Conte Sua História de SP: uma cidade que vai além da rua principal

 

Por Nair Kuniy

 

 

São nove horas da noite de 28 de fevereiro de 1960. O trem da Companhia Paulista de Estrada de Ferro chega pontualmente na Estação da Luz e dele eu desembarco junto com meus pais e mais três irmãos. Meu irmão mais velho, de dezoito anos, veio antes a fim de procurar uma casa para alugar. Estamos nos mudando para São Paulo. Eu vou completar quatorze anos daqui a três semanas e estou curiosíssima para conhecer a cidade da qual tanto ouço falar. Um primo que já mora aqui há alguns anos providenciou para os nossos primeiros dias, até a chegada do caminhão com os móveis, nossa acomodação junto à família de seu sócio. Eles têm uma pequena loja de produtos alimentícios, à Rua Galvão Bueno, no bairro da Liberdade, e a casa fica nos fundos da loja.

 

No caminho da estação de trem até a casa, olho pasma, pela janela do táxi, para os edifícios e as luzes da cidade. Eu venho de Vera Cruz, interior do estado. A cidade é tão pequena, que a igreja, um solitário semáforo e um edifício de três andares são as referências mais importantes. Para mim, o início e o fim de Vera Cruz estão delimitados pela extensão da rua principal. Meu primeiro pensamento ao ver tantos edifícios e luzes intermináveis é saber onde começa e onde termina a cidade de São Paulo.

 

Com o passar dos primeiros dias, as surpresas ainda se sucedem à medida que eu vou conhecendo mais um pouco o novo lugar. Bonde, escada rolante, elevador, feira livre, locais maravilhosos como o Aeroporto de Congonhas, o zoológico, o Anhangabaú, o Parque do Ibirapuera e, também, muita gente, de todas as idades e cores, em qualquer lugar que se vá, além do frio intenso e da garoa à medida que o inverno se aproxima.

 

Outro pormenor que não pode deixar de ser citado é o aviso de que devemos tomar muito cuidado com os batedores de carteiras. Eu os imagino uma espécie de prestidigitadores, pois a fama é de que suas vítimas não percebem quando são surrupiadas.

 

Outra grande surpresa é a casa em que vamos morar: na Vila Clementino, perto do Hospital São Paulo. Imensa a meu ver. Um sobrado, com um pequeno jardim na frente e um quintal todo cimentado nos fundos. Três dormitórios, duas salas, cozinha, despensa e dois banheiros. Nossa última residência, em Vera Cruz, não tinha sequer banheiro privativo. Usávamos uma fossa, compartilhada com mais duas famílias.

 

Uma das salas já está reservada para minha mãe abrir um salão de cabeleireira e por isso ela logo procura uma escola para a sua formação. Meu pai consegue um emprego de alfaiate com um patrício que tem uma bela alfaiataria na Domingos de Moraes. Meus dois irmãos mais velhos também começam a trabalhar e eu cuido da casa e da comida, com a ajuda da outra irmã menor. Até minha mãe começar a trabalhar, o que leva seis meses, o dinheiro mal dá para sobreviver e pagar o aluguel. No ano seguinte, a renda do salão já cresce o suficiente para vivermos com mais conforto e, assim, podemos retornar aos estudos e continuar até terminar a faculdade. A cultura japonesa sempre valorizou muito uma boa formação educacional e, felizmente, o Brasil é um país que permite a ascensão social daqueles que estudam e não perdem a chance de crescer profissionalmente.

 

Nair Kuniy é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Envie seu texto para milton@cbn.com.br. 

Mundo Corporativo – Nova Geração: Rafael Ribeiro, da ABS, mostra como transformar sua startup em um bom negócio

 

 

“Não basta ter só uma ideia, se você não tem um time para executar aquela ideia”. O alerta é de Rafael Ribeiro, gerente executivo da Associação Brasileira de Startups, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Para ele, muitos jovens desperdiçam boas oportunidades no mercado por não se planejarem nem desenvolverem as estratégias necessárias para se aproximar de parceiros e investidores.

 

Na entrevista, Ribeiro também convida os novos empreendedores a ouvirem mais os profissionais que já estão no mercado: “você não vai chegar a lugar nenhum sozinho, muitas das vezes você não conhece muito daquele mercado tão a fundo quanto você acha, e ignorar a experiência de executivos e de pessoas mais experientes é um grande erro”.

 

A Associação Brasileira de Startups está promovendo a Case – Conferência Anual de Startups e Empreendedorismo, nos dias 7 e 8 de novembro, no centro de exposições do Anhembi, em São Paulo. Para outras informações, acesse o site http://www.abstartups.com.br

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, pelo site e pela página no Facebook da rádio CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Todo último sábado do mês, você ouve a versão do Mundo Corporativo – Nova Geração, dedicado a orientar e inspirar jovens que estejam dispostos a entrar no mercado de trabalho como empresários, empreendedores ou profissionais nas mais diversas áreas de atuação.

Quintanares: Contigo fiz, ainda em menininho

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

XI [CONTIGO FIZ, AINDA EM MENININHO]

 

Contigo fiz, ainda em menininho,
Todo o meu Curso d′Alma… E desde cedo
Aprendi a sofrer devagarinho,
A guardar meu amor como um segredo…

 

Nas minhas chagas vinhas pôr o dedo
E eu era o Triste, o Doído, o Pobrezinho!
Amava, à noite, as Luas de bruxedo,
Chamava o Pôr-do-sol de Meu Padrinho…

 

Anto querido, esse teu livro “Só”
Encheu de luar a minha infância triste.
E ninguém mais há de ficar tão só:

 

Sofreste a nossa dor, como Jesus…
E nesta Costa d′África surgiste
Para ajudar-nos a levar a Cruz!…

 

Quintanares foi programa originalmente apresentado na rádio Guaíba de Porto Alegre

Conte Sua História de SP: da laje na Vila Munhoz, enxergava a Paulista

 

Por José Cássio de Goes

 

 

Morei na rua André da Fonseca, 176. Vila Munhoz. Embora pequena – não chegava sequer ao número 400 – era muito importante na região. Abrigava o posto de saúde que é hoje a UBS Vila Maria Dr. Luiz Paulo Gnecco. E ao lado, tem o parque infantil que hoje é chamado de EMEI Eduardo Carlos Pereira. Além de ser o ponto final do ônibus que fazia a linha Pq. D. Pedro II Vila Munhoz – o 2123. Era um ônibus da empresa Alto do Pari com cores verde e branco. Hoje não existe mais essa linha.

 

Morei por 40 anos, na André da Fonseca, e ainda tenho familiares lá – irmãs, sobrinho, cunhado.

 

Lembro que da laje de minha casa, eu e meu pai costumávamos observar os inúmeros prédios do centro, até os da Avenida Paulista; minha rua ficava há 800 metros do nível do mar … um mirante.

 

Certa vez, no parque infantil que chamávamos de “parquinho” apresentaram-se os palhaços Torresmo e Pururuca. Eu e meus amigos da rua nos divertimos muito. Uma cena inesquecível: em um determinado momento caía a calça do Torresmo e um coração vermelho aparecia no traseiro do calção dele… E gargalhadas quase infinitas ecoavam pelo parque.

 

Não menos importante, era a venda da Dona Maria, uma portuguesa que ficava na outra ponta da rua… onde a garotada, quando tínhamos algumas moedas, comprava pé de moleque, maria-mole, suspiro e paçoca. Hoje, no local da venda construíram sobrinhos.

 

A transformação da cidade de São Paulo e da Vila Munhoz foi e é brutal. Assim como a cidade, a minha Vila, também precisa ser mais humana, pois está contida na metrópole.

 

José Cássio de Góes é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você mais um capítulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br. Se quiser conhecer outras histórias de São Paulo, vá agora ao meu blog miltonjung.com.br

Mundo Corporativo: juiz Marlos A. Melek dá dicas de como reduzir conflitos trabalhistas na sua empresa

 

 

“A tendência das empresas que passarem de dois anos, graças à Deus, é crescer. Daqui dois, três anos, daqui seis meses, talvez vocês não lembrem o que foi combinado lá atrás, aí começa a criar aquele conflito, aquela dúvida. O trabalhador diz: mas eu não fui contratado para isso, eu estou acumulando função. Então começa um grau de insatisfação,piora o clima organizacional da empresa e, por outro lado, começa a ter o conflito”. A afirmação é do juiz federal do trabalho Marlos Augusto Melek, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Melek faz inúmeros alertas sobre cuidados que empregados e empregadores devem adotar para que os problemas trabalhistas não contaminem o ambiente organizacional. Ele é autor do livro “Trabalhista. E agora?”, publicado pela EstudoImediato.com

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, no site cbn.com.br, às quartas-feiras, 11 horas. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Participam do Mundo Corporativo Alessandra Dias, Carlos Mesquisa e Denis Willians Ferreira.

Conte Sua História de SP: “Vai pra Sum Paulu, fía?”

 

Por Flávia A Souza
Ouvinte-internauta da Rádio CBN

 

 

Contemplar diferenças. Eis o mistério e o encanto desta metrópole. Das marginais superpovoadas aos parques-oásis, das robustas pontes às estreitas ruas de favela, da plataforma incessante de modernos edifícios à arquitetura imperial remanescente, do sincretismo dos idiomas das gentes do mundo ao mundo de gente de dialetos regionais, da insegurança sem alento ao irradiante fascínio da celeridade, da ilusão camuflada ao discreto e adormecido amor sublime, do indivíduo central ao coletivo em nichos, do anonimato ao ensaio da vaidade, das perguntas evitadas às respostas contundentes, das dúvidas oscilantes às certezas insistentes.

 

Sim, contraste e esplendor. E semeio meu caminho por estas bandas.

 

“Vai pra Sum Paulu, fía?”, indagou minha família, do Centro-Oeste do Brasil, quando aqui ancorei. Vivi meus 20’s, 30’s e já me aproximo dos 40’s na capital do desenvolvimento. Culpo-me pela saturação, pois sou imigrante, dentre os tantos que catalisam os problemas desta cidade mais do que as soluções. Também me indulgencio quando emano ternura por esta terra tão intrigante e sedutora.

 

No balanço, sinto-me mais que menos. Daqui fiz o benço do meu filho, inspirada pela Abençoada missão de fazer dele um homem bom: meu presente para São Paulo, quem me traz tantos presentes, a cada fato e sentimento que vivo, com sorriso, às vezes úmido, mas sempre providente.

 

Flávia Souza é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capitulo da nossa cidade: envie seu texto para milton@cbn.com.br

Quintanares: A mesma ruazinha sossegada

 

 

Poesia de Mário Quintana
Publicada em A Rua dos Cataventos, 1940
Interpretada por Milton Ferretti Jung

 

 

Para Emilio Kemp

 

É a mesma ruazinha sossegada,
Com as velhas rondas e as canções de outrora…
E os meus lindos pregões da madrugada
Passam cantando ruazinha em fora!

 

Mas parece que a luz está cansada…
E, não sei como, tudo tem, agora,
Essa tonalidade amarelada
Dos cartazes que o tempo descolora…

 

Sim, desses cartazes ante os quais
Nós às vezes paramos, indecisos…
Mas para quê?… Se não adiantam mais!…

 

Pobres cartazes por aí a fora
Que inda anunciam: — ALEGRIA — RISOS
Depois do Circo já ter ido embora!…

 

 

Conte Sua História de SP:o hino que cantei na inauguração do Pacaembu

 

Por Elmira Pasquini

 

 

São Paulo, que pena que seus filhos hoje não entendem de patriotismo, que deixou de ser ensinado nas suas escolas públicas. Deixou de lado o respeito aos professores que  sabiam despertar os corações para amar a pátria que aos poucos foi perdendo  seu valor.

 

Hino Nacional, Hino à Bandeira, Hino da Proclamação da Republica e outros eram ensinados e cantados com todo o respeito e amor.

 

No ano de 1940 quando foi inaugurado nosso Estádio do Pacaembu, lá estávamos como estudantes, outros como atletas, uniformizados e perfilados, esbanjando nosso amor pela pátria, através do respeito à nossa bandeira, e aos hinos entoados com vibração e alegria.

 

Depois de desfilarmos na volta ao estádio, fomos colocados perfilados  no campo de futebol, bem em frente ao local do hasteamento da bandeira. A alegria não poderia ser maior, demonstrando o que aprendíamos no lar, nas escolas, nos clubes e em nossa vida diária.

 

Que pena São Paulo chegamos a um saudoso sofrimento, mas com orgulho podemos dizer: somos felizes que, como antigos, muitos ainda podemos afirmar que  nos orgulhamos deste São Paulo que apesar de não ter  continuado a ser o exemplo de amor, dedicação e dignidade muitos ainda tem coração e lágrimas nos olhos ao entoar o Hino Nacional, assistir ao hasteamento da bandeira, etc.

 

Deixamos aqui um apelo àqueles que ainda sentem este amor pela pátria: não desanimem, levantem suas vozes com seus corações cheios de esperança e amor para que nossos descendentes ainda possam continuar a se orgulhar deste São Paulo tão sofrido.

 

Tenho orgulho de ser nascida neste torrão de terra.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. A sonorização é do Cláudio Antonio e a narração de Mílton Jung.

Mundo Corporativo: Karin Khouri fala de liderança e engajamento da equipe

 

 

Há gestores que não gostam quando seus colaboradores levam até eles problemas que estão enfrentando em suas áreas. Por outro lado, aqueles que demonstram habilidade para contribuir com a solução conseguem ter equipes mais bem engajadas.

 

O alerta é do consultor Karin Khouri em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Autor do livro “Liderança é uma questão de atitude”, Khouri entende que uma equipe engajada tende a ser mais produtiva e criativa.

 

Entre outros assuntos, o consultor fala das estratégias que devem ser adotadas para que o líder consiga construir uma relação de confiança, de como abordar os integrantes do seu time em momentos de dificuldade e da necessidade de se planejar bem as reuniões de trabalho.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site http://www.cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN. E tem a colaboração da Alessandra Dias, do Carlos Mesquita e da Debora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: minha vida na cidade começou de fato no Fórum João Mendes

 

Por Paula Calloni
Ouvinte da rádio CBN

 

 

O Hospital e Maternidade Central Nossa Senhora da Abadia, em Santo Amaro, que era administrado por freiras, já não existe mais. Lá conheci meus pais pela primeira vez, quando tinha 15 dias de vida, em 1968.

 

Eles já tinham 3 filhos, mas queriam mais uma menina. A freira levou minha mãe ao berçário e mostrou vários recém-nascidos, abandonados pelas mães biológicas… a maioria solteiras e recém-chegadas à cidade. Ao me pegar no colo, minha mãe disse: “quero esta”. E não adiantou a irmã apresentar outros bebês: “quero esta!” – disse mamãe, firme.

 

Dias depois, lá fui eu para o fórum João Mendes, região da Sé, nos braços da enfermeira Venina de Oliveira Costa, já falecida, que me entregaria para meus pais adotivos.

 

Quantas vidas se encontrando na São Paulo que se agigantava, vivaz, onde viver já era uma correria.

 

Naquela manhã, o juiz da Vara de Menores do Fórum propôs que eu ficasse num abrigo para menores até sair a papelada oficial da adoção.

 

Nesse momento, meu pai, imigrante italiano, me segurou firme e desafiou o juiz: “ela é minha filha e se eu não sair com ela no colo hoje, vou deixá-la aqui!”.

 

O que fazer? O juiz se viu encurralado. E cedeu. Ufa…

 

Ganhei uma família. Ganhei um lar.

 

Hoje, quando passo ao lado do Fórum João Mendes, olho para ele, imponente, sem jamais esquecer que ali, de fato, começava a minha história com São Paulo.

 

O Conte Sua História de São Paulo tem sonorização do Cláudio Antonio e narração de Mílton Jung. Vai ao ar aos sábados, após às 10h30, no CBN SP. Para participar, envie seu texto para milton@cbn.com.br