Conte Sua História de São Paulo: os pássaros da floresta da Nove de Julho

 

Por Fábio Caramuru
Ouvinte da CBN

 

 

Meu nome é Fábio Caramuru, sou pianista e parabenizo toda a equipe da CBN pelo trabalho (mais sobre mim no site http://www.fabiocaramuru.com.br ).

 


Quando eu era criança, com cinco ou seis anos de idade, morava lá perto da Avenida Nove de Julho. E a avenida era muito movimentada, difícil de atravessar

 

Eu me recordo de alguns detalhes interessantes: a primeira coisa que me vem na cabeça é esse Colégio Assunção, que ficava na Avenida Nove de Julho com a Alameda Lorena, em frente da escola onde eu estudava –- até hoje o Assunção está lá, tem aquela capelinha. E há agora um supermercado em parte do terreno, no qual havia uma floresta que era uma coisa impressionante.

 

Não sei se essa floresta era de eucaliptos – tenho quase certeza de que era – tinha ficus, uma série de árvores; e aquilo ficava em frente, pegava toda aquela fachada da Avenida Nove de Julho, uma imensidão de árvores.

 

Você passa hoje lá e não consegue entender por que tem aquilo tudo construído. Lembro que no fim da tarde uma coisa que me chamava muito a atenção era aquele canto dos passarinhos se recolhendo, aqueles pardais, aquela algazarra, aquele barulho. Era uma coisa muito bucólica pra São Paulo: uma floresta em plena Avenida Nove de Julho.

 

Eu me recordo dessa passagem e lembro de ouvir os pássaros no fim da tarde quando começava a escurecer. Lembro também que no trajeto quando a gente cruzava a Alameda Lorena e chegava na Rua Pamplona que era toda de paralelepípedos e tinha o bonde: bonde subindo, bonde descendo.

 

Era incrível aquela São Paulo que vivi!!!

 

Fábio Caramuru é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Para contar outras capítulos da nossa cidade, escreva o seu texto e envie para contesuahistoria@cbn.com.br
 

Foto-ouvinte: placa de rua lembra assassinato de Herzog

 

Protesto na placa

 

A frase “Herzog-Morto pela ditadura” foi escrita com tarja preta em uma placa de rua da Av Nove Julho com a rua João Adolfo, em frente ao Edifício Joelma, na Praça da Bandeira, centro. De acordo com Devanir Amâncio, da ONG Educa SP, que flagrou a imagem, “os garis dizem que havia várias placas pichadas com os mesmos dizeres ao longo da avenida que homenageia a Revolução de 32”.

Foto-ouvinte: Chafariz “revitalizado” na Nove de Julho

 

Por Marcos Paulo Dias

 

Chafariz

Já que a prefeitura não passou por lá, o artista foi.

O recado foi dado aqui no Blog do Mílton Jung, em 28 de maio de 2010, no post “Nove de Julho desrespeitado”:

O Túnel 9 de Julho pode ser considerado um patrimônio? Lancei a questão no Google e, logo, veio a resposta, no sítio da Prefeitura: ”Com 460 metros de extensão, foi o primeiro túnel da cidade e, durante muito tempo, considerado em símbolo da modernidade da metrópole.” Hoje, o que se vê por lá é muita sujeira, resto de alimentos, descaso e abandono. O chafariz permanece desligado, além do vazamento em um dos canos na parte interna. Acumula lixo e, também, água da chuva, o que facilita a proliferação de insetos. Moradores de rua usam o espaço como dormitório.

Voltei lá semana passada (21/09/11), um ano e quatro meses depois e a situção é a mesma, nada mudou. Melhor, pouca coisa mudou. Encontrei dois grafites, talvez com a intenção de contribuir com a revitalização do local ou chamar atenção para o descaso. Infelizmente não posso dizer o nome do artista, pois não tive a sorte de encontrá-lo. O que eu ainda não consigo entender é o descaso da Prefeitura com o patrimônio da nossa cidade.

Foto-ouvinte: Cafezal da 9 de Julho

      
                                   

 

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP

Estátua Colhedor de Café

São Paulo está longe da “cidade ideal”, mas  a escultura “Colhedor  de Café “, obra de Lecy Beltran  na Avenida Nove de Julho, Jardim Europa, para homenagear os plantadores de café de São Paulo, é um exemplo  de monumento bem cuidado entre os muitos semidestruídos da região central. A escultura tem um pé de café de cada lado, carregado de flores e frutos. Pedestres  de diferentes classes sociais param, admiram e  degustam  ali mesmo grãos maduros e impuros. Não importa se  são impróprios  para o consumo humano.

Moradores da Rua Turquia garantem que o café do Jardim Europa é uma delícia, as crianças adoram. No domingo,16 de janeiro, o eletricista  Evandro José de Andrade, enquanto colhia alguns grãos acompanhado da filha Beatriz,  recordou  seu tempo de infância em Fernandópolis, interior de São Paulo – onde nasceu, cresceu e trabalhou numa fazenda de café. Evandro  ainda lembrou   do maior bem da  família: um rádio. Todas as tardes ouvia ‘Flor do Cafezal’  de  Cascatinha e Inhana.
 

Meu cafezal em flor quanta flor meu cafezal…  
Passa-se o tempo vem o sol ardente e bruto
Morre o amor e nasci o fruto no lugar de cada flor
Passa-se o tempo em que a vida e todo encanto morre o amor e nasce o pranto
Fruto amargo de uma dor
Meu cafezal em flor quanta flor meu cafezal
Ai menina meu amor minha flor do cafezal
 

O “benefício” da progressão penal

 

Por Paulo Fernandes Lira
Advogado e Ouvinte-internauta do CBN SP

Está correto pensarmos que ao mandar um homem preso para a cadeia estamos resolvendo um problema social? Que, após o devido processo legal, se condenado, será reintegrado à sociedade por nosso sistema carcerário?

Ao responder esses e outros questionamentos correlatos, digo que não, pois sob o fundamento de resolver questões sociais tão graves, como a violência e a criminalidade, encarceram-se pessoas em verdadeiras universidades do crime, esquecendo-se que elas voltarão piores do que quando lá ingressaram, e portanto, para que serviu o cumprimento da pena aplicada, senão para piorar aquele cidadão e ainda, onerando o erário estatal. Mas a essas perguntas, das quais já nos demoramos muito para responder, sofremos os efeitos nefastos que estão aí para quem quiser ver, o galopante e desenfreado aumento da criminalidade, da pobreza, do analfabetismo, etc…

Contudo, o fato é que, vivemos num Estado de Direito, democrático, em que devemos obediência às leis e ao cumprimento destas, e desse modo não podemos nos esquecer que a Lei de Execuções Penais vigente em nosso país prevê a progressão da pena ao condenado, assim como o direito a saída temporária, nos casos nela previstos, desde que cumpridos seus expressos requisitos.

Assim que, tanto pela saída temporária do preso ou a progressão da pena, que nesse último caso é a mudança de regime para outro menos gravoso, temos que são direitos do condenado e uma obrigação do Estado, por força de Lei.

No que se refere à matéria do Estadão de 24/10/10 “ As fugas de sempre” (pg. A3), em que pese a coerência de suas ponderações, cumpre-nos observar que, como operador do Direito, o Juiz das execuções está adstrito ao cumprimento da Lei, não lhe cabendo suprimir ou criar direitos. Como se diz “ O Juiz é a boca da lei” É o Estado-Juiz quem deverá analisar se o preso condenado preenche as previsões legais para obter o benefício por ele requerido, que em caso positivo deverá ser concedido, sob pena de ser reformado na instância superior.

Não concordo com o que foi dito “Com os juízes pressionados a conceder benefícios indiscriminadamente, pois estão assoberbados de trabalho e não tem tempo de analisar caso a caso…”. Não se trata de mera liberalidade do Estado-Juiz em conceder ou não, está previsto em lei e dependem, exclusivamente, da satisfação de requisitos pré-determinados na Lei de Execuções Penais. Vejamos o que dizem os artigos 112 e 123 da referida lei.

“Art. 112. A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso, a ser determinada pelo juiz, quando o preso tiver cumprido ao menos um sexto da pena no regime anterior e ostentar bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão.”

“Art. 123. A autorização será concedida por ato motivado do juiz da execução, ouvidos o Ministério Público e a administração penitenciária, e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos:

I – comportamento adequado:
II – cumprimento mínimo de um sexto da pena, se o condenado for primário, e um quarto, se reincidente;
III – compatibilidade do benefício com os objetivos da pena.

Temos que, ainda que o magistrado, em seu íntimo e por sua experiência de vida, entenda de maneira diversa, deverá dizer a lei por meio de suas decisões.

Desse modo, não podemos atribuir ao juiz da execução o ônus de, por mera liberalidade conceder ou não a progressão da pena ou a saída temporária do preso, pois não se trata de um juízo de valor pessoal e sim de uma previsão legal, e como tal deve ser cumprida.

Cabe portanto à sociedade, por meio dos nossos representantes, adequar as leis aos nossos tempos.

Foto-ouvinte: Lixo descartado na avenida

 

Descarte no centro

Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP
 

A cena mostra a necessidade de  mudança cultural profunda no hábito de sujar a cidade. Restos de  mudança (móveis,televisor e máquina de lavar roupas) foram deixados na Avenida Nove de Julho, na manhã de segunda – feira 11/10,em frente ao número 683. Se reciclado o que há no local , ajudaria a mobiliar uma casa. O Centro  é o  que mais sofre com esse tipo de agressão ambiental. A criação de novo modelo de ecoponto  poderia, e muito,  minimizar o problema.
 

“Chove” no túnel Nove de Julho

 

A imagem é comum para quem usa o túnel Nove de Julho, mas assusta mesmo assim. A água jorra do teto de pedra como se estivesse chovendo lá dentro. E no dia que o ouvinte-internauta e colaborador Marcos Paulo Dias gravou o vídeo para publicar aqui no Blog não chovia há alguns dias na cidade.

Fomos buscar o esclarecimento com a prefeitura que enviou a seguinte resposta:

“O vazamento de água no túnel Nove de Julho é proveniente do lençol freático e não compromete a estrutura do túnel. É uma ocorrência normal, pois não é possível estancar 100% do lençol freático, e está presente nos túneis da Rodovia dos Imigrantes, por exemplo. Quando essa vazão passa a prejudicar o trânsito – não é o que acontece no túnel Nove de Julho – é colocada uma bandeja sob o teto do túnel para conduzir a água para fora do leito carroçável, para as canaletas das laterais”

Foto-ouvinte: Nove de Julho desrespeitado

 

Túnel Nove de Julho

“O Túnel 9 de Julho pode ser considerado um patrimônio? Pois é, Lancei a questão no Google, e logo veio a resposta, no sítio da Prefeitura: ” Com 460 metros de extensão, foi o primeiro túnel da cidade e, durante muito tempo considerado em símbolo da modernidade da metrópole.”

Hoje, o que a gente pode ver por lá é muita sujeira, resto de alimentos, descaso, abandono, o chafariz permanece desligado, além do vazamento em um dos canos na parte interna, acumula lixo e, também, água da chuva, o que facilita a proliferação de insetos. Devido o abandono por parte dos órgãos responsáveis, moradores de rua estão utilizando o local como dormitório”.

O recado é do ouvinte-internauta Marcos Paulo Dias que não consegue entender o descado da prefeitura com o patrimônio do município. Para ver a situação do túnel, clique na foto é veja uma série de imagens disponívels no álbum do CBN SP np Flickr.

Nove de Julho tem Fonte da Dengue

 

Chafariz da 9 de Julho

“Acabo de receber uma ligação de ‘prestação de serviço da prefeitura de São Paulo’. Na gravação, a campanha sobre como se prevenir da dengue. Será que o responsável pela fonte próximo ao Túnel da 9 de Julho já recebeu esta ligação, também ?” – e-mail que recebi de Marcos Paulo Dias, fotógrafo e autor da mensagem.

Caso o responsável pela fonte queira saber o risco que ele impõe a cidade com esta água parada, deico aqui o link para o site da prefeitura sobre dengue (clique aqui). Se você estiver interessado no assunto, clique também.