Conte Sua História de SP – 462 anos: aquela turma do Itaim Bibi

 

Por João Batista de Paula

 

 

Minha rua era recheada de história. As pequenas casas com seus jardins sem padrão definido e flores de todas as espécies, que se confundiam com pequenas arvores frutíferas e arbustos; daí vinham os pássaros e as borboletas, e o cheiro de pessoas amigas, e a vida calma que levávamos.

 

A casa de número três da rua Mário de Castro era a primeira casa, morava o senhor Emílio; a minha era de número 7, há uns vinte metros, se tanto, do Córrego do Sapateiro, no Itaim Bibi, zona oeste da cidade.

 

Isso há uns bons 77 anos.

 

Seu Emílio era alto, parecia personagem das aventuras dos Sete Mares. Antes do dia escurecer, costumava ficar em seu portão vestido de branco. Ele não usava cinto, e sim uma larga faixa de tecido vermelho enrolada na cintura. Apesar dos meus 83 anos já vividos, ainda posso enxergá-lo com seu cigarro de palha, olhando o sol se por. Essa figura, embora gigante aos olhos de um menino, não metia medo. Seu semblante era de paz. Nos impressionava mesmo era a grande família que tinha: doze pessoas.

 

Vamos a elas, o casal Sr. Emilio Carota e Dona Julia Carota. os seus filhos por ordem de idade: Armando Alberto, Néca, Ermelinda a (Nuje) Rosa, Mafalda, Nélia, Olga, Lolita, e Nina.

 

Quantos casamentos nessa família, quantas festas juninas, quantas risadas e choros dessas pessoas que enfeitaram minha infância e adolescência.

 

A Mário de Castro até já mudou de nome. Agora é a Fernandes de Abreu. Mas, se me concentrar bem, ainda lembro das brincadeiras naquela rua. Éramos uns 20 ou mais meninos e meninas.

 

A noitinha, quando estávamos no auge das brincadeiras, vozes vindas das casas, chamando Olguinha, Nélia, …. tá na hora, a mãe tá chamando … Dito, Nelson, Lúcia, Guiomar … Tchau, tchau, amigos! E disparavam em direção a suas casas. Minha mãe sempre me consolava: dê tempo ao tempo!

 

Uma grande verdade. O tempo é senhor de tudo e de todos. Sem nos darmos conta fomos seguindo nosso rumo. Assim como nos encontramos naturalmente e, por acaso, também nos separamos.

 

Às vezes nos meus devaneios, tenho vontade de gritar bem alto para toda aquela turma do Itaim Bibi: Tchau, tchau – ate amanhã!

 

João Batista de Paula é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio

 

Conte Sua História de SP – 462 anos: aprendi a nadar no Rio Tietê

 

Por Elmira Pasquini

 

 

Em 1937, quando morávamos em Itaquera, zona leste, só havia um grupo escolar, ou seja até o 4o. ano primário, o que levou meus pais a mudar para a cidade afim de eu prosseguir nos estudos. Se arriscaram, e vou adiantar que em pouco tempo começaram a sentir falta da tranquilidade da chácara onde tínhamos tudo que precisávamos, fresquinho sem sair de casa, e sem gastar.

 

Na cidade, a primeira coisa que preocupou papai foi fazer parte de um clube para nadar e praticar exercícios, assim como fazia na chácara. Íamos de bonde para o clube Guarany .no bairro do Tatuapé. Logo. papai comprou um barco fininho e comprido, com rodinhas no assento. Tinha remos bem longos, que papai sabia fazer deslizar na água de forma muito elegante.

 

Meu irmão e eu sentávamos um em cada ponta do barco, enquanto descíamos o Rio Tietê, que de tão limpo enxergávamos através de suas águas. De remo, chegávamos a Ponte das Bandeiras, no Clube de Regatas Tietê. Ali, papai dava meia volta e começava o nosso exercício. Com os remos, gentilmente, ele nos empurrava para dentro do rio, e do nosso jeito íamos nadando ao lado do barco. De vez em quando, ele colocava o remo à nossa disposição para fazermos um rápido descanso e retomar o fôlego, pois estávamos nadando rio acima.

 

Papai nos orientava: braçadas curtas, mais devagar, batendo os pés, calma, mais perto do barco… fazíamos tudo que aprendíamos num quadrado, cercado e forrado de madeira, que ficava dentro do rio, chamado de “cocho” – próprio para menores que estavam aprendendo a nadar.

 

Apesar de gostarmos e nos esforçarmos para fazer tudo direitinho, ficávamos animados mesmo é quando víamos que o clube estava chegando.

 

Assim era o Rio Tietê, quando ainda tinha suas margens cheias de mato.

 

Elmira Pasquini é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A narração é de Mílton Jung e a sonorização de Cláudio Antonio. Para participar do Conte Sua História de São Paulo, envie texto para milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: era a coisa certa a fazer? quem saberia?

 

Por Elaine Viana
ouvinte da rádio CBN

 

 

Chegando em São Paulo.

 

Querida São Paulo, quero te contar tudo o que aconteceu comigo, dos meus sonhos, dos meus medos, das minhas conquistas e das minhas incertezas.

 

Quando deixei para trás todos aqueles que eu amo, no verão de 1999, na cidade de Araruna, na Paraíba, eu carregava na mala uma vida de saudades e lamentações de amores distantes. Ficavam na porta da minha casa meu pai, minha mãe e meus irmãos aos prantos. E eu, ao olhá-los pela janela do ônibus, sentia o meu coração partir-se em mil pedaços. E me perguntava se era a coisa certa a fazer?

 

Quem saberia?

 

Uma garota de dezenove anos, com o rosto lavado de lágrimas; no coração, além das incertezas, também havia esperança de uma vida melhor, com mais portas abertas. Quando eu olhava ao meu redor, eu via os que também estavam chorando por partir, então eu não era a única a despedir-me de minha família.

 

Com mais de 2.700 quilômetros rodados, finalmente a rodoviária do terminal Tietê. Sonho realizado! Será? Não! A minha vida estava apenas começando… Carros, prédios buzinas. Minha nossa! O que é isto? Tanta gente, tantas malas, quantas bagagens… Tanta confusão na minha cabeça, entretanto, eu estava amando tudo isso.

 

O tempo passou… Quantas coisas eu vivi. Tantos sentimentos bons e ruins eu tive. O quanto eu aprendi aqui em São Paulo.

 

Do primeiro cinema ao primeiro shopping, quantas descobertas… Quantas artes, músicas, teatros… Uma cidade rica em informações, até quem não quer aprender, acaba aprendendo…

 

Cidade mãe, a cada brisa que toca em meu rosto, eu ainda sinto as boas vidas e a boa sorte que São Paulo trouxe-me quando pisei nesse solo.

 

Hoje, quando vejo pela janela do meu quarto, no último andar do prédio, a noite iluminada pelas inúmeras luzes de São Paulo, posso sentir as lembranças batendo em meu rosto, como se fossem asas de anjos sobrevoando a minha vida. Quando olho nos olhos do meu filho relembro tudo o que eu passei, como cheguei até aqui, como consegui ficar aqui, nesta cidade onde tudo é abundante, onde eu decidi fazer a minha vida, onde eu aprendi a amar como se fosse minha.

 

São Paulo deu-me todas as oportunidades que uma garota paraibana, de 19 anos, sonhava em ter. Aqui fiz minha família, aqui encontrei o meu amado marido, aqui virei professora, aqui tive o meu querido filho. Aqui eu tenho o que eu preciso.

 

Mergulhada nas minhas lembranças, eu sinto a mão de São Paulo tocar em meu rosto e me dizer: “filha, você venceu os obstáculos, agarrou as oportunidades e aprendeu direitinho tudo o que eu te ensinei”. É assim que vejo esta cidade, como uma mãe abençoada por Deus. Porque é assim que os filhos fazem, quando necessitam correm para os braços da mãe.

 

Sou grata por tudo que aprendi e vivi… Sou grata pelo meu eterno amor e meu eterno amado filho.

 

Sou grata pelo que ainda vou aprender e sou grata por toda a saudade que tenho dos meus pais. Eu tenho certeza que é essa vida, que os meus pais sonhavam que eu tivesse.

 

PS: Nunca deixei de visitar meus pais. Todos os anos passamos nossas férias com eles. É claro que também amo a minha cidade natal e melhor do que estar lá, é estar com os presentes que São Paulo me deu. Meu amor e meu filho (Paulo e Júnior). Acho que tudo isso tinha mesmo que acontecer: haja Paulo na minha vida. Pai Paulo, marido Paulo, filho Paulo e cidade que moro e amo São Paulo.

 

Boa noite São Paulo. Dorme com Deus. É assim que eu me sino nesta cidade, nas mãos de Deus.

 

Atenciosamente

 

Elaine Viana

Mundo Corporativo: Eduardo Sampaio,da Monterrey, fala do mercado de paletas

 

 

No Brasil, existem mais ou menos 500 marcas de paletas – os picolés mexicanos – das quais 379 estruturadas para atuar com franquias em um mercado que surgiu há cerca de três anos. Na tentativa de se diferenciar e manter-se neste setor, a Monterrey entendeu a necessidade de profissionalizar a gestão do negócio e ampliar sua rede de franqueados. Para Eduardo Sampaio, diretor de marketing e vendas da fabricante, que começou a operar em 2013, na Bahia, “muitos fazem paletas mas poucos são aqueles que efetivamente conseguem produzir com um bom valor agregado”

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Sampaio fala da estratégia de negócios para atuar no ramo de alimentação, das oportunidades para quem pretende abrir franquias e das demandas que existem neste mercado.

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. O Mundo Corporativo tem a colaboração de Paulo Rodolfo, Douglas Matos e Débora Gonçalves.

Quintanares: De gramática e de linguagem

 

“Quintanares” foi o nome de programa apresentado na Rádio Guaíba de Porto Alegre, no qual a poesia de Mário Quintana era interpretada por Milton Ferretti Jung, que dispensa apresentações a você, caro e raro leitor deste Blog. Nos primórdios deste blog – refiro-me ao ano de 2008 -, reproduzimos aqui algumas dessas gravações. Uma busca no sistema disponível vai lhe remeter àqueles posts, mas, devido as diferentes migrações feitas, de uma plataforma para outra, os arquivos e áudio se perderam.

 

Neste domingo, retomo a publicação do programa com a devida autorização do seu apresentador, é lógico.

 

Levante o som do seu computador, clique no link a seguir e se delicie com Mário Quintana na voz de Milton Ferretti Jung:

 


Mario Quintana: De Gramática e de Linguagem E havia uma…

 

De Gramática e de Linguagem

 

E havia uma gramática que dizia assim:
“Substantivo (concreto) é tudo quanto indica
Pessoa, animal ou cousa: João, sabiá, caneta”.
Eu gosto das cousas. As cousas sim !…
As pessoas atrapalham. Estão em toda parte. Multiplicam-se em excesso.

 

As cousas são quietas. Bastam-se. Não se metem com ninguém.
Uma pedra. Um armário. Um ovo, nem sempre,
Ovo pode estar choco: é inquietante…)
As cousas vivem metidas com as suas cousas.
E não exigem nada.
Apenas que não as tirem do lugar onde estão.
E João pode neste mesmo instante vir bater à nossa porta.
Para quê? Não importa: João vem!
E há de estar triste ou alegre, reticente ou falastrão,
Amigo ou adverso…João só será definitivo
Quando esticar a canela. Morre, João…
Mas o bom mesmo, são os adjetivos,
Os puros adjetivos isentos de qualquer objeto.
Verde. Macio. Áspero. Rente. Escuro. luminoso.
Sonoro. Lento. Eu sonho
Com uma linguagem composta unicamente de adjetivos
Como decerto é a linguagem das plantas e dos animais.
Ainda mais:
Eu sonho com um poema
Cujas palavras sumarentas escorram
Como a polpa de um fruto maduro em tua boca,
Um poema que te mate de amor
Antes mesmo que tu saibas o misterioso sentido:
Basta provares o seu gosto…

Conte Sua História de São Paulo: o cordel da cidade multicolorida

 

Por Pedro Monteiro
Ouvinte CBN e cordelista

 

 

Minha São Paulo querida
Berço da desenvoltura,
Alavancando o progresso
De renomada estatura,
Na meiguice ou na crueza,
Sua imponente beleza
Tem diversão e cultura.

 

Quando um imigrante deixa
Para trás a sua terra,
Seus costumes, sua gente,
Seja na paz ou na guerra,
Na tristeza ou na alegria,
São Paulo é a garantia
De quem mirando não erra.

 

Cada migrante que chega
Trazendo seu predicado,
Ajuda na construção
Desse importante legado.
Com essa atitude boa,
Hoje a terra da garoa
Tornou-se berço afamado.

 

Entre adotivos e natos
Ela não faz distinção;
Valoriza a quem batalha
Ganhando honesto o seu pão.
Quem vai à luta, ela ampara;
Quem não vai, ela equipara
Aos caídos no chão.

 

Beijo a face multicor
Dessa torre de babel,
Para o seu aniversário
Quero pintar um painel,
Com as cores da emoção,
Gravadas no coração
Nestes versos de cordel.

Mundo Corporativo: Fernando Leira, da Landor, apresenta as marcas mais ágeis do mundo

 

 

Samsung, Android, Wikipedia, Google, Dyson, Apple, YouTube, Microsoft, Ikea e Disney são as marcas mais ágeis do mundo de acordo com estudo realizado pela Landor, agência global de branding. A pesquisa foi realizada em quatro etapas e contou com a participação de 80 mil consumidores e análise de mais de 5.200 marcas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo, da rádio CBN, Fernando Leira, gerente-geral da Landor, diz que são consideradas marcas ágeis as que permanecem fiéis à própria essência, mas se adaptam e reagem positivamente às transformações do mercado.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site cbn.com.br. O quadro é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração do Paulo Rodolfo, do Douglas Matos e da Debora Gonçalves.

Conte Sua História de SP: a controvérsia na poesia da nossa cidade

 

Por Gercyvania Lucia Fernandes Lima

 

 

Como uma boa paulista paraíbana, minha homenagem a esta linda e rica cidade que me acolheu e me ofereceu o de melhor e pior, onde vivo sorrio, canto e encanto, minha história contarei em versos, pois em todas controvérsias encontradas, nunca desistirei desta linda São Paulo que hoje com orgulho a chamo de minha Cidade!

 

São Paulo Controvérsia

 

São Paulo é assim,
Onde se vive,
Onde se deixa de viver,
Cidade que não para,
Não para de crescer.

 

Cidade dos sonhos,
Sonhos dos desiludidos,
Desilusão dos que sonham,
Dos que dormem e não acordam,
Dos que simplesmente não dormem.

 

Cidade dos que vivem sem tempo,
Dos que não tem tempo para viver,
Dos que esperam para ir,
Dos que são empurrados para vir.

 

Cidade de idas e vindas,
Dos que buscam a felicidade,
Dos felizes que buscam,
Dos que procuram o encontro,
Dos que encontram o que procuram.

 

Cidade dos que foram encontrados perdidos,
E dos perdidos que foram encontrados,
Dos que sabem o que procuram,
Dos que procuram o SABER.

 

Mesmo na controvérsia,
Da cidade dos que não mais procuram,
Dos que não sabem mais o que buscam,
Em que nos desencontros encontrados,
Foram perdidos, foram achados.

 

Mesmo na controvérsia,
Não mais sabem qual a felicidade,
De se viver nessa cidade.

 


O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no programa CBN SP e tem a sonorização do Cláudio Antonio

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: “seja um voyeur social”

 

 

No lançamento do livro “Sua Marca Vai Ser Um Sucesso”, uma coletânea do quadro que apresento aos sábados, que tem como protagonistas Jaime Troiano e Cecília Russo, realizamos talk-show, no Teatro Eva Hertz, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. Neste segundo vídeo que publico no blog, Jaime e Cecília falam da importância de se trabalhar a marca do seu produto, empresa ou negócio. E como devemos estar atentos ao nosso cotidiano para compreender as estratégias a serem adotadas: “seja um voyeur social”, diz Troiano.