Mundo Corporativo: filhos são uma potência na vida profissional, defende Michelle Terni, da Filhos no Currículo

 

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Família é família, trabalho é trabalho. 

Não dá pra misturar. 

Cada coisa no seu devido lugar. 

Se tem “verdades corporativas” que foram desconstruídas nesta pandemia, com certeza essas que estão no topo deste texto entram com destaque na lista. Por anos, empresas, seus chefes e, também, funcionários acreditaram na ideia de que da catraca pra dentro, casamentos, filhos e famílias deveriam ser esquecidos – no máximo deveriam ser motivo de conversa na sala do cafezinho. Com os escritórios fechados, o trabalho invadiu o espaço da família e a convivência se fez necessária. Percebeu-se que apesar das diversas dimensões e realidades que vivemos, em todas essas circunstâncias somos apenas um, e a jornada diária precisa se organizar dentro dessa perspectiva.

“Não é ou filhos ou carreira. É filhos e carreira”. 

É o que defende Michelle Levy Terni, publicitária, formada em comunicação e com especialidade em equidade de gênero, que fundou, ao lado de Camila Antunes, pedagoga e advogada, a consultoria Filhos no Currículo. As duas se conheceram pelo Instagram, e se identificaram por serem mães de dois filhos. Após sentirem as dores que a maternidade gera no ambiente de trabalho, se encontraram em um projeto que acredita na possibilidade da construção de uma relação de vínculo e presença com os filhos sem a desconstrução da carreira. Além de investirem no desenvolvimento pessoal de pais e mães, provocam as empresas a repensarem as suas relações de trabalho e a eliminarem os vieses que limitam o crescimento de seus profissionais:

“Foi muito por nossa experiência pessoal que nasceu esse insight de compartilhar toda a nossa dor com o mercado de trabalho e ressignificar filhos como potência na vida profissional de pais e mães”.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, que está completando 20 anos, Michelle explicou como o tema da parentalidade tem avançado nesses últimos tempos. Especialmente no caso das mulheres, ter filhos era visto como um custo a ser pago no crescimento na carreira – lamentavelmente ainda existem pessoas que enxergam dessa maneira. No entanto, hoje, já está bem mais clara a ideia de que ter filhos agrega no currículo profissional. Pesquisa realizada com o Movimento Mulher 360 mostrou que 98% dos pais entrevistados entendem que ter filhos os fez criar alguma habilidade, tais coo empatia, resiliência e liderança. 

“A gente muitas vezes é admitido por hard skills (habilidades técnicas) e demitido por soft skills (habilidades emocionais). E esses soft skills transbordam em quem tem filho”.

Michelle Terni, Filhos no Currículo

Ao longo da própria pandemia houve mudanças de olhar em relação a algumas questões. Se no início. o debate era como se adaptar ao trabalho em casa, ao lado dos filhos e da família, hoje, quando o retorno ao escritório ocorre de forma total ou parcial, a preocupação é como trabalhar distante dos filhos: 

“Essa é uma situação que trouxe para pais e mães uma herança de vínculo, de presença com os filhos. O que ouço de relatos nas consultorias com os clientes é essa alegria que surgiu pela possibilidade de conviver tão de perto (com os filhos). Voltar agora é quase uma impossibilidade. Eu percebo muito essa vontade de um equilíbrio”

Em consulta feita com mulheres, a Fihos no Currículo descobriu que 95% daquelas que são mães acreditam que o ‘home office’ veio para ficar, e 75% se identificam com o trabalho híbrido. Quanto às empresas, boa parte ainda avalia como serão os próximos anos, depois da experiência que a pandemia proporcionou. Michelle diz que, independentemente do que pensem em fazer, todas as organizações têm de ter consciência de que alguma coisa mudou e para trazerem os colaboradores para o presencial precisarão dar ao ambiente de trabalho uma missão, uma importância muito clara: 

“Esse lugar físico vai ser muito mais um lugar de colaboração, um lugar de experiência, de troca, do que necessariamente de sentar e trabalhar”.

Os líderes precisarão estar sintonizados com esse momento e desejo de seus colaboradores sob o risco de perderem talentos. A discussão sobre o retorno aos escritórios, o trabalho híbrido ou o ‘home office’ tem de ser colaborativa, ouvindo as prioridades e necessidades dos profissionais. A esses caberá também uma readaptação, abrindo diálogo com as crianças, porque pais e mães talvez não estejam mais 100% do tempo ao lado dos filhos. 

Outra realidade que ficou escancarada dentro do núcleo familiar – e a oportunidade de mudarmos isso é agora – é a percepção de como a economia do cuidado gera um sobrepeso nas mães. O cuidar da criança, preparar a lancheira e levar na escola são tarefas mais evidentes. Para realizar essas atividades, porém, existem várias outras que costumavam não entrar nesse cálculo: por exemplo, a compra de material, produtos e alimentos, que tomam tempo e geram desgaste de energia. Conversas difíceis tiveram de ser travadas dentro de casa que, se espera, tenham colaborado para reequilibrar as tarefas entre homens e mulheres. 

Michelle lembra que oferecer oportunidades a pais e mães vai além de programas de licença de parentalidade ou de família. A empresa precisa criar uma cultura que permita que esses e outros benefícios sejam usufruídos na prática. E cabe aos líderes esse papel. Para que o ambiente de trabalho seja contaminado por essas ideias, a Filhos no Currículo sugere um metodologia aos gestores que se resume na palavra SETA:

S – SEGURANÇA: o líder é treinado para que crie um ambiente que transmita segurança; as pessoas só vão compartilhar seus desafios ao se sentirem seguras;

E – EMPATIA: é preciso entender e aprender como desenvolver esse olhar empático

T – Troca:  comunicação é via de mão dupla. É você falar e você ouvir. A escuta empática é habilidade socioemocional extremamente importante.

A – Autoresponsabilidade: o líder precisa fazer aquilo que ele fala; tem de ser a referência; se acredita que existe vida além da profissão, tem de saber se desconectar e, por exemplo, não marcar reuniões de trabalho na hora do almoço.

Por mais que ter filhos seja visto como uma potência na vida profissional, Michelle – que também tem de dividir o trabalho da consultoria, com família, filhos e afazeres domésticos – sabe que essa relação é difícil e instável. Haverá momentos em que o lado profissional se expressará mais e outros em que o pessoal pede passagem. O importante é que a escolha seja consciente.

Pra fechar a conversa, deixo o convite da Michelle Terni aos pais: coloque seus filhos no currículo e conte essa experiência nas suas redes sociais corporativas (#meufilhonocurriculo): 

“Desafiem outras pessoas a fazerem o mesmo”.

Assista agora à entrevista completa com Michelle Levy Terni, da Filhos Currículo:

O Mundo Corporativo teve a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo: mulheres, negros e LGBTQIA+ têm de se apropriar do conhecimento, diz Adriana Carvalho da ONG Generation

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“Para resolver esse problema a gente tem que melhorar desde o ensino básico, das construções sociais, mas a gente precisa dar chance real para quem já tá formado ou já tá aí ou já tá em idade de trabalhar, de se apropriar desse conhecimento”.

Adriana Carvalho, Generation Brasil

Este 29 de janeiro é o Dia Nacional da Visibilidade de Travestis e Transexuais. No planejamento das entrevistas do Mundo Corporativo, nossa agenda coincidiu com o calendário nacional que reserva datas para destacar a luta de pessoas que sofrem discriminação, são desrespeitadas e têm seu potencial esquecido pela sociedade. Neste sábado, levamos ao ar entrevista com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation, instituição internacional que, há três anos, atua no Brasil, com a intenção de qualificar quem vive em situação de vulnerabilidade: jovens, negros, pardos, mulheres e, sim, pessoas LGBTQIA+.

Disse que foi uma coincidência. Mas não que foi uma surpresa. Já que temáticas relacionadas a essa multiplicidade de gêneros não são raras no Mundo Corporativo. Tornou-se um propósito nosso pautar entrevistas que ofereçam soluções para que a diversidade se transforme em realidade no ambiente de trabalho. Nesse sentido, é interessante conhecer a metodologia desenvolvida pela Generation que mapeia as necessidades das empresas e cria cursos voltados para pessoas em vulnerabilidade que possam prepará-los para as vagas disponíveis:

“A gente começa sempre falando com o mercado. Então, a gente vai criar o curso entendendo o que é necessário para aquela pessoa ir naquela posição de entrada, e não só na parte técnica, mas na parte comportamental, também. Nas habilidades socioemocionais”.  

Adriana Carvalho diz que a ideia é desenvolver cursos no setor de tecnologia da informação porque os empregos que têm surgido estão nessa área. Enquanto milhares de vagas desaparecem no mundo todo, empresas buscam e muitas vezes não encontram profissionais de TI. 

“84% das pessoas formadas conosco estão trabalhando hoje”

Por ser um setor bastante dominado por homens, uma das metas da Generation é ter até 50% das vagas dos cursos ocupadas por mulheres, e 60% de não brancos – por enquanto esses percentuais estão em 40% e 55%, respectivamente. Quanto a orientação sexual, Adriana calcula que cerca de 25% das pessoas que estão sendo capacitadas são da comunidade LGBTQIA+.

A despeito de todas as dificuldades que o tema da diversidade enfrenta, Adriana percebe mudanças consideráveis nas empresas no sentido de se tornarem mais plurais. Lembra que há cinco anos, iniciativa do Pacto Global das Nações Unidas com a ONU Mulheres tinha a adesão de 50 empresas, hoje são mais de 500; o Fórum de Empresas LGBTQIA+ saltou neste período de 20 para 120 empresas; e a Rede de Inclusão Social Pelo Trabalho das Pessoas com Deficiência está com mais de 100 empresas.

“A gente muitas das empresas multinacionais e grandes empresas brasileiras nessa pauta e cada vez procurando mais a gente .. mas a minha

provocação é que para mudar esse Brasil ,onde 94% dos empregos estão nas pequenas e nas médias, precisamos de muito mais empresas apoiando essa causa”.

E aí vai um ponto importante no trabalho da Generation: da mesma forma que se dedica a capacitar pessoas em situação de vulnerabilidade, capacita as empresas a receberem essas pessoas. 

“É fundamental que essa iniciativa seja olhada de uma maneira mais ampla. Que a empresa faça um diagnóstico de como está a sua força de trabalho; de como está a sua cultura, que  trace indicadores, metas; que olhe a contratação dessas pessoas nessa perspectiva maior. Assegure que elas não são ‘café com leite’; não estão sendo contratadas para ficar ali de canto. Que elas vão ter realmente um plano de desenvolvimento”

A diversidade vai influenciar no serviço e no produto oferecido pela empresa de várias formas, explica Adriana. Seja na funcionalidade de um celular seja no desenho de um carro seja na solução tecnológica que será oferecida. Por exemplo, se a empresa tem majoritariamente homens, brancos, que vivem em áreas urbanas de classe média e alta, tende a oferecer respostas para as demandas que estão no seu meio e desperdiçam as oportunidades que existem em locais e experiências que desconhecem. 

“É um ganha-ganha. É bom para as empresas. É bom para as pessoas. É bom para a sociedade”.

Entre aqui para saber como se beneficiar dos projetos da ONG Generation Brasil.

Assista à entrevista completa com Adriana Carvalho, CEO da ONG Generation

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo, 20 anos: o 5G será uma disrupção na internet das coisas médicas, diz Fernando Paiva

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“O 5g para o ecossistema de saúde, quando a gente pensa em monitoramento remoto, seja de paciente, vai ser totalmente transformador”. 

Fernando Paiva

Uma central de comando que monitora à distância a saúde dos moradores da cidade; que usa as câmeras em áreas públicas não apenas para alertar para riscos na segurança, mas que sejam capazes de identificar, através do reconhecimento facial, que os dados captados de uma pessoa demonstram desvios de padrão e enviem a ela a mensagem de que deve procurar atendimento médico. Ficção científica? No nosso imaginário, com certeza. No campo da tecnologia, nem tanto. Hoje, já existe inteligência suficiente para implantar um sistema semelhante a esse que foi descrito por Fernando Paiva, no programa Mundo Corporativo.

Como a tecnologia influenciará o atendimento aos pacientes e contribuirá com a qualidade de vida dos brasileiros foi o tema escolhido pelo Mundo Corporativo para a estreia desta temporada que marca os 20 anos do programa.

Fernando não é médico por formação. É engenheiro, estudou economia, e administração de empresas; é apaixonado pela tecnologia de informação — talvez resultado das aulas de programação que teve quando ainda estava com apenas 13 anos. Hoje, faz mestrado em internet das coisas na área médica (IoMT), na Faculdade de Medicina da USP:

“Cheguei a um momento da vida que eu gostaria de gerar mais impacto social, que traria realmente algum resultado na vida das pessoas. E a área da saúde é apaixonante porque você sabe que no final do dia, quando você vai dormir, aquele trabalho que você realizou, de maneira direta ou indireta, está salvando uma vida, contribuindo com a longevidade”.

Entusiasmado com a chegada da tecnologia 5G ao país, Fernando identifica uma série de oportunidades que devem surgir nesse mercado; e chama atenção dos empreendedores para a necessidade de se enxergar o ecossistema de saúde no Brasil para entender melhor a jornada do paciente, que se inicia muito antes dele passar por laboratórios, clínicas e hospitais:

“Essa jornada se inicia dentro e fora do ambiente da clínica hospitalar. Quando você está fazendo um tratamento preditivo ou um acompanhamento preventivo, você já está inserido no ecossistema de ‘health care’’.

Se a cidade que monitora a segurança da saúde das pessoas é realidade ainda distante dos nossos olhos, no Brasil – o que ainda exigirá um debate técnico e ético – , existem outras mudanças que logo poderão ser percebidas com a oferta do 5G. A começar pela velocidade e constância na transmissão de dados e informações que pode agilizar o atendimento do paciente ou otimizar a telemedicina, experiência que passou a fazer parte da vida dos pacientes durante a pandemia.  O ‘home care’ – que permite tratamento fora de uma unidade de saúde especializada e oferece ao paciente o conforto de estar em sua própria casa e ao lado da família – será um dos sistemas mais beneficiados. O paciente poderá ser monitorado em tempo real e intervenções poderão ser feitas muito mais rapidamente.

“O 5G será uma disrupção”

Para que empreendedores e investidores entendam melhor como a internet das coisas médicas pode se transformar em oportunidade, além de conhecer o ecossistema da saúde e a jornada do paciente, Fernando Paiva deixa as seguintes sugestões;

  • Faça um mergulho profundo em tecnologia, porque elas são muito dinâmicas e transformadoras. É preciso conhecer o hardware, o software e a infraestutura tecnológica; isso é fundamental para o empreendedor.
  • Se você tem uma base muito forte em tecnologia, busque um consultoria especializada em saúde, converse com médicos e profissionais de saúde; dialogue com o meio para ter um ‘banho de loja’;
  • O ecossistema de saúde brasileiro tem suas peculiaridades e é extremamente conservador; não basta ter bilhões de dólares na conta para convencer que a sua solução é a melhor: é preciso falar a linguagem do setor.

Assista à entrevista completa com Fernando Paiva no Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feira, às 11 horas da manhã, na canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site http://www.cbn.com.br. O programa vai ao ar aos sábados, às 8h15, no Jornal da CBN. E tem a colaboração de Bruno Teixeira, Débora Gonçalves, Rafael Furugen e Renato Barcellos.

Mundo Corporativo: como Kim Maschlup montou a Baskets em apenas um mês e na pandemia

“O melhor caminho é colocar na rua e ver a coisa andando”

Kim Maschlup, Baskets
Foto: reprodução site Baskets.com.br

Queijo de ovelha, pão de batata roxa e bolo de fubá com goiabada. Biscoito de castanha do Pará, cerveja artesanal e aguardente. Essa cesta, tão variada quanto deliciosa, na qual cabem muito mais produtos, corria o risco de ficar vazia, diante da pandemia. Com o fechamento do comércio e o isolamento social, pequenos produtores pelo interior do Brasil perderam acesso a seus consumidores, e os que conseguiam receber as encomendas tinham de ter muita boa vontade com a falta de estrutura de entrega. Foi diante dessa dificuldade que a admiradora de produtos artesanais brasileiros Kim Maschlup assumiu o desafio de criar uma plataforma eletrônica para conectar produtores e consumidores.

Kim é consumidora desses produtos assim como muitos de nós. Se isso a permitiu enxergar o perigo que se avizinhava, foram outros papéis que exerce que despertaram nela o interesse em ajudar essa turma. Kim é administradora de empresa, mestre em liderança no terceiro setor, e inspiradora de negócios com impacto social. Ela também atua em empresas que fazem investimento em novos negócios e ideias.

Com o perdão do trocadilho, foi essa cesta de habilidades e competências que a fez construir a Baskets. E em apenas um mês. Porque com o tamanho da crise que se espalhava não havia tempo a perder. No Mundo Corporativo, Kim Maschlup explicou como foi possível colocar a plataforma no ar, em agosto de 2020. O primeiro passo foi ouvir consumidores e produtores para entender as dores de cada lado. Em seguida, foi o momento de estudar qual o melhor desenho para tornar essa conexão possível: foi quando veio a ideia da plataforma online. Montar a logística para que os produtos estivessem disponíveis em um centro de distribuição único:

“Nesse um mês, eu precisei fazer a curadoria de produtos, alinhar com os produtores como seria esse modelo de negócios, trazer todas as informações deles  e dos produtos e colocar dentro da plataforma. Essa foi a parte que foi a mais trabalhosa”.

Os resultados apareceram rapidamente com o interesse de consumidores e produtores tornando o negócio viável. No início, quando Kim imaginava alcançar até 20 pequenos produtores, 34 aceitaram o convite; hoje são cerca de 50 e mais de 500 produtos – entre os quais aqueles que estão listados no início deste texto. A intenção é alcançar outras partes do Brasil, tanto na oferta como na entrega – o que deve ocorrer em breve.

Aos empreendedores dispostos a construir seu negócio, Kim recomenda que não se perca tempo na busca de projetos perfeitos: essa busca nunca vai cessar. É preciso encontrar o equilíbrio entre a quantidade de informação necessária para desenvolver o negócio e o tempo justo para lançá-lo no mercado. Ela sabe que o processo na Baskets foi mais veloz do que deveria, mas se isso ocorreu foi em nome da urgência do momento. Ouvindo Kim falar, descobre-se que a pressa não é inimiga da perfeição:

“Eu falava: eu preciso fazer para ter as respostas. Enquanto eu não estiver no mercado, enquanto as pessoas não tiverem consumindo, enquanto eu não estiver engajando os produtores, eu nunca vou saber de fato se essa ideia funciona”.

Ao acelerar o projeto e colocá-lo a rodar, Kim também descobriu rapidamente erros que foram sendo corrigidos ao longo do processo. Para ela é preciso estar disposto a errar e se reinventar todos os dias. Assim como trocar informação com pessoas que estão ao seu alcance, pedir feedback, ouvir e aprender. Depois de ter investido do próprio bolso para a ideia se concretizar, convenceu ‘investidores anjos’, no início deste ano, a  acreditarem no modelo de negócio que havia construído. 

“Uma coisa que você vai sempre ouvir de investidores, principalmente neste primeiro momento das empresas é ‘quem são as pessoas que estão por trás daquele negócio? Porque são elas que vão construir aquilo. Independentemente de qual seja o caminho que a empresa vai tomar, é importante entender que existe uma equipe por trás que vai ser capaz de entregar”. 

Assista à entrevista completa de Kim Maschlup, ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: a arte da comunicação é falar as várias línguas, diz Daniel Bruin, da Abracom

“Você tem que investir em reputação para estar vivo no mercado”  

Daniel Bruin, Abracom
Foto de Mikael Blomkvist no Pexels

Empresas podem ter fábricas, ter equipamentos e ter licença para executar serviços, mas nada disso terá mais valor do que sua reputação. Essa verdade está expressa em números: 50% do patrimônio das dez maiores empresas em valor de mercado, nas bolsas americanas, se referem a reputação; a líder no ranking é a Apple e esse percentual chega a 56%. Se reunir todas as empresas com ações, no ano passado, 35% do valor total dessas estavam depositados neste ativo.

A reputação é essencial para a sobrevivência dos negócios e demanda investimentos em comunicação, diz o presidente da Abracom, Daniel Bruin, em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN. A associação reúne as agências de comunicação corporativa, no Brasil, e identificou que o faturamento global do setor, que tinha sido de pouco mais de R$ 3 bilhões, em 2019, se repetiu em 2020, e deve fechar 10% maior, em 2021.

“As empresas não fizeram cortes (em comunicação corporativa) porque têm um ativo que é a reputação. Quantas – e não vou citar nenhuma específica – tiveram algum problema operacional ou com seus funcionários ou no tratamento do público: e quanto elas perderam? Tiveram o seu valor na bolsa afetado, passaram a vender menos e fizeram menos negócios”.

De acordo com levantamento recente são 895 agências ativas no Brasil, que trabalham com cerca de 3.500 empresas e contratam em torno de 17 mil profissionais, segundo a Abracom. Danilo lembra que se no início o setor empregava apenas jornalistas, muitos saídos de redações, hoje, as agências contratam também relações públicas, especialistas em marketing e em tecnologia, entre outras funções, oferecimento mais completo às empresas:

“A gente entende que comunicação é a arte de falar várias línguas com vários públicos … Um desafio para a gente nesse mercado é adotar o nosso vocabulário, tanto para  a plataforma que vai usar como para o público com quem quer conversar”.

Por falar em desafio, a desinformação é dos maiores riscos enfrentados atualmente pelas empresas, agências e seus profissionais. Daniel chega a dizer que é a preocupação número um do setor. E confessa que ainda há muitas incertezas em relação a forma de tratar fenômenos como o da “cultura do cancelamento”. Para monitorar a superabundância de informações – precisas ou não – que circulam sobre uma empresa ou um negócio, são necessários “1.000 olhos e 1.000 ouvidos”:

“Uma verdade por levar dias para ser dita e acreditada, mas uma mentira se constrói em segundos”. 

Quer saber mais sobre comunicação corporativa, assista ao vídeo da entrevista completa com Daniel Bruin, presidente da Abracom, ao Mundo Corporativo.

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Carlos Busch convida você a entender o protagonismo do consumidor para ir além das expectativas

“… a gente precisa ser cada dia melhor que a gente mesmo e não melhor que um terceiro”

Carlos Busch

Vivemos épocas em que a única forma de interagir com uma marca era pela caixa postal; a inovação tecnológica deu liberdade às pessoas se comunicarem pelos canais que considerarem mais apropriados. Essas transformações também deram aos indivíduos o poder de escolha e a capacidade de comandar a evolução dos negócios, exigindo respostas do mercado. Uma pressão a mais sobre gestores e executivos que se veem ameaçados neste cenário e precisam reagir sendo protagonistas de suas carreiras e buscando ir além das expectativas.

A ideia que abre este texto é defendida por Carlos Busch, executivo, referência em evolução mercadológica, que atua há mais de vinte anos em multinacionais e ocupa, atualmente, vice-presidente na Sales Force Latin America. No programa Mundo Corporativo, o autor do livro “Muito além das expectativas” (editora Gente) chamou atenção para a necessidade de as empresas entenderem que o consumidor hoje tem muito mais informação e isso lhe confere poder:

“As empresas que entenderem que gerar informação gera relevância, gera empatia junto ao consumidor, são as empresas que vão estar mais próximas a criar um engajamento e, obviamente conseguir, ter as melhores transações comerciais com ele”.

Muitas empresas ainda mantém como parâmetro o mercado que atuam e seus concorrentes —  é o conceito do benchmark que sempre imperou na mente dos executivos. Para Carlos, esse viés do passado que ainda pauta a forma de agir de empresários e executivos, impede que se enxergue o poder do indivíduo:

“Quem conseguir converter a sua visão muito mais para o cliente tem chance de protagonizar muito mais e não vender 1.8 carros para cada dez pessoas que entrarem na loja, mas vender três, quatro, cinco …”

A referência de Carlos é de uma das histórias que conta no livro, na qual o vendedor de carros comemora o fato de alcançar um índice de conversão de vendas maior do que os concorrentes, quando seu objetivo deveria ser ampliar os resultados comparando com o seu próprio desempenho:

“… de nada adianta eu ser o melhor baseado que eu não sou o ótimo Muitos dizem que a minha oportunidade e a tua margem ou a tua margem é minha oportunidade. Nesse mercado de competição quem entender como entregar a melhor experiência para o cliente, dado que ele é o  protagonista , poderá chegar ao cenário de dez pessoas entrarem numa loja e comprarem dez carros. Por que não, né?”

Um dos caminhos para que essa mudança de comportamento ocorra é o método dos 5 Ps, que representam os cinco principais pilares responsáveis pelo protagonismo em sua jornada, segundo Carlos:

  • Propósito – descubra o seu e guie suas ações;
  • Pioneirismo – tenha uma mente inquieta e aja sem se preocupar em alinhar a sua conduta com a da maioria;
  • Pense e faça – tenha a liberdade de buscar algo diferente, ainda que não esteja pronto
  • Performance – desafie-se a todo momento a ser melhor e diferenciado
  • Pessoas – cerque-se de pessoas capazes de enriquecer suas ações e de o ajudar a forjar melhores caminhos.

Assista ao vídeo completo da entrevista de Carlos Buscah, no programa Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Priscila Gubiotti, Bruno Teixeira, Renato Barcelos e Rafael Furugen. 

Mundo Corporativo: diversidade gera inovação, diz Emerson Feliciano, consultor de carreiras

“Se o seu modelo de pensamento não estiver programado para o sucesso profissional, não importa o que você faca, você não vai gerar o resultado que você espera”

Poucos, muito poucos, são os negros que sentam nas cadeiras reservadas aos conselheiros das 500 maiores empresas brasileiras. Nem 5% delas, diz pesquisa do Instituo Ethos. E se você circular por suas sedes, perceberá que o mesmo acontece com os cargos de executivos (4,7%) e gerentes (1,3%). Foi com esses números que Emerson Feliciano iniciou sua entrevista no programa Mundo Corporativo. Mesmo com a ressalva de que prefere as histórias aos números, o consultor recorreu às estatísticas para dar noção do grande caminho que se tem para equilibrar a balança étnico racial no ambiente empresarial.

Ele próprio encontrou barreiras na sua trajetória profissional, o que somado ao racismo estrutural e a falta de oportunidade que atinge mulheres e homens negros, o levou a se dedicar no treinamento e mentoria de carreiras. Emerson criou o curso Mentoria P&D – Profissional e Diferenciado e trabalha com o objetivo de permitir que profissionais de diversos níveis dentro da empresa alcancem mais rapidamente seus objetivos de promoção.

“Quando a gente fala do negro, o modelo de pensamento não é voltado para o sucesso. Porque quando ele decide fazer uma faculdade, uma pós-graduação, a primeira palavra de cancelamento vem de casa: o que você vai fazer com isso? Isso é muita para você? Na sua família ninguém fez faculdade”.

A falta de referências também é apontada como uma barreira mental que os negros enfrentam no cenário corporativo. Emerson diz que basta fazer o “teste do pescoço”: levante o pescoço e olhe ao seu entorno, veja quantos negros são líderes dentro das empresas, quantos são os que dão aula na universidade, quantos são os militares que ocupam os postos mais altos …

“Claro, se a gente for olhar para trás,  quanto a gente pensa neste racismo estrutural e racismo institucional, vemos que pouco o negro ocupou os lugares de “poder” dentro da sociedade. Isso é uma marca que a gente precisa aos poucos quebrar e eu, dentro do mundo corporativo, converso com os meus colegas diretores para que a gente vá quebrando cada vez mais esse racismo”.

A mudança de mentalidade é um dos cinco pilares com os quais Emerson Feliciano trabalha no desenvolvimento de profissionais e na preparação para a ascensão nas empresas. Vamos a eles:

  1. Mudança de mentalidade
  2. Propósito (por que e por quem você está fazendo aquilo?)
  3. Habilidades comportamentais
  4. Preparação
  5. Ação

“O conhecimento é estático, é como uma moeda de ouro lá no fundo do oceano. Você sabe que está lá, mas no fundo do oceano não vale nada. Você precisa de ação para fazer esse seu conhecimento se destacar”.

Para as empresas, o recado de Emerson é quanto ao potencial que está sendo desperdiçado a medida que se mantém os padrões anteriores e se impede a diversidade étnico-racial. A começar por mudar seus indicadores de lucro pelos indicadores de desempenho: satisfação do cliente, imagem da empresa e diversidade, por exemplo. O instituo McKinsey mostrou em pesquisa realizada em 12 países de que as empresas que investem na diversidade lucram 36% a mais:

“… porque quando você coloca essas pessoas que vêm de culturas diferentes para pensar juntas, cara, isso gera uma inovação que as empresas ainda não conseguiram entender o poder desse ativo. Quando conseguirem certamente a gente vai vai investir muito mais na diversidade.

Assista à entrevista completa com o consultor Emerson Feliciano, no Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo, Bruno Teixeira, Renato Barcellos, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: empresas tem de ser onipresentes na jornada do consumidor, diz Lyana Bittencourt

Foto de Mikhail Nilov no Pexels

“Nesse mundo atual, ninguém sabe tudo, ele é colaborativo, ele é integrado, ele é co-criado. E isso Isso muda. Isso muda as empresas”

Lyana Bittencourt

Ao entregar um cartão de visita é comum a empresária Lyana Bittencourt, CEO do grupo que leva o nome da família, ouvir seus interlocutores perguntando se foi o pai quem fundou a organização. “Foi a mãe”, responde com orgulho. Sim, foi Dona Cláudia quem, há 36 anos, abriu a empresa que presta serviço, orientação, conhecimento e estratégia de atuação para redes de negócios. E abriu, também, caminho para Lyana dar sequência ao trabalho que hoje atende cerca de dois mil clientes:

“Minha mãe deve ter vivido (essa situação) mais ainda, mas eu, quando eu ia para as reuniões, não tinha uma mulher disputando comigo, eram só empresas lideradas por homens. Meus principais competidos são liderados por homens. A nossa é a única feminina. E feminina em espírito”.

A despeito disso, ser uma referência como liderança feminina não é o seu propósito. Ao menos não é essa a intenção quando acorda pela manhã. Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Lyana disse que o que busca é fazer o seu melhor trabalho, ter uma empresa admirada e ajudar os clientes a realizarem seus sonhos. Entende que ser líder é consequência de um bom trabalho. Como sugestão às mulheres – e homens, também – que pretendem assumir o comando dos seus próprios negócios, recomenda:

“Esse foi um aprendizado que tive com a minha mãe desde muito cedo. Ame aquilo que você faz, descubra algo que te faça acordar; e seja verdadeiro no que você faz. O mundo não tolera mais o fake, o disfarçado”. 

E por falar em mundo … o desafio do momento é entender quais cenários permanecerão em pé depois da experiência que vivenciamos nesta pandemia. Lyana Bittencourt, que realiza consultoria especializada no desenvolvimento, gestão e expansão de redes, enxerga que as empresas terão de ser mais líquidas, flexíveis e adaptáveis. Terão de interpretar as demandas do consumidor omnichannel, que quer ser atendido da maneira que deseja, no local em que estiver e pelo meio que lhe convier.  Ou seja, nem só físico nem só digital: figital. 

“E se as empresas não estiverem atentas a serem essa solução completa que o consumidor deseja, elas vão perder para outras empresas que estão mais completas e mais onipresentes na jornada. Então, eu quero ser uma marca onipresente. Eu tenho que estar no celular do consumidor. Eu tenho que ter a loja. Eu tenho que ter o meu e-commerce. Eu tenho de ter meu market place”. 

Assista ao Mundo Corporativo com Lyana Bittencourt, do Grupo Bittencourt, que fala de outras estratégias necessárias para as empresas estarem sintonizadas com o momento atual.

O Mundo Corporativo tem a colaboração de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: César Souza apresenta 5 lições que temos de aprender com o sucesso da Magalu

“O líder, hoje, tem que estar ligado com essas palavras, que são bonitas, mas tem que ser praticadas: compaixão e amor. Tem que entender a dificuldade dos outros e buscar soluções para a dificuldade dos outros”

César Souza

Se quiser copiar e colar a frase acima e publicar nas suas redes sociais, sem problema. Agradeço de coração! Agora, se for para copiar e colar fórmulas aplicadas por empresas de sucesso, muito cuidado. O alerta é de César Souza, empreendedor de nascença, consultor por profissão e um fã das boas práticas de gestão. Essa é uma das lições que aprendeu ao longo da carreira e compartilhou com os ouvintes, em entrevista ao Mundo Corporativo, quando falou do seu último livro “O jeito de ser Magalu”, o primeiro de uma série em que analisa a história, a estratégia e o desempenho de algumas das principais empresas brasileiras, que podem inspirar os empreendedores:

“Deve servir de inspiração para cada um olhar para sua realidade, e ver o que é que pode fazer dentro da sua própria realidade; e não, simplesmente, aquela ideia, já desbotada, do benchmark, que muita gente vai atrás para ver como é que funciona uma outra empresa para trazer, para copiar, na minha empresa. Eu acho que copiar não funciona”.

Magazine Luiza surge quando o casal Luiza Trajano e Pelegrino José Donato compra a Loja Cristaleira, em Franca, no interior de São Paulo, em 1957. Antes mesmo de inaugurar o novo negócio, Luiza revela uma característica que marcaria o grupo ao longo de sua trajetória: foi a uma rádio local e lançou concurso para que os ouvintes escolhessem o nome da loja. Essa prática está dentro do conceito que César Souza identifica como o da clientividade, que é “colocar o cliente no centro do seu modelo mental, no centro do seu coração, no centro das suas decisões” 

Da ação no fim dos anos 1950 à expansão da rede, da loja do interior paulistano que se transformou em marca nacional à transformação digital, a Magazine Luiza passou por três sucessões —- o que, por si só, já é um tremendo desafio poucas vezes vencido pelas organizações, no Brasil. A fundadora Luiza Trajano entregou o comando para a sobrinha, Luiza Helena. Por um período, a empresa esteve nas mãos de um profissional de mercado, fora da família, Marcelo Silva, que fez a transição para Frederico Trajano, filho de Luiza Helena, e responsável pelo avanço tecnológico que levou a empresa a um outro patamar.

A sucessão exemplar é a primeira de cinco lições elencadas por César Souza que se deve aprender ao analisar a história da Magazine Luiza.  Outra — e já falamos dela — é colocar o cliente no centro do negócio. A lista se completa com a paixão pelas pessoas e equipes, a tecnologia humanizada e o senso de propósito:  

“A Magalu não é uma empresa grande é uma grande empresa. É uma neo empresa … as verdadeiras empresas do século 21. Porque ainda vemos empresas grandes aqui no Brasil que estão no século 20. A Magalu está em 2030. E tem capacidade de servir de exemplo para muitos empreendedores que estão começando os seus negócios”.

Para aprender com as lições ensinadas pela Magalu — sem precisas apenas copiar e colar —-, ouça a entrevista completa com César Souza, no Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois, recomenda Anne Wilians

Foto de Roberto Hund no Pexels

“O que ele busca é necessariamente um impacto na transformação das pessoas. Essa é uma das primeiras características do negócio social”

Anne Wilians, empreendedora social

A inteligência emocional pode ser aprendida e desenvolvida; e se assim o é, precisa ser exercida no cotidiano. A lógica que abre esse texto não é recente. Foi apresentada ainda nos anos 1990, pelo psicólogo e jornalista Daniel Goleman. Foi dele a provocação de que o QE fala mais alto do que o QI. Muito antes, ainda nos anos 1920, Edward L. Thorndike, já havia usado a expressão ‘inteligência social’ ou a capacidade de entender e motivar outras pessoas. Mas foi Goleman, quem popularizou o debate sobre o tema, em ‘Inteligência Emocional’, livro que vendeu aos borbotões mundo a fora. 

A partir dos pensamentos de Goleman, muitas pessoas se inspiraram a trabalhar a autoconsciência, a auto-motivação, a capacidade de nos relacionarmos, a empatia e a consciência social. A advogada e administradora Anne Wilians certamente está entre as seguidoras desse californiano, nascido em 1946, como se percebe no projeto que realiza no Instituto Nelson Wilians, apresentado como o ‘braço social’ de uma das principais bancas de advogados do Brasil, que tem à frente o marido dela:

“Eu tenho que ter uma consciência social, de entender onde que eu tô inserida. Quais são as dificuldades do meio que eu tô inserida. O que eu posso agregar nesse meio; o que eu não posso”.

Anne Wilians é autora do livro “Empreendedorismo Social Feminino”, publicado em versão digital, uma espécie de caixa de ferramenta para quem pretende montar seu negócio, considerando que o foco de um empreendimento de caráter social é o impacto no desenvolvimento das pessoas e da comunidade. Em entrevista ao Mundo Corporativo, Anne diz que o propósito desse negócio tem de ser a transformação que o empreendedor pretende provocar, e para que isso se torne permanente, o negócio social tem de ser sustentável e de longo prazo. O lucro não deve ser o impulsionador da ideia, o que não significa que deva ser desprezado — é o que pensa Anne, agora inspirada em outro projeto que há 15 anos incentiva a criação de negócios sociais, no Brasil:

“A Artemísia, que é uma das grandes mestres que trouxe o negócio social para Brasil, fala que entre gerar impacto e ganhar dinheiro, fique com os dois”. 

No Instituto, os programas oferecem conhecimento a homens e mulheres; enquanto no livro, Anne foca a necessidade de se abrir espaço para que elas  sejam as protagonistas do seu próprio negócio. Entende que, com a pandemia, o mercado está mais sensível para empreendimentos sociais, mas ainda existe uma discrepância de valores. Segundo Anne, 95% dos investimentos estão concentrados em projetos liderados por homens. 

“As mulheres são muito mais preparadas academicamente — a gente chega no nível de graduação, no nível de pós-graduação — mas ainda assim a insegurança não permite que a gente acesse alguns meios. Então, é preciso trabalhar com isso para que a gente consiga esse espaço”.

Trabalhar o conhecimento socioemocional de jovens até 29 anos — e aqui voltamos a Goleman — é um dos objetivos dos programas criados com parceiros de negócios, desde 2017, quando o instituto foi criado. Tempo suficiente para impactar cerca de 24 mil pessoas, nos cálculos de Anne. Ao longo desse tempo, a fundadora e diretora-presidente do INW, diz ter percebido que os jovens estão muito mais interessados na busca de soluções para os problemas que atingem suas comunidades e pensam de forma mais inclusiva:

“Eles estão muito mais sensibilizados. Você quando traz uma possibilidade de um negócio para um jovem, ele já, certamente, vai te oferecer uma solução social. Ele vai te trazer ideias e são ideias que têm transformação social incutidas nelas”

Assista à entrevista completa com a fundadora e CEO do Instituto Nelson Wilians, ao Mundo Corporativo.

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.