Por Dora Estevam
Sabemos que cadeirantes ou pessoas com deficiência sempre existiram e não é de hoje que lutam pelos direitos de igualdade, antes que alguém diga que é coisa de novela. Mas ainda bem que a novela trata deste assunto. Não que tudo que vemos nela seja tão real, é novela. De qualquer forma ajuda muito na divulgação da causa. E, acredito, os trabalhos alavancados neste momento ficarão para sempre. O que antes era difícil conseguir, hoje com a divulgação se tornou viável.
Esta é uma das preocupações do governo e de empresários da moda brasileiros. Em 2009, a Secretaria Estadual da Pessoa com Deficiência, em São Paulo. lançou concurso no qual estudantes – futuros estilistas – criaram roupas para coleção voltada à moda inclusiva. O evento tem o patrocíno da Vicunha Têxtil que ofereceu estágio aos vencedores e se comprometeu a confeccionar as roupas desenvolvidas pelos participantes.
O desafio está lançado novamente, agora, na segunda edição.
“Na primeira edição do Concurso de Moda para deficientes ainda não existia novela, foi muito difícil explicar ou fazer os investidores acreditarem ou entenderem o assunto. Hoje, com a novela ficou muito mais fácil atrair novos negócios” – explica Daniela Auller, assessora técnica do projeto Moda e Inclusão.
Na Grã-Bretanha, a BBC produziu programa com modelos deficientes incentivando a discussão sobre o tema. E a inclusão na moda foi além, debatendo o preconceito com etnias e tamanhos. Lojas se recusam a estocar roupas “extra-large” e só usam modelos brancas. Para desafiar este cenário, uma grande loja de departamentos, Debenhams, colocou na passarela uma cadeirante como garota-propaganda. De acordo com o site do jornal The Independent é a primeira campanha de moda com este foco.
A modelo é Shannon Murray, 32 anos. A grife investe também em tamanho grande (G e GG) para ficar mais próxima da realidade das pessoas e mostrar aos jovens que o padrão de beleza não é só aquela magreza estendida na passarela nem aquele rosto bonitinho estampado nos editoriais de moda.
Recentemente, uma cadeirante, Caroline Marques, 28 anos, desfilou no Fashion Downtown, que promoveu confecções e comércio no centro de São Paulo. Ela faz parte de agência que tem cerca de 80 modelos com todo tipo de deficiência física.
Você pode imaginar o que são 30 milhões de brasileiros com deficiência sem ter opção para se vestir? Se para uma pessoa “normal” já é complicado … quantas horas você leva para comprar roupa? E para se vestir?
A palavra-chave para a roupa inclusiva: facilitador.
É uma roupa que facilita a vida das pessoas. A calça com zíper ou puxador maior, que tenha um porta-bengala para as deficientes visuais (as mais jovens esquecem as bengalinhas), uma etiqueta em braille para facilitar a leitura da numeração, aberturas, botões já pregados (falsos) e sapato com elástico ou velcro, que também ajuda quando aplicados nas roupas. Isso significa que as peças podem ser usadas por qualquer pessoa, diz Daniella.
Aqui no Brasil não se tem conhecimento de confecção que faça este tipo de roupa mais prática. Desta forma, os deficientes se vestem com roupas adaptadas em casa, customização caseira. Não custa nada colocar um bolso maior na frente de uma calça jeans, ficaria prática e simpática para todos nós, sugere Daniella.
Sem dúvida, uma iniciativa que deveria ser integrada em todas as escolas de moda do País.
Serviço
2º Concurso Moda Inclusiva
Inscrições para o concurso: até 30 de abril, no site Pessoa com Deficiência
Entrega dos trabalhos: até 05 de maio
Divulgação dos 20 finalistas: 07 de maio
Desfile: 7 de junho
Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida aos sábados no Blog do Mílton Jung
























