, estilosa e confortável.

Sem deixar ser quentinho.

Dora Estevam é jornalista e escreve aos sábados no Blog do Mílton Jung

A moda na política

 

Por Dora Estevam

Candidatos

Agora é assim: a roupa da Dilma, a roupa do Serra, a roupa da Marina. Os três maiores candidatos à presidência do Brasil estão em destaque, e o país comenta a vestimenta. Uma por que usa roupa larga demais, a outra que deveria se vestir mais formalmente e o outro que não tem gosto pela gravata.

Já falamos aqui nesta coluna da liberdade de se vestir, do respeito ao tipo físico, do respeito ao gosto pessoal de cada um. Por que os políticos deveriam se vestir “melhor” do que já se vestem ou mudar seu estilo ?

Veja Michele Obama, a primeira dama dos EUA se destacou pelo diferencial, até o estilista de jóias que ela usa ficou famoso, e ninguém o conhecia, ou nem tanto.

Há algum tempo o presidente Lula disse que a ministra Dilma deveria se vestir com roupas mais , formais. Desculpe-me, presidente ! O senhor está dando corda para ela se enforcar. Em minha opinião, Dilma tem de se vestir do mesmo jeito que sempre se vestiu. A mudança de visual acontece gradativamente na vida das pessoas, não é porque ela é candidata que vai mudar o estilo. A vestimenta está ligada a personalidade. Se você muda algo repentinamente ninguém vai entender nada. E a própria pessoa não vai se sentir à vontade.

Além do que todos os três já são bem velhinhos para determinar mudança de personalidade.

A candidata Marina Silva é um outro exemplo. A mulher tem lá o estilo dela toda natural, com toque clássico antigo, naquelas pantalonas com um ar natural realçado nos colares feitos na Amazônia, ou seja, vai mudar pra quê? Ela me parece se sentir confortável nas peças.

E o Serra? Há quanto tempo ele está na política e há quanto tempo ele se veste desta maneira sem afetar ninguém. Não tem que exagerar em gravata colorida para agradar as pessoas. Escolher gravata não é uma tarefa fácil para nenhum homem. E além do mais o que há de mal em uma camisa azul e uma calça bege? É só dar uma voltinha pelos shoppings de SP que você vai encontrar centenas deles.

Em entrevista esta semana, um estilista comentou sobre os ombros do Serra. Disse que são pequenos e parece que se der um vento ele vai cair. Para com isso, só falta agora querer que o homem faça musculação ou lute boxe.

Ele sempre teve este tipo físico e não há registro de tombo por ai.

Essa mania de querer mudar já era, não dá certo. Ninguém está elegendo princesa, muito menos rainha, nem tão pouco um príncipe. Estamos escolhendo um presidente para governar um País. Deixa fluir, não mexe não.

Quer saber, essa coisa de querer mudar o jeito da pessoa é bem cafona. Estão querendo transformar uma ex-guerrilheira e uma ex-seringueira em Costanza Pascolato; e o um eterno político em Reinaldo Gianecchini. Esquece. Elas (e ele) merecem se produzir, ficarem deslumbrantes, mas na maneira deles.

Agora, o que pode ser feito – e o que sempre acontece nestas ocasiões – é na hora da posse e nas relações futuras, contratar um estilista que entenda a personalidade da pessoa e apresente propostas coerentes com o estilo dela para escolher os tecidos, cores, dar um acabamento melhor na roupa, mas não mudar a personalidade. Isso, definitivamente, está fora da moda.

E o povo quer solução, não ilusão.

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo no Blog do Mílton Jung, aos sábados.

Vermelho Valentino para sua mãe

 

Por Dora Estevam

Se eu tivesse que oferecer um estilista de presente para uma mãe ou se eu fosse esta mãe, com certeza seria o italiano Valentino. O estilista que rompeu definitivamente o monopólio parisiense da moda e seduziu o mundo com criações luxuosas e femininas.

Eternamente vermelho.

Valentino abre 1

Quantas vezes você chegou a ver os vestidos maravilhosos de Valentino no tapete vermelho da festa do Oscar?

Vestidos deslumbrantes usados por mulheres indiscutivelmente elegantes como Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy e a princesa Diana. Na agenda contemporânea, Claudia Schiffer, Sharon Stone e Linda Evangelista.

Atualmente, as coleções assinadas por Valentino vão além de moda feminina e masculina, suas charmosas criações se expandiram para acessórios como perfumes, relógios, óculos e bolsas.

Sem dúvida o século 20 foi incrivelmente especial para o estilista que expandiu seu império para além da Itália, abriu lojas na França, Inglaterra, Japão, Estados Unidos, Coréia Indonésia, entre muitos outros países.

Valentino MeioQuando se fala em moda a impressão que dá é que tudo são flores, mas você imagina o que Valentino passou para chegar no topo da alta-costura?

Valentino Clemente Ludovico Garavani, nascido na cidade de Voghera, em 1932, teve que romper muitas barreiras a começar pelo monopólio parisiense que não admitia estilistas estrangeiros.

Valentino terminou os estudos em Milão, onde aprimorou seu conhecimento em arte e escultura, depois foi estudar em Paris  na Chambre Sybdicale de la Haute Couture. Na capital, aproveitou para fazer um estágio e algumas aulas de dança e teatro.

Ai você me pergunta, de onde vem afinal a inspiração para o estilista gostar tanto de vermelho? Bem, ainda nesta ocasião, o jovem Valentino começou a frequentar a Ópera de Barcelona, ao notar que a maioria das roupas dos trajes  usados em cena era vermelha, ele se deu conta que depois do preto e branco não existia cor mais bela.

Enfim, estamos falando de uma época muito elegante, La Dolce Vita italiana. Em 1957, com 27 anos, Valentino abriu seu próprio ateliê em Roma e lançou seu primeiro desfile solo. O impacto foi grande, até a atriz Elizabeth Taylor largou tudo para assistir, depois disso ela encomendou um vestido para a premiere de Spartacus. Faz ideia?

Dai em diante as estrelas Ornella Mutti, Sophia Loren e Mônica Vitti se encantaram com o jovem italiano.

Nos anos 60, a moda londrina invadiu o mercado com as criações de Mary Quant e com isso os preços da alta-costura baixaram muito. Valentino esperto que era, deu um verdadeiro golpe de mestre, preparou a sua coleção prêt-à-porter, se dedicou mais a criação e expandiu a marca.

Em 1968, ele costurava para as mulheres de políticos e as mais famosas atrizes, sem contar que fez o vestido de casamento da amiga dele Jacqueline Kennedy.

Valentino Abre

Valentino sempre foi inteligente e soube aproveitar as oportunidades e as mudanças de cada época. Digo isso, porque já em 70, com todas as mudanças sobre as quais falamos nesta coluna, ele criou peças incríveis com estampas extravagantes com leopardos, zebras e girafas, vestidos suntuosos de noite e não poupava plumas, paetês e bordados.

Em 2008, Valentino se aposentou, mesmo dizendo que não conseguiria ficar longe das tesouras. A marca ele já havia vendido para uma empresa britânica.

Talento e criatividade nunca faltaram para o mestre italiano que  sempre surpreendeu com suas criações arrojadas e sempre femininas.

Seduziu  mulheres do mundo inteiro. Porque sempre soube traduzir os sentimentos tão delicados, sofisticados, glamorosos e luxuosos.

As mães merecem um homem assim.

Dora Estevam é jornalista, escreve ao sábados no Blog do Mílton Jung e, mãe, fala em causa própria na coluna de hoje.