Conheça ônibus da nova empresa de Mauá

(Com atualização às 14:08)

 

Grupo de Curitiba deve começar a operar ainda em agosto e pretende transformar o transporte de passageiros de uma das cidades mais carentes de ônibus da Grande São Paulo.

Ônibus da Leblon

Por Adamo Bazani

O ônibus que você vê com exclusividade neste post passará a rodar em Mauá com o desafio de mudar o cenário de um dos sistemas de transportes mais complicados na região metropolitana de São Paulo. É de propriedade da Leblon Transporte, do Paraná, que ganhou a licitação do segundo lote operacional, em 2008, mas que ainda não presta serviço porque o Grupo TransMauá contesta na justiça o resultado do certame.

A TransMauá, atualmente, opera sozinha todas as linhas de ônibus do município. No lote 1, através da Viação Cidade de Mauá, antiga Barão de Mauá; e no lote 2, pela Viação Januária.

A prefeitura admitiu que a cidade tem um dos sistemas mais complexos e carentes da Grande São Paulo. Além de investimentos públicos em obras a partir de um cronograma de pavimentação e recapeamento de vias, reformas de terminais e mudança em algumas das principais linhas, a aposta é que a entrada de nova empresa no setor represente melhora significativa no serviço prestado.

Ao permitir que mais de um grupo opere na cidade, algo que há muito tempo não ocorria, Mauá estimulará a disputa pelo passageiro resultando avanços na qualidade do serviço.

Até aqui o que se vê é a troca de ônibus velhos por ônibus um pouco mais novos. Às vezes são colocados nas linhas carros “zero quilômetro”, mas apenas o mínimo exigido para atender as leis de acessibilidade e reduzir a idade média da frota, também uma demanda legal. A Leblon colocará em Mauá uma frota novinha em folha. Todos os ônibus serão “zero quilômetro” como este Torino, da foto exclusiva. Os ônibus serão carroceria Marcopolo, incluindo micros, midis (micrões) e articulados Volvo, modelo Gran Viale. Serão 75 em operação mais carros reservas, totalizando 86.

Outra boa expectativa em relação à entrada da Leblon é a tradição e o retrospecto do grupo empresarial de Curitiba. A capital paranaense que é referência mundial em transporte público, desde 1974, com a implantação do primeiro BRT (Bus Rapid Transit) do planeta, conta com os serviços da Leblon há várias décadas.

Em 1969, a empresa começou com serviços escolares e fretamento. Em 1982, entrou para o serviço urbano no Paraná, com a linha Fazenda Rio Grande. No ano de 1989, foi a primeira empresa a integrar o sistema integrado da Região Metropolitana de Curitiba.

ônibus da Leblon tem águiaHaroldo Isaak, proprietário do Grupo Leblon, falou sobre o que a empresa vai oferecer de diferente para os passageiros de Mauá:

“Além de seguir todas as normas de segurança, conforto e acessibilidade, vamos oferecer mais ainda para os passageiros e nossos funcionários em Mauá. Os ônibus serão dotados de câmeras internas e externas para inibir a violência, a evasão de receitas, o vandalismo e até mesmo elucidar acidentes de trânsito. Todos terão cofres temporizados, o que também inibe a ação de criminosos, proporcionando mais segurança a quem trabalha e viaja”.

Haroldo aproveita para lembrar das conquistas obtidas pelo Grupo Leblon Transporte no setor:

“Somos a empresa de ônibus urbanos mais antiga em operação a ter o ISO 9000, certificado de qualidade obtido em 1997, com o processo para a certificação iniciado em 1995. Fomos finalistas do Prêmio da ANTP – Associação Nacional dos Transportes Públicos, o que nos orgulha muito, mostra que nosso trabalho está no caminho certo. Mas sempre vamos partir para uma melhora constante.”

A águia pintada na lataria do ônibus com efeito formado por qautro rostos é símbolo da empresa e tem o intuito de evidenciar as principais características do animal: visão, força e agilidade.

“Esperamos trazer o melhor para Mauá e, logo de início, instruir nossos funcionários a valorizar quem usa ônibus, que não é apenas um usuário, mas um cliente” – diz Haroldo.

A estimativa é de a empresa começar a prestar serviços já neste mês de agosto

Adamo Bazani, repórter da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung

Ônibus movido a passageiro

 

Onibus movido a passageiro
Por Devanir Amâncio
ONG Educa SP

Não é fácil andar de ônibus em São Paulo.

Na tarde de sexta-feira(30/7), às 16h10,um ônibus quebrado – de bancos duros – propiciou um belo espetáculo de solidaridade para quem estava passando pela Rua Roberto Simonsen, no Centro. O veículo, de número 81 895, da Empresa Transpass-Consórcio Sudoeste, que faz a linha Jardim Bonfiglioli-Belém, abriu o bico naquela rua estreita que remete a São Paulo do século XIX. E tanto transtorno produziu em curto tempo que o motorista, desesperado, recorreu à boa vontade dos homens simples , inclusive aos próprios passageiros. Cerca de 10 juntaram forças e entre um “agora e vai !”, fizeram o ônibus pegar no tranco para seguir viagem. Sob aplausos, partiu soltando tochas de fumaça preta. João Luís, o João da Marmita , desabafou : “Só faltava essa!.. Precisar empurrar ônibus para ir trabalhar.”

O problema remete ao curioso cenário do transporte público na Cidade. Pelo seu potencial econômico, a atividade certamente fez dos permissionários um núcleo empresarial de causar inveja. E pelo que se lê na imprensa, essa mesma circunstância deu-lhes grandes poderes políticos, que, é claro, não revertem em favor da população usuária. Eles adotam, conforme o dito popular, apenas a política do “venha a nós”, sem nada dar em troca, como atesta a pane – fruto da má manutenção – sofrida na Rua Roberto Simonsen, altura do número 62. Com certeza, o esforço das pessoas que o empurraram não será levado em conta no próximo pedido (e as pressões recorrentes) de aumento das tarifas. Para usar um recurso literário, a população continuará empurrando seus lucros.

Aos 133 anos, São Caetano tem negócio de família

 

No setor de transportes, duas famílias se destacaram e tiveram participação importante no desenvolmento da cidade do ABC Paulista que comemorou mais um aniversário, nesta semana

BENFICA

Por Adamo Bazani

Dizem que a família é a estrutura da sociedade e sem uma família unida é impossível ter sucesso. A história de duas famílias empreendedoras no setor de transportes confirma essas máximas na cidade de São Caetano do Sul, que completou 133 anos em 28 de julho. Aliás, boa parte dos negócios da cidade ainda é baseada em estruturas familiares, mesmo abrigando gigantes internacionais como a General Motors que está por aqui desde 1930.

Tais famílias presenciaram o simples distrito de Santo André se tornar município independente, com um dos melhores índices de qualidade do País, segundo o IBGE.

Assim como em todas as cidades, os transportes foram fundamentais para o crescimento urbano e integração entre o local de trabalho e a casa de operários e profissionais. Além disso, os desbravadores urbanos do transporte também integravam os municípios que cresciam cada vez mais e se aproximavam de maneira a confundirem seus limites.

São Caetano do Sul teve várias empresas de ônibus. Porém duas delas, sem desmerecer as outras, sintetizam bem a época em que a cidade cresceu muito e sofrer com a carência de mobilidade urbana: o Grupo Benfica e a Vipe – Viação Padre Eustáquio.

A história das duas famílias responsáveis por estas empresas começa em lugares bem diferentes.

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Corredor de ônibus inaugura após 24 anos

 

Alambrado Cupece

Governador e prefeito estavam no palanque. Os ônibus só começam a passar por lá amanhã. Mas a falta de educação já deixa suas marcas no corredor de ônibus que liga a cidade de Diadema ao Brooklin, zona sul de São Paulo, passando por São Caetano e Santo André.

O alambrado usado para dividir as pistas foi ‘rebaixado’ por pedestres que preferem correr o risco de morrer atropelado a atravessar nas faixas de segurança. A repórter Luciana Marinho também notou que algumas medidas que deveriam ser adotadas pelo poder público também ficaram de lado, como a sinalização horizontal em trechos do corredor. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) disse que isto é normal em uma obra desta dimensão.

O que não é normal é uma obra durar 24 anos como esta do corredor Diadema-Brooklin. Uma história que se iniciou no governo Franco Montoro e que somente em 2007 foi retomada. Esta demora, aliás, deixou o promotor Saad Mazloum de orelha em pé. Ele resolveu acompanhar de perto a retomada dos trabalhos e ficou satisfeito em saber que, finalmente, o trecho passará a ser usado pelo cidadão.

Mazloum também ganhou a garantia de quem em cerca de 40 dias a empresa Metra, operadora do corredor de ônibus, utilizará veículos elétricos híbridos em lugar dos movidos a diesel que estarão rodando a partir de amanhã. A empresa pediu um prazo para adaptar os veículos.

Ouça a entrevista com Saad Mazloum, ao CBN SP

O promotor Saad Mazolum que tem dedicado parte de seu trabalho a investigar irregularidades no transporte público de São Paulo mantém o Blog do Ônibus, no qual recebe denúncias de problemas no serviço.

Leia mais informações sobre o corredor Diadema-Brooklin na coluna Ponto de Ônibus, de Adamo Bazani, publicada aqui no Blog do Mílton JUng.

Corredor da EMTU terá linhas municipais

 

Via segregada que começa no ABD Paulista terá 14 linhas que rodam apenas na capital e custará R$ 22,9 milhões ao Estado

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Por Adamo Bazani

As linhas municipais de São Paulo poderão trafegar pelo corredor metropolitano entre Diadema, no ABC Paulista, e a região central da capital paulista. No total, 14 linhas municipais terão acesso a esta via (confira no fim do texto). A informação foi confirmada ao “Ponto de Ônibus”, esta coluna aberta no Blog do Mílton Jung, que vem acompanhado todos os detalhes relacionados a retomada das obras no corredor. De acordo com a EMTU, a nova data para inauguração da via é 31 de julho.

A conclusão do corredor vem sendo esperada há 25 anos, desde o governo estadual de André Franco Montoro. E se você clicar no link do “Ponto de Ônibus”, na coluna da direita do Blog, verá que já mostramos a história das obras, a importância desta ligação e, recentemente, apresentamos com exclusividade as adaptações feitas nos ônibus intermunicipais da operadora Metra, que terão porta e esquerda e duas catracas.

Os passageiros da cidade de São Paulo mais beneficiados pelo corredor segregado serão os que têm destino ao Jardim Miriam, na zona sul. Além da possibilidade de ligação com a estação Morumbi da CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, onde haverá um terminal para os ônibus da Metra -, o corredor terá uma linha para uma estação do metrô já em funcionamento, a Estação Conceição. O trajeto contemplará também uma linha de ônibus noturna que ligará o Jardim Luso até o Terminal Amaral Gurgel, na região central da Capital Paulista.

O próximo passo agora que acompanhamos é a adoção de veículos com tecnologia limpa no novo corredor que deve receber inicialmente ônibus elétricos híbridos, que possuem um motor gerador a diesel e um motor de tração elétrico e possibilitam redução nos níveis de poluentes em mais de 30%. O motor diesel funciona constantemente até 1.800 rotações por minuto. Passando deste índice quem traciona (faz o ônibus se movimentar) é o motor elétrico. A energia gerada pelo diesel que não é aproveitada vai para baterias de armazenamento. Quando numa subida ou em condições mais severas o ônibus precisar de uma força além da gerada, o sistema faz uso da energia das baterias.

Grupos ligados a reivindicações sobre qualidade de vida e meio ambiente na Grande São Paulo e Capital futuramente esperam a eletrificação deste corredor, como é o caso da Organização Não Governamental, Movimento Respira São Paulo.

O trecho fará parte do corredor metropolitano ABD São Mateus – ZonaLeste/Jabaquara – zona Sul via Santo André, Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema.

Foram investidos R$ 22,9 milhões nas obras. O corredor de 12 quilômetros terá 18 estações de embarque e desembarque pelo lado esquerdo dos ônibus, metropolitanos ou municipais, no nível do assoalho do ônibus. O traçado engloba vias importantes como Avenida Pres. Kennedy, no município de Diadema, além das Avenidas Cupecê, Vereador João de Luca, Professor Vicente Rao e Roque Petroni Júnior.

A expectativa é que além de aumentar a velocidade das viagens, a ida dos ônibus para o corredor alivie o trânsito nestas vias.

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Cobradores devem voltar aos ônibus de Santo André

 

Após recesso, vereadores da cidade do ABC Paulista discutem o retorno da função dos cobradores de ônibus. Há proposta, inclusive, para extinguir os micro-ônibus

Curuçá, micro-ônibus em Santo André

Por Adamo Bazani

A pauta da Câmara de Vereadores de Santo André está lotada. Além de o Orçamento Municipal, a polêmica questão do Código de Ética e Decoro Parlamentar Municipal que se arrasta há mais de 12 anos promete muitas discussões. Mas os vereadores também têm outros assuntos considerados delicados para discussão. A maior parte deve ser debatida após as eleições de outubro.

Entre os temas em destaque está a volta dos cobradores nos ônibus do sistema municipal. Um dos vereadores a encabeçar a proposta é José Montoro Filho, o Montorinho, do PT. Segundo o parlamentar, a ausência dos cobradores acarreta vários problemas. O primeiro é a falta de segurança no trânsito. Para receber o dinheiro das passagens, fazer troco e liberar a catraca, os motoristas, segundo ele, correm o risco de se distrair e se envolver em acidentes. Isso porque, após fechar as portas, para evitar congestionamentos e driblar a impaciência até mesmo de colegas de trabalho parados no ponto logo atrás, o motorista já tem de colocar o ônibus em funcionamento, mesmo ainda cobrando as passagens dos usuários que acabaram de embarcar.

Outro aspecto é em relação à qualidade de vida e de trabalho dos funcionários. Numa reunião entre os vereadores e o Sindicato dos Rodoviários do ABC Paulista, na Câmara, a entidade representativa dos trabalhadores afirmou que aumentou o número de afastamentos por conta de estresse e depressão (leia mais sobre o assunto aqui). “O motorista se sente muito pressionado, é muita responsabilidade para ele” – afirmou Montorinho.

O Sindicato afirma que o acúmulo de funções é ilegal e fere dispositivos constitucionais.

A preferência dos usuários pela figura do cobrador nos ônibus também foi discutida. Segundo os debates, os passageiros se sentem mais seguros com a presença do profissional no ônibus, que acaba não servindo apenas para receber dinheiro e dar troco, mas torna-se um auxiliar do motorista, informando os passageiros, identificando itinerários para condutores novos e controlando a entrada e saída de usuários.

Atualmente, na cidade de Santo André não possuem cobradores apenas os micro-ônibus e os midis (micrões) que juntos, representam cerca da metade do sistema municipal que conta com quase 300 ônibus. Há empresas que sequer possuem uma única linha com cobradores.

Montorinho pede a presença destes profissionais até nos micro-ônibus.

Já o vereador Antônio Leite, também do PT, foi mais enfático. Ele quer a retirada dos micro-ônibus da cidade. Afirma que os veículos são inseguros e impróprios para horários com lotação maior, tirando todo o conforto e impedindo a locomoção fácil dos passageiros dentro dos veículos.

Em entrevista ao Jornal ABCD Maior, o presidente da AETC-ABC – Associação das Empresas de Transportes Coletivos do ABC, Baltazar José de Souza, afirmou que se fossem retirados os micros e colocados os cobradores, os custos do sistema aumentariam e seriam necessários reajustes no valor das passagens. Além disso, enfatiza a dificuldade de operação de ônibus grandes em alguns locais. Baltazar diz que a população gosta dos micrões – veículos um pouco menores que os convencionais, mas que não possuem cobradores.

A persistirem em suas posições, os vereadores aprovarão o retorno dos cobradores:

Vereadores favoráveis a obrigatoriedade dos cobradores 

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Montorinho (PT), Tiago Nogueira (PT), Antônio Leite (PT), Cláudio Malatesta (PT), Jairo Bafile (PT), Jurandir Gallo (PT), Pinheirinho (PT), Alemão do Cruzado (PSL), Marcos Cortez (PSDB), Donizeti Pereira (PV), Gilberto do Primavera (PTB), Isqueiro (DEM), Ailton Lima (PDT), José Ricardo (PSB), Sargento Juliano (PMDB)

Vereador contrário a obrigatoriedade dos cobradores –
José de Araújo (PMDB)

Vereadores indecisos –
Paulinho Serra (PSDB), Bahia (DEM), Israel Zekcer (PTB), Marcelo Chehade (PSDB)

Adamo Bazani é jornalista da CBN, busólogo e escreve no Blog do Mílton Jung

Homenagem aos motoristas

 

Nesse domingo, se comemorou o Dia do Motorista, uma das profissões mais estressantes do mundo, apesar do desenvolvimento tecnológico.Em alguns casos, nem São Cristovão resolve.

70 ivolante

Por Adamo Bazani

Ônibus automático, suspensão que prioriza o conforto, ar condicionado, computador a auxiliar operações, vias mais largas e melhor planejamento. Situação ideal para quem é motorista de ônibus. Mas estudos mostram que a profissão é cercada de adversidades que colocam em risco a saúde, a integridade física e a qualidade de vida dos mestres do volante.

Pode-se dizer, sem usar jargões ou frases feitas, que os motoristas em geral – de ônibus, caminhão, carros de socorro e de diversos serviços – conduziram e continuarão a conduzir o progresso, ainda mais num país que desde os anos de 1950 privilegiou a política rodoviarista e abandonou o transporte ferroviário.

Motoristas de ontem e de hoje podem ser considerados heróis, mas de diferentes batalhas.

Ao longo do nosso trabalho de pesquisa sobre história dos transportes, tivemos a oportunidade de conversar com motoristas de diversas gerações. Os que atuaram na época em que as cidades ainda estavam crescendo, as ruas eram de barro – e atoleiro em dias de chuva -, e a direção e o sistema de embreagem dos ônibus eram duras de encarar, dizem que preferiam aqueles tempos. Os que ainda trabalham, concordam.

Propaganda Motorista Da mesma forma que o crescimento econômico, a nova postura dos empresários de ônibus e a evolução da indústria trouxeram benefícios, vieram junto os problemas decorrentes deste novo cenário. Estudos de diversos órgãos de medicina do trabalho revelam que dirigir ônibus tem sido cada vez mais cansativo, insalubre e perigoso. Os motoristas vivem em constante tensão. Trânsito caótico, assaltos em maior número e com mais violência, vandalismo, pressão por parte das empresas e passageiros dispostos a descontar neles o sofrimento pela lotação e longa espera nos pontos.

Tudo isso se reflete em afastamentos constantes do trabalho de motoristas que não suportam a rotina sacrificante. Uma pesquisa nacional, com mais de 1.300 motoristas de diversas capitais e regiões metropolitanas do País, realizada pela UnB – Universidade de Brasília – em 2008 mostrou dados alarmantes.

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US$ 1 tri de prejuízo em 60 anos de congestionamento

 

Estudo desenvolvido pelo engenheiro Adriano Branco mostra gastos com combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias, entre 1948 e 2008, em São Paulo.

ônibus 1960

Por Adamo Bazani

A imagem é dos anos de 1960, mas o problema persiste até hoje. E, pelo jeito que as coisas estão, não ficará melhor do que isto. Uns poucos ônibus perdidos num mar de carros. Isto que a foto havia sido feita na Rua Augusta, no centro de São Paulo, que tinha uma mão para ônibus.

A cena explica parte das razões de o transporte público sufocar os trabalhadores, aqueles que pagam caro por um serviço desconfortável e até perigoso. As soluções adotadas pelo poder público são paliativas. Um faz de conta.

A majestade das ruas continua sendo o carro. A autoridade prefere beneficiar os 5m2 de espaço ambulante que costuma transportar uma só pessoa em detrimento dos 30m2 ocupados por um ônibus que leva até 100 passageiros.

O transporte de passageiros que é democrático, pois atende uma demanda maior em menor espaço, não é priorizado. Ou seja, não há democracia nas grandes e médias cidades.

O engenheiro Adriano Branco, um dos responsáveis pelo projeto Sistran, que trouxe uma nova geração de trólebus para o Brasil, escreveu artigo recente no qual apresenta dados impressionantes, que mostram que o problema do transporte tem raízes antigas. Ou seja, há muito tempo as autoridades sabem o que se passa e o pior, sabem o que fazer. Mas não fazem.

No ano de 1958, o prefeito Adhemar de Barros contratou uma equipe de economistas e técnicos, chefiada pelo general Anápio Gomes, para verificar a questão da mobilidade urbana. Isso porque, a CMTC quando foi criada em 1947, com o monopólio do transporte de passageiros por ônibus e bonde, transportava em média mais pessoas do que, em 1958, quando as empresas particulares voltaram a dominar o cenário do transporte coletivo.

O índice de mobilidade nos transportes urbanos (incluindo trens) em 1954, auge da CMTC, era de 392 viagens por pessoa em um ano. No início dos anos de 1960, quando as particulares predominavam, a mobilidade caiu para 343 viagens, mesmo com o aumento no número real de passageiros.

O estudo de Anápio Gomes revelou algo inédito: o custo dos engarrafamentos para cidades como São Paulo. Apesar dos índices de congestionamentos serem bem menores do que na atualidade, o fato de se dar prioridade para os carros causava prejuízos de 1,5 vezes o orçamento da cidade.

Já imaginou o que pode ser feito com um US$ 1 trilhão, só na área de transportes?

Corredores de ônibus em quase toda São Paulo, metrô, trem, VLP, VLT, monotrilho, o que for preciso.

Pois é, mas foi justamente isso que a cidade de São Paulo amargou em prejuízos entre 1948 e 2008, de acordo com estudo de Adriano Branco. Isso inclui combustível, perda de produtividade no trabalho, maior desgaste de veículos e vias.

Cada centavo negado para o ônibus ou trem, no futuro se reverte em gastos bem maiores.

Dados da própria SPtrans revelam que em março de 2006 foram transportados 263 milhões de passageiros contra 293 milhões no mesmo mês de 2009. Aumento de 10%, mas a frota só cresceu 0,5% neste mesmo período.

Nesta terça-feira, 20.07, durante uma hora, o programa A Liga, da Tv Bandeirantes, mostrou a rotina dos transportes e trouxe dados importantes. Os repórteres fizeram ‘passeios’ ao lado de passageiros que chegam a fazer viagens de mais de três horas dentro da própria cidade para chegar ao trabalho. (veja a reportagem aqui)

Especialistas são unânimes: resolver o problema não é tão difícil e caro. Os corredores de ônibus são a solução imediata, barata e de ótimo retorno. Basta ter coragem e colocar ônibus e carros nos seus devidos lugares.

Recado aos busólogos

Em vez de restringirem a discussão à beleza ou feiura de tal modelo de ônibus ou a provarem que um OF tem 10 parafusos nas rodas e outro tem 8, busólogos de todo o Brasil deveriam, sim, pensar em questões mais complexas. Aproveitarem o conhecimento que desenvolveram para cobrar de forma séria daqueles que recebem, e muito bem, para operar e gerenciar o transporte público.

Adamo Bazani, busólogo, jornalista da CBN e que se revolta ao ver a situação atual dos transportes.

São Paulo é refém dos perueiros

 

A prorrogação dos contratos dos 6 mil perueiros até 2013, decidida pelo prefeito Gilberto Kassab, demonstra que a cidade ainda é refém das cooperativas que transportam mais de meio milhão de passageiros, por mês. Toda vez que a administração municipal pensa em reorganizar o sistema de transporte coletivo é pressionada por grupos que exploram, econômica e politicamente, os proprietários de vans.

A nova licitação que deveria ser realizada neste ano mudaria parte da estrutura de transporte de passageiros seja por ônibus seja por vans. Atualmente, linhas se sobrepõem, há excessos de veículos atendendo alguns corredores e carência em outras regiões. Empresas de ônibus e cooperativas não rodam em parceria, são adversários a disputar o mesmo segmento, na maioria das vezes de forma predatória que prejudica diretamente o passageiro.

Haveria necessidade, por exemplo, de se tirar as vans dos corredores e faixas exclusivas de ônibus e colocá-las a trabalhar como alimentadoras deste sistema, além de restringir o acesso às regiões mais centrais. Isto, porém, mexeria com o faturamento das cooperativas que exploram os cooperados/motoristas.

O doutor em Planejamento de Transportes e Logística pela Universidade de Illinois Paulo Resende disse, em entrevista ao CBN São Paulo, que as cooperativas faturam com a indisciplina que impera no setor. Ele reclamou que a cidade não tem uma gestão integrada de transporte nem plano de mobilidade estabelecido.

Ouça a entrevista com o professor Paulo Resende, ao CBN SP

O CBN São Paulo tentou conversar com o novo secretário municipal dos Transportes Marcelo Cardinale mas a assessoria dele disse que “não tinha agenda” para a entrevista. Cardinale assumiu recentemente a pasta em substituição a Alexandre de Moraes, que era citado como supersecretário de Kassab, pois acumulava vários cargos na administração municipal, e teria sido demitido porque insistiu na ideia de abrir a licitação para a contratação de perueiros.

O jornal o Estado de São Paulo trouxe boas reportagens sobre o tema na sua edição de hoje que ajudam a entender a dificuldade do prefeito Gilberto Kassab em enfrentar o segmento.

Clique no link a seguir para ler um desses textos

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Há 32 anos ônibus vestiram Saia e Blusa em São Paulo

 

No governo Olavo Setúbal foi feita a primeira padronização de pinturas em ônibus de São Paulo. A implantação do sistema causou confusão mas deixou legado à capital paulista. As mudanças se iniciaram em 1978.

FOTO 1 SAIA E BLUSA

Por Adamo Bazani

Uma das marcas da administração Olavo Setúbal (agosto/75 a julho/79), na capital paulista, foi a atuação no transporte de passageiros. Em época na qual o prefeito era nomeado pelo Governador do Estado, ele foi considerado um homem à frente de seu tempo. Muito mais que ações pirotécnicas, que só servem para ganhar eleição ou chamar a atenção da mídia, Setúbal e sua equipe tomaram medidas que alteraram a forma de se transportar passageiros na cidade. Algumas ações não foram consideradas ideais, masresolveram em parte as necessidades urgentes de deslocamento numa cidade que só crescia.

Primeiramente, se destaca o Plano Sistran – Sistema Integrado de Trólebus – que teve como um dos principais maestros o engenheiro Adrianno Branco. O Sistema previu não apenas o aumento do serviço de ônibus elétrico como criou uma nova geração desses veículos. O projeto inicial contemplava a criação de mais de 280 km de linhas de trólebus que se somariam aos 115 km já existentes e elevaria o número de veículos urbanos de tração elétrica para 1.280 ônibus. As exigências do Sistran fizeram a indústria nacional, em parceria com a CMTC – Companhia Municipal de Transportes Coletivos -, desenvolver um novo trólebus, baseado nos conceitos mais modernos adotados, principalmente, na Europa.

Foi até mesmo importado um trólebus alemão, Mercedes Benz O 305, para ser dissecado e estudado a fundo. Nascia assim, para todo o Brasil, um ônibus elétrico com sistema Copper, de controle eletrônico de velocidade por recortadores, piso mais baixo, direção hidráulica, melhor iluminação interna  e disposição dos bancos para o conforto dos passageiros, suspensão pneumática e portas mais largas.

Veja o que pode ser feito quando há vontade e sensibilidade política em relação aos transportes públicos. A iniciativa de uma cidade, no caso a de maior destaque econômico do País, fez com que fossem alteradas as formas de transportar em todo o território nacional.

O problema dos trólebus estava parcialmente resolvido, pelo menos encaminhado. Restava o sistema de transportes municipais. Linhas sobrepostas em detrimento a regiões de pouca demanda e de difícil acesso, sem oferta de transportes adequada. Lotações, ônibus velhos, excesso de empresas e falta de serviços. A cidade cresceu de forma desorganizada e os transportes também.

Em 1978, a equipe de Setúbal tenta reorganizar os transportes. Surge a primeira padronização das cores pela qual a parte de baixo dos ônibus (chamada de saia) indicava a região a ser servida. A cidade foi divida em 23 lotes operacionais. Bom para grandes empresários, que encampavam as viações menores. José Ruas Vaz, o maior transportador de São Paulo e dono da encarroçadora Caio, desde 2001, foi um dos grandes beneficiados na época. Mas, como nada se dá do dia para a noite, o início do sistema Saia e Blusa gerou muitas confusões entre usuários e até mesmo funcionários de empresas de ônibus.

Não seria possível padronizar todos ônibus de uma só vez. Então, foi um festival de veículos de uma mesma viação com cores diferentes. Por exemplo, o Grupo Gatti, de Luis Gatti, que fundou a Viação Gato Preto nos primórdios dos transportes por ônibus em São Paulo, tinha várias empresas: como a Trancolapa S.A, a Empresa Auto Ônibus Anastácio, a Empresa de ônibus Vila Hamburgueza, entre outras. Cada uma tinha uma cor diferente. Todas tiveram de se unir na Viação Gato Preto. Por mais que os serviços de funilaria e pintura não parassem, era impossível pintar toda a frota.

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