Mundo Corporativo: invista na sua carreira, planeje

 

Para vencer na profissão não adianta imitar o chefe ou copiar o colega que se deu bem no emprego, você tem de ser você mesmo. É o que recomenda o consultor em gestão de pessoas Eduardo Ferraz entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Para ele, muitas das frustrações no mercado de trabalho se devem ao fato de as pessoas não desenvolverem o autoconhecimento e sugere que o profissional se identifique em quatro pilares para planejar melhor sua carreira: dominância, extroversão, paciência e detalhes. “Quando a gente aprofunda, aprimora, investe nos pontos fortes , a gente é bem sucedido, quando a gente tenta consertar aquilo que odeia, acaba sendo medíocre no trabalho”, alerta.

 

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, às 11 horas, ao vivo, no site da CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. A participação dos ouvintes-internautas pode ser feita pelo mundocorporativo@cbn.com.br ou pelo Twitter @jornaldacbn

Nem tudo é relativo no jornalismo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Os números têm sido mal interpretados por parte de alguns jornalistas. Consideram apenas os valores absolutos e ignoram os relativos, da mesma forma que desconhecem o básico de estatística. Enquanto ontem o portal Terra notificou que a cobrança de corretagem de imóveis é proibida, pois tinha gerado multa de mais de R$ 40 mil sem especificar o percentual sobre o valor do contrato, a FOLHA dias atrás anunciou que o Morumbi foi assaltado em 22 casas enquanto Alto de Pinheiros 18 sem informar também o percentual que estes números representam sobre o total de casas existentes.

 

Delfim Neto sempre chamou atenção para este aspecto numérico, alertando inclusive para o perigo da estatística. Se não se sabe nadar é preciso ao menos conhecê-la para evitar afogamento num rio de 0,5m de profundidade, mas com trechos de 5m.

 

Parece que enquanto as domésticas são um produto em extinção, os jornalistas letrados em números estão em contração.

 

Atentando à especificidade destas notas, além de desconhecimento aritmético há em ambos os casos inequívoco maniqueísmo.

 

“Justiça: pagamento de corretagem na compra de imóvel é abusivo”. Abaixo desta manchete é que o Terra além de se restringir a números absolutos confunde taxa de assessoria com a de corretagem.

 

“Morumbi lidera casos de roubo a residências”. A liderança descrita referia-se a números absolutos entre Morumbi e Alto de Pinheiros. Questionei então a Ombudsman da Folha, que enviou a minha indagação à jornalista Giovanna Balogh do Caderno Cotidiano, embora sua matéria tivesse ganhado também o nobre espaço do alto da primeira página. Recebi a seguinte resposta:

 

“Os dados utilizados na matéria são da Secretaria de Estado da Segurança Pública que são feitos com base nos boletins de ocorrências registrados pela polícia. O levantamento, portanto, não contabiliza o universo de casas, mas sim as dos imóveis que foram vítimas de assaltos”.

 

Se os números, elemento quantitativo, são tratados de forma tão leviana, podemos imaginar nas matérias qualitativas e conceituais o nível de distorção a que as informações estão expostas para determinados jornalistas.

 

O papel relevante que a imprensa tem tido na história contemporânea não deve correr o risco de atuações que a desmereça. Que tal um exame de Ordem?

 


Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung

Os estudantes e o exame da OAB

 

Por Milton Ferretti Jung

Quando fui estudante, e idêntica experiência viveram também os meus três filhos, precisávamos enfrentar, antes de chegar à faculdade, os cursos primário, ginasial e o clássico ou científico. Neste, se inscreviam os que pretendiam estudar, por exemplo, medicina. Naquele, os que desejavam ser advogados. Já naquela, no meu caso especialmente, distante época, o que diferenciava o clássico do científico, era o latim, materiazinha bem difícil. Quem o cursava, necessitava, igualmente, lidar com matemática, química e física, meus espantalhos, digo de passagem. Fosse pelo desejo paterno, eu teria enfrentado uma faculdade de Direito. Lamento não ter podido satisfazer o sonho do meu pai, mas o veículo Rádio me conquistou, de maneira irremediável,antes mesmo de eu concluir o clássico no Colégio Nossa Senhora do Rosário. Creio que papai se conformou com a minha opção.

Se eu tivesse seguido o seu desejo, somente seria licencidado para exercer a profissão depois de fazer o exame aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil. Este é o meu assunto de hoje, embora a tal prova não me afete de modo algum, seja ela mantida ou não. Nenhum dos meus filhos pensou em ser advogado. É verdade que ainda não perguntei aos meus netos o que pretendem fazer. Confesso que, já estive entre os que estranhavam a exigência da OAB, mas não porque imaginasse tratar-se de medida visando à reserva de mercado, conforme diz o bacharel João Antônio Volante, autor de recurso apresentado ao STF. Mudei de idéia, ao ver provas que um colega, que era professor de Direito, levava para corrigir na rádio, tamanhas as asneiras escritas pela maioria dos seus alunos, todos no quinto ano. Só lendo para crer. Oxalá isto seja levado em conta pelo Supremo Tribunal de Justiça quando julgar o recurso do bacharel gaúcho.

Os números demonstram que o exame exigido pela OAB têm razão de ser. Notem que na última avaliação realizada em dezembro pela OAB, somente 9,7 por cento dos candidatos de todo o país obtiverram aprovação. Que me desculpe o Dr.Volante, mas não vejo inconstitucionalidade na lei que prevê a realização do polêmico exame. Ele encontra amparo no inciso XIII do artigo 5ºda Constituição Federal, segundo o qual existe liberdade do exercício profissional desde que atendidas as qualificações estabelecidas em lei. Gente baixamente alfabetizada não pode ser considerada apta para exercer a advocacia. As faculdades de Direito do Brasil, com excessões ,claro (como boa parte das de Jornalismo), não garantem boa qualificação profissional.


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílto Jung (o filho dele)

Diploma: peso maior, utilidade menor

 

Por Carlos Magno Gibrail

graduation caps

O plano de carreira discutido no Mundo Corporativo por Eliane Figueiredo e ancorado por Milton Jung ,levantou, dentre outras questões a postura da geração Y.

Geração Y é aquela influenciada pelas novas tecnologias, antecedente da Z, que lida acentuadamente com a mídia social e demais ramificações entre produtos e sistemas.

Nestas gerações, ao lado da qualificação em inovações, há uma pretensão e avidez de usufruir do mundo contemporâneo sem considerar, que os degraus e a contra partida em competência e experiência são imprescindíveis.

Ouvindo atentamente a interessante entrevista não pude deixar de lembrar os recados, pertinentes ao tema, de Laurence Peter, Al Ries e Jeremy Rifkin, que marcaram as suas respectivas décadas.

Laurence Peter desenvolveu o postulado do “nível de incompetência”, inevitável para todos e importante para não frustrar carreiras de sucesso. O segredo é identificar quando se atinge o nível de competência máxima, pois o próximo degrau será o da incompetência. O seu livro “Todo mundo é incompetente, inclusive você” foi um sucesso e o seu postulado foi batizado como o Princípio de Peter.

Al Ries, depois de pesquisar pessoas de sucesso mundo a fora, concluiu que a maneira mais fácil e mais rápida de alcançar os objetivos de uma trajetória profissional, é através do “Horse Sense”. Ou seja, se você tem alguém em que possa montar e te carregar para seguir o seu plano de carreira com sucesso, não titubeie, monte. “Encontre o cavalo certo para montar” é o titulo do Best Seller de Ries nos anos 90. O cavalo pode ser o pai, a mãe, o marido, a esposa, etc.

“O fim dos empregos – o declínio inevitável dos níveis dos empregos e a redução da força global de trabalho” escrito por Jeremy Rifkin preconizou parte da realidade de hoje. Anteviu a extinção de cargos e funções de produção e de serviços. Na agricultura, na indústria e no comércio. Um sinal e tanto para identificar áreas de ensino em decadência, ao mesmo tempo perceber as novas tendências.

Diante desta complexidade é factível guiar-se pela eficácia e definir o gosto e talento pessoais através da simples equação entre ser empreendedor ou executor, entre o público e o privado. E, não esquecer que o sucesso estará ao lado da escolha que trouxer uma vida profissional feliz.

O diploma, cada vez mais importante para o “start up”, ficará em segundo plano diante da prática e do conhecimento adquirido no transcorrer da vida profissional.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda, assiste a todos os programas do Mundo Corporativo e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung.

Imagem do álbum de j.o.h.n walker, no Flickr

Mundo Corporativo: Faça seu plano de carreira

 

A importância de o profissional planejar sua carreira profissional determinando os caminhos que pretende seguir nos próximos anos é o tema desta entrevista com a consultora de recursos humanos Eliane Figueiredo, no Mundo Corporativo. O momento certo de se iniciar o plano de carreira e como identificar o instante em que mudanças devem ser feitas também fazem parte da nossa conversa. Eliane é diretora da Projeto RH Assessoria Empresarial.

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, toda quarta-feira, às 11 da manhã, pela internet, no site da CBN, e você pode participar com perguntas pelo Twitter @jornaldacbn e pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br

Entre o Ser e o Estar

 

Por Abigail Costa

O trabalho é fascinante. Te dá a oportunidade de se posicionar.

Em determinados casos, no cargo as pessoas tem a sensação de chegar ao olimpo.

O mandar e desmandar. O gerenciar a vida dos outros assim como a troca das estações no ano.

A tecnologia que nos manda a lugares sem sair do próprio escritório nos dá poder – e torna alguns menos toleráveis

Esse é o lado estar.

De volta a realidade mais primitiva, somos.

Somos filhos, somos pais.

Num peso e intensidade que só quem tem e valoriza sabe a importância do ser.

No trabalho nos vestimos para estar bem, pra mandar bem, pra executar bem.

Em casa nos despimos para ser.

Enquanto caminham para estar mais a frente, para estar mais ricos, damos um passo atrás nos sentimentos.

Os botões do “progresso” vão avançando, as emoções empobrecendo.

A pesquisa pode sim ficar para amanhã, a teoria pode esperar.

Na prática, a ausência no jantar, o não saber do elogio que o filho recebeu do professor…. Ele queria ter dito isso ontem. O pai ficou sabendo pela mãe, por telefone.

Não ter ouvido da boca do menino pode parecer pouca coisa, mas vai pesar na balança.

Este momento já passou, como passaram tantos outros.

O que você já deixou de fazer por causa do “estar”?

Não se preocupe ainda dá tempo. Se não for hoje poderá ser amanhã…. Poderá.

Ser militante com o controle na mão exige pulso forte.

Coordenar as emoções exige sensibilidade.

Se tivesse que responder em segundos a última pergunta de sua vida.

O que você prefere terminar: o relatório da firma ou a conversa da escola com seu filho?

Decidiu pelo filho?

Então a situação ainda está sob controle.

As diferenças entre o SER e o ESTAR podem ser revistas.

Abigail Costa é jornalista e escreve às quintas-feiras no Blog do Mílton Jung

Homenagem aos motoristas

 

Nesse domingo, se comemorou o Dia do Motorista, uma das profissões mais estressantes do mundo, apesar do desenvolvimento tecnológico.Em alguns casos, nem São Cristovão resolve.

70 ivolante

Por Adamo Bazani

Ônibus automático, suspensão que prioriza o conforto, ar condicionado, computador a auxiliar operações, vias mais largas e melhor planejamento. Situação ideal para quem é motorista de ônibus. Mas estudos mostram que a profissão é cercada de adversidades que colocam em risco a saúde, a integridade física e a qualidade de vida dos mestres do volante.

Pode-se dizer, sem usar jargões ou frases feitas, que os motoristas em geral – de ônibus, caminhão, carros de socorro e de diversos serviços – conduziram e continuarão a conduzir o progresso, ainda mais num país que desde os anos de 1950 privilegiou a política rodoviarista e abandonou o transporte ferroviário.

Motoristas de ontem e de hoje podem ser considerados heróis, mas de diferentes batalhas.

Ao longo do nosso trabalho de pesquisa sobre história dos transportes, tivemos a oportunidade de conversar com motoristas de diversas gerações. Os que atuaram na época em que as cidades ainda estavam crescendo, as ruas eram de barro – e atoleiro em dias de chuva -, e a direção e o sistema de embreagem dos ônibus eram duras de encarar, dizem que preferiam aqueles tempos. Os que ainda trabalham, concordam.

Propaganda Motorista Da mesma forma que o crescimento econômico, a nova postura dos empresários de ônibus e a evolução da indústria trouxeram benefícios, vieram junto os problemas decorrentes deste novo cenário. Estudos de diversos órgãos de medicina do trabalho revelam que dirigir ônibus tem sido cada vez mais cansativo, insalubre e perigoso. Os motoristas vivem em constante tensão. Trânsito caótico, assaltos em maior número e com mais violência, vandalismo, pressão por parte das empresas e passageiros dispostos a descontar neles o sofrimento pela lotação e longa espera nos pontos.

Tudo isso se reflete em afastamentos constantes do trabalho de motoristas que não suportam a rotina sacrificante. Uma pesquisa nacional, com mais de 1.300 motoristas de diversas capitais e regiões metropolitanas do País, realizada pela UnB – Universidade de Brasília – em 2008 mostrou dados alarmantes.

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Coisas da Vida

 

Por Christian Jung
Do Blog MacFuca

Milton Ferretti Jung, ontem e hoje

O título do texto parece bem atual, mas na verdade reproduz o nome de um comentário que era redigido e lido pelo meu Pai, lá pelos anos de 1950 na então Rádio Canoas. Tenho vários deles em casa e me impressiono como o conteúdo na época era praticamente o que se vê ainda hoje. Reclamações ao prefeito Leonel Brizola do aumento das passagens de ônibus, a avenida São Pedro alagada após a chuvarada, o bonde que não conseguia passar, os carros que se arriscavam e os transeuntes chegando atrasados ao trabalho.

Bom, o que me traz aqui não é o conteúdo dos textos isso pode ficar para outro dia. O que me traz aqui mesmo é o locutor em questão.

Destes anos que já vivi, me dou o direito de analisar determinadas situações, visto que o tempo nos dá ao menos a possibilidade de refletirmos.

Filho de radialista, me criei sempre com a desconfiança e a palavra coerente de minha mãe dizendo que tudo que eu reclamava em frente ao rádio (em relação a ela, é lógico) meu Pai escutava na rádio. Sempre olhei para aquele aparelho de madeira sobre o balcão com desconfiança e, por vezes, resolvi mudar o teor da conversa para possíveis cobranças ao fim do dia. Sabe como é, entre falar e correr o risco, o silêncio era a melhor opção. Evidentemente que minha mãe contava tudo e sempre quando aquela “voz do rádio” chegava em casa era informada sobre os ‘acontecidos’ do filho mais novo. (Certamente da irmã mais velha e do irmão do meio, também, mas esses assuntos não eram de minha alçada). Afinal de contas ele era o locutor oficial do Correspondente Renner, como o é até hoje.

As cobranças dele sempre foram brandas, eu é que me apavorava. Sabe como é, Pai é Pai.

Lá em casa se acordava, almoçava e dormia com a característica de abertura do Correspondente Renner (hoje, atropelada pela tecnologia e falta de sensibilidade). Até mesmo quando pegava carona de carro com os pais de alguns colegas de colégio lá estava ele. Meu Pai! Trazendo as últimas informações das agências de notícias. Rádio ligado era como uma transferência à distância da relação afetuosa de alguém que me ensinou desde pequeno que “pano que cai no chão não se esfrega no carro”. Filosofia masculina de quem não passa o domingo sem um paninho na máquina.

Ainda se não bastasse a leitura do noticiário, tinha a locução esportiva, narração essa que lhe deu o apelido de o “Homem do Gol, Gol, Gol”. Bordão gravado em muitos discos de vinil da história do futebol brasileiro. Caminhar pela rua com ele era escutar no mínimo duas ou três vezes alguém gritando “Milton Gol-Gol-Gol Jung”. Era sempre isso. Bem, tinha também os dias de jogos. Morávamos, aliás, moro ainda perto do Olímpico e de fato meu Pai nunca escondeu ser gremista. Essa coisa de ficar fazendo gênero não é com ele. Dependendo do resultado, ao fim da partida, sempre tinha um cidadão que passava em frente de casa, esses vizinhos meio descompensados, que gritava: “Milton Jung, gremista filha da p…”. Já era folclor, eu dizia pro Pai. Olha só, o Vitor Hugo passou por aí (esse era o nome do artista que fazia os elogios). E assim me criei neste meio radiofônico tendo como rotina as visitas à Rádio Guaíba e ao Correio do Povo, de onde pegava os restos de chumbo dos linotipos pra colocar dentro dos carrinho de plástico para ficarem pesados e não capotarem nas brincadeiras.

Enfim, desde que me dei conta de identificar de quem eram as vozes que escutava quando ainda bebê, nunca mais parei de ouvir a voz do meu Pai. E lá em casa, a palavra voz tem uma poesia incrível porque se vive dela também. Aprendi a relação que tem ler e interpretar ou somente ler. Que quem te escuta, visualiza as palavras. Que da voz que produzimos, o oxigênio é a nossa gasolina. Que a quem nos ouve, devemos respeito, e para isso precisamos ser confiantes, fortes, alegres e, principalmente, coerentes com a informação que estamos passando.

Se ele algum dia me disse isso?

Não, nunca precisou, porque a admiração que sempre tive e tenho até hoje e a postura correta de bom profissional, sempre me fizeram entender que esses que gritam o seu nome na rua, gritam porque o que lhes chega é muito mais que notícias, é a mais pura poesia de quem nasceu com o dom de transformar um simples aparelho de rádio em um companheiro inseparável.

Por isso Pai, depois de um tempo te vendo afastado do rádio e mesmo com todas as mudanças na nossa velha e eterna Rádio Guaíba, tenho que te dizer que o sentimento de saber que tu estás ali dentro daquela caixa de madeira que eu achava que tu me escutavas, me dá a completa percepção que o teu tempo ainda não se acabou, que o velho microfone Neumann de Fita continua lá, no mesmo lugar, te esperando, esperando a pressão da tua voz pra funcionar. Porque não só ele, mas todos os teus fiéis ouvintes, os que virão a ser, e, principalmente, eu nos meus 43 anos, preciso muito ouvir a tua voz.

Volta Pai, porque estas coisas que aconteceram e as que estão por vir, “São Coisas da Vida.”

Um grande beijo!

Christian Jung é mestre de cerimônia, meu irmão e filho e radialista. Este texto foi escrito originalmente no Blog Mac Fuca do qual ele é o autor.

Jornalismo à deriva*

 

Por Carlos Magno Gibrail

Do conhecimento concentrado do passado (Platão, Aristóteles, Descartes, Da Vinci) ao conhecimento especializado de hoje, não há dúvida que a quantidade de informação e de distribuição é intensamente diferente. Entretanto, a possibilidade de usá-lo através da mão de obra especializada, representada pelos profissionais contemporâneos, continua subordinada à estrutura de poder estabelecida. Tal qual no passado, quer pelo Estado, pela Igreja ou pelo poder econômico, travestido em grandes corporações ou até mesmo por forte corporativismo.
Fato incontestável é que, em junho, o STF por oito votos a um, optou pelo fim da obrigatoriedade do diploma de jornalismo e pela desregulamentação da profissão.

Já em abril o plenário do Supremo Tribunal Federal tinha declarado inválida, por sete votos a quatro, a Lei de Imprensa, que criara a profissão de jornalista e seu curso universitário de formação, em 1967.
O oligopólio da comunicação, concentrado em poucas famílias e agora entremeado por entidades religiosas, tal qual no passado, argumenta que a Lei de Imprensa e a profissão de jornalista são testemunhos da ditadura e atentam para a liberdade requerida em nossa Constituição.

Reprodução da capa O EconomistaEsquecida quase sempre, a História, testemunha que em 1918 os jornalistas, reunidos em Congresso no Rio de Janeiro, já defendiam a formação específica em jornalismo para o exercício da profissão. Em 1961, Jânio Quadros publicou decreto regulamentando a profissão. As empresas, no entanto, se mobilizaram e acabaram conseguindo, um ano depois, sob o governo Goulart, a revogação do decreto.

Não é, portanto condizente afirmar, que por ter sido criada pela ditadura tanto a Lei de Imprensa quanto o diploma, sejam obras do mal. Pior é tornar-se um dos raros países do mundo sem Lei de Imprensa, além de desqualificar o jornalista como profissional, deixando sem regulamentação a atividade e a profissão.

Em sua justificativa, Gilmar Mendes, presidente do STF afirmou que a exigência do diploma fere o direito de liberdade de expressão e a atividade não necessita de qualificações profissionais específicas para ser exercida.

É questionável esta questão do direito de liberdade de expressão. Basta uma experiência em qualquer tribunal para quem não é advogado. Você não pode se representar, independentemente de seu preparo. Você é obrigado a contratar um advogado.

O maniqueísmo do poder, não passou despercebido dos profissionais regulamentados, tal a mudança que estas desqualificações poderão acarretar no mercado de trabalho. A partir de OABs seccionais e outras entidades.

“Ora, chama a atenção do Conselho Regional de Economia de São Paulo o argumento de que merecem regulamentação apenas as profissões como disse o ministro, que ‘podem trazer perigo de dano à coletividade ou prejuízos diretos a direitos de terceiros, sem culpa das vítimas, tais como a medicina e demais profissões ligadas a área de saúde, a engenharia, a advocacia e a magistratura, dentre outras várias”. Antonio Luiz de Queiroz Silva, Presidente.

“Ao negar a cientificidade e a seriedade das demais ciências, em especial as humanas, o STF pode estar indicando que não será mais necessário exigir o diploma para História, Língua Portuguesa, Filosofia, Sociologia, Economia e demais áreas cuja cientificidade tenha como base teorias distintas das ciências exatas, aplicadas, naturais e formais”. Fabio Koifman, historiador e advogado.

E o Presidente do Corecon comenta a observação de Koifman:

“Muito bem observado pelo historiador, curiosa e contraditoriamente, tanto o relator como os demais juristas referenciados – não por acaso – não incluíram a profissão de advogado nesse bojo. Sem entrar no debate a respeito do Direito, vale lembrar que a base teórica das jurídicas está fincada nas ciências sociais, o que de imediato, seguindo a mesma lógica do STF, já incluiria a profissão de advogado como uma das que o exercício independeria de diploma. Negar a seriedade de tais profissões é fechar os olhos para o desenvolvimento propiciado pelo trabalho e pesquisas da área. É negar, sobretudo, a relevância de tais ciências. Visto isso, cabe- nos demonstrar solidariedade aos jornalistas que pertencem à sua instituição de classe, atuando com ética e competência.”

O cozinheiro do Ministro pode ser jornalista de cozinhas. Por que não? Desde que seja competente, na cozinha e na palavra .

A valorização do jornalista é vantagem para o público e para os veículos, embora, como os políticos, não os veja dessa forma.

*Título e imagem da reportagem de capa da revista O Economista, do Corecon-SP (Leia mais aqui)

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e usa de seu conhecimento jornalístico para escrever este artigo, às quartas, no Blog do Milton Jung