São Paulo 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

Costumamos ouvir que nascemos gremistas. No meu caso, nasci de pai gremista, também. Isso foi fundamental na minha formação. Longe da escola ou da Igreja, é na família que temos nosso caráter e personalidade forjados. Nela aprendemos os bons e maus caminhos que podem ser percorridos no restante de nossas vidas. Dela resgatamos conhecimento, história e passado. E foi de um de seus membros que recebi uma camisa colorada vestida na inocência dos meus seis anos sem saber o que esta significaria, especialmente naquela data em que o time do coração de meu pai acabara de ser derrotado pela primeira vez, após sete anos seguidos de conquistas. Soube do que aconteceu em seguida a minha chegada em casa pelo que me contaram porque não guardei na memória nenhuma das cenas que me foram descritas. Por muito tempo creditei os fatos a estas lendas de família que passam de geração em geração sem que nenhuma prova haja além da imaginação dos parentes. Recentemente, porém, já morando em São Paulo, foi meu pai quem confirmou o que para ele teria sido uma reação estúpida a algo sem tanta importância, mas que para mim foi crucial. Meu pai teria me dado, como costumamos dizer lá no Sul, uma sumanta de pau, no caso o pau da bandeira vermelha que acompanhava o uniforme. Eram anos em que a educação do filho podia passar por umas palmadas sem que os pais fossem denunciados na vara da justiça. O que aconteceu comigo foi o que podemos chamar de corretivo, pois corrigiu o meu caminho ou ao menos mostrou o caminho para o qual havia nascido e sido preparado: ser um Imortal Tricolor.
Fosse ele menos inciso, neste domingo de Dias dos Pais não teria motivo para comemorar a virada gremista no Morumbi, estádio de tantas alegrias. Lembro da final do Brasileiro de 1981 contra o próprio São Paulo, claro. Mas, também, da final da Copa do Brasil de 2001 contra o Corinthians. E como agora não temos mais as finalíssimas dado o regulamento dos pontos corridos, quem sabe não guardarei da mesma forma esta vitória de virada contra o São Paulo que pode ter nos dado os três pontos que nos levarão ao título ao fim de toda jornada. Um resultado obtido na prudência de um time que está nos ensinando ser necessário mais do que raça para as grandes conquistas, ser preciso paciência e organização. Hoje, mesmo com jogadores nitidamente cansados e com um resultado aparentemente satisfatório continuou se tentando algo mais, quase despretensiosamente, no toque de bola, no tranco do adversário, no esforço final e nas defesas de Marcelo Grohe – um dos destaques da tarde. E se alcançou, oferecendo a mim e a torcida gremista uma alegria que parecia adiada para a próxima rodada.
Obrigado e parabéns pai pelas escolhas que você me ajudou a fazer.
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