Moda eficiente inclui a todos

 

Por Dora Estevam

Campanha da Debenhams

Sabemos que cadeirantes ou pessoas com deficiência sempre existiram e não é de hoje que lutam pelos direitos de igualdade, antes que alguém diga que é coisa de novela. Mas ainda bem que a novela trata deste assunto. Não que tudo que vemos nela seja tão real, é novela. De qualquer forma ajuda muito na divulgação da causa. E, acredito, os trabalhos alavancados neste momento ficarão para sempre. O que antes era difícil conseguir, hoje com a divulgação se tornou  viável.

Esta é uma das preocupações do governo e de empresários da moda brasileiros.  Em 2009, a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, em São Paulo. lançou concurso no qual estudantes – futuros estilistas – criaram roupas para coleção voltada à moda inclusiva. O evento tem o patrocíno da Vicunha Têxtil que ofereceu estágio aos vencedores e se comprometeu a confeccionar as roupas desenvolvidas pelos participantes.

O desafio está lançado novamente, agora, na segunda edição.
 
“Na primeira edição do Concurso de Moda para deficientes ainda não existia novela, foi muito difícil explicar ou fazer os investidores acreditarem ou entenderem o assunto. Hoje, com a novela ficou muito mais fácil atrair novos negócios” – explica Daniela Auller, assessora técnica do projeto Moda e Inclusão.

Shannon MurrayNa Grã-Bretanha, a BBC produziu programa com modelos deficientes incentivando a discussão sobre o tema. E a inclusão na moda foi além, debatendo o preconceito com etnias e tamanhos. Lojas se recusam a estocar roupas “extra-large” e só usam modelos brancas. Para desafiar este cenário, uma grande loja de departamentos, Debenhams, colocou na passarela uma cadeirante como garota-propaganda. De acordo com o site do jornal The Independent é a primeira campanha de moda com este foco.

A modelo é Shannon Murray, 32 anos. A grife investe também em tamanho grande (G e GG) para ficar mais próxima da realidade das pessoas e mostrar aos jovens que o padrão de beleza não é só aquela magreza estendida na passarela nem aquele rosto bonitinho estampado nos editoriais de moda.

Recentemente, uma cadeirante, Caroline Marques, 28 anos, desfilou no Fashion Downtown, que promoveu confecções e comércio no centro de São Paulo. Ela faz parte de agência que tem cerca de 80 modelos com todo tipo de deficiência física.

Você pode imaginar o que são 30 milhões de brasileiros com deficiência sem ter opção para se vestir? Se para uma pessoa “normal” já é complicado … quantas horas você leva para comprar roupa? E para se vestir?

Caroline Marques Paiva (arquivo pessoal)

A palavra-chave para a roupa inclusiva: facilitador.

É uma roupa que facilita a vida das pessoas. A calça com zíper ou puxador maior, que tenha um porta-bengala para as deficientes visuais (as mais jovens esquecem as bengalinhas), uma etiqueta em braille para facilitar a leitura da numeração, aberturas, botões já pregados (falsos) e sapato com elástico ou velcro, que também ajuda quando aplicados nas roupas. Isso significa que as peças podem ser usadas por qualquer pessoa, diz Daniella. 

Aqui no Brasil não se tem conhecimento de confecção que faça este tipo de roupa mais prática. Desta forma, os deficientes se vestem com roupas adaptadas em casa, customização caseira. Não custa nada colocar um bolso maior na frente de uma calça jeans, ficaria prática e simpática para todos nós, sugere Daniella.

Sem dúvida, uma iniciativa que deveria ser integrada em todas as escolas de moda do País.

Serviço
2º Concurso Moda Inclusiva
Inscrições para o concurso: até 30 de abril, no site Pessoa com Deficiência
Entrega dos trabalhos: até 05 de maio
Divulgação dos 20 finalistas: 07 de maio
Desfile: 7 de junho

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung

Você ainda vai ter um dia de Alice

 

Por Dora Estevam

Ela está por toda parte. Pode ser vista nas embalagens de maquiagem, nas estampas de camisetas, nos editoriais de revistas de moda (as mais importantes do mundo), também em desfiles e exposições.

Já sabem de quem estou falando?

Não, não é da Lady Gaga. É Alice. Sim, ela mesma. De ”Alice no País das Maravilhas”.

Alice 1 Capa TeenVogue

Criada em 1865 e agora resgatada por Tim Burton, a personagem, interpretada pela atriz Mia Wasikowska, virou febre nos mercados da moda e beleza, a começar pelos Estados Unidos, onde o filme já foi lançado. Com agenda cheia, a atriz quase não tira o vestido azul-celeste, mesma cor do usado pela personagem no filme, como podemos ver na capa da Teen Vogue de março.

Com estreia programada para a próxima semana aqui no Brasil, a releitura deste clássico da literatura fantástica de Lewis Carroll tem causado alvoroço na moda. Estilistas enlouquecidos com as roupas e o figurino do filme fizeram versões do modelito azul.
 
Até a poderosa Anna Wintour editora-chefe da Vogue América, se rendeu e dedicou várias páginas a Alice. Anna buscou um time peso-pesado para a produção do editorial: Olivier Theyskens, Tom Ford, Helmut Lang, Marc Jacobs, Karl Lagerfeld (para Chanel Haute Couture), Jean Paul Gaultier, Viktor & Rolf, Stephen Jones (para Christian Lacroix Haute Couture), John Galliano (para Christian Dior Haute Couture), Donatella Versace (para Atelier Versace) e Nicolas Ghesquière (para Balenciaga). 

Detalhe: a movimentação começou com o início das filmagens. No ensaio, cada estilista veste a modelo com o vestido azul do filme, o que remete a cada cena e ao cenário escritos no livro. Um verdadeiro affair do cinema com a moda. A personagem foi encarnada pela top  Natalia Vodianova e as fotos feitas por Annie Leibovitz.
 
Alice 2 ensaio
 
Ao que tudo indica o filme vai dar lucro também fora das telas, são incontáveis os produtos lançados: a marca de esmaltes OPI criou quatro cores inspiradas no filme e a Urban Decau, uma edição de sombras embalada com a estampa do cenário, edição limitada. A esta altura já não deve ter mais nada nas prateleiras. 

O marketing fortíssimo da Disney contratou a estilista Stella McCartney que criou uma linha de colares e pulseiras com pingentes de cristais Swarowski e Plexiglass (tipo de cristal acrílico).
 
Alice 3 brincos-swarovski-e-broche-da-hora-do-cha-louise-buchan

Se for contar tudo o que estão fazendo por aí, você teria de rolar páginas e páginas de post neste blog. Até a nossa amiga Rihanna já fez um editorial vestida de Alice. Foi em 2009 para a Vogue Itália. O ensaio foi todo em preto e branco, apenas com destaque em uma foto justamente a imagem da cantora com o vestido azul-celeste.
 
Carol Trentini, modelo brasileira também teve seu momento Alice para a revista Numéro, só que numa versão gótica da personagem. Inspirado  também no mundo de Carrol, a princesa Paola de Orleans e Bragança foi Alice por um dia e fez  a campanha para uma marca de jóias no Brasil.

Alice 4
  
É impressionante o sucesso que o filme está fazendo no quesito figurino e cenário. Tim Burton tem ótima reputação no mercado cinematográfico. Acertou mesmo em fazer esta reprodução. Só resta saber se o filme ficou bom. O que veremos semana que vem.
 
E para entrar no clima do País das Maravilhas, vá à exposição sobre o universo dos sonhos de Carroll, no Shopping Portal do Morumbi. O espelhinho com moldura laranja foi o escolhido para ser redesenhado por 40 artistas brasileiros. E os trabalhos serão vendidos a R$ 200 cada um com renda para a entidade que cuida de crianças com leucemia, a Abrale .
 
É isso, assistam e depois nos contem como foi o filme e o que você resolveu comprar para entrar no mundo de “Alice e o País das Maravilhas”.

Dora Estevam é jornalista e escreveu este texto no Blog do Mílton Jung com um vestido longo azul-celeste

Sandália com meia é pipoca com guaraná

 

Por Dora Estevam

O que era considerado infame ou gafe no mundo da moda virou status nos desfiles das coleções Primavera-Verão 2010 das marcas mais famosas: sandália com meia. E foram muitas as grifes que aderiram ao modelito: Alexa Chung, Marni, Jean Paul Gualtier para Hermes, Christian Dior e Burberry Prorsun.
 
O caminho para o sucesso da mistura foi ostentado por famosos como Rihana e Marc Jacobs, ano passado. E algumas antenadas já haviam aderido ao estilo.

Uma coisa é usar meia com sapato no inverno, outra é fazer o mesmo modelo desfilar no verão. Tem que renovar tudo, de tecido a desenho da sandália.

Dizem os estilistas que agora é um ótimo momento para testá-las, primavera-verão.
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Por aqui a moda virou hit nos anos 1970 com Dancin Days, novela de Gilberto Braga estrelada por Sônia Braga. Elas eram coloridas e brilhantes.

Dancin Days
 
Eu já falei sobre a moda de sapatos para o nosso inverno – que já esta por aí. Nem de longe lembra esta proposta de sapato com meia: peep toe, scarpins renovados, salto baixo … mas se você se sentir a vontade e com vontade, fique atenta nos modelos a seguir e os use para ver como vai ficar. Não se esqueça de postar um comentário para contar o resultado.

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Uma meia com chinelão igual a este do Jacobs até que cairia  bem  neste friozinho, não acham ? Esta com cara de ser bem confortável e quentinha.
 
De uma olhada nestas sandálias. De repente você pode até mudar a sua opinião, e achar chic.

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E note que as roupas são realmente mais frescas assim como as meias são finas e as sandálias abertas.
 
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Olha esta que graça, fazendo a linha esportiva chic.
 
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Esta outra combinação, que bárbara ! Realmente os modelos são de causar impacto. Este cairia bem numa baladinha, não acham?
 
O interessante é que você pode brincar com as cores das meias e dos sapatos. É uma questão de gosto. Eu diria que é uma moda que em pouco tempo ganhará espaço nas ruas brasileiras principalmente no eixo Rio SP.

Dora Estevam é jornalista e vai testar a sandália com meia (e pipoca com Guaraná) no frio deste fim de semana.

Táxi ! Por favor, com elegância

 

Por Dora Estevam

Taxi, na galeria de Stephen Geyer

Esta semana, observei alguns pontos de táxis.  O que me chamou a atenção foi a roupa dos motoristas. Notei que, atualmente, eles estão mais sociais na maneira de se vestir, e isso me causou uma boa impressão.

Quando estão em grupo, é fácil identificar o que estão vestindo, parece uniforme mesmo: calça bege ou preta, camisa branca e sapato social. Barba bem feita e carro limpo … Para combinar, é claro.

“Esta é uma das nossas preocupações, além da ética no atendimento com o cliente”, diz Natalício Bezerra Silva, presidente do Sindicato dos Taxistas de SP. “Nosso compromisso com o passageiro vai  desde o relacionamento até o bem estar dele em toda a viagem. Imagine se um passageiro entra no carro e da de cara com um motorista todo sujo e mal cheiroso”.

Eu jamais pegaria um táxi se o motorista estivesse cabeludo, barbado e de óculos escuros, isso depõe contra o profissional. “E se eu fosse um cliente me manteria longe deste tipo”, ensina Edson Lamonica, motorista com ponto no Real Park, em SP.

“Aqui no ponto, nós trabalhamos durante a semana com roupas sociais, somente no sábado partimos para o casual, mas sempre bem arrumado. Procuramos estar com o rosto sempre a mostra, o carro limpo e organizado e, em todos os pedidos, descemos do carro para abrir a porta para o passageiro, seja ele uma empregada doméstica ou um grande executivo” – conta.

Edson trouxe na bagagem a experiência de 12 anos como motorista de empresa particular. Assim, foi mais fácil a adaptação. Ele até passa dicas para os amigos.

Estar barbeado e asseado faz parte do compromisso com o passageiro, a regra é fiscalizada e cobrada pelos coordenadores das praças.

“Assim como a roupa, o motorista tem de ser discreto: Não podemos falar mal da cidade de São Paulo nem tampouco dos passageiros, seja ele turista ou morador.” Discrição, também, em relação ao cliente, explica Natalício: “não podemos sair por ai contanto tudo o que ouvimos ou vimos dentro do táxi”.

O carro é como se fosse uma empresa. O motorista precisa se vestir adequadamente, falar bem e ter educação. O perfil dele indica a maneira com que conduz o carro. Um motorista bem arrumado causa boa impressão.

Ao pegar um táxi, espero que o motorista seja discreto, limpo, tenha bom senso, não ouça rádio com som alto e não encha minha viagem com histórias tristes, sobre a vida dos outros ou reclamando da própria. Espero que ele saiba me ouvir e me compreenda, além de chegar ao destino pelo melhor caminho.

Assim, certamente, ele fará parte da minha agenda, tão discreta e elegante.

Dora Estevam é jornalista, escreve aos sábados no Blog do Milton Jung e anda de táxi na cidade de São Paulo

Muito além de um elegante vestido preto

 

Por Rosana Jatobá
Vestido preto em tela por Bertrand Eberhard

Ela surgiu para esconder as vergonhas, mas hoje em dia revela o íntimo de cada um. A roupa é o sinal instantâneo da auto-imagem que queremos exibir. E, na visão da grande dama da moda, ela pode ser uma arma poderosa e infalível:

“Vista-se mal, e notarão o vestido. Vista-se bem, e notarão a mulher.”

Mademoiselle Chanel revolucionou, não apenas porque libertou a mulher dos trajes desconfortáveis e rígidos do fim do século 19. Mas porque valorizou o senso crítico:

“O mais corajoso dos atos ainda é pensar com a própria cabeça”.

Se os tempos modernos desafiam nossas escolhas em nome da Sustentabilidade, invocar a genialidade de Coco Chanel pode ser norteador. Foi o que eu fiz quando recebi um presente, que chegou cheio de recomendações:

– Tenha muito cuidado, guarde-o em lugar fresco e escuro, e, se sujar, leve a um especialista. Esta pele pertenceu à sua avó. É um vison!

Vesti e imediatamente senti o poder de transformação do visual. A peça macia e felpuda de cor castanha tinha a pelagem espessa, brilhante e vistosa. Embora com mais de meio século, mantinha um design atemporal. Envolta na altura dos ombros, proporcionava uma sensação de conforto e proteção. Era a mais perfeita tradução do luxo, o acessório que permitia a metáfora: os diamantes estão para as orelhas, assim como a pele está para o corpo.

Chegou o dia de exibi-la. A noite do casamento estava mesmo fria em São Paulo, coisa rara nos últimos invernos. A festa era de gala, num endereço tradicional da cidade, o Jockey Clube. Escolhi um vestido de seda preto, me enrolei no vison e me perfumei,
afinal, segundo nossa musa:

 “Uma mulher sem perfume , não tem futuro!”

 Mas a última olhada no espelho, em vez de glamour, revelava inquietação:

Eu sabia que o animal havia sido morto numa época em que não existia o risco de extinção da espécie. Tinha certeza de que ninguém iria me hostilizar na festa , pois grande parte das mulheres estaria ostentando a sua estola ou casaco de pele. Possuía o aval da papisa da moda, Anna Wintour, editora da vogue americana, fã incondicional de peles e uma das responsáveis pela “fur mania” atual, um boom que não se via desde os anos 80.

Tinha, portanto, razões de sobra para usar o bicho, mas nenhuma tão contundente quanto a deixada pelo legado de Chanel :

“A moda não é algo presente apenas nas roupas. A moda está no céu, nas ruas, a moda tem a ver com ideias, a forma como vivemos, o que está acontecendo.”

Não poderia ignorar que, se usasse o vison, vestiria a capa da indiferença diante de um mercado cruel e fútil, que não para de crescer. De acordo com a Peta (Pessoas pela Ética no Tratamento de Animais), a indústria da pele mata 50 milhões de animais por ano no mundo. Só na China, a produção atingiu números entre 20 e 25 milhões em 2010, ao passo que no ano 2000, oscilava entre 8 e 10 milhões de peles. A organização beneficente invade desfiles de moda e aterroriza as donas do acessório, jogando baldes de tinta para inutilizar a peça. É uma forma de protestar contra os maltratos dispensados aos bichos, que passam suas vidas confinados em minúsculas gaiolas.

Para a extração da pele, são eletrocutados, asfixiados, envenenados, afogados ou estrangulados. Nem todos morrem imediatamente, alguns são esfolados ainda vivos! Em alguns locais, para que as peles fiquem intactas, corta-se a língua do animal, deixando-o sangrar até morrer.

A voz da consciência soprou mais uma vez ao meu ouvido e ouvi o conselho da mestra das agulhas:

“Elegância é recusar.”

Abri mão da gostosa sensacão térmica da pele morta do vison e fui às bodas.

No salão ricamente enfeitado, a fauna mórbida desfilava à minha frente. Era uma profusão de visons, chinchilas, raposas, zibelinas, cabras e cordeiros. Bichos montados, pendurados, entrelaçados em mulheres superproduzidas. …e bem agasalhadas.

Toda concessão tem seu preço.

O ar gelado entrava pelas janelas e resfriava até a minha alma, obrigando-me a contorcer os músculos.

Mas toda renúncia, a sua recompensa.

O desconforto em pouco tempo desapareceu, quando me senti envolvida pelo calor dos braços de um certo alguém. Como dizia Gabrielle Coco Chanel:

“Uma mulher precisa de apenas duas coisas na vida: um vestido preto e um homem que a ame”.

Rosana Jatobá é jornalistas da TV Globo, advogada e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da USP.


Veja mais imagens da galeria de Leemox, no Flickr

É outono, troque seu guarda-roupa !

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Por Dora Estevam

Neste sábado, dá início a nova estação, outono, e com ela a mudança do clima: de manhãzinha frio, à tarde calor, à noite frio de novo. Seu guarda-roupa pede malha, camisa de manga longa, blazer, casaquinho, jaqueta, calça de algodão, meias, sapatos fechados, echarpes, lenços … Uma infinidade de peças que precisa ser acolhida no espaço que está habitado pela moda verão.

Não importa o quanto você vai gastar em um par de sapatos novos ou em um sweater, o que importa é que você precisa comprar pelo menos duas peças para  compor o novo visual. Se você é do tipo que trabalha muitas horas, que precisa andar de um lado ao outro no escritório, sem dúvida terá de investir em algo de qualidade. A primeira coisa em mente é que, do verão para o inverno, a mudança é radical: saem os florais coloridos, entram as cores esmaecidas.

Chega, então, a hora de escolher entre preço, moda e marca. Vá com calma ! Não saia por ai gastando tubos em algo que você usará pouco e logo vai enjoar. Compre peças boas, não precisa ser de marca famosa e cara.

Moda Out:2010 Feminina

Sugestão da consultora de moda e professora da Faculdade Santa Marcelina Andréia Miron: aproveite e dê uma espiada no guarda-roupa da mãe ou da avó. Veja se lá tem um casaquinho de veludo alemão, de brocado, lurex, lamê, tecidos com carinha de antigo. Estes modelos se usados com um cinto por cima ou uma bolsa bacana, são elementos do passado que dão característica de unicidade.

Para o orçamento que está curto ou para quem não pretende comprar um blazer mais ajustado, com ombreiras de espuma pontiagudas, precisa ter em mente as cores da estação (rosáceos, nudes, toda a gama dos azuis, preto e branco, cinza, musgo) e compor com o que já tem em casa.

Os estilistas estão compondo cada vez mais o guarda-roupa feminino com a política da liberdade da criação, explica Andréia.

1. Ela ensina como fazer esta troca sem gastar muito tempo:

2. Comece por tirar as peças sem manga e substituí-las pelas com manga;

3. Depois, encaixe aquelas que protegem do friosinho comum de outono como blazer, jaquetas, malhas, tricots.

4. Então, troque as blusas decotadas pelas de golas mais altas.

Mudança também na sapataria. Se a intenção é, realmente, usar o que está na moda, o sapato feminino ideal agora é o “Kitten Heels” (Salto Gatinho). O salto não tem mais que cinco centímetros. Uma tendência mundial. A proposta visa dar conforto para mulheres de todas as idades.

Continuam os de bico fino contemporâneos e retrô com bico quadrado. Use meias trabalhadas, como as rendadas.

Moda Out2010 Masculina

Para os homens de paletó, o forte da estação será o azul marinho; nas camisas, o predomínio dos azuis, dos claros aos escuros, tipo Bic; as gravatas aparecem nos tons esmaecidos, amarelos e rosáceos. Os sapatos – sem invenção: os mesmos clássicos de amarrar.

Com tudo isso, nesta mudança de guarda-roupa, se você não tiver onde guardar o que sobrou faça uma boa ação.

Ao optar pela doação, veja se a roupa não está rasgadinha. Se estiver tudo certo, não exite: dê para pessoas que realmente precisam, doe para a empregada, alguma amiguinha em crise financeira, aquela priminha pobre do interior ou procure ONGs que saberão dar uma finalidade.

Doar é uma prática de boa conotação e fará com que pessoas com dificuldades se sintam bem melhores.

Agora, se você realmente não pode gastar nada, tem um sistema de troca de roupas muito usado pelas britânicas que é o “Clothing Swaps”. São amigas e até lojas, bazares que combinam de levar tudo aquilo que não usam mais para troca. Quem não se incomoda de usar roupa de segunda mão acaba tendo vantagem. O conceito do “O Que é Meu é Seu” pode ser usado em produtos de beleza, acessórios, mobílias, vai da sua imaginação.

Se você tem muitas amigas, acho que seria uma boa opção para este momento. Agora, veja se a amiga tem um guarda- roupa legal, caso contrário alguém pode sair no prejuízo.

Ligue para elas e combine um encontro, depois me conta como foi.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

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No desfile digital, quem senta na primeira fila é você

 

Por Dora Estevam

Marc Jacobs at New York Fashion Week February 2010 from istoica on Vimeo.

O que antes era visto por poucos agora está à mostra para muitos. Falo dos famosos desfiles da poderosa Semana de Moda de Nova York. A última edição, encerrada nessa quinta-feira (18.02), mostrou a coleção de inverno 2010/2011 e foi transmitida pela internet. A tecnologia colocando ao alcance das pessoas imagens que antes só eram vistas por uma seleta lista de convidados.

Ao mesmo tempo em que marcas como Alexander Wang, Rodarte, Calvin Klein e Marc Jacobs, entre muitas outras que se pronunciaram, apresentavam suas peças nos desfiles em Nova York, pessoas do mundo inteiro acompanhavam, simultaneamente, no conforto de seus computadores. É o fim de uma era complexa. Por ser um evento fechado e muito encantador o assédio é enorme.

Coordenador do Curso de Moda da FAAP-SP, Ivan Bismara, acredita que essa é uma transformação mundial por causa do comércio eletrônico. O glamour de estar presente vai continuar esteja você na sala de desfile ou de casa. Exemplo citado pelo professor Bismara: a Victoria Secret que investiu na ideia do desfile digital há pelo menos três anos; o sítio dela é totalmente e-comerce; a marca é popular e conhecida no mundo inteiro.

Apresentar um desfile em uma passarela como de NY custa caro, então algumas marcas optaram por desfilar apenas na internet: Temperly London e Rem Acra.

“É o que vai acontecer no futuro: os desfiles vão ser dentro de uma sala fechada com transmissão on-line para as pessoas assistirem de dentro de suas casas, nas grandes telas e fazer o que quiser com a imagem: congelar, ver de perto os detalhes”, explica Bismara.Todas as marcas que optaram pela transmissão on line estão dando um grande passo para o futuro, não apenas por estarem na internet, mas pela comunicação direta com o público, o varejo que consome este produto. Estas com toda certeza não vão morrer tão cedo. Quem se esconder ou deixar de acompanhar o que o público pede, morre. O professor lembra da Zoomp que já foi das maiores no setor de jeans: quem sabe não estaria viva até hoje ?

“O grande problema que tem no mercado brasileiro é a falta do marketing, da comunicação … Os estilistas aprendem a fazer roupas e esquecem de fazer marketing”. Exemplo a seguir: Lá fora tem a Carolina Herrera que consegue fazer tudo, vende no mundo inteiro.

Como em NY ainda vive momento de dificuldade na economia, a opção de transmitir pela internet, além de gerar um clima de otimismo, teve objetivo de impulsionar as vendas. Lojas de departamentos querem desovar seus estoques a preços cheio, sem esperar a liquidação para vender. O varejo é rotativo, o movimento é muito grande, as peças saem rapidamente, o que permite saber o que está vendendo ou não, o que estão comprando. A transmissão pode virar um termômetro do varejo.

A moda exige mudanças assim como todos nós mudamos. É a leitura do comportamento das pessoas. Quanto mais a marca for verdadeira e transparente com o seu público mais vai ganhar.

Em destaque, o desfile de Alexander Wang foi projetado no mega-telão da loja American Eagle Outfitters, ícone da Times Square. O resultado foi surpreendente, a reação do público, um espetáculo à parte. Professor Bismara aposta que se o próximo evento de moda brasileiro SPFW fizer isto, os estilistas vão ganhar dimensão mundial. Esta forma de comunicação fará com que o maior público possível possa ver como se faz a moda. “É uma revolução tecnológica que muda a postura do estilista: eu faço roupa e preciso que as pessoas vejam; eu faço roupas e preciso que as pessoas comprem.”

Aguarde o próximo desfile, ligue o computador e sente na primeira fila.

Dora Estevam é jornalista, escreve sobre moda e estilo aos sábados no Blog do Mílton Jung e está convidada a assistir os mais importantes desfiles do mundo pela internet.

Careca, relaxa e goza

 

Dora Estevam

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É dos carecas que elas gostam mais … Quantas vezes na vida você já ouviu esta Marchinha de Carnaval ? O fato é que ninguém gosta da ideia de ficar careca. Mas, se é que serve de consolo, existem algumas soluções (clínicas e estéticas) tanto para o homem quanto para a mulher (siiiim, elas ficam carecas, também) que podem ser seguidas sem ter que passar  vergonha ouvindo aqueles apelidos desagradáveis: canteiro de cebolinha, cabelo de boneca, pouca telha, plantação de milho, aeroporto de mosquito… e por ai vai.

Diz o médico de calvície, Francisco Le Voci, da Sociedade Brasileira de Dermatologia e especialista em transplante capilar do Hospital Albert Einstein, que as pessoas passam por um momento no qual o que importa é a aparência. Com isso há enorme procura pelos tratamentos que trazem resultados naturais, algo impossível há 15, 20 anos. O ciclo do cabelo melhora muito com a evolução das técnicas e  os novos materiais.

Foi a solução encontrada pelo cabeleireiro Narciso Guilherme, do salão Amica-SP. Assim que os fios começaram a cair e foram sobrando aqueles tufos, ele logo procurou um esteticista especializado em calvície. Com implantes conseguiu que em seis meses os fios crescessem. Hoje, estão ótimos e Narciso está satisfeito com o resultado.

Como profissional, a sugestão de Narciso: “Toda vez que vem algum cliente com aqueles poucos cabelinhos no pescoço, compridinhos e desajeitados,  eu logo dou a dica para cortá-los. Não precisa ser radical e raspar a cabeça, basta mantê-los beeeem curtinhos. Se for optar por uma barba, cavanhaque ou bigode, a dica é a mesma: mantê-los bem aparados, para que haja um equilíbrio entre a careca e os fios curtos.”

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Ele ensina que existem vários shampoos no mercado para a boa higiene. Há também algumas maquiagens, mas Narciso desaconselha, não vê necessidade. O ideal é que  se vá ao médico para saber qual o tratamento adequado. Há um para cada tipo de cabeça. E alerta: tem de ser natural e saudável.

A exemplo de Narciso, o doutor Francisco Le Voci entende que o ideal é ouvir um especialista assim que perceber a queda de cabelos. Se é uma pessoa jovem, é mais fácil controlar o problema logo no começo. Existem formas de desacelerar a queda. Nos mais velhos, o processo de recuperação é mais lento, às vezes é preciso até cirurgia.

Le Voci alerta que as  mulheres também sofrem de queda de cabelo. Não ficam carecas, mas o cabelo fica ralinho no alto da cabeça. Antigamente, em lugar de buscar soluções para o problema, usavam perucas. Hoje, quando a queda afeta a auto-estima, partem para o transplante. Cuidam da cabeça assim como da pele, das rugas e do peso.

Atualmente, as mulheres perdem muito mais cabelo do que no passado. Isto é resultado da mudança de comportamento provocada pela revolução feminina, o uso da pílula, menstruação, estresse no trabalho – tudo isto interfere. Le Voci calcula que 80% das mulheres podem perder cabelos depois da menopausa. Se tiverem antecedentes na família, será quase inevitável.

Todos temos uma perda fisiológica de cabelo que vai de 50 a 100 fios por dia, mas não é o suficiente para se ficar careca, pois nascem novos fios, também. O sinal de alerta é quando está caindo de mais e nascendo de menos. Neste caso, é fundamental procurar um dermatologista.

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Um caso famoso de careca  é o do ex-tenista André Agassi.  Em “Open an autobiography”, livro no qual revela o consumo de droga e critica colegas de quadra, ele conta que usou peruca para jogar e, em partida disputada pelo Torneio de Roland Garros, em 1990, quase a perdeu – a peruca, não o jogo: “Claro que poderia ter jogado sem ela, mas depois de meses de criticas e ironias eu  já estava muito afetado. A imagem não é tudo? Que diriam se soubessem da peruca? Ganhasse ou perdesse, não iriam falar do jogo. Só falariam disso. Se fechar os olhos, consigo ouvi-los e sei que não ia aguentar”.  

A sugestão de raspar a cabeça e se livrar da peruca foi da Brooke Shields, mulher dele na época.

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Ano passado o ator e produtor Mel Gibson, aos 53 anos, caiu na traquinagem do filho e aceitou o desafio: raspou a cabeça. Comentário dele ao New York Post: “Pensei que me sentiria bem. Que seria uma boa mudança. A verdade é que eu parecia um frango despenteado, e a única vantagem é que não me reconheciam nas ruas”,.

Apesar da grande preocupação com a aparência  o que precisa mesmo é ser saudável, cuidar da  pele, da alimentação, da espiritualidade e do cabelo, é lógico, ensina doutor Francisco Le Voci. Não adianta jogar todas as frustracões na careca. Não vai resolver. Importante é o que tem em você.

Saiba que não existem milagres, mas há alternativas para sentir-se bem. Quanto antes você tiver orientação de um profissional seguro e honesto maior é a chance de resolver o problema. Se é que calvície chega a ser um problema para você.

Dora Estevam é jornalista e aos sábados escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung.

Com que terno eu vou ?

 

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Dora Estevam

Para as marcas nacionais, a moda masculina da próxima estação já está garantida. Das mais tradicionais que trabalham com terno (paletó, colete e calça) às casuais com suas coleções no estilo alfaiataria moderna – aquela que você pode misturar paletó com outras roupas. Tem moda para todos os gostos. Paletós com dois ou três botões, calças largas ou ajustadas ao corpo.

O editor de moda da Playboy Fernando de Barros diz que “um guarda-roupa inteligente deve sempre conservar o terno”. No livro O Homem Casual (Mandarim, 1998), ele já explicava que as variações de cores das camisas e os diferentes tipos de gravatas criativas, o tornariam menos formal. Casual ou não, o terno é necessário no guarda-roupa masculino.

As produções são as mais diversas: um jovem pode fazer o look blazer+camisa+jeans. Outro, usar paletó+malha+camisa+calça (de veludo, por exemplo). O blazer com jeans é uma sobreposição versátil e bem equilibrada entre os informais. Executivos que precisam de ternos para os grandes negócios – tipo multinacionais, mercado financeiro -, têm de combinar camisas claras com gravatas listradas. Belíssimos ternos com sapatos sociais, ficam perfeitos.

Cada vez mais as pessoas reparam na maneira como as outras se vestem, o que não dá é para julgá-las pelas roupas. Bill Gates não costuma usar ternos para trabalhar, cantores de rappers ficaram bilionários com camisetas, bermudas e correntões brilhantes. Para enriquecer não precisa de terno. Depende do seu talento. A roupa traduz e molda o seu estilo. Enquanto a moda vai lhe dizer para qual caminho seguir em termos de criatividade.

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O mesmo cantor de rapper quando se tornou bilionário começou a gastar milhões em ternos luxuosíssimos e abandonou a velha roupa. O ator britânico Robert Pattinson (foto acima), astro da série de filmes de vampiros Crepúsculo, foi eleito o homem mais bem vestido do ano pela edição britânica da revista masculina GQ. E ele só tem 23 anos.

O homem que está habituado a usar paletó e gravata para trabalhar dificilmente usaria outra roupa menos formal. Em 2005, o Japão foi invadido por uma onda de informalidade decretada pelo governo. Os funcionários de escritórios teriam que deixar seus paletós e gravatas em casa, com objetivo de diminuir o consumo de energia e a emissão dos gases que provocam o efeito estufa. Pois com o calor insuportável no País, aumentava ainda mais o número de aparelhos de ar-condicionado ligados. Houve enorme resistência e muitos diziam que não se sentiam confortáveis sem a formalidade dos ternos. Aí o governo lançou a campanha “Cool biz”, impondo aos ministros e parlamentares a mudança de hábito. Esta não havia sido a primeira campanha japonesa, no passado houve um precedente desencorajador para a iniciativa. Em 1994, o então primeiro-ministro Tsutomu Hata criou a roupa batizada de “terno para economizar energia”, que consistia em um paletó com as mangas cortadas na altura do cotovelo. Poucas pessoas seguiram o exemplo (ainda bem), e o governo de Hata durou apenas 64 dias.

Executivos japoneses no verão

Os senadores brasileiros são mais conservadores ainda. Em 2008, a proposta do senador Gerson Camata (PMDB) de acabar com a obrigatoriedade do paletó e gravata nas dependências do Congresso Nacional foi rejeitada. “Eu estou inscrito no grupo dos que acham que não chegou a hora de abrir mão do paletó e da gravata”, disse o então presidente da Casa, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), na ocasião.

E você já decidiu com que terno vai em 2010?

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre estilo e moda aos sábados no Blog do Mílton Jung