Avalanche Tricolor: Obrigado por este dia, pai!

 

São Paulo 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Morumbi (SP)

 

 

Costumamos ouvir que nascemos gremistas. No meu caso, nasci de pai gremista, também. Isso foi fundamental na minha formação. Longe da escola ou da Igreja, é na família que temos nosso caráter e personalidade forjados. Nela aprendemos os bons e maus caminhos que podem ser percorridos no restante de nossas vidas. Dela resgatamos conhecimento, história e passado. E foi de um de seus membros que recebi uma camisa colorada vestida na inocência dos meus seis anos sem saber o que esta significaria, especialmente naquela data em que o time do coração de meu pai acabara de ser derrotado pela primeira vez, após sete anos seguidos de conquistas. Soube do que aconteceu em seguida a minha chegada em casa pelo que me contaram porque não guardei na memória nenhuma das cenas que me foram descritas. Por muito tempo creditei os fatos a estas lendas de família que passam de geração em geração sem que nenhuma prova haja além da imaginação dos parentes. Recentemente, porém, já morando em São Paulo, foi meu pai quem confirmou o que para ele teria sido uma reação estúpida a algo sem tanta importância, mas que para mim foi crucial. Meu pai teria me dado, como costumamos dizer lá no Sul, uma sumanta de pau, no caso o pau da bandeira vermelha que acompanhava o uniforme. Eram anos em que a educação do filho podia passar por umas palmadas sem que os pais fossem denunciados na vara da justiça. O que aconteceu comigo foi o que podemos chamar de corretivo, pois corrigiu o meu caminho ou ao menos mostrou o caminho para o qual havia nascido e sido preparado: ser um Imortal Tricolor.

 

Fosse ele menos inciso, neste domingo de Dias dos Pais não teria motivo para comemorar a virada gremista no Morumbi, estádio de tantas alegrias. Lembro da final do Brasileiro de 1981 contra o próprio São Paulo, claro. Mas, também, da final da Copa do Brasil de 2001 contra o Corinthians. E como agora não temos mais as finalíssimas dado o regulamento dos pontos corridos, quem sabe não guardarei da mesma forma esta vitória de virada contra o São Paulo que pode ter nos dado os três pontos que nos levarão ao título ao fim de toda jornada. Um resultado obtido na prudência de um time que está nos ensinando ser necessário mais do que raça para as grandes conquistas, ser preciso paciência e organização. Hoje, mesmo com jogadores nitidamente cansados e com um resultado aparentemente satisfatório continuou se tentando algo mais, quase despretensiosamente, no toque de bola, no tranco do adversário, no esforço final e nas defesas de Marcelo Grohe – um dos destaques da tarde. E se alcançou, oferecendo a mim e a torcida gremista uma alegria que parecia adiada para a próxima rodada.

 

Obrigado e parabéns pai pelas escolhas que você me ajudou a fazer.

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Morumbi e Vila Sônia discutem segurança nos bairros

 

Moradores de diferentes bairros de São Paulo têm buscado saídas para reduzir a violência em suas regiões. O bairro do Morumbi e arredores, na zona sul, que estão no foco da mídia com frequência têm, através de algumas entidades, realizado reuniões e debates sobre o tema. A Samovis – Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana está convocando moradores e colaboradores a discutirem o tema.

 

Reproduzo comunicado diculgado pela Samovis:

 

Nós da SAMOVIS – Sociedade Amigos do Morumbi e Vila Suzana, estamos engajados no projeto de fazer do Morumbi um bairro mais seguro. Nesse projeto estamos, juntos com os moradores da Jose Galante, empenhados em fazer dela umas das ruas mais segura do nosso bairro. Os moradores da Rua dos Símbolos também estão trabalhando num projeto semelhante, e já evoluíram muito nesse sentido, outras associações ou ruas do bairro estão caminhando na mesma direção. Venha conhecer essas iniciativas e trocar experiência, traga alguns dos seus vizinhos, quem sabe você e eles se animam para fazer alguma coisa semelhante na sua rua. Reserve sua agenda para esse encontro e confirme sua presença nesse evento, no telefone ou e-mail abaixo:

 

Data: 29/05/12 (terça-feira)
Horário: das 19:30 as 22:00 horas
Loca: Auditório da Escola Graduada – Av. Jose Galante, n. 222.
Confirmações: samovis@samovis.org.br ou telefone: 3501-6347

 

Vejam abaixo como é importante nos comprometermos com o tema segurança:

 

A Segurança tem sido o problema mais presente nos assuntos da maioria dos paulistanos. Enquanto o crime vem crescendo em frequência, ousadia, violência e, pasmem, até em competência, o Estado vem mostrado os seus limites na capacidade de nos fazer mais seguros. Além disso, da mediocridade do nosso legislativo, que conseguimos piorar a cada nova eleição, jamais vai sair propostas de leis ou orçamentarias capazes de enfrentar com competência esse problema. Nova York conseguiu porque priorizou e conseguiu engajar a sua população. Até a Colômbia, depois de anos sob o domínio dos cartéis do narcotráfico, conseguiu se transformar no país mais seguro do nosso continente, e em pouco tempo. Mas nós brasileiros não acreditamos mais que, em segurança, dias melhores virão dos nossos governos, mas acreditamos muito que pode vir sim, da força de uma população unida e engajada.

 

É crescente o numero de edifícios invadido por arrastões violentos, e nessas invasões os bandidos tem permanecido até mais de seis horas nos prédios, submetendo os moradores a toda sorte de abusos e violências físicas e morais. E, na maioria das vezes, nem o prédio vizinho fica sabendo que algo de anormal acontece no prédio ao lado.

 

É sabido, pelos profissionais da segurança pública, que esses bandidos não estão dispostos ao confronto com a polícia, nem com helicópteros e viaturas com sirenes ligadas cercando os edifícios invadidos, sequer gostariam de enfrentar a cobertura da mídia. E é por isso que, quando são descobertos, a ação é abortada de imediato e eles fogem rapidamente do local. A mídia tem divulgado que muitos desses bandidos agem sob a proteção da banda podre da policia, e agem sempre sintonizados na frequência da policia, portanto, quando avisamos a policia e a polícia aciona as viaturas da rua, esses bandidos ficam sabendo e fogem. Por isso é importante avisar a policia no menor tempo possível.

 

Mas também podemos agir preventivamente, esses bandidos não entram por acaso num condomínio, eles são bem mais competentes e organizados do que pensamos. Quando um prédio é invadido, uma operação de inteligência foi iniciada por eles, e bem antes, às vezes meses antes. Os bandidos costumam estudar o prédio a ser eleito, eles passam dias à espreita avaliando os movimentos e hábitos dos moradores e da policia no local, avaliam a qualidade dos equipamentos de segurança instalados no edifício (humanos e técnicos), às vezes até contando com informações de serviçais do próprio edifício. E é por isso que os nossos porteiros precisam

Flanelinha, esta praga urbana

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flanelinhas

 

No Morumbi, há quinze anos, testemunho sempre que há jogo mais importante a invasão da rua que moro e adjacências por indivíduos que se sobrepõem aos seguranças existentes e “assaltam” os torcedores que estacionam. Cobram de acordo com o valor do espetáculo e a aparência do carro do cidadão. Deixam 10% com o vigia e vão embora pouco depois.

 

Cena corriqueira e banal mas revoltante. Tanto assim que na paralela, que é a Av. Morumbi, a uma quadra do Palácio dos Bandeirantes, outras quadrilhas ou elementos da mesma, diante dos policiais que circulam, fazem sinais para as vítimas, ou seja, os torcedores, e oferecem vagas nas ruas públicas.

 

Domingo, meia hora antes de Santos e Guarani estava chegando em casa quando a rádio CBN divulgava um pronunciamento policial informando prisões efetuadas de “flanelinhas” que cobravam até R$ 100,00 por uma vaga.

 

Não deu nem para animar, pois em seguida já avistava vários “flanelinhas” oferecendo estacionamento. Ao entrar na Rua Gastão Moutinho, onde moro, vi que estava totalmente tomada de veículos. Ao passar pelo vigia fiquei sabendo que cobraram de R$ 40 a R$ 50 e deixaram R$ 5 para ele por carro, que sabendo da informação policial reafirmou que neste domingo e nos demais anteriores nunca viaturas de policiamento passaram em nossa rua. Eu realmente nunca vi ronda preventiva contra flanelinhas. Apenas na Av. Morumbi policiamento ostensivo mas sem tomar conhecimento dos contraventores guardadores.

 

Realmente até hoje não consigo entender qual a dificuldade de impedir mais este assalto ao cidadão honesto. Mesmo porque não é exclusividade do Morumbi ou Pacaembu, estendendo-se a teatros, eventos, shows, etc.

 

Carlos Magno Gibrial é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

Monotrilho: silêncio nos trilhos

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Domingo, 11hs. Cinco horas antes de Guarani e Santos, defronte ao estádio do Morumbi, o silêncio do poder executivo de São Paulo, diante das reprovações ao Projeto, foi condenado pelo grupo de moradores que protestavam. Contra o Monotrilho e quanto à manipulação das audiências públicas. O movimento se estendeu até às 13hs defronte ao Palácio dos Bandeirantes, quando o grupo residual com 800 pessoas composto de adultos e crianças classe média e classe média alta se dispersou.

 

De Maluf à Alckmin foi um avanço, afinal com Maluf não houve discussão, estávamos na “Revolução”. Apenas a homenagem ao Presidente Costa e Silva, que virou Minhocão. Convenhamos, valia um protesto e tanto.

 

Rosa Richter, coordenadora do movimento que reúne varias entidades representativas dos moradores da região, que se caracteriza por possuí-las em quantidade, aponta uma série de insatisfações no contato Governo do Estado e contribuintes. O traçado inadequado ora passando por áreas residenciais adensadas, ora por reservas ambientais, ora desrespeitando as Z1. A menor capacidade do monotrilho em relação ao trem subterrâneo. O silêncio do Metrô e do Governador diante dos argumentos apresentados.

 

Julia Titz de Rezende, presidente do Conseg Morumbi, ressalta a manipulação do governo com as audiências públicas. Realizadas obrigatoriamente para cumprir a lei, elas são desrespeitadas, pois as decisões vitoriosas não são cumpridas. Nos contatos diretos, como na reunião com o governador Geraldo Alckmin, o silêncio foi quebrado com a justificativa de que não havia mais nada para fazer, pois o antecessor, Goldman já tinha assinado. Como se Goldman não tivesse sido sucessor de Serra, que PSDB também, quase demoliu o Minhocão em sua passagem pela Prefeitura.

 

E da ausência de argumentos passa-se agora para a fuga dos debates pela imprensa. A TV Gazeta mais uma vez está convocando governo e moradores para debater o Monotrilho, devido ao não comparecimento do governo às chamadas anteriores.

 

Dentre tantos questionamentos, focados nas comparações entre metrô aéreo e subterrâneo contidos inclusive no volante distribuído (leia abaixo) é pertinente ressaltar a possibilidade de lobby do poder econômico nacional e internacional. Construtoras, incorporadoras e demais agentes têm comparecido em situações políticas. Por que não estariam presentes agora?

 

 

Leia mais sobre o assunto no artigo “O Minhocão do Morumbi”


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

“E o vento levou … a nossa Imprensa ?”

 

Por Julio Tannus

 

 

A notícia de primeira página da Folha de S. Paulo de 29/03/12 “Morumbi é o bairro com mais roubo a casas em SP” carece de explicação. Isto nos lembra do verso de Dominguinhos:

 

Na pressa que tava

Não pude esperar

Eu vivo fugindo pra outro lugar

Aonde a tristeza não saiba que fui

E a felicidade vá lá

 

Me pegue de novo no colo

Me faça de novo menino

Não deixe que eu morra de medo

Não deixe que eu durma sozinho

 

Chega um tempo na vida

Em que a gente presta atenção

Vê que nem tudo no mundo

Carece de explicação

 

Ou seja, tal afirmativa contempla apenas o número de casas roubadas, mas não considera o total de casas existentes no bairro na comparação feita com as demais regiões consideradas na matéria.

 

Como pesquisador, indagamos: É censo ou pesquisa por amostragem? Se por amostragem, qual o tipo de amostra? Qual o tamanho do universo de cada região, ou seja, quantas casas existem em cada região? E o tamanho de cada amostra pesquisada? Qual o coeficiente de confiança? E o erro amostral? E assim por diante…

 

A nosso ver uma notícia correta, precisa e isenta seria algo como: na comparação com o mesmo período do ano passado; ou, proporcionalmente ao total de casas existentes no bairro o índice de casas roubadas é de x% com um erro amostral de y% para mais ou para menos, etc.

 

E aí nos perguntamos, seguindo o arrazoado do Sr. Alberto Dines no programa Roda Viva da TV Cultura de 19/3/12: “não há liberdade de imprensa?” ou “a iniciativa privada no Brasil não dá liberdade?” e também “ela se deixa infiltrar por setores religiosos, políticos, comerciais?”

 

Para então concluirmos: É, padece de explicação!

 

Julio Tannus é consultor em estudos e pesquisa aplicada,
co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier)

Na passarela do Morumbi

 

Por Dora Estevam

Tenho andado bastante pelas calçadas do Morumbi, zona Sul de São Paulo, em especial na Avenida Morumbi. Estes passeios são excelentes oportunidades para se perceber as coisas boas e ruins que estão em nosso entorno. Tem morador que conserva bem as calçadas e fachadas, além de manter seu espaço limpo. Pensa no bem estar dentro de casa e de quem passa do lado de fora, também. Outros esquecem que moram em uma cidade grande e imaginam que o bairro ainda é uma enorme fazenda, deixando as plantas e vegetação tomarem conta das calçadas, impedindo o passeio. Sem contar que muitas estão com o piso quebrado, intransitável. Notei, também, sacos de lixo colocados fora de hora da coleta, atrapalhando o caminho. A suprefeitura da região poderia aproveitar a nova lei das calçadas para iniciar fiscalização mais rigorosa.

 

Próximo do restaurante Casa da Fazenda, encontra-se um dos marcos da região, o portal que teria sido a entrada principal da grande fazenda que foi o bairro. Ocorre que bem neste trecho o portal toma conta de toda a calçada e nunca se preocuparam em criar uma passagem para pedestres, obrigados a andar e arriscar a vida na movimentada avenida. Para quem visita o local ou apenas está caminhando como eu, muito cuidado: o calçamento é irregular e a falta de uma tampa de ferro deixa a mostra um buraco perigosíssimo, cair lá é pé quebrado na certa.

 

O passeio segue em frente e me chamou atenção a existência de pontos de ônibus por toda extensão da avenida. Mais ainda: a gostosa área verde que se tem à disposição; pode-se sentir o perfume das flores e eucaliptos dispersos nas casas e muros. O movimento de pessoas e carros aumenta quando se aproxima o Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. É notável a diferença do tratamento para a redondeza, em especial a limpeza e a segurança. Foi o único trecho no qual encontrei carro de polícia.

 

Mais adiante, descendo a Avenida Engenheiro Oscar Americano, as calçadas estão em fase de restauração. Em um bom pedaço, o morador – ou será a prefeitura ? – decidiu trocar todo o piso, está ficando ótimo. Mas cuidado, não vá com muita vontade que logo você terá problemas. Perto do Hospital São Luiz a calçada é horrível e para piorar fios da Eletropaulo estão pendurados na altura das pessoas, o que causa aflição. Na vizinhança tem de tudo, inclusive morador que coloca cones diante da casa para impedir que os demais estacionem. Esquisito, pois a rua é pública, e, pelo que sei, só não se pode parar na guia rebaixada, nas proximidades das esquinas e quando houver alguma restrição sinalizada com placas. Se não, vá em frente. Ou melhor, estacione. Mas o morador fez as regras dele. Merece uma visitante da CET.

 

O Morumbi é um bairro para quem anda de carro, não a pé. Em muitos dos faróis pelos quais tentei atravessar, em cruzamentos, não encontrei faixa de segurança e, em alguns casos, foi preciso arriscar e correr ara não ser atropelada. Eu escapei, ainda bem.

 

O caminho foi ficar mais gostoso na Avenida Cdade Jardim, não que a preocupação com a segurança diminua, mas as calçadas são amplas e mais bem conservadas, a medidas que tem muitos imóveis reformados. Para finalizar o passeio, atravessei a ponte e senti o mau cheiro do Rio Pinheiros, com água escura, espessa e cara de abandono total. Uma pena.

 

Mesmo que a área residencial anda predomine, existem atrações interessantes para quem visita o Morumbi: a Casa da Fazenda já citada, a Casa de Vidro da artista Lina Bo Bardi, a Fundação Maria Luiza (bárbara, vale muito a pena conhecer), a Capelinha com exposições e o estádio do São Paulo.não posso esquecer o icônico Hospital Alberto Einstein.

 

De todos os aspectos que me chamaram atenção ao transformar o bairro mais arborizado de São Paulo em minha passarela da ida “particular” é a vasta área verde em torno de casas e nas praças. Que Deus o proteja assim! E os moradores, também.

 

Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

SOS Casas

 

Por Carlos Magno Gibrail

Há cem anos, a Cia. City iniciava um novo conceito urbanístico para as cidades de Londres e São Paulo: “Harmonizar o urbano com o humano”. Era a ideia da cidade jardim, onde o homem pudesse viver em residências construídas em ruas exclusivas, que limitassem pelo seu traçado o tráfego de veículos. Assim surgiu, vigoroso e formoso, o Jardim América na capital paulista. Pacaembu, Alto de Pinheiros e, posteriormente, Morumbi receberam o mesmo tratamento urbanístico.

Primeiro o automóvel, o inimigo aparente, depois o crime inimigo transparente e, agora, a especulação imobiliária, inimiga camuflada, são as grandes ameaças ao protótipo original. A novidade mais recente: o apoio da mídia. Talvez até com lobby e patrocínio das construtoras e imobiliárias paulistanas.

A revista Veja São Paulo do dia 30 não se fez de rogada e com a manchete “Duro de vender” utilizou duas páginas a dedurar com fotos algumas residências “invendáveis”. Uma delas há dez anos à venda. A segurança é um dos fatores determinantes alegados pela reportagem. O Estadão de domingo não deixou por menos e atacou de caderno imobiliário: “Preço de casa de alto padrão despenca”. Alegando que o alto custo de manutenção e as ondas de assaltos são as causas da queda.

Entretanto, toda esta cantoria está mais para o fator COPA 14 do que para uma abordagem policial.

De um lado, o aspecto da segurança é efetivamente crescente. Porém não é exclusivo de casas em bairros residenciais. Edifícios e condomínios horizontais apresentam conhecidas vulnerabilidades.

De outro lado, é visível a carência de áreas na capital para novos empreendimentos verticais ou mesmo horizontais. Os tão “populares” condomínios de luxo. Galinha dos ovos de ouro dos construtores da cidade.

Igualmente, o cidadão urbano atual, tende a se enclausurar cada vez mais em condomínios e abdicar do “urbano humano” preconizado pelos ingleses da Cia. City.

A continuar nesta tendência, São Paulo abdicará da ultima área verde, mantida pela região residencial. Com o apoio das incorporadoras, do governo, da população cada vez mais urbana e menos humana. E com o meu protesto. Aqui e agora.


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

E segue o desrespeito ao espaço público

 

Rua ocupada

Por falar em desrespeito ao espaço público, é um mistério os motivos que levam a CET e a prefeitura de São Paulo a permitirem que o dono desta mansão no bairro do Morumbi impeça o estacionamento de carros diante de sua residência. Todos os dias, o privilegiado morador de São Paulo coloca cones e fitas para delimitar o local impedindo que cidadãos comuns tenham o direito de parar seus automóveis por ali. A rua onde o desrespeito se repete é a Albertina de Oliveira Godinho, uma travessa da Oscar Americano, do lado contrário do Hospital São Luiz. Se a Companhia de Engenharia de Tráfego tiver dúvidas, basta acessar o Google Earth e verá como é possível transformar em privado o espaço que é um direito do público, pois a imagem está “eternizada” na internet, também.

Guerra e paz no Morumbi

 

Por Carlos Magno Gibrail

SOS MORUMBI

À guerra desencadeada pelos bandidos na área do Morumbi e demais localidades limítrofes, os moradores resolveram responder com a paz que dificilmente se vê nestes momentos.

A manifestação que acompanhei foi dentro de um tom que jamais tinha presenciado em protestos de mais de 3000 pessoas. Do som, das palavras, das atitudes, era civilidade total. Nem a tentadora passada na frente do Palácio dos Bandeirantes, que poderia atingir o duplo objetivo de acordar o governador, foi realizada. Para evitar exatamente problemas de segurança.

Aqueles 90 minutos pareceram virtuais ao ver jovens, adultos, velhos, crianças numa interação de cordialidade extrema, inclusive com policiais, funcionários da prefeitura e corpo médico. Até os pequenos apitos não geraram um apitaço, e o som mais alto foram de aplausos à causa defendida.

Ter ido valeu principalmente porque a mídia não deu a perspectiva que constatei, pois ao lado de reportagens superficialmente descritivas vimos alguns preconceitos.

Helena Sthephanowitz na Rede Brasil Atual intitula a sua matéria como o “Protesto de ricos contra gente diferenciada”. Gente diferenciada segundo ótica própria da autora são os moradores de Paraisópolis.
O jornalista Paulo Sampaio, do Estadão, dentre tantas unanimidades encerra sua reportagem com uma desnecessária opinião de alguém de passagem: “Era para ser um panelaço, mas a patroa não sabe onde estão as panelas, e a empregada está de folga”.

O movimento era contra a violência, e preconceito também o é, de forma que parece que a carapuça serviu mais além.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve, às quartas-feiras, no Blog do Mílton Jung

SOS Morumbi: Tem de trocar muro por investimento social

 

Em sentido semelhante a texto que escrevi para o Blog Adote São Paulo, no site da revista Época São Paulo (reproduzido neste blog, também), mas com relato de alguém que vive dentro da Paraisópolis, publico, hoje, artigo de Gilson Rodrigues, presidente União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis, no qual pede a imediata retomada da Virada Social na comunidade. Leia, pense e comente:

Diante da convocação de manifestação contra a violência para o próximo dia 28 de agosto pelo movimento SOS Morumbi, a União dos Moradores e do Comércio de Paraisópolis gostaria de contribuir com este debate.

Em 2011 comemoramos mais de 60 anos de existência da comunidade de Paraisópolis. O Estado, no entanto, só se fez presente aqui nos últimos anos, e ainda de forma insuficiente. A canalização de córregos, abertura e asfaltamento de ruas, a posse legal das casas que já morávamos há décadas, a regularização dos serviços de água e luz, só começaram a partir das obras de urbanização.

Temos cerca de 70% de nossa população com menos de 30 anos. No entanto não contamos com teatros, cinemas, espaços de lazer e esporte. A única escola técnica para atender uma comunidade de 100 mil habitantes, tem apenas 2 em cada 10 matriculados morando aqui, temos cerca de 5.000 crianças fora de creche e ainda a escola com a pior avaliação da cidade de São Paulo.

Apesar do imenso trabalho realizado pelo projeto Escola do Povo, que alfabetizou mais de 3 mil jovens e adultos, Paraisópolis ainda conta com 12 mil analfabetos, uma das maiores taxas do Brasil. O desemprego atinge uma grande parte desta juventude, e 90% dos empregados tem uma média salarial de 1 a 2 salários mínimos.

Durante a realização da Operação Saturação da Polícia Militar em 2009, a comunidade de Paraisópolis, governo estadual e a prefeitura se uniram para transformar esta realidade e organizar a chamada “Virada Social”, que definiu 126 ações do Estado na comunidade, destas apenas 22 foram concluídas. Ações importantes como a construção de mais um CEU, mais uma ETEC, Clube-Escola, Centro de Educação Ambiental, CREAS, Parque Paraisópolis, CIC, Casa de Cultura entre outros, nunca saíram do papel.

No entanto, a “Virada Social” foi interrompida, e 83% das ações aprovadas e prometidas não foram executadas.

Nossos trabalhadores, estudantes e mulheres sofrem tanto ou mais com a realidade criticada pelo movimento SOS Morumbi. A solução para isso, no entanto não passa por aumentar o muro que divide o Morumbi de Paraisópolis, mas pela continuação imediata das ações da Virada Social e dos investimentos em educação, saúde, esporte e moradia. Afinal o que mais diferencia os jovens que moram em Paraisópolis daqueles que moram no Morumbi é a ausência de oportunidades iguais.

Ações pontuais, ditas “emergenciais” sozinhas não resolverão os imensos desafios que temos que vencer. Levando em consideração que todas as vezes que conquistamos algo foi unidos, e Paraisópolis e Morumbi estão diretamente ligados, contamos com o apoio e participação dos moradores do Morumbi para exigir que o Governo entre de fato nessa luta e retome imediatamente a Virada Social.

Problemas sociais se resolvem com políticas sociais e mais presença do poder público.