Mundo Corporativo: Luiz Gaziri propõe “Advogado do Diabo” para gerenciar polarização no ambiente de trabalho

Gravação do Mundo Corporativo em foto de Priscila Gubiotti

“Quando eu tô feliz é que eu tomo decisões melhores, quando eu tô feliz é que eu alcanço minha meta com mais facilidade. Então, é importante que a gente crie o ambiente de trabalho feliz em primeiro lugar”

Luiz Gaziri, professor e pesquisador

Em um cenário corporativo cada vez mais desafiador, a saúde mental e o bem-estar dos profissionais se tornam aspectos cruciais para a eficiência e produtividade das equipes. Segundo Luiz Gaziri, especialista em comportamento humano e autor de livros sobre felicidade e polarização política, a liderança tem um papel fundamental nesse contexto. Ele ressalta a influência direta dos líderes na cultura organizacional e, consequentemente, no bem-estar dos funcionários.

Durante sua participação no programa Mundo Corporativo da rádio CBN, Gaziri enfatizou a necessidade de uma mudança de paradigma na liderança empresarial. Ele observa que, frequentemente, líderes não estão cientes de como suas estratégias e comportamentos influenciam negativamente o ambiente de trabalho. Gaziri, com sua experiência como executivo e consultor, notou uma persistência de modelos de gestão ultrapassados, focados em competição e individualismo, ignorando os impactos na saúde mental dos colaboradores.

“O mundo corporativo hoje ainda é muito pautado na competição, no individualismo, então esses líderes precisam se preparar melhor, entender o que  traz bem-estar para o ser humano, como que a estratégia de uma empresa impacta no comportamento? O que é motivação? Sem esse conhecimento de comportamento humano torna-se Impossível a gente conseguir um ambiente de trabalho mais positivo.”

Gaziri destaca a relação direta entre estratégias empresariais e a felicidade dos trabalhadores. Ele cita pesquisas que demonstram como uma liderança inadequada pode ser a principal fonte de estresse para os funcionários, afetando negativamente a produtividade e a saúde mental.

Ajuste as metas e motive seus colaboradores

Gaziri lança “A Arte de Enganar a Si Mesmo”, foto de Priscila Gubiotti

Na entrevista, o autor do livro “A ciência da felicidade” (Faro Editora) também abordou a questão das metas inatingíveis, um problema comum no mundo corporativo. Gaziri explica que, quando as metas são excessivamente altas, os funcionários podem desenvolver a “desesperança aprendida”, uma sensação de impotência e falta de controle sobre os resultados, levando à desmotivação e ao declínio do desempenho.

Para melhorar esse cenário, o especialista sugere várias medidas, como ajustar as metas de acordo com a realidade, promover um ambiente de trabalho motivador e garantir a segurança financeira dos funcionários. Ele destaca a importância de um ambiente que promova a segurança psicológica, onde as pessoas não tenham medo de expressar suas opiniões e ideias.

“O ambiente molda inclusive a minha inteligência, mas a gente usa a estratégia de deixar as pessoas na insegurança financeira com bastante constância o que é ruim para o ambiente de trabalho.  Sem falar na questão de metas, de prêmios, de ambientes que sejam motivadores. Então, a gente vê um caos aí muito grande no mundo corporativo por causa dessa falta de conhecimento sobre ser humano.”

Além disso, Gaziri aponta para a necessidade de uma liderança consciente e preparada para criar um ambiente de trabalho positivo e saudável. A capacitação dos líderes em entender e gerenciar aspectos relacionados ao comportamento humano é fundamental para impulsionar o bem-estar e a felicidade no ambiente de trabalho.

A polarização no ambiente de trabalho e como gerenciá-la

A polarização, um fenômeno amplamente discutido no contexto político, também se manifesta no ambiente corporativo, influenciando as dinâmicas de trabalho e a tomada de decisões. Luiz Gaziri, em seu livro “A Arte de Enganar a Si Mesmo: Uma Visão Científica da Polarização Política e Outros Males Nem Tão Modernos” (Alta Books), aborda essa questão, destacando como a polarização pode afetar negativamente as empresas.

O autor observa que a polarização nas empresas ocorre devido à tendência humana de se agrupar com indivíduos de opiniões semelhantes. Esse fenômeno leva as pessoas a reforçar suas crenças e ignorar perspectivas divergentes, criando um ambiente onde prevalece o viés de confirmação. Ele exemplifica isso com um experimento realizado por Lee Ross, da Universidade de Stanford, no qual israelenses e palestinos avaliaram propostas de paz de maneira diferente, dependendo de qual lado acreditavam que as propostas tinham vindo. Isso mostra como a origem de uma ideia pode influenciar sua aceitação, independentemente do seu mérito.

No ambiente de trabalho, essa polarização pode levar a conflitos e a uma falta de inovação, pois as ideias são avaliadas com base na afinidade com o grupo, e não em seu potencial. Para combater esse problema, Gaziri sugere a nomeação de um “Advogado do Diabo” em reuniões e decisões de grupo. Essa pessoa teria o papel de questionar e analisar criticamente todas as ideias apresentadas, promovendo um pensamento mais diversificado e crítico.

Embora essa abordagem possa tornar as reuniões menos agradáveis a curto prazo, ela conduz a decisões mais criativas e eficazes. A diversidade de pensamento, apesar de potencialmente desconfortável, é crucial para evitar a estagnação e promover a inovação.

Gaziri enfatiza a importância de gerenciar a polarização no ambiente de trabalho, especialmente em uma era de crescente diversidade. A inclusão de diferentes perspectivas e a promoção de um ambiente onde as ideias são julgadas pelo seu mérito, e não pela sua origem, são essenciais para o sucesso das empresas. Ele propõe que os líderes fomentem a segurança psicológica e a abertura às opiniões divergentes, garantindo assim que as melhores ideias prevaleçam, independentemente de onde venham.

Essas reflexões de Gaziri oferecem um olhar crítico sobre como a polarização pode afetar o ambiente corporativo e apontam caminhos para criar um ambiente de trabalho mais saudável, produtivo e inovador.

Assista ao Mundo Corporativo com Luiz Gaziri

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site http://www.cbn.com.br. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo às 10 da noite, em horário alternativo. Você também pode ouvir a qualquer momento no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael e Furugen:

Mundo Corporativo: André Duek desvenda a potência empreendedora

Bastidor da gravação com André Duek, foto de Priscila Gubiotti

Que é possível, sim, começar de uma maneira simples, com pouco dinheiro, com risco calculado, com bom planejamento. E, logicamente, ter a paciência para entender que o processo é longo..

André Duek, empresário

Empreendedorismo vai além de simplesmente iniciar um negócio; é uma jornada de transformação pessoal e profissional. Este é o cerne da “potência empreendedora”, um conceito trazido à tona pelo empresário André Duek. Segundo Duek, essa potência é uma força inata presente em cada um, que pode ser despertada e cultivada para alcançar o sucesso, independentemente das origens ou recursos disponíveis.

“Você não precisa ter estudado numa escola de primeira linha ou ter nascido num berço esplêndido para vencer na vida”.

Essas percepções foram compartilhadas por Duek durante entrevista ao programa Mundo Corporativo da rádio CBN. A conversa se desenrolou em torno de sua vasta experiência em empreendedorismo, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e de sua jornada desde os primeiros passos nas empresas de moda da família até se tornar um influente empresário e autor.

O sucesso anterior pode atrapalhar o empreendedor

Em sua fala, Duek realça a importância da resiliência e da adaptação às circunstâncias, reforçando que o caminho para o sucesso empresarial não é linear e está repleto de aprendizados. 

“O processo é longo e se você tiver paciência, estudar mais do que todo mundo, trabalhar mais do que todo mundo, as oportunidades surgem”.

Duek também reflete sobre os erros e desafios enfrentados em sua trajetória. Ele menciona que os obstáculos e falhas não devem ser vistos como barreiras intransponíveis, mas como etapas fundamentais para o crescimento.  

Um sucesso anterior acaba atrapalhando você a começar um novo negócio Por quê? Porque você já tem a predisposição de achar que porque você fez alguma coisa certa que qualquer coisa que você vai fazer vai dar certo, também. Isso não é uma verdade. Então, eu paguei para aprender e foi uma lição muito dura, mas me ajudou bastante a depois a consertar e não deixar acontecer novamente.

Uma abordagem mista para empreender com sucesso

Entre os conselhos dados a aspirantes a empreendedores, Duek enfatiza a importância de uma pesquisa e planejamento sólidos, bem como a necessidade de equilibrar emoção e razão nas decisões de negócios. Ele sugere uma abordagem mista, combinando as qualidades criativas e emocionais brasileiras com a praticidade e foco dos métodos americanos.

A entrevista com André Duek no Mundo Corporativo desdobra uma visão profunda sobre o empreendedorismo, destacando a “potência empreendedora” como um motor para a realização pessoal e sucesso profissional. Suas palavras não apenas iluminam o caminho para os aspirantes a empreendedores, mas também ressoam com qualquer um que busque transformar desafios em degraus para o sucesso.

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, domingos, às dez da noite, em horário alternativo, e está disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Tatyane Lucah, da EBEM, ensina como transformar a economia do cuidado em oportunidade às mulheres empreendedoras

Tatyane Lucah em gravação do Mundo Corporativo, foto: Pricila Gubiotti

“O empreendedorismo é uma maneira de você remunerar a sua paixão”

Tatyane Lucah, Escola Brasileira de Empreendedorismo

Ser empreendedor no Brasil exige coragem, resiliência e uma série de outras habilidades para superar as barreiras que surgem na construção do próprio negócio. Se for uma empreendedora, haverá desafios ainda mais específicos, ressalta Tatyane Lucah, fundadora da Escola Brasileira de Empreendedorismo, em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN. Ela cita que a mulher está sujeita à “economia do Cuidado”, na qual, frequentemente, assume responsabilidades domésticas, precisa dar atenção aos filhos e até mesmo aos pais idosos.

Ela destaca que, de acordo com estatísticas de 2022, as mulheres têm 18% a menos de tempo disponível em comparação aos homens devido a essas responsabilidades. Tatyane enfatiza a importância de aprender a dividir o tempo entre tarefas urgentes, importantes e circunstanciais.

“Circunstancial é aquilo que dá para fazer? Ótimo! Não dá? Aprenda a dizer não. O urgente é você apagando fogo, você sendo uma empresária bombeira. E a questão do importante é, sim, meninas, sempre respeitem a sua agenda. Está na agenda, missão cumprida! Não está na agenda, não se culpe por não ter dado tempo ou não ter feito.”

Tatyane também discute como o empreendedorismo pode ser uma alternativa para as mulheres que buscam equilibrar suas vidas profissionais e pessoais, permitindo que elas sejam relevantes no mercado enquanto cuidam da economia do cuidado. Além disso, ela menciona a diferença entre empreendedoras e empresárias, ressaltando a importância da capacitação e da gestão empresarial para que as mulheres possam não apenas iniciar seus negócios, mas também torná-los bem-sucedidos e relevantes no mercado.

Uma Trajetória Empreendedora

A jornada de trabalho de Tatyane Lucah começou cedo, aos 11 anos, vendendo pastel na CEAGESP, com o apoio do pai. Aos 15, foi office girl em uma empresa que vendia molas para a Auto Latina (a junção da Ford e da Volkswagen). Posteriormente, trabalhou no SBT por dois anos antes de entrar na área de eventos.

Ela destaca a importância de seu pai e de um namorado que a incentivaram a buscar conhecimento e excelência em tudo o que fazia. Tatyane enfatiza que o conhecimento foi fundamental para acelerar o processo de crescimento e sucesso:

“Você quer dar certo, estude! Eu sei porque eu já ganhei muito dinheiro, já tive muito sucesso financeiro, mas por falta de educação empreendedora, eu já perdi muito dinheiro nesses meus 22 anos de empreendedorismo. E eu falo que é super desnecessário. Se eu tivesse o acesso à metodologia desenhada que eu tenho hoje, teria ido muito além.”

A partir dessa base de experiência, Tatyane fundou o Grupo Projeto Figital aos 21 anos, inicialmente como organizadora de eventos corporativos. Ao longo de 22 anos, expandiu a empresa para áreas como marketing digital, branding e logística, atendendo a clientes de grande porte, incluindo multinacionais.

Um dos principais aprendizados que Tatyane compartilha é a importância das conexões e do atendimento excepcional ao cliente. Ela enfatiza que as pessoas compram de pessoas, e a confiança e o relacionamento desempenham um papel fundamental no sucesso empresarial. Independentemente das barreiras que enfrentou ao longo de sua jornada, Tatyane sempre se concentrou no resultado final e acreditou que alcançaria seus objetivos.

A educação empreendedora é essencial

A ideia de fundar a EBEM – Escola Brasileira de Empreendedorismo surgiu de uma necessidade premente. Durante a pandemia, Tatyane viu seu mercado de eventos ser drasticamente afetado, perdendo contratos no valor de mais de 8 milhões de reais. Esse momento de crise a levou a refletir sobre o que poderia fazer para ajudar outras empresárias que estavam passando por dificuldades semelhantes.

Foi nesse contexto que ela decidiu criar uma metodologia e um curso digital chamado “Gestão Lucrativa”. No entanto, a economia do Cuidado e as preocupações decorrentes da pandemia fizeram com que muitas empresárias não conseguissem concluir o curso. Tatyane então adaptou a metodologia e trouxe um grupo de 20 empresárias para uma versão presencial do curso. Segundo ela, os resultados foram impressionantes, com empresas experimentando um crescimento significativo, incluindo escritórios de arquitetura, advocacia e varejo.

A fundação da Escola Brasileira de Empreendedorismo foi uma resposta à necessidade de oferecer educação e apoio às empresárias, focando em sua essência e bem-estar emocional como um primeiro pilar. Tatyane enfatiza que uma empresária bem cuidada é fundamental para o sucesso de seu negócio.

A escola oferece uma abordagem híbrida com aulas presenciais e online, incluindo um grande evento anual, formação em gestão lucrativa e uma mentoria de um ano chamada “Miss Mind” (Mente Mestra), onde a colaboração e a troca de experiências desempenham um papel fundamental no desenvolvimento das empresárias.

Desafios e princípios do empreendedorismo feminino

Na entrevista, Tatyane identificou três aspectos-chave para que as mulheres não repitam erros comuns na jornada empreendedora, que muitas vezes impedem o crescimento rápido de seus negócios.

  • Construção de Equipe: Ela enfatiza a importância de construir uma equipe sólida, destacando que um empreendedor não pode fazer tudo sozinho. Contratar as pessoas certas e atribuí-las às funções adequadas é fundamental. Tatyane recomenda a avaliação de perfis comportamentais ao contratar para garantir um encaixe adequado.

  • Treinamento: O treinamento é outra peça-chave do quebra-cabeça. Empresárias precisam estar dispostas a investir tempo e recursos no treinamento de sua equipe. Além disso, é importante gostar de pessoas e estar disposta a ensinar, pois o sucesso de um negócio depende em grande parte do engajamento e do encantamento dos colaboradores.

“Primeiro você constrói um time e esse time constrói a sua empresa. É um erro muito grande você achar que sozinha você vai construir o teu negócio. A contratação, o engajamento, o encantamento de pessoas vai fazer com que você se torne uma grande empresária”.

  • Liderança Inspiradora: Tatyane destaca que uma liderança inspiradora é essencial para capacitar e inspirar aqueles que buscam empreender. Ser congruente e autêntico em sua liderança é fundamental, pois as pessoas sentem a energia de um líder. Ela também faz um convite para que as mulheres adotem mais princípios femininos, como compartilhamento, co-criação e intuição, para equilibrar as energias masculinas presentes no mundo dos negócios.

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, e aos domingos, às 22h, em horário alternativo. Você também pode ouvir em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Letícia Veloso, Renato Barcellos e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: preço baixo e carro-chefe são as estratégias do sucesso de Alberto Saraiva, fundador do Habib’s

Gravação do Mundo Corporativo com Alberto Saraiva foto: Pricisla Gubiotti

“O mundo atual precisa de gente que tem a capacidade de controlar despesas. No passado, você se preocupava praticamente só com as vendas. As vendas eram muito aceleradas, as vendas eram muito fortes, então, você não precisava ser um grande administrador de despesa”.

Alberto Saraiva

Oferecer produtos a preços significativamente mais baixos do que a concorrência. Foi esse o caminho que Alberto Saraiva, português de nascença, encontrou para manter a padaria que o pai recém havia fundado no Belenzinho, região central de São Paulo. De verdade, Alberto queria ser médico, mas após um incidente trágico — o pai foi morto durante um assalto a padaria — viu-se obrigado a assumir o negócio para o qual não havia se preparado. Abandonou o curso e investiu na sua intuição para tornar a padaria possível em um bairro no qual a concorrência era enorme. 

Alberto Saraiva é o fundador e presidente do Habib’s, um empreendedor de sucesso que construiu um império gastronômico a partir de uma jornada repleta de desafios e aprendizados. Sua história foi a inspiração para a nossa conversa no programa Mundo Corporativo, da CBN. 

“O grande lance dessa padaria é que não tinha movimento nenhum. E eu não tinha como trazer cliente. Então, eu coloquei o pãozinho a um preço mais barato. Naquela época, o pãozinho era tabelado pela Sunab. Eu coloquei 30% mais barato que a tabela da Sunab. Meus patrícios diziam que o pãozinho não dava lucro”.

A importância de ter um carro-chefe

Com o preço mais baixo, a padaria de Saraiva ganhou uma clientela que foi fundamental para o sucesso do negócio: os “padeiros de rua”, que compravam o pão mais barato e, em seguida, revendiam para bares, botecos e condomínios, de porta em porta. A partir dessa experiência, Saraiva aprendeu a importância de ter um “carro chefe” em seu negócio, ou seja, um produto altamente popular e acessível. Ele enfatiza que, no início, não é necessário se preocupar muito com o lucro, pois ele é uma consequência natural do volume de vendas e da eficiência na gestão de despesas.

“Tente ter um produto que atraia o cliente pelo preço. Que tenha qualidade, que tenha aceitação do público. Carro-chefe é o seguinte: é um produto que você vende, que não tem rejeição, todo mundo quer, todo mundo procura. Então, se você consegue ter um produto desses com uma margem menor e consegue vender a preço acessível, eu diria que isso já é 70% do sucesso do negócio”.

Como o Habib’s se iniciou

A história do Habib’s teve início quando Saraiva encontrou um novo produto para impulsionar seus negócios: a esfiha aberta. Ao conhecer um senhor que sabia fazer esse prato tradicional árabe, Saraiva percebeu que havia encontrado seu “carro-chefe”, e lançou o Habib’s. O nome “Habib” significa “amigo” em árabe, refletindo a filosofia da empresa de oferecer comida a preços acessíveis e construir relacionamentos próximos com os clientes.

Para expandir sua rede de restaurantes, Saraiva adotou a verticalização, produzindo seus próprios ingredientes e controlando de perto a qualidade e os custos. Isso permitiu que o Habib’s mantivesse sua abordagem de preços acessíveis e qualidade consistente à medida que crescia.

A empresa tem de ser contaminada por seu líder

Bastidor da gravação do Mundo Corporativo foto: Priscila Gubiotti

Atualmente, o grupo de Saraiva inclui não apenas o Habib’s, mas também outras marcas como o Ragazzo, uma rede de comida italiana conhecida por sua coxinha, e o Tendall Grill, uma churrascaria que segue a mesma filosofia de preços acessíveis.

Saraiva destaca que um líder de sucesso precisa motivar sua equipe, estar constantemente inovando e cuidar das finanças da empresa com atenção. Ele enfatiza que é essencial acreditar em si mesmo e ter confiança em sua capacidade de realizar grandes feitos no mundo dos negócios.

“Quer dizer, o líder precisa ter sempre um projeto novo que motive as pessoas a tocar o existente. E sempre estar criando e inovando. Eu acho que isso são coisas que contaminam. Uma empresa precisa estar contaminada pelo seu líder”

É preciso estar atento às oportunidades

Além disso, Saraiva não tem medo de correr riscos calculados e acredita que o empreendedorismo é sobre aproveitar as oportunidades sem hesitação. Ele enfatiza que os empreendedores devem ter a determinação de seguir em frente, mesmo diante de desafios e incertezas. Por exemplo, a pandemia da COVID-19 trouxe novos desafios para o setor de restaurantes, mas Alberto Saraiva e sua equipe continuam a inovar e adaptar seus negócios para enfrentar essas dificuldades. Uma das soluções foi usar a infraestutura das cozinhas do Habib’s para produzir marmitas:  

“O que que eu fiz: eu transformei um pedaço dessa cozinha numa cozinha da Mita. Então, eu uso toda a estrutura do Habib’s e tem uma marca digital lá que ninguém sabe que é do Habib’s nem de onde vai nem como é que vai. E com essas cozinhas, eu consigo fazer a expansão porque eu já tenho a infraestrutura montada. Então, a Mita em oito meses já tem 50 lojas, e agora chegamos a faturar R$ 12 milhões”. 

Em resumo, a história de Alberto Saraiva e o sucesso do Habib’s são um testemunho da importância de acreditar em si mesmo, adotar uma mentalidade empreendedora e estar disposto a enfrentar desafios em busca de seus objetivos no mundo dos negócios.

Assista ao Mundo Corporativo

O programa Mundo Corporativo traz uma entrevista inédita todas às quartas-feiras, 11 da manhã, no canal da CBN no YouTube e no site da CBN. O Mundo Corporativo também pode ser ouvido em podcast, no Spotify. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Veloso, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Leizer Pereira, da Empodera, diz que empresário reconhece o valor mas não prioriza a diversidade

Gravação online com Leizer Pereira, foto: Priscila Gubiotti

 “Ninguém quer se assumir como racista, machista ou homofóbico. Acho que o maior desafio está na resistência em reconhecer que você é parte do problema e também da solução. Existem os vieses inconscientes, que são os preconceitos que todos nós temos e que criam barreiras para as pessoas.”

Leizer Pereira, Empodera

Apesar de 94% dos líderes reconhecerem o valor da diversidade para atrair e reter talentos, a efetivação da diversidade como uma prioridade real cai pela metade. O Brasil, marcado por sua rica tapeçaria de culturas e histórias, ainda enfrenta desafios significativos quando se trata de diversidade e inclusão nas organizações. Esta não é apenas uma questão de justiça ou de fazer o que é moralmente correto; é também uma questão estratégica que pode impulsionar a inovação e a rentabilidade em um mundo corporativo em constante mudança.

Da conscientização à ação: a missão da Empodera

Leizer Pereira, fundador e CEO da Empodera, mergulha profundamente nesta questão em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. Ele destaca que, embora muitas organizações estejam cientes do valor da diversidade, ainda existe uma lacuna significativa na transformação dessa compreensão em ações concretas e sistematizadas.

“Eu acho que precisamos promover mais oportunidades para as pessoas. Promova oportunidades, equidade e deixa as pessoas crescer na velocidade do seu talento e esforço. Tem muita gente boa sendo deixada para trás nesse país. A gente não tem. A gente não tá com essa possibilidade de desperdiçar talento”

A Empodera, fundada em 2017, busca capacitar empresas a entender e abraçar verdadeiramente a diversidade. Além de focar na diversidade racial, a organização também aborda questões de gênero, LGBTQIA+, gerações e pessoas com deficiência, reforçando a ideia de diversidade de pensamento como chave para soluções criativas e integradas.

Desafios e oportunidades: a perspectiva pessoal de Leizer

A trajetória pessoal de Leizer Pereira, como um homem negro que cresceu na periferia do Rio de Janeiro e posteriormente ascendeu ao mundo corporativo, oferece uma perspectiva sobre os desafios e oportunidades presentes na jornada de inclusão. Ele argumenta que, enquanto o acesso ao ensino superior tem se tornado mais democrático no Brasil, ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os jovens, especialmente aqueles de origens desfavorecidas, estejam preparados não apenas academicamente, mas também emocional e culturalmente para os desafios do mundo corporativo.

Com o crescente reconhecimento da importância da diversidade, resta saber se as organizações brasileiras vão intensificar seus esforços para transformar palavras em ações e garantir que a diversidade e a inclusão sejam mais do que apenas palavras da moda, mas sim pilares fundamentais de sua cultura e estratégia.

“Então, as empresas ainda têm um longo caminho, porque elas são inclusivas para quem? Hoje não é para todo mundo. Então, a gente precisa construir essa organização inclusiva para todas as pessoas”.

Assista ao Mundo Corporativo no YouTube

  • Quando assistir: Quartas-feiras, às 11 da manhã, ao vivo.
  • Onde assistir: Canal da CBN no YouTube.
  • No ar: sábado no Jornal da CBN e domingo, às dez da noite.
  • Podcast: no site da CBN, no Spotify ou na Alexa.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renata Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Sabrina Zanker, da L’oréal Luxo, convida às empresas a se envolverem em causas sociais e investirem em líderes femininas.

Sabrina Zanker no estúdio do Mundo Corporativo da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“Se você se engajar com causas, você ser uma empresa que acolhe bem, tem um bem-estar para aquele colaborador, promove a diversidade no ambiente de trabalho e fora do ambiente de trabalho e promove transformação na sociedade, eu acho que isso é fundamental para você recrutar pessoa,s também manter pessoas engajadas e motivadas a trabalhar na sua empresa”

Sabrina Zanker, L’Oréal Luxo

No cenário corporativo moderno, a responsabilidade das empresas vai muito além de simplesmente gerar lucros. As organizações têm a oportunidade e, muitos argumentariam, a obrigação de desempenhar um papel ativo na transformação social. Esse engajamento em ações sociais não apenas reflete uma missão e visão alinhadas com valores sociais, mas também demonstra uma liderança que busca transformar a vida das pessoas. Essa é a opinião de Sabrina Zanker, diretora geral da L’oréal Luxo, convida do programa Mundo Corporativo, da CBN.

Um aspecto importante dessa transformação é o acolhimento. Em um mundo onde muitas pessoas enfrentam desafios emocionais, como depressão e abusos, as empresas podem oferecer um ambiente seguro e acolhedor. No entanto, é essencial que o engajamento seja autêntico. Com o aumento do acesso à informação, consumidores e stakeholders podem facilmente discernir entre ações genuínas e aquelas feitas meramente por razões de imagem.

Há um benefício direto para as empresas que escolhem se engajar autenticamente em causas sociais. Além de reforçar a imagem corporativa, essa autenticidade tem um efeito profundo no moral e na retenção de funcionários. As novas gerações, em particular, valorizam empresas cuja cultura e valores refletem suas próprias crenças e identidades. A promoção da diversidade e a contribuição ativa para a transformação social tornam-se elementos fundamentais na atração e retenção de talentos.

“As empresas têm que se posicionar de acordo com a sua missão, com seu propósito, fazer causas que realmente tenham conexão com isso. Aí de fato vai ter esse acolhimento, esse papel de transformação, e isso vai repercutir de maneira muito natural na sua imagem corporativa”

Abuso Não é Amor: uma iniciativa global

Com tantas causas sociais que merecem atenção, como uma empresa decide onde concentrar seus esforços? A autenticidade, mais uma vez, é a chave. As ações devem ser alinhadas com o propósito e a missão da empresa. Para a L’Oréal Luxo, por exemplo, o empoderamento feminino é uma causa intrinsecamente ligada à marca, tornando-a uma escolha natural para o seu engajamento.

Uma dessas ações que merece destaque é a campanha “Abuso Não é Amor”, focada em reconhecer e combater relacionamentos abusivos. Esta é uma questão que transcende fronteiras nacionais, impactando mulheres de todas as origens e estratos sociais.

A campanha colabora com organizações e plataformas para educar e informar sobre os sinais de um relacionamento abusivo, com o objetivo de prevenir a violência antes que ela comece. A parceria com Instituto AzMina, conhecido por seu trabalho em empoderamento feminino, é um exemplo de como a campanha busca alcançar sua missão.

Desenvolvimento de carreira e superando obstáculos

No contexto de avanço profissional, Zanker destaca a importância da rede de apoio e da sororidade. Ter um círculo de confiança e apoio é crucial para superar a  “síndrome do impostor”, um fenômeno comum entre mulheres que questionam suas próprias habilidades e realizações. Para combater essa síndrome, ela sugere auto-reflexão, terapia e o reconhecimento e aceitação de suas vulnerabilidades.

Além disso, Zanker aponta a maternidade como uma experiência que pode proporcionar aprendizado e crescimento, desafiando a noção de que ser mãe é um obstáculo na carreira de uma mulher. Em sua visão, a maternidade pode desencadear qualidades e desenvolvimentos valiosos que beneficiam o ambiente de trabalho.

Trajetória profissional e o papel da líder feminina

Com uma formação em comunicação, um MBA em finanças e formação em psicanálise, Zanker é um exemplo de um perfil multidisciplinar. Sua curiosidade e desejo de ver negócios de uma perspectiva holística a levaram por diversos caminhos e indústrias, construindo uma carreira diversificada e rica em experiências. Começando sua carreira na L’Oréal como trainee, ela traçou seu caminho através de diferentes áreas, desde finanças até marketing, moldando seu perfil como uma líder versátil e bem-arredondada. Em 2020, ela retornou à empresa e um ano depois foi convidada para ocupar o cargo de diretora-geral.

As empresas têm um papel significativo a desempenhar na transformação social e na promoção da equidade de gênero. Líderes como Sabrina Zanker exemplificam a capacidade das mulheres de ascender a cargos de liderança e influenciar positivamente o ambiente corporativo. Seu compromisso com o engajamento autêntico e a promoção de outras mulheres é uma inspiração para futuras líderes.

“Quando a gente fala de o papel de uma liderança feminina, eu acho que o que a gente busca na verdade é normalizar o papel da mulher em espaços que foram exclusivamente ocupados por homens”.

Assista à entrevista com Sabrina Zanker, da L’Oréal Luxo

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 da manhã, no canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O Mundo Corporativo também está disponível em podcast. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Priscila Gubiotti, Letícia Valente e Rafael Furugen

Mundo Corporativo: Renata Rivetti, da Reconnect, apresenta estratégias para a semana de quatro dias e um ambiente de trabalho mais feliz.

Bastidores da gravação do Mundo Corporativo com Renata Rivetti Foto: Priscila Gubiotti

“[Felicidade no trabalho] tem a ver com pessoas que de repente se relacionam de forma mais saudável, mais positiva, com o ambiente de segurança psicológica e, também, um trabalho que desafia as pessoas, que faça sentido para elas, que traga mais significado para a vida”.

Renata Rivetti, Reconnect

A verdadeira felicidade no trabalho vai além de ambientes coloridos e piscinas de bolinhas. Segundo Renata Rivetti, fundadora da Reconnect Happiness At Work, ela se enraíza em relações mais positivas e segurança psicológica. Esse tema é vital para todos os profissionais, especialmente líderes que buscam produtividade e engajamento. No programa Mundo Corporativo, falamos de estratégias que podem transformar o clima organizacional e de como estão sendo realizadas as pesquisas para implantação da semana de quatro dias, uma ideia que se potencializou após a pandemia da Covid-19

Desvendando a felicidade corporativa

Não é apenas o ambiente físico que determina a felicidade no trabalho. Trata-se de ter equipes que interagem positivamente, se desafiam e encontram propósito em suas tarefas. Felicidade leva ao aumento do engajamento, produtividade e inovação.

Por que a felicidade ainda é um tema delicado nas empresas? Rivetti acredita que estratégias de liderança antigas, focadas em comando e controle, são menos sustentáveis hoje. Reflexões provocadas pela pandemia e novas gerações entrando no mercado de trabalho exigem uma nova abordagem sobre felicidade corporativa.

“Certamente, quando a pessoa é feliz no trabalho, ela vai ser mais engajada, mais produtiva. Vai falar bem da empresa, ser mais inovadora. A gente vê sucesso em todos os âmbitos”

Mensuração da felicidade

Fundada em 2021, a Reconnect surgiu da paixão de Rivetti pelo autoconhecimento e estudos sobre felicidade. Notando a demanda corporativa, ela lançou a Reconnect para medir e promover a felicidade em empresas, conduzindo desde palestras até diagnósticos completos.

Usando o modelo PERMA, criado pelo psicólogo Martin Seligman, conhecido como pai da Psicologia Positivada, a Reconnect analisa cinco aspectos do bem-estar subjetivo, buscando entender emoções positivas, engajamento, relações, significado e realização no ambiente de trabalho.

Confrontando o burnout e ambientes tóxicos

Ao abordar o aumento de casos de Burnout, Rivetti destaca a necessidade de tratar as causas raízes, como a cultura e a liderança, em vez de apenas os sintomas. Ambientes tóxicos muitas vezes refletem lideranças tóxicas, exigindo uma transformação cultural profunda:

“Tem aqueles que querem transformar o mundo e entendem a importância de cuidar de pessoas,  de falar de saúde mental e de trabalhar para uma construção. Talvez um capitalismo mais consciente. Mas ainda tem aqueles que querem manter tudo como sempre foi, têm medo da mudança, medo de perder o privilégio, medo de trazer temas que talvez não saibam lidar, como a saúde mental e o bem-estar”. 

A semana de quatro dias: um novo horizonte

A Reconnect está testando a viabilidade da semana de trabalho de quatro dias. Esses testes abordarão produtividade, bem-estar dos funcionários, impactos organizacionais e feedback direto dos envolvidos. Ao se associar a empresas de diversos setores, a Reconnect busca oferecer uma visão completa sobre os potenciais benefícios dessa abordagem de trabalho. 

Como funcionarão os testes 

Os testes propostos pela Reconnect não se limitarão apenas a avaliar a satisfação dos funcionários. Eles buscarão entender as implicações reais da semana de quatro dias em diversas dimensões: 

Produtividade: Será avaliado se uma semana de trabalho reduzida pode realmente levar a uma maior concentração e eficácia no trabalho, compensando assim a redução das horas trabalhadas. 

Bem-estar dos Funcionários: A iniciativa buscará compreender se uma jornada de trabalho reduzida pode melhorar a saúde mental e física dos funcionários, reduzindo o estresse e aumentando a satisfação no trabalho. 

Impacto Organizacional: Os testes também considerarão os efeitos da semana de quatro dias nos objetivos e metas gerais da empresa, bem como nas dinâmicas de equipe e nas interações cliente-empresa. 

Feedback Direto: Serão realizadas sessões de feedback regularmente, permitindo que os funcionários compartilhem suas experiências, preocupações e sugestões em relação ao novo formato de trabalho.

Assista à entrevista com Renata Rivetti no Youtube

A gravação do Mundo Corporativo pode ser assistida, ao vivo, no canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às dez da noite, em horário alternativo. A entrevista também está disponível no podcast do Mundo Corporativo. Colaboram com o programa Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Dez Por Cento Mais: hiperpersonalização é a chave para extrair o melhor desempenho

Foto de Kampus Production

O conceito de hiperpersonalização tem ganhado destaque como chave para maximizar o desempenho humano, seja no esporte seja no mundo corporativo. Jean Schiavinatto, especialista em gestão e performance humana, apresentou essa perspectiva no programa “Dez Por Cento Mais”, apresentado por Abigail Costa e Simone Domingues, no Youtube. Observando a dinâmica entre treinadores e atletas paralímpicos, Schiavinatto percebeu que a abordagem personalizada de treinamento e feedback é essencial para alcançar resultados excepcionais, já que cada atleta, com suas peculiaridades, requer uma estratégia diferente.

A necessidade da psicologia e do autoconhecimento

Entretanto, existe resistência à integração de psicólogos sobretudo nos esportes. Muitos ainda veem a busca de apoio psicológico como sinal de fraqueza. No mundo corporativo, trata-se de reconhecer e acomodar as diferenças individuais dos membros da equipe. A perspectiva de Schiavinatto sugere que, no cenário em rápida evolução de hoje, a hiperpersonalização é mais do que uma tendência; é uma necessidade. Seja no campo de jogo ou na sala de reuniões, a capacidade de se adaptar às necessidades individuais pode ser o diferencial entre o sucesso e o fracasso.

Ao se referir às potencialidades no mundo corporativo, Schiavinatto destaca a importância de identificar e capitalizar as qualidades individuais. Seja como funcionário ou candidato a uma vaga, é vital reconhecer suas habilidades e usá-las para alcançar objetivos profissionais.

A importância do “Life Long Learning”

O conhecimento técnico adquirido durante a graduação ou cursos é renovado frequentemente. Segundo estudos, em média, a cada três ou cinco anos, 100% desse conhecimento técnico é renovado. Essa realidade implica uma necessidade ininterrupta de aprendizado ao longo da vida, onde o estudo constante é vital. Além disso, empresas hoje reconhecem que a formação acadêmica muitas vezes não é suficiente. Por isso, muitas empresas estão investindo em universidades corporativas para capacitar ainda mais seus funcionários.

A valorização das Soft Skills

Em meio a essa evolução do aprendizado, 60% do que faz uma pessoa crescer em uma empresa, seja vertical ou horizontalmente, está ligado às habilidades comportamentais ou soft skills. Isso ressalta a importância do autoconhecimento e autodesenvolvimento. Cursos voltados para inteligência emocional, compreensão do perfil comportamental, entre outros, são essenciais neste processo.

A abordagem dos atletas e profissionais do mundo corporativo em relação ao gerenciamento das emoções também é crucial. A necessidade de reconhecimento da importância da saúde mental, tanto para os atletas quanto para os líderes empresariais, é imperativa. Afinal, são seres humanos em ambos os contextos, e a chave para a maximização da performance está em reconhecer e valorizar essa individualidade. A capacidade de lidar com as emoções, de ter autoconhecimento e de buscar ajuda quando necessário, é fundamental para alcançar a excelência em qualquer área da vida.

Dica Dez Por Cento Mais

Jean Schiavinatto, entre outros títulos, é mestre em Educação e Desenvolvimento Humano pela Unicamp e MBA em Liderança, Inovação e Gestão 4.0 pela PUC. Ao fim do programa, deixou sua Dica Dez Por Cento Mais:

“A minha Dica 10% Mais é assim: pensa na vida de vocês como uma régua. Existem réguas de 30 cm, 50 cm e 100 cm. A gente transforma os centímetros em anos. O mais importante independentemente do tamanho da régua é a hora que você olhar para trás e chegar lá no finalzinho dela, você ter feito a diferença na vida das pessoas com as quais você convive.”

Assista ao Dez Por Cento Mais

Um novo episódio do Dez Por Cento Mais pode ser assistido ao vivo todas as quartas-feiras, às oito da noite (horário de Brasília), no YouTube. O programa também está disponível em podcast, no Spotify. A apresentação e produção é da jornalista Abigail Costa e da psicóloga Simone Domingues.

Mundo Corporativo: Jacqueline Conrado, da United Airlines, acredita no poder de as mulheres voarem mais alto

Gravação do Mundo Corporativo com Jacqueline Conrado

“Nós mulheres, nós temos desafios muito parecidos. Se a gente pode ajudar uma a outra para eliminar essas barreiras ou torná-las mais suaves, por que não? Para a próxima geração?”

Jacqueline Conrado, United Airlines no Brasil

A crescente discussão sobre a inclusão feminina no mercado de trabalho, especialmente em posições de liderança, é um debate em constante evolução. Dentro deste contexto, Jacqueline Conrado, country manager da United Airlines no Brasil, foi entrevistada pelo programa Mundo Corporativo, da CBN. Suas palavras revelam um olhar profundo sobre o desafio de ser mulher em um setor historicamente masculino.

Jacqueline trouxe à tona sua jornada no mundo da aviação. A trajetória dela se inicia nesse setor por influência da irmã que trabalhava em uma companhia brasileira. Há sete anos, ela retornou ao setor, após experiências em áreas como energia e publicidade. Começou no marketing da United Airlines no Brasil até surgir, dois anos depois, a oportunidade para assumir o comando da empresa.

“Para ser sincera, [minha trajetória] não foi planejada. E eu sou muito feliz por ter assumido [o cargo de country manager], porque isso expandiu muito a minha visão da empresa”.

A paixão pelo aprendizado e pelo enfrentamento de desafios é evidente em suas palavras. Jacqueline percebe a aviação brasileira como um setor em constante evolução e se vê como parte integrante desse processo.

“Eu gosto muito de aprender e uma das coisas que me motiva é o desafio”.

A mudança de narrativa para as mulheres na aviação

O setor da aviação é notório por estereótipos. No entanto, Jacqueline busca desmistificar essa visão, enfatizando que as mulheres podem ocupar qualquer posição. Ela destaca que a maioria da liderança na United Airlines Brasil é feminina, inclusive em áreas técnicas. O projeto “Meninas na Aviação” é um dos esforços para mostrar às jovens as oportunidades disponíveis no setor. O programa busca destacar que as mulheres podem ocupar qualquer cargo na aviação, desde posições técnicas até lideranças. 

Voltado para meninas de 13 a 18 anos, o projeto proporciona a elas a oportunidade de conhecer os bastidores da aviação. Durante essa experiência, as participantes são apresentadas a diferentes áreas do setor, como manutenção, controle do aeroporto, sala VIP e área de segurança. Além disso, elas têm a chance de interagir com profissionais da área, recebendo orientações sobre as habilidades e formações necessárias para cada posição.

O poder das referências e das políticas proativas

Referências são vitais para qualquer profissional. Jacqueline lembra da importância de ter modelos a seguir e elogia a cultura da United Airlines, que promove um ambiente de crescimento. Ela lembra que  a gente não consegue ser o que a gente não vê.

Apesar de sua posição de liderança, Jacqueline reconhece que os desafios para as mulheres persistem. Desde preocupações sobre gravidez até a forma como elas  são percebidas no ambiente de trabalho, os obstáculos são muitos. No entanto, ela ressalta: 

“Temos desafios muito parecidos, [mas] a gente pode ajudar uma a outra”.

A liderança de Jacqueline Conrado serve como um farol para muitas mulheres que buscam alçar voos mais altos em suas carreiras. Através da união, mentorias e ações afirmativas, o setor da aviação, assim como muitos outros, pode se tornar mais inclusivo e diversificado.

“Quanto mais diversos são os nossos colaboradores melhor vai ser a entrega em tudo que a gente faz, porque são perspectivas ali diferentes, trabalhando juntas para um mesmo objetivo. Então esse mix é é maravilhoso”

Assista à entrevista completa de Jacqueline Conrado

A gravação do programa Mundo Corporativo se realiza todas as quartas-feiras, às 11 horas da manhã, e pode ser assistida, ao vivo, pelo canal da CBN no Youtube. O programa vai ao ar na edição de sábado do Jornal da CBN e, em horário alternativo, às dez da noite.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Letícia Valente, Priscila Gubiotti e Rafael Furugem

Mundo Corporativo: Kelly Lopes, do IOS, defende que a educação digital transforma a vida de jovens e pessoas com deficiência

Foto de fauxels

“É a capacitação técnica que abre a porta para esse jovem entrar na empresa, mas é a responsabilidade comportamental, o engajamento, a responsabilidade dele, que o faz brilhar, que abre para ele as oportunidades de carreira — inclusive para as pessoas com deficiência”.

Kelly Lopres, Instituto de Oportunidade Social

A necessidade de educação digital se tornou evidente ao longo dos anos, à medida que a sociedade avançou tecnologicamente. Estar mais bem preparado para atender a essa demanda pode ser o grande diferencial para jovens e pessoas com deficiência que buscam espaço nas empresas. De olho nessa oportunidade foi que surgiu o Instituto de Oportunidade Social que tem como superintendente Kelly Lopes, entrevistada do Mundo Corporativo da CBN.

Instituto promove formação profissional

Kelly diz que o IOS tem desempenhado um papel fundamental na formação profissional e na empregabilidade de jovens entre 15 e 29 anos e pessoas com deficiência, a partir de 16 anos. Um aspecto que ela destaca é a ênfase na formação tecnológica. O Instituto aborda esse desafio fornecendo formação profissional extracurricular em tecnologia, que pode ser realizada simultaneamente ou após a conclusão do ensino médio. O objetivo é capacitar os jovens a conquistarem seu primeiro emprego ou obterem uma recolocação profissional no mercado de trabalho formal.

O Instituto, que completa 25 anos de existência, teve sua origem em uma iniciativa da empresa Totvs, que segue sendo sua principal mantenedora. No entanto, ao longo dos anos, o IOS estabeleceu parcerias com outras empresas, como Dell e 3M no Brasil, além de colaborar com órgãos governamentais municipais e estaduais em São Paulo e Minas Gerais, por meio de projetos de incentivo fiscal e fundos de defesa das crianças e adolescentes.

O desafio de jovens e pessoas com deficiência

Um dos principais desafios enfrentados pelos jovens na busca por emprego é a falta de preparação do ambiente escolar para o mercado de trabalho. A educação básica não costuma abordar as habilidades técnicas e comportamentais necessárias no mundo corporativo, avalia Kelly . Além disso, a maioria dos jovens não recebe orientação sobre suas opções de carreira ou mentoria. Por outro lado, as empresas enfrentam desafios relacionados à digitalização do processo seletivo, que pode tornar difícil identificar os verdadeiros talentos entre os candidatos. 

“O nosso jovem brasileiro, ele é o jovem do corre, ele é o jovem que faz as coisas acontecer. Está faltando para ele referência, mentoria, cuidado e acolhimento. Principalmente, agora no pós-pandemia. No Instituto, a gente faz esse complemento, esse atendimento niversal do indivíduo. E aí é quase uma mágica”. 

Taxa de desemprego entre jovens é enorme

Kelly enfatiza que o IOS se preocupa em promover a educação digital, preparando os jovens para lidar com as ferramentas tecnológicas usadas no ambiente corporativo. Muitos jovens estão conectados digitalmente, mas não possuem as habilidades necessárias para se destacarem no mercado de trabalho.

O público-alvo do IOS são jovens de 15 a 29 anos, com a maioria situada na faixa etária de 15 a 21 anos. Esses jovens frequentemente enfrentam altas taxas de desemprego, mesmo com incentivos existentes. Kelly destaca a importância de proporcionar oportunidades de capacitação e emprego para essa faixa etária.

Desafio é maior entre pessoas com deficiência

Quando se trata de pessoas com deficiência, a situação é ainda mais desafiadora. Muitas vezes, elas enfrentam dificuldades não apenas na educação formal, mas também no acesso à tecnologia e no entendimento do mundo corporativo. A falta de acesso à educação inclusiva e a falta de apoio adequado contribuem para a exclusão dessas pessoas do mercado de trabalho formal.

No entanto, o IOS está fazendo a diferença na vida dessas pessoas, oferecendo formação profissional e apoio psicossocial sob demanda, diz Kelly. Os resultados são impressionantes, com uma média de 65% de empregabilidade bem-sucedida para os jovens formados pelo Instituto e até 80% para pessoas com deficiência.

O IOS não se limita apenas à capacitação. Também trabalha com empresas para sensibilizá-las sobre a importância da diversidade e inclusão, ajudando a criar oportunidades para jovens e pessoas com deficiência. Além disso, o Instituto auxilia na preparação das empresas para receberem esses profissionais e promove a conscientização e o treinamento de lideranças sobre como apoiar e incluir esses colaboradores. 

“É importante a gente também mostrar para as empresas que a gente pode apoiá-las na questão da diversidade, porque o nosso jovem é diverso. Estou atendendo jovem da escola pública, muitos em situação de vulnerabilidade, pessoas negras, pessoas com deficiência, o público LGBTQIA+. É um público diverso que a gente está atendendo e isso também traz valor para a empresa”. 

Uma história inspiradora

Kelly compartilha uma história inspiradora de uma jovem chamada Beatriz, que superou desafios e encontrou sucesso profissional após participar dos cursos do IOS. Beatriz, uma jovem negra da periferia de Diadema, ingressou no Instituto, fez cursos de tecnologia e gestão empresarial e conseguiu se destacar em um processo seletivo em uma grande multinacional de tecnologia. Sua jornada de superação demonstra o potencial dos jovens quando recebem oportunidades adequadas.

No Brasil, a educação técnica de nível médio ainda é subutilizada, com apenas 11% dos jovens tendo acesso a esse tipo de formação. Kelly enfatiza a importância de levar a capacitação técnica para dentro das escolas, capacitando professores e promovendo o voluntariado corporativo para ampliar as oportunidades para os jovens.

Ao final da entrevista, Kelly destacou que a tecnologia não deve ser apenas uma ferramenta, mas também um meio para empoderar jovens e pessoas com deficiência. A capacitação e o desenvolvimento de habilidades comportamentais são essenciais para abrir portas para esses indivíduos no mercado de trabalho.

Assista à entrevista completa com Kelly Lopes no Mundo Corporativo

O  Mundo Corporativo da CBN pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no canal da CBN No You Tube. O programa tem a colaboração de Renato Barcellos, Larissa Machado, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.