“Nosso poder não é de fiscalizar”, diz parlamentar. Como não, vereador?

 

 

Os vereadores têm duas funções importantes de acordo com a Constituição: fazer leis e fiscalizar o Executivo. É para isso que são eleitos. Parece, porém, que nem todos os vereadores sabem disso.

 

Sempre atento ao que dizem e fazem na Câmara Municipal de São Paulo, Alecir Macedo, que participa do Adote um Vereador, ficou intrigado com o discurso do vereador Salomão Pereira, do PSDB, no plenário da casa, em uma sessão realizada em setembro deste ano, que você confere no vídeo acima.

 

Durante o Grande Expediente, o parlamentar comentava situação que vivenciou durante o programa Câmara no Seu Bairro, realizado na Casa Verde, na zona norte da capital paulista. Uma senhora havia pedido que os vereadores encontrassem uma solução para a quantidade de ossadas, restos mortais e peças de roupas espalhadas nos arredores de um cemitério da região.

 

Na justificativa para a falta de ação, Salomão Pereira se saiu com essa: “o nosso poder não é de fiscalizar, o nosso poder é de criar leis pra que essa lei seja cumprida pra (sic) todos por aí”.

 

Opa! Salvo engano, o vereador esqueceu que além de criar leis, os legisladores devem, sim, fiscalizar e cobrar do poder executivo que tome as devidas providências. Pois havendo ou não lei que autorize a incineração de restos mortais – e ele disse que não existe -, me parece óbvio que a prefeitura obrigatoriamente tem de manter o local limpo. E se não o faz, cabe ao vereador cobrar do prefeito, do subprefeito, das secretarias responsáveis e da própria administração do cemitério. É trabalho dele, também!

 

E pelo que disse na tribuna, tempo é que não falta para que a fiscalização seja exercida. Ao reclamar da paralisia na apreciação de projetos de lei na Câmara paulistana, Salomão Pereira diagnosticou: “… precisa mudar o conceito aqui, porque fica a semana toda aqui enrolando mais do que trabalhando”.

 

Então, para de enrolar, vereador, e vai fiscalizar!

Adote um Vereador: quanto menos eles trabalham, mais nós temos trabalho

 

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Éramos os de sempre e com algumas ausências, mas estávamos com à disposição que jamais nos faltou, mesmo diante do forte calor que fez no sábado, em São Paulo. A mesa 17, reservada para o Adote um Vereador, embaixo de uma das árvores que resistem no Pateo do Collegio, ficou tomada de água para refrescar, dúvidas para responder e ideias para serem levadas à frente. Verdade que o papo começou mais caseiro com discussões sobre o melhor jeito de passar roupa e tomar banho, havia, porém, uma boa razão: a preocupação com o gasto excessivo de luz e água em momento de carestia como estamos vivendo no Estado de São Paulo. Cada um tem seu costume e opinião, como é típico do grupo que participa direta ou indiretamente desta rede de cidadãos, seja na forma de controlar os gastos seja em quem votar no segundo turno das eleições presidenciais.

 

A eleição parlamentar foi o principal tema da nossa conversa, a começar pelo olhar do que aconteceu com os 19 vereadores e suplentes que se candidataram a governador, deputado federal e estadual. Oito passaram pelo crivo do eleitor: Goulart (PSD), Floriano Pesaro (PSDB) e Orlando Silva (suplente PCdoB) trocarão São Paulo por Brasília; enquanto Coronel Camilo (PSD), Coronel Telhada (PSDB), José Américo (PT), Marta Costa (PSD) e Trípoli (PV) se mudarão do Viaduto Jacareí, na República, para a Avenida Pedro Álvares Cabral, no Ibirapuera. Tem ainda o caso do Atílio Francisco (PRB) que é segundo suplente do senador eleito José Serra – não é nada, não é nada, sempre rola a esperança de um dia sobrar uma boquinha no Senado, haja vista Antonio Carlos Rodrigues, primeiro suplente de Marta Suplicy (PT) – coincidência, também do PR.

 

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Levando em consideração os vereadores que estavam no banco de reserva e assumirão, ano que vem, o lugar dos eleitos, de acordo com levantamento feito por Rafael Carvalho, que participa do Adote um Vereador, o PT que tinha maioria perderá um vereador e equilibrará forças com o PSDB, ficando cada um com 10 parlamentares. O PSD, de Gilberto Kassab, é quem sofrerá o maior prejuízo com a perda de três vereadores. Isto acontece porque, ao contrário de um time de futebol, em que o reserva joga na mesma equipe, na política o reserva pode ser dos partidos que formaram a coligação que, muitas vezes, estão em lados opostos na eleição seguinte.

 

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Diante das mudanças na casa municipal já se preve briga de foice pelo comando da Mesa Diretora, atualmente sob a mão forte de José Américo (PT) que vai para a Assembleia Legislativa. Com os dois maiores partidos divididos, ou sai um acordão ou lá vem o Centrão – grupo político que havia sido desarticulado há alguns anos na Câmara e tem entre seus mais proeminentes nomes Milton Leite e Antonio Carlos Rodrigues. Esse, por sinal, deve estar de malas prontas para São Paulo, pois terá de ceder a vaga de senador para a titular que precisará reforçar o time do PT no Senado com a derrota de Eduardo Suplicy.

 

 

Dentre outros temas conversados em nosso encontro, falamos da baixa frequência em alguns conselhos de representantes das subprefeituras, da retomada do debate sobre a proibição das sacolas plásticas no comércio paulistano e da necessidade de convencermos mais pessoas a acompanhar os vereadores, afinal quanto menos eles trabalham – e trabalharam pouco neste ano de eleição – mais temos o que cobrar.

Governabilidade: verdades, mitos e barreiras

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Plenário do Senado

 

No tiroteio de acusações à Marina, protagonizado por Dilma e Aécio, a governabilidade foi um dos fatores mais destacados, quando se esmiuçou os parcos indícios de estrutura partidária da candidata. Abrigada provisoriamente no PSB, encurralada por uma decisão jurídica, que a impediu de registrar a Rede Sustentabilidade, Marina foi comparada a Jânio Quadros e Fernando Collor. Ambos, eleitos sem a maioria na Câmara, sofreram efeito fulminante, cuja resultante legou uma renúncia e um impeachment.

 

Se a comparação serviu como ataque, embora com resultado eficiente, é parcial, pois a causa da governabilidade política é mais abrangente e remete a um sistema inglório de trocas. Uma rápida análise histórica do poder legislativo federal chegará inevitavelmente ao real toma lá dá cá. Não só para Marina, mas para todos que assumirem sem a maioria absoluta, a qual nem Dilma nem Aécio possuem.

 

Portanto, é agora e é a hora de perguntar a Aécio e Dilma, como vão obter a maioria para a governabilidade na Câmara. Vão apelar ao patriotismo dos deputados, ou a verbas, ou a favores, ou ainda a mensalidades? A empreitada que já era difícil tornou-se mais árdua, pois os 22 partidos de então viraram 28.

 

Dilma, que começava tendo na sua base do PT e PMDB 164 deputados passa agora a ter apenas 136 deputados. Terá então que procurar aliados dentre os 377 deputados restantes.

 

Aécio, cujo PSDB manteve as 54 cadeiras na Câmara, adicionando as 22 do DEM, ficará com 128. Precisará encontrar dentre os 385 parlamentares a quantidade suficiente para a governabilidade.

 

Dilma e Aécio, para honrarem as promessas de reforma tributária, política e administrativa terão de reduzir as fontes de trocas com os parlamentares e os partidos. E, serão eles que aprovarão.

 

Aprovarão?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Jantar no Eleven sai caro

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Há uma semana, a Comissão de Ética da Presidência decidiu arquivar por unanimidade o pedido de investigação feito pelo PSDB contra a presidente Dilma, por ter incorrido em gastos sem agenda oficial. A Comissão, por norma estabelecida no governo FHC, não tem poder para investigar presidente e vice-presidente da república.

 

A escala em Lisboa da comitiva presidencial, como se viu, rendeu para a mídia espaços e tempo dignos de grandes eventos, o que seria um exagero não fosse o pitoresco das reações dos envolvidos. Menos mal para repórteres e colunistas que puderam preencher suas obrigações, trazendo à pauta política um pouco do luxo do Ritz e do sabor do Eleven.

 

A presidente entrou na discussão e declarou que ela pagou a própria conta do restaurante Eleven, assim como os seus ministros. Valorizando um assunto que apenas beneficiou o chef alemão Joachim Koerper. Entrevistado pelo jornalista Rafael Moraes Moura do Estado, Joachim informou que serviu a Dilma cavala defumada, uma pequena porção de robalo e porco preto alentejano. De sobremesa queijo português. O vinho foi cortesia da casa para todos da equipe da presidente, que foi presenteada no final com duas garrafas de Red por J.Koerper. Além de assegurar que no seu cardápio os preços variam de 32 a 89 Euros, e, portanto mais barato do que os restaurantes de São Paulo e Rio, Joachim ressaltou que já atendeu Nicolas Sarkozy, Alberto de Mônaco, Caroline de Mônaco, José Sócrates primeiro ministro de Portugal, e muitos outros.

 

Pela divulgação orquestrada pela oposição brasileira, Koerper pode estar certo que o merchandising a custa de garrafas de vinho vai render muito ao seu restaurante. Um barato que saiu barato.

 

O PSDB além de não usar devidamente FHC, seu ícone maior, ainda desconhece sua obra. Um barato que saiu caro.

 

Dilma com tantos flancos a serem questionados, ficou como apreciadora do luxo. Um caro que saiu barato.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

Os interesses público e partidário na decisão sobre o Instituto Lula

 

Vereadores da CCJ aprovam cessão de terreno para Instituto Lula

 

A concessão de terreno da Cracolândia, centro de São Paulo, para construção do Instituto Lula, como já era de se esperar, tem provocado brigas entre o PT e o PSDB. Este contra e aquele a favor, obviamente, apresentam argumentos jurídicos e históricos para defenderem suas posições e tentar influenciar os vereadores dos demais partidos na votação de projeto assinado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) que pretende ceder área na Rua dos Protestantes, próximo à Estação da Luz, por 99 anos, onde deverá ser erguido o Memorial da Democracia. Após ouvir declarações de lado a lado minha dúvida, levada ao ao durante o Jornal da CBN, é como seria a postura desses mesmos vereadores se a cessão fosse para o Instituto FHC. Petistas aceitariam a ideia de que seria uma forma de “honrar o legado de todos os presidentes que lutaram pela democracia no Brasil” ? Tucanos votariam contra sob a justificativa de que o instituto “não oferece as contrapartidas exigidas por lei de atividades gratuítas e nas áreas de educação e cultura” ? Du-vi-de-o-do

 

O líder do PSDB na Câmara Municipal, Floriano Pesaro, enviou-me resposta na qual nega que a ótica do partidarismo não influencia sua opinião contrária a concessão do terreno para o Instituto Lula: “Trata-se de concessão onerosa. A Nova Luz tem necessidades mais prioritárias do que um museu supostamente democrático – que certamente irá mitificar a figura de Luis Inácio da Silva. O debate aqui limita-se, portanto, ao interesse público” – está escrito em trecho da mensagem que traz informações, também, sobre a constitutição do Instituto Fernando Henrique, criado em 2004 apenas com recursos privados.

 

Com todo respeito a Pesaro, que teve o cuidado de apresentar sua opinião sobre o tema – até agora não recebi nenhuma mensagem da bancada petista na Casa -, a postura dos dois partidos quando expostos em situações contrárias não respalda seus argumentos. Haja vista o que ocorre quando se debate a criação de CPIs em qualquer uma das casas legislativas, independentemente do tema ou das provas. Se a CPI pretende investigar atos do Governo, quem está nele a chama de oportunista e descabida, entendendo que são suficientes as investigações feitas pela polícia, Ministério Público ou a própria Justiça. Quem está na oposição, de oportuna e eleitoreira, para na sequência acusar os adversários de estarem usando a máquina do Estado para impedir a apuração das denúncias. O interesse partidário, historicamente, está acima dos interesses públicos – ao menos é o que assistimos até aqui. Se alguém pretende provar que age diferente, que prove com suas atitudes no cotidiano da política. E tenha paciência até que a minha percepção mude – a minha e de toda a torcida do Flamengo (apesar de, neste caso, ser mais apropriado usar a do Corinthians).

A falta de lógica eleitoral em São Paulo

 

A eleição municipal vai dar um nó na cabeça do eleitor paulistano, haja vista a negociação que os partidos fazem nos bastidores. Imagine os vereadores do PT defendendo a gestão Gilberto Kassab, algo bastante possível a medida que o prefeito e chefe-mor do PSD quer fazer dobradinha na chapa de Fernando Haddad. O ex-ministro da Educação disputaria vaga de prefeito e um kassabista surgiria como vice: Alexandre Schneider, Guilherme Afif Domingos ou outro qualquer, desde que não seja Henrique Meirelles. O ex do Banco Central e BankBoston jamais aceitaria disputar eleição nestas condições, mesmo com as declarações conciliadoras que aparecem entre aspas nos jornais. Gente próxima de Meirelles dá risada quando ouve a proposta.

 

O PSDB, com o nome que aparecer da prévia, terá de atacar Kassab, prefeito que foi levado ao cargo pelas mãos de José Serra, um dos principais comandantes do partido. Até hoje, tucanos integram o governo dele e até pouco tempo Andrea Matarazzo – um dos favoritos na disputa interna do PSDB – era uma espécie de xerife de Kassab no papel de coordenador das subprefeituras. O partido segue votando com os governistas na Câmara Municipal de São Paulo.

 

Serra poderia por ordem nesta lógica eleitoral, pois saindo candidato levaria Kassab ao seu lado, manteria a parceria que venceu em 2004, o PSDB não precisaria atacar a atual gestão e o PT ficaria livre para bater. O problema é que as pesquisas eleitorais com o tucano aparecendo apenas com 18% das intenções de votos – dados da última Datafolha – , depois ter sido prefeito, governador e disputado o segundo turno para presidente, revelam que o risco de uma derrota fatal é enorme. Sem contar a alta rejeição que tem no eleitorado paulistano, cerca de 30%.

 

Com esta confusão, não é de se espantar que uma eleitora que teve seu nome indevidamente inscrito no PSDB, ao ser perguntada pelo repórter do jornal o Estado de São Paulo se era filiada ao partido, respondeu: “Não entendo o que é”.

Câmera do cidadão grava racha do PSDB

Quem diria ! O olho eletrônico do cidadão detonou a maior crise já enfrentada pelo PSDB, em São Paulo.

Foi a câmera que leva à internet as imagens da reunião das comissões permanentes da Câmara Municipal de São Paulo que gravou o encontro do diretório municipal do partido no qual foram feitas críticas duras aos vereadores.

Estas câmeras foram resultado de pedido de ONGs, como Voto Consciente, e de proposta da rede Adote um Vereador para que os encontros nas comissões pudessem ser assistidos por todos os cidadãos.

O encontro do diretório tucano na Câmara foi comandado por Julio Semeghinni, presidente municipal do partido e secretário de Geraldo Alckmin. Restrito a alguns convidados, o conteúdo estava sendo gravado pelo sistema interno do legislativo e caiu nas mãos do presidente da Casa, José Police Neto (PSDB ou melhor ex-PSDB).

Ele e os demais tucanos incomodados com a interferência da ala Alquimista do PSDB, ouviram expressões que beirava a humilhação e os deixaram indignados.

Entre as frases, partidários de Alckmin atacaram os vereadores que apoiaram a candidatura de Gilberto Kassab na eleição de 2008. “Eles têm de ser tratados a peixeira”, teria dito um dos participantes. A reação agressiva é reflexo ainda da eleição municipal passada quando parte da bancada municipal apoio Kassab – então no DEM – em detrimento de Geraldo Alckmin – desde sempre no PSDB.

Após assistirem ao vídeo, os sete vereadores kassabistas entenderam que não havia outra saída. Na tarde dessa segunda-feira, anunciaram a debandada do partido, esfacelando uma das principais forças políticas do Estado na maior cidade do País.

Deixaram o PSDB os vereadores José Police Neto, que preside a Câmara Municipal, Dalton Silvano, Juscelino Gadelha, Adolfo Quintas, Souza Santos, Gilberto Natalini e Ricardo Teixeira. Um ou dois podem recuar – aposta-se em Souza Santos e Adolfo Quintas -, a maioria porém vai migrar ou para o PSD de Kassab ou procurar um outro canto para disputar a reeleição ano que vem.

Um dos vereadores mais abatidos com a crise no PSDB é José Police Neto. No partido desde os tempos de Mário Covas, recentemente enfrentou processo desgastante para chegar à presidência da Câmara, encarando o poder do Centrão. Quando imaginava dar início a novo momento no legislativo obriga-se a liderar um dos instantes mais críticos na vida dos tucanos.

O destino dele ainda não está certo, apesar do assédio de Kassab para que se filie ao novo-velho PSD. Poderia até mesmo ser o candidato a prefeitura de São Paulo com o apoio da máquina municipal – o que não é pouca coisa. Police tem ao menos três meses para ver qual o melhor caminho.

Por falar em sucessão municipal, há quem veja o impasse de agora como o empurrão definitivo para que José Serra (PSDB) saia candidato pelo partido, por mais que negue (ele sempre nega). Ele seria a única salvação para os tucanos depois do racha municipal.

Diante de tudo isso, o PT assiste na plateia à espera dos movimentos do PSD de Kassab, em especial, um partido que nasce disposto a qualquer tipo de negociação, com Deus e o Diabo – estejam eles onde estiverem.

O prefeito, por sua vez, sorri sozinho. Ampliará seu apoio na Câmara, mesmo que o PT bata pé dizendo que fará oposição a ele. O ex-Centrão já está com Kassab, o PC do B está com Kassab, os ex- PSDB, também. Enquanto o que restou do PSDB não sabe o que fará direito.

Kassab a caminho do PMDB

 

Foi quase no fim de uma entrevista com a repórter Marcela Guimarães. Ela questionava o prefeito Gilberto Kassab (DEM) sobre o futuro político dele. Tira o corpo daqui, escapa por ali, Kassab tentava de todas as maneiras negar especulações de que ele deixará o partido.

Apesar da experiência com as palavras, não resistiu e acabou admitindo encontro com o presidente do PMDB e vice-presidente eleito da República, Michel Temer. “Na vida pública, você conversa com todos”, desconversou.

A entrevista com o prefeito está aqui para você ouvir

Certamente a conversa com Temer não foi sobre investimentos do futuro Governo Federal na cidade de São Paulo. A saída do DEM e o sonho de Kassab ser candidato ao Governo do Estado, em 2014, são assuntos dos bastidores políticos desde antes da última eleição.

“Ele não se sente confortável em um partido com o perfil cada vez mais conservador”, explicou o consultor político Gaudêncio Torquato, em entrevista ao CBN São Paulo, que vê no prefeito paulistano “um dos principais articuladores políticos deste país”.

Aqui você ouve a entrevista com Gaudêncio Torquato

Kassab no PMDB seria bom para ele e para o partido que tomou uma surra em São Paulo, está com apenas um deputado eleito na Câmara e quatro na Assembleia. O prefeito teria espaço para lançar-se candidato ao Governo, turbinado pelas inúmeras obras que pretende entregar até o fim de seu mandato em 2012, em oposição a Geraldo Alckmin, do PSDB.

Mas Alckmin nem assumiu o governo ainda e já se discute a sucessão dele ? Não podemos esquecer que político está sempre olhando para o futuro.

A lei da fidelidade partidária atrapalha a troca de partido. Nada que alguém com habilidade não seja capaz de contornar. Alegar incompatibilidade ideológica com o DEM que estaria caminhando ainda mais para a direita seria uma forma de Kassab escapar de qualquer quarentena imposta pela legislação.

Uma discordância interna também viria a calhar. E a disputa para a presidência da Câmara Municipal de São Paulo poderia colaborar com as intenções do prefeito. Há uma briga entre PSDB e DEM pelo comando da casa, a partir de janeiro. E o prefeito está ao lado dos tucanos.

Kassab não esconde seu apoio a candidatura do vereador José Police Neto do PSDB. Tem, inclusive, ligado para parlamentares e pedido o voto para o tucano que, afinal, é o líder do governo dele. Milton Leite que é do DEM teria o apoio da cúpula do partido na iniciativa de se transformar em presidente da Câmara de São Paulo. Uma linha de choque entre o prefeito e o comando do partido poderia ser bem-vinda nesta altura da disputa.

Alckmin, do PSDB, entre cafezinhos e estatísticas

 

Cafezinho, número, debate, estatística, cazefinho de novo, mais debate, mais dados, e um cafezinho, por favor ! Assim tem sido o cotidiano do candidato Geraldo Alckmin, do PSDB, apontado como favorito na disputa pelo Governo de Estado de São Paulo.

Na noite passada, estava em um debate. O quarto de seis que se realizarão até o fim do primeiro turno. “Com seis participantes fica cansativo”, confidenciou. Hoje cedo, saiu de casa para a rádio CBN e pouco antes de entrar na emissora, atravessou a rua para mais um cafezinho. É sempre oportunidade para ganhar o apoio de um eleitor que esteja no caminho.

Interrompeu o trajeto para cumprimentar o jornalista Heródoto Barbeiro que deixava a rádio naquele momento. “Fui aluno dele” contou aos mais próximos. E seguiu para o cafezinho. Abraços, foto, um sorriso contido.

Apesar de aparecer com chances de ganhar a eleição no primeiro turno, Alckmin não perde um minuto de sua agenda. Sabe que qualquer descuido é suficiente para ter de encarar mais uma etapa nesta corrida, o que significaria mais cafezinho, número, debate, estatística …

Chega no estúdio acompanhado de alguns assessores, fotógrafos e um cinegrafista da TV Globo que grava imagens para reportagem do dia. A propósito: Alckmin faz parte dos candidatos de gravata, e usa uma azul. Será retirada assim que voltar às ruas.

Antes disso, porém, mantém a pose de candidato na televisão (é no rádio e na internet nossa entrevista, mas é como se fosse na TV). Senta com a coluna ereta, não encosta na cadeira, usa as mãos de maneira sincronizada com a fala e mantém um hábito de políticos antigos: fala olhando para a lente da câmera, se esquecendo que ao lado dele tem um jornalista a fazer pergunta.

Da primeira a última pergunta tenta disparar dados, estatísticas e propostas de governo, mesmo que a questão tenha outro sentido. Se não é forçado a interromper a resposta, dá a impressão de que falaria sem errar os 30 minutos que tem à disposição. Este hábito torna a entrevista quase um embate. Posso perguntar, por favor ?

Falou muito de educação, metrô e segurança, sempre apoiado em uma quantidade enorme de dados, alguns dos quais difíceis de serem confirmados. Comentou sobre o Efeito Lula na eleição estadual e de denúncias durante seu governo quando foi acusado de estar beneficiando deputados da base aliada com verba de publicidade da Nossa Caixa.

 

Apesar de gostar tanto de números e dados (e cafezinho), Alckmin abre mão de usá-los quando o tema é transparência na campanha. Diz que não vai divulgar o nome dos financiadores antes da eleição, pois cumpre a lei rigorosamente. Se cadastrar no site do Ficha Limpa nem pensar: “daqui a pouco vem uma ONG e vai querer que a gente atualize as contas diariamente”, reclamou. Sugeriu que transformem a obrigação em lei. Deve ter esquecido que ONG na cria lei, deputados (inclusive os da base alida) é que têm este poder.

Seja como for, a entrevista termina e lá vai o candidato para mais um cafezinho, números, debate, estatística, cazefinho de novo … Ele torce para que dia 3 de outubro esta maratona acabe, seus oito concorrentes esperam que não.

Perguntômetro

Líder nas pesquisas e no número de mensagens, também. Entre perguntas, críticas e sugestões foram 78 as que contei em minha caixa de correio.

Alckmin é o entrevistado do CBN SP, na rádio e na internet

 

CBN SP painelFavorito nas pesquisas eleitorais, antes mesmo de se iniciar a campanha, Geraldo Alckmin do PSDB tem a oportunidade de vencer a eleição no primeiro turno, apesar da redução da diferença entre ele e Aloizio Mercadante do PT. É o que mostram pesquisas dos principais institutos, casos do Ibope e Datafolha. O ex-governador será o entrevistado desta quinta-feira, no CBN SP, com transmissão simultânea na internet.

Alckmin responderá perguntas feitas com base em entrevistas realizadas com especialistas em seis áreas – educação, saúde, transporte, meio ambiente, segurança e gestão pública e transparência -, além de sugestões envidas por ouvintes-internautas nas últimas duas semanas. O público poderá participar também, durante a entrevista, enviando e-mail para milton@cbn.com.br. Todas as perguntas serão repassadas, após a entrevista, para a assessoria do candidato.

A série com os Governadores, que se iniciou semana passada, vai ao ar das 10 e meia às 11 da manhã.

Acompanhe o calendário dos candidatos decidido por sorteio:

Dia 08.09 – quarta – Paulo Skaf (PSB)
Dia 09.09 – quinta – Celso Russomano (PP)
Dia 10.09 – sexta – Paulo Roberto Bufalo (PSOL)
Dia 13.09 – segunda – Luiz Carlos Prates, Mancha (PSTU)

Dia 14.09 – terça – Aloizio Mercadante (PT)

Dia 15.09 – quarta – Anai Caproni (PCO)
Dia 16.09 – quinta – Geraldo Alckmin (PSDB)

Dia 17.09 – sexta – Fábio Feldmann (PV)

Dia 20.09 – segunda – Igor Grabois (PCB)